Dirigentes brasileiros se reuniram na quinta-feira (21) com a principal federação sindical chinesa, que se comprometeu a interceder junto ao governo de Xi Jinping para liberação de insumos para a produção da vacina e ajuda humanitária ao Brasil

[Da redação da CUT]

Dois dias após fechar acordo histórico com o governo venezuelano para o fornecimento de oxigênio hospitalar a Manaus, capital do Amazonas,  CUT, Força, UGT, CTB, CSB e NCST, que compõem o Fórum das Centrais Sindicais se reuniram com a direção da Federação Nacional dos Sindicatos da China (ACFTU - All-China Federation of Trade Unions), a maior entidade sindical do mundo com 302 milhões de trabalhadores e 1,7 milhão de sindicatos filiados.

Em mais uma ação humanitária e de diplomacia de classe ante a criminosa incompetência do governo federal, as centrais apelaram à entidade sindical chinesa para interceder junto ao governo central da China e abrir caminhos para que o movimento sindical brasileiro consiga insumos à produção de vacina anti-Covid-19 e ajuda humanitária à população da Região Norte do Brasil, que, além da pandemia, enfrenta a falta de oxigênio hospitalar. A China tem o insumo essencial à produção da vacina, mas as relações diplomáticas com o Brasil ruíram em consequência dos ataques e chacotas de Jair Bolsonaro e do ministro das Relações Exteriores, Ernesto Araújo.

Os sindicalistas chineses comprometeram-se a intermediar o diálogo entre as centrais brasileiras e o governo chinês. “Vamos usar todos os nossos canais e esforços para levar a mensagem de vocês [centrais] ao governo central e ao Partido [Comunista Chinês] sobre as necessidades imediatas do povo brasileiro ante a pandemia”, afirmou An Jianhua, membro da Direção Executiva e secretário Internacional da Federação dos Sindicatos da China. A entidade ocupa a vice-presidência na Assembleia Popular chinesa (espécie de Congresso Nacional), com trânsito e forte influência junto ao governo do presidente Xi Jinping.

O líder sindical chinês afirmou que a Federação está solidária à população de Manaus (à qual se referiu como povo da floresta amazônica) e garantiu que a entidade oferecerá todo apoio e ajuda para que a população da capital amazonense saia dessa crise sanitária imposta, não só pelo vírus, mas também pela falta de oxigênio hospitalar.

“Nós também já conversamos muitas vezes com o governo para falar que a maioria do povo brasileiro e as centrais sindicais do Brasil, que representam a classe trabalhadora, sempre mantiveram uma atitude amistosa em relação à China”, lembrou.

Sem citar nome, o dirigente chinês, fez uma alusão clara ao presidente Bolsonaro: "Algumas palavras de ignorantes não vão comprometer as tendências amistosas das relações entre a China e o Brasil".

O vice-presidente nacional da CUT, Vagner Freitas, e o secretário de Relações Internacionais, Antonio Lisboa, participaram da reunião e agradeceram a disponibilidade e o compromisso firmado pelos sindicalistas chineses em ajudar as centrais na interlocução com o governo chinês.

“Temos um enorme respeito pela China, seu povo, sua cultura e seu movimento sindical. Que nesse momento nós tenhamos cada vez mais solidariedade de classe para combater esse vírus tão grave que já tirou a vida de milhões de trabalhadores no mundo. Quero também, em nome do povo brasileiro, pedir desculpas pelas agressões do governo Bolsonaro ao povo chinês. Entre nós prevalecerá sempre a solidariedade e o respeito”, disse Vagner Freitas.

An Jianhua retribuiu agradecendo às centrais brasileiras por terem enviado carta ao Congresso Nacional, em 2020, repudiando ataques de Bolsonaro, “que prejudicaram as relações amistosas entre China e Brasil. “Quando fomos convidados para essa reunião aceitamos imediatamente, porque valorizamos e consideramos de suma importância esse encontro e intercâmbio”, disse o sindicalista chinês.

 “Mais uma vez a CUT, as centrais, o movimento sindical brasileiro mostram que têm organização, estatura e disposição para enfrentar todas as adversidades e problemas criados por esse governo brasileiro criminoso. Iremos aonde for necessário, falaremos com todos os interlocutores que puderem nos ajudar a enfrentar essa crise sanitária, agravada pela incompetência e sordidez do presidente Bolsonaro”, afirmou o presidente nacional da CUT, Sérgio Nobre, sobre a reunião com os chineses.

Além de presidentes e secretários das seis centrais sindicais brasileira, o presidente da IndustriAll-Brasil, Aroaldo Oliveira, também participou da reunião com os chineses.

Mais sobre a Federação

A Federação Nacional dos Sindicatos da China é a maior entidade sindical do mundo, com 302 milhões de filiados em 1.713.000 organizações. Está dividida em 31 federações regionais e 10 sindicatos industriais nacionais.

É o único sindicato com mandato legal do país e também dirige uma faculdade pública, a China University of Labor Relations.

Foi oficialmente fundada em 1º de maio de 1925, quando o "Segundo Congresso Nacional do Trabalho" se reuniu em Cantão com 277 delegados representando 540 mil trabalhadores e criou a constituição da Federação.

Em 1927, a entidade foi restringida pelo então governo recém-estabelecido do regime nacionalista de Chiang Kai-shek, que ordenou a execução de milhares de quadros do PCC e seus simpatizantes como parte de uma repressão ao comunismo. Todos os sindicatos liderados pelo Partido Comunista, caso da Federação, foram banidos e substituídos por “sindicatos amarelos” leais a Kai-shek.

Com a ascensão de Mao Tsé-Tung, em 1949, a  Federação foi estabelecida como o único centro sindical nacional da China, mas foi novamente dissolvida em 1966 na esteira da Revolução Cultural.

Em 1978, dois anos após a morte de Mao, a Federação realizou seu primeiro congresso desde 1957. No início dos anos 1990, foi regulamentada pela Lei Sindical da República Popular da China.

Movimentos organizam carreatas e manifestações a favor da vacinação contra a covid-19 e para pedir Fora Bolsonaro”. Para as entidades e a CUT , presidente é responsável pelas mortes e explosão da doença

[Da redação da CUT]

As Frentes Brasil Popular e Povo sem Medo com apoio da Central Única dos Trabalhadores estão organizando carreatas, atos simbólicos e ações nas redes sociais neste sábado (23) em defesa da vacinação de toda a população brasileira contra a covid-19 e do impeachment do presidente da República, Jair Bolsonaro (ex-PSL). Confira os locais e horários dos atos abaixo.

Para as frentes, levantar essas bandeiras é fundamental diante do atual cenário e diz que ‘desde o ano passado, têm denunciado Jair Bolsonaro como  um empecilho para o país sair da crise sanitária, política e econômica’.

“Mesmo com mais de 210 mil mortos, Bolsonaro segue negando a gravidade da pandemia e se colocado até contra a vacina, agindo para tirar recursos do SUS, atuando para não aprovar a Coronavac. Em meio a crise da falta de oxigênio de Manaus, não fez absolutamente nada”, afirmam.

As Frentes Brasil Popular e Povo sem Medo ainda ressaltam que o  fechamento da Ford simboliza o descaso com as trabalhadoras e trabalhadores.

“Como se não bastasse a alta do nível de desemprego, o presidente extinguiu os Programas de Proteção ao Emprego e o auxílio emergencial, única fonte de renda para milhares de trabalhadoras e trabalhadores”.

Outra crítica dos movimentos em relação a Bolsonaro e seu governo, foi a promoção das provas do Enem mais esvaziadas da história. Metade dos estudantes não compareceu ao exame. Seja por medida de precaução, por não ter tido a oportunidade de estudar durante a pandemia ou mesmo por estarem doentes.

“Ele quer tirar até a capacidade de um jovem sonhar com o ingresso na universidade e melhorar de vida”, acreditam as Frentes.

O Brasil é maior que o Bolsonaro. Os brasileiros são melhores que o Bolsonaro. E nossa esperança vem das ações de solidariedade de Manaus, das iniciativas que ocorrem desde o início da pandemia. Vem também da nossa luta por igualdade racial e justiça social.

#VacinaJá - Mais recursos para o SUS

#VoltaAuxílioEmergencial

#ForaBolsonaro

Cidades em que haverá carreatas pelo #ForaBolsonaro

As carreatas e manifestações estão marcadas tanto para sábado (23) Até agora estão confirmadas atividades nas capitais: Florianópolis (SC), Belo Horizonte (MG), Goiânia (GO); João Pessoa (PB), Palmas (TO), Rio de Janeiro (RJ); São Paulo (SP); Campo Grande (MS) e Rio Branco (AC).

Confira os locais e horários de manifestações e passeatas. 

Sábado (23/01/2021)

Teresina (PI) - 8h

Concentração: Centro Administrativo. Os organizadores do ato reforçam a obrigatoriedade do uso de máscaras 

Reprodução

Brasília - 9h 

Estacionamento da Torre de TV/ Funarte

Reprodução

Belém (PA) - 9h

Av. Doca de Souza Franco 

Ananindeua (PA) - 9h

Ginásio Abacatão 

Recife (PE) -9h

Avenida Agamenon Magalhães, em frente à fábrica Tacaruna/Classic Hall

Reprodução

Salvador (BA) - 9h

Vale da Canela 

Rio de Janeiro - 10h

Endereço: Avenida Presidente Vargas, Centro, Rio de Janeiro - Monumento Zumbi dos Palmares

Reprodução

Campo Grande (MS) – 10h

Concentração na Cidade do Natal

João Pessoa - 14h

Concentração na Praça da Independência, término no Largo da Gameleira

Fortaleza – 15h

Dragão do Mar, na Praia de Iracema

Rio Branco (AC) -15 H

Concentração na Uninorte

Florianópolis ( SC) -16h 

Beira Mar Norte (Koxixos Bar )

Reprodução

Curitiba  (PR) – 15h30

Praça Nossa Senhora Salete, no Centro Cívico 

Reprodução

São Paulo  - 16h

Concentração na Assembleia Legislativa do Estado (Alesp)

Av. Sargento Mário Kozel Filho

Reprodução

Carapicuíba (SP) - 8h30

Parque dos Paturis

São José dos Campos (SP) - 10h

Estádio Martins Pereira 

Osasco e Oeste Metropolitano  (SP) - 8h30 

Parque dos Paturis 

Campinas (SP) -11h

A cidade do interior do estado programou a concentração da carreata, no Largo do Pará

Reprodução

Belo Horizonte (MG) - 16h

Concentração no Mineirão 

Reprodução

Goiânia (GO) - 16h

Concentração na Praça Universitária

Saída às 17h até a Praça Cívica

Porto Alegre (RS) – 16h

Largo Zumbi dos Palmares, no bairro Cidade Baixa

Rio Grande (RS)- 11h

Rua São Leopoldo esquina com a Av. Rio Grande 

Nova Hamburgo (RS) -9h30 

Pista de Eventos de NH

Palmas (TO) – 17h

Concentração no Eixão Norte

Publicado em Movimentos Sociais

Ainda que permeada por disputas políticas, vaivéns e incertezas, a aprovação da vacina contra o novo coronavírus no Brasil parece estar próxima.

A meta da Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa) é analisar os pedidos de uso emergencial dos imunizantes produzidos pela Fundação Oswaldo Cruz (Fiocruz) e pelo Instituto Butantan, entregues na sexta-feira passada (8), em até dez dias.

Em entrevista ao Brasil de Fato, o fundador e ex-presidente da Anvisa, Gonzalo Vecina, avalia a atuação das instituições de saúde envolvidas neste processo, assim como a interferência e apropriação política que recai sobre ele – seja em nível federal ou estadual.

Segundo o médico sanitarista e referência na área, embora a Anvisa tenha sofrido pressão do governo Bolsonaro e de João Doria, governador de São Paulo, a atuação do órgão tem sido positiva.

“A Anvisa tem resvalado um pouquinho mas tem conseguido cumprir com a sua proposta com a sociedade brasileira. Em grande medida isso se deve aos servidores”, explica Vecina fazendo a ressalva de que, mesmo cumprindo com seu papel, ainda acompanha os processos com certo receio.

Um dos motivos que justificam essa insegurança é a indicação do tenente-coronel Jorge Luiz Kormann para a diretoria do órgão pelo presidente, reprovada de forma contundente por Vecina.

Kormann é crítico ferrenho da Organização Mundial da Saúde (OMS) e atualmente está internado em decorrência da covid-19. Seu nome ainda não foi avaliado pelo Senado.

Recentemente a Anvisa também foi alvo de inúmeras críticas por parte do governador de São Paulo ao solicitar que o Instituto Butantan enviasse documentos que estavam faltando para a submissão da Coronavac. Um procedimento normal em processos como este.

“De fato a lista dos documentos [requisitados pela Anvisa] são absolutamente imprescindíveis. Todos os 6 itens são fundamentais. É claro que o governador de São Paulo tentou polemizar. Inerguminice, idiotisse dele. Nesse caso, Bolsonaro e Doria são farinhas do mesmo saco”, critica o sanitarista.

Ele alerta que a sociedade brasileira deve acompanhar com a atenção os movimentos de Doria e de Bolsonaro, para que não haja mais danos à saúde pública brasileira e suas históricas instituições.

“O Butantan e a Fiocruz tem mais de cem anos cada um. A Anvisa é relativamente jovem, criada em 1999, mas ganhou uma respeitabilidade mundial e tem feito por merecer. Acredito que a cultura organizacional dessas instituições se sobreporá à mediocridade desses governantes.”

A segunda parte da entrevista com o sanitarista Gonzalo Vecina será publicada nesta quinta-feira (14).

Confira:

Brasil de Fato – Temos um contexto de disputa entre o governo federal e o paulista. Qual sua opinião sobre posturas técnicas que acabam sendo lidas como movimentos políticos? A exemplo da requisição adicional de documentos feita pela Anvisa para o Instituto Butantan para a continuidade da aprovação da Coronavac.

Gonzalo Vecina – Esse processo foi absolutamente normal. A agência solicitou documentos que não haviam sido entregues. A maior prova disso é que o Butantan, de maneira muito cordata, falou que estavam providenciando e que entregariam no menor prazo possível. Se tivesse sido diferente, o Butantan teria dito que não caberia. Mas ele não falou isso, concordou que os documentos deveriam ser entregues.

De fato a lista dos documentos são absolutamente imprescindíveis. Todos os 6 itens são fundamentais. É claro que o governador de São Paulo tentou polemizar. Inerguminice, idiotisse dele.

Nesse caso, Bolsonaro e Doria são farinhas do mesmo saco. Já a Anvisa e o Butantan estão tentando fazer seu melhor papel.

Eu não diminuiria a importância que sociedade esteja de olho, tanto no Bolsonaro como no Doria, para que eles não extrapolem e não consigam transformar um jogo político em detrimento da saúde pública brasileira.

Tanto a Anvisa, como a Fiocruz e o Butantan são órgãos brasileiros históricos que existiam antes de toda essa conjuntura e continuarão a existir. Esses desgastes podem trazer danos para além das gestões desses políticos?

Eles sempre podem ser tóxicos o suficiente para criar uma situação que se prolongue após os respectivos mandatos.

O Butantan e a Fiocruz tem mais de cem anos cada um. A agência é relativamente jovem, criada em 1999, mas ganhou uma respeitabilidade mundial e tem feito por merecer.

Acredito que a cultura organizacional dessas instituições se sobreporá à mediocridade desses governantes.

Enquanto alguém que esteve na presidência da Anvisa, como avalia a atuação do órgão e de seu papel na aprovação de um imunizante contra o coronavírus? Tendo em vista que entramos no segundo ano de enfrentamento à pandemia sem uma vacina.

Gonzalo Vecina – A Anvisa, embora tenha sofrido uma pressão muito grande por parte do governo e por parte do estado de São Paulo, da sociedade que está buscando as vacinas, tem se saído relativamente bem.

Mas tenho receio, não há dúvidas. O anúncio, por exemplo, de que um tenente-coronel estaria sendo indicado para ser diretor da Anvisa é um anúncio perigoso. Um tenente-coronel [Jorge Luiz Kormann] não tem nada a ver com a saúde, ao contrário. É um sujeito que em suas redes sociais tem emitido um conjunto de opiniões muito ruim do ponto de vista da saúde pública.

Eu espero, sinceramente, que este jogo de pesos e contrapesos que a democracia tem faça o seu papel e consiga não aceitar a indicação desse tenente-coronel. Ele terá que ser sabatinado no Senado.

Além de que, a lei que criou a agência exige que o diretor tenha larga experiência no setor. Ele não reúne as funções necessárias.

A Anvisa tem resvalado um pouquinho mas tem conseguido cumprir com a sua proposta com a sociedade brasileira. Em grande medida isso se deve aos servidores.

Espero que os diretores respondam a esse ambiente formado pelos servidores, pela cultura organizacional da agência, que garanta a segurança sanitária dos produtos, dos serviços, que estão sob vigilância da agência.

Muito se fala da interferência política na Anvisa. Considerando esse esforço dos servidores que o senhor pontuou, o que podemos identificar como escolhas técnicas ou políticas nesse processo [de aprovação da vacina]? Poderia acontecer de modo diferente?

Em qualquer lugar do mundo seria um jogo no qual teríamos essas consequências. Se não estivéssemos falando de política, estaríamos falando da capacidade da indústria de interferir nas agências. Não existe um mundo técnico e um mundo político ou vice-versa.

O mundo é uma mescla dessas coisas e é por isso que temos esses jogos de presos e contrapesos para que as organizações sirvam as sociedades para as quais foram criadas.

Não há nada no Brasil que não possa ocorrer em outras agências no mundo. Veja o Trump, nos Estados Unidos, que tentou em diversas ocasiões interferir no FDA [Food and Drug Administration, agência federal do Departamento de Saúde e Serviços Humanos dos Estados Unidos]. E não conseguiu.

São defesas que a sociedade tem dessa politização ruim. As pessoas falam da politização como se fosse ruim. A politização não é ruim, a má política é uma coisa ruim.

A política é uma coisa necessária pro homem, como forma de exercer o poder. Temos que criar defesas contra essa coisa da micropolítica, do populismo. Embora a sociedade brasileira ainda esteja em um processo de amadurecimento do ponto de vista democrático, está no seu caminho.

Veja que até uma sociedade como a americana, onde a democracia tem mais de 300 anos, sofreu um golpe como o dos últimos dias com a invasão do Congresso por conta de um alucinado que foi eleito democraticamente por aquela população. E o tal do jogo de pesos e contrapesos demorou para funcionar de maneira adequada.

Mas espero que as democracias continuem conseguindo resistir à sandice que de vez em quando vem à cabeça de algumas pessoas que acabamos, de alguma forma, escolhendo democraticamente.

Aqui no Brasil, o negacionismo que Bolsonaro defende na área de saúde interferiu no fato de não termos iniciado a vacinação até esse momento? Quais são os danos pra saúde pública com a figura do presidente?

Sem dúvida interferiu. Ele nega a importância da vacina, nega a importância da doença, a continua tratando como uma gripezinha, o que certamente ela não é. É uma doença gravíssima. Já causou mais de 200 mil mortes, muitas delas evitáveis se tivéssemos um governo presente no ano que passou.

Ao ser negacionista e negar a importância da vacina, ele produz um efeito até mesmo em outras vacinas. Isso é muito ruim. Estamos com uma perda na capacidade de vacinação desde 2016 e 2017 que é grave.

A cobertura da vacina de sarampo e de várias outras vacinas caíram por inação do governo federal. A inação do governo federal é muito grave, já que ele detém 50% do total dos recursos do SUS.

A posição negacionista é um exemplo ruim. Quando olhamos Angela Merkel e o próprio Boris Johnson na Inglaterra, que até pouco tempo era negacionista. Mas depois apareceu em todas as cenas acompanhando a vacinação.

Temos que pensar que nosso presidente é responsável pela geração de muitas mortes. Em algum momento essas questões deverão ser cobradas na Justiça. É inacreditável que ainda não tenham sido. O prejuízo que ele [Bolsonaro] está causando à saúde pública do país é imenso.

*A segunda parte da entrevista com o sanitarista Gonzalo Vecina será publicada nesta quinta-feira (14). 

[Entrevista a Lu Sodré, do Brasil de Fato | Foto: Divulgação]

A Petrobras enviou nota à imprensa em que confirmou desembarques em suas unidade marítimas e informou que sempre que um caso suspeito é identificado em unidade offshore são reforçadas as medidas de higienização e distanciamento na unidade e, preventivamente, podem ser realizados testes a bordo.

Para a diretoria do Sindipetro-NF, “essa resposta deixa evidente a falta de cuidado da empresa com a vida dos seus trabalhadores. Pois se a empresa informa para a imprensa que “preventivamente, podem ser realizados testes a bordo”, por que não o faz?”

O sindicato também questiona porque a empresa deixa a contaminação atingir mais trabalhadores e não age de forma preventiva, como alguém que quer proteger a saúde das pessoas.


Leia também: Janeiro começa com 264 trabalhadores com Covid-19 na Petrobras e 261 casos suspeitos


Casos se multiplicam

Na última sexta, 8 de janeiro, o SindipetroNF recebeu a notícia de mais desembarques de suspeitos e casos positivos a bordo de plataformas.

"Essa semana informamos que haviam ocorrido desembarques na P-35. Dos 16 trabalhadores desembarcados, o NF tem o resultado de sete pessoas, sendo cinco negativos e dois positivos. Ainda aguarda o resultado de outras nove. Mais nove pessoas de P-35 aguardam desembarque. Enquanto isso a Petrobrás não toma nenhuma medida preventiva.  O que o sindicato observa é que mais e mais trabalhadores são expostos a propagação do vírus", informou o sindicato.

A entidade também noticiou que os trabalhadores de P-61 solicitaram uma nova testagem geral a bordo, devido ao risco dos falsos negativos, evidenciados pela contaminação de cerca de 30% dos trabalhadores da unidade. Na sexta, o sindicato foi informado que mais cinco suspeitos desembarcaram, sem que houvesse testagem preventiva a bordo.

Mídia repercute

No final de semana, diversos veículos de imprensa publicaram matérias a partir de denúncias e informações divulgadas pela FUP e pelo Sindipetro-NF sobre o aumento de casos de Covid-19 entre os trabalhadores do Sistema Petrobras. Veja algumas das matérias:

O Globo: Número de funcionários da Petrobras com Covid tem a maior alta desde o começo da pandemia

UOL: Surto de Covid em 2 plataformas da Petrobras leva ao desembarque de 28 pessoas, diz FUP

Terra: Petrobras ultrapassa os 4 mil infectados com covid-19; desembarques continuam

Petronotícias: FUP ALERTA PARA NOVOS SURTOS DE COVID-19 EM PLATAFORMAS DA PETROBRÁS NA BACIA DE CAMPOS

Sobre os testes

Por incompetência ou descaso, a Petrobrás deixou o contrato de testagem pelo RT-PCR vencer. Como quebra galho, está utilizando a testagem por antígeno.

“Provavelmente a empresa vai responder que o teste de antígeno é eficiente. O que não é mentira! Mas certamente ela vai esconder que a testagem positiva por esse método, deve ser confirmada por RT-PCR. Que é o padrão reconhecido para diagnóstico da COVID-19. Possivelmente também não irá mencionar que ela está buscando um novo contrato para a testagem por RT-PCR que deve entrar em operação daqui a três semanas”, comentou o diretor do Departamento de Saúde do Sindipetro NF, Alexandre Vieira, que vem acompanhando semanalmente com a FUP as reuniões com o Grupo de de Estrutura Organizacional de Resposta da Petrobrás (EOR), responsável pelas ações de gestão relativas à pandemia da Covid-19 nas unidades da empresa.

São muitos os questionamentos que a FUP e as entidades sindicais têm feito à empresa, sem receber uma resposta à altura. É o caso, por exemplo, do atendimento médico dos contaminados nos hotéis e a não emissão de Comunicação de Acidente de Trabalho (CAT), apesar das recomendações do Ministério Público do Trabalho e a decisão favorável do Supremo. Saiba mais aqui.

[FUP, com informações do Sindipetro-NF e das agências de notícias | Foto: Agência Brasil]

Presidente do Conselho Nacional de Saúde (CNS), Fernando Pigatto diz que Bolsonaro atuou para sabotar os esforços de combate à pandemia e para sucatear o SUS

[Da Rede Brasil Atual]

Após o país atingir a triste marca de mais de 200 mil mortos pela pandemia do novo coronavírus, o Conselho Nacional de Saúde (CNS) afirma que a situação é mais grave hoje do que em agosto, quando o país havia perdido 100 mil vidas. A falta de coordenação por parte do governo federal, o fim do auxílio emergencial e a perda de cerca de 40 R$ bilhões em recursos para o SUS, em 2021, tornam o quadro ainda mais preocupante.

Além disso, o presidente Jair Bolsonaro continua atuando como um “sabotador” das estratégias de combate à disseminação da doença. Não incentiva o uso de máscaras, promove aglomerações e continua defendendo o uso de medicamentos sem eficácia comprovada.

“Ou seja, temos o agravamento da situação, o descontrole, e uma falta de ação do governo ainda maior do que existia no início ou quando se chegou a 100 mil vidas perdidas”, afirmou o presidente do CNS, Fernando Pigatto, em entrevista ao Jornal Brasil Atual, nesta sexta-feira (8).

Para ele, a maior parte das mortes poderia ter sido evitada. Ele citou estimativas do próprio ex-ministro da Saúde Luiz Henrique Mandetta. No início da pandemia, havia dito que se as medidas adequadas fossem adotadas, as mortes ficariam em torno de 40 mil. Por outro lado, se nada fosse feito, poderíamos passar de 180 mil óbitos. “Pois bem, passamos de 200 mil“, lamentou Pigatto.

Mais recursos

Em dezembro, o CNS e as organizações que compõem a Frente pela Vida entregaram ao Congresso Nacional a petição pública “O SUS merece mais em 2021”. O documento reivindica a continuidade do orçamento emergencial para a saúde e a revogação da Emenda Constitucional 95, também chamada de ‘teto de gastos públicos’. Pigatto afirma que, se o teto de gastos voltar a vigorar neste ano, o sistema público de saúde não terá condições de responder ao recrudescimento da pandemia. Além disso, a petição também pede a extensão do auxílio emergencial.

Às avessas

Pigatto também condenou os esforços tardios do governo federal na busca pela vacina. Ele disse que o Plano Nacional de Imunização só saiu após pressão da sociedade civil, do Congresso Nacional e do Supremo Tribunal Federal (STF). Ainda assim, ele classificou o plano como “improvisado”. Ele também criticou a possibilidade de clínicas privadas realizarem a venda de vacinas, antes da sua distribuição pelo SUS.

Outro exemplo das atitudes do atual governo, que promoveu o sucateamento do SUS, segundo o presidente do CNS, foi o decreto editado em outubro para facilitar a privatização das Unidades Básicas de Saúde (UBS) em todo o país. Um dia depois, a medida foi revogada. Mas Bolsonaro disse que pretende voltar a esse tema.

Assista à entrevista 

No dia 26 dezembro, último, foi detectado um surto de COVID na plataforma de P-61 após o desembarque de duas pessoas. Até o dia 1 de janeiro já haviam desembarcado 14 pessoas que testaram positivo, cinco deles fizeram o teste por conta própria após terem conhecimento do surto na plataforma.

O Sindipetro-NF novamente denuncia que mais uma vez a Petrobrás não testou todos os trabalhadores a bordo e colocou a vida deles em perigo e de suas famílias, já que permitiu que fossem para casa sem testagem. Também reforça a importância da testagem compulsória de toda unidade, após o embarque ou em caso de positivos a bordo, o que na visão da diretoria de entidade certamente reduziria a contaminação.

Essa sugestão é baseada no procedimento aprovado pela Fiocruz de que, em no máximo uma semana, todos sejam testados a bordo. E o sindicato tem a informação que nesse e em outros casos as pessoas apresentaram sintomas após sete dias embarcadas.

“É importante ressaltar que mesmo agora o vírus pode estar ainda na plataforma. Pois conforme relatado em ata de CIPA alguns trabalhadores tiveram contato no trabalho ou no refeitório com os contaminados. Estes na testagem geral tiveram o resultado negativo, mas podem ser falsos negativos devido a janela de sensibilidade do teste de PCR.
Os trabalhadores solicitaram na reunião da CIPA que haja uma nova testagem geral com o objetivo de descartar essa possibilidade. Mas a empresa permanece irredutível em sua postura” – comenta o Coordenador do Departamento de Saúde do sindicato, Alexandre Vieira.

Vieira explica que o pedido dos trabalhadores está em consonância com vários estudos científicos sobre falsos negativos. Uma pesquisa publicada no site de medicina em seus anais de Coronavírus em agosto de 2020 sobre a Variação na taxa de falsos negativos de testes SARS-CoV-2 mostrou que durante os quatro dias de infecção, antes do tempo típico de início dos sintomas (o quinto dia), ​​a probabilidade de um resultado falso-negativo em uma pessoa infectada diminui de 100% (IC de 95%, 100% a 100%) no primeiro dia,  para 67 % no quarto dia.  A conclusão da pesquisa é de que “deve-se ter cuidado ao interpretar os testes RT-PCR para infecção por SARS-CoV-2 – particularmente no início do curso da infecção – ao usar esses resultados como base para remover as precauções destinadas a prevenir a transmissão progressiva. Se a suspeita clínica for alta, a infecção não deve ser descartada com base apenas na RT-PCR, e a situação clínica e epidemiológica deve ser cuidadosamente considerada”.

No entendimento da diretoria do NF, a empresa não querer ter o cuidado com os testes só demonstra uma falha técnica ou passa por uma decisão econômica que não respeita vidas. Essa postura deve ser fiscalizada e punida pelos órgãos responsáveis.

P-35 em alerta

A plataforma de P-35 está com suspeita de surto de COVID.  De segunda, 4, até ontem, 6, 14 trabalhadores desembarcaram . O NF não tem informação do resultado dos testes, mas está acompanhando o caso também.

[Da imprensa do Sindipetro NF]

[Atualizado às 19h50 desta quinta, 07/01]

O país registrou 1.841 vítimas pela Covid-19 na noite de quirta-feira, 07, chegando ao total de 200.498 óbitos desde o começo da pandemia, segundo o Conselho Nacional dos Secretários de Saúde (Conass)

[FUP, com informações da CUT e da Rede Brasil Atual]

Quase dez meses após registrar o primeiro caso de Covid-19, o Brasil ultrapassou nesta quinta-feira (7) a triste marca de 200 mil vidas perdidas pela pandemia do novo coronavírus. O país está sem rumo e sem vacina.

A maior crise sanitária dos últimos 100 anos foi declarada pela Organização Mundial da Saúde (OMS) no dia 11 de março de 2020 e somente no dia 25 do mesmo mês o Brasil registrou o primeiro caso da doença.

De lá para cá, foram muitas batalhas que o país enfrentou na condução da crise e ainda tendo que lidar com o negacionismo do governo de Jair Bolsonaro. Dois ministros da saúde caíram, o governo negou a crise, a ciência, brigou com governadores que decretaram medidas para conter o avanço da pandemia e, ainda, está patinando na compra de insumos para a vacinação da população.

Enquanto em mais de 50 países do mundo já começaram a imunização contra a doença, até os vizinhos da América Latina, o governo brasileiro até esta quarta ainda não tinha data para começar e ainda  suspendeu a compra de seringas, dizendo que está esperando os preços baixarem.

Sob o comando do general Eduardo Pazuello, que assumiu o Ministério da Saúde após demissão do segundo ministro da Pasta,  Nelson Teich, o país  ficou mais de três meses sem especialistas na área da saúde liderando o combate a pandemia.  O resultado foi a explosão tanto no número de casos como o de óbitos.

Outra polêmica envolvendo o governo nesses meses foi a falta de transparência do Ministério da Saúde com a inconsistência nos dados divulgados, que foi visto como prévia de censura por outros  órgãos de saúde, especialistas e pela imprensa.

Pazuello, em pronunciamento em rede nacional na noite de quarta (6), anunciou a edição de uma medida provisória para aquisição de vacinas e insumos para enfrentar a pandemia do novo coronavírus. A MP estabeleceria a logística para a operacionalização do programa de imunização. A medida também preveria ainda o treinamento de profissionais e a permissão para a contratação de vacinas e insumos antes mesmo do registro sanitário pela Anvisa.

O ex-ministro da Saúde do governo da presidenta Dilma Rousseff, o deputado federal Alexandre Padilha (PT/SP) , criticou o teor do pronunciamento de Eduardo Pazuello.

“Desde do final dos anos 1970, ministros ocupam a rede nacional para anunciar uma campanha de vacinação. É a primeira vez que o anúncio não tem data, não tem local de vacinação. Nada. Enquanto ministros do mundo mostram números de vacinas aplicadas e pessoas vacinadas, o general que ocupa o ministério de Bolsonaro fala de vacinas pré-contratadas”, afirmou Padilha, à Rede Brasil Atual.

200 mil mortos

Nesta quinta, o país registrou o número recorde de 1.841 mortes pela Covid-19 nas últimas 24 horas. Foi o dia com mais mortes por covid-19 no Brasil desde o início do surto, em março,

O número de novos casos também teve a maior escalada desde o início da epidemia. Foram 94.517 novos infectados, somando 7.961.673. Com os números desta quinta-feira, a média móvel de casos e mortes teve flta. Levando em conta cinco dias, a média de mortes chegou a 793, diante de 683 ontem. Os casos foram de 35.422 para 40.814. As médias são importantes para avaliar o crescimento da pandemia.

Vacina para todos

Uma possível vacinação privada contra a covid-19, em clínicas particulares, além de “moralmente inaceitável”, pode afetar negativamente o controle da pandemia, afirmam dezenas de entidades, em nota. A notícia circulou no início da semana, com a informação de que representantes da Associação Brasileira das Clínicas de Vacinas viajaram à Índia para conhecer detalhes da produção local.

“A abertura da vacinação para clínicas privadas pode impactar negativamente o controle da pandemia, aumentar as desigualdades sociais na saúde e os riscos inerentes ao prolongamento da circulação do vírus na população”, afirmam as entidades “A mercantilização da vacina não será tolerada por um Brasil que luta pela vida, por um país mais justo e solidário.” Segundo a nota, é preciso haver equidade no processo. Não apenas por uma questão de justiça social, “mas também como requisito para o tão esperado controle da pandemia”.

Leia a íntegra:

Neste momento de crise sanitária internacional e nacional devido à pandemia de Covid-19 – somos o segundo país do mundo em número de mortos por essa doença –, é fundamental nos concentrarmos na luta pela vacinação já, com equidade. A equidade é importante como a garantia de justiça social, mas também como requisito para o tão esperado controle da pandemia. Que seja, portanto, garantida igualdade de acesso às cidadãs e cidadãos brasileiros na vacinação contra a Covid-19.

O Programa Nacional de Imunização (PNI) do Sistema Único de Saúde (SUS) tem um histórico de grande sucesso, com experiência bem-sucedida em campanhas de âmbito nacional e com reconhecimento internacional. Somente o pleno apoio e adequado incentivo financeiro e operacional ao PNI pode garantir equidade no acesso efetivo e seguro da população à vacina.

Devido à magnitude desta campanha de vacinação que tem como meta cobrir toda a população e a limitação da oferta de vacinas no mercado internacional, países como o Brasil têm definido um modelo de prioridades para sua implementação com base em critérios epidemiológicos e de vulnerabilidade social.

Somente o SUS, por intermédio do PNI, poderá garantir a vacinação de toda a população brasileira com base nesses critérios. Seringas, agulhas, insumos de biossegurança e adequada logística e competência são necessárias para atingirmos este objetivo. As vacinas, objetos dos acordos de compra e transferência de tecnologia já estabelecidos com as empresas Sinovac e AstraZeneca, devem formar a espinha dorsal da campanha de vacinação no País sob a coordenação do PNI.

Numa sociedade como a nossa, marcada por grotescas desigualdades sociais, é moralmente inaceitável que a capacidade de pagar seja critério para acesso preferencial à vacinação contra a Covid-19. Caso isso ocorra, uma fila com base em riscos de se infectar, adoecer e morrer será desmontada. É inadmissível, portanto, permitir que pessoas com dinheiro pulem a fila de vacinação por meio da compra de vacinas em clínicas privadas.

Assim, causa preocupação o anúncio feito no dia 3 de janeiro que clínicas privadas negociam a importação de 5 milhões de doses de vacinas em desenvolvimento na Índia pelo laboratório Bharat Biotech.

No Reino Unido, para evitar a ocorrência de desigualdade social no acesso à vacina contra a Covid-19, governo e empresas elaboram acordos para não permitir que vacinas sejam compradas por clínicas privadas, pelo menos enquanto uma grande parte da população não tiver sido vacinada pelo Sistema Nacional de Saúde (NHS). Este é o exemplo que podemos seguir.

Consequências nefastas da venda de vacinas contra a Covid-19 por clínicas privadas, como as destacadas abaixo, vão além do aprofundamento do abismo social brasileiro:

  • Num momento de imensa necessidade de fortalecimento do SUS, renuncia-se ao seu potencial para vacinar a população brasileira com equidade, efetividade, eficiência e segurança, em prol do fortalecimento do mercado setor privado de saúde.
  • O detalhado acompanhamento da cobertura vacinal e a farmacovigilância para o monitoramento de eventos adversos, de grande importância principalmente no caso das vacinas contra a Covid-19 com aprovação pelas agências reguladoras em prazos recordes, tornam-se mais difíceis ou mesmo se inviabilizam.
  • O aumento do número de pessoas com doses incompletas de vacina (sem tomar as duas doses) tem maior probabilidade de ocorrer entre as pessoas vacinadas no setor privado, diminuindo a eficácia e a efetividade da vacinação.

A sociedade brasileira e suas instituições democráticas estão alertas. A abertura da vacinação para clínicas privadas pode impactar negativamente o controle da pandemia, aumentar as desigualdades sociais na saúde e os riscos inerentes ao prolongamento da circulação do vírus na população. A mercantilização da vacina não será tolerada por um Brasil que luta pela vida, por um país mais justo e solidário.

Entidades signatárias:

Associação Brasileira de Saúde Coletiva – Abrasco
Associação Brasileira de Economia de Saúde – Abres
Associação Brasileira de Educação Médica – Abem
Associação Brasileira dos Terapeutas Ocupacionais – Abrato
Associação Brasileira Rede Unida – Rede Unida
Centro Brasileiro de Estudos de Saúde – Cebes
Conselho Nacional de Saúde – CNS
Federação Nacional dos Farmacêuticos – Fenafar
Instituto de Direito Sanitário Aplicado – Idisa
Rede Nacional de Médicas e Médicos Populares – RNMP
Sociedade Brasileira de Bioética – SBB
Sociedade Brasileira de Medicina de Família e Comunidade – SBMFC
Confederação Nacional dos Trabalhadores em Seguridade Social – CNTSS
Associação Nacional de Pós-Graduandos – ANPG
União Brasileira de Mulheres – UBM
Associação Brasileira de Imprensa – ABI
Associação Brasileira de Economia da Saúde – ABrES
Associação Brasileira de Saúde Bucal Coletiva – ABRASBUCO
Associação Brasileira Ensino em Fisioterapia -ABENFSIO
Conselho Federal de Serviço Social- CFESS
Associação Brasileira de Enfermagem- ABEn Nacional
Associação de Fisioterapeutas do Brasil – AFB
Federação Nacional dos Nutricionistas – FNN
Federação Interestadual dos Odontologistas – FIO
US Network for Democracy in Brazil
Coletivo Adelaides, feminismos e saúde
Federação Nacional dos Enfermeiros- FNE
Sociedade Brasileira de Fonoaudiologia – SBFa
Confederação Nacional dos trabalhadores na Saúde – CNTS

 

 

Quinta, 07 Janeiro 2021 13:30

O capitalismo e a vacina contra a Covid-19

No dia 31/12/2019 foi reportado à Organização Mundial de Saúde (OMS) o surgimento de uma série de casos de pneumonia de origem desconhecida, na cidade de Wuhan, na China.

No dia 9 de janeiro foram divulgadas pela OMS e autoridades chinesas as primeiras análises sequenciais do vírus – um novo coronavírus, batizado de Covid-19.

A partir daí, vários casos de infecção e mortes pela doença foram relatados em países do mundo todo. No Brasil, o primeiro caso de Covid-19 foi confirmado no dia 26/02/2020. Em março, a pandemia pelo novo coronavírus foi decretada pela OMS.

Em meio às incertezas de uma doença pouco conhecida, ao medo e às perdas de milhões de vidas no mundo todo – no Brasil, segundo dados divulgados pelo consórcio de veículos da imprensa no dia 05/01, o país contabilizou 197.777 óbitos e 7.812.007 casos da doença desde o início da pandemia – deu-se inicio à uma corrida contra o tempo em busca de uma vacina para combater a Covid-19.

Em cerca de um ano a partir dos primeiros casos registrados da doença já há diversas vacinas disponíveis em caráter emergencial e algumas já sendo aplicadas em países como Estados Unidos, Reino Unido, Argentina, Chile, México, China, Arábia Saudita, Israel e diversos países da União Europeia.

O Brasil, pelo andar da carruagem, pode ser um dos últimos a vacinar, porque tem um presidente negacionista e que vem se empenhando em atrasar o inicio da vacinação no país.

Mas o que queremos analisar aqui são os verdadeiros motivos que levaram à celeridade, empenho e aplicação de grandes recursos financeiros para encontrar a cura dessa grave doença, mobilizando renomados cientistas, farmacêuticas, indústrias e governos.

Sem pular nenhuma etapa, a vacina hoje já é uma realidade, conquistando o posto de vacina mais rápida do mundo a ser desenvolvida, quebrando o recorde da vacina da caxumba, que o médico americano Maurice Hilleman demorou apenas 4 anos para produzir – depois de coletar amostra da garganta da filha, que teve a doença (Hilleman combinou sua vacina contra a caxumba às que desenvolvera contra o sarampo e a rubéola, criando uma única dose — a Tríplice Viral ).

Gostaríamos de pensar que tanta rapidez para alcançar a imunização contra a Covid-19 se deu apenas com o objetivo de salvar vidas. Mas a realidade é outra.

O fato é que a vacina, apesar de muito bem vinda, foi desenvolvida em tempo recorde para salvar, antes de tudo, o capital. A economia não pode parar, principalmente porque sem ela não há lucro para os grandes empresários.

Há muitas outras doenças que, mesmo após décadas de seu surgimento, não têm vacina. Uma delas é a AIDS, que apesar das melhoras nos métodos de prevenção e contágio, segue, após quase 40 anos, ainda matando, e sem nenhuma vacina. A Dengue também mata milhares de pessoas, a maioria pobre. A doença de Chagas é outra que continua sem vacina.

Por que não investir para encontrar também a cura dessas doenças? Simplesmente porque elas não atingem o capital. Elas matam, mas não interferem nos negócios, não impedem que os ricos fiquem cada vez mais ricos e, de certo modo, até auxiliam no aumento do lucro das indústrias farmacêuticas.

Portanto, a busca pela vacina contra a Covid-19, com seus resultados positivos, é, antes de tudo, uma preocupação com a continuidade e fortalecimento do capitalismo.

[Do Sindipetro Bahia | Foto: Bigstock]

A Federação Única dos Petroleiros (FUP) foi criada em 1994, fruto da evolução histórica do movimento sindical petroleiro no Brasil, desde a criação da Petrobrás, em 1953. É uma entidade autônoma, independente do Estado, dos patrões e dos partidos políticos e com forte inserção em suas bases.