updated 2:56 PM BRST, Nov 18, 2017
Terça-Feira, 21 de Novembro de 2017

Plataformas P-71 e P-72, que estavam prontas para montagem, são vendidas como sucata

Matéria publicada nesta terça-feira, 29, pelo site Petronotícias, denuncia mais uma ação criminosa da gestão Pedro Parente. A Petrobrás teria vendido como sucata 80 mil toneladas de peças e aço das plataformas P-71 e P-72, que, segundo o Sindicato dos Metalúrgicos do Rio Grande e São José do Norte, estavam praticamente prontas para serem montadas. "Todo projeto, todo planejamento, todas as compras, o dinheiro que foi investido, a infinidade de horas trabalhadas, se tornaram sucata no Estaleiro Ecovix, em Rio Grande, no Rio Grande do Sul", revela a matéria do Petronotícias. Leia a íntegra da reportagem:

PETROBRÁS VENDE COMO SUCATA DUAS PLATAFORMAS DE PETRÓLEO PRONTAS PARA SEREM MONTADAS EM ESTALEIRO DA ECOVIX

Vai parecer incrível esta notícia, mas é verdade. A Petrobrás, acredite, vendeu como sucata 80 mil toneladas de peças e aço que seriam as plataformas de petróleo P-71 e P-72, que estavam praticamente prontas para serem montadas. É isso mesmo, pode acreditar. Todo projeto, todo planejamento, todas as compras, o dinheiro que foi investido, a infinidade de horas trabalhadas, se tornaram sucata no Estaleiro Ecovix, em Rio Grande, no Rio Grande do Sul. A Gerdau, que não tem nada a ver com uma solução tão criativa, está cortando essa montanha de aço, que por acaso empregava mais de dez mil pessoas, e está transformando tudo em ferro fundido. Esta solução fantástica foi tomada pela alta direção da Petrobrás, por iniciativa de seu presidente Pedro Parente, que havia antecipado há meses que a empresa iria tomar esta decisão.

A previsão do Sindicato dos Metalúrgicos do Rio Grande e São José do Norte se confirmou. Os trabalhadores previam que até o final deste mês, o polo naval gaúcho sofreria este grande novo golpe. A Gerdau, que não tem nada a ver com o problema, iniciou os cortes dos blocos de aço que seriam utilizados na implementação das duas plataformas de petróleo para utilizá-los como sucata. A Ecovix, empresa responsável pela integração da P-71 e P-72 está em meio a um processo de recuperação judicial, mas que possui um projeto de reestruturação para equilibrar a sua situação financeira, não está comentando o assunto. Já a Gerdau, limitou-se a admitir que a empresa “participou do processo de licitação para a compra de sucata do Estaleiro Rio Grande e venceu”.

O Presidente do Sindicato de Metalúrgicos local, Benito Gonçalves, não poupa a direção da Petrobrás e considera um crime de lesa pátria o que está sendo cometido no Rio Grande do Sul:

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“O que está sendo cometido é um crime. Conseguimos mandar um pedido para o juiz que administra a recuperação judicial da Ecovix para que ele possa pedir explicações para os cortes da chapa da P-72. Houve uma reunião no dia 22 de junho em Brasília, onde a Petrobrás disse que a única chance de fazer as plataformas no Estaleiro Rio Grande, salvar o emprego e usar todo material de duas plataformas que já está lá pronto para ser terminado, é se uma empresa que tivesse conhecimento tecnológico e financeiro assumisse o projeto. A Cosco, da China, se interessou. A Petrobrás agora não quer cumprir. Isso é um crime de lesa pátria. Esse material é todo livre de imposto para a construção de plataforma. O que acontece ? Compraram as chapas da Gerdau a peso de ouro, depois de dois navios praticamente prontos, vão picotar tudo e vender para Gerdau derreter e fazer novas chapas para vender novamente para a Petrobrás. A Gerdau comprou a preço de lixo.”

Em 2010, a Ecovix venceu a licitação para montar oito plataformas para a Petrobrás. Três ficaram prontas. Com a Operação Lava Jato, a empresa foi considerada inidônea pela Petrobrás, seus dirigentes chegaram a ser presos e hoje a empresa está em recuperação judicial. Em dezembro do ano passado, o contrato foi suspenso e 3.500 metalúrgicos foram demitidos. Mesmo depois de pagar por todo este material, a atual direção da Petrobrás descontinuou os projetos e mandou vender todas as peças como sucata. O Sindicato dos Metalúrgicos local entrou com uma ação judicial para reverter a situação.

Benito Gonçalves, mostra toda irritação ao falar sobre  este problema:

“Há que se considerar toda qualificação desse pessoal, todo esforço para se transformar em metalúrgico e jogar a gente no lixo, junto com estas peças. Nada justifica utilizar um material já trabalhado para ser vendido como sucata”.

Esta decisão é o ápice do descaso da Petrobrás e do governo federal, através do Ministério das Minas e Energia, com o polo naval gaúcho. A estatal descontinuou uma série de encomendas que fez ao Estaleiro Rio Grande. A Gerdau levará todo material para alguma das suas usinas siderúrgicas localizadas na Região Metropolitana de Porto Alegre.

Fonte: Petronotícias

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