Forte adesão à greve e mobilização nacional da categoria fazem gestão da Petrobrás abrir canal de negociação com o Sindipetro-BA

[Da imprensa do Sindipetro-BA]

Durante o grande ato realizado nessa quinta-feira (18), em frente à Refinaria Landulpho Alves, que reuniu trabalhadores e dirigentes sindicais de todo o Brasil e dos atos realizados por todos os Sindipetros do país, a direção da Petrobrás enviou notificação ao Sindipetro Bahia informando o desejo de reabrir uma mesa de negociação com a entidade sindical.

Diante dessa possibilidade, o sindicato decidiu pela suspensão do movimento grevista, de forma temporária, informando a decisão à categoria, pois como explicou o coordenador do Sindipetro Bahia, Jairo Batista, “para realizar uma greve legal é preciso haver um impasse negocial e diante do comunicado da Petrobrás externando sua vontade de exaurir a negociação, o sindicato, aconselhado, inclusive por sua assessoria jurídica, decidiu pela suspensão da greve e retorno à mesa de negociação”.

Caso não haja avanços satisfatórios nas negociações, o Sindipetro vai definir posteriormente uma nova data de início da greve, que já foi aprovada pela categoria.

O Sindipetro informa que o estado de greve está mantido e que a decisão de suspender o movimento paredista é uma tentativa de avançar na pauta de reivindicações da categoria, especialmente no que diz respeito aos trabalhadores próprios e terceirizados da Rlam e seus terminais, que vivem um clima de insegurança e apreensão devido ao anúncio da venda da refinaria ao fundo árabe Mubadala. A entidade sindical, que é rigorosamente contra a venda da Rlam, quer garantir a manutenção dos direitos, empregos, benefícios e salários desses trabalhadores e discutir as contratações e o futuro dos atuais contratos de trabalho, do fim dos assédios aos trabalhadores e da garantia de um ambiente laboral saudável, caso não consiga evitar a conclusão do processo de venda da Rlam, apesar dos esforços que vêm sendo feitos nesse sentido.

Ato mostrou solidariedade da classe trabalhadora

O ato em defesa da Rlam, que aconteceu na manhã dessa quinta, contou com a presença de trabalhadores petroleiros e de diversas outras categorias de todo o Brasil, além de dirigentes nacionais de importantes entidades como a CUT, representada pelo seu presidente Sérgio Nobre e a CTB, pelo seu presidente, Adilson Araújo.

Participaram também o presidente da IndustriALL – Brasil Aroaldo Oliveira da Silva, a presidente da CUT-Bahia, Maria Madalena Oliveira (Leninha) e representantes de outras centrais sindicais como a CSPConlutas. Toda a diretoria da FUP também estava presente, assim como representantes da FNP, de outros Sindipetros do Brasil e de sindicatos e movimentos sociais da Bahia.

A partir de agora, de acordo com o Sindipetro Bahia, a ideia é atuar em duas frentes: dar continuidade à negociação e, se não houver avanço, retomar a greve, mas que, dessa vez, pode ser nacional, pois os problemas vividos pelos trabalhadores da Bahia são similares aos dos trabalhadores das unidades da Petrobrás de outros estados.

Além da pauta corporativa, em defesa da manutenção dos empregos, dos direitos dos trabalhadores próprios e terceirizados, do meio ambiente do trabalho, contra o assédio moral, a FUP e os Sindipetros também darão continuidade à campanha em defesa do Sistema Petrobrás e contra a venda das refinarias e terminais da estatal, denunciando os prejuízos que a entrega das refinarias causará ao povo brasileiro como a criação de monopólios privados, além da possibilidade de desabastecimento de derivados de petróleo, principalmente do gás de cozinha em algumas regiões do país, e o aumento ainda maior dos preços da gasolina, diesel e gás de cozinha.


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Petroleiros de todo o Brasil se mobilizam contra privatizações e em apoio à greve na Bahia


 

Publicado em Sistema Petrobrás

A categoria petroleira de Minas Gerais se reuniu nesta quinta-feira, dia 18, na portaria da Refinaria Gabriel Passos (REGAP), em Betim, para alertar a população e articular a luta contra a venda das refinarias e o aumento abusivo dos preços dos combustíveis.  

O ato faz parte de uma mobilização nacional nas principais unidades operacionais do Sistema Petrobrás, em dia nacional de luta convocado pela Federação Única dos Petroleiros (FUP).

O movimento nacional foi impulsionado pelo avanço nas negociações em torno da venda da Refinaria Landulpho Alves (RLAM), na Bahia. Em protesto contra as consequências da privatização para os trabalhadores e para a sociedade, petroleiros da Bahia iniciam nesta  quinta-feira, 18, greve por tempo indeterminado.

De acordo com o coordenador do Sindicato dos Petroleiros de Minas Gerais (Sindipetro/MG), Alexandre Finamori, a venda da RLAM  vai  aumentar ainda mais os preços da gasolina, diesel e gás de cozinha, além do risco de desabastecimento. 

“É a primeira refinaria da Petrobrás, uma das maiores e que deu mais lucro durante a pandemia por causa do óleo para navio. Se vender com facilidade uma refinaria que tem histórico de luta como a da Bahia, o que vai acontecer quando [a privatização] chegar às outras?”, questiona o petroleiro.

O ato contou com a participação de outros sindicatos e movimentos sociais, como Sind-UTE/MG, Sintect-MG, Sindieletro-MG, CUT, MST, MAB, MTD, MLC e CSP-Conlutas, além da vereadora de Contagem, Moara Saboia (PT).

Preços abusivos

O atual governo adota como política de preços o Preço de Paridade de Importação (PPI). Essa política determina que o valor dos derivados do petróleo varie conforme o mercado internacional e a cotação do dólar. Assim, os combustíveis sofrem reajustes mais frequentes e abusivos.

Além do PPI, a atual gestão da Petrobrás reduziu a produção nas refinarias próprias da empresa e anunciou a venda de oito unidades. Tudo isso faz parte da política de sucateamento da Petrobrás com o objetivo de vender seus ativos.

Venda a preço de banana

A RLAM está sendo vendida ao Fundo Mubadala por US$ 1,65 bilhão. De acordo com o Ineep, a  refinaria valeria entre US$ 3 bilhões e US$ 4 bilhões. Ou seja, a RLAM está sendo vendida pela metade de seu real valor.

Junto com a RLAM estão sendo entregues 669 quilômetros de oleodutos e os terminais Madre de Deus, Candeias, Jequié e Itabuna.

Na contramão de grandes petrolíferas, o Governo Bolsonaro e a gestão da Petrobrás abrem espaço e incentivam a criação de um oligopólio nacional e monopólios regionais privados e sem competitividade.

[Da imprensa do Sindipetro MG]

Publicado em Sistema Petrobrás

Os petroleiros das bases da FUP amanheceram mobilizados em todas as refinarias, em um dia nacional de luta contra as privatizações no Sistema Petrobrás e em defesa dos empregos e direitos que estão sob forte ataque da gestão da empresa. As mobilizações ocorreram simultaneamente ao ato nacional na Rlam, que marcou o início da greve por tempo indeterminado dos trabalhadores da Petrobrás na Bahia. Uma comitiva com dirigentes sindicais petroleiros de outros estados também esteve presente ao ato na Rlam. 


Leia também: Petroleiros da Bahia iniciam greve com apoio de trabalhadores de todo o Brasil


Do Amazonas ao Rio Grande do Sul, os sindicatos da FUP realizaram atrasos e protestos em frente às refinarias e em outras áreas operacionais, como a Unidade de Tratamento de Gás de Cacimba, no Espírito Santo. Os atos contaram com a participação de trabalhadores próprios e terceirizados de nove estados do país, além da Bahia. Houve atrasos na Reman (AM), na Lubnor (CE), na Abreu e Lima (PE), na Reduc (RJ),na Regap (MG), na Replan e na Recap (em SP), na Repar e na Six (no PR) e na Refap (RS), além da UTGC (ES) e da Rlam (BA), cujos trabalhadores entraram em greve. Veja as fotos abaixo.

Nesta sexta-feira, 19, o Sindipetro-RN também realiza uma mobilização em apoio à greve dos trabalhadores da Bahia, com um ato no Polo de Guamaré.

Todo o Sistema Petrobrás está sob ataque, com várias unidades já privatizadas e diversas outras com a venda anunciada, como é o caso de metade do parque de refino da empresa. Neste momento, além da Rlam, mais cinco refinarias estão em processo acelerado de privatização: a Fábrica de Lubrificantes do Nordeste (Lubnor), no Ceará; a Usina de Xisto (SIX), no Paraná; a Refinaria Alberto Pasqualine (Refap), no Rio Grande do Sul; a Refinaria Gabriel Passos (Regap), em Minas Gerais, e a Refinaria Abreu e Lima (Rnest), em Pernambuco.

Venda das refinarias vai gerar monopólios regionais privados

Um estudo da PUC Rio, que analisou os efeitos da privatização de seis das oito refinarias colocadas à venda pela direção da Petrobras, apontou que a venda das unidades, ao contrário do que a empresa e o mercado defendem, não aumentará a competitividade e sim a concentração do setor. Segundo o estudo, das refinarias que estão à venda, as que têm maior potencial para formação de monopólios regionais são a Rlam, a Reman, a Refap e a Regap. 

Durante os atos de hoje, a FUP e seus sindicatos tornaram a alertar a sociedade para o fato de que a privatização das refinarias vai aumentar as demissões em massa, os riscos de acidentes e de impactos para o meio ambiente, a perda de soberania e fazer disparar os preços já elevados dos derivados de petróleo. Só nos dois primeiros meses de 2021, a diretoria da Petrobrás já aumentou em 34,7% o preço da gasolina nas refinarias, com o novo reajuste anunciado nesta quinta-feira. O diesel também sofreu novo aumento e já custa 27,7% a mais desde o início do ano.

“Estamos denunciando os impactos negativos para a população das privatizações de refinarias, terminais e sistemas logísticos que a atual gestão da Petrobrás está promovendo. A venda da RLAM e de outras refinarias pode criar monopólios regionais, e isso vai aumentar ainda mais os preços dos combustíveis. A política de preços da atual gestão da Petrobrás, que já reajustou gasolina e diesel em torno de 30% somente este ano, é nefasta, mas os preços subirão ainda mais com a venda dessas refinarias, já que os investidores que adquirirem esses ativos vão poder cobrar o preço que bem entenderem. Sem falar no risco de desabastecimento, se o dono da refinaria optar por exportar combustíveis em vez de vender no mercado brasileiro”, explicou o coordenador da FUP, Deyvid Bacelar.

No ato com petroleiros e movimentos sociais de Minas Gerais, realizado pela manhã na Regap, o coordenador do Sindipetro-MG, Alexandre Finamori, também ressaltou a relação direta entre a política de preços da Petrobrás e a privatização das refinarias. Veja a publicação no Twitter da FUP: 

A representante dos trabalhadores no Conselho de Administração da Petrobrás, Rosângela Buzanelli, também se manifestou estasemana sobre os aumentos seguidos nos preços dos combustíveis. "Estamos falando aqui dos preços dos combustíveis revendidos pelas refinarias da Petrobrás. Obviamente que esses valores vão chegar bem mais altos para o consumidor final na bomba do posto de abastecimento", alertou. "O reajuste vai gerar aumento de quase tudo, porque o custo do combustível tem influência direta na inflação, em especial nos alimentos e nas bebidas, e afeta, principalmente, o setor de transportes", acrescentou. "A Petrobrás pratica hoje o preço de uma empresa privada, quando poderia (e deveria) praticar um preço mais justo, exercendo sua função de empresa estatal, que atenda aos interesses da população brasileira", afirmou a conselheira.

[Imprensa da FUP]

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Publicado em Sistema Petrobrás

Primeiro dia de greve dos petroleiros da Bahia foi marcado por ato nacional na Rlam e mobilizações pelo Brasil afora, nas principais unidades operacionais do Sistema Petrobrás, em dia nacional de luta convocado pela FUP

[Da imprensa do Sindipetro Bahia]

A greve dos petroleiros da Bahia começou às 5h30, dessa quinta (18), com uma boa adesão (aproximadamente mil trabalhadores). Não houve troca de turno na Refinaria Landulpho Alves (Rlam), localizada no município de São Francisco do Conde, no Recôncavo baiano. Os trabalhadores – próprios e terceirizados – permaneceram do lado de fora da unidade.

A Petrobrás manteve na refinaria operadores que já tinham terminado o seu turno de trabalho, o que segundo a assessoria jurídica do Sindipetro Bahia configura-se cárcere privado. A estatal também tentou interferir no legítimo exercício de greve da categoria, com pressão, atitudes antissindicais e o uso da polícia.

A luta da categoria é por direitos, empregos, soberania e contra a insegurança, a pressão e o assédio moral. Os petroleiros também reivindicam o cumprimento de cláusulas do Acordo Coletivo de Trabalho.


Leia também: Petroleiros de todo o Brasil se mobilizam contra privatizações e em apoio à greve na Bahia


O coordenador da Federação Única dos Petroleiros (FUP), Deyvid Bacelar, explica que “além de garantir os empregos e os direitos dos trabalhadores próprios e terceirizados da Petrobrás que vão ser afetados com a venda da Rlam, nosso objetivo com a greve e com os atos que promovemos hoje em todo o país é denunciar os impactos negativos para a população das privatizações das refinarias, terminais e sistema logístico que a atual gestão da Petrobrás está promovendo. A venda da RLAM e de outras refinarias pode criar monopólios regionais privados, e isso vai aumentar ainda mais os preços dos combustíveis”.

Ato em defesa da Rlam mostrou união da classe trabalhadora

Por volta das 7h petroleiros de todo o Brasil, dirigentes das centrais sindicais, a exemplo da CUT, de movimentos sociais e de diversas categorias, além de parlamentares, se juntaram aos grevistas em um grande ato em defesa do Sistema Petrobrás e contra a venda da Rlam, que deve ser adquirida pelo fundo árabe Mubadala por U$ 1,65 bilhão, sem a sua devida valoração (cálculos realizados pelo Instituto de Estudos Estratégicos de Petróleo, Gás Natural e Biocombustíveis (Ineep) apontou que apontou que a refinaria valeria entre US$ 3 bilhões e US$ 4 bilhões).

Participaram do ato, o presidente nacional da CUT, Sérgio Nobre, o presidente nacional da CTB, Adilson Araújo, o presidente da IndustriALL, Aroaldo Oliveira da Silva, a presidente da CUT-Bahia Maria Madalena Oliveira (Leninha) e representantes de outras centrais sindicais como a CSPConlutas. Toda a diretoria da FUP também esteve presente, assim como um representante da FNP.

Estavam presentes ainda representantes de confederações e federações de trabalhadores e trabalhadoras de empresas públicas e estatais e de movimentos sociais e da juventude, a exemplo do MST, MAB, MPA e Levante Popular da Juventude. Além de dirigentes de diversos sindicatos filaidos à CUT e outras centrais sindicais.

Também participaram da mobilização, que durou cinco horas e reuniu cerca de mil pessoas, dirigentes das Frentes Brasil Popular e do Povo sem Medo, além de parlamentares como o deputado estadual, Joseildo Ramos (PT-BA) e o deputado estadual Hilton Coelho (PSOL).

Os diretores dos Sindipetros de todo o Brasil denunciaram o desmonte do Sistema Petrobras, se colocaram contra a venda das refinarias da estatal e defenderam a soberania nacional. Os sindicatos da FUP também realizaram atos simultâneos em suas bases, em apoio à greve dos petroleiros da Bahia.

Para o presidente nacional da CUT, Sérgio Nobre, “é urgente que o movimento sindical se reúna para construir uma grande luta nacional em defesa do emprego e da vida. É uma vergonha que o país até agora só vacinou 5,5 milhões de brasileiros. O momento é grave e o caminho é esse, o caminho da luta que os petroleiros da Bahia estão apontando para a classe trabalhadora brasileira”.

Adilson Araújo, presidente nacional da CTB, ressaltou a importância da greve dos petroleiros e falou sobre o sucateamento da Petrobras. “O governo federal investe em uma política de desnacionalização da nossa economia e isso tem repercussão no processo de desindustrialização do país, mais ainda quando faz valer a sua agenda ultraliberal de entrega do patrimônio nacional”.

Já o metalúrgico Aroaldo Oliveira da Silva, presidente da IndustriALL Brasil falou sobre as consequências do desmonte da estatal para todo o país. “Quando a Petrobrás acabou com a sua política de conteúdo local no governo Temer a gente sentiu diretamente na nossa categoria, nos metalúrgicos, muitas empresas quebraram porque já não participavam mais desse sistema. Por isso a importância da Petrobrás e da luta para impedir esse desmonte que vem acontecendo e pode gerar milhões de desempregados pelo Brasil”.

O diretor de comunicação do Sindipetro, Radiovaldo Costa, acredita que “a greve dos petroleiros da Bahia e o ato que reuniu trabalhadores de todo o Brasil podem ser o pontapé para um grande e forte movimento nacional. O povo e a classe trabalhadora são a maioria nesse país. Temos de despertar para nossa força. A Petrobrás é nossa, esse país é dos brasileiros e não do “mercado” e nem das empresas multinacionais”.

Para o coordenador do Sindipetro Bahia, Jairo Batista, o ato em defesa da Rlam e da Petrobrás abriu a greve da categoria petroleira na Bahia, “mostrando a força da classe trabalhadora, que pode ditar outros rumos para o nosso país, para que voltemos aos trilhos na construção de uma nação justa, com igualdade social e respeito aos cidadãos e aos direitos trabalhistas”.

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Publicado em Sistema Petrobrás

Os petroleiros da Bahia entram em greve por tempo indeterminado à zero hora e 1 minuto dessa quinta-feira (18). A luta da categoria é por direitos, empregos e contra a insegurança e também contra a pressão e o assédio moral.

Para marcar o primeiro dia de greve, a categoria participa de um grande ato em frente à Refinaria Landulpho Alves (Rlam), localizada no município de São Francisco do Conde, no Recôncavo baiano, a partir das 7h dessa quinta. Já estão confirmadas as presenças do presidente nacional da Central Única dos Trabalhadores (CUT), Sérgio Nobre, do presidente nacional da Central dos Trabalhadores e Trabalhadoras do Brasil (CTB), Adilson Araújo e de representantes de outras centrais sindicais.

Estarão presentes ainda representantes de confederações e federações de trabalhadores e trabalhadoras de empresas públicas e estatais e de movimentos sociais e da juventude, a exemplo do MST, MAB, MPA e Levante Popular da Juventude.

Também já confirmaram presença dirigentes das Frentes Brasil Popular e Povo sem Medo e lideranças políticas, além de parlamentares.

Os trabalhadores próprios e terceirizados da Rlam e do Temadre (Terminal de Madre de Deus) também vão participar da mobilização.


Leia também: Sindicatos da FUP realizam atos nesta quinta para fortalecer greve na Rlam


Movimento é legítimo e legal

A diretoria do Sindipetro participou de reuniões de negociação com o RH corporativo da Petrobras, mas não houve avanço, por isso, a categoria confirma a deflagração do movimento paredista, aprovado em assembleias que aconteceram em todas as unidades do Sistema Petrobras em dezembro de 2020. .

As reivindicações são pautas antigas de luta que o Sindipetro vem tentando avançar, sem sucesso. “Chega uma hora que não dá mais. É preciso paralisar as atividades para que a direção da estatal olhe para os inúmeros problemas que vêm acontecendo em suas unidades”, diz o coordenador do Sindipetro, Jairo Batista.

O Sindipetro vai manter, como determina a lei, o efetivo mínimo para garantir os serviços inadiáveis e indispensáveis a população. Mas não irá debater, como queria a Petrobras, sobre os demais serviços que não fazem parte desse escopo, pois esses não estão no amparo da lei que determina o contingente mínimo em caso de greve.

O coordenador da Federação Única dos Petroleiros (FUP), Deyvid Bacelar, ressalta que “a decisão da atual gestão da Petrobras de acelerar a venda e o desmonte de suas unidades na Bahia, vem afetando não só a economia do estado e de diversos municípios que têm nos impostos pagos pela estatal (royalties, ISS, ICMS) uma importante fonte de receita, mas vem provocando também a perda de postos de trabalho”.

Com a venda da Refinaria Landulpho Ahá lves para o fundo árabe Mubadala, por R$ 1,65 bilhão, essa situação tende a piorar. Há grande insegurança entre os trabalhadores próprios e terceirizados da Petrobras. “Falta transparência. Em nenhum momento, o Sindipetro foi chamado pela Petrobras para discutir como vão ficar os contratos desses trabalhadores caso a venda da Rlam seja concretizada. Sabemos que muitos trabalhadores terceirizados serão demitidos e os próprios estão sendo pressionados a aderir ao Plano de Demissão Voluntária, ou serão transferidos para outros estados”, denuncia o diretor de comunicação do Sindipetro, Radiovaldo Costa.

[Da imprensa do Sindipetro-BA]

Publicado em Sistema Petrobrás

“Essa paralisação é importante para todo o país”, diz presidente nacional da CUT, que participa nesta quinta (18) do ato que marca início da greve na refinaria de Landulpho Alves

[Da redação da CUT]

O presidente nacional da CUT, Sérgio Nobre, desembarca na noite desta quarta-feira (17) na Bahia para apoiar, de perto, a greve dos petroleiros no Estado, decretada em protesto contra a venda da Refinaria Landulpho Alves (Rlam), do sistema Petrobras, à empresa Mubadala Capital, de Abu Dhabi, nos Emirados Arabes.

“Essa greve é importante para todo o país, defende empregos, a Petrobras e mais, a soberania”, disse Sérgio Nobre, que participará, nesta quinta-feira (18), às 7h, do ato que marca o início da paralisação por tempo indeterminado. 

O ato acontecerá no acesso à refinaria, no município de São Francisco do Conde, a 72 quilômetros de Salvador. Somente em 2019, o governo de Bolsonaro e Paulo Guedes, ministro da Economia, vendeu R$ 70,9 bilhões em ativos da Petrobrasa maior empresa estatal do país, que já teve mais de 16% de suas ações repassadas à iniciativa privada desde 2018, depois do golpe que destituiu a presidenta Dilma Rousseff. 

“Essa greve é muito emblemática e importante na nossa luta para denunciar como esse governo faz tudo para precarizar a vida dos trabalhadores e trabalhadoras, ao atacar a soberania de uma nação por meio da privatização, da venda de empresas estratégicas”, afirma Sérgio Nobre.

 “Não vamos aceitar que os bens mais valiosos da nossa soberania sejam passados à iniciativa privada, que só pensa em lucro e não tem nenhum compromisso com a classe trabalhadora e o desenvolvimento do país”, complementou o presidente nacional da CUT

PRIORIDADE, EMPREGOS

Ao destacar que “a pauta da geração de empregos de qualidade é prioritária para a CUT e o movimento sindical”, Sérgio Nobre afirmou: “Ao longo da história do nosso país, nunca houve um momento em que o Brasil tivesse vivido um crescimento que não tenha sido impulsionado pelas estatais, como a Petrobras, os bancos públicos. A iniciativa privada, por sua vez, jamais fez os investimentos necessários ao crescimento do Brasil, ao contrário do que tenta pregar esse governo genocida e entreguista”

O presidente nacional da CUT lembrou que a Petrobras representa, sozinha, 70% do investimentos que entram no país, que é uma estatal lucrativa, e que nenhuma o nação no mundo privatizaria uma empesa como essa.

O que o governo Bolsonaro vem fazendo, segundo Sérgio Nobre, é fatiar (em subsidiárias) a Petrobras para vender, sem ter que que passar pela aprovação do Congresso Nacional. É uma ameaça permanente a esse outros setores estratégicos, como energia elétrica, que impõe ao povo brasileiro o risco de altas constantes de preços e de escassez de produtos.  

Nenhuma nação do mundo conseguiu dar um padrão de vida digno de para o seu povo sem ter uma base industrial importante e a Petrobras é um dos instrumentos de desenvolvimento do Brasil e “isso precisa ficar claro para o povo brasileiro. Todo apoio à greve dos petroleiros da Bahia”

Com base em dados do Ineep (Instituto de Estudos Estratégicos de Petróleo, Gás Natural e Biocombustíveis), divulgados pela FUP (Federação Única dos Petroleiros), a Landulpho Alves vale US$ 4 bilhões, mas está sendo entregue à empresa Mubadala Capital por US$ 1,65 bilhão

A Landulpho Alves tem 70 anos, foi a primeira refinaria do Sistema Petrobras e a segunda do país em capacidade. Tem 900 trabalhadores diretos e 1,7 mil terceirizados. São homens e mulheres, agora, sem certeza do futuro, do emprego e dos seus direitos.

A Sindipetro-BA e a FUP destacam que a Rlam é importante à economia da Bahia e à de diversos municípios que dependem dos royalties, ISS e ICMS pagos pela refinaria. Dirigentes petroleiros destacam que a Rlam foi decisiva para alavancar o desenvolvimento econômico do Estado baiano e também do primeiro complexo petroquímico planejado do país e maior complexo industrial do Hemisfério Sul: o Polo Petroquímico de Camaçari, na região metropolitana de Salvador.

LUTA CONTRA NOVAS VENDAS

A direção da Petrobras anunciou em 8 de fevereiro a conclusão das negociações para a venda da refinaria à Mubadala Capital, que  “apresentou a melhor oferta”. Com a Rlam serão entregues 669 quilômetros de oleodutos, que ligam a refinaria ao Complexo Petroquímico de Camaçari e ao Terminal de Madre de Deus, que também está sendo vendido no pacote que inclui ainda outros três terminais da Bahia (Candeias, Jequié e Itabuna).

A Rlam tem 26 unidades de processamento, e 201 tanques de armazenamento. Ela refina mais de 30 tipos de produtos, entre eles gasolina, diesel, lubrificantes, querosene de aviação, entre outros.

A Refinaria Landulpho Alves é a única produtora nacional de uma parafina alimentícia usada na fabricação de chocolates e chicletes, a chamada food grade. O processo de venda da Rlam é o mais adiantado entre as oito refinarias que a Petrobras pretende privatizar até o final de 2021

Estão em processos para venda, segundo Petrobras: Refinaria Alberto Pasqualini (REFAP), no Rio Grande do Sul, Refinaria Isaac Sabbá (REMAN), no Amazonas, Refinaria Abreu e Lima (RNEST), em Pernambuco, Refinaria Gabriel Passos (REGAP), em Minas Gerais, Lubrificantes e Derivados de Petróleo do Nordeste (LUBNOR), no Ceará, e Unidade de Industrialização do Xisto (SIX), no Paraná (dados da empresa).

Publicado em Sistema Petrobrás

A data marca o início da greve dos petroleiros da Bahia. Política de preços dos combustíveis também é alvo das manifestações 

[Da imprensa do Sindipetro PR/SC ] 

Após uma série de reuniões por videoconferência, organizadas pelo Sindicato, os petroleiros da Refinaria Presidente Getúlio Vargas (Repar), em Araucária, e da Usina do Xisto (SIX), em São Mateus do Sul, decidiram realizar protestos nas unidades nesta quinta-feira (18), a partir das 07h00. 

A motivação para o movimento foi o anúncio da conclusão do processo de privatização da Refinaria Landulpho Alves (RLAM) e seus ativos logísticos associados, na Bahia. A direção da empresa, sob o comando do entreguista Roberto da Cunha Castello Branco, pretende vender a primeira refinaria brasileira para o Fundo Mubadala Capital, pertencente a uma holding estatal dos Emirados Árabes, por US$ 1,65 bilhão. 

Cálculos do Instituto de Estudos Estratégicos de Petróleo, Gás Natural e Biocombustíveis (Ineep), feitos a partir da metodologia de fluxo de caixa descontado, mostram que a unidade de refino baiana vale entre US$ 3 bilhões e US$ 4 bilhões, ou seja, a Petrobrás no governo Bolsonaro quer liquidar mais um importante ativo a preço de banana. 

Além disso, a gestão da estatal reafirmou a continuidade do processo de venda de outras seis refinarias, entre elas a SIX. A Repar teve sua privatização postergada porque as propostas apresentadas pelas empresas interessadas ficaram muito abaixo do esperado. 

As manifestações na Repar e SIX se somam aos demais atos convocados pela FUP que acontecem em plantas da Petrobrás no país todo nesta quinta, data na qual os petroleiros baianos entram em greve por empregos e direitos. 

Preços dos Combustíveis

A política de preços dos combustíveis adotada em 2016 durante o governo Temer e mantida no governo Bolsonaro, com pequenas mudanças, é outra razão para a mobilização. A categoria é contra a vinculação do preço interno ao mercado internacional, por meio do mecanismo chamado de PPI (Preço de Paridade Internacional). Tal mecanismo atrela os valores dos combustíveis às cotações do dólar e do barril petróleo, e ainda acrescenta os custos de importação. É por isso que os preços da gasolina, do diesel e do gás de cozinha dispararam nos últimos quatro anos.  

 

Publicado em Sistema Petrobrás

Os petroleiros da Bahia iniciam no primeiro minuto desta quinta-feira, 18, greve por tempo indeterminado, em defesa dos empregos e direitos que estão sob ataque em meio ao processo de desmonte do Sistema Petrobrás no estado. A Refinaria Landulpho Alves (Rlam), uma das mais importantes para a cadeia petroquímica do país, está sendo adquirida pelo Mubadala, um fundo de investimentos do Emirados Árabes, pela metade do preço.

De acordo com o Instituto de Estudos Estratégicos de Petróleo, Gás Natural e Biocombustíveis (Ineep), a Rlam está avaliada entre US$ 3 bilhões e US$ 4 bilhões, mas foi comercializada por US$ 1,65 bilhão. Um prejuízo não só para a Petrobrás, como para os consumidores, que pagarão mais caro pelos combustíveis, pois a privatização das refinarias, como apontam vários especialistas, criará monopólios regionais privados, que irão determinar os preços dos derivados, sem qualquer controle do Estado brasileiro.

Um estudo da PUC Rio, que analisou os efeitos da privatização de seis das oito refinarias colocadas à venda pela direção da Petrobras, apontou que a venda das unidades, ao contrário do que a empresa e o mercado defendem, não aumentará a competitividade e sim a concentração do setor. Segundo o estudo, das refinarias que estão à venda, as que têm maior potencial para formação de monopólios regionais são a Rlam, a Reman, a Refap e a Regap. 


Leia também: Aumento no valor dos combustíveis é culpa da política de preços da Petrobrás, apontam especialistas


Mobilizações em todo o país

Para fortalecer a greve, os sindicatos da FUP realizam nesta quinta pela manhã atos em todas as bases de representação da entidade, com atrasos, carreatas e protestos na porta das unidades. Veja abaixo o quadro das mobilizações.

Além da Rlam, outras cinco unidades de refino do Sistema Petrobrás estão em processo acelerado de privatização: a Fábrica de Lubrificantes do Nordeste (Lubnor), no Ceará; a Usina de Xisto (SIX), no Paraná; a Refinaria Alberto Pasqualine (Refap), no Rio Grande do Sul; a Refinaria Gabriel Passos (Regap), em Minas Gerais, e a Refinaria Abreu e Lima (Rnest), em Pernambuco.


Leia também: Venda da RLAM é o início de um monopólio privado, cuja conta cairá no colo do consumidor


Trabalhadores sofrem com insegurança e assédio moral

Sem informações sobre quem irá operar a Rlam e como ficará a situação dos trabalhadores próprios e terceirizados, após a assinatura do contrato de venda para o fundo Mubadala, o Sindipetro Bahia, junto com a FUP, vem buscando interlocução com a gestão da Petrobrás, parlamentares e o governo da Bahia. A empresa até hoje não respondeu como será a transição da venda da refinaria. Enquanto isso, os petroleiros sofrem as consequências do desmonte dos efetivos da refinaria, aumento da insegurança e assédio moral, em plena pandemia da Covid-19.  

“São cerca de 900 trabalhadores próprios da Petrobrás e 1.700 terceirizados que não receberam da empresa qualquer atenção durante o processo de venda, não foram ouvidos, e agora não sabem como será seu futuro. A legislação diz que a empresa tem de negociar com o sindicato todas as questões que envolvam sua força de trabalho, mas a gestão da Petrobrás ignora isso e ainda tenta politizar uma greve que é legítima e justa pelos direitos dos trabalhadores”, explica o coordenador geral da FUP, Deyvid Bacelar.


Leia também:

Clube de Engenharia e Crea-RJ divulgam manifesto contra privatização da Rlam

Péssimo negócio: Nassif alerta que Petrobrás jamais venderia refinarias, se fosse uma empresa privada

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Participe das mobilizações desta quinta

Sindipetro Amazonas

Ato nesta quinta, na Refinaria de Manaus (Reman), e carreata no sábado no Centro de Manaus contra as privatizações na Petrobrás e a política de preços dos combustíveis.

Sindipetro Ceará/Piauí

Ato nesta quinta na Lubnor, no Ceará.

Sindipetro Rio Grande do Norte

Ato na sexta no Polo de Guamaré.

Sindipetro Pernambuco/Paraíba

Ato nesta quinta na Refinaria Abreu e Lima (Rnest), em Pernambuco.

Sindipetro Bahia

Ato na entrada da Refinaria Landulpho Alves (Rlam), com participação de dirigentes da FUP e dos sindicatos, em apoio à greve.

Sindipetro Espírito Santo

Ato nesta quinta na Unidade de Tratamento de Gás de Cacimba (UTGC), em Linhares.

Sindipetro Norte Fluminense

Categoria está em estado de assembleia permanente.

Sindipetro Duque de Caxias

Ato com carreata nesta quinta no acesso à Reduc, na saída da Rodovia Washigton Luís.

Sindipetro Minas Gerais

Ato nesta quinta na Refinaria Gabriel Passos (Regap), em Betim.

Sindipetro Unificado de São Paulo

Atos na quinta nas refinarias de Paulínia (Replan) e de Mauá (Recap).

Sindipetro Paraná/Santa Catarina

Atos nesta quinta na Repar (Araucária) e na SIX (São Mateus do Sul), no Paraná.

Sindipetro Rio Grande do Sul

Atos na quinta na Refap (Canoas) e no Terminal de Osório (Tedut).

[Imprensa da FUP]

Publicado em Petrobrás Fica

Mecânico teve o braço esquerdo rasgado, do punho até o ombro, por uma correia transportadora de um dos equipamentos da unidade. Segundo o Sindipetro-PR/SC, a situação na SIX é grave. Há negligência na segurança dos trabalhadores e os protocolos de prevenção à covid-19 não são respeitados

[Da imprensa do Sindipetro-PR/SC]

Trabalhador da SIX em São Mateus do Sul foi afastado das suas atividades com uma laceração contusa no braço, ele passou por cirurgia e ficará ao menos trinta dias se recuperando. O acidente aconteceu no fim de janeiro e reforça o que o Sindipetro PR e SC vem alertando nos últimos anos: há risco ao profissional que desempenha suas funções devido ao sucateamento dos equipamentos para eventual privatização da fábrica e é necessário aumentar o número de Técnicos de Segurança (TS) próprios por turno na usina. 

Denúncias vindas dos trabalhadores próprios e terceirizados revelam que a gestão da SIX opta pela terceirização e precarização dos TS. Essa redução no número de técnicos próprios prejudica não só a usina, mas também o município de São Mateus do Sul, já que eles prestam apoio ao corpo de bombeiros em ocorrências de incêndio na região; além de trabalhar em áreas onde há mina e indústria pesada, demandas que exigem mão de obra especializada.      

O Sindipetro defende a intensificação das medidas de proteção aos trabalhadores, seja na manutenção dos equipamentos ou na prevenção à covid-19. Especificamente em relação ao vírus, solicita também apresentação de um plano de imunização para os profissionais próprios e terceirizados que são considerados serviços essenciais. 

A situação na SIX é grave. Há negligência na segurança dos trabalhadores e os protocolos de prevenção à covid-19 não são respeitados. No período em que houve o referido acidente, outros dois profissionais de segurança já estavam positivados e afastados. Antes disso, outro companheiro que atuava na usina foi vítima fatal do coronavírus (leia aqui).  

Publicado em Sistema Petrobrás

Além de criar um monopólio, colocando os preços dos combustíveis e consequentemente do transporte nas mãos de uma empresa privada, a venda da Refap trará prejuízos imensuráveis para os municípios de Araricá, Canoas, Cidreira, Gravataí, Igrejinha, Imbé, Osório, São Francisco de Paula e Tramandaí, que contam com receitas dos royalties do petróleo

[Do Brasil de Fato/RS]

Com a definição do Grupo Ultra, anunciada pela Petrobras no último dia 08 como comprador da Refinaria Alberto Pasqualini (Refap), de Canoas (RS), dentro da estratégia de venda das refinarias da estatal petroleira, o governo praticamente cria um monopólio privado do refino e distribuição de derivados de petróleo no Rio Grande do Sul. O comprador já é controlador de uma refinaria na cidade de Rio Grande e possui uma grande rede de distribuição, os Postos Ipiranga.

Além de criar um monopólio, colocando os preços dos combustíveis e consequentemente do transporte nas mãos de uma empresa privada, a venda trará prejuízos imensuráveis para os municípios de Araricá, Canoas, Cidreira, Gravataí, Igrejinha, Imbé, Osório, São Francisco de Paula e Tramandaí, que contam com receitas dos royalties do petróleo.

Estas informações foram repassadas pelos diretores do Sindicatos dos Petroleiros do Rio Grande do Sul (Sindipetro-RS) ao governo do estado e às prefeituras dos municípios. Pois apesar da nova controladora continuar usando os terminais e dutos que dão direito aos royalties, isto só acontece com o petróleo brasileiro. Dessa forma, dependendo do mercado internacional e da vontade da empresa, o produto pode ser importado de outros países, o que terminaria com a arrecadação.

O diretor do Sindipetro-RS, Dary Beck Filho, afirma que “atualmente somente o município de Canoas terá um prejuízo entre R$ 250 e R$300 milhões anualmente, além das prefeituras de Imbé e Tramandaí, que podem perder até 80% de sua arrecadação”. 

Ele explicou que o sindicato e a Federação dos Petroleiros são contra essas vendas de ativos, pois implicam no desmonte da Petrobras como empresa integrada e instrumento de desenvolvimento social do país. Com essa venda da Refap e dos terminais integrados a ela, a Petrobras está indo embora do RS. “O sindicato já acionou a Justiça Federal e Estadual contra o negócio sob vários aspectos e fará outras ações ainda. Na JF, infelizmente o STF decidiu que as estatais podem ser vendidas aos pedaços sem a necessidade de debate com o parlamento.”

Além disso, Dary alerta para a possibilidade de desemprego na Região Metropolitana: “Hoje temos 750 trabalhadores diretos e o mesmo número de terceirizados, totalizando 1.500 operários. Dependendo da estratégia do comprador, vai ficar um terço disso. O Temer já tinha um projeto parecido. Mas estava no programa do Bolsonaro”.

Já sua colega de diretoria, Miriam Cabreira, lembra que “já teve anúncio de fato relevante, tanto da Petrobras quanto do Grupo Ultra, de que eles avançaram no processo e que agora estão na próxima etapa de negociação dos termos do contrato”. Segundo ela, o Sindipetro-RS tem acompanhado esse processo e já realizou várias audiências públicas alertando sobre os riscos da privatização. “Na verdade, a privatização da Refap, com seus dutos e terminais, significa, na prática, a saída de Petrobras do Rio Grade do Sul.”

Miriam recorda toda a luta que o Sindipetro-RS travou parra impedir a negociação. “Os trabalhadores têm enfrentado esse tema em diversas frentes, desde mobilizações, ações políticas e também jurídicas. Alertamos os prefeitos do Litoral sobre o impacto nos royalties, conversamos com o prefeito de Canoas sobre o impacto na arrecadação de ICMS, temos diversas ações na Justiça. Também fazemos campanhas de gás a preço justo pra alertar a população de que a Petrobras pode e deve cobrar menos pelos combustíveis e que, em caso de privatização, o preço só vai aumentar, com certeza matemática.”

Ela conta que os petroleiros tiveram audiência com o governador Eduardo Leite (PSDB), em 2019, sobre os diversos impactos, em especial que o RS ficará refém de um monopólio regional privado. “Agora, com o anúncio de que o grupo Ultra é o comprador, esse risco é ainda mais grave, pois o grupo Ultra tem importante fatia do mercado de distribuição”, afirma.

O comprador

Conforme a coluna da editora de economia de Zero Hora, Marta Sfredo, o Grupo Ultra é dono da rede de postos Ipiranga, que comprou em parceria com Petrobras e Braskem, em 2007. Tem grande proximidade com o estado, tanto pela forte presença da marca Ipiranga e sua identificação com os gaúchos quanto por outros negócios que tem por aqui: uma pequena unidade no polo petroquímico de Triunfo (Oxiteno) e um terço da refinaria de Rio Grande. Ainda é dona da Ultragaz, da Ultracargo e da Extrafarma. No terceiro trimestre de 2020, a sua receita foi de R$ 20,76 bilhões (queda de 11% ante igual trimestre de 2019 e alta de 31% frente ao trimestre anterior). O lucro foi de R$ 277 milhões, 10% inferior ao do terceiro trimestre de 2019.

Já, de acordo com  noticia do Jornal do Comercio, o fato relevante encaminhado à Comissão de Valores Mobiliários (CVM) e assinado pelo diretor Financeiro e de Relações com Investidores da Ultrapar Participações, Rodrigo de Almeida Pizzinatto, salienta que o grupo já atua na área de óleo e gás por meio da Ipiranga, Ultragaz e Ultracargo (essas duas últimas companhias envolvidas nos segmentos de GLP e de armazenagem de granéis líquidos). De acordo com o documento, "a potencial aquisição da Refap fortalecerá a posição da Ultrapar no setor, contribuindo para um portfólio de negócios mais complementar e sinérgico, com maior eficiência, potencial de geração de valor para toda a cadeia e benefícios para os consumidores".

A Refap

A Refinaria Alberto Pasqualini iniciou suas operações em setembro de 1968, processando uma média diária de 4,5 mil m³ de petróleo. Essa capacidade foi gradativamente ampliada até atingir 20 mil m³/dia na década de 90. Em 2001, tornou-se uma sociedade anônima, a Alberto Pasqualini – Refap S.A., que tinha a subsidiária Downstream Participações S.A., da Petrobras, como sua principal acionista.

A constituição da sociedade anônima foi articulada com um projeto de ampliação e modernização tecnológica da planta industrial, um investimento da ordem de US$ 1,28 bilhão concluído em 2006. Com a ampliação, a refinaria aumentou a capacidade de produção de 20 mil para 30 mil m³/dia e triplicou a complexidade operacional, possibilitando o processamento de petróleos mais pesados.

Em 2010, a Refinaria Alberto Pasqualini obteve a licença para processar 32 mil m³/dia. No final desse ano, a Downstream Participações adquiriu a totalidade das ações da Refap S.A, consolidando-a como uma empresa de capital 100% Petrobras. Isso possibilitou ganhos de logística e otimização do processamento de petróleo nacional e produção de derivados, além da execução dos investimentos programados para produção de diesel com baixo teor de enxofre, em atendimento à legislação vigente. Em agosto de 2012, a refinaria foi reintegrada como uma das unidades de operações da Petrobras.

A refinaria está ligada, através de dutos, ao Terminal Marítimo Almirante Soares Dutra (Tedut), em Osório (RS), e ao Terminal de Niterói (Tenit), em Canoas (RS), a partir do qual é realizado o transporte de produtos por via hidroviária até o Terminal de Rio Grande, em Rio Grande (RS).

Características técnicas

Capacidade instalada: 201.280 bbl/dia ou 32 mil m³/dia

Área total: 5,8 km²

Unidades existentes:
- Unidade de Destilação Atmosférica
- Unidade de Destilação a Vácuo
- Unidade de Craqueamento Catalítico Fluido
- Unidades de Solventes
- Unidade Desaromatizadora de Solventes
- Unidade de Craqueamento Catalítico Fluido de Resíduo
- Unidade de Coqueamento Retardado
- Unidades Recuperadoras de Enxofre
- Unidade Tail Gas
- Unidade de Propeno
- Unidade Geradora de Hidrogênio
- Unidade de Hidrotratamento de Diesel
- Unidade de Hidrodessulfurização de Nafta
- Caldeiras de Geração de Vapor
- Cogeração a Vapor
- Cogeração Elétrica
- Geradores – Steam Topping Let-Down e Steam Extraction
- Turbo Expansor
- Pátio de Coque

Além da Refap, no RS a Petrobras informou, em comunicado datado do dia 19 de janeiro, que pauta a venda das refinarias nos estados do Paraná, Bahia, Amazonas, Ceará, Minas Gerais.

Publicado em Petrobrás Fica
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