A imprensa nacional tem noticiado nos últimos dias o aparecimento de toneladas de petróleo em 130 praias de nove Estados do Nordeste. Ao que tudo indica, os sinais desse desastre ambiental apareceram no inicio de setembro e só começaram a ser amplamente noticiados agora.

Esse desastre ambiental acontece no mesmo momento em que a Petrobras, por meio de ato administrativo, decidiu pelo fechamento de suas bases dos Centros de Defesa Ambiental (CDA’s). Acabar com esses Centros, alegando corte de custos, coloca a Petrobras numa posição de não conformidade junto à legislação ambiental.

Num momento como esse, são os funcionários da Petrobras que realizam tarefas de coleta dos resíduos nas praias e fazem o estudo de sua origem para dar uma resposta à sociedade e ao governo. Em nota publicada pela Petrobras em seu site no dia 25 de setembro, a Companhia reconhece que desde a quinta-feira (12/9), estavam contribuindo com a limpeza das praias que apresentaram manchas de óleo através das equipes do Centro de Defesa Ambiental da Petrobras.

Os CDA’s

Os CDA’s são bases estrategicamente posicionadas no território nacional para atuar em casos de derramamento de petróleo e seus derivados, como gasolina e diesel, reduzindo os danos ao meio ambiente e à sociedade causados por acidentes onde há poluição por óleo.

Esses Centros possuem uma estrutura com pessoal treinado e equipamentos próprios para este tipo de situações. Os trabalhadores  atuam em regime de sobreaviso e estão aptos para atendimento 24h por dia, sete dias por semana, durante todo o ano.

Sua implantação aconteceu há quase 20 anos, após dois graves acidentes de derramamento de petróleo, um no rio Iguaçu, estado do Paraná em 2000 e outro na Baía de Guanabara, no Rio de Janeiro em 2001, mesmo ano do afundamento da P-36. Durante sua existência já atenderam centenas de emergências em todo o Brasil e são essenciais para garantir a segurança das pessoas, da fauna, da flora e dos ecossistemas.

Resolução do Conama

A implantação desses CDA’s fazem parte das exigências da resolução CONAMA 398, de junho de 2008, que “dispõe sobre o conteúdo mínimo do Plano de Emergência Individual para incidentes de poluição por óleo em águas sob jurisdição nacional, originados em portos organizados, instalações portuárias, terminais, dutos, sondas terrestres, plataformas e suas instalações de apoio, refinarias, estaleiros, marinas, clubes náuticos e instalações similares, e orienta a sua elaboração.”

Todos os Centros de Defesa Ambiental são condicionantes para que uma unidade receba a licença de operação junto ao IBAMA. Ativos da Petrobras e da Transpetro como plataformas, refinarias, terminais e até mesmo dutos terrestres espalhados por todo o Brasil, só podem operar se esta estrutura de resposta estiver disponível.

Segundo informações dos trabalhadores desses Centros, a decisão pelo fechamento dos CDA’s é irresponsável do ponto de vista ambiental, social e até mesmo econômico, colocando em risco o meio ambiente e a sociedade nos locais onde a Petrobras e a Transpetro atuam.

O Sindipetro-NF solicita aos trabalhadores desses CDA’s que enviem através do e-mail Este endereço de email está sendo protegido de spambots. Você precisa do JavaScript ativado para vê-lo. a situação atual do seu Centro, para que possamos encaminhar denuncias aos órgãos competentes.

[Via Sindipetro-NF]

Publicado em Sistema Petrobrás
A poluição por óleo de mais de 130 praias, em pelo menos 2.000 km no Nordeste do Brasil, é um desastre “sem precedentes” no país, diz Maria Christina Araújo, oceanógrafa da Universidade Federal do Rio Grande do Norte (UFRN).

 

Desde o início de setembro, grandes manchas de óleo de origem desconhecida mancharam praias paradisíacas da região, que depende muito do turismo.

Como se explica uma poluição dessa magnitude?

Maria Christina Araújo: Inicialmente, havia uma suposição de que seria um despejo ilegal no alto mar, mas, em vista da quantidade de petróleo, essa possibilidade é praticamente descartada. Seria um vazamento acidental. Uma coisa é certa: esse óleo não é de origem brasileira. É possível identificar a origem do óleo produzido em qualquer lugar do mundo através de análises químicas.

Agora, imagens de satélite estão sendo analisadas para tentar identificar a origem das manchas de óleo. Esta informação deve então ser cruzada com a trajetória da embarcação. Mas, por enquanto, temos mais perguntas do que respostas. Nunca vimos no Brasil um desastre de tal magnitude, que afeta uma área tão extensa.

Quais etapas precisam ser seguidas imediatamente?

MCA: Essa é uma situação extremamente complicada, justamente pelo tamanho das áreas afetadas, incluindo áreas praticamente desertas e de difícil acesso. É necessário, acima de tudo, remover as manchas que estão nas praias.

É um processo muito longo e caro, que exigirá um investimento não apenas financeiro, mas também em pessoal e logística. É impossível obter resultados a curto prazo e não podemos prever no momento em que tudo será limpo, porque notamos a presença de novas manchas nas praias.

MCA: O ecossistema costeiro do nordeste do Brasil é muito frágil, com manguezais, enseadas rochosas e recifes de coral. No manguezal, um ambiente com biodiversidade excepcional, é praticamente impossível remover o óleo. O dano pode ser irreparável e os ecossistemas levarão anos para se recuperar.

Também é um problema sério para a vida selvagem, especialmente as tartarugas, que não podem voltar à superfície. O impacto econômico e social é considerável, porque o Nordeste é muito dependente do turismo e já podemos ver que os turistas não querem mais ir às praias.

[Via Carta Capital, com informações da AFP]

 


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Publicado em Petróleo

O Sindipetro-NF indicou hoje o sindicalista Vitor Carvalho, ex-diretor da entidade e diretor nacional da CUT, para representar o sindicato na comissão que vai apurar as causas do acidente no FPSO Rio de Janeiro, navio afretado pela Petrobrás e operado pela Modec, que está adernado na Bacia de Campos.

De ontem para hoje ocorreu um aumento na fissura no casco da embarcação. Mas, de acordo com a Petrobrás, o navio continua estabilizado. Todos os trabalhadores da unidade foram desembarcados.

O sindicato manterá a categoria informada sobre a situação da embarcação, assim como solicita aos trabalhadores que também enviem informações importantes sobre as condições do FPSO para Este endereço de email está sendo protegido de spambots. Você precisa do JavaScript ativado para vê-lo..

A entidade está vigilante para que todas as medidas sejam tomadas para que não ocorra uma tragédia ambiental e que nenhum trabalhador seja atingido. Até o momento, de acordo com a própria empresa, 7,8 mil litros de óleo foram derramados no mar e operações estão sendo feitas para contenção e recolhimento do produto.

O adernamento do FPSO começou no último dia 23, quando foi identificado um rasgo no casco do navio, a cerca de um metro de profundidade. Um primeiro grupo de trabalhadores não essenciais para a estabilidade foi desembarcado imediatamente e o restante ontem. O navio, que está no campo de Espadarte, será levado para o estaleiro.

[Via Sindipetro-NF]

Publicado em SINDIPETRO-NF

De acordo com matéria publicada, hoje, no portal G1-PE, um vazamento óleo foi registrado na Refinaria Abreu e Lima (Rnest), no Complexo de Suape, no Grande Recife. O coordenador-geral do Sindicato dos Trabalhadores na Indústria do Petróleo de Pernambuco  e Paraíba (Sindipetro-PE/PB), filiado à CUT-PE,Rogério Almeida, disse que a substância atingiu uma área de mangue. A Agência Estadual do Meio Ambiente (CPRH) enviou equipe ao local na manhã desta terça-feira (27/08).

Por sua vez, O Complexo Portuário de Suape, localizado no município de Ipojuca, Região Metropolitana do Recife, afirmou, por meio de nota, que o vazamento de óleo foi identificado na tarde da segunda-feira (26/08). "Segundo informação da Rnest, trata-se de efluente oleoso, não inflamável, cujo ponto de vazamento já foi eliminado. A refinaria trabalha agora para contenção e recolhimento do óleo", apontou no texto.

Vale destacar que dois trechos da via expressa que corta o Complexo Industrial e Portuário foram interditados para que o serviço de sucção do material possa ser realizado. A administração de Suape e a CPRH acompanham os trabalhos. "As causas do vazamento serão analisadas tanto por equipe multidisciplinar da Rnest quanto pela CPRH, órgão de controle ambiental que está adotando as medidas necessárias", disse ainda a nota de Suape.

"Esse vazamento ultrapassou o limite da Refinaria e caiu aqui no mangue, nas margens da via que segue para Porto de Galinhas. Os caminhões da Rnest estão tentando recolher esse óleo", ressaltou o coordenador-geral do Sindipetro PE/PB. Segundo ele, barreiras de contenção foram colocadas para evitar que a substância atinja mais áreas de mangue. O G1-PE afirma que entrou em contato com a Petrobras, mas não obteve resposta até o momento da última atualização da reportagem em seu portal.

Bacia de Campos apresenta vazamento

Um vazamento de óleo residual de um navio foi identificado na Bacia de Campos, no estado do Rio de Janeiro, pela Petrobras. Um sobrevoo, ontem (26/08), constatou presença de óleo no mar, com volume estimado em 6,6 mil litros, além do vazamento identificado e já recolhido de 1,2 mil litros, divulgado na sexta (23/08). Segundo a estatal, o vazamento foi causado por conta de trincas no casco de um navio da empresa Modec.

[Via CUT Pernambuco]

Publicado em Sistema Petrobrás

Mais 6,6 mil litros de óleo, além dos 1,2 mil litros já recolhidos, vazaram do navio plataforma Cidade do Rio de Janeiro, na Bacia de Campos. A informação é da Petrobras, que confirmou este que é o segundo vazamento da unidade este ano. Em janeiro, um furo no casco da embarcação derramou 1,4 mil litros de petróleo no mar.

De acordo com a estatal, que retirou os trabalhadores da embarcação, o que causou o novo acidente foram trincas no casco do navio plataforma que pertence a empresa japonesa Modec, responsável por sua construção. A estatal também informou que sete embarcações estão no local recolhendo e dispersando o óleo.

O Cidade do Rio de Janeiro é uma plataforma do tipo FPSO (sigla em inglês para unidade flutuante de produção, armazenagem e transferência de petróleo). Nos tanques da plataforma é armazenada a produção que é transferida para navios que trazem o petróleo para o continente.

Com capacidade para extrair 100 mil barris de petróleo por dia, o navio-plataforma Cidade do Rio de Janeiro começou a operar para a Petrobras em 2007, mas está sem produzir petróleo desde julho de 2018, à espera de desativação. 

O coordenador-geral do Sindicato dos Petroleiros do Norte Fluminense (Sindipetro-NF)Tezeu Bezerra, já havia alertado quanto aos riscos que unidades privatizadas representam para o meio ambiente e para os trabalhadores. Segundo ele, os riscos de acidentes são menores quando a operação é de responsabilidade da estatal que respeita as normas e  investe mais em segurança.

“A FPSO Rio de Janeiro opera em um campo da Petrobras, mas é uma plataforma privada”, explica o dirigente, concluindo que os acidentes “mostram a falta de compromisso do setor privado com a segurança”.

A privatização da Companhia Vale do Rio Doce (CRDV), em 1997, durante o governo de Fernando Henrique Cardoso, é lembrada pelo dirigente como exemplo de empresa comprada pela iniciativa privada que prioriza o lucro e não tem compromisso com a segurança dos trabalhadores nem com a preservação do meio ambiente.

“O que a Vale trouxe para o país foram os dois maiores desastres ambientais já vistos, em Mariana e Brumadinho. E em Brumadinha foi registrado também o maior acidente de trabalho da história”, afirma Tezeu.

“É por isso que estamos lutando contra a privatização da Petrobras. Estamos  lutando para que este tipo de situação não aconteça mais em nosso país”, conclui o dirigente.

[Via CUT | Texto Marize Muniz]

Publicado em Sistema Petrobrás

A Federação Única dos Petroleiros (FUP) foi criada em 1994, fruto da evolução histórica do movimento sindical petroleiro no Brasil, desde a criação da Petrobrás, em 1953. É uma entidade autônoma, independente do Estado, dos patrões e dos partidos políticos e com forte inserção em suas bases.

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