A Bacia de Campos está na iminência de manter 22 plataformas em condições de extrema vulnerabilidade, caso não sejam atendidas as reivindicações de marítimos que estão próximos do fim do contrato, no dia 13 de março. A empresa Infotec, vencedora de licitação da Petrobrás na terceirização de 115 trabalhadores como oficiais, mestres de cabotagem e marinheiros que atuam nas unidades, tenta rebaixar remunerações e benefícios dos empregados.

Três sindicatos da categoria, com solidariedade do Sindipetro-NF, cobram da gerência de contratos da Petrobrás a superação do impasse. Os trabalhadores, altamente especializados e escassos no País, denunciam que a nova empresa quer contratá-los em condições salariais e de benefícios muito piores do que as vigentes na empresa atual, a Lighthouse.

Entre as perdas está o corte na extensão da assistência médica e odontológica aos dependentes dos empregados, o que acontece há mais de 20 anos. No processo licitatório, realizado ao longo de 2020, a Petrobrás não inseriu essa exigência às empresas participantes, apesar dos inúmeros alertas dos sindicatos.

Em ofício de 13 junho de 2020, a gerência de contratos da Petrobrás chegou a lavar as mãos. Em resposta a reivindicação sobre o tema enviada pelo Sindicato dos Mestres de Cabotagem e de Contramestres em Transporte Marítimo, a companhia afirmou que “esta medida de ampliação do plano de saúde e odontológico aos dependentes de colaboradores estará no âmbito de decisão das licitantes, conforme suas diretrizes e política interna de saúde, não possuindo a Petrobras ingerência nesta relação”.

Os trabalhadores denunciam que estão sendo coagidos, até mesmo por gerentes da Petrobrás, a aceitarem as condições rebaixadas da nova empresa — o que, organizados e mobilizados junto aos seus sindicatos, já avisaram que não vão fazer. A categoria adverte que a Petrobrás precisa rever o resultado da licitação, caso a nova empresa não consiga apresentar um quadro de empregados qualificados para as funções.

O Sindipetro-NF acompanha de perto a luta dos marítimos, em contatos frequentes com os sindicatos da categoria, e reforça a pressão para que a Petrobrás resolva este problema de grandes impactos nos direitos dos trabalhadores diretamente atingidos e nas condições de segurança de todos os petroleiros e petroleiras.

[Da imprensa do Sindipetro NF]

Publicado em Sistema Petrobrás

As empresas terceirizadas estão muito à vontade na atual gestão do Sistema Petrobrás. Elas fazem o que querem, sem nenhum tipo de fiscalização. O resultado não poderia ser outro a não ser o calote nos trabalhadores. É o que está acontecendo com a empresa Ônix, que tem duas sondas de produção de petróleo em atividade e é contratada pela CTP da Petrobrás.

A empresa, que está com o pagamento dos salários atrasados,deixou de pagar o ticket alimentação dos funcionários. A ônix também não paga mais seus fornecedores, o que levou à suspensão do transporte de fornecimento da alimentação.

As atividades das sondas estão paralisadas e os trabalhadores, apreensivos, não sabem a quem recorrer para que seus direitos trabalhistas sejam pagos. O prejuízo é enorme, pois a Ônix deixou de recolher o FGTS e o INSS.

O caos se estende a outras unidades e gerências da Petrobrás, visto que fatos semelhantes acontecem na UN-BA e na Rlam. Mais uma vez as gerências estão mostrando incapacidade de contratar empresas idôneas, o que prejudica não só os trabalhadores, mas a própria Petrobrás.

O Sindipetro pede providências urgentes à Petrobrás para que a estatal retenha as faturas e valores a serem pagos à Ônix, utilizando-os para o pagamento das verbas rescisórias dos trabalhadores. E que seja mais rigorosa na fiscalização a fim de proteger os direitos legais, trabalhistas e sociais dos trabalhadores. No mais, um alerta: a sanha do desmonte da Petrobrás, protagonizada pelo governo Bolsonaro, vai acabar com a estatal. Antes de ser privatizada, como querem Guedes e Bolsonaro, a Petrobrás será destruída.

[Da imprensa do Sindipetro Bahia]

Publicado em Sistema Petrobrás

Nesta quinta-feira, 29, as diretorias do Sindipetro-NF e Sindipetro-ES se reuniram com representantes da Petrobrás para cobrar informações sobre as denúncias feitas por trabalhadores, que a operação de lastro passaria a ser terceirizada.

Durante a reunião, a empresa confirmou a informação, porém negou que tal ação teria sido motivada por questões econômicas ou de falta de eficiência do pessoal. A empresa alega apenas necessidade de realocação dos funcionários.

Para o sindicato, a empresa não foi capaz de mostrar uma visão técnica, que justificasse tal medida, tendo em vista que seria muito mais fácil, econômico e seguro fazer uma movimentação interna dos funcionários, antes de optar pela terceirização.

Outro ponto questionado pelo sindicato foi o não cumprimento da cláusula 42 do ACT, que é informar com antecedência qualquer mobilização dos funcionários.

Com base nas informações obtidas na reunião, os Sindipetro-NF e ES irão enviar um ofício cobrando que a empresa indique onde estão localizados os postos que motivaram a iniciativa de retirada dos E2 da unidades da UO-ES.

Além disso, os sindicatos cobram que seja verificada a possibilidade de suprir estes postos mencionados através de oportunidades oferecidas por mobilizações internas, como por exemplo o programa Mobiliza da empresa,  antes de terceirizar funções que são essenciais à continuidade operacional e tem alto impacto na segurança das Unidades.

No ofício solicitam esclarecimentos sobre o atual estado da contratação desse serviço. Se a Petrobrás realizará uma nova licitação ou se aproveitará um contrato existente, indicando nesse caso o instrumento contratual a ser utilizado. Os sindicatos também cobraram no ofício o cumprimento da Cláusula 42 e questionaram sobre outras movimentações.

[Da imprensa do Sindipetro-NF]

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A mobilização teve adesão dos trabalhadores da RCS, que atuam com campos de produção terreste da Petrobrás de Canto do Amaro e Fazenda Belém

[Imprensa do Sindipetro-RN]

Parados por três dias, trabalhadores da RCS aprovaram na noite da última sexta-feira(27/11) a contraproposta do ACT e resolveram encerrar a greve. A decisão foi tomada por unanimidade em assembleia extraordinária dirigida pelo Coordenador Geral do SINDIPETRO-RN, Ivis Corsino e os dirigentes: Eufrásio Paulino, José Araújo e Manoel Assunção.

Após negociação com a direção do Sindicato, a empresa se comprometeu em não aplicar nenhum tipo de retaliação aos trabalhadores em greve, isso inclui desconto na folha de pagamento. No entanto as horas não trabalhadas deverão ser compensadas pela categoria na empresa.

A greve teve uma conquista importante no bolso dos trabalhadores neste fim de ano. A RCS assegurou o pagamento de uma cesta natalina no valor de R$150,00 a ser paga até 20 de dezembro. A bonificação era uma das reinvindicações dos companheiros desde o início do contrato em março de 2019.

Por intermédio do Sindicato a categoria também conseguiu antecipar o pagamento dos retroativos em parcela única que será paga até o quinto dia útil de dezembro. A proposta inicial da RCS era dividir o valor em três parcelas.

A empresa também ratificou que não vai fazer descontos no auxilio refeição aos trabalhadores que estiverem afastados por qualquer natureza até três dias. Outro ponto contido nas negociações do pleito da categoria foi a retirada do valor desconto no plano de saúde para os dependentes, referente a R$ 50,00(ou R$ 58,00 se for com o plano odontológico). A empresa informou que está estudando um meio de solucionar essa questão e deu o prazo até fevereiro de 2021.

Para o diretor Eufrásio Paulino os avanços no ACT e na retomada de negociação com a empresa só foi possível com a luta dos trabalhadores que entraram na greve. “É preciso ter coragem e união da categoria para reivindicar direitos. Os companheiros da RCS estão de parabéns. A luta continua e a diretoria do SINDIPETRO-RN sempre estará do lado de vocês”, informou o dirigente.

Mesmo com o fim da greve e a retomada da mesa de negociação com o sindicato, a categoria decidiu na assembleia manter o Estado de Greve até que a empresa honre tudo que prometeu na minuta do ACT.

Gratidão: na manhã do sábado, 28 de novembro, os trabalhadores foram até a subsede do SINDIPETRO-RN em Mossoró agradecer a diretoria do sindicato pelo apoio no movimento paredista e na defesa dos seus direitos. O agradecimento foi selado com uma oração puxada por um dos trabalhadores presentes.

“A direção do sindicato fica feliz com essa iniciativa da categoria, isso mostra que o nosso trabalho tem mostrado bons resultados tanto no setor público, quando no setor privado. Parabéns aos companheiros da RCS. Estamos com vocês!”, disse o dirigente Manoel Assunção.

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Gestão da empresa diminui número de técnicos de segurança no regime de turno. Pressão por transferências para outras unidades aumenta ainda mais a sensação de insegurança na Usina

[Da imprensa do Sindipetro-PR/SC]

Reduzir investimentos, sucatear instalações e precarizar as relações de trabalho. A direção da Petrobras segue à risca o plano para atender interesses privados e entregar o patrimônio do povo brasileiro. 

Assim como acontece na Refinaria do Paraná (Repar) e foi denunciado pelo Sindipetro PR e SC (leia aqui!), a Usina do Xisto (SIX), em São Mateus do Sul, também passa por um processo de desmonte com requintes de crueldade e irresponsabilidade. Começou por setores como a Casa de Força, Laboratório, Utilidades e agora atinge a SMS (Segurança, Meio Ambiente e Saúde), departamento responsável pelas vidas dos trabalhadores. 

O roteiro é exatamente o mesmo da Repar. Ambas gestões locais substituem profissionais experientes por bombeiros civis nas brigadas de incêndio, ainda com o agravante de sequer terem o treinamento adequado para atuar em situações de emergência em parques industriais de produtos inflamáveis. 

Com esse processo de terceirização e redução de recursos na SMS, um problema que assolou a SIX durante anos volta à tona: a falta de efetivo de técnicos de segurança em turno ininterrupto de revezamento. No contexto atual, trata-se de mera decisão política e ideológica da empresa, uma vez que os técnicos estão disponíveis, mas simplesmente foram retirados do regime de turno.   

Em 2004, um acidente que levou à morte de um terceirizado na área de mineração escancarou a ausência de profissionais de segurança na Usina. A Comissão de Investigação que foi instalada na SIX, da qual o Sindipetro fez parte, trabalhou por dois anos e o resultado foi a ampliação para dois técnicos de segurança por turno. 

Agora, com as terceirizações na SMS, a SIX voltará a contar com apenas um técnico por turno. Cabe destacar que o cenário anterior a 2004 era de acidentes em série na Usina. Algo que a gestão da Petrobrás parece querer retomar nas suas instalações. No último mês, vários acidentes foram registrados, inclusive uma explosão na mina. Falta de efetivo, sucateamento e operações complexas realizadas por terceirizados sem o devido treinamento são as causas apontadas pelos profissionais de segurança. É o presente repetindo o passado. 

Outro fator que aumenta a sensação de insegurança generalizada na SIX é a pressão que trabalhadores de todos os setores sofrem para aceitar transferências a outras unidades da Petrobrás. Tudo parte de um plano sórdido para acabar com a Petrobrás no Paraná, na região Sul do país e, mais tarde, extinguir de vez com a maior empresa da América Latina. É sempre bom lembrar: não há saída individual, a luta é coletiva!

IndustriALL Brasil manifesta apoio a familiares, amigos e colegas das vítimas. A empresa têxtil contratava uma terceirizada ilegal para transportar os operários

[Com informações da Rede Brasil Atual]

O acidente rodoviário em Taguaí no interior de São Paulo que matou 41 funcionários de uma empresa têxtil , ontem (25), é um trágico exemplo de precariedade das condições de trabalho, que aumentou após a reforma de 2017, lamenta a recém-criada IndustriALL Brasil. Em nota (leia a íntegra no final da matéria), a entidade expressa solidariedade a familiares, amigos e colegas dos trabalhadores mortos.

O acidente aconteceu no km 172 da Rodovia Alfredo de Oliveira Carvalho, ontem pela manhã. Um choque entre um ônibus e um caminhão. O ônibus que transportava os empregados não tinha autorização da Agência de Transporte do Estado de São Paulo (Artesp). A documentação estava irregular. Além das 41 mortes, 10 pessoas ficaram feridas. 

Poderia ser evitada

“Esta tragédia com certeza poderia ter sido evitada se a empresa Stattus Jeans proporcionasse aos trabalhadores condições dignas e seguras de transporte”, diz a IndustriALL Brasil. Mas essas condições, “que sempre careceram de intensa fiscalização”, ficaram mais precárias depois da reforma trabalhista de 2017, acrescenta. A entidade cita ainda a “flexibilização” das Normas Regulamentadoras e o fim do Ministério do Trabalho. 

Assim, os sindicalistas repudiam o “desmonte”. E exigem “respeito, compromisso e mais saúde e segurança para a classe trabalhadora em todo o Brasil”. Também cobra explicações efetivas da empresa e das autoridades, além de apoio às famílias das vítimas do acidente de Taguaí.

“É revoltante constatar que a morte de 41 pessoas, 41 trabalhadores, é resultado, mais uma vez da negligência de empresas e do poder público”, afirma, também em nota, a Força Sindical. Os trabalhadores da Stattus Jeans estão na base do Sindicato dos Têxteis de Fartura e Região, filiado à central.

Confira a íntegra da nota da IndustriALL Brasil

A IndustriAll-Brasil expressa toda solidariedade aos familiares, amigos e colegas dos trabalhadores mortos e feridos na grave tragédia ocorrida na manhã de quarta-feira, 25 de novembro de 2020, em Taguaí-SP.

Esta tragédia com certeza poderia ter sido evitada se a empresa Stattus Jeans proporcionasse aos trabalhadores condições dignas e seguras de transporte. Mas tais condições, que sempre careceram de intensa fiscalização, tornaram-se ainda mais precarizadas com o advento da Reforma Trabalhista de 2017, com a flexibilização das Normas Regulamentadoras e com o fim do Ministério do Trabalho.

Repudiamos, neste sentido, o desmonte dos direitos trabalhistas que tem sido a tônica dos governos neoliberais no Brasil e exigimos respeito, compromisso e mais saúde e segurança para a classe trabalhadora em todo o Brasil.

Exigimos da empresa e do poder público respostas sérias, sem omissão, e apoio às famílias das vítimas.

São Paulo, 26 de novembro de 2020

Aroaldo Oliveira da Silva
Presidente da IndustriAll-Brasil

Eunice Cabral
Presidente da CONACCOVEST – Confederação Nacional dos Trabalhadores nas Indústrias do Setor Têxtil, Vestuário, Couro e Calçados

Miguel Torres
Presidente da Força Sindical

Sérgio Nobre
Presidente da CUT (Central Única dos Trabalhadores)

 
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Sindipetro-MG alerta que a capacidade da refinaria de responder às emergências será prejudicada com a saída de trabalhadores mais capacitados e preparados

[Da imprensa do Sindipetro-MG]

Na primeira quinzena de dezembro o quadro de trabalhadores do setor de Segurança, Meio Ambiente e Saúde da Regap será reduzido pela metade. A terceirização do setor da SMS está a pleno vapor. Justamente o setor responsável pela segurança industrial e pelo combate a emergência na Refinaria.

Hoje, são 25 empregados próprios capacitados para preservar a vida da comunidade externa e interna. Cada turno possui equipe de segurança industrial de quatro técnicos. Mas com a mudança denunciada, cada equipe terá apenas dois técnicos de segurança para atender toda a demanda da unidade.

Cabe lembrar que este é o setor responsável pela segurança industrial e pelo combate à emergência na Refinaria. Com a terceirização, é evidente que a capacidade de responder às emergências será prejudicada. Pois os bombeiros civis não são preparados para atuar no mesmo nível de conhecimento técnico e prático dos profissionais da Petrobrás.

O Sindipetro alerta que com essa manobra, que só visa a redução dos custos, a gerência está se desfazendo de trabalhadores mais capacitados e preparados, substituindo esses profissionais por funcionários sem experiência específica na área, colocando em risco a vida e a segurança dos trabalhadores e das populações do entorno na Regap.

Há cinco anos, trabalhadores terceirizados demitidos no Comperj lutam para receber o FGTS. Calote da GDK poderia ter sido evitado, se a Petrobrás assumisse sua responsabilidade como contratante

[Da CUT | Texto: Rosely Rocha | Imagem: reprodução reportagem da TV Globo]

Cinco anos após serem demitidos, 202 trabalhadores e trabalhadoras da empresa GDK, prestadora de serviços da Petrobras no Complexo Petroquímico (Comperj), em Itaboraí, região de Niterói (RJ), afirmam que a empresa só liberou a multa de 40% do Fundo de Garantia por Tempo de Serviço (FGTS). O dinheiro depositado nas contas individuais do FGTS dos trabalhadores dispensados ainda não foi liberado e eles cobram seus direitos na Justiça, numa ação coletiva. A GDK está em recuperação judicial.

A situação desses trabalhadores poderia ter sido evitada se a Petrobras ainda  utilizasse o Fundo Garantidor, criado no governo Lula (PT), acredita o presidente do Sindicato dos Metalúrgicos dos Municípios de Niterói, Itaboraí e Tangá, Edson Carlos Rocha da Silva.

“Para Lula era impossível a Petrobras contratar serviços e ao final o trabalhador pagar a conta. Foi aí que criaram o seguro para não ter esse problema. Mas o governo de Michel Temer acabou com o seguro e só os contratos mais antigos têm essa proteção aos trabalhadores”, diz Edson.

Denominado de “retenções de importâncias trabalhistas” no sistema Petrobras, o fundo funcionava como um serviço de caução, seguro garantia ou depósito bancário, que cobria qualquer parcela trabalhista, como salário, 13º, férias, INSS, FGTS e rescisão. 

A Petrobras retinha de 1% a 5% do valor do pagamento mensal destinado à empresa prestadora de serviços em todos os contratos, exceto naqueles com duração inferior a 90 dias ou valor abaixo de R$ 160 mil, ou empresas internacionais que tenham somente empregados estrangeiros.

Além disso, a Fiscalização de Contratos da Petrobrás exigia documentação da prestadora, comprovando a quitação das obrigações legais. Quando isso não ocorria de forma integral, a estatal segurava o pagamento referente àquele mês até que a situação fosse regularizada. Desta forma, em caso de falência ou recuperação judicial, os trabalhadores tinham seus direitos garantidos.

Edson Rocha cita como exemplo o que aconteceu na cidade de Charqueadas (RS). Lá, a empresa IESA Óleo e Gás fechou as portas, mas a Petrobras pagou a indenização de mais de mil trabalhadores.

“Com a o operação Lava Jato, as grandes construtoras quebraram e novas empresas foram contratadas sem o fundo garantidor, que permitia que se a empresa fechasse e o que estava sendo construído virava sucata, mas os trabalhadores eram indenizados”, afirmou o sindicalista.

O Complexo Comperj

O Comperj era para ser um complexo petroquímico. A ideia nos governos do PT era que a Petrobras fosse uma empresa de energia e utilizasse bem mais  do que produz, e para isso foi projetado o desenvolvimento de toda a cadeia química e petroquímica, agregando mais valor .

O complexo teve iniciou há 12 anos e está com 80% da sua obra prontas, só faltando fazer as interligações. Mas, com a decisão da direção da empresa, pós-golpe de 2016, de ficar só com exploração de petróleo bruto, a obra foi interrompida, e o Comperj que seria uma refinaria com capacidade para processar 150 mil barris de petróleo ainda não está pronto.

“Hoje a unidade só processa gás natural que sai da exploração do pré-sal. Com isso houve muita demissão. Era para ter no mínimo 12 mil trabalhadores no Comperj em dois turnos de 6 mil cada. Agora tem no máximo 4 mil pessoas trabalhando para finalizar a unidade, que ainda não entrou em operação”, conta o dirigente metalúrgico.

[Com informações da FUP]

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Bombeiros civis contratados, sem treinamento adequado, serão responsáveis por comandar equipes de combate às emergências em refinarias de petróleo precarizadas

[Da imprensa do Sindipetro-PR/SC]

O desprezo à vida virou regra para os gestores da Petrobrás. Vale tudo, absolutamente tudo, para deixar as refinarias sucateadas e, portanto, mais suscetíveis à privatização. 

O que está para acontecer nos setores de Segurança, Meio Ambiente e Saúde (SMS) das unidades colocadas à venda revelam a profunda irresponsabilidade daqueles que estão no comando da maior empresa da América Latina. 

Refinarias de petróleo são locais de altíssimo risco para se trabalhar, pois processam milhões de litros de produtos inflamáveis por dia. Por óbvio, as equipes de empregados responsáveis por atuar em situações de emergência devem ter amplo conhecimento da área e treinamento adequado. Entretanto, a atual gestão da Petrobrás não pensa dessa forma. 

Ao longo dos seus 43 anos de atividade, a Repar passou por várias ocorrências emergenciais que só não tomaram proporções maiores devido à atuação em conjunto da uma equipe experiente de segurança com os integrantes da EOR (Estrutura Organizacional de Resposta). O setor de segurança e a equipe de combate às emergências sempre foram formados por trabalhadores do efetivo próprio, e necessitam de melhores condições de treinamento e efetivo para que possam ser consideradas adequadas, mas ocorre justamente o inverso com o desmonte da SMS. 

Agora, com o processo de sucateamento pelo qual a unidade passa (o mesmo ocorre com a Usina do Xisto – SIX), a fim de facilitar sua venda, tudo mudou. Segurança industrial virou coisa supérflua na cabeça dos gestores, uma vez que resolveram terceirizar o setor para reduzir a folha de pagamento. Substituem, sem nenhum pudor, empregados com muitos anos de experiência por pessoas que passam apenas por um treinamento relâmpago. 

A Repar tem capacidade instalada para processar 33 mil m³ de petróleo por dia, em uma área física total de 10 milhões de m². Para isso, conta com cinco técnicos de segurança (TS) próprios por turno. Parece pouco, não é? Não para os gestores. O plano de terceirização do setor de segurança reduz para dois o número de TS’s próprios por período (1 supervisor e 1 subordinado) e indica a contratação de três bombeiros civis. 

O Sindipetro PR e SC questionou a gestão da Repar sobre os riscos de terceirizar um setor tão importante para a segurança dos trabalhadores, da comunidade do entorno e dos equipamentos, mas só obteve respostas evasivas. Um processo atabalhoado, feito às pressas e sem respostas adequadas sobre temas cruciais, como plano de treinamento, futuro dos técnicos do setor e a segurança da refinaria. 

Cabe ainda ressaltar que o Sindicato há tempos demonstra publicamente a preocupação com a redução do efetivo de trabalhadores da Repar. Desde 2017, quando foi implantada unilateralmente a metodologia de O&M (Organização e Método) na refinaria, o número de empregados próprios foi diminuído em 40%. Naquela época, um levantamento feito pelo Sindipetro junto aos empregados da Repar já apontava efetivo insuficiente. 

Um dossiê que trata do efetivo da Repar foi apresentado na forma de denúncia junto ao Ministério Público do Trabalho (MPT) e ainda está em trâmite. 

A terceirização da segurança somada à drástica redução do efetivo não aponta para outra direção senão a de um acidente de grandes proporções sem a resposta emergencial adequada. 

Em 2000, um acidente ampliado na Repar causou o vazamento de 4 milhões de litros de petróleo nos rios Barigui e Iguaçu. Naquela época a segurança também era negligenciada e aconteceu a tragédia. Custou muito caro para os cofres e também para a imagem da empresa o atendimento e reparo daquele acidente. As ações judiciais ainda estão em andamento somam mais de R$ 1 Bilhão em multas e ressarcimentos. Parece que os gestores não aprenderam nada com aquele triste episódio e também não sabem fazer as contas de quanto custará um acidente de grande proporção. O risco das pessoas é imenso. O Sindicato continuará com as denúncias sobre todo esse descaso e torce muito para que nada grave aconteça. 

Equipe de Combate às Emergências

Outro ponto de conflito entre a gestão da Repar e o Sindipetro PR e SC é a composição da equipe de combate às emergências. Por muito tempo a empresa bateu na tecla de que a participação dos empregados no grupo de brigadistas é obrigatória. O Sindicato, por sua vez, aponta que tal determinação não está prevista em contrato de trabalho, portanto a posição da companhia não se sustenta. 

Para além desse debate, é plausível lembrar que em situação de emergência a equipe será liderada pelo motorista da viatura. Na nova realidade, a valer a partir de novembro ou dezembro, o chefe da equipe será o bombeiro civil terceirizado, sem treinamento adequado e sem amplo conhecimento da área. A pergunta que fica é “ficarão tranquilos os componentes da equipe sob tal subordinação?” 

Com todo respeito aos bombeiros civis, o treinamento insuficiente para atuar em área industrial tão perigosa é alarmante. Durante exercício realizado na Repar nesta semana, um caminhão ficou pelo caminho. Vidas estarão em risco se isso acontecer em situação de atendimento à emergência.

Em meio à luta dos petroleiros e petroleiras por condições dignas e seguras de trabalho, um funcionário terceirizado da Refinaria Presidente Bernardes (RPBC) perdeu a vida no último dia 15, vítima de um infarto, que, segundo informações do Sindipetro-LP, ocorreu após sobrecarga de trabalho, em local insalubre e sob forte calor. José Aderbal Pinheiro tinha 64 anos e atuava como operador de pá para a empresa LSI Logística, que presta serviços para a RPBC com carregamento de coque de petróleo.

Segundo o sindicato, o trabalhador sentiu-se mal durante troca de turno (por volta das 19h) no vestiário da área de carregamento na UCP1. “O resgate foi acionado, mas ele já estava sem os sinais vitais. O atendimento foi feito pela equipe de resgate da RPBC. Houve várias tentativas de reanimação, mas sem sucesso”, informou o Sindipetro Litoral Paulista.

“O petroleiro terceirizado havia laborado uma jornada de 12 horas sob um calor escaldante, em uma área insalubre, contaminada com poeira respirável do coque, e ouvindo um ruído intenso da máquina que operava. Para piorar a situação a pá carregadeira, que havia sido substituída, apresentava vazamento constante, problema que obrigava o terceirizado a descer do equipamento, em uma altura de 3m, e carregar um galão de 20 litros de óleo hidráulico para preencher o reservatório da máquina. Diante dessas condições o companheiro apresentava um nível de estresse muito alto, fadiga e atrelados a uma idade avançada essa somatório se tornou um verdadeiro barril de pólvora o que pode ter culminado na sua morte”, informou o Sindipetro em seu site.

José Aderbal é a quarta vítima fatal de acidentes este ano no Sistema Petrobrás que a FUP teve conhecimento.  Desde 1995, quando a Federação passou a registrar os casos de acidentes fatais informados pelos sindicatos, já chega a 385 o número de trabalhadores que perderam suas vidas em atividades na Petrobrás.  Destes, 314 eram terceirizados. Ou seja, mais de 80% da vítimas.

Para o diretor de SMS da FUP, Alexandro Guilherme Jorge, a morte de um trabalhador terceirizado de 64 anos, que deveria estar gozando a sua aposentadoria, é sinal dos tempos caóticos que estamos vivendo. “Trabalhador em idade avançada, atuando em condições totalmente adversas e em jornada estendida, infelizmente, é sinal deste tempo. É resultado do ataque sistemático do governo aos direitos trabalhistas, às normas de segurança e às representações sindicais e fiscais do trabalho, com aval da bancada patronal. Impossível não correlacionar uma coisa com outra. Só nos resta lamentar mais essa tragédia e conclamar o poder público, auditores fiscais do trabalho, MPT e parlamentares a se somarem a luta diuturna dos dirigentes sindicais e cipistas por melhores condições de trabalho, com segurança e dignidade”.

[FUP com informações do Sindipetro-LP]

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A Federação Única dos Petroleiros (FUP) foi criada em 1994, fruto da evolução histórica do movimento sindical petroleiro no Brasil, desde a criação da Petrobrás, em 1953. É uma entidade autônoma, independente do Estado, dos patrões e dos partidos políticos e com forte inserção em suas bases.