A Petrobrás registrou prejuízo líquido de R$ 2,7 bilhões no segundo trimestre deste ano, resultado oposto ao do lucro líquido de R$ 18,9 bilhões obtido no mesmo período de 2019. As perdas seriam ainda maiores, se a empresa tivesse registrado impairments e não tivesse sido beneficiada pelos ganhos fiscais de R$ 10,9 bilhões provenientes da exclusão do ICMS da base de cálculo do PIS/Cofins. “Excluindo esses fatores, o prejuízo seria próximo dos R$ 13,8 bilhões, devido aos impactos da pandemia da Covid-19 em suas operações, com reflexo nos preços, margens e volumes”, destaca o Ineep.

Para além do impacto econômico causado pela pandemia, os resultados reportados pela Petrobrás refletem o desmonte promovido pela gestão Castello Branco. O balanço revela questões preocupantes, como a redução drástica de 24,1% dos investimentos, o menor nível em quase duas décadas. Segundo o Ineep, na média, o investimento deste trimestre retornou aos patamares de 2002.

A redução de 16,4% nas despesas com pessoal (comparativamente ao segundo trimestre de 2019) foi comemorada pelos gestores, a despeito do aumento de 97,9% dos gastos com materiais, serviços, fretes, aluguéis, entre outras despesas extraordinárias, como os PDVs. Segundo o Ineep, apesar da gestão da Petrobrás justificar os cortes com pessoal como forma de preservar o fluxo de caixa, o efeito concreto dessas medidas no segundo trimestre foi uma “economia” de R$ 239 milhões, enquanto o caixa da empresa cresceu R$ 40,7 bilhões no mesmo período.

Outro fato que chama a atenção no balanço da Petrobrás é o aumento da dependência das exportações, principalmente em relação ao mercado chinês. No segundo trimestre, 87% das exportações de petróleo cru foram destinadas ao país asiático. “Embora seja importante no curto prazo, a perpetuação dessa estratégia no longo prazo deixa a Petrobras mais exposta tanto às oscilações do preço do petróleo, como à dinâmica da demanda chinesa”, ressalta o pesquisador do Ineep, Rafael Costa.

Outros pontos destacados pelo Ineep no balanço da Petrobrás: 

Queda de 29,9% na receita de vendas, comparativamente ao segundo trimestre de 2019.

Queda de 39,2% na comercialização de derivados no mercado interno, comparativamente ao segundo trimestre de 2019 – caiu de 2,1 milhões de barris diários para 1,7 milhão de barris/dia.

Aumento de 58,7% das exportações, comparativamente ao segundo trimestre de 2019  - passou de 606 mil barris diários para 962 mil barris por dia. O Ineep, no entanto, ressalta que a receita de vendas no mercado externo se manteve praticamente no mesmo patamar do ano passado, registrando ganhos da ordem de R$ 17,2 bilhões.

Redução de 14,9% na dívida líquida em dólar, comparativamente ao segundo trimestre de 2019 - queda de US$ 83,7 bilhões para US$ 71,2 bilhões, mas a desvalorização do Real fez o endividamento líquido da companhia crescer 21,6% no período (passando de R$ 320,7 bilhões para R$ 390,0 bilhões).

[FUP]

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[Da assessoria do Ineep]

A Petrobras divulga nesta quinta-feira (30/07) o balanço dos seus resultados operacionais e financeiros do segundo trimestre de 2020. A expectativa do Ineep é que a companhia será fortemente afetada pelos impactos da crise do covid-19, em virtude da queda do preço do petróleo (cerca de 40% em relação ao mesmo período do passado), que provocou queda na receita de exportação, e da redução do volume de vendas dos derivados no mercado interno. Nem mesmo o aumento das receitas de exportação de derivados, sobretudo o óleo combustível de tipo bunker, conseguiu reverter os resultados negativos.

Segundo estimativas do Ineep, a expectativa é de que a empresa deva registrar prejuízo líquido em torno de R$ 7,1, bilhões, que representa uma queda de 137% em relação ao mesmo período no ano. Caso não haja receitas ou despesas extraordinárias não anunciadas previamente ou alguma reversão do elevado impairment (valor de recuperação de ativos) de R$ 65,3 bilhões, realizado no 1º trimestre de 2020, em virtude da melhora nas expectativas do preço futuro do petróleo Brent.

Em relação ao EBITDA (lucro antes de juros, impostos, depreciação e amortização), a previsão é de que o resultado negativo chegue a algo próximo a R$ 21,3 bilhões, montante, que comparado a 2019, poderá representar uma queda de 34%.

Esse provável resultado acontecerá, em boa medida, devido à queda expressiva nas receitas de vendas (retração de cerca de 27%, segundo estimativas do Ineep), sobretudo no mercado interno. Resultado dos impactos mais agudos da crise do Covid-19 no país, o encolhimento significativo nas receitas de vendas da Petrobras deve ser puxado, de um lado, pela queda abrupta no volume de vendas da companhia para o mercado interno (de 2,05 milhões bpd no 2T/19 para 1,74 milhão bpd no 2T/20). Esse aspecto acompanhado pela redução dos preços dos combustíveis (sobretudo no diesel, gasolina e querosene para aviação) deve fazer com que a receita de vendas internas despenque para algo em torno de R$ 33,6 bilhões, um tombo de mais 39% quando comparado ao mesmo período do ano passado.

De outro lado, o aumento no volume de exportação de petróleo e derivados tende a suavizar os impactos negativos da queda de receitas no mercado interno, mas não será suficiente para compensar as perdas internas. Isso porque, embora o volume de exportações de petróleo e derivados da Petrobras tenha saltado de 59% quando comparado a 2019 (de 606.000 bpd no 2T/19 para 962.000 bpd no 2T/20), – o preço de exportação também sofreu retração no período em reais (de 41%, no caso do petróleo, e 6% entre os derivados). Com isso, o Ineep estimou que as receitas do mercado externo fiquem em um patamar próximo a R$ 19,1 bilhões, cifra 12% superior ao registrado no ano passado, mas 27% menor que o observado no primeiro trimestre.

Cabe observar que essa redução nas receitas de vendas de exportação foi fruto da redução tanto no preço como na quantidade exportada de óleo cru. Isso mostra a dificuldade em realizar (vender) esse petróleo no mercado mundial em virtude dos efeitos da queda da demanda de petróleo na pandemia e a dificuldade de recuperação econômica nos cenários pós-quarentenas.

Importante frisar que o provável resultado negativo só não deverá ser mais grave em virtude do bom desempenho de vendas de derivados no mercado externo, que apesar de ter sofrido redução de preço no 2T/20, ainda permanece em patamar elevado (cerca de US$ 54,8 por barril no trimestre) se comparado com o preço de petróleo (valor médio de U$ 29,1 por barril no trimestre).

O bom resultado na receita das exportações de derivados se deve ao aumento da participação do óleo combustível (hoje cerca de 67% no trimestre), de baixo teor de enxofre, nas exportação da Petrobras. Vale lembrar que a produção de óleo combustível da Petrobras está diretamente relacionada com a produção das refinarias do Nordeste que estão no plano de privatização da Petrobras, como a RLAM e a RNEST.

Em relação a pandemia, embora a empresa tenha anunciado um pacote de medidas de resiliência, a Petrobras conseguiu aumentar a sua produção e “segurar” a reduçãodo fator de utilização das refinarias. Essas mudanças foram possíveis por conta de dois aspectos.

Em primeiro lugar, pela recuperação da demanda de diesel e gasolina no mercado interno entre maio e junho com relação aos dois meses anteriores, o que fez com que a Petrobras aumentasse tanto as vendas bem como o market share nesses produtos no mercado brasileiro (saltou de 84% para 88% entre o 1T/20 e o 2T/20). Em segundo lugar, pelo aumento da demanda externa por alguns derivados (óleo combustível, sobretudo), o que pode ter indicado uma oportunidade para a Petrobras expandir no mercado externo e mitigar os eventuais prejuízos que a empresa enfrenta nos últimos meses com o mercado interno.

 

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Nesta segunda-feira, 18 de maio, a FUP distribuiu ação na qual pede a demissão de Castello Branco da presidência da Petrobrás.

A gestão do agora réu se caracterizou por uma série de medidas de renúncia ao mercado e a atividades industriais de uma empresa de petróleo integrada.

O resultado foi a fragilização da empresa de uma forma inédita em sua história, tornando a Petrobrás a mais afetada dentre as grandes empresas do ramo, quando veio a crise da pandemia de Covid-19, como demonstra o gráfico abaixo.

A gestão de "liquidação" da Petrobrás será agora analisada pelo Judiciário.

[Assessoria Jurídica da FUP]

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Em live nesta sexta-feira, 15, realizada pela Revista Fórum, o coordenador da FUP, José Maria Rangel, e o economista Eduardo Pinto, pesquisador do Instituto de Estudos Estratégicos de Petróleo, Gás Natural e Biocombustiveis Zé Eduardo Dutra (INEEP), explicaram o que está por trás do prejuízo de R$ 48,5 bilhões, reportado pela Petrobrás no primeiro trimestre deste ano.

Este é o pior resultado já registrado na história da companhia em um trimestre, na contramão do lucro de R$ 4 bilhões que marcou o mesmo período do ano passado.


Leia aqui a análise do INEEP publicada pela revista Carta Capital

Ouça aqui o podcast do INEEP


Para a FUP e o INEEP, o prejuízo não reflete impactos da pandemia da covid-19, já que nos dois primeiros meses do ano, os preços do barril de petróleo e a demanda pelo produto ainda não haviam sido afetados significativamente pela crise do novo coronavírus.

Além disso, a Petrobrás alcançou neste primeiro trimestre R$ 35 bilhões de geração operacional de caixa, 97% a mais do que foi registrado no mesmo período de 2019, segundo levantamento da Subseção do Dieese da FUP.

O principal motivo do prejuízo histórico registrado pela companhia foi a decisão da atual gestão de realizar uma depreciação gigantesca de ativos, os chamados impairments, baixas contábeis de R$ 65,3 bilhões. Depreciações feitas em uma escala muito acima do que outras petrolíferas realizaram no período.

A Total, por exemplo, fez impairments de US$ 3,6 bilhões, quatro vezes menor do que os US$ 13,5 bilhões depreciados pela Petrobrás. No mesmo período, a Exxon Mobil registrou impairments de US$ 2,8 bilhões; a Sinopec, de US$ 1,5 bilhões; a BP, de US$ 1,1 bilhões e a Shell de apenas US$ 750 milhões.

“Como a Petrobrás pode fazer um impairment desta natureza, estimando o preço do petróleo em 50 dólares em 2025? Não temos certeza do que vai acontecer no setor até o final do ano”, questionou o coordenador da FUP, lembrando que o próprio presidente da estatal e sua diretoria fizeram questão de afirmar recentemente para os trabalhadores que o setor petróleo está completamente incerto diante das mudanças geradas pela pandemia.

Ele lembrou que os impairments têm sido uma manobra das últimas gestões da Petrobrás para depreciar o valor dos ativos e, assim, facilitar as privatizações. “Ao desvalorizar os ativos, nesta proporção absurda que fez a gestão da empresa, os valores das privatizações futuras, por mais baixos que sejam, entrarão como lucro nos balanços seguintes”, explicou José Maria, chamando a atenção para as refinarias que foram colocadas à venda. “Como estão cegos para vender refinarias, desvalorizam o preço, entregam na bacia das almas e ainda lançam no balanço como lucro e, assim, fazem parecer que foi um grande negócio”, alertou.

O pesquisador do INEEP, Eduardo Pinto, fez uma análise técnica do balanço da Petrobrás, comparando receitas e despesas da empresa, e reforçou que o prejuízo contábil foi uma decisão muito mais política do que técnica. “Por que a Petrobrás fez um impairment muito maior do que o de outras empresas? Por que subestimou o preço do petróleo para este ano e projetou para o futuro valores tão incertos neste momento?”, questionou.

Para o coordenador da FUP, a resposta é política. “Está muito claro neste balanço, que a gestão Castello Branco continua a pavimentar o caminho para a privatização da empresa, para entrega do patrimônio público a preço de banana”, afirmou.

Veja a íntegra do debate: 

[FUP]

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Em parceria com a Revista Forum, a FUP e o INEEP estiveram AO VIVO, no final da tarde desta sexta-feira, 15, analisando os resultados da Petrobras no primeiro trimestre do ano.

A empresa reportou um prejuízo de R$ 48,5 bilhões, contra um ganho de R$ 4 bilhões no mesmo período do ano passado. Foi o pior resultado já registrado na história da companhia em um trimestre.

O coordenador da FUP, José Maria Rangel, e o pesquisador do INEEP, Eduardo Costa, explicaram o que está por trás destes números e como as privatizações e outras estratégias da gestão Castello Branco comprometem o futuro da petrolífera e, consequentemente, a soberania nacional. 

Assista a íntegra:

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A Petrobras divulga nesta quinta-feira (14) seu balanço dos resultados do primeiro trimestre deste ano. Apesar da crise da Covid-19, os números devem ser bastante positivos. Isso porque a pandemia – que provocou forte redução tanto do consumo interno de derivados como dos preços de petróleo em todo planeta – chegou de maneira mais intensa ao Brasil na segunda quinzena do mês de março, ou seja, ao final do período de análise.

Segundo estimativas do Instituto Estratégicos de Petróleo, Gás Natural e Biocombustíveis (Ineep), a expectativa é que a empresa registre um lucro líquido em torno dos R$ 4,6 bilhões, o que significaria uma expansão próxima de 8,7% em relação o primeiro trimestre do ano passado. Isso caso não sejam incluídas no balanço elevadas receitas ou despesas extraordinárias, como impairments. Uma eventual desvalorização dos ativos por conta da queda dos preços, por exemplo, pode ter impactos significativos no resultado.

O EBITDA ajustado, que é o lucro antes de juros, impostos, depreciação e amortização, deve girar próximo dos R$ 29,3 bilhões, segundo o Ineep. Esse montante é 6,7% superior ao registrado no primeiro trimestre no ano anterior. 


Tabela:  Estimativas do INEEP do Balanço da Petrobras 

 

 

Esse provável resultado positivo é fruto (i) do aumento expressivo na produção de petróleo, que proporcionou a elevação das exportações; e (ii) da ampliação do fator de utilização das refinarias, expandindo a produção de derivados que foram destinados às exportações. 

A produção de petróleo aumentou de 1,97 milhões de barris por dia (bpd) para 2,32 milhões bpd entre os primeiros trimestres de 2019 e 2020, respectivamente. Crescimento de 17,7%, comparado ao mesmo período em 2019, que representou uma expansão de 31,4 milhões de barris. Esse resultado deveu-se aos ramp-up (crescimento da curva de produção) dos sete sistemas que entraram em produção nos campos de Búzios (P-74, P-75, P-76 e P-77), Lula (P-67 e P-69) e Berbigão/Sururu (P-68). 

Essa expansão da produção foi, primordialmente, destinada à exportação de petróleo cru, que cresceu 28,1 milhões de barris entre 1T19 e 1T20. Isso deverá gerar um aumento expressivo das receitas de exportação da ordem de 54%. Cabe destacar que o principal destino das exportações de petróleo foi a China. 

Outra parte desse aumento da produção de petróleo (cerca de 4,8 milhões de barris) foi direcionada para a ampliação da carga fresca processada nas refinarias da Petrobras. O fator de utilização das refinarias de 75% no 1T19 para 79% no 1T20. Com isso, a produção de derivados cresceu 5,5% (de 1,7 milhões bpd no 1T19 para 1,83 milhões bpd no 1T20). 

Dada a queda nas vendas de derivados no mercado nacional (cerca de - 5,5%), a Petrobras direcionou o aumento da sua produção de derivados para o mercado externos. Segundo estimativas do Ineep, a receita de exportação de derivados deve crescer cerca de 100%, entre 1T19 e 1T20, em decorrência da expansão da quantidade exportadas (de 14,9 milhões de barris para 20,3 bilhões de barris) e dos preços estimados de exportação (de 264 reais por barril para 392 reais por barril). 

Esse expressivo desempenho na receita estimada das exportações de derivados está associado, principalmente, ao crescimento nas exportações de óleo bunker (combustível marítimo) e óleo combustível com baixo teor de enxofre com destino ao mercado asiático, principalmente em Cingapura, Hong Kong e China. De acordo com a companhia, esse aumento nas exportações está relacionado com a nova especificação mundial para combustíveis marítimos (IMO 2020), que reduziu o limite de teor de enxofre, criando uma vantagem competitiva para a Petrobras no mercado internacional. 

Segundo dados da Secex sistematizados pelo Ineep, as exportações de óleos combustíveis (diesel, bunker, fuel-oil etc.) cresceram mais de 140% entre 1T19 e o 1T20, saltando de 10,6 milhões de barris para 25,5 milhões de barris. Em valores, as exportações desses produtores aumentaram 168%, o que indica que o preço do barril do óleo combustível também cresceu. 

O bom desempenho no mercado externo (exportações de petróleo e derivados), portanto, poderá ajudar a compensar os efeitos negativos da crise no cenário brasileiro. É importante ressaltar que a produção do pré-sal, assim como de um amplo parque de refino com capacidade de produzir diferentes tipos de derivados permitem à empresa uma estratégia de vendas no exterior mais “flexível” atendendo diferentes tipos de mercados e diferentes tipos de demanda. 

O volume de vendas do diesel e da gasolina caiu em comparação ao primeiro trimestre 2019, respectivamente, 13% e 14%, mas o GLP teve um aumento de 3%, em função do maior consumo doméstico. 

Além do GLP, ocorreu também elevação no volume de vendas de nafta, que registrou uma expansão de 50% em relação ao 1T2019 motivado, por um lado, pelo crescimento da demanda pela Braskem nos dois primeiros meses do ano e, por outro, pelo maior uso do nafta ao invés do gás natural em alguns polos petroquímicos, como o polo Triunfo no Rio Grande do Sul. Segundo o Jornal do Comércio, “no ano passado, a nafta chegou a custar, em média, US$ 500 por tonelada – hoje, o preço está na faixa de US$ 120, com tendência de queda. (...) a rentabilidade das plantas à base nafta deverá se manter enquanto o preço do petróleo permanecer baixo, o que deve durar, pelo menos, até 2021”. 

No entanto, a expansão das vendas desses dois derivados não compensou a enorme queda das vendas da gasolina e diesel, que juntos representaram, no 4T19, cerca de 41% das receitas totais de vendas da Petrobras. 

Apesar dos resultados positivos operacionais e financeiros do balanço no primeiro trimestre de 2020, sobretudo na comparação com mesmo período do ano passado, cabe observar que há uma base de comparação deprimida (1T2019) no que diz respeito à produção de petróleo, em virtude de uma maior concentração de manutenções em plataformas no início de 2019. Quando se observam as comparações da produção e das vendas de petróleo e derivados entre 1T20 e 4T19, há sinais dos primeiros impactos da pandemia na estatal. Esses efeitos devem se aprofundar no segundo trimestre de 2020. 

Cabe ressaltar que parte desse bom resultado no trimestre, associado a expansão das exportações de derivados, está diretamente relacionada à produção das refinarias do Nordeste (RLAM e RNEST, principalmente) que só no primeiro trimestre produziram mais da metade dos óleos combustíveis da Petrobras. Isso evidencia o papel estratégico desses ativos. Atualmente, as refinarias da Bahia e de Pernambuco integram o plano de desinvestimentos da companhia e, se vendidas, podem vir a representar uma significativa perda receitas de vendas da Petrobras frente as novas demandas do mercado internacional, sobretudo no que diz respeito nova regulação IMO 2020. 

Se, por um lado, as exportações de derivados parecem ser uma alternativa oportuna para a Petrobras, no contexto da redução da demanda no mercado interno, a expansão da exportação de petróleo cru é marcada por incertezas estruturais, dado o atual cenário de crise e seus efeitos baixistas sobre o preço internacional do petróleo. Entre janeiro e março de 2020, por exemplo, enquanto preço do barril caiu significativamente, alguns derivados, como o próprio bunker, tiveram uma valorização nesse período. 

Os resultados do balanço da Petrobras devem sinalizar os primeiros efeitos dos impactos da pandemia, que tende a se aprofundar no segundo trimestre de 2020, principalmente se ocorrer uma queda global pelos produtos exportados pela Petrobras. Além disso, deve evidenciar a importância da Petrobras ter uma flexibilidade na gestão dos seus ativos, permitindo obter receitas relevantes atreladas as exportações de petróleo cru, bem como de derivados.

[Via INEEP]

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O anúncio dos resultados da Petrobrás no segundo trimestre de 2019 está sendo festejado pelos gestores da empresa, pelo governo e pelo mercado. Não poderia ser diferente.  Os R$ 18,8 bilhões que a Petrobrás “lucrou” foram obtidos às custas da entrega do patrimônio público, projeto principal da equipe econômica do governo Bolsonaro.

Não por acaso, no mesmo dia do fechamento do balanço da empresa, o ministro do mercado, Paulo Guedes, voltou a repetir que seu objetivo é “vender todas as estatais federais”.

Segundo o INEEP, somente neste segundo trimestre do ano, a Petrobrás aumentou os seus desinvestimentos em US$ 12,7 bilhões, a partir da venda da Transportadora Associada de Gás (TAG), de campos de petróleo e de ativos no exterior, como a Refinaria de Pasadena e o complexo de distribuição de derivados no Paraguai.

Os números do balanço da Petrobrás comprovam a relação direta entre os resultados operacionais e financeiros da empresa e a política de privatização e desinvestimentos, cujo foco é única e exclusivamente gerar lucros para os acionistas e para o sistema financeiro.

Sem investimentos, a produção de petróleo segue estagnada. Entre os segundos trimestres de 2018 e 2019, a produção de óleo e gás caiu 1%, passando de 2,66 milhões de barris por dia para 2,63 milhões de boe/dia.

Para piorar, a gestão da Petrobras tornou a reduzir o plano de investimentos, que caiu de US$ 16 bilhões para US$ 11 bilhões. Segundo o INEEP, a empresa está postergando as atividades de perfuração, o que irá “retardar a exploração e produção de poços com alto potencial de receita” e deixar a companhia “cada vez mais refém dos movimentos internacionais do barril do petróleo e da produção do pré-sal que, diga-se de passagem, ainda não tem sido capaz de alavancar a produção nacional em função da postergação de novos investimentos e do abandono dos campos maduros”.

As refinarias também continuam produzindo com baixa carga. A produção de derivados caiu 4,1% entre o segundo trimestre de 2018 e o segundo trimestre de 2019, passando de 1,841 milhões de barris processados por dia para 1,765 milhões de barris.

Além de servir como álibi para tentar justificar a venda das refinarias, a redução proposital da carga do parque de refino beneficia as importadoras de derivados, que despejam no mercado brasileiro combustíveis trazidos de fora, se aproveitando da política de preços internacionais que é praticada aqui pela Petrobrás. E quem paga a conta dessa equação é o consumidor.

Outra consideração que precisa ser feita em relação aos resultados da Petrobrás é que a empresa continua se beneficiando de fatores externos, como o dólar e o preço do barril do petróleo. Entre o primeiro e o segundo trimestre de 2019, o BRENT aumentou 9%, passando de US$ 63,20 para US$ 68,82, e o dólar subiu 4%, variando de R$3,77 para R$ 3,92.

Ao reduzir o tamanho econômico e a importância política da Petrobrás, a gestão Bolsonaro intensifica a desnacionalização do setor de óleo e gás, colocando para escanteio a indústria nacional, que já está nas cordas em função do desmonte promovido pela Lava Jato. Prejuízo para a sociedade e lucro para os acionistas e investidores estrangeiros.

Quem paga essa conta são milhões de brasileiros desempregados, jovens e adultos sem perspectivas de um futuro digno.

Quem paga a conta são as famílias que foram obrigadas a voltar a cozinhar com lenha ou carvão por causa do preço exorbitante do botijão de gás.

Quem arca com essa conta são os caminhoneiros que continuarão pagando caro pelo diesel importado dos Estados Unidos.

Quem paga a conta é a classe média, que continuará consumindo uma das gasolinas mais caras do planeta.

Quem paga a conta são as crianças e as próximas gerações de brasileiros, que correm o risco de viver em um país sem soberania energética, rico em petróleo, mas dependente e refém das nações estrangeiras.

Enquanto isso, os mercadores festejam os bilhões que lucram com o maior desmonte de uma empresa petrolífera já visto no mundo. Um recorde, de fato.

[FUP]

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Os resultados operacionais e financeiros do 1º semestre devem evidenciar uma política de desinvestimentos que gera caixa no imediato, mas afeta as condições produtivas da empresa no médio e longo prazos. A queda na produção é uma das consequências. 

Leia a nota do INEEP:

A Petrobras divulga amanhã (01/08), após o fechamento do mercado, o seu balanço do primeiro semestre de 2019. A empresa deverá obter resultados financeiros positivos em virtude do aumento dos preços do petróleo em reais, que cresceu 11% (de R$ 229 para R$ 254), uma vez que a produção de petróleo e gás caiu 2,6% e a produção de derivados permaneceu estagnada (-0,4%). 

Caso a venda da TAG seja lançada no balanço do 2º trimestre de 2019, os resultados financeiros da Petrobras serão astronômicos. Segundo estimativas do INEEP, o lucro líquido estimado semestral deve ser da ordem de R$ 40 bilhões no primeiro semestre de 2019. Na situação em que o valor total da venda da TAG seja computado no próximo semestre, o lucro semestral estimado é da ordem de R$ 8,9 bilhões. 

Cabe observar que pelo lado produtivo, observou-se uma queda na produção de petróleo e gás que não foi ainda maior em virtude do crescimento de 12,7% nos campos do pré-sal, resultado da entrada em operação de novos sistemas de produção. Esse resultado negativo provocou a revisão para baixo nas metas de produção da empresa para o ano de 2019, de 2,8 milhões de barris/dia para 2,7 milhões de barris/dia. 

De acordo com a Petrobras, a alteração nas expectativas seria fruto apenas das dificuldades operacionais enfrentadas na fase inicial de novas unidades de produção. Cumpre salientar que tal redução é também explicada por meio das políticas de (i) venda dos campos de petróleo; (ii) redução de investimentos para recuperação de óleo em campos maduros; e (iii) retração no custeio de novos projetos de exploração desde o final de 2015. Nesse sentido, os ganhos com o aumento do preço do petróleo poderiam ter sido ainda maiores se a Petrobras não tivesse adotado a política de desinvestimentos. 

Com esse aumento do preço do petróleo e a redução dos custos de extração/lifting cost, a área de E&P (exploração e produção) deverá ser o principal segmento da expansão dos lucros do primeiro semestre de 2019. 

Outro destaque diz respeito a situação da área de abastecimento (refino, transporte e comercialização), cujo resultado operacional possivelmente irá crescer pouco, mesmo com o aumento dos preços internos dos derivados e com a expansão das vendas em 1,1%.  Esse crescimento tímido será influenciado negativamente pela queda na receita das exportações de petróleo cru, dado o decrescimento da exportação em 1,5% e a redução do preço de exportação em 2,5%, e pelo aumento dos custos de importação dos derivados com o aumento da participação da Petrobras, que está descolando importadores privados.  

Apesar do aumento das importações de derivados, a produção das refinarias da Petrobras ficou estagnada no semestre em relação ao mesmo período do ano anterior, mesmo com o aumento das vendas da empresa. Dado esse contexto, a receita de vendas do abastecimento deve crescer numa velocidade bem menor do que a observada nos custos dos produtos e serviços vendidos, implicando na redução dos lucros da área. 

Em parte, isso se deve à estagnação do FUT do parque de refino da Petrobras no 1º semestre de 2019 de 75%, mesmo patamar do mesmo período em 2018, mesmo com o aumento das vendas de derivados em 1,1%. Com isso, a Petrobras aumentou as suas importações de derivados em 35%, sobretudo de diesel e gasolina, mesmo tendo capacidade ociosa em refinarias cuja disponibilidade de unidades de conversão (coqueamento e craqueamento catalítico) permitiria refinar petróleo obtendo esses tipos de derivados com eficiência econômica. Um exemplo disso é a RNEST/PE, refinaria pernambucana com alto padrão tecnológico e que já chegou a operar em 2016 com fator de utilização superior a 85%, mas que no último semestre teve a sua produção reduzida em 69,9%. 

A queda na produção de petróleo, atrelado a estagnação do FUT das refinarias, provavelmente não provocará queda no EBITDA ajustado (lucro antes de juros, depreciação e amortização) do refino no 1º semestre de 2019. 

Pelo lado do endividamento, os resultados do balanço deverão sinalizar a política em curso de acelerada desalavancagem (relação dívida líquida/LTM EBITDA), que tem como um de seus eixos a estratégia de adiantar o pagamento de dívidas junto aos seus credores, que está impactando negativamente na produção de petróleo. Com as receitas oriundas das vendas de ativos, a Petrobrás deverá reduzir o nível de endividamento.   

Os resultados operacionais e financeiros do balanço do 1º semestre de 2019 da Petrobras evidenciarão uma política de desinvestimentos que gera caixa no curto prazo, mas afeta as condições produtivas da empresa no médio e longo prazo, como, por exemplo, a redução da produção de petróleo e gás verificada nesse semestre. 

Em todo caso, as perspectivas na produção de petróleo, principalmente por conta do pré-sal, devem garantir um futuro promissor à empresa, desde que não ocorram novas turbulências no mercado internacional que reduzam o preço do barril do petróleo. A atual situação da empresa, já permite uma nova ascensão dos seus investimentos, mas isso dependerá de uma visão estratégica da nova gestão da companhia que parece caminhar em outra direção.

[INEEP]

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Em podcast divulgado nesta quarta-feira. 08, os pesquisadores do Instituto de Estudos Estratégicos de Petróleo, Gás Natural e Biocombustíveis Zé Eduardo Dutra (INEEP), Rodrigo Leão e Eduardo Costa Pinto, avaliam os resultados do primeiro trimestre da Petrobrás.

Principais pontos destacados:

> Queda do preço do barril do petróleo (R$ 258,00 para R$ 238,00).

> Melhora do resultado no refino (maior geração de valor com o preço mais baixo).

> A melhora no resultado do E&P está relacionada aos impairments do quarto trimestre de 2018, que aumentaram excepcionalmente o custo naquele período. Caso contrário, teria caído.

> Os resultados comprovam que, em momentos de queda do preço do petróleo, o refino tem um efeito de contrabalançar a queda nos resultados do E&P.

Ouça a análise: 

Publicado em Sistema Petrobrás

A Petrobrás registrou lucro de R$ 4 bilhões no primeiro trimestre de 2019, montante 44% abaixo dos R$ 7,1 bilhões obtidos no mesmo período do ano passado.

Fatores externos que vinham contribuindo para os resultados positivos da empresa, como o câmbio, o aumento do preço do barril do petróleo e a alta lucratividade do pré-sal, tiveram influência menor sobre o lucro, que foi comprometido, principalmente, pelos cortes nos investimentos e transferências de recursos para o pagamento de dívidas.

Nos três primeiros meses de 2019, os investimentos da Petrobrás sofreram redução de 30%, em relação ao trimestre anterior, sendo que no setor de refino, transporte e comercialização de derivados, os cortes foram de 44%.   

A drástica redução de investimentos, que vem sendo imposta desde a gestão de Pedro Parente, comprometeu a produção da Petrobrás, que vem caindo trimestre após trimestre, mesmo com a entrada em operação de novas unidades de produção de petróleo. Entre os primeiros trimestres de 2019 e 2018, a queda foi de 5%, sendo que nas áreas do pós-sal chegou a 18% e nas águas rasas a 17%.

Os resultados da empresa também reforçam a ação deliberada dos gestores de desmobilização do parque de refino, tentando impor prejuízos ao setor para justificar a sua privatização.

O preço do petróleo nacional que o E&P da Petrobrás repassou para as refinarias (a chamada carga fresca) aumentou 16% entre os primeiros trimestres de 2018 e 2019. Variação bem superior ao do mercado internacional (Brent), cujos preços do barril em real aumentaram 10% nesse mesmo período.  “Isso produz em termos contábeis um prejuízo no abastecimento e um maior lucro para a área de E&P”, explica Rodrigo Leão, diretor técnico do Instituto de Estudos Estratégicos de Petróleo, Gás Natural e Biocombustíveis Zé Eduardo Dutra (INEEP).

Os resultados da Petrobrás evidenciam que não há sentido, nem justificativas para a venda de ativos que são fundamentais na geração de caixa da empresa. "A cada resultado da Petrobrás que é apresentado à sociedade brasileira, fica mais claro qual foi a intenção da operação Lava Jato: desestruturar o setor de Óleo & Gás no Brasil, destruir a Petrobrás e entregar de bandeja nossas riquezas para o capital internacional. A FUP e seus sindicatos continuarão resistindo contra a entrega que Castello Branco e sua turma querem fazer. A luta dos petroleiros e petroleiras vai desmascarar esses entreguistas", avisa o coordenador da FUP, José Maria Rangel.


Dados relevantes dos resultados da Petrobrás destacados pelo INEEP  (comparação entre o primeiro trimestre de 2019  e o quarto trimestre de 2018):

> Queda do preço do barril do petróleo (R$ 258,00 para R$ 238,00).

> Melhora do resultado no refino (maior geração de valor com o preço mais baixo).

> A melhora no resultado do E&P está relacionada aos impairments do quarto trimestre de 2018, que aumentaram excepcionalmente o custo naquele período. Caso contrário, teria caído.

> Os resultados comprovam que, em momentos de queda do preço do petróleo, o refino tem um efeito de contrabalançar a queda nos resultados do E&P.

> A própria Petrobrás reconhece a melhora do resultado do refino: “O maior lucro bruto no 1T19 deve-se à melhor margem de comercialização de petróleo e derivados, pois apesar dos menores volumes e receitas de vendas, a redução proporcional do CPV foi maior. Tal redução decorre do fato de que no 4T18 ocorreram realização de estoques formados a custos mais altos”.

 Ouça o podcast do INEEP, com avaliação dos resultados da Petrobrás neste primeiro trimestre do ano:

 

 

[FUP]

Publicado em Sistema Petrobrás
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