“Essa paralisação é importante para todo o país”, diz presidente nacional da CUT, que participa nesta quinta (18) do ato que marca início da greve na refinaria de Landulpho Alves

[Da redação da CUT]

O presidente nacional da CUT, Sérgio Nobre, desembarca na noite desta quarta-feira (17) na Bahia para apoiar, de perto, a greve dos petroleiros no Estado, decretada em protesto contra a venda da Refinaria Landulpho Alves (Rlam), do sistema Petrobras, à empresa Mubadala Capital, de Abu Dhabi, nos Emirados Arabes.

“Essa greve é importante para todo o país, defende empregos, a Petrobras e mais, a soberania”, disse Sérgio Nobre, que participará, nesta quinta-feira (18), às 7h, do ato que marca o início da paralisação por tempo indeterminado. 

O ato acontecerá no acesso à refinaria, no município de São Francisco do Conde, a 72 quilômetros de Salvador. Somente em 2019, o governo de Bolsonaro e Paulo Guedes, ministro da Economia, vendeu R$ 70,9 bilhões em ativos da Petrobrasa maior empresa estatal do país, que já teve mais de 16% de suas ações repassadas à iniciativa privada desde 2018, depois do golpe que destituiu a presidenta Dilma Rousseff. 

“Essa greve é muito emblemática e importante na nossa luta para denunciar como esse governo faz tudo para precarizar a vida dos trabalhadores e trabalhadoras, ao atacar a soberania de uma nação por meio da privatização, da venda de empresas estratégicas”, afirma Sérgio Nobre.

 “Não vamos aceitar que os bens mais valiosos da nossa soberania sejam passados à iniciativa privada, que só pensa em lucro e não tem nenhum compromisso com a classe trabalhadora e o desenvolvimento do país”, complementou o presidente nacional da CUT

PRIORIDADE, EMPREGOS

Ao destacar que “a pauta da geração de empregos de qualidade é prioritária para a CUT e o movimento sindical”, Sérgio Nobre afirmou: “Ao longo da história do nosso país, nunca houve um momento em que o Brasil tivesse vivido um crescimento que não tenha sido impulsionado pelas estatais, como a Petrobras, os bancos públicos. A iniciativa privada, por sua vez, jamais fez os investimentos necessários ao crescimento do Brasil, ao contrário do que tenta pregar esse governo genocida e entreguista”

O presidente nacional da CUT lembrou que a Petrobras representa, sozinha, 70% do investimentos que entram no país, que é uma estatal lucrativa, e que nenhuma o nação no mundo privatizaria uma empesa como essa.

O que o governo Bolsonaro vem fazendo, segundo Sérgio Nobre, é fatiar (em subsidiárias) a Petrobras para vender, sem ter que que passar pela aprovação do Congresso Nacional. É uma ameaça permanente a esse outros setores estratégicos, como energia elétrica, que impõe ao povo brasileiro o risco de altas constantes de preços e de escassez de produtos.  

Nenhuma nação do mundo conseguiu dar um padrão de vida digno de para o seu povo sem ter uma base industrial importante e a Petrobras é um dos instrumentos de desenvolvimento do Brasil e “isso precisa ficar claro para o povo brasileiro. Todo apoio à greve dos petroleiros da Bahia”

Com base em dados do Ineep (Instituto de Estudos Estratégicos de Petróleo, Gás Natural e Biocombustíveis), divulgados pela FUP (Federação Única dos Petroleiros), a Landulpho Alves vale US$ 4 bilhões, mas está sendo entregue à empresa Mubadala Capital por US$ 1,65 bilhão

A Landulpho Alves tem 70 anos, foi a primeira refinaria do Sistema Petrobras e a segunda do país em capacidade. Tem 900 trabalhadores diretos e 1,7 mil terceirizados. São homens e mulheres, agora, sem certeza do futuro, do emprego e dos seus direitos.

A Sindipetro-BA e a FUP destacam que a Rlam é importante à economia da Bahia e à de diversos municípios que dependem dos royalties, ISS e ICMS pagos pela refinaria. Dirigentes petroleiros destacam que a Rlam foi decisiva para alavancar o desenvolvimento econômico do Estado baiano e também do primeiro complexo petroquímico planejado do país e maior complexo industrial do Hemisfério Sul: o Polo Petroquímico de Camaçari, na região metropolitana de Salvador.

LUTA CONTRA NOVAS VENDAS

A direção da Petrobras anunciou em 8 de fevereiro a conclusão das negociações para a venda da refinaria à Mubadala Capital, que  “apresentou a melhor oferta”. Com a Rlam serão entregues 669 quilômetros de oleodutos, que ligam a refinaria ao Complexo Petroquímico de Camaçari e ao Terminal de Madre de Deus, que também está sendo vendido no pacote que inclui ainda outros três terminais da Bahia (Candeias, Jequié e Itabuna).

A Rlam tem 26 unidades de processamento, e 201 tanques de armazenamento. Ela refina mais de 30 tipos de produtos, entre eles gasolina, diesel, lubrificantes, querosene de aviação, entre outros.

A Refinaria Landulpho Alves é a única produtora nacional de uma parafina alimentícia usada na fabricação de chocolates e chicletes, a chamada food grade. O processo de venda da Rlam é o mais adiantado entre as oito refinarias que a Petrobras pretende privatizar até o final de 2021

Estão em processos para venda, segundo Petrobras: Refinaria Alberto Pasqualini (REFAP), no Rio Grande do Sul, Refinaria Isaac Sabbá (REMAN), no Amazonas, Refinaria Abreu e Lima (RNEST), em Pernambuco, Refinaria Gabriel Passos (REGAP), em Minas Gerais, Lubrificantes e Derivados de Petróleo do Nordeste (LUBNOR), no Ceará, e Unidade de Industrialização do Xisto (SIX), no Paraná (dados da empresa).

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A data marca o início da greve dos petroleiros da Bahia. Política de preços dos combustíveis também é alvo das manifestações 

[Da imprensa do Sindipetro PR/SC ] 

Após uma série de reuniões por videoconferência, organizadas pelo Sindicato, os petroleiros da Refinaria Presidente Getúlio Vargas (Repar), em Araucária, e da Usina do Xisto (SIX), em São Mateus do Sul, decidiram realizar protestos nas unidades nesta quinta-feira (18), a partir das 07h00. 

A motivação para o movimento foi o anúncio da conclusão do processo de privatização da Refinaria Landulpho Alves (RLAM) e seus ativos logísticos associados, na Bahia. A direção da empresa, sob o comando do entreguista Roberto da Cunha Castello Branco, pretende vender a primeira refinaria brasileira para o Fundo Mubadala Capital, pertencente a uma holding estatal dos Emirados Árabes, por US$ 1,65 bilhão. 

Cálculos do Instituto de Estudos Estratégicos de Petróleo, Gás Natural e Biocombustíveis (Ineep), feitos a partir da metodologia de fluxo de caixa descontado, mostram que a unidade de refino baiana vale entre US$ 3 bilhões e US$ 4 bilhões, ou seja, a Petrobrás no governo Bolsonaro quer liquidar mais um importante ativo a preço de banana. 

Além disso, a gestão da estatal reafirmou a continuidade do processo de venda de outras seis refinarias, entre elas a SIX. A Repar teve sua privatização postergada porque as propostas apresentadas pelas empresas interessadas ficaram muito abaixo do esperado. 

As manifestações na Repar e SIX se somam aos demais atos convocados pela FUP que acontecem em plantas da Petrobrás no país todo nesta quinta, data na qual os petroleiros baianos entram em greve por empregos e direitos. 

Preços dos Combustíveis

A política de preços dos combustíveis adotada em 2016 durante o governo Temer e mantida no governo Bolsonaro, com pequenas mudanças, é outra razão para a mobilização. A categoria é contra a vinculação do preço interno ao mercado internacional, por meio do mecanismo chamado de PPI (Preço de Paridade Internacional). Tal mecanismo atrela os valores dos combustíveis às cotações do dólar e do barril petróleo, e ainda acrescenta os custos de importação. É por isso que os preços da gasolina, do diesel e do gás de cozinha dispararam nos últimos quatro anos.  

 

Publicado em Sistema Petrobrás

Os petroleiros da Bahia iniciam no primeiro minuto desta quinta-feira, 18, greve por tempo indeterminado, em defesa dos empregos e direitos que estão sob ataque em meio ao processo de desmonte do Sistema Petrobrás no estado. A Refinaria Landulpho Alves (Rlam), uma das mais importantes para a cadeia petroquímica do país, está sendo adquirida pelo Mubadala, um fundo de investimentos do Emirados Árabes, pela metade do preço.

De acordo com o Instituto de Estudos Estratégicos de Petróleo, Gás Natural e Biocombustíveis (Ineep), a Rlam está avaliada entre US$ 3 bilhões e US$ 4 bilhões, mas foi comercializada por US$ 1,65 bilhão. Um prejuízo não só para a Petrobrás, como para os consumidores, que pagarão mais caro pelos combustíveis, pois a privatização das refinarias, como apontam vários especialistas, criará monopólios regionais privados, que irão determinar os preços dos derivados, sem qualquer controle do Estado brasileiro.

Um estudo da PUC Rio, que analisou os efeitos da privatização de seis das oito refinarias colocadas à venda pela direção da Petrobras, apontou que a venda das unidades, ao contrário do que a empresa e o mercado defendem, não aumentará a competitividade e sim a concentração do setor. Segundo o estudo, das refinarias que estão à venda, as que têm maior potencial para formação de monopólios regionais são a Rlam, a Reman, a Refap e a Regap. 


Leia também: Aumento no valor dos combustíveis é culpa da política de preços da Petrobrás, apontam especialistas


Mobilizações em todo o país

Para fortalecer a greve, os sindicatos da FUP realizam nesta quinta pela manhã atos em todas as bases de representação da entidade, com atrasos, carreatas e protestos na porta das unidades. Veja abaixo o quadro das mobilizações.

Além da Rlam, outras cinco unidades de refino do Sistema Petrobrás estão em processo acelerado de privatização: a Fábrica de Lubrificantes do Nordeste (Lubnor), no Ceará; a Usina de Xisto (SIX), no Paraná; a Refinaria Alberto Pasqualine (Refap), no Rio Grande do Sul; a Refinaria Gabriel Passos (Regap), em Minas Gerais, e a Refinaria Abreu e Lima (Rnest), em Pernambuco.


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Trabalhadores sofrem com insegurança e assédio moral

Sem informações sobre quem irá operar a Rlam e como ficará a situação dos trabalhadores próprios e terceirizados, após a assinatura do contrato de venda para o fundo Mubadala, o Sindipetro Bahia, junto com a FUP, vem buscando interlocução com a gestão da Petrobrás, parlamentares e o governo da Bahia. A empresa até hoje não respondeu como será a transição da venda da refinaria. Enquanto isso, os petroleiros sofrem as consequências do desmonte dos efetivos da refinaria, aumento da insegurança e assédio moral, em plena pandemia da Covid-19.  

“São cerca de 900 trabalhadores próprios da Petrobrás e 1.700 terceirizados que não receberam da empresa qualquer atenção durante o processo de venda, não foram ouvidos, e agora não sabem como será seu futuro. A legislação diz que a empresa tem de negociar com o sindicato todas as questões que envolvam sua força de trabalho, mas a gestão da Petrobrás ignora isso e ainda tenta politizar uma greve que é legítima e justa pelos direitos dos trabalhadores”, explica o coordenador geral da FUP, Deyvid Bacelar.


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Participe das mobilizações desta quinta

Sindipetro Amazonas

Ato nesta quinta, na Refinaria de Manaus (Reman), e carreata no sábado no Centro de Manaus contra as privatizações na Petrobrás e a política de preços dos combustíveis.

Sindipetro Ceará/Piauí

Ato nesta quinta na Lubnor, no Ceará.

Sindipetro Rio Grande do Norte

Ato na sexta no Polo de Guamaré.

Sindipetro Pernambuco/Paraíba

Ato nesta quinta na Refinaria Abreu e Lima (Rnest), em Pernambuco.

Sindipetro Bahia

Ato na entrada da Refinaria Landulpho Alves (Rlam), com participação de dirigentes da FUP e dos sindicatos, em apoio à greve.

Sindipetro Espírito Santo

Ato nesta quinta na Unidade de Tratamento de Gás de Cacimba (UTGC), em Linhares.

Sindipetro Norte Fluminense

Categoria está em estado de assembleia permanente.

Sindipetro Duque de Caxias

Ato com carreata nesta quinta no acesso à Reduc, na saída da Rodovia Washigton Luís.

Sindipetro Minas Gerais

Ato nesta quinta na Refinaria Gabriel Passos (Regap), em Betim.

Sindipetro Unificado de São Paulo

Atos na quinta nas refinarias de Paulínia (Replan) e de Mauá (Recap).

Sindipetro Paraná/Santa Catarina

Atos nesta quinta na Repar (Araucária) e na SIX (São Mateus do Sul), no Paraná.

Sindipetro Rio Grande do Sul

Atos na quinta na Refap (Canoas) e no Terminal de Osório (Tedut).

[Imprensa da FUP]

Publicado em Petrobrás Fica

Mecânico teve o braço esquerdo rasgado, do punho até o ombro, por uma correia transportadora de um dos equipamentos da unidade. Segundo o Sindipetro-PR/SC, a situação na SIX é grave. Há negligência na segurança dos trabalhadores e os protocolos de prevenção à covid-19 não são respeitados

[Da imprensa do Sindipetro-PR/SC]

Trabalhador da SIX em São Mateus do Sul foi afastado das suas atividades com uma laceração contusa no braço, ele passou por cirurgia e ficará ao menos trinta dias se recuperando. O acidente aconteceu no fim de janeiro e reforça o que o Sindipetro PR e SC vem alertando nos últimos anos: há risco ao profissional que desempenha suas funções devido ao sucateamento dos equipamentos para eventual privatização da fábrica e é necessário aumentar o número de Técnicos de Segurança (TS) próprios por turno na usina. 

Denúncias vindas dos trabalhadores próprios e terceirizados revelam que a gestão da SIX opta pela terceirização e precarização dos TS. Essa redução no número de técnicos próprios prejudica não só a usina, mas também o município de São Mateus do Sul, já que eles prestam apoio ao corpo de bombeiros em ocorrências de incêndio na região; além de trabalhar em áreas onde há mina e indústria pesada, demandas que exigem mão de obra especializada.      

O Sindipetro defende a intensificação das medidas de proteção aos trabalhadores, seja na manutenção dos equipamentos ou na prevenção à covid-19. Especificamente em relação ao vírus, solicita também apresentação de um plano de imunização para os profissionais próprios e terceirizados que são considerados serviços essenciais. 

A situação na SIX é grave. Há negligência na segurança dos trabalhadores e os protocolos de prevenção à covid-19 não são respeitados. No período em que houve o referido acidente, outros dois profissionais de segurança já estavam positivados e afastados. Antes disso, outro companheiro que atuava na usina foi vítima fatal do coronavírus (leia aqui).  

Publicado em Sistema Petrobrás

Além de criar um monopólio, colocando os preços dos combustíveis e consequentemente do transporte nas mãos de uma empresa privada, a venda da Refap trará prejuízos imensuráveis para os municípios de Araricá, Canoas, Cidreira, Gravataí, Igrejinha, Imbé, Osório, São Francisco de Paula e Tramandaí, que contam com receitas dos royalties do petróleo

[Do Brasil de Fato/RS]

Com a definição do Grupo Ultra, anunciada pela Petrobras no último dia 08 como comprador da Refinaria Alberto Pasqualini (Refap), de Canoas (RS), dentro da estratégia de venda das refinarias da estatal petroleira, o governo praticamente cria um monopólio privado do refino e distribuição de derivados de petróleo no Rio Grande do Sul. O comprador já é controlador de uma refinaria na cidade de Rio Grande e possui uma grande rede de distribuição, os Postos Ipiranga.

Além de criar um monopólio, colocando os preços dos combustíveis e consequentemente do transporte nas mãos de uma empresa privada, a venda trará prejuízos imensuráveis para os municípios de Araricá, Canoas, Cidreira, Gravataí, Igrejinha, Imbé, Osório, São Francisco de Paula e Tramandaí, que contam com receitas dos royalties do petróleo.

Estas informações foram repassadas pelos diretores do Sindicatos dos Petroleiros do Rio Grande do Sul (Sindipetro-RS) ao governo do estado e às prefeituras dos municípios. Pois apesar da nova controladora continuar usando os terminais e dutos que dão direito aos royalties, isto só acontece com o petróleo brasileiro. Dessa forma, dependendo do mercado internacional e da vontade da empresa, o produto pode ser importado de outros países, o que terminaria com a arrecadação.

O diretor do Sindipetro-RS, Dary Beck Filho, afirma que “atualmente somente o município de Canoas terá um prejuízo entre R$ 250 e R$300 milhões anualmente, além das prefeituras de Imbé e Tramandaí, que podem perder até 80% de sua arrecadação”. 

Ele explicou que o sindicato e a Federação dos Petroleiros são contra essas vendas de ativos, pois implicam no desmonte da Petrobras como empresa integrada e instrumento de desenvolvimento social do país. Com essa venda da Refap e dos terminais integrados a ela, a Petrobras está indo embora do RS. “O sindicato já acionou a Justiça Federal e Estadual contra o negócio sob vários aspectos e fará outras ações ainda. Na JF, infelizmente o STF decidiu que as estatais podem ser vendidas aos pedaços sem a necessidade de debate com o parlamento.”

Além disso, Dary alerta para a possibilidade de desemprego na Região Metropolitana: “Hoje temos 750 trabalhadores diretos e o mesmo número de terceirizados, totalizando 1.500 operários. Dependendo da estratégia do comprador, vai ficar um terço disso. O Temer já tinha um projeto parecido. Mas estava no programa do Bolsonaro”.

Já sua colega de diretoria, Miriam Cabreira, lembra que “já teve anúncio de fato relevante, tanto da Petrobras quanto do Grupo Ultra, de que eles avançaram no processo e que agora estão na próxima etapa de negociação dos termos do contrato”. Segundo ela, o Sindipetro-RS tem acompanhado esse processo e já realizou várias audiências públicas alertando sobre os riscos da privatização. “Na verdade, a privatização da Refap, com seus dutos e terminais, significa, na prática, a saída de Petrobras do Rio Grade do Sul.”

Miriam recorda toda a luta que o Sindipetro-RS travou parra impedir a negociação. “Os trabalhadores têm enfrentado esse tema em diversas frentes, desde mobilizações, ações políticas e também jurídicas. Alertamos os prefeitos do Litoral sobre o impacto nos royalties, conversamos com o prefeito de Canoas sobre o impacto na arrecadação de ICMS, temos diversas ações na Justiça. Também fazemos campanhas de gás a preço justo pra alertar a população de que a Petrobras pode e deve cobrar menos pelos combustíveis e que, em caso de privatização, o preço só vai aumentar, com certeza matemática.”

Ela conta que os petroleiros tiveram audiência com o governador Eduardo Leite (PSDB), em 2019, sobre os diversos impactos, em especial que o RS ficará refém de um monopólio regional privado. “Agora, com o anúncio de que o grupo Ultra é o comprador, esse risco é ainda mais grave, pois o grupo Ultra tem importante fatia do mercado de distribuição”, afirma.

O comprador

Conforme a coluna da editora de economia de Zero Hora, Marta Sfredo, o Grupo Ultra é dono da rede de postos Ipiranga, que comprou em parceria com Petrobras e Braskem, em 2007. Tem grande proximidade com o estado, tanto pela forte presença da marca Ipiranga e sua identificação com os gaúchos quanto por outros negócios que tem por aqui: uma pequena unidade no polo petroquímico de Triunfo (Oxiteno) e um terço da refinaria de Rio Grande. Ainda é dona da Ultragaz, da Ultracargo e da Extrafarma. No terceiro trimestre de 2020, a sua receita foi de R$ 20,76 bilhões (queda de 11% ante igual trimestre de 2019 e alta de 31% frente ao trimestre anterior). O lucro foi de R$ 277 milhões, 10% inferior ao do terceiro trimestre de 2019.

Já, de acordo com  noticia do Jornal do Comercio, o fato relevante encaminhado à Comissão de Valores Mobiliários (CVM) e assinado pelo diretor Financeiro e de Relações com Investidores da Ultrapar Participações, Rodrigo de Almeida Pizzinatto, salienta que o grupo já atua na área de óleo e gás por meio da Ipiranga, Ultragaz e Ultracargo (essas duas últimas companhias envolvidas nos segmentos de GLP e de armazenagem de granéis líquidos). De acordo com o documento, "a potencial aquisição da Refap fortalecerá a posição da Ultrapar no setor, contribuindo para um portfólio de negócios mais complementar e sinérgico, com maior eficiência, potencial de geração de valor para toda a cadeia e benefícios para os consumidores".

A Refap

A Refinaria Alberto Pasqualini iniciou suas operações em setembro de 1968, processando uma média diária de 4,5 mil m³ de petróleo. Essa capacidade foi gradativamente ampliada até atingir 20 mil m³/dia na década de 90. Em 2001, tornou-se uma sociedade anônima, a Alberto Pasqualini – Refap S.A., que tinha a subsidiária Downstream Participações S.A., da Petrobras, como sua principal acionista.

A constituição da sociedade anônima foi articulada com um projeto de ampliação e modernização tecnológica da planta industrial, um investimento da ordem de US$ 1,28 bilhão concluído em 2006. Com a ampliação, a refinaria aumentou a capacidade de produção de 20 mil para 30 mil m³/dia e triplicou a complexidade operacional, possibilitando o processamento de petróleos mais pesados.

Em 2010, a Refinaria Alberto Pasqualini obteve a licença para processar 32 mil m³/dia. No final desse ano, a Downstream Participações adquiriu a totalidade das ações da Refap S.A, consolidando-a como uma empresa de capital 100% Petrobras. Isso possibilitou ganhos de logística e otimização do processamento de petróleo nacional e produção de derivados, além da execução dos investimentos programados para produção de diesel com baixo teor de enxofre, em atendimento à legislação vigente. Em agosto de 2012, a refinaria foi reintegrada como uma das unidades de operações da Petrobras.

A refinaria está ligada, através de dutos, ao Terminal Marítimo Almirante Soares Dutra (Tedut), em Osório (RS), e ao Terminal de Niterói (Tenit), em Canoas (RS), a partir do qual é realizado o transporte de produtos por via hidroviária até o Terminal de Rio Grande, em Rio Grande (RS).

Características técnicas

Capacidade instalada: 201.280 bbl/dia ou 32 mil m³/dia

Área total: 5,8 km²

Unidades existentes:
- Unidade de Destilação Atmosférica
- Unidade de Destilação a Vácuo
- Unidade de Craqueamento Catalítico Fluido
- Unidades de Solventes
- Unidade Desaromatizadora de Solventes
- Unidade de Craqueamento Catalítico Fluido de Resíduo
- Unidade de Coqueamento Retardado
- Unidades Recuperadoras de Enxofre
- Unidade Tail Gas
- Unidade de Propeno
- Unidade Geradora de Hidrogênio
- Unidade de Hidrotratamento de Diesel
- Unidade de Hidrodessulfurização de Nafta
- Caldeiras de Geração de Vapor
- Cogeração a Vapor
- Cogeração Elétrica
- Geradores – Steam Topping Let-Down e Steam Extraction
- Turbo Expansor
- Pátio de Coque

Além da Refap, no RS a Petrobras informou, em comunicado datado do dia 19 de janeiro, que pauta a venda das refinarias nos estados do Paraná, Bahia, Amazonas, Ceará, Minas Gerais.

Publicado em Petrobrás Fica

O governador da Bahia, Rui Costa, vai solicitar uma reunião com o presidente da Petrobrás, Castello Branco, para tratar sobre a situação da estatal na Bahia e sobre a venda da Refinaria Landulpho Alves (Rlam) e as consequências para o estado e municípios situados no entorno da refinaria. Ele também levará esse assunto para discussão no Consórcio do Nordeste. E ainda e irá solicitar formalmente à estatal a cópia do contrato de venda da Rlam para o grupo árabe Mubadala.

Essas foram algumas das proposições feitas pelo governador em reunião que aconteceu na manhã de terça-feira (16) com dirigentes da FUP, do Sindipetro Bahia e parlamentares. Estavam presentes o coordenador da FUP, Deyvid Bacelar, o coordenador do Sindipetro Bahia, Jairo Batista, o diretor de comunicação do Sindipetro, Radiovaldo Costa, o deputado federal Joseildo Ramos (PT-BA) e o deputado estadual Rosemberg Pinto (PT). Além do Secretário da Casa Civil, Carlos Mello.

Os representantes da categoria petroleira explicaram ao governador o que está acontecendo hoje na Petrobrás, que vem acelerando a sua politica de desinvestimento, visando a saída da estatal da Bahia, dando ênfase à venda da Refinaria Landulpho Alves. Eles também fizeram um comunicado a respeito da greve que será deflagrada no dia 18/02. 

O governador se mostrou preocupado e lamentou que a Petrobrás não tenha procurado o governo da Bahia para falar sobre a venda da Rlam. Segundo Rui Costa há informações que são importantes e devem ser publicizadas, por isso, o governo está procurando a Petrobrás, assim como está marcando uma reunião com a Federação das Indústrias do Estado da Bahia (FIEB-BA).

O governador também afirmou que irá procurar os órgãos ambientais em busca de informações sobre o passivo ambiental da Rlam.

Rui Costa questionou a venda das refinarias da Petrobrás do ponto de vista estratégico para a Bahia e para o Brasil. “A Petrobras como uma empresa de energia vai na contramão do que outras empresas do setor no mundo têm feito que é integrar a sua cadeia, se tornando cada vez mais verticalizadas, indo desde a exploração e produção até a comercialização e ampliando seus negócios para a petroquímica e energia renovável”.

Uma reunião do governador com o fundo árabe Mubadala já está marcada para o dia 21/02.

[Da imprensa do Sindipetro Bahia]

Publicado em Sistema Petrobrás

O desmonte da Petrobrás segue a toque de caixa pelo governo Bolsonaro. Só na última semana anunciaram a venda da Refinaria Landulpho Alves e a terceirização das plataformas de P-48 e P-62. Diante dos ataques que a categoria vem sofrendo, o Sindipetro-NF realiza nesta terça e quarta, 16 e 17 de fevereiro, assembleias para avaliar os indicativos de aprovação de manifesto contra o desmonte do Sistema Petrobras e do estado de Assembleia Permanente.

A votação será híbrida. Os petroleiros e petroleiras que estiverem embarcados podem realizar assembleias seguindo os parâmetros das reuniões, DDS e outras atividades realizadas a bordo. As atas deverão ser enviadas até às 12h do dia 18 de fevereiro.

Os filiados ao sindicato poderão votar on line a partir das 08h do dia 16 até às 20h do dia 17 de dezembro. Os não filiados votarão conforme os itens abaixo:

  1. l) Aprovação de manifesto em apoio aos trabalhadores da RLAM e das unidades ameaçadas pela atual política danosa da Petrobrás; 
  2. II) Aprovação do estado de Assembleia permanente

Leia a íntegra do manifesto:

Manifesto dos Petroleiros e Petroleiras do Norte Fluminense 

Nós, petroleiros e petroleiras do Norte Fluminense, denunciamos neste manifesto que o Povo Brasileiro está sendo assaltado pela atual gestão da Petrobrás aliada ao governo federal.

Começou em 2016 um processo de desmanche da Petrobrás, impedindo a geração de empregos, fazendo a renda dos trabalhadores cair, e minimizando a arrecadação dos estados e municípios. Tudo isso só piorou no governo Bolsonaro.

Nos últimos 2 anos 36 unidades da Petrobrás foram doadas à iniciativa privada, a preço irrisório, algumas por menos que o valor de um apartamento, exportando para fora do país emprego e renda. Isso deteriora as cidades. A cidade de Macaé que já chegou a ter mais de 10 bases da Petrobrás, atualmente conta com somente 3.

Tudo isso fruto de roubo do patrimônio público.

A gestão Castelo Branco acelera a saída da Petrobrás da área de refino, fazendo da Petrobrás a única empresa de petróleo que não quer ter refinarias nem postos de combustíveis. Nos últimos dias venderam a RLAM, segunda maior refinaria do Brasil, por menos da metade do seu valor.

Manifestamos nosso total apoio à greve dos petroleiros e petroleiras da RLAM na greve contra a sua privatização!

Importantes campos de produção na Bacia de Campos tem suas vendas anunciadas, com o falso argumento da necessidade de dinheiro para investir em outras áreas. Nos que ficam, petroleiros terceirizados tem seus salários achatados ao mínimo, corte de planos de saúde e precarização das condições de trabalho. Colocam em risco a vida de milhares de petroleiros ao substituir os operadores de lastro das plataformas por oficiais da Marinha Mercante que desconhecem a operação, só para agradar os militares do governo Bolsonaro. Esta mesma gestão mata trabalhadores ao descumprir recomendações de combate à Covid-19, e agora anuncia um “projeto piloto” de terceirização de tudo a bordo de P-48 e P-62.

Denunciamos também a forma covarde com que a Petrobrás assaltou os salários dos nossos aposentados e pensionistas no início deste ano. Trabalhadores que deram o seu sangue e suor pela empresa tiveram descontos abusivos sobre um suposto saldo devedor prescrito, ocasionando contracheques zerados ou com valores mínimos.

Exigimos transparência nos valores descontados!

Hora da reorganização.

Após uma grande greve no início de 2020 a pandemia assolou o nosso país e de forma brutal a nossa categoria. Mas este ano os petroleiros e petroleiras do Norte Fluminense iniciam uma nova organização, para defender não somente seus empregos, mas também uma Petrobrás que respeite os trabalhadores, e que atue de forma a priorizar os interesses do seu principal acionista: O Povo brasileiro!

#Petrobrasfica

[Da imprensa do Sindipetro-NF]

Publicado em Sistema Petrobrás

Sindipetro-PR/SC denuncia que havia apenas um operador no momento do vazamento que causou as chamas na U-2631, unidade da Repar que pegou fogo na madrugada do dia 13 

[Da imprensa do Sindipetro PR e SC] 

A UHDS (U-2631 – Unidade de Hidrotratamento e Hidrossulforização) da Refinaria Presidente Getúlio Vargas (Repar), em Araucária, registrou princípio de incêndio após vazamento de óleo diesel. O acidente ocorreu na madrugada do último sábado (13), em uma área de alta pressão. 

No momento do evento, apenas um operador estava responsável por uma unidade inteira dentro de indústria de risco elevado. O trabalhador teve que chamar reforço para controlar a situação. Não houve feridos ou danos às instalações.   

A UHDS faz parte do processamento de diesel. Utiliza hidrogênio para gerar o H2S (sulfeto de hidrogênio) e diminuir o enxofre do óleo. O resultado é a produção do diesel S-50. O H2S é conhecido como o “gás da morte” por ser altamente tóxico, incolor e formar misturas explosivas com o ar. Tem odor de ovo podre a baixas concentrações, mas inibe o sentido do olfato em concentrações elevadas. O vazamento dessa substância sem uma resposta rápida da equipe de operação pode ganhar contornos trágicos. 

Foi mais um episódio que revelou a falta de efetivo na refinaria. A Repar passou por um processo intenso de redução do número de trabalhadores em 2017 com a aplicação o estudo de Organização e Método (O&M). 

O problema foi agravado com a medida chamada de “demanda reduzida”.   Ela prevê que em caso de ausência de um empregado, o posto de trabalho será absorvido pelos demais, sob a alegação de reduzir os serviços. Na realidade isso não ocorre, uma vez que as rotinas de trabalho seguem as mesmas. O que acontece, de fato, é a redução ainda maior de efetivo em determinado dia. Foi uma forma que a gestão encontrou para evitar dobras de turno e, assim, diminuir pagamentos de horas extras. Porém, acarreta em vários riscos, como o agravamento da estafa de trabalhadores já abarrotados de ocupações em razão da redução de efetivo, falta de equipes para atuar em situações de emergência e todas as possíveis e terríveis consequências que isso pode gerar. 

O Sindicato ofereceu denúncia ao Ministério Público do Trabalho (MPT-PR) sobre a falta de efetivo na Repar. Um dossiê de mais de 500 páginas, que foi protocolado em 2013, discorre minuciosamente sobre a carência de trabalhadores na refinaria. O Sindipetro PR e SC aguarda até hoje um posicionamento do órgão público. 

Risco de Acidente Ampliado

A diminuição do efetivo somada à redução de investimentos em manutenção e à série de emergências que ocorre na Repar mostram que há o risco iminente de um novo acidente ampliado, a exemplo do vazamento de 4 milhões de litros de petróleo nos rios Barigui e Iguaçu, no ano 2000. 

Um dos mais sofisticados estudos sobre acidente de trabalho, o MAPA (Modelo de Análise e Prevenção de Acidentes de Trabalho) destaca que antes de um grande acidente exisitiriam séries de acidentes similares, quase-acidentes, incidentes e a instalação de equipamentos novos. “Eles incubam (Llory 1999) e precisam ser enxergados como janelas de oportunidade para o aprendizado organizacional”, discorre publicação do Centro de Referência em Saúde do Trabalhador (CEREST) sobre o tema. 

O difícil mesmo é fazer com que os gestores aprendam com seus próprios erros. Enquanto o lucro estiver acima da vida e a Justiça tardar, os trabalhadores da Repar, a comunidade do entorno e o meio-ambiente estão sujeitos a sofrerem com uma tragédia de grandes proporções.

Gestão da Petrobrás tenta desqualificar o movimento, marcado para esta quinta (18/2), quando na verdade os trabalhadores vão parar por não terem nenhuma resposta da empresa sobre como será o processo de transição da venda da RLAM e com quem ficará os passivos trabalhistas, dentre outras questões legais.

[Nota da FUP e do Sindipetro Bahia à imprensa]

A greve dos petroleiros da Bahia, que será iniciada às 00h01 da próxima quinta-feira (18/2), é motivada por uma série de pendências trabalhistas não respondidas e não discutidas com a categoria petroleira no processo de venda da Refinaria Landulpho Alves (RLAM) para o Fundo Mubadala. Assim, ao contrário do que a gestão da Petrobrás tentou alegar em comunicado interno a seus trabalhadores, o movimento respeita toda a legislação brasileira relativa ao direito de greve, tanto pelas razões de sua realização como pelo cumprimento de todos os trâmites legais, reforçam os departamentos jurídicos do Sindicato dos Petroleiros da Bahia (Sindipetro-Bahia) e da Federação Única dos Petroleiros (FUP).

Na tarde dessa segunda-feira (15/2), representantes do Sindipetro-Bahia e da Gerência de Recursos Humanos da Petrobrás se reuniram para discutir a pauta de reivindicações que baseia o movimento paredista. O documento apresentado pelo sindicato à empresa, bem como as negociações que se iniciaram na reunião, deixam claro que o que está em questão não é a venda da RLAM em si, mas seus desdobramentos para trabalhadores próprios e terceirizados da Petrobrás, que não tiveram qualquer sinalização da empresa a esse respeito.

“São cerca de 900 trabalhadores próprios da Petrobrás e 1.700 terceirizados que não receberam da empresa qualquer atenção durante o processo de venda, não foram ouvidos, e agora não sabem como será seu futuro. A legislação diz que a empresa tem de negociar com o sindicato todas as questões que envolvam sua força de trabalho, mas a gestão da Petrobrás ignora isso e ainda tenta politizar uma greve que é legítima e justa pelos direitos dos trabalhadores”, explica o coordenador geral da FUP, Deyvid Bacelar.

Entre os pontos da pauta reivindicatória apresentada pelo Sindipetro-Bahia à Petrobrás estão as seguintes questões:

(i)        Com a venda da RLAM, como ficam o cronograma de transição da operação da unidade pela Petrobrás, os prazos de transferências de trabalhadores, seus critérios e prioridades;

(ii)       Quais regras a companhia vai utilizar para indenizar as transferências e sua caracterização, em todos os casos, como de interesse da empresa;

(iii)      Pelo fim das dobras de turno (os trabalhadores de turno já trabalham em turno de 12 horas diárias) e o fim das prorrogações de jornada, que só aumentam com a redução de trabalhadores por transferências e Programas de Demissão Voluntária (PDV);

(iv)      Tratar do efetivo mínimo nos diversos setores da empresa, em especial da RLAM, pois a empresa já trabalha com efetivo menor que o apresentado à Justiça em ação judicial em trâmite, o que tem exigido constante extrapolação da jornada;

(v)       Firmar o Acordo Coletivo de Trabalho (ACT) específico da jornada de 12 horas diárias, já praticada desde 2020 e aprovada pela categoria em assembleia, mas sem ACT assinado. Além disso, a categoria reivindica o fim da exigência de quitação do passivo trabalhista anterior a fevereiro/2020 para firmar esse documento;

(vi)      Tratar de política efetiva de combate ao assédio moral nas unidades da Petrobrás;

(vii)     Apresentação, pela Petrobrás, do passivo ambiental, dos acidentes de trabalho, enfim, tudo que envolva agentes de riscos aos trabalhadores, seus compromissos de pagamentos e de seus sucessores;

(viii)    Tratar a situação das empresas contratadas, em especial dos contratos de trabalhos e direitos dos empregados terceirizados.

Por fim, o Sindipetro-Bahia e a FUP reforçam no documento que a deflagração da greve se dá pela manutenção dos empregos, próprios ou terceirizados; pela realização de tratativas verdadeiras com trabalhadores para discutir as contratações; pelo futuro dos atuais contratos de trabalho; pelo fim dos assédios aos trabalhadores; e pela garantia de salubridade no ambiente de trabalho.  


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Em seminário de qualificação de greve, realizado no sábado (13/02), os petroleiros baianos decidiram cruzar os braços a partir da zero hora e 1 minuto desta quinta-feira (18/02). A greve será por tempo indeterminado, em defesa dos empregos e dos direitos. O movimento é também um protesto contra o assédio moral e a insegurança nas unidades do Sistema Petrobras.

[Da Imprensa do Sindipetro Bahia]

A data do movimento paredista foi decidida no Seminário de Qualificação de Greve, que aconteceu no sábado (13). O evento reuniu a categoria petroleira, dirigentes do Sindipetro Bahia, do Sindipetro Minas Gerais e de outros sindipetros, além da Federação Única dos Petroleiros.

No seminário, que foi acompanhado pela assessoria jurídica do Sindipetro, foi decidida a estratégia da greve que será colocada em prática essa semana.

Dirigentes do sindicato ressaltam que, como sempre fez, a entidade irá cumprir rigorosamente o que está previsto na Lei de greve e que já encaminhou à Petrobras o documento de notificação do movimento paredista. Essa notificação também está sendo encaminhada ao Ministério Público do Trabalho e ao Tribunal Regional do Trabalho, na Bahia.

Um comunicado à sociedade baiana sobre a legitimidade, legalidade e importância da greve também foi publicado no jornal Correio da Bahia e no site Bahia Notícias.

Pressão e assédio moral

O desmonte da Petrobras e sua iminente saída da Bahia vem provocando sérias consequências para o estado e os municípios produtores de petróleo, que têm nos impostos pagos pela estatal uma das suas principais fontes de receitas. Outro grande prejuízo vem se dando devido à opção da Petrobras pela redução do refino em seus parques e pela importação de produtos em detrimento dos que possuímos em solo nacional, tudo ancorado ao dólar alto e à elevação de preços dos combustíveis e outros derivados de petróleo.

Os petroleiros também vêm sendo afetados com essa decisão de venda das unidades da estatal. Na Bahia, o cenário é de terror, com a transformação do assédio moral em ferramenta de gestão, o que gerou adoecimentos e até morte. Soma-se a isso a redução acelerada dos quadros dos funcionários para menos de um terço do que havia poucos anos atrás e a continuidade dessas reduções com programas de demissão e transferências forçadas.

Já foram desmobilizados e vendidos diversos campos terrestres de petróleo e gás. Houve também a desocupação da Torre Pituba, hibernação e posterior arrendamento da FAFEN e, agora, a venda da Refinaria Landulpho Alves.

Além de lutar pela manutenção dos empregos, sejam dos próprios ou dos terceirizados – a maioria deles deve ser demitida com a venda da Rlam -,, pelo fim dos assédios aos trabalhadores e garantia de um ambiente laboral saudável, os petroleiros alertam que a entrega da Refinaria Landulpho Alves para a Mubadala, concretizará um monopólio privado regional onde, o fundo árabe, irá impor, cada vez mais, altas nos preços dos derivados de petróleo, gasolina, diesel e gás de cozinha.

A venda da Landulpho Alves (RLAM), para o Fundo Mubadala por US$ 1,65 bilhão, também está sendo contestada por economistas e especialistas no assunto. O
Instituto de Estudos Estratégicos de Petróleo, Gás Natural e Biocombustíveis (Ineep), usando o método de fluxo de caixa descontado, apontou que a refinaria valeria entre US$ 3 bilhões e US$ 4 bilhões.

Clique aqui para ler a notificação enviada à Petrobrás 

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A Federação Única dos Petroleiros (FUP) foi criada em 1994, fruto da evolução histórica do movimento sindical petroleiro no Brasil, desde a criação da Petrobrás, em 1953. É uma entidade autônoma, independente do Estado, dos patrões e dos partidos políticos e com forte inserção em suas bases.