updated 3:27 PM BRST, Dec 14, 2017
Quinta-Feira, 14 de Dezembro de 2017

"Quero voltar pra provar que o Brasil pode ser feliz outra vez", diz Lula em Maricá

  • Publicado em SOBERANIA

Na quarta-feira, 06/12, terceiro dia do projeto Caravana Lula pelo Brasil, que percorre Espírito Santo e Rio de Janeiro, a agenda do ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva começou ainda na manhã, com uma visita ao Instituto Federal Fluminense (IFF), campus Campos dos Goytacazes, no norte fluminense. De lá, a comitiva seguiu viagem até a cidade de Maricá, no início da Região dos Lagos do Rio., onde a caravana foi celebrada com uma noite de muita emoção.

Lula chegou na Praça da Matriz acompanhado da presidenta eleita Dilma Rousseff, que se juntou à caravana. Ao lado de Dilma, ele elencou as conquistas dos governos petistas perante uma multidão aglomerada no centro da cidade. 

Durante o discurso, Lula ressaltou a importância de se recuperar o otimismo do povo brasileiro e afirmou que, caso seja confirmado candidato às eleições de 2018, deseja "voltar para provar que o Brasil pode voltar a ser feliz".

"Meu diploma é a minha relação com o povo brasileiro. Eu sei o que é acordar com fome, com a casa cheia d'água, com rato tentando subir na cama, com merda boiando no quarto. Eles não sabem e é por isso que eles não cuidam do povo. Eles não conhecem vocês", afirmou Lula. 

O ex-presidente voltou a criticar o mercado e a imprensa por promover "terrorismo" sobre sua eventual candidatura. "Mesmo se eu marcar um gol de bicicleta a imprensa não vai dar, preferem transmitir o gol de canela do adversário", brincou. Sobre sua relação com o mercado, Lula foi enfático. "Eu não preciso do mercado, eles que vão precisar do meu governo".

A presidenta eleita Dilma Rousseff ressaltou que a perseguição a Lula faz parte da continuação do processo do golpe. "Estão querendo tirar o Lula do processo eleitoral porque eles não têm ninguém para concorrer contra ele. Para mim, inventaram as pedaladas; para ele, um processo sem crime", relatou.

No IFF, Lula defende direitos das mulheres e diz que a política está em rota de destruição

Em Campos dos Goytacazes, o reitor do IFF da cidade, Jefferson Azevedo, que classificou a cidade como "simbólica para a educação no estado", saudou a presença de Lula. "Temos dois ex-presidentes que iniciaram processos de transformação do Brasil. Um foi o Nilo Peçanha (1909-1910), que iniciou a rede técnica federal, e o outro o presidente Lula, que levou essa rede para o interior do país, alcançando jovens de todas as regiões", disse.

"Foram mudanças. Com os Institutos Federais, a educação ganhou nova estatura. Um jovem chega para fazer o ensino técnico e pode seguir para a graduação e fazer o mestrado, o doutorado e a preparação para professores em uma única instituição. Isso deve ao trato diferenciado da educação como política de desenvolvimento nacional", completou.

Sobre a atual situação dos institutos, após o impeachment da presidente Dilma Rousseff (PT) em 2016, Azevedo mostra preocupação com as políticas de austeridade praticadas pelo presidente Michel Temer (PMDB), em especial, com a Emenda Constitucional 95, conhecida como a PEC do Teto.

"Vivemos uma perspectiva de enfrentamento porque entendemos que a educação não é só para formar profissionais, e sim gente capaz de criar e, para isso, precisamos preparar os jovens (...). Enfrentamos uma concepção que pretende restringir o papel das escolas."

"Fazemos educação profissional tecnológica para jovens transformarem o Brasil. Em toda a administração pública federal estão preocupados em limitar o orçamento. Eu digo que não é a educação que está em risco, é a educação pública, a saúde pública, o que atinge os pobres do país. Precisamos de uma concepção de desenvolvimento para não alijar os cidadãos. Temos que repensar os modelos que estão postos porque temos que avançar", concluiu.

A fala de Lula

Lula visitou a estrutura da escola antes de dizer algumas palavras aos alunos que o aguardavam no local. O ex-presidente lembrou que os governos do PT foram responsáveis pela criação de cinco campi universitários e 23 escolas técnicas. Desde as primeiras 19 escolas técnicas criadas em 1909, foram entregues 140 novas unidades até 2002, data em que Lula assumiu o governo. Em 12 anos no poder, as gestões petistas criaram 500 novas escolas técnicas.

"No meu governo, a educação foi vista como investimento com o retorno mais sagrado. Uma empresa, você empresta dinheiro e ela pode quebrar. Mas educação, a pessoa cresce e a sociedade conquista esse bem para sempre", disse Lula. "Por isso, tenho orgulho de visitar institutos. Se o jovem não tem profissão, você não tem emprego. Se você tem, pelo menos eles ficam com seu currículo. Um cidadão com profissão arruma emprego."

Lula destacou ainda a importância da educação para mulheres e a relação com a violência doméstica. "A mulher ainda precisa mais de educação por conta de sua independência. Uma mulher bem-informada, estudada, ela conquista isso. Sabemos que mulheres pobres muitas vezes apanham do marido porque dependem do prato de feijão. Se a mulher trabalhar e tiver uma profissão, se o marido encher o saco ela pode virar as costas e isso não é pouca coisa, é um valor inestimável porque a violência contra a mulher acontece nas casas."

Com informações do Blog do Lula e da Rede Brasil Atual | fotos Ricardo Stuckert

 

 

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