Lançado no dia 27 de novembro, vídeo publicitário divulgado pela Petrobras em seu canal do Youtube defende a privatização da empresa. Até a manhã desta sexta, 04/12, o vídeo já tinha 52 mil "descurtidas". Por conta da enxurrada de comentários desfavoráveis, a gestão da empresa mandou bloquear os comentários, mas “deslikes” continuam

[Do Brasil de Fato | Foto: Fernando Frazão/Agência Brasil]

A Petrobras divulgou, no último dia 27, um comercial em que defende a privatização de parte de seus ativos. Na plataforma Youtube, até a manhã desta sexta (04), mais de 52 mil espectadores informaram que "não gostaram" do vídeo, enquanto 6,3 mil aprovaram (veja abaixo).

"Construímos tudo isso juntos, com muito trabalho e suor. Mas a Petrobras precisa seguir outro caminho", diz a propaganda. Em seguida, o comercial informa que a estatal pretende concentrar seus ativos na exploração e produção do petróleo em águas profundas, e que venderá "algumas operações" no Brasil e no exterior.

Dados do Instituto de Estudos Estratégicos de Petróleo, Gás Natural e Biocombustíveis (Ineep) mostram que, ao focar na exploração e produção, a empresa abre mão de sua operação mais lucrativa: o refino. Cada R$ 1 bilhão investido em exploração e produção gera R$ 1,28 bilhão no Produto Interno Bruto (PIB) e 26.319 ocupações. Cada R$ 1 bilhão investido em refino implica na geração de R$ 1,27 bilhão no PIB e 32.348 ocupações.

Desde 2018, o governo já se desfez indiretamente de 16,2% das ações ordinárias (com direito à voto) da Petrobras – a Caixa vendeu R$ 9,6 bilhões e o Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES) R$ 22 bilhões. Com isso, o Estado passou a deter apenas 50,2% da petroleira, o limite para manter seu poder de decisão.

Somente durante a pandemia, o atual presidente da Petrobras, Roberto Castello Branco, colocou 382 ativos à venda, segundo o Sindicato Unificado dos Petroleiros do Estado de São Paulo (Sindipetro-SP). 

 

 

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Principal objetivo é gerar valor para os acionistas, por meio da redução das atividades da empresa e foco na exportação de óleo cru 

[Da imprensa do Sindipetro-BA \ Texto: Carol Athayde | Foto: Tânia Rego/Agência Brasil]

Ao anunciar o plano estratégico 2021/2025 da Petrobrás, a diretoria comandada por Castello Branco destacou que o principal objetivo será gerar valor para os acionistas, por meio da redução das atividades da empresa. Para isso, prometeu distribuir cerca de US$ 35 bilhões em dividendos aos acionistas nos próximos cinco anos e arrecadar, no mesmo período, US$ 35 bilhões com vendas de ativos.

A estatal informou também uma previsão de investimentos de US$ 55 bilhões, sendo que 84% deles focados na Exploração e Produção de Petróleo e Gás (E&P) e, prioritariamente para o pré-sal, que terá US$ 32 bilhões dos US$ 46 bilhões destinados ao E&P.

Seguindo com o seu plano de concentrar seus investimentos no pré-sal, a Petrobrás reduz outros investimentos e abre mão de ativos preciosos e muito importantes para o Brasil, como o refino, a exploração de petróleo em terra e em águas rasas, termoelétricas, usinas de biodiesel, fábricas de fertilizantes, transporte e sistema de dutos.

“É uma decisão que segue na contramão do mundo do petróleo, enquanto grandes petrolíferas estão diversificando, ampliando e integrando seus ativos e atividades, o governo brasileiro e a Petrobrás decidem se apequenar e se manterem na rota da dependência energética internacional, desprezando toda a integração e agregação de valor, existentes no Sistema Petrobrás”, relata Leonardo Urpia, vice-presidente da CUT Bahia.

Assim, a gestão da Petrobrás favorece a exportação de petróleo bruto e importação de derivados com maior valor agregado. De acordo com o blog Fazcomex, em 2019, o Brasil importou 3.625.620 toneladas de gasolina e exportou 2.239.886 toneladas. Os países que mais exportam gasolina para o Brasil são os Estados Unidos, em primeiro lugar, seguido da Holanda e Bélgica.

O Coordenador Geral da FUP, Deyvid Bacelar, ressalta que “a partir de 2016, momento em que Pedro Parente mudou o plano de negócios e a política de preços da Petrobrás, aplicando o famigerado PPI – Preço de Paridade de Importação, alterando os preços de todos derivados de petróleo no Brasil de acordo com o valor do barril de petróleo no mercado internacional, o dólar e os custos de importação de derivados – nos governos Temer e Bolsonaro -, a gasolina e o diesel chegaram a ter aumentos semanais e o preço do GLP (gás de cozinha), há muito tempo, não cabe no bolso da maioria dos consumidores”.

Para o economista e técnico do DIEESE, Cloviomar Cararine, é um acinte ao povo brasileiro, a Petrobrás vender derivados a preços internacionais, “como se não produzíssemos petróleo”. O economista ressalta que o Brasil é um grande produtor de petróleo, com imenso parque de refino (são 13 as refinarias da Petrobrás), diferente de outros países. “Quando a Petrobrás vende ativos, concessão de reservas de petróleo, ou derivados mais caros aos brasileiros, está vendendo parte do que a população acumulou, pois essa é uma empresa estatal e tem décadas de investimentos da população nela”.

Desvio de finalidade

Criada em 1953, por meio de lei, com as atribuições de pesquisa, exploração, refino, transporte e sistema de dutos, a Petrobrás, sob a direção do governo Bolsonaro/Guedes/Castello Branco, vem se desviando, de forma abrupta, dos fins para o qual foi concebida. De acordo com princípios defendidos pelo Sindipetro Bahia e FUP, através de ações jurídicas contra a privatização da estatal, propostas pelo Escritório Advocacia Garcez, “a Companhia, que tem capital aberto, deve levar em consideração os interesses dos acionistas, mas não só esses. A estatal tem de prezar também pelo interesse público e a coletividade nacional, caso contrário, o seu caráter público deixa de existir”.

Administrar com responsabilidade social garantindo à população acesso aos produtos que produz é uma das obrigações da estatal. “Mas a julgar pelos preços desses produtos, esse, há muito, deixou de ser um dos objetivos da Petrobrás”, pontua o diretor do Sindipetro Bahia, Attila Barbosa, que também é funcionário da Refinaria Landulpho Alves, um dos ativos da Petrobrás, cuja venda já foi anunciada. Barbosa contesta o afastamento da companhia de outras das suas atribuições a exemplo do refino, “o que vem prejudicando a população”.

Estudo elaborado por professores da Universidade Federal Rural do Rio de Janeiro (UFRRJ) e do Instituto Alberto Luiz Coimbra de Pós-graduação e Pesquisa de Engenharia (Coppe/UFRJ), aponta que a Petrobrás vem subutilizando a capacidade de produção das suas refinarias, que registrou um nível médio de 75% no primeiro semestre de 2020. “Se operasse em plena capacidade, além de pressionar para baixo a inflação medida nos setores de transportes, alimentos e bebidas, entre outros, teria impacto positivo superior a R$ 3,6 bilhões sobre o Produto Interno Bruto (PIB)”.

O povo brasileiro não é prioridade

Para Cararine, “fica claro que estamos falando de venda de patrimônio público para “encher” bolso de acionistas. Enquanto isso, a estatal reduz o número de trabalhadores, reduz seus direitos, os investimentos e geração de empregos e renda no país e ainda por cima, cobra preços de paridade de importação em seus derivados, penalizando ainda mais a população brasileira”. O economista ressalta também que “as imensas reservas de petróleo, que o Brasil possui, e a riqueza gerada em sua produção pertencem a todo o povo brasileiro e não a poucas famílias que possuem ações da empresa”.

De acordo com o Coordenador Geral do Sindipetro Bahia, Jairo Batista, a Bahia é um bom exemplo dos resultados negativos que já podem ser sentidos com a nova política da Petrobrás, com perda de milhares de postos de trabalho e de redução na arrecadação de ICMS, ISS e royalties, além dos prejuízos causados no comércio, “muitos comerciantes e até vendedores ambulantes que montaram seus negócios no entorno das unidades da Petrobrás estão amargando grandes prejuízos”. Para Batista, “a atual direção da estatal, além de desviar a Petrobrás de sua finalidade, está lesando o país”.

 

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Ineep analisa investimentos anunciados pelas principais operadoras de petróleo do mundo e alerta que Brasil poderá perder de vez o protagonismo no setor e ficar "perigosamente dependente de know-how estrangeiro e da exportação de petróleo e outras commodities como fonte de divisas", se continuar abrindo mão de investimentos estatais

[Do Ineep]

A norueguesa Equinor anunciou, no último dia 10, contratos com Baker Hughes, Halliburton e Schlumberger para perfuração e serviços de poços no campo de Bacalhau, no pré-sal da bacia de Santos. Juntos, os acordos totalizam US$ 455 milhões. 

De origem norte-americana e francesa (no caso da Schlumberger), essas três empresas dominam o segmento de poços de petróleo globalmente, ao lado da também estadunidense Weatherford. 

Maior delas na área de poços, a Halliburton foi responsável pelas campanhas de perfuração de Libra e do campo de Mero 1, além de ter fechado, em 2019, grande contrato com a Shell para atividades de desenvolvimento no pós-sal e exploração do pré-sal. 

A Baker e a Schlumberger tem ainda importante atuação no segmento submarino, fornecendo equipamentos avaliados em milhões de dólares, como árvores de natal molhadas (ANMs), cabeças de poço, manifolds e, no caso da primeira, dutos (risers) flexíveis. 

A Baker ganhou know-how subsea ao se fundir com a GE O&G em 2017 e, hoje, tem vultosos contratos vigentes com a Petrobras, como um de R$ 590 milhões para fornecimento de 138 km de flexíveis iniciado este ano. 

Já a Schlumberger incrementou sua carteira com a aquisição da Cameron em 2016, com quem mantém a joint venture OneSubsea. Em março, a empresa fechou contrato com a Petrobras para fabricar as ANMs do campo de Mero 2. 

Entre outros importantes players no mercado subsea brasileiro estão a norueguesa Aker Solutions, que está produzindo as ANMs de Mero1, e a TechnipFMC, resultante da compra, pela francesa Technip, da norte-americana FMC Technologies. 

Além de fornecer equipamentos submarinos, a TechnipFMC atua como epecista subsea, oferecendo serviços de instalação com sua frota de PLSVs (embarcações para lançamento de linhas submarinas). Em 2019 e este ano, a companhia fechou contratos de EPCI (engenharia, suprimentos, construção e instalação) avaliados entre US$ 500 milhões e US$ 1 bilhão, para Mero 1 e 2. 

A norte-americana Mcdermott, a norueguesa Subsea 7 e a italiana Saipem completam a lista dos grandes nomes do EPC subsea no Brasil. 

A primeira está terminando de lançar o gasoduto Rota 3, que interligará o pré-sal à Unidade de Processamento de Gás Natural (UPGN) do Comperj, em Itaboraí (RJ), e assinou, em 2019, contrato para fornecer o EPCI do campo de Sépia, operado pela Petrobras. 

Também no ano passado, a Subsea 7, que tem quatro PLSVs afretados pela petroleira estatal, fechou com a francesa Total contrato para interligação de poços do campo de Lapa. E, em janeiro deste ano, assinou com a Equinor, em aliança com a Schlumberger, acordo para elaborar a engenharia de detalhamento (FEED) do campo de Bacalhau. 

Já a Saipem assinou, em julho, contrato de EPCI de US$ 325 milhões com a Petrobras para o campo de Búzios 5. 

Na área de umbilicais submarinos, são basicamente três os fabricantes com atuação no país: a texana Oceaneering, a italiana Prysmian e a brasileira MfX. Dentre elas, quem tem se saído melhor nas últimas licitações da Petrobras para contratação de linhas de aço (steel tube umbilicals) é a Prysmian. 

A dominância de empresas de origem estrangeira se repete em outros importantes elos da cadeia de bens e serviços de óleo e gás offshore no Brasil, como sísmica (Westerngeco, do grupo Schlumberger, CGG, PGS e Polarcus) e operação de FPSOs (SBM e Modec), enquanto grupos fundados no país se destacam em áreas menos intensivas em capital e tecnologia, como apoio marítimo (casos da Companhia Brasileira Offshore, Starnav e Oceanpact, por exemplo) e engenharia com foco em manutenção de plataformas e em obras em refinarias e ativos de logística e gás natural, como mostrou o Ineep em análise publicada no início de novembro. 

Sobretudo graças à política de conteúdo local, diversas multinacionais instalaram fábricas e centros de serviços no Brasil na última década, gerando empregos e transferência tecnológica. Um exemplo ilustrativo é o da Aker Solutions, que construiu sua maior planta global de equipamentos submarinos em São José dos Pinhais (PR), a qual, hoje, atende a projetos no Brasil e no exterior. 

No entanto, ainda que essas empresas sejam, por lei, consideradas brasileiras ao adquirirem CNPJ, elas se mantêm, em última análise, associadas aos interesses nacionais de seus países de origem. De sua terra natal regulam o nível de transferência tecnológica que será feito ao Brasil e por lá seguem desenvolvendo softwares e componentes de ponta para integrarem os bens produzidos por aqui. 

Em momentos de crise ou quando as reservas de óleo e gás brasileiras começarem a declinar, muitas delas poderão fechar suas portas e deixar o país na busca de mercados mais atrativos. 

O historiador norueguês Helge Ryggvik conta como, na década de 1970, o governo do país se preocupou em localizar a indústria de óleo e gás na Noruega criando a Statoil (atual Equinor) e fomentando o desenvolvimento de uma cadeia local de bens e serviços, com apoio à qualificação de pessoal, a criação de instituições de pesquisa e desenvolvimento e o estabelecimento de medidas protecionistas, como exigências de conteúdo nacional.

No Brasil, há casos de sucesso de companhias nacionais que, com o suporte do governo e da Petrobras, conseguiram se inserir em segmentos mais intensivos em capital e tecnologia. Entre os exemplos estão os da Ocyan e Constellation, que, hoje, operam sondas e plataformas, além da própria MfX, cujo desenvolvimento interessava para ampliar as opções de fornecimento. 

No entanto, com a flexibilização das regras de conteúdo local e a orientação “pró-mercado” adotada pelo governo/ Petrobras nos últimos anos, tornam-se mais difíceis as condições para que cases de tal natureza se repitam no país. 

Cabe ao governo brasileiro pensar em políticas de Estado, ou seja, de longo prazo e sem viés fisiológico e ideológico, para expandir a base de fornecedores locais intensivos em tecnologia, a fim de evitar que o país fique perigosamente dependente de know-how estrangeiro e da exportação de petróleo e outras commodities como fonte de divisas.


Fonte: RYGGVIK, H. The Norwegian Oil Experience: A toolbox for managing resources?. Universidade de Oslo: Oslo, 2010, p. 58

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"O Brasil está vivendo um processo de 'nigerização'", segundo o engenheiro e professor Roberto Moraes. "Não se trata de um menosprezo ao país africano, mas à sua realidade de país exportador da commodity petróleo cru, importador de derivados e que entrega sua maior riqueza mineral para petroleiras estrangeiras e controle de fundos financeiros globais", afirma no artigo publicado esta semana em seu blog. Leia a íntegra:

Por Roberto Moraes, sngenheiro e professor titular "sênior" do IFF (ex-CEFET-Campos, RJ)

Retorno ao tema que há quatro anos venho tratando aqui neste espaço. Ao olhar para a cadeia global do petróleo e sua geopolítica vemos a participação atual do Brasil nesse circuito econômico vivendo um processo de "nigerização". Não se trata de um menosprezo ao país africano, mas à sua realidade de país exportador da commodity petróleo cru, importador de derivados e que entrega sua maior riqueza mineral para petroleiras estrangeiras e controle de fundos financeiros globais.

É um processo instalado em 2016 (após o golpe institucional) e que nos dias atuais se amplia de forma importante. A venda anunciada (apelidada de desinvestimentos) nos últimos dias da venda total e/ou parcial de novos campos de petróleo nos polos de Marlim e Albacora se soma ao que já foi feito antes com entrega de áreas como o campo de Carcará, no colosso do pré-sal. Além de tudo que foi sendo entregue dia-a-dia, como as malhas de gasodutos, refinarias, petroquímicas, distribuidora de petróleo, etc. vão transformando o Brasil em uma nova Nigéria.

Mais uma vez repito, com todo respeito ao país africano, mas não se pode deixar de identificar como aquele importante país produtor de petróleo entregou a sua produção, beneficiamento e toda a cadeia produtiva do petróleo, às petroleiras estrangeiras e ao controle dos fundos financeiros globais.

Sobre o tema, acesse duas postagens do blog:

1) A primeira em 19 janeiro de 2019: Desverticalização nacional e re-verticalização global no setor de gás no Brasil: a contradição liberal;

2) A segunda em 28 de fevereiro de 2019 O mercado desintegra a Petrobras para deixá-la sob controle do mercado global no exterior. Elas comentam a interpretação desse processo expondo um esquema gráfico que reproduzimos ao lado.

Assim, se observa que segue em velocidade acelerada (por motivos claros) a desintegração da Petrobras com o fatiamento e o desmonte criminoso de suas unidades de maior valor, que estão sendo vendidas a preço de final de feira, no momento de baixa do preço do petróleo e ativos do setor.

Bom que se diga entrega de unidades que estão prontas, em funcionamento e gerando lucros, para serem controladas pelos fundos financeiros estrangeiros que já comandam outras petrolíferas. As refinarias no Brasil estão sendo vendidas já ociosas. O setor de refino mesmo aberto ao exterior desde o fim do monopólio promovido por FHC, na década de 90, nunca recebeu um projeto de nova refinaria destas players do setor.

Junto disso, antes a ANP reduziu as exigências de conteúdo local, o que leva milhares de empregos do Brasil, na medida em que os novos donos destes ativos compram equipamentos, tecnologia, geram empregos e tributos em seus países e não no Brasil. Fato que contribui para um definhamento do circuito econômico do petróleo que chegou a ser responsável por cerca de 13% do PIB do Brasil e mais de 1/3 no ERJ.

Assim, na prática coube à Petrobras explorar, descobrir e colocar em produção os gigantes campos e potentes bacias de Campos, Santos e o Pré-sal, agora entrega a preço de xepa suas descobertas e seus ativos. Bom lembrar que seis dos maiores campos de petróleo descobertos no mundo estavam no Brasil.

E o pior de tudo isso é o fato que esses dirigentes criminosos a serviço dos interesses a quem representam, vão assim deixando para a Petrobras a parte mais onerosa que é a de seguir explorando áreas offshore, águas muito profundas, inovando em tecnologias, equipamentos, protocolos e expertise de técnicos, para depois entregarem tudo de bandeja, a preço de xepa, aos fundos financeiros. Isso é crime de lesa-pátria, não há outro nome.

Portanto, considerando o porte de nossa produção e do nosso mercado consumidor, bem maior que a da Nigéria, o "case" brasileiro, infelizmente, já permite que o mundo troque o termo "nigerização", pela expressão "brasileirização". O mundo hoje enxerga o Brasil como um caso, em que uma nação opta por retornar à condição de colônia, uma espécie de "condado" ou "protetorado". Seguiremos questionando esse crime de lesa pátria: Petrobras, fica!

 

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Em live do Sindipetro NF no dia 09 de novembro, o diretor de Relações Institucionais da Coppe/UFRJ e ex-presidente da Eletrobras, Luiz Pinguelli Rosa, afirmou que a Petrobras deveria parar com o plano de privatizar a atividade de refino.

Pinguelli denominou a venda desses ativos como uma “jabuticaba”, algo que só tem no Brasil, pois as grandes empresas produtoras de petróleo do mundo também investem fortemente em derivados.

“Retirar parte da capacidade de refino da Petrobras é uma contradição, vai na contramão do que fazem a ExxonMobil e a Shell, que são as maiores refinadoras mundiais”, disse Pinguelli.

Segundo o especialista, em virtude das oscilações dos preços internacionais do petróleo, há momentos em que o refino tem maior lucratividade e há outros que a exploração e produção que tem mais lucratividade. “É um erro crasso. Vender refinarias é deixar a Petrobras sem lucro, desdentada”, afirmou.

Privatização sorrateira

Para o diretor da Coppe/UFRJ, o atual governo, liderado pela política na área econômica do ministro da Economia, Paulo Guedes, de vender ativos estatais, acaba por desarmar a Petrobras como empresa de petróleo, indo contra os interesses nacionais e ao próprio equilíbrio econômico-financeiro. Pinguelli lembrou já foram vendidos o controle da BR e um gasoduto, e o plano é vender quatro refinarias.

“É uma privatização sorrateira. O Paulo Guedes vai vendendo tudo que pode e daqui a pouco não vai sobrar nada”, disse. 

De acordo com o ex-presidente da Eletrobras durante o início do governo Lula, o Brasil atual apresenta uma “subserviência vergonhosa” em relação aos Estados Unidos que não leva em conta as necessidades do país, caso da venda de ativos da Petrobras e do 5G na telefonia móvel.

Venda de atividades lucrativas

NNo dia 10, o convidado foi o advogado da Federação Única dos Petroleiros (FUP) e do Sindipetro NF Normando Rodrigues. O advogado reforçou a importância da campanha nacional Petrobras Fica! diante do atual momento do Brasil e da empresa.

“A década de 90 e hoje guardam semelhanças. A eleição de Collor se dá com um discurso neoliberal com a desconstrução do Estado e essa ideia foi reforçada com FHC. No governo fascista de Bolsonaro, a Petrobras não corre risco de ser privatizada, a empresa está sendo forçada a entregar suas atividades lucrativas ao capital privado”, afirmou.

Para Rodrigues, a Petrobras está sendo destruída tendo por trás uma estratégia intencional. “Não é um desgoverno. Existe um plano muito lógico em favor de Guedes e dos investidores transferindo ativos para o capital privado. Nenhuma empresa de petróleo grande sobrevive sem o refino”, argumentou. 

Sobrevivência da Petrobras

O advogado dos petroleiros da FUP e do Sindipetro NF classifica como “crime” a venda da BR Distribuidora. “A Petrobras não sobreviverá como empresa grande de petróleo, será uma empresa de assessoria a outras grandes petrolíferas”, disse. 

Tal venda de ativos ao capital privado, argumentou, vai piorar as condições de trabalho dos empregados. “Quando a Petrobras vende uma plataforma a uma operadora privada, 20% da força de trabalho é reduzida por causa da escala de trabalho”.

Sobre a crise econômica no Norte Fluminense devido à redução das atividades da Petrobras, ele ressaltou o fim da política de conteúdo nacional na compra de equipamentos, que afastou diversas empresas da região, com a perda de postos de trabalho. “Macaé perdeu 11 mil postos formais de trabalho por conta do fim do conteúdo local com impactos no trabalho informal. Nas eleições deste domingo, a população dos municípios do NF deveria refletir sobre os candidatos que apoiaram esse suicídio econômico na região”, afirmou Rodrigues.

Importância das eleições municipais

No dia 11, foi a vez de Roberto Moraes, professor, engenheiro, blogueiro, E pesquisador circuito petróleo-porto e do capitalismo de plataformas e finanças, que também alertou para importância das eleições municipais deste domingo. “Que a eleição de vereadores e prefeitos possa ajudar a transformar o Brasil em um país para a maioria, é importante que os trabalhadores escolham os candidatos que tenham lado sobre os seus interesses”, afirmou Moraes.

Sobre a atual política de negócios da Petrobras, que envolve a venda de ativos e a redução drástica da produção da Bacia de Campos, ele avalia que a principal questão é se é uma empresa voltada para enriquecer os acionistas ou para desenvolver o país.

“Não adianta criar facilidades para o investimento privado porque ele vai para onde a rentabilidade é maior”, disse. “Só empresas estatais podem ter a lógica de geração de riqueza e de desenvolvimento regionais”, completou.

O engenheiro falou sobre o impacto da financeirização e da atuação das plataformas digitais sobre os setores de petróleo e de portos, com a presença cada vez maior de fundos financeiros no controle das empresas.

“O processo de plataformismo só tem interesse no resultado de curto prazo e pode ser visto no setor de petróleo, como na Petrobras”, observou.

O resultado, concluiu Moraes, é a maior retirada do valor do trabalho, com a maior precarização do trabalho em um contexto em que o mercado controla a produção e descarta a regulação do Estado.

Apoio à cadeia produtiva

O especialista também comentou sobre o problema do petrorrentismo dos royalties sem levar em conta o apoio a políticas de desenvolvimento da cadeia produtiva de equipamentos e serviços do setor de petróleo por parte de parte dos governantes municipais da região do Norte Fluminense.

“Existe a economia gerada pela produção do petróleo. Em Macaé, a receita de ISS é maior que a de royalties porque tem economia do petróleo, ao contrário de Campos, que é uma economia de royalties e não vinculada diretamente à economia do petróleo”, explicou. 

Para o engenheiro, o fim da política de conteúdo nacional causou sérios estragos na economia da região. “Tendemos a ficar só com a economia dos royalties, que é menor e gera empregos de menor qualificação com salários mais baixos”, afirmou.

 [Da campanha Petrobras Fica na Bacia de Campos]

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No mesmo dia em que a Petrobras divulgou redução dos preços dos combustíveis nas refinarias, ANP publicou pesquisa mostrando que preço médio da gasolina ficou em R$ 4,35, mas tem posto cobrando até R$ 5,19

[Da CUT e do Brasil de Fato]

No mesmo dia em que a Petrobras divulgou nova redução nos preços dos combustíveis em suas refinarias, a Agência Nacional do Petróleo, Gás Natural e Biocombustíveis (ANP) divulgou pesquisa mostrando que os preços médios da gasolina no Brasil não caíram para o consumidor, estão acima de R$ 4,00 e tem estados onde o produto é vendido por mais de R$ 5,00. Afinal, por que essas reduções nunca chegam ao bolso do consumidor?

A Petrobras divulgou, na segunda-feira (26), nova redução nos preços dos combustíveis em suas refinarias. O preço da gasolina deve cair até R$ 0,09 por litro, chegando a R$ 1,66 por litro. De acordo com a estatal, a partir de terça a gasolina seria vendida para os postos de combustíveis com uma redução de 5%.

No mesmo dia, a Agência Nacional do Petróleo, Gás Natural e Biocombustíveis (ANP) divulgou o Levantamento de Preços de Combustíveis (LPC) semanal mostrando que o preço médio do litro da gasolina comum vendida no Brasil foi de R$ 4,35 na semana anterior. Mas em alguns estados o combustível é vendido por até R$ 5,199, como é o caso do Rio de Janeiro, ou R$ 5,190 no Acre. O preço máximo no Tocantins (R$ 4,89) e em Goiás (R$ 4,88) também pesa no bolso dos consumidores. Confira a pesquisa aqui.

repórter Caroline Oliveira, do Brasil de Fato, foi ouvir o diretor técnico do Instituto de Estudos Estratégicos do Petróleo, Gás e Biocombustíveis (Ineep), o William Nozaki, para saber por que essas reduções não chegam no consumidor.

De acordo com ele, a redução não necessariamente significa um impacto positivo na bomba do posto de gasolina para o consumidor, “porque nem sempre as distribuidoras repassam essa redução para o preço final”.

“Todas as vezes que a Petrobras aumenta o preço dos combustíveis nas refinarias, as distribuidoras repassam para o consumidor na bomba de gasolina; mas quando a Petrobras diminuiu não necessariamente essa redução chega para o consumidor. Isso acontece principalmente nas cidades em que há muita concentração de propriedade de gasolina ou cartel para combinar preço”, explica o diretor técnico do Ineep.

De acordo com ele, em 2020, de maneira geral, os preços de combustíveis aumentaram. “Houve uma diminuição agora, por causa da queda da demanda. As pessoas estão consumindo menos combustível e isso acabou gerando um impacto na bomba de gasolina. Mas foi mais um efeito da demanda do que a oferta.”

Durante o período do isolamento social provocado pela pandemia do novo coronavírus, os grandes centros ficaram vazios, as pessoas ficaram em quarentena durante meses e praticamente não usaram os carros. Isso explica a queda da demanda e ocorreu em todo o mundo.

Com a flexibilização do isolamento, as pessoas voltaram a circular de carros e os preços voltaram a subir. Os novos reajustes anunciados nesta segunda-feira (26) são parte das 63 variações de preço realizadas ao longo de 2020. Isso se deve à política de preços adotada pelo governo federal, ainda na gestão de Michel Temer, de paridade com o mercado internacional.

Pela medida, a estatal abriu mão de controlar diretamente o preço, evitando variações inflacionárias, para determiná-lo de acordo com o preço do mercado internacional.

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A estatal divulgou 48 "teasers' para venda de ativos, o que significa uma média de 2,5 por mês. Levantamento feito pela subseção do Dieese na FUP é destaque de reportagem da Folha de São Paulo, que ouviu também o coordenador da Federação, Deyvid Bacelar

[Com informações da Folha de S.Paulo]

Sob o governo Bolsonaro, a Petrobrás quase duplicou o processo de vendas de ativos da empresa. Até agora são 48 processos abertos, uma média de 2,5 por mês. O número supera os procedimentos feitos no governo de Michel Temer (1,4 por mês) e é oito vezes maior do que a segunda gestão de Dilma Rousseff.

Os dados da Subseção FUP do Dieese (Departamento Intersindical de Estatísticas e Estudos Sócio-Econômicos), divulgados nesta segunda-feira (19) pelo jornal Folha de S.Paulo, demonstra que a estatal, sob o comando do economista Roberto Castello Branco, acelerou o processo de privatização. 

“A mudança ganhou respaldo legal no início do mês, quando o STF (Supremo Tribunal Federal) autorizou a empresa a criar subsidiárias para vender, em processo que tinha como alvo principal o processo de venda de 8 de suas 13 refinarias. Sob o argumento de que não gera caixa suficiente para reduzir dívida e investir no pré-sal, a empresa diz que deve abrir mão de operações menos rentáveis”, lembrou a reportagem.

Em entrevista ao jornal, o economista do Dieese, Cloviomar Cararine, que assessora a FUP, destacou que a redução do papel do refino indica maior força política do governo Bolsonaro. “Pedro Parente encontrou mais dificuldades [para vender ativos], tanto por questões políticas, quanto por questões legais. Mas Temer tinha um peso político bem menor do que o Bolsonaro”.

Ele ressaltou que há um alinhamento entre a estratégia e o pensamento liberal da área econômica do governo, que trabalha para abrir, entre outros, os setores de refino e gás natural. A proposta de sair definitivamente da BR Distribuidora, por exemplo, seguiria esse raciocínio.

O coordenador geral da FUP, Deyvid Bacelar, chamou atenção para o fato de que a venda de metade do parque de refino da Petrobrás vai reduzir a capacidade da empresa de se apropriar de margens de lucros sobre os combustíveis em períodos de petróleo barato. A Petrobras está deixando de ser uma empresa de energia, para ser uma empresa exportadora de commodities.

Ele também denunciou que a empresa está melhorando a remuneração dos executivos por meio do incentivo das vendas dos ativos. “A diretoria é premiada com recursos financeiros a partir do momento em que ele consegue cumprir metas de privatizações que serão maléficas para a própria empresa no futuro”, afirmou Deyvid, que é o entrevistado desta segunda-feira, 19, do Portal Vermelho, em live transmitida às 16h pelo Youtube e Facebook. Acompanhe abaixo: 

 


Leia aqui a íntegra da reportagem do Jornal Folha de São Paulo


 

 

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[Da imprensa do Sindipetro-BA] 

“O que a gente ganha não dá nem para se alimentar, imagine para comprar o gás a R$ 80,00, chegando, muitas vezes, a R$ 85,00”? O depoimento dado por Loreci Gonçalvez, moradora da cidade de Feira de Santana, reflete a situação de milhares de famílias, a maioria sobrevivendo com um salário mínimo, e que não conseguem sequer adquirir o botijão de 13 quilos do gás para cozinhar. 

Percorrendo diversas cidades do interior da Bahia desde o dia 29/09, com a ação “Gás a Preço Justo”, diretores do Sindipetro têm presenciado situações difíceis e ouvido relatos de pessoas que voltaram a cozinhar à lenha e, muitas vezes, não têm nem o que comer.

A ação faz parte da Campanha “A Petrobras Fica na Bahia”,  que  integram um grande movimento nacional entre os diversos sindicatos representativos dos trabalhadores petroleiros na defesa da Petrobras como empresa pública, integrada e a serviço do povo brasileiro. 

Já foram contemplados os moradores das cidades de Alagoinhas, Entre Rios, Dias D´Ávila, Mata de São João, Simões Filho, Candeias, São Francisco do Conde, São Sebastião do Passé, Feira de Santana e Ipirá. Em cada um desses municípios, o botijão de gás foi vendido para famílias carentes ao preço de R$ 40,00. O restante do valor foi subsidiado pelo Sindipetro.

O diretor de comunicação do Sindipetro e vice-presidente da CUT Bahia, Leonardo Urpia, que, juntamente com os também diretores do sindicato, João Marcos e Climério Reis (Mero), está à frente da ação do “Gás a Preço Justo”, diz que há uma boa receptividade da população, que se mostra interessada em saber mais sobre o processo de venda do gás de cozinha e porque ele está tão caro.

“Estamos conseguindo atingir o nosso objetivo que é o de chamar a atenção da sociedade para a importância da Petrobrás. Em cada lugar que chegamos explicamos o motivo do alto preço do gás de cozinha e de outros derivados do petróleo, que é a mudança da politica de gestão da Petrobrás, feita pelo governo Bolsonaro, que passou a acompanhar o preço internacional do barril do petróleo e a variação do dólar”. 

Eliomar, da cidade de Simões Filho, entendeu o recado e se mostrou revoltado. “Como é que a Petrobrás produz aqui, com matéria prima do Brasil, e a gente paga preço de dólar”?, indagou.

Para Maria, de Feira de Santana, “o governo de Bolsonaro tem de parar e refletir porque a nossa nação tem muita gente humilde que não tem condições de comprar o gás a esse preço. Eu conheço pessoas que estão procurando lenha para cozinhar”.

Em São Sebastião do Passé, Antônio Almeida revelou que às vezes precisa comprar gás fiado e o preço sobe para R$ 90,00”. Para Hilda Maria, também moradora dessa cidade, “a vida está muito difícil e o governo tem de ver isso, tem de baixar o preço do gás”.

A ação do “Gás a Preço Justo” segue até o final do mês de outubro, mostrando que é possível vender o gás de cozinha com valores mais baixos, levando-se em consideração o custo de produção nacional, mantendo o lucro das distribuidoras, revendedoras, da Petrobrás e a arrecadação dos impostos dos estados e municípios.

Conheça as cidades cujas populações ainda serão beneficiadas com a ação da venda de gás de cozinha a preço justo:

15/10 (quinta-feira)- Itabuna
16/10 (sexta-feira) – Itapetinga
17/10 (sábado)- Canavieiras

18/10 (domingo) – Jequié
20/10 (terça-feira)- Olindina
21/10 (quarta-feira) – Madre de Deus
22/10 (quinta-feira) – Santo Amaro

Publicado em Petróleo

Refinaria do Paraná opera com número insuficiente de trabalhadores. Gestão local reduz gradativamente o efetivo e não faz reposição. Situação está propícia para um acidente de grandes proporções

[Da imprensa do Sindipetro PR e SC]  

A preocupação com a segurança assola trabalhadores da Refinaria Presidente Getúlio Vargas (Repar), em Araucária-PR. Antes de 2017 já existia a apreensão de que a operação da unidade estava com o efetivo de petroleiros abaixo do mínimo necessário, o que levou o Sindipetro PR e SC a oferecer denúncia ao Ministério Público do Trabalho (MPT) e ajuizar uma ação contra a empresa que ainda tramita na Justiça do Trabalho. Mas a redução de pessoal é cada vez maior e, claro, a situação de insegurança hoje também aumentou. 

Foi em 2017 que a gestão da Repar aplicou o estudo de O&M (Organização & Método), que resultou na diminuição imediata de aproximadamente 20% dos postos de trabalhos operacionais. A metodologia do modelo, que é bastante questionado por especialistas da área de segurança do trabalho, foi utilizada pela direção da Repar para adequar o efetivo à redução de funcionários desligados da empresa por conta do PIDV (Plano de Incentivo à Demissão Voluntária), sob a desculpa gerencial de “otimização dos recursos humanos da companhia”. 

Antes de 2017, o número do efetivo na operação da Repar era de 480 trabalhadores e, em 2020, caiu para cerca de 300 – uma redução de 40%. O número exato não é disponibilizado para o Sindicato, pois a partir de 2016 a gestão da refinaria deixou de apresentar os relatórios mensais de movimentação de pessoal. A situação fica mais crônica por conta das 50 saídas de operadores previstas para acontecer até o final deste ano. 

A atual condição da Unidade de Destilação e Hidrotratamento (U2100) é um exemplo da irresponsabilidade dos gestores locais. Antes do O&M o número de operadores no local era sete, após a empresa estabeleceu unilateralmente que seriam cinco por turno, mas no último feriado haviam apenas três trabalhadores, o que, segundo empregados da área, é recorrente. Isso é inacreditável! Não se trata de uma padaria, com todo respeito aos padeiros, mas sim de uma refinaria de petróleo, com suas inúmeras complexidades e riscos. 

Cabe lembrar que a U2100 foi palco de um dos maiores acidentes da refinaria. Em 2013, um grave incêndio causou prejuízos significativos às instalações e a parada de produção da Repar por semanas. 

A gestão da Repar “passa a boiada” no quesito insegurança. Descumpre constantemente seu próprio O&M, em total menosprezo à vida dos trabalhadores. Os funcionários admitem que, na hipótese de emergência, há risco de acontecer um acidente ampliado. 

A Repar vive atualmente em condições similares àquelas do ano 2000, quando foram derramados 4 milhões de litros de óleo cru nos rios Barigui e Iguaçu. A empresa culpabilizou trabalhadores, mas a mentira não colou na opinião pública. Agora, em 2020, a Repar novamente é uma bomba-relógio prestes a explodir. 

Os gestores devem ser responsabilizados pela exposição dos empregados ao perigo no trabalho. O Sindicato vai continuar a fornecer dados sobre o efetivo da Repar na denúncia que tramita no MPT, a fim de subsidiar uma nova ação judicial. Se um acidente ocorrer, a culpa não cairá sobre os ombros dos trabalhadores. Ainda dá tempo de evitar uma tragédia, mas depende da vontade da direção da Repar e da Petrobrás.

Falar em empresa “mais enxuta” para o setor petrolífero é lógica de padeiro para convencer Ministros do Supremo, sem nenhuma conhecimento maior de administração e negócios

Por Luis Nassif, no Jornal GGN

Vamos supor que a Petrobras fosse uma empresa privada. Ou seja, seus controladores não tivessem nenhuma responsabilidade inerente a empresas estratégicas nacionais: visassem apenas o crescimento e a rentabilidade da empresa.

De repente, eles se veriam ante o seguinte dilema:

1. A empresa tem alto grau de endividamento.

2. A empresa necessita de investimentos para garantir seu crescimento futuro.

Há vários caminhos a serem percorridos. O mais usual deles – para as empresas responsáveis – é a redução dos dividendos. É o caso da Mulberry, fabricante de bolsas de luxo. Essa responsabilidade existe nas empresas com controle de capital definido, na qual os controladores investem na perpetuação das empresas.

Sem o controle definido, os acionistas vêem a empresa apenas como geradora de dividendos. Trata-se do velho esquema de “sugar a mama da vaca”, sem pensar no amanhã. Foi o que ocorreu com a Embraer, ante os olhares indiferentes das instituições e das próprias Forças Armadas. A única lógica da venda para a Boeiong era a da valorização dos papéis dos acionistas, que se tornariam sócios da compradora. A tendência das empresas sem controle definido é se tornarem vulneráveis aos chamados abutres do mercado financeiro.

É o que está ocorrendo com a Petrobras. Ela está conseguindo chegar a um nível de irresponsabilidade só encontrada em empresas do setor privado sem comando.

No ano passado anunciou sua meta de se transformar em uma das grandes pagadoras de dividendos do país. Definiu uma política segundo a qual, se a dívida bruta estiver abaixo de US$ 60 bilhões – incluindo compromissos com arrendamentos mercantis – a empresa poderá distribuir 60% da diferença entre o fluxo de caixa operacional e os investimentos. Se estiver abaixo, distribuirá os mínimos obrigatórios previstos em lei e nos estatutos sociais.

Segundo analistas de mercado, ouvidos pela mídia na época, a nova política garantirá a continuidade do processo de desalavancagem, deixando a Petrobras “mais enxuta e focada em exploração e produção em águas profundas”. Pelos cálculos de mercado, a Petrobras pagaria um yild (reação entre preços da ação e o valor do dividendo) entre 13% e 15% – isto em um mundo em que as taxas de juros internacionais estão próximas de zero. Com a melhoria do mercado, poderia subir a 17%. Ora, isso é tirar sangue da veia da empresa. Como a mídia, tão ciosa em criticar o nível de alavancagem e a necessidade de investimentos da companhia, se calou antes esse descalabro de um yild superior a 13%?

Essa história de “empresa mais enxuta” aplica-se a empresas com diversidade de frentes de negócio não relacionados ao negócio principal. Falar em empresa “mais enxuta” para o setor petrolífero é lógica de padeiro, própria para convencer Ministros do Supremo, sem nenhuma conhecimento maior de administração e negócios.

A cadeia de valor do petróleo contempla três fases:

• Upstream : exploração, desenvolvimento e produção, descomissionamento;

• Midstream : transporte, refino, armazenamento;

• Downstream : transporte, marketing.

Aqui, um diagrama preparado pela Federação das Indústria do Paraná.

A fase de maior risco é a primeira. O investimento inicial é elevado, com bom nível de incertezas durante a exploração e a avaliação. Os dados internacionais mostram a necessidade de investimentos de US$ 1 bilhão para petróleo offshore de médio porte. Há necessidade de levantamento geológicos, pesquisas sísmicas, poços de exploração. Depois de identificado o petróleo, há os investimentos de exploração, inclusive analisando riscos ambientais. E todos esses gastos dependem do comportamento das cotações internacionais do petróleo, submetidas a pressões geopolíticas de toda ordem. Bastou a Arábia Saudita anunciar o aumento da produção, em represália à Rússia, para as cotações despencarem, afetando exclusivamente as empresas focadas no upstream.

Há a necessidade de estudos mais aprofundados sobre a cadeia de valor. O faturamento começa quando chega ao consumidor final – o dono de automóveis, a petroquímica, empresas industriais. Estima-se que o upstream fique com um quinto da receita final. O restante fica com o midstream e o upstream, atividades lucrativas e sem riscos de mercado – a não ser aqueles que impactam diretamente o consumo.

O midstream e o upstream foram pouco afetados pela crise da Arábia Saudita porque trabalham com margens em cima dos preços pagos na compra de petróleo. Para o upstream foi um desastre, porque sua rentabilidade depende expressamente da diferença entre as cotações de petróleo e o custo de exploração.

Justamente por isso, todas as petrolíferas nacionais se valem de sua capacidade de extrair petróleo para explorar todos os segmentos da indústria. Quando a exploração enfrenta dificuldades, escora-se na distribuição, no refino, no transporte.

Os gestores da Petrobras estão fazendo exatamente o contrário, se desfazendo de seu hedge, os setores mais lucrativos e de menor risco, algo que jamais seria feito por uma empresa privada séria.

Ora, se refino, distribuição, produção de gás fazem parte da lógica financeira da companhia, qual a razão do Supremo Tribunal Federal ter tratado como se fosse um mero rearranjo de ativos?

Uma corte responsável abriria audiências públicas, traria especialistas internacionais para discutir a cadeia de valor do setor, antes de sancionar qualquer drible da vaca na Constituição – que obriga que toda venda de estatais passe pelo Congresso.

Daqui a alguns anos, quando ficarem claros os efeitos dessa flexibilização, a biografia de cada um dos Ministros que votou em favor da venda das refinarias será irremediavelmente maculada. A avaliação mais generosa é que foram mal informados.

Publicado em Sistema Petrobrás
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A Federação Única dos Petroleiros (FUP) foi criada em 1994, fruto da evolução histórica do movimento sindical petroleiro no Brasil, desde a criação da Petrobrás, em 1953. É uma entidade autônoma, independente do Estado, dos patrões e dos partidos políticos e com forte inserção em suas bases.