O diretor da área de Saúde, Meio Ambiente e Segurança da FUP, Raimundo Teles dos Santos, participa neste sábado, 10, do programa Debate Petroleiro, que terá como pauta as denúncias sobre tratamento precoce e o uso de Ivermectina receitado por médicos da Petrobras para trabalhadores com sintomaas ou que testaram positivo para o COVID-19. O programa terá também a presença do senador Humberto Costa (PT/PE), ex-ministro da Saúde no primeiro governo Lula. 

Apesar da ivermectina ser um antiparasitário, comumente utilizado no combate a piolhos, sem qualquer eficácia comprovada no tratamento da Covid-19, trabalhadores da Bacia de Campos com sintomas da doença ou já contaminados tiveram o medicamento prescrito pelo setor médico da Petrobrás. O Sindipetro-NF e a FUP receberam várias denúncias nesse sentido, atraindo a atenção da imprensa.

As denúncias tiveram ampla repercussão nas mídias, com mais de 100 matérias veiculadas sobre o fato, inclusive uma ampla reportagem exibida pelo telejornal RJ TV na última quinta-feira, 02. A Petrobrás foi obrigada a se posicionar e disse que a responsabilidade é dos médicos e não da companhia.


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O Sindipetro-NF avalia que os números comprovam a ineficácia da política de prevenção à Covid-19 nas instalações da Petrobrás. Dados da ANP (Agência Nacional de Petróleo, Gás Natural e Biocombustíveis) mostram hoje que 73% dos casos de contaminação entre petroleiros e petroleiras acontecem em plataformas de petróleo

[Da imprensa do Sindipetro-NF]

Desde o início da pandemia da Covid-19, o movimento sindical petroleiro encontra dificuldades em obter da Petrobrás dados sobre os impactos da doença na categoria. Uma resposta a pedido de informações feito à empresa por meio da Lei de Acesso à Informação (LAI), no entanto, contribui para que se tenha a dimensão da tragédia: de março de 2020 a abril de 2021, a companhia registrou 9.487 desembarques sanitários de trabalhadores que estavam a bordo de plataformas dos estados do Rio de Janeiro, Espírito Santo e São Paulo.

O pedido de informações foi feito no dia 5 de abril de 2021 pelo coordenador do Departamento de Comunicação do Sindipetro-NF, Rafael Crespo, como pessoa física, e as respostas foram dadas pela empresa em duas etapas nos últimos dias 5 e 14 de maio.

Primeiro a empresa respondeu sobre o número de desembarques sanitários envolvendo apenas petroleiros e petroleiras contratados diretos da empresa. Neste recorte, o número de desembarques de trabalhadores próprios com suspeita de contaminação (sintomáticos) e de contactantes (assintomáticos com contatos próximos aos suspeitos) chegou a 1.732 entre março de 2020 e início de maio de 2021. Ainda neste segmento, plataformas do Rio de Janeiro são responsáveis pela grande maioria dos desembarques: 1.515.

Após esta primeira resposta da empresa, limitada aos trabalhadores próprios, Crespo apresentou recurso para que fossem incluídos os petroleiros terceirizados. Dessa vez, a empresa respondeu com um quadro genérico, sem estratificação por estados, onde aparece o dado de que quase dez mil petroleiros e petroleiras desembarcaram de unidades da empresa em razão da pandemia (9.487) no somatório de Rio de Janeiro, Espírito Santo e São Paulo. Um novo recurso foi apresentado para que os dados sejam estratificados por estados e a empresa ainda está no prazo para envio das informações.

Nesta segunda resposta, chama a atenção o grande crescimento de casos a partir do final de 2020. O número saltou de 650 em novembro de 2020 para 1.153 em dezembro de 2020, com pico até o momento de 1.326 em março de 2021 — e recuo para 1.218 em abril. Diferentemente do primeiro, este conjunto de dados não incluiu os dados iniciais de maio de 2021.

O Sindipetro-NF avalia que os números comprovam a ineficácia da política de prevenção à Covid-19 nas instalações da Petrobrás. Dados da ANP (Agência Nacional de Petróleo, Gás Natural e Biocombustíveis) mostram hoje que 73% dos casos de contaminação entre petroleiros e petroleiras acontecem em plataformas de petróleo.

O sindicato, junto à FUP e demais sindicatos, apresentaram desde 2020 um conjunto de procedimentos a serem seguidos pela empresa para que haja redução nos riscos de contaminação — incluindo itens como uma proposta de escala que mantenha em 14 dias o embarque, garantia de testes e de máscaras de qualidade e fim das quarentenas de pré-embarque nos hoteis. As recomendações foram avalizadas pelo Ministério Público do Trabalho e pela Fiocruz. Ainda assim a empresa insiste em descumpri-las.

Além de impactar diretamente a categoria petroleira, o grande número de casos em instalações da Petrobrás acaba por aumentar os riscos em cidades onde a empresa opera. Os quase 10 mil possíveis contaminados pela doença foram desembarcados nestes municípios, contribuindo para a disseminação. Embora os dados não cheguem a esse nível de detalhamento, sabe-se que a grande maioria destes desembarques acontecem em Campos dos Goytacazes (RJ), no Heliporto do Farol de São Tomé.

Essa preocupação com os efeitos negativos do comportamento da Petrobrás para as cidades tem levado o Sindipetro-NF a atuar em parceria com as autoridades locais de saúde. No dia 19 de abril passado, diretores da entidade se reuniram com representantes da área de vigilância epidemiológica do município para traçar planos de atuação conjunta no heliporto do Farol e nos hoteis onde a companhia hospeda petroleiros. Uma nova reunião está prevista para hoje.

Greve pela Vida

Em razão da negligência da empresa na prevenção à Covid-19 em suas instalações, a categoria petroleira do Norte Fluminense está em greve desde 0h do dia 4 de maio, sob orientação sindical de cumprimento rigoroso das escalas, turnos e jornadas em todas as unidades da empresa, em terra e no mar.

O Sindipetro-NF vai fornecer alimentação aos petroleiros e petroleiras que chegam para quarentena pré-embarque em hotéis de Campos dos Goytacazes e de Macaé. Como publicado na última sexta, 5, a categoria denuncia que a gestão da companhia está orientando os hotéis a não fornecerem almoço no dia do check in.

O sindicato denuncia que, além de mesquinha para uma empresa do porte da Petrobrás, a medida prejudica a própria quarentena, na medida em que os trabalhadores e trabalhadoras precisam circular no entorno dos hotéis para comprar alimentação.

A diretoria do NF estará em contato com a categoria nos hotéis para monitorar a necessidade dos almoços e fazer o fornecimento. A entidade também cobra da companhia a solução definitiva para o problema.

É muito importante que todos os petroleiros e petroleiras mantenham o sindicato informado sobre as condições de saúde, habitabilidade e segurança, por meio de envio de e-mails para Este endereço de email está sendo protegido de spambots. Você precisa do JavaScript ativado para vê-lo.. O sigilo sobre a identidade do denunciante é mantido pelo NF.

[Da imprensa do Sindipetro-NF]

Publicado em SINDIPETRO-NF

No dia 26 dezembro, último, foi detectado um surto de COVID na plataforma de P-61 após o desembarque de duas pessoas. Até o dia 1 de janeiro já haviam desembarcado 14 pessoas que testaram positivo, cinco deles fizeram o teste por conta própria após terem conhecimento do surto na plataforma.

O Sindipetro-NF novamente denuncia que mais uma vez a Petrobrás não testou todos os trabalhadores a bordo e colocou a vida deles em perigo e de suas famílias, já que permitiu que fossem para casa sem testagem. Também reforça a importância da testagem compulsória de toda unidade, após o embarque ou em caso de positivos a bordo, o que na visão da diretoria de entidade certamente reduziria a contaminação.

Essa sugestão é baseada no procedimento aprovado pela Fiocruz de que, em no máximo uma semana, todos sejam testados a bordo. E o sindicato tem a informação que nesse e em outros casos as pessoas apresentaram sintomas após sete dias embarcadas.

“É importante ressaltar que mesmo agora o vírus pode estar ainda na plataforma. Pois conforme relatado em ata de CIPA alguns trabalhadores tiveram contato no trabalho ou no refeitório com os contaminados. Estes na testagem geral tiveram o resultado negativo, mas podem ser falsos negativos devido a janela de sensibilidade do teste de PCR.
Os trabalhadores solicitaram na reunião da CIPA que haja uma nova testagem geral com o objetivo de descartar essa possibilidade. Mas a empresa permanece irredutível em sua postura” – comenta o Coordenador do Departamento de Saúde do sindicato, Alexandre Vieira.

Vieira explica que o pedido dos trabalhadores está em consonância com vários estudos científicos sobre falsos negativos. Uma pesquisa publicada no site de medicina em seus anais de Coronavírus em agosto de 2020 sobre a Variação na taxa de falsos negativos de testes SARS-CoV-2 mostrou que durante os quatro dias de infecção, antes do tempo típico de início dos sintomas (o quinto dia), ​​a probabilidade de um resultado falso-negativo em uma pessoa infectada diminui de 100% (IC de 95%, 100% a 100%) no primeiro dia,  para 67 % no quarto dia.  A conclusão da pesquisa é de que “deve-se ter cuidado ao interpretar os testes RT-PCR para infecção por SARS-CoV-2 – particularmente no início do curso da infecção – ao usar esses resultados como base para remover as precauções destinadas a prevenir a transmissão progressiva. Se a suspeita clínica for alta, a infecção não deve ser descartada com base apenas na RT-PCR, e a situação clínica e epidemiológica deve ser cuidadosamente considerada”.

No entendimento da diretoria do NF, a empresa não querer ter o cuidado com os testes só demonstra uma falha técnica ou passa por uma decisão econômica que não respeita vidas. Essa postura deve ser fiscalizada e punida pelos órgãos responsáveis.

P-35 em alerta

A plataforma de P-35 está com suspeita de surto de COVID.  De segunda, 4, até ontem, 6, 14 trabalhadores desembarcaram . O NF não tem informação do resultado dos testes, mas está acompanhando o caso também.

[Da imprensa do Sindipetro NF]

A Federação Única dos Petroleiros (FUP) foi criada em 1994, fruto da evolução histórica do movimento sindical petroleiro no Brasil, desde a criação da Petrobrás, em 1953. É uma entidade autônoma, independente do Estado, dos patrões e dos partidos políticos e com forte inserção em suas bases.