O anúncio dos resultados da Petrobrás no segundo trimestre de 2019 está sendo festejado pelos gestores da empresa, pelo governo e pelo mercado. Não poderia ser diferente.  Os R$ 18,8 bilhões que a Petrobrás “lucrou” foram obtidos às custas da entrega do patrimônio público, projeto principal da equipe econômica do governo Bolsonaro.

Não por acaso, no mesmo dia do fechamento do balanço da empresa, o ministro do mercado, Paulo Guedes, voltou a repetir que seu objetivo é “vender todas as estatais federais”.

Segundo o INEEP, somente neste segundo trimestre do ano, a Petrobrás aumentou os seus desinvestimentos em US$ 12,7 bilhões, a partir da venda da Transportadora Associada de Gás (TAG), de campos de petróleo e de ativos no exterior, como a Refinaria de Pasadena e o complexo de distribuição de derivados no Paraguai.

Os números do balanço da Petrobrás comprovam a relação direta entre os resultados operacionais e financeiros da empresa e a política de privatização e desinvestimentos, cujo foco é única e exclusivamente gerar lucros para os acionistas e para o sistema financeiro.

Sem investimentos, a produção de petróleo segue estagnada. Entre os segundos trimestres de 2018 e 2019, a produção de óleo e gás caiu 1%, passando de 2,66 milhões de barris por dia para 2,63 milhões de boe/dia.

Para piorar, a gestão da Petrobras tornou a reduzir o plano de investimentos, que caiu de US$ 16 bilhões para US$ 11 bilhões. Segundo o INEEP, a empresa está postergando as atividades de perfuração, o que irá “retardar a exploração e produção de poços com alto potencial de receita” e deixar a companhia “cada vez mais refém dos movimentos internacionais do barril do petróleo e da produção do pré-sal que, diga-se de passagem, ainda não tem sido capaz de alavancar a produção nacional em função da postergação de novos investimentos e do abandono dos campos maduros”.

As refinarias também continuam produzindo com baixa carga. A produção de derivados caiu 4,1% entre o segundo trimestre de 2018 e o segundo trimestre de 2019, passando de 1,841 milhões de barris processados por dia para 1,765 milhões de barris.

Além de servir como álibi para tentar justificar a venda das refinarias, a redução proposital da carga do parque de refino beneficia as importadoras de derivados, que despejam no mercado brasileiro combustíveis trazidos de fora, se aproveitando da política de preços internacionais que é praticada aqui pela Petrobrás. E quem paga a conta dessa equação é o consumidor.

Outra consideração que precisa ser feita em relação aos resultados da Petrobrás é que a empresa continua se beneficiando de fatores externos, como o dólar e o preço do barril do petróleo. Entre o primeiro e o segundo trimestre de 2019, o BRENT aumentou 9%, passando de US$ 63,20 para US$ 68,82, e o dólar subiu 4%, variando de R$3,77 para R$ 3,92.

Ao reduzir o tamanho econômico e a importância política da Petrobrás, a gestão Bolsonaro intensifica a desnacionalização do setor de óleo e gás, colocando para escanteio a indústria nacional, que já está nas cordas em função do desmonte promovido pela Lava Jato. Prejuízo para a sociedade e lucro para os acionistas e investidores estrangeiros.

Quem paga essa conta são milhões de brasileiros desempregados, jovens e adultos sem perspectivas de um futuro digno.

Quem paga a conta são as famílias que foram obrigadas a voltar a cozinhar com lenha ou carvão por causa do preço exorbitante do botijão de gás.

Quem arca com essa conta são os caminhoneiros que continuarão pagando caro pelo diesel importado dos Estados Unidos.

Quem paga a conta é a classe média, que continuará consumindo uma das gasolinas mais caras do planeta.

Quem paga a conta são as crianças e as próximas gerações de brasileiros, que correm o risco de viver em um país sem soberania energética, rico em petróleo, mas dependente e refém das nações estrangeiras.

Enquanto isso, os mercadores festejam os bilhões que lucram com o maior desmonte de uma empresa petrolífera já visto no mundo. Um recorde, de fato.

[FUP]

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Os resultados operacionais e financeiros do 1º semestre devem evidenciar uma política de desinvestimentos que gera caixa no imediato, mas afeta as condições produtivas da empresa no médio e longo prazos. A queda na produção é uma das consequências. 

Leia a nota do INEEP:

A Petrobras divulga amanhã (01/08), após o fechamento do mercado, o seu balanço do primeiro semestre de 2019. A empresa deverá obter resultados financeiros positivos em virtude do aumento dos preços do petróleo em reais, que cresceu 11% (de R$ 229 para R$ 254), uma vez que a produção de petróleo e gás caiu 2,6% e a produção de derivados permaneceu estagnada (-0,4%). 

Caso a venda da TAG seja lançada no balanço do 2º trimestre de 2019, os resultados financeiros da Petrobras serão astronômicos. Segundo estimativas do INEEP, o lucro líquido estimado semestral deve ser da ordem de R$ 40 bilhões no primeiro semestre de 2019. Na situação em que o valor total da venda da TAG seja computado no próximo semestre, o lucro semestral estimado é da ordem de R$ 8,9 bilhões. 

Cabe observar que pelo lado produtivo, observou-se uma queda na produção de petróleo e gás que não foi ainda maior em virtude do crescimento de 12,7% nos campos do pré-sal, resultado da entrada em operação de novos sistemas de produção. Esse resultado negativo provocou a revisão para baixo nas metas de produção da empresa para o ano de 2019, de 2,8 milhões de barris/dia para 2,7 milhões de barris/dia. 

De acordo com a Petrobras, a alteração nas expectativas seria fruto apenas das dificuldades operacionais enfrentadas na fase inicial de novas unidades de produção. Cumpre salientar que tal redução é também explicada por meio das políticas de (i) venda dos campos de petróleo; (ii) redução de investimentos para recuperação de óleo em campos maduros; e (iii) retração no custeio de novos projetos de exploração desde o final de 2015. Nesse sentido, os ganhos com o aumento do preço do petróleo poderiam ter sido ainda maiores se a Petrobras não tivesse adotado a política de desinvestimentos. 

Com esse aumento do preço do petróleo e a redução dos custos de extração/lifting cost, a área de E&P (exploração e produção) deverá ser o principal segmento da expansão dos lucros do primeiro semestre de 2019. 

Outro destaque diz respeito a situação da área de abastecimento (refino, transporte e comercialização), cujo resultado operacional possivelmente irá crescer pouco, mesmo com o aumento dos preços internos dos derivados e com a expansão das vendas em 1,1%.  Esse crescimento tímido será influenciado negativamente pela queda na receita das exportações de petróleo cru, dado o decrescimento da exportação em 1,5% e a redução do preço de exportação em 2,5%, e pelo aumento dos custos de importação dos derivados com o aumento da participação da Petrobras, que está descolando importadores privados.  

Apesar do aumento das importações de derivados, a produção das refinarias da Petrobras ficou estagnada no semestre em relação ao mesmo período do ano anterior, mesmo com o aumento das vendas da empresa. Dado esse contexto, a receita de vendas do abastecimento deve crescer numa velocidade bem menor do que a observada nos custos dos produtos e serviços vendidos, implicando na redução dos lucros da área. 

Em parte, isso se deve à estagnação do FUT do parque de refino da Petrobras no 1º semestre de 2019 de 75%, mesmo patamar do mesmo período em 2018, mesmo com o aumento das vendas de derivados em 1,1%. Com isso, a Petrobras aumentou as suas importações de derivados em 35%, sobretudo de diesel e gasolina, mesmo tendo capacidade ociosa em refinarias cuja disponibilidade de unidades de conversão (coqueamento e craqueamento catalítico) permitiria refinar petróleo obtendo esses tipos de derivados com eficiência econômica. Um exemplo disso é a RNEST/PE, refinaria pernambucana com alto padrão tecnológico e que já chegou a operar em 2016 com fator de utilização superior a 85%, mas que no último semestre teve a sua produção reduzida em 69,9%. 

A queda na produção de petróleo, atrelado a estagnação do FUT das refinarias, provavelmente não provocará queda no EBITDA ajustado (lucro antes de juros, depreciação e amortização) do refino no 1º semestre de 2019. 

Pelo lado do endividamento, os resultados do balanço deverão sinalizar a política em curso de acelerada desalavancagem (relação dívida líquida/LTM EBITDA), que tem como um de seus eixos a estratégia de adiantar o pagamento de dívidas junto aos seus credores, que está impactando negativamente na produção de petróleo. Com as receitas oriundas das vendas de ativos, a Petrobrás deverá reduzir o nível de endividamento.   

Os resultados operacionais e financeiros do balanço do 1º semestre de 2019 da Petrobras evidenciarão uma política de desinvestimentos que gera caixa no curto prazo, mas afeta as condições produtivas da empresa no médio e longo prazo, como, por exemplo, a redução da produção de petróleo e gás verificada nesse semestre. 

Em todo caso, as perspectivas na produção de petróleo, principalmente por conta do pré-sal, devem garantir um futuro promissor à empresa, desde que não ocorram novas turbulências no mercado internacional que reduzam o preço do barril do petróleo. A atual situação da empresa, já permite uma nova ascensão dos seus investimentos, mas isso dependerá de uma visão estratégica da nova gestão da companhia que parece caminhar em outra direção.

[INEEP]

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Em podcast divulgado nesta quarta-feira. 08, os pesquisadores do Instituto de Estudos Estratégicos de Petróleo, Gás Natural e Biocombustíveis Zé Eduardo Dutra (INEEP), Rodrigo Leão e Eduardo Costa Pinto, avaliam os resultados do primeiro trimestre da Petrobrás.

Principais pontos destacados:

> Queda do preço do barril do petróleo (R$ 258,00 para R$ 238,00).

> Melhora do resultado no refino (maior geração de valor com o preço mais baixo).

> A melhora no resultado do E&P está relacionada aos impairments do quarto trimestre de 2018, que aumentaram excepcionalmente o custo naquele período. Caso contrário, teria caído.

> Os resultados comprovam que, em momentos de queda do preço do petróleo, o refino tem um efeito de contrabalançar a queda nos resultados do E&P.

Ouça a análise: 

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A Petrobrás registrou lucro de R$ 4 bilhões no primeiro trimestre de 2019, montante 44% abaixo dos R$ 7,1 bilhões obtidos no mesmo período do ano passado.

Fatores externos que vinham contribuindo para os resultados positivos da empresa, como o câmbio, o aumento do preço do barril do petróleo e a alta lucratividade do pré-sal, tiveram influência menor sobre o lucro, que foi comprometido, principalmente, pelos cortes nos investimentos e transferências de recursos para o pagamento de dívidas.

Nos três primeiros meses de 2019, os investimentos da Petrobrás sofreram redução de 30%, em relação ao trimestre anterior, sendo que no setor de refino, transporte e comercialização de derivados, os cortes foram de 44%.   

A drástica redução de investimentos, que vem sendo imposta desde a gestão de Pedro Parente, comprometeu a produção da Petrobrás, que vem caindo trimestre após trimestre, mesmo com a entrada em operação de novas unidades de produção de petróleo. Entre os primeiros trimestres de 2019 e 2018, a queda foi de 5%, sendo que nas áreas do pós-sal chegou a 18% e nas águas rasas a 17%.

Os resultados da empresa também reforçam a ação deliberada dos gestores de desmobilização do parque de refino, tentando impor prejuízos ao setor para justificar a sua privatização.

O preço do petróleo nacional que o E&P da Petrobrás repassou para as refinarias (a chamada carga fresca) aumentou 16% entre os primeiros trimestres de 2018 e 2019. Variação bem superior ao do mercado internacional (Brent), cujos preços do barril em real aumentaram 10% nesse mesmo período.  “Isso produz em termos contábeis um prejuízo no abastecimento e um maior lucro para a área de E&P”, explica Rodrigo Leão, diretor técnico do Instituto de Estudos Estratégicos de Petróleo, Gás Natural e Biocombustíveis Zé Eduardo Dutra (INEEP).

Os resultados da Petrobrás evidenciam que não há sentido, nem justificativas para a venda de ativos que são fundamentais na geração de caixa da empresa. "A cada resultado da Petrobrás que é apresentado à sociedade brasileira, fica mais claro qual foi a intenção da operação Lava Jato: desestruturar o setor de Óleo & Gás no Brasil, destruir a Petrobrás e entregar de bandeja nossas riquezas para o capital internacional. A FUP e seus sindicatos continuarão resistindo contra a entrega que Castello Branco e sua turma querem fazer. A luta dos petroleiros e petroleiras vai desmascarar esses entreguistas", avisa o coordenador da FUP, José Maria Rangel.


Dados relevantes dos resultados da Petrobrás destacados pelo INEEP  (comparação entre o primeiro trimestre de 2019  e o quarto trimestre de 2018):

> Queda do preço do barril do petróleo (R$ 258,00 para R$ 238,00).

> Melhora do resultado no refino (maior geração de valor com o preço mais baixo).

> A melhora no resultado do E&P está relacionada aos impairments do quarto trimestre de 2018, que aumentaram excepcionalmente o custo naquele período. Caso contrário, teria caído.

> Os resultados comprovam que, em momentos de queda do preço do petróleo, o refino tem um efeito de contrabalançar a queda nos resultados do E&P.

> A própria Petrobrás reconhece a melhora do resultado do refino: “O maior lucro bruto no 1T19 deve-se à melhor margem de comercialização de petróleo e derivados, pois apesar dos menores volumes e receitas de vendas, a redução proporcional do CPV foi maior. Tal redução decorre do fato de que no 4T18 ocorreram realização de estoques formados a custos mais altos”.

 Ouça o podcast do INEEP, com avaliação dos resultados da Petrobrás neste primeiro trimestre do ano:

 

 

[FUP]

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A Petrobrás anunciou na noite desta quarta-feira, 27, os resultados financeiros e operacionais de 2018. A empresa registrou lucro líquido de R$ 25,7 bilhões, influenciada principalmente pelo câmbio, pelo aumento do preço do barril do petróleo e pela lucratividade do pré-sal, que, sem os investimentos feitos entre 2003 e 2014, jamais teria sido descoberto e desenvolvido. Ao longo de 2018, o barril do petróleo teve um aumento em reais de 50%, saltando de R$ 173,30 para R$ 260,20, o que impactou diretamente nas receitas que a Petrobrás obteve no setor de exploração e produção.

Mesmo com a entrada em operação de quatro novos sistemas de exploração, a empresa amargou uma queda de 5% na produção de petróleo, em função das privatizações e dos desinvestimentos do governo Temer. Foi a maior queda anual na produção desde 2003, o que levou a Petrobrás a ficar abaixo da meta de 2.100 milhões de barris de petróleo por dia, que havia sido estipulada para 2018.

Contribuiu para essa queda a venda de 25% do campo de Roncador para a petroleira norueguesa Equinor (ex-Statoil) e a redução de investimentos nos campos maduros do pós-sal, o que fez a produção cair drasticamente. O impacto só não foi maior nos resultados da empresa, em função do aumento de 32% do preço internacional do barril do petróleo e da desvalorização cambial de 14%. 

Em função desses fatores externos à gestão da Petrobrás, o lucro do E&P dobrou, saltando de R$ 33,6 bilhões para R$ 66,5 bilhões. Não é à toa que a estratégia da empresa continua sendo jogar todas as fichas no pré-sal, que até pouco tempo atrás era menosprezado pelo privatista Pedro Parente, da mesma linha neoliberal do atual presidente Roberto Castello Branco.

Segundo o Instituto de Estudos Estratégicos de Petróleo, Gás Natural e Biocombustíveis Zé Eduardo Dutra (INEEP), os resultados da Petrobrás poderiam ser ainda melhores se não fossem os desinvestimentos que a empresa fez no E&P. “Com a política de desinvestimentos em curso, deve evidenciar também que a Petrobrás perdeu a oportunidade de auferir resultados operacionais ainda mais expressivos. Nesse novo contexto, caberá questionar o sentido de continuar com uma estratégia de desinvestimento tão acelerada, inclusive de campos do pré-sal, que são fundamentais para geração de caixa presente e futura da empresa”, destacou o instituto. 

 Principais pontos dos resultados financeiros e operacionais da Petrobrás ressaltados pelo INEEP:

  • Lucro de R$ 25,7 bilhões em 2018 frente ao prejuízo de R$ 446 milhões em 2017
  • Receita aumentou 23%, passando de R$ 283,7 bilhões para R$ 349,8 bilhões
  • Lucro do E&P aumentou de R$ 33,6 bilhões para R$ 66,5 bilhões
  • Lucro do Refino caiu de R$ 13 bilhões para R$ 8,4 bilhões. Apesar da queda do custo do refino, houve uma redução das vendas de derivados em 5%, influenciado, principalmente, pela perda de mercado para os derivados importados.
  • Endividamento líquido foi reduzido em apenas 4%, caindo de R$ 280 bilhões para R$ 268 bilhões, mas a relação EL/EBITDA caiu de forma expressiva de 3,67 para 2,34, entre 2017 e 2018. Isso se explica pelo aumento do EBITDA, que saiu de R$ 76,5 bi para R$ 114,8 bi. Essa melhora do EBITDA pouco tem relação com os desinvestimentos, uma vez que eles representaram somente R$ 6 bilhões em 2018. A melhora está relacionada aos resultados operacionais.
  • Os investimentos cresceram 2%, mas praticamente concentrados no E&P. Houve queda nos investimento do Gáás e Energia e estagnação no Refino.
  • A queda na produção não foi maior porque a produção do pré-sal teve uma alta de mais de 5%.

Ouça aqui o podcast com a análise do INEEP

[FUP]

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A Petrobras divulgará nesta quarta (27/11) o seu balanço anual de 2018. A expectativa é de que a empresa obtenha uma expressiva expansão dos lucros que deverão alcançar o patamar em torno de R$ 30 bilhões, segundo estimativa do Instituto de Estudos Estratégicos de Petróleo, Gás Natural e Biocombustíveis (Ineep), desde que despesas excepcionais, como gastos envolvendo a Fundação de Previdência (Petros), não afetem o resultado da companhia. 


Segundo estimativas do Ineep, a geração de caixa operacional, medida pelo Ebitda ajustado (lucro antes de juros, impostos, depreciação e amortização), também deve subir em 2018 alcançando o valor de R$ 113 bilhões, alta de 42% na comparação com o ano anterior.


Esse provável resultado favorável ocorrerá mesmo com a redução da produção de petróleo e gás de 5,5% (de 2.154 milhões de barris por dia em 2017 para 2.035 milhões de barris por dia em 2018) que não conseguiu se elevar apesar da entrada em operação de quatro novos sistemas de produção. Cabe observar que essa é a maior queda anual na produção de petróleo desde 2003 e abaixo da meta estipulada pela Petrobras de 2.100 milhões de barris por dia em 2018. Essa diminuição ocorreu em virtude da venda de campos em operação (política de desinvestimento) – como, por exemplo, a venda de 25% de Roncador para a petroleira norueguesa Equinor (ex-Statoil) – e da produção inferior dos campos maduros do pós-sal com a redução dos investimentos.


No entanto, essa queda foi muito mais que compensada pelo aumento de 51% no preço do petróleo em reais, entre 2017 e 2018, explicado pelo crescimento de 32% no preço do barril Brent e da desvalorização cambial de 14%. Com isso, o aumento das receitas de vendas foi de R$ 63 bilhões, saindo de R$ 283 bilhões em 2017 para R$346 bilhões em 2018, segundo estimativas do Ineep, sobretudo na área de exploração e produção (E&P) de petróleo e gás.


Cabe fazer um destaque sobre a situação do de abastecimento, cuja receita de vendas estimada deverá elevar-se em 25,6% em 2018, no cotejo com o ano anterior, segundo estimativas do Ineep. No mercado nacional, a receita de vendas de derivados da Petrobras deverá crescer 26,5%, fruto exclusivamente do aumento dos preços internos dos derivados (que acompanharam a subida do preço do Brent), pois as suas vendas deverão apresentar queda de 4%.


Deve-se observar que a mudança na estratégia do refino da Petrobras, em curso desde o 2º trimestre de 2018, após a greve dos caminhoneiros, quando a empresa passou a desempenhar um papel ativo, deslocando a importações de terceiros e ampliando a carga processada das refinarias, permitiu a empresa auferir maiores margens e lucros como observadas nos balanços do 2º e 3º trimestres de 2018. 


No entanto, com o incêndio ocorrido na Replan, maior refinaria do país, fez-se necessário reduzir, em quase pela metade, o seu nível de utilização. Isso implicou numa menor produção de diesel e gasolina (nos 3º e 4º trimestre de 2018), provocando um aumento da importação de derivados pela Petrobras que deverá se refletir na redução das margens da área de abastecimento. Além disso, a expansão do preço do petróleo também reduz as margens do refino, uma vez que o petróleo é um insumo básico para a produção de derivados.


Pelo lado do endividamento, os resultados do balanço deverão sinalizar a política em curso de acelerada desalavancagem. Com o provável aumento do Ebitda ajustado e o processo de desinvestimentos (para adiantar pagamentos de dívidas) a relação dívida líquida Ebitda deverá cair em 2018, mesmo com a desvalorização cambial que eleva a dívida em reais.


Os possíveis resultados operacionais e financeiros do balanço de 2018 da Petrobrás devem evidenciar uma melhora do cenário externo (aumento do preço do Brent), e do perfil da dívida. Todavia, com a política de desinvestimentos em curso, deve evidenciar também que a empresa perdeu a oportunidade de auferir resultados operacionais ainda mais expressivos. Nesse novo contexto, caberá questionar o sentido de continuar com uma estratégia de desinvestimento tão acelerada, inclusive de campos do pré-sal, que são fundamentais para geração de caixa presente e futura da Petrobras.


Em todo caso, as promissoras perspectivas na produção de petróleo, principalmente por conta do pré-sal, devem garantir um futuro promissor à empresa, desde que não ocorreram novas turbulências no mercado internacional que reduzam o preço do barril do petróleo. E, atual situação da empresa, já permite uma nova ascensão dos seus investimentos, mas isso dependerá de uma visão estratégica da nova gestão da companhia.

[Via Blog do INEEP]

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Beneficiada por indicadores externos, como a valorização dos preços do barril de petróleo e a subvenção do diesel pelo governo federal, a Petrobrás fechou o terceiro trimestre de 2018 com um lucro líquido de R$ 6,64 bilhões. Apesar do valor ter caído 34% em relação ao trimestre anterior, quando a empresa registrou R$ 9,7 bilhões de lucro líquido, a Petrobrás já acumula R$ 23,6 bilhões de lucro em 2018. Os resultados positivos da empresa são reflexos, principalmente, do aumento de 81% do preço do barril do petróleo, registrado entre os terceiros trimestres de 2017 e de 2018.

“Como vínhamos avisando, a crise pela qual a Petrobrás passou foi eminentemente conjuntural e não estrutural, como alegavam os gestores e o mercado para justificar as privatizações”, afirma o coordenador da FUP, José Maria Rangel. “O caminho para a recuperação da empresa é retomar os investimentos e não o contrário. Os resultados da companhia refletem isso”, destaca.

O lucro da Petrobrás neste terceiro trimestre poderia ter sido maior, não fossem os R$ 3,5 bilhões que a empresa despendeu com os acordos judiciais firmados em 27 de setembro com as autoridades dos Estados Unidos para encerrar investigações do Departamento de Justiça (DOJ) e Securities & Exchange Commission (SEC).

Assim como no trimestre anterior, o resultado da companhia também foi impulsionado pela ampliação da sua participação no mercado de derivados (o volume de vendas aumentou 2,9%), principalmente em função do subsídio do diesel. “Com o preço subsidiado, a Petrobrás ocupou o espaço das importadoras de derivados e, por outro lado, recebeu um montante compensatório de subvenção na ordem de R$ 1,6 bilhão neste terceiro trimestre”, explica Rodrigo Leão, diretor técnico do Instituto de Estudos Estratégicos de Petróleo, Gás Natural e Biocombustíveis Zé Eduardo Dutra (Ineep).

Outro fator que tem sido determinante para os resultados positivos da Petrobrás é a alta produtividade do Pré-Sal, que, em setembro, atingiu a marca de 1,783 milhão de barris de óleo equivalente por dia, o que já representa 55,8% de toda a produção brasileira. Não à toa, o segmento de Exploração e Produção (E&P) da empresa registrou lucro operacional de R$ 12,3 bilhões no terceiro trimestre, um aumento de 190% em relação ao mesmo período de 2017.

Só o E&P consumiu 89% dos R$ 32,3 bilhões de investimentos feitos pela Petrobrás ao longo dos três trimestres do ano. Neste terceiro trimestre, os investimentos do setor cresceram 39%, retomando a um patamar próximo ao do terceiro trimestre de 2015. Para Rodrigo isso reflete a intenção da empresa em acelerar a produção do Pré-Sal. Ele, no entanto, alerta que, apesar do potencial destas reservas, "a produção de petróleo e LGN diminuiu 5% em relação ao segundo trimestre de 2018, principalmente pela cessão dos direitos de parte de Roncador”.

Mesmo com a desaceleração dos desinvestimentos, a Petrobrás já acumula R$ 16,8 bilhões em vendas de ativos neste ano. “Precisamos saber se, apesar do Pré-Sal, a trajetória declinante da produção reverterá de forma estrutural o ciclo de queda dos investimentos”, destaca o diretor técnico do INEEP. Outra dúvida que, segundo ele, precisa ser esclarecida é se a maior participação da Petrobrás no mercado de derivados é artificial, já que a companhia foi altamente beneficiada pela política de subvenção do diesel.

O fato é que os resultados positivos deste terceiro trimestre demonstram que a Petrobrás tem plenas condições de ampliar seus investimentos, aumentar a produção e coordenar o mercado de derivados brasileiros, como defendem a FUP e seus sindicatos. “Cabe esperar os próximos resultados da companhia para avaliar se a retomada dos investimentos, principalmente no E&P, é um fenômeno estrutural ou conjuntural”, ressalta Rodrigo.

[FUP]

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A Petrobras divulga nesta terça-feira (06/11) o seu balanço do 3º trimestre de 2018. A expectativas é de que a empresa obtenha um lucro ainda maior que o observado no 2º trimestre de 2018 (R$ 9,7 bilhões), mesmo com a queda na produção de petróleo e gás.

Segundo estimativas do Instituto de Estudos Estratégicos de Petróleo, Gás Natural e Bicombustíveis (Ineep), o lucro líquido deverá ser de R$ 11 bilhões caso a Petrobras não considere, neste momento, a provisão de US$ 853,2 milhões (estimados em R$ 3,6 bilhões) referente ainda ao acordo pela empresa para encerrar as investigações do Departamento de Justiça e da Securities & Exchange Commission (SEC), nos Estados Unidos. Caso a Petrobras realize essa provisão o lucro líquido estimando será de R$ 8,3 bilhões.

Esse possível lucro será fruto (i) da elevação de 81% do preço do petróleo (R$ barril), entre o 3º trim. de 2017 e o 3º trim. de 2018, e da expansão de 30% das exportações de petróleo cru, na comparação com o mesmo trimestre no ano anterior, (segundo estimativas do Inepp); e (ii) da mudança na estratégia do refino, em curso desde o 2º trimestre de 2018, após a greve dos caminhoneiros, quando a Petrobras passou a desempenhar um papel ativo (deslocando a importações de terceiros e ampliando a carga processada das refinarias) dada sua posição de price maker (formador de preço), o que lhe possibilitava manter maiores margens.

O subsídio fornecido pelo governo federal à Petrobras, depois da greve, deve reduzir a participação dos importadores no segmento de diesel. Com os preços internos mais baixos que os praticados internacionalmente, a Petrobras tem ocupado a parcela de marcado dos importadores e, ao arcar com esse diferencial de preço, tem sido ressarcida pelo governo federal, o que implica um aumento das suas receitas e redução das importações de terceiros. Somente no mês de julho, a estatal brasileira recebeu do governo federal mais de R$ 870 milhões referente a este diferencial. Segundo o Ineep, a receita da Petrobras considerado exportações, refino e o subsídio de diesel deve subir cerca de 26% neste 3o trim. de 2018.

Em relação ao E&P, a receita de vendas estimada deverá crescer 55,5% em relação ao trimestre do ano anterior. Esse aumento  decorrerá basicamente do aumento de 44% do preço do barril internacional do petróleo (Brent) associado à desvalorização cambial (preço saltou de R$ 164 para R$ 297), pois a produção de petróleo e gás nessa comparação caiu 8,3% em virtude das paralisações das plataformas Cidade de Angra dos Reis (P-25) e Cidade de Maricá (P-31) e da conclusão da venda, para a Equinor, de 25% do campo de Roncador na Bacia de Campos.

No que tange à área de abastecimento, a receita de vendas estimada deverá elevar-se em 49%, no cotejo com mesmo trimestre do ano anterior, fruto (i) da expansão estimada de 140% da receita de vendas com exportação de petróleo cru (com a expansão de 10% na quantidade exportada e o aumento do preço do Brent); e (ii) das receita de vendas com derivados estimada (refino) deverá crescer 44%.

Cabe observar que o nível de utilização do parque de refino da Petrobras no 3º trimestre deve ficar abaixo dos 81% do 2º trimestre em virtude do incêndio ocorrido na Replan. Essa refinaria é a maior do país e está funcionando com apenas metade de sua capacidade desde agosto de 2018. Com isso, os custos com produtos vendidos deverão aumentar com a ampliação da importação decorrente da menor utilização da Replan.

Essa expansão, tanto do E&P como do abastecimento, deverá proporcionar um EBITDA ajustado (lucro antes de juros, depreciação e amortização) da ordem de R$ 30 bilhões. Pelo lado do endividamento, os resultados do balanço deverão sinalizar a política em curso de acelerada desalavancagem (relação dívida líquida/LTM EBITDA de 2,5 em 2018) que tem como um de seus eixos a estratégia de adiantar o pagamento de dívidas junto aos seus credores. Com o provável aumento do EBITIDA ajustado e o processo de desavalancagem a relação dívida líquida EBITIDA deve reduzir em relação ao 2º trimestre de 2018.

Os possíveis resultados operacionais e financeiros do balanço do 3º trimestre de 2018 da Petrobras devem evidenciar uma melhora do cenário externo para a Petrobras (aumento do preço do Brent), a importância do refino para a geração de caixa da empresa e melhora no perfil da dívida. Além disso, nota-se uma reorganização do mercado de derivados a partir dos subsídios fornecidos pelo governo federal. No entanto, cabe o alerta de que as melhoras dos resultados estão associadas à política de subsídios, venda de ativos e aumento de preços, o que reforça a lógica de curto prazo da atual gestão e deixa dúvidas sobre a sustentabilidade desses resultados no longo prazo.

[Via Blog do INEEP]

 

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A Federação Única dos Petroleiros (FUP) foi criada em 1994, fruto da evolução histórica do movimento sindical petroleiro no Brasil, desde a criação da Petrobrás, em 1953. É uma entidade autônoma, independente do Estado, dos patrões e dos partidos políticos e com forte inserção em suas bases.

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