CUT, CTB, MAB e outras entidades se somam à FUP e seus sindicatos nas ações solidárias para levar combustíveis a preço justo para a população. Mobilização integra o dia nacional de luta em defesa das estatais, do serviço público, do auxílio emergencial e por Vacina Já

[Com informações da CUT e dos sindicatos de petroleiros | Imagem: Sindipetro Unificado SP]

Para provar que é possível a população comprar gás de cozinha, gasolina e óleo diesel com preços justos, a FUP e seus sindicatos terão o reforço de outras categorias de trabalhadores organizados em uma grande ação nacional de solidariedade nesta quinta-feira, 04, quando serão distribuídos cupons em diversas regiões do país, com descontos para abastecimento de combustíveis e compra de botijões de gás.

Os produtos serão subsidiados por sindicatos, movimentos sociais, CUTs estaduais e associações de moradores. Com a ação (veja abaixo a relação de locais onde será realizada), a gasolina e o diesel poderão ser adquiridos a R$ 3,50 o litro e o botijão de gás, por R$ 50,00, metade do preço praticado no mercado. Esses valores foram definidos a partir de estudos elaborados por técnicos e economistas, levando em consideração os preços e custos da Petrobrás e a garantia de lucratividade de empresas produtoras, distribuidoras e revendedores. O que prova que o consumidor não precisa e não deve pagar essa conta. O número de cupons será limitado.

Além de protestar contra os preços abusivos dos combustíveis, os trabalhadores irão denunciar o impacto das privatizações para a população. No caso do Sistema Petrobrás, o desmonte da empresa está diretamente relacionado à política de preços dos derivados de petróleo, implantada pelo governo Temer, em 2016, quando a gestão da petrolífera passou a reajustar os produtos nas refinarias, com base no Preço de Paridade de Importação (PPI)

Desde então, a FUP e seus sindicatos vêm mobilizando os trabalhadores e dialogando com a sociedade, mostrando que é possível a Petrobrás voltar a cumprir o seu papel social, não só em relação a garantir o abastecimento nacional com preços justos para a população, como também através de investimentos no país e da integração da empresa. O governo Bolsonaro, no entanto, intensificou o desmonte e as privatizações iniciadas no governo Temer, colocando à venda oito refinarias, terminais, redes de gasodutos e subsidiárias, como a BR Distribuidora e a Liquigás, que já foram privatizadas. 

O resultado desta política é o aumento do desemprego, avanço da desindustrialização e desnacionalização, além de preços abusivos para o consumidor. Somente neste ano de 2021, os reajustes dos derivados nas refinarias da Petrobrás chegam a 41,5% para a gasolina; 34,1% para o diesel; e a 17,1% no gás de cozinha. Só a gasolina já aumentou cinco vezes em dois meses.

A disparada no preço dos combustíveis reforça o que a FUP e seus sindicatos defendem há anos: a necessidade de uma política de Estado para o setor de óleo e gás, que garanta o abastecimento nacional, com preços justos para a população. Para que isso ocorra, o reajuste dos combustíveis deve se basear nos custos nacionais de produção de derivados de petróleo e não no preço de importação, que a gestão da Petrobrás implementou há quase cinco anos.

"Sem uma política de Estado clara, o governo federal reforça sua incompetência em lidar com a questão. Jogando a culpa da escalada dos preços dos combustíveis sobre impostos estaduais e margens das distribuidoras e dos revendedores, o presidente Jair Bolsonaro assume seu despreparo ao não atacar a grande causa do problema, que é o PPI", destacou a FUP, em comunicado recente à imprensa.  

O Dia Nacional dos Combustíveis a Preços Justos também pretende chamar a atenção da população para o descaso do governo Bolsonaro no enfrentamento à pandemia de Covid-19 e os prejuízos que o povo brasileiro vem tendo com as privatizações e o desmonte do Estado e dos serviços públicos.

A mobilização desta quinta também acontecerá nas mídias sociais (Twitter, Instagram, Facebook e outras), com as hashtags:

#NãoDeixemVenderOBrasil

#PetrobrasFica

#CombustivelaPrecoJusto

#Bolsocaro

Confira os locais onde serão realizadas as ações solidárias:

Amazonas:

Gasolina a preço justo: serão distribuídos 2 mil litros com descontos, com prioridade para os taxistas, limitado a 20 litros por veículo. Endereço: Posto São Lucas, na Avenica Cosme Ferreira (altura do número 20) em Manaus. Contato para entrevistas: Marcus Ribeiro, Coordenador Geral do Sindipetro/AM, fone (92) 98222-3265.

Bahia

Diesel a preço justo em Salvador: serão 10 mil litros ao preço de R$ 3,09 (limite de 100 litros por caminhão). A partir das 7h, no Posto Aratu, em Salvador (sentido - Salvador/Feira de Santana), na BR 324, km 16,5. Contato para imprensa: Radiovaldo Costa, diretor de comunicação do Sindipetro Bahia (75) 99983-6142

Gasolina a preço justo em Feira de Santana: Serão 2,8 mil litros ao preço de R$3,50 (limites: 20 litros por carro e 5 litros por moto) no Posto Modelo (Av. Getúlio Vargas) em Feira de Santana, às 13h. Contato para entrevistas: Coordenador da FUP, Deyvid Bacelar (71) 99977-8405.

Brasília

CUT-DF promove debate sobre a luta contra as privatizações, contra a Reforma Administrativa e ato simbólico de entrega solidária de cestas básicas a famílias organizadas pela AMORA, às  11h, na Quadra Coberta QN 12C do Riacho Fundo II

Ceará

Gasolina a preço justo em Fortaleza. Serão 1.700 litros de gasolina ao preço de R$ 3,50 (Limites: 20 litros por carro, 5 litros por moto). Realização: Sindipetro-CE/PI. 

Minas Gerais

“Gasolina a preço justo”: Ação do Sindipetro MG e CUT/MG no Posto Rodike (Rua Niquelina 546), a partir das 10h.
Serão 6 mil litros a R$ 3,50, com limites de 20 litros por carro e 10 litros por moto. Público alvo: motoristas de aplicativo e entregadores.
Será necessário apresentar o aplicativo para participar.

Pará

Em Belém serão distribuídos 100 botijões a preço justo para as mulheres da periferia da cidade, em uma parceria FUP, MAB e CUT/PA.

Pernambuco

Atividade será na Paróquia do Coque/Pastoral das Crianças (Rua catalão, 94), Recife, às 11h30. A ação é realizada pela CUT, FUP, Sindipetro PE/PB em parceira com MST, Marcha Mundial das Mulheres, Levante Popular da Juventude, Projeto Mãos Solidárias do Armazém do Campo Serão doados 50 Botijões de gás e alimentos agroecológicos (1,5 ton), produzidos pela Agricultura Familiar. Contato para entrevistas: : Thiago Gomes, diretor do Sindipetro PE - (81) 8563-5870

Rio de Janeiro 

Serão 300 botijões subsidiados ao preço de R$ 40,00 em uma ação conjunta com o Sindipetro-NF em Caxias, na manhã do dia 4, no Conjunto Habitacional Dom Jaime Câmara em Padre Miguel. Realizadores: Sindipetros Norte Fluminense e Duque de Caxias.

São Paulo

Gasolina a preço justo em São Paulo, às 13h, no Auto Posto Cidade - Rua Frederico Alvarenga, 65 (Sé). Serão 5 mil litros destinados a motoristas de aplicativo e motoboys. Realização: Sindipetro Unificado de SP. Contato para imprensa: Guilherme Weimann (11) 98241-3171/ Luiz Carvalho (11) 97397-9315

“Caminhada pela Vida”, em defesa da educação e contra as aulas presenciais, por Vacina Já!, em defesa do SUS, do auxílio emergencial, do emprego e contra as privatizações. Concentração às 10h, na Praça do Patriarca com caminhada até a Praça da República, onde a Apeoesp também realizará um ato.

Contato para entrevistas: Rafael (11) 98927-5970 ou Vanessa (11) 93299-2305. 

Espírito Santo

Ação com motoristas de Uber ocorreu nesta quarta-feira (3), em São Matheus, no Posto Mar Negro, com venda de gasolina para os 100 veículos com desconto de R$ 2,00 por litro (limitados a 20 litros por carro e 10 litros por moto). 

Rio Grande do Norte

A “Ação gasolina a preço justo” será realizada entre os dias 8 e 12 de março, com início em Mossoró e previsão para alcançar os principais municípios do estado. Serão 2.000 litros de combustível somente em Mossoró. Público principal: motoristas de transporte autônomos.

Ato virtual a partir das 19h, no portal da CUT-RN, na página do Sinte-RN, Facebook e pelo Instagram

Rio Grande do Sul

Ação de distribuição de descontos para 50 botijões de gás será realizada no dia 15/03, junto com o Movimento Atingidos por Barragens (MAB) em comunidades de atingidos.

Paraná e Santa Catarina

Os estados estão em lockdown por conta da pandemia. O Sindipetro PR/SC e os movimentos locais realizarão ações na próxima semana.

 

 

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Em artigo publicado na revista Carta Capital, o coordenador geral da FUP, Deyvid Bacelar, faz um balanço da gestão de Roberto Castello Branco, que deixa um legado de destruição no Sistema Petrobrás. "Precisamos resgatar a maior empresa do Brasil das mãos do capital especulativo e retomar sua trajetória como principal mola propulsora do desenvolvimento industrial do País", convoca o petroleiro, apontando ações que ainda podem ser desenvolvidas para retomada do papel social da Petrobrás.

Confira a íntegra:

Por Deyvid Bacelar, coordenador geral da Federação Única dos Petroleiros - FUP 

O presidente Jair Bolsonaro, enfim, demitiu o presidente da Petrobras, Roberto Castello Branco, que há dois anos ocupava a direção da empresa. Quem ocupar sua cadeira deve ter as competências necessárias para a função. Tem também a obrigação de parar a política de destruição de seu antecessor.

Antes de assumir o cargo – e sem conhecer os números da empresa – Castello Branco já anunciava privatizar refinarias e concentrar atividades da Petrobras no eixo Rio-São Paulo. E desde o dia um, sua gestão agiu para destruir o patrimônio da empresa.

Eis alguns exemplos:

1 – Assinou compromissos desnecessários com o Conselho Administrativo de Defesa Econômica prevendo a venda de ativos;

2 – Vendeu o controle da BR, a maior distribuidora de combustíveis da América Latina, sem cobrar o prêmio de controle;

3 – Vendeu 90% das redes de gasodutos;

4 – Vendeu a Liquigás, o principal instrumento de controle do preço do botijão de gás de cozinha;

5 – Vendeu praticamente todos os campos de produção de petróleo em terra do País;

6 – Vendeu metade das bacias de campos e de Santos (inclusive áreas no pré-sal);

7 – Extinguiu os investimentos em biocombustíveis e em energia eólica, energias limpas para o futuro;

8 – Acabou com o Complexo Petroquímico do Rio de Janeiro, transformando-o em uma Unidade de Processamento de Gás Natural;

9 – Acabou com a produção de fertilizantes, aumentando a dependência do agronegócio da importação desses insumos;

10 – Colocou à venda todas as atividades da empresa nas regiões Norte, Nordeste, Sul e Centro-Oeste.

O argumento de que as receitas das vendas reduziriam o endividamento e, consequentemente, os juros cobrados da empresa, desde o início questionável, não se sustentou. Com raríssimas exceções, os ativos vendidos tinham Valor Presente Líquido positivo e gerariam lucro por muitos anos.

Além disso, o custo de capital de grandes empresas, como a Petrobras, é balizado pelo Custo Soberano do Brasil. Nenhuma companhia nacional consegue baixar a taxa de juros que paga para captar recursos no mercado internacional em patamares mais baixos que os pagos pelo Brasil. E a taxa da Petrobras é praticamente igual à do País .

E mais: como a gestão Castello Branco concentrou as atividades em Exploração e Produção, onde os riscos são maiores (e os custos dos empréstimos também), acabou anulando a estratégia de redução do endividamento para redução do custo do capital. Ou seja, a Petrobras integrada, “do poço ao posto”, paga juros menores que a Petrobras que atua única e exclusivamente em E&P.

A falácia da “venda de ativos para reduzir dívida” se desnudou em definitivo com a decisão recente da empresa de mudar sua política de dividendos, permitindo que acionistas embolsem dinheiro mesmo com a Petrobras dando prejuízo, em montante equivalente à redução do endividamento. Ou seja, vender ativos para reduzir a dívida e aumentar a dívida para pagar dividendos. Os especuladores adoram!

O que temos visto nos últimos dias é a defesa de quem vem destruindo a Petrobras, mas prometeu pagar US$ 30 bilhões em dividendos nos próximos cinco anos. Sempre acompanhado de ataques à companhia, sobretudo por operadores do mercado financeiro. Não à toa, a Comissão de Valores Mobiliários abriu investigação para apurar irregularidades com a venda recente de opções da Petrobras.

A Petrobras continua gerando lucros, apesar das engenharias contábeis da gestão Castello Branco. Foi e ainda é o principal instrumento de fomento à industrialização do Brasil. Nos últimos anos, contudo, foi capturada pelo capital financeiro, que vem impondo na empresa a lógica do lucro no curto prazo. Precisamos resgatá-la.

A Petrobras precisa voltar a investir, voltar a gerar as centenas de milhares de empregos diretos e indiretos, voltar a fomentar o desenvolvimento com inclusão social.

Para isso, alguns pontos precisam ser observados:

1 – O preços dos derivados é central, e uma nova política é necessária. Desde 2016, esses preços tem subido muito acima da inflação e da renda do brasileiro, alimentando uma reação popular contrária à Petrobras e ao governo.

As refinarias não trabalham em carga máxima – em 2020, ficaram em 77% de sua capacidade. A Petrobras optou por reduzir a carga, exportar petróleo cru e importar derivados.

As refinarias podem ajudar na redução dos preços, aumentando a produção. E temos de retomar os investimentos no aumento da capacidade do refino. O segundo trem da Refinaria Abreu e Lima (RNEST) é fundamental.

Mas é preciso mudar a política de preços e considerar outros fatores além da paridade de importação, como os custos nacionais de produção. Isso é possível e não traz prejuízos à Petrobras;

2 – A Petrobras precisa voltar a investir no Brasil. Os investimentos da empresa em 2020 foram os mais baixos dos últimos 20 anos, 50% abaixo do realizado em 2016, que já era bem abaixo dos anos anteriores. Estes investimentos geram empregos e renda e dedesenvolvimento . É preciso retomar os índices de conteúdo local, que caíram de 55%, em média, para 25%.

3. A Petrobras precisa ser integrada, “do poço ao posto”, para sofrer menos com a flutuação do petróleo e do dólar. A Petrobras integrada e atuando em todas as regiões gera mais lucro para os acionistas e induz o desenvolvimento do país.

4. A gestão da empresa precisa dialogar mais com os trabalhadores e o movimento sindical. Precisa de um canal de diálogo para não voltarmos a conviver com movimentos grevistas.

Precisamos resgatar a maior empresa do Brasil das mãos do capital especulativo e retomar sua trajetória como principal mola propulsora do desenvolvimento industrial do País, marca registrada na maior parte dos seus quase 70 anos de história.

A Petrobras é do Brasil. A Petrobras é do povo brasileiro.

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Em mais uma rodada de negociação com o RH Corporativo da Petrobrás na segunda-feira, o Sindipetro Bahia buscou o atendimento da pauta de reivindicações dos trabalhadores da Rlam e da PBIO, mas não houve avanços

[Da imprensa do Sindipetro BA]

Na tarde da segunda-feira (1) aconteceu a segunda rodada de negociação da diretoria do Sindipetro Bahia com o RH Corporativo da Petrobrás para discutir a pauta de reivindicações dos trabalhadores da Refinaria Landulpho, a situação dos trabalhadores da PBIO e outros assuntos. Realizada através de vídeoconferência, apesar dos importantes pontos corporativos em pauta, a negociação foi marcada por sucessivas negativas por parte da Petrobrás. Não houve nenhum avanço, pois a estatal vem se recusando a atender até os mais simples dos pleitos.

PBIO

A venda da Petrobras Biocombustíveis (PBIO), já anunciada pela estatal, foi um dos pontos de discussão na mesa de negociação. A preocupação do Sindipetro é com o futuro dos trabalhadores, caso a PBIO seja realmente vendida. A entidade sindical lembrou que os empregados são concursados e reivindicou que fossem incorporados à Petrobrás, como ocorreu em outras subsidiárias que a estatal comprou no passado a exemplo da Petromisa.

O Sindipetro também pediu que os termos do contrato de negociação dessa eventual venda fossem tratados com mais transparência. A entidade quer saber, por exemplo, se nesses termos constam a estabilidade no emprego dos trabalhadores da PBIO, pois até o momento a Petrobrás não deu nenhuma garantia de continuidade dos contratos de trabalho ou estabilidade provisória que impedissem demissões em massa desses trabalhadores, logo após a venda.

A Companhia respondeu que o contrato é sigiloso, mas adiantou que a PBIO será vendida com “porteira fechada”. Isso quer dizer que os contratos dos empregados serão cedidos à empresa compradora, que ficará também com as demandas judiciais, cujos passivos já foram abatidos do preço final de venda.

Questionado a respeito dos direitos desses trabalhadores, o RH Corporativo disse que a empresa compradora seguirá o Acordo Coletivo de Trabalho (ACT) da categoria petroleira. “O ACT tem validade de dois anos entre as partes que assinaram, ou seja, a Petrobrás, a FUP e o Sindipetro Bahia. Quem garante que ela vai manter esse acordo que não assinou”?. Indagaram os diretores.

Apesar da intransigência da empresa, não deixando espaço para negociação, o Sindipetro deixou claro que vai continuar insistindo na incorporação dos funcionários da PBIO à Petrobrás.

Outros pontos tratados

Parada de manutenção – Apesar do surto de Covid-19 na RLAM, o RH Corporativo insiste em manter a parada de manutenção da refinaria.

Assédio moral no ambiente de trabalho – A Petrobrás se recusa a discutir esse ponto, pois nega que ocorra assédio moral em suas unidades.

Tabela de turno e locais de controle de ponto -. A Companhia alega que essa matéria já está superada e que fica mantida aquela proposta de ACT específico, cláusula expressa de quitação do passivo trabalhista da tabela anterior, cuja proposta já foi negada pela assembleia da categoria.

O Sindicato lamentou que no lugar de negociações com avanços para os trabalhadores encontrou apenas intransigência por parte da Petrobrás. Ressaltou ainda a frustração da boa fé da entidade sindical que suspendeu o início da greve do dia 18/02, para negociar.

Diante das reiteradas negativas da Petrobrás até então, o Sindipetro enviou notificação à estatal, informando que, em caso de manutenção do impasse negocial, a categoria petroleira retomará o movimento paredista que havia suspenso temporariamente, iniciando a greve a partir da zero hora e 1 minuto da próxima sexta-feira, (05/03).

Clique aqui para ler a notificação enviada à Petrobrás

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Ao se desfazer do controle acionário que tinha na usina eólica do Rio Grande do Norte, Petrobrás segue na contramão do mundo, concentrada apenas em energia pesada

[Da redação da CUT]

Na contramão do mundo, a Petrobras se retira totalmente da produção de energia eólica. A petroleira brasileira anunciou que venderá por R$ 32,97 milhões 51% das suas ações (participação majoritária) no parque eólico Mangue Seco 2, no Rio Grande do Norte, ao fundo de investimento em participações FIP Pirineus, que já era sócio da estatal no projeto com 49% de participação.

O Mangue Seco 2 era o último dos quatro parques eólicos que a Petrobras tinha participação. Com a venda, a estatal se retira totalmente de investimentos em energia limpa. A companhia já havia encerrado sua participação em biodiesel.

Antes da Petrobras, a Eletrobras também se retirou do parque eólico Mangue Seco 2. A companhia de energia recebeu R$ 27,6 milhões também do fundo de investimento Pirineus pela venda de 49% de sua participação, em outubro do ano passado. O negócio fez parte do programa de desinvestimentos da estatal de energia.

Na contramão do mundo

A decisão da Petrobras em se retirar totalmente da produção de energia limpa é questionada pelo pesquisador do Instituto de Estudos Estratégicos de Petróleo, Gás e Biocombustívei (Ineep) Henrique Jäger. Segundo ele, a concentração da estatal em energia pesada vai na contramão do mundo que procura fontes renováveis e mão poluentes.

“A concentração em atividades de extração de petróleo é um movimento inverso do que vem fazendo as grandes indústrias petrolíferas do mundo. Exceto as norte-americanas que tiveram a ajuda de Donald Trump [ex-presidente dos EUA] que flexibilizou as regras ambientais, as demais estão apostando em energia limpa”, diz Henrique. Ainda de acordo com ele, com a posse de Joe Biden, essas empresas também deverão voltar a aderir a novas fontes de energia não poluentes.

Para o pesquisador do Ineep, a decisão da Petrobras tem um só objetivo: maximizar o lucro do acionista a curto prazo.

“O futuro, do ponto de vista da geração e fornecimento de energia passa, principalmente num país como Brasil que possui áreas de vento e sol, por energia elétrica e fotovoltaica [solar]. Este é o futuro do fornecimento de energia  no mundo. Do ponto de vista estratégico é ruim a saída da Petrobras deste setor”, afirma o pesquisador.

Jaguer lembra que a Petrobras tinha uma estratégia de diversificar suas fontes de energia, tanto que em 2006 seu slogan era “do poço ao posto” e em 2011 mudou para “ do poço ao poste”.

“Hoje a Petrobras só quer explorar petróleo, se concentrando no pré-sal. Já vendeu sua distribuidora e está vendendo as refinarias. O parque eólico Mangue Seco era uma estratégia integrada de energia limpa, mas infelizmente, a empresa agora só conta com um projeto insignificante de energia solar”, diz.

Outro ponto importante abordado por Jaguer é que a venda do parque eólico enfraquece a luta dos trabalhadores por direitos. Segundo ele, a Petrobras, uma empresa de 70 anos, tem como marca a qualidade do emprego, e certamente esses trabalhadores terão maior dificuldade em melhorar as suas condições de trabalho.

Parque eólico de Mangue Seco

O lucrativo parque eólico de Mangue Seco 2, fica no município de Guamaré, Rio Grande do Norte. A usina é parte de um complexo com as eólicas Mangue Seco 1, 2, 3 e 4, com 26 aerogeradores cada uma, tem uma capacidade instalada total de 104 megawatts. A Petrobras vendeu toda a sua participação nas quatro usinas.

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A FUP e seus sindicatos voltam a realizar esta semana novas ações solidárias de venda subsidiada de combustíveis, em mais uma campanha nacional para mostrar à população que é possível o país ter gasolina, diesel e gás de cozinha comercializados a preços justos. As mobilizações começam nesta quarta-feira, 03, no Espírito Santo, mas serão concentradadas na quinta, dia 04, no Dia Nacional de Luta convocado pelas centrais sindicais e movimentos sociais em defesa das estatais, dos serviços públicos e contra a reforma administrativa. As ações dos petroleiros serão fortalecidas pela CUT e pelo Movimento dos Atingidos por Barragens (MAB), que estarão juntos com os sindicatos da FUP nas atividades de venda subsidiada dos combustíveis. 

As ações serão realizadas em sete estados e em mais outras duas regiões do país na próxima semana (veja o calendário abaixo). Além de protestar contra os preços abusivos dos combustíveis, os trabalhadores irão denunciar o impacto das privatizações para a população. No caso do Sistema Petrobrás, o desmonte da empresa está diretamente relacionado à política de preços dos derivados de petróleo, implantada pelo governo Temer, em 2016, quando a gestão da petrolífera passou a reajustar os produtos nas refinarias, com base no Preço de Paridade de Importação (PPI)

Desde então, a FUP e seus sindicatos vêm mobilizando os trabalhadores e dialogando com a sociedade, mostrando que é possível a Petrobrás voltar a cumprir o seu papel social, não só em relação a garantir o abastecimento nacional com preços justos para a população, como também através de investimentos no país e da integração da empresa. O governo Bolsonaro, no entanto, intensificou o desmonte e as privatizações iniciadas no governo Temer, colocando à venda oito refinarias, terminais, redes de gasodutos e subsidiárias, como a BR Distribuidora e a Liquigás, que já foram privatizadas. 

O resultado desta política é o aumento do desemprego, avanço da desindustrialização e desnacionalização, além de preços abusivos para o consumidor. Somente neste ano de 2021, os reajustes dos derivados nas refinarias da Petrobrás chegam a 41,5% para a gasolina; 34,1% para o diesel; e a 17,1% no gás de cozinha. Para a FUP e seus sindicatos, somente o fim do PPI vai dar a previsibilidade necessária aos preços dos combustíveis que a população necessita, já que os combustíveis impactam toda a cadeia produtiva e pressionam a inflação.

O objetivo das ações solidárias é dialogar com a população, provando que os preços dos combustíveis poderiam ser menores se a Petrobrás extinguisse o PPI e voltasse a ser gerida com foco nos interesses nacionais e não apenas dos acionistas privados, como vem ocorrendo. Em vez da Petrobrás atrelar os preços dos derivados no Brasil às cotações do barril de petróleo no mercado internacional e ao dólar, o movimento sindical petroleiro defende que a empresa considere os custos nacionais de produção dos combustíveis nos cálculos, já que é o petróleo nacional que é processado nas refinarias brasileiras, que são capazes de suprir 90% dos combustíveis necessários ao abastecimento nacional.

Vale destacar que os preços justos de gasolina, diesel e gás de cozinha que serão vendidos de forma subsidiada pelas entidades sindicais foram definidos a partir de estudos elaborados por técnicos e economistas, levando em consideração os preços e custos da Petrobrás e a garantia de lucratividade de empresas produtoras, distribuidoras e revendedores. O que prova que o consumidor não precisa e não deve pagar essa conta.

O Dia Nacional dos Combustíveis a Preços Justos também pretende chamar a atenção da população para o descaso do governo federal no enfrentamento à pandemia de Covid-19. E ainda pela ampliação dos recursos para o Sistema Único de Saúde (SUS), a defesa das medidas de distanciamento social e o enfrentamento da crise econômica (retomada do auxílio emergencial, defesa do Programa de Proteção ao Emprego; luta contra o teto dos gastos e a reforma administrativa). 

DIA NACIONAL DOS COMBUSTÍVEIS A PREÇOS JUSTOS

 

Quarta-feira, 03/03

 

Sindipetro ES – São Mateus: Gasolina para os 100 primeiros veículos que chegarem, a partir das 11h, com desconto de R$ 2,00 por litro, limitados a 20 litros por carro e 10 litros por moto, (Posto Mar Negro).

 
Quinta-feira, 04/03

 

Sindipetro CE/PI – Gasolina a preço justo em Fortaleza, por R$ 3,50 (limite de 20 litros por carro e 5 litros por moto).

Sindipetro PE/PB – 50 botijões serão vendidos q preço justo, em uma comunidade carente de Recife.

Sindipetro BA - Simões Filho (diesel a preço justo de R$ 3,09 o litro; a partir das 7h, no Posto BR Aratu, localizado na BR 324, para caminhoneiros autônomos, com limite de 100 litros por caminhão). Feira de Santana (a partir das 13h, gasolina a preço justo por R$ 3,50; no Posto Modelo, localizado na Av. Getúlio Vargas, 18 – Centro, com limite de 20 litros por carro e 5 por moto).

Sindipetro Norte Fluminense e Sindipetro Caxias – 300 botijões a R$ 40 no Conjunto Habitacional Dom Jaime Câmara, em Padre Miguel, Zona Oeste do Rio.

Minas Gerais | FUP e CUT - Gasolina a preço justo, com limite de 20 litros por carro e 10 por moto, para motoristas de aplicativo.

Pará | FUP, CUT e MAB –100 botijões a preço justo para as mulheres da periferia de Belém.

 
Próximas semanas

 

Sindipetro RN – Ação entre os dias 8 e 12 de março, iniciando na cidade de Mossoró, com previsão de alcançar os principais municípios do estado. Serão 2 mil litros de combustível  em Mossoró, para motoristas de transportes autônomos.

Sindipetro-RS - Dia 15 de março, a pedido do Movimento dos Atingidos por Barragens (MAB), em uma comunidade de atingidos, em comemoração aos 30 anos do MAB. Serão 50 botijões a preço justo.

 

[Imprensa da FUP, com informações dos sindicatos]

Publicado em Sistema Petrobrás

O Sindipetro Bahia, através de sua assessoria jurídica, entrou com uma ação na 14ª Vara de Justiça de Salvador, para suspender o Programa de Demissão Voluntária (PDV) 2019, que seria colocado em prática no mês de março com as datas de saída dos trabalhadores previstas para os dias 17 e 24 desse mês.

A ação foi necessária para garantir que um dos itens previstos no regramento do PDV seja atendido. Na época da adesão ao PDV foi dada ao trabalhador a possibilidade de suspender temporariamente a sua saída da estatal para aguardar o lançamento do simulador do Plano Petros 3 e acessá-lo antes da homologação da demissão, já que muitos trabalhadores queriam mais tempo para analisar essa outra opção de plano de previdência e até mesmo para poder completar a idade mínima de saída. Mas a Petrobrás não está cumprindo com o acordado.

Na ação, o Sindipetro fez uma observação ressaltando que aqueles que, por ventura, quiserem manter a sua data de saída, poderão fazer, mesmo se o judiciário conceder liminar favorável à entidade sindical.

Apesar de entrar com a ação na justiça para garantir o respeito a um acordo assinado pela Petrobrás, o Sindipetro Bahia deixa claro que é contrário à migração para o Petros 3, por entender que esse plano não atende à categoria petroleira por ser muito inferior ao atual Plano Petros 1, e irá representar perdas para aqueles que fizerem essa opção.

O Sindipetro aguarda a avaliação do judiciário e, caso o pedido seja acatado, a concessão de uma liminar que possa suspender, provisoriamente, as saídas desses trabalhadores da estatal.

[Da imprensa do Sindipetro BA]

Publicado em SINDIPETRO-BA

Na semana passada, houve protestos no Espírito Santo, em Minas Gerais e no Paraná. Para a FUP, somente a implantação de uma política de Estado para os combustíveis e a extinção imediata do PPI adotado pela Petrobrás desde 2016 podem dar previsibilidade aos preços, cujos reajustes constantes penalizam a população e pressionam a inflação

[Comunicado da FUP]

O novo reajuste dos preços de gasolina e óleo diesel nas refinarias anunciados pela Petrobrás nessa segunda-feira (1/3) pode ser o estopim definitivo para protestos contra a política de Preço de Paridade de Importação (PPI) adotada pela companhia, alertam a Federação Única dos Petroleiros (FUP) e seus sindicatos.

Além do impacto direto nas bombas do aumento de 5% na gasolina (R$ 0,1240) e no diesel (R$ 0,1294), o novo reajuste irá pressionar ainda mais a inflação, provocando reajustes em cadeia em vários itens, inclusive nos alimentos. Tudo isso em um momento de grave crise econômica, com desemprego em alta e boa parte da população à espera do auxílio emergencial do governo que não sai do papel. Somente nos três primeiros meses de 2021, a gasolina soma aumento de 41,5% nas refinarias, e o diesel, de 34,1%.

“A manutenção da injusta política de preços da Petrobrás, que olha somente para as cotações do petróleo e do dólar sem considerar os custos nacionais de produção dos combustíveis, é mais um elemento da total incompetência do governo Bolsonaro. Não podia ser diferente vindo de um presidente que nega a Covid, a maior crise sanitária mundial, que ignora mais de 250 mil mortes pela doença, que não tem um plano de vacinação da população, que sequer acelera a aprovação do auxílio emergencial, vital para uma parcela significativa da população. Bolsonaro é o maior responsável pelo caos econômico e social do país, e que tende a piorar com os reajustes dos combustíveis. A convulsão social no Chile, em 2019, começou por causa do reajuste das tarifas do metrô. Aqui já estamos registrando protestos contra o aumento dos combustíveis, e isso tende a aumentar”, analisa Deyvid Bacelar, coordenador geral da FUP.

Bacelar menciona protestos registrados na semana passada em duas cidades do Espírito Santo. Em Linhares, no norte do estado, motoristas, caminhoneiros e motociclistas interditaram a rodovia BR-101 – uma das principais rodovias do país, que corta toda a cidade – por cerca de quatro horas contra os preços altos dos combustíveis. Em Serra, na região metropolitana de Vitória, capital do estado, motociclistas atravancaram o trânsito de uma das principais vias da cidade pelo mesmo motivo: os altos preços da gasolina. No sábado, motoristas de aplicativos e motoboys também realizaram carreata em Curitiba, no Paraná, em protesto contra o aumento do preço de combustíveis. Em Minas Gerais, o protesto foi feito por caminhoneiros que transportam combustíveis, na sexta-feira passada.

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O coordenador geral da FUP reforça a posição da federação e de seus sindicatos, de que é necessário haver uma política de Estado, imune a governos e governantes, para os preços dos combustíveis. Entretanto, antes disso, é crucial a extinção imediata da política focada no PPI adotada pela Petrobrás desde 2016. Para a FUP e seus sindicatos, é possível adotar uma precificação que considere os custos nacionais de produção dos combustíveis, adotando alguns parâmetros internacionais, já que o petróleo é uma commodity global, cotada em dólar.

Quanto à redução de PIS/Cofins para o diesel e o gás de cozinha estabelecida pelo governo federal e a proposta enviada por Bolsonaro ao Congresso Nacional de revisão do Imposto de Circulação de Mercadorias e Serviços (ICMS) pelos estados, a FUP e seus sindicatos reforçam que, em que pese a imensa desigualdade tributária no país, tal renúncia fiscal não irá solucionar o problema. Pelo contrário: irá penalizar ainda mais os cofres públicos, federal e estaduais, já combalidos pela grave crise econômica do país. A isenção de impostos e a redução de alíquotas irá tirar recursos cruciais, sobretudo para a saúde.

“O governo Bolsonaro tenta jogar para os estados a responsabilidade pelos preços de gasolina, diesel e gás de cozinha cada vez mais altos, quando todos os números mostram que a causa é a política de reajustes da Petrobrás. Mesmo usando petróleo do Brasil e produzindo a maior parte desses combustíveis em suas refinarias, a Petrobrás insiste em olhar para o exterior para determinar os preços aqui dentro. Nenhuma petroleira estatal de países autossuficientes em petróleo faz isso. Quem paga essa conta, claro, é a população”, reforça Bacelar.

Publicado em Sistema Petrobrás

Reportagem da revista Carta Capital repercute a venda de campos terrestes de petróleo da Petrobrás no Polo Miganga, na Bahia, para o banqueiro Daniel Dantas, dono do Opportunity, holding que controla a PetroRecôncavo. A empresa já havia comprado da Petrobrás 34 campos terrestres no Rio Grande do Norte e outros 12, na Bahia. Dantas tem um passado de envolvimento em processos de corrupção

[Com informações da Carta Capital e da E&P BR]

Petrobras anunciou, nesta quinta-feira 25, a venda dos nove campos terrestres de exploração e produção de petróleo do Polo Miranga, na Bahia, para a empresa SPE Miranga S.A., subsidiária da PetroRecôncavo, do banqueiro Daniel Dantas. O valor da transação é de 220,1 milhões de dólares.

O Polo Miranga compreende os campos de Miranga, Fazenda Onça, Riacho São Pedro, Jacuípe, Rio Pipiri, Biriba, Miranga Norte, Apraiús e Sussuarana. A produção média no local em 2020 foi de 899 barris de óleo por dia e 376,8 mil m³ diários de gás natural. Com a transação, a Petrobras, operadora de 100% dessa área, vende a totalidade de sua participação.

Segundo a petroleira, 11 milhões de dólares já foram pagos na data do anúncio; 44 milhões serão pagos no fechamento da transação; 80 milhões serão parcelados ao longo de três anos a partir do fechamento da transação; e até 85 milhões estarão em “pagamentos contingentes relacionados a preços futuros do petróleo”.

Os valores não consideram os ajustes devidos, destaca a Petrobras, e o fechamento da transação está sujeito ao cumprimento de condições precedentes, tais como a aprovação pela Agência Nacional do Petróleo, Gás Natural e Biocombustíveis.

A Petrobras afirmou que a operação permitirá que outras empresas “também possam prosperar” e os campos terrestres possam receber novos recursos, “com impacto positivo na geração de empregos e renda”.

PetroRecôncavo cresce com ativos da Petrobrás

A SPE Miranga S. A. é controlada pela petroleira PetroRecôncavo, especializada em exploração on shore e uma das empresas da holding Opportunity, companhia de gestão de recursos fundada por Daniel Dantas em 1994, com sua irmã, Veronica Dantas, e o economista Dorio Ferman.

Em abril de 2019, a empresa arrematou os 34 campos terrestres da Petrobrás no Polo Riacho da Forquilha, na Bacia Potiguar, no Rio Grande do Norte, onde também adquiriu a concessão do bloco exploratório POT-T-702, ofertado pela ANP.

Em dezembro de 2020, a PetroRecôncavo comprou mais 12 campos terrestres da Petrobrás, desta vez no Polo Remanso, na Bacia do Recôncavo, na Bahia.  

Passado que condena

Daniel Dantas dominou o noticiário quando foi levado à prisão pela Operação Satiagraha, deflagrada em 2004, contra desvios de verbas públicas. O banqueiro foi preso em 2008 e solto no mesmo ano. A operação foi anulada em 2011 pelo Superior Tribunal de Justiça.


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Publicado em Sistema Petrobrás

A Federação Única dos Petroleiros e seus sindicatos repudiam veementemente as recentes movimentações do presidente Jair Bolsonaro e de sua equipe econômica para privatização da Eletrobrás e dos Correios. Assim como está fazendo com a Petrobrás, o governo se aproveita da pandemia da Covid-19, que já matou mais de 250 mil brasileiros e brasileiras, para destruir setores estratégicos do Estado. A agenda ultraliberal avança, em meio ao desemprego recorde, ao aumento da miséria e ao desmonte de políticas públicas e sociais de inclusão e redução da pobreza.

Privatizar a Eletrobras vai aumentar os preços já abusivos da energia elétrica, da mesma forma como estão fazendo com a Petrobrás, que está sendo desmontada, vendida aos pedaços, enquanto o preço dos combustíveis dispara.

Os Correios completam no dia 20 de março 358 anos de serviços prestados ao povo brasileiro. Uma relação com a sociedade que vai além de uma simples entrega de correspondência. Trata-se de uma empresa estratégica para o Estado brasileiro, pois está presente de Norte a Sul do país.

É essa integração nacional que está em xeque com as privatizações em curso no governo Bolsonaro. Defender a Petrobrás é defender a Eletrobras, é defender os Correios, é defender os bancos públicos e todas as estatais que são fundamentais para e soberania nacional.  O desmonte do Estado e as privatizações têm como principal objetivo beneficiar grupos privados, muitos deles estrangeiros e ligados ao mercado financeiro.

Sabemos o que isso significa. Os anos 90 mostraram que os resultados das privatizações foram desnacionalização, oligopolização, serviços de péssima qualidade e tarifas mais altas para o povo. A privatização do setor elétrico resultou em apagões no passado e no presente, como o recente no Amapá, que deixou a população sem luz por 15 dias.

É fundamental que a sociedade brasileira reaja ao desmonte dos serviços públicos e à privatização de setores estratégicos. Assim como a Petrobrás, empresas nacionais como a Eletrobras e os Correios são imprescindíveis para garantir o atendimento de serviços essenciais à população, com preços justos.  

Privatizar faz mal ao Brasil e ao povo brasileiro.

Lutar pela Petrobrás, pela Eletrobrás, pelos Correios é defender o Brasil.

#PetrobrasFica

#EletrobrasFica

#CorreiosFicam

Federação Única dos Petroleiros - FUP

 

Publicado em Trabalho

Em artigo publicado na revista Carta Capital, o pesquisador do Instituto de Estudos Estratégicos de Petróleo, Gás Natural e Biocombustíveis (Ineep), Rafael Rodrigues da Costa, analisa os resultados da Petrobrás em 2020. "Em um ano marcado pela maior crise do século no setor, a Petrobras só conseguiu sobreviver aproveitando-se das suas oportunidades de mercado nas exportações de petróleo cru e derivados, o que a fez aumentar não apenas a sua produção de petróleo como também a utilização das suas refinarias. Essa é uma prova indelével da importância da Petrobras enquanto empresa integrada de energia e revela como a política de desinvestimentos tende a comprometer a capacidade de reação da companhia em crises futuras", afirma.

A avaliação do Ineep aponta que, apesar do bom resultado do quarto trimestre (lucro líquido de R$ 59,9 bilhões), a empresa só fechou o ano com lucro, por conta de operações contábeis e financeiras, como a reversão dos impairments, da ordem de R$ 31 bilhões, os ganhos cambiais, de R$ 20 bilhões, e a reversão de despesas com a AMS no valor de R$ 13,1 bilhões. 

Outro ponto de destaque na análise é o aumento das despesas da Petrobrás com aluguel de dutos da Transportadora Associada de Gás (TAG), subsidiária que foi privatizada. "Vendida por 33,5 bilhões de reais, o custo de aluguel pago pela Petrobras à sua antiga subsidiária em um ano pode ter representado cerca de 15% do valor total recebido em sua venda", alerta o artigo, destacando que "as despesas operacionais tiveram um crescimento de 73,5%, saindo de 40,1 bilhões de reais em 2019 para 71,1 bilhões em 2020".

Rafael chama atenção que, ao realizar "uma série de operações contábeis e financeiras para garantir o pagamento de dividendos e do bônus para a diretoria em um cenário de investimentos reduzidos, privatizações e por uma agressiva política de preços", a gestão Castello Branco reforça o compromisso "em privilegiar acionistas e diretores, enquanto o restante da população sente os efeitos perversos dessa atual gestão".

Leia a íntegra do artigo:

Com operações contábeis, Petrobras garante lucro anual de R$ 7,1 bilhões

Por Rafael Rodrigues da Costa, mestre em Ciências Sociais pela UNIFESP, pesquisador visitante da Universidade Federal da Bahia e pesquisador do INEEP

A Petrobras divulgou na quarta-feira 24 os resultados operacionais e financeiros do balanço anual de 2020. Segundo a companhia, o lucro líquido foi de 7,1 bilhões de reais. Efeitos contábeis e operações financeiras estão entre os principais motivos do resultado.

O saldo positivo surpreendeu o mercado. Em um ano marcado pela pandemia da Covid-19 e pela crise de preços no mercado internacional de petróleo, grande parte das petrolíferas internacionais registrou resultados negativos em 2020.

Não foi o caso da Petrobras. Embora a empresa tenha tido um ganho significativamente menor ao obtido em 2019 (-82,3%), o seu excelente resultado no 4º trimestre (com lucro líquido de 59,9 bilhões de reais) superou as expectativas dos analistas, que projetavam um lucro, em média, próximo a 4,6 bilhões.

Por trás do bom resultado, contudo, encontram-se algumas operações contábeis e financeiras, como a reversão dos impairments, da ordem de 31 bilhões, os ganhos cambiais, de 20 bilhões, e a reversão de despesas com o plano de saúde dos funcionários, no valor de 13,1 bilhões.

As mudanças impactaram positivamente no resultado da companhia em 64,1 bilhões de reais. Não fossem esses pontos destacados, a empresa apresentaria um pequeno lucro no último trimestre e um grande prejuízo no ano de 2020.

Ainda assim, o lucro da estatal antes de juros, impostos, depreciação e amortização (Ebtida ajustado) chegou a 143 bilhões, um aumento de 10,6% em relação a 2019. O crescimento aconteceu mesmo com a receita total líquida apresentando queda de 10,0%, fechando 2020 em 272,1 bilhões.

Segundo a empresa, isso aconteceu em virtude da redução no volume de vendas de combustíveis para o mercado interno (que caíram de 2,1 milhões de barris por dia em 2019 para 1,9 milhão bpd em 2020) e que, associada as menores margens nos derivados, representaram uma diminuição nas receitas da companhia da ordem de 16,4%.

Por outro lado, o resultado negativo de vendas foi minimizado graças ao expressivo aumento nas exportações, tanto de petróleo cru como do óleo combustível tipo bunker, que fizeram com que o volume de vendas para o mercado externo saltasse de 735 mil bpd em 2019 para 866 mil barris diários em 2020, garantindo a Petrobras uma receita de 87,4 bilhões, valor 7,3% maior ao registrado no ano passado.

As despesas operacionais tiveram um crescimento de 73,5%, saindo de 40,1 bilhões de reais em 2019 para 71,1 bilhões em 2020. Embora boa parte dessa alta na despesa esteja relacionada a baixa contábil dos impairments ( 34,3 bilhões), cabe ressaltar o expressivo crescimento nas despesas com materiais, serviços, fretes, aluguéis e outros, que, só em 2020, aumentaram 5,1 bilhões, representando um aumento anual de 46,4%.

Os motivos são os custos de transporte do gás natural, que passaram a ser cobrados após a venda da sua subsidiária logística, a TAG. Vendida por 33,5 bilhões de reais, o custo de aluguel pago pela Petrobras à sua antiga subsidiária em um ano pode ter representado cerca de 15% do valor total recebido em sua venda.

Separando por segmento, observa-se que o lucro operacional do E&P em 2020 foi de 50,9 bilhões, uma redução de 49,6% quando comparado a 2019.

A queda foi decorrente da menor cotação do Brent, embora parcialmente compensado pela maior produção (de 2,7 Mbpd em 2019 para 2,8 Mpd em 2020).

Ressalta-se que esse aumento se deve exclusivamente ao pré-sal, em que a produção teve um aumento de 21,1%, saindo de 1,3 Mbpd para 1,6 Mbpd. O crescimento, aliás, só não foi maior em razão da queda da produção do pós-sal em águas profundas e ultraprofundas.

Já no Refino, o lucro operacional de 4,3 bilhões de reais representou uma queda menos aguda que a registrada no E&P, com retração de 32,5%. Os números reforçam o papel estratégico do refino da Petrobras para mitigar as perdas nos demais segmentos, uma vez que, em um cenário de crise, aproveitou para ampliar a sua produção de derivados em 2,8% e deslocou suas vendas para o mercado externo, sobretudo para os mercados da Ásia e Europa. Vale lembrar que parte expressiva dessa produção foi refinada pela RLAM, refinaria que acaba de entrar em processo de privatização pela Petrobras.

Sobre os investimentos, a Petrobras em 2020 desembolsou o equivalente a 8,1 bilhões de dólares, o menor patamar dos últimos 20 anos. Como efeito, a petrolífera vem sofrendo uma drástica redução nas suas reservas provadas – que caíram de 14,0 bilhões de barris de óleo equivalente (boe) em 2014 para 8,8 bilhões boe, em 2020. Outro fator importante é o destino desses investimentos: enquanto o E&P concentra 81,4% dos investimentos, Refino e Gás e Energia respondem, ao todo, apenas 16,1%. A falta de investimentos de um lado somada à concentração em um segmento específico de outro ilustram como a atual estratégia provoca o encolhimento da Petrobras em um curto espaço de tempo.

O resultado da Petrobras em 2020, por fim, é possivelmente o retrato mais acabado do equívoco estratégico da atual gestão. Em um ano marcado pela maior crise do século no setor, a Petrobras só conseguiu sobreviver aproveitando-se das suas oportunidades de mercado nas exportações de petróleo cru e derivados, o que a fez aumentar não apenas a sua produção de petróleo como também a utilização das suas refinarias. Essa é uma prova indelével da importância da Petrobras enquanto empresa integrada de energia e revela como a política de desinvestimentos tende a comprometer a capacidade de reação da companhia em crises futuras.

Enquanto isso, a petrolífera realiza uma série de operações contábeis e financeiras para garantir o pagamento de dividendos e do bônus para a diretoria. Esse movimento, em um cenário de investimentos reduzidos, privatizações e por uma agressiva política de preços, reforça o compromisso da atual gestão em privilegiar acionistas e diretores, enquanto o restante da população sente os efeitos perversos dessa atual gestão.

 

Publicado em Petrobrás Fica
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A Federação Única dos Petroleiros (FUP) foi criada em 1994, fruto da evolução histórica do movimento sindical petroleiro no Brasil, desde a criação da Petrobrás, em 1953. É uma entidade autônoma, independente do Estado, dos patrões e dos partidos políticos e com forte inserção em suas bases.