Em artigo publicado na revista Carta Capital, o pesquisador do Instituto de Estudos Estratégicos de Petróleo, Gás Natural e Biocombustíveis (Ineep), Rafael Rodrigues da Costa, analisa os resultados da Petrobrás em 2020. "Em um ano marcado pela maior crise do século no setor, a Petrobras só conseguiu sobreviver aproveitando-se das suas oportunidades de mercado nas exportações de petróleo cru e derivados, o que a fez aumentar não apenas a sua produção de petróleo como também a utilização das suas refinarias. Essa é uma prova indelével da importância da Petrobras enquanto empresa integrada de energia e revela como a política de desinvestimentos tende a comprometer a capacidade de reação da companhia em crises futuras", afirma.

A avaliação do Ineep aponta que, apesar do bom resultado do quarto trimestre (lucro líquido de R$ 59,9 bilhões), a empresa só fechou o ano com lucro, por conta de operações contábeis e financeiras, como a reversão dos impairments, da ordem de R$ 31 bilhões, os ganhos cambiais, de R$ 20 bilhões, e a reversão de despesas com a AMS no valor de R$ 13,1 bilhões. 

Outro ponto de destaque na análise é o aumento das despesas da Petrobrás com aluguel de dutos da Transportadora Associada de Gás (TAG), subsidiária que foi privatizada. "Vendida por 33,5 bilhões de reais, o custo de aluguel pago pela Petrobras à sua antiga subsidiária em um ano pode ter representado cerca de 15% do valor total recebido em sua venda", alerta o artigo, destacando que "as despesas operacionais tiveram um crescimento de 73,5%, saindo de 40,1 bilhões de reais em 2019 para 71,1 bilhões em 2020".

Rafael chama atenção que, ao realizar "uma série de operações contábeis e financeiras para garantir o pagamento de dividendos e do bônus para a diretoria em um cenário de investimentos reduzidos, privatizações e por uma agressiva política de preços", a gestão Castello Branco reforça o compromisso "em privilegiar acionistas e diretores, enquanto o restante da população sente os efeitos perversos dessa atual gestão".

Leia a íntegra do artigo:

Com operações contábeis, Petrobras garante lucro anual de R$ 7,1 bilhões

Por Rafael Rodrigues da Costa, mestre em Ciências Sociais pela UNIFESP, pesquisador visitante da Universidade Federal da Bahia e pesquisador do INEEP

A Petrobras divulgou na quarta-feira 24 os resultados operacionais e financeiros do balanço anual de 2020. Segundo a companhia, o lucro líquido foi de 7,1 bilhões de reais. Efeitos contábeis e operações financeiras estão entre os principais motivos do resultado.

O saldo positivo surpreendeu o mercado. Em um ano marcado pela pandemia da Covid-19 e pela crise de preços no mercado internacional de petróleo, grande parte das petrolíferas internacionais registrou resultados negativos em 2020.

Não foi o caso da Petrobras. Embora a empresa tenha tido um ganho significativamente menor ao obtido em 2019 (-82,3%), o seu excelente resultado no 4º trimestre (com lucro líquido de 59,9 bilhões de reais) superou as expectativas dos analistas, que projetavam um lucro, em média, próximo a 4,6 bilhões.

Por trás do bom resultado, contudo, encontram-se algumas operações contábeis e financeiras, como a reversão dos impairments, da ordem de 31 bilhões, os ganhos cambiais, de 20 bilhões, e a reversão de despesas com o plano de saúde dos funcionários, no valor de 13,1 bilhões.

As mudanças impactaram positivamente no resultado da companhia em 64,1 bilhões de reais. Não fossem esses pontos destacados, a empresa apresentaria um pequeno lucro no último trimestre e um grande prejuízo no ano de 2020.

Ainda assim, o lucro da estatal antes de juros, impostos, depreciação e amortização (Ebtida ajustado) chegou a 143 bilhões, um aumento de 10,6% em relação a 2019. O crescimento aconteceu mesmo com a receita total líquida apresentando queda de 10,0%, fechando 2020 em 272,1 bilhões.

Segundo a empresa, isso aconteceu em virtude da redução no volume de vendas de combustíveis para o mercado interno (que caíram de 2,1 milhões de barris por dia em 2019 para 1,9 milhão bpd em 2020) e que, associada as menores margens nos derivados, representaram uma diminuição nas receitas da companhia da ordem de 16,4%.

Por outro lado, o resultado negativo de vendas foi minimizado graças ao expressivo aumento nas exportações, tanto de petróleo cru como do óleo combustível tipo bunker, que fizeram com que o volume de vendas para o mercado externo saltasse de 735 mil bpd em 2019 para 866 mil barris diários em 2020, garantindo a Petrobras uma receita de 87,4 bilhões, valor 7,3% maior ao registrado no ano passado.

As despesas operacionais tiveram um crescimento de 73,5%, saindo de 40,1 bilhões de reais em 2019 para 71,1 bilhões em 2020. Embora boa parte dessa alta na despesa esteja relacionada a baixa contábil dos impairments ( 34,3 bilhões), cabe ressaltar o expressivo crescimento nas despesas com materiais, serviços, fretes, aluguéis e outros, que, só em 2020, aumentaram 5,1 bilhões, representando um aumento anual de 46,4%.

Os motivos são os custos de transporte do gás natural, que passaram a ser cobrados após a venda da sua subsidiária logística, a TAG. Vendida por 33,5 bilhões de reais, o custo de aluguel pago pela Petrobras à sua antiga subsidiária em um ano pode ter representado cerca de 15% do valor total recebido em sua venda.

Separando por segmento, observa-se que o lucro operacional do E&P em 2020 foi de 50,9 bilhões, uma redução de 49,6% quando comparado a 2019.

A queda foi decorrente da menor cotação do Brent, embora parcialmente compensado pela maior produção (de 2,7 Mbpd em 2019 para 2,8 Mpd em 2020).

Ressalta-se que esse aumento se deve exclusivamente ao pré-sal, em que a produção teve um aumento de 21,1%, saindo de 1,3 Mbpd para 1,6 Mbpd. O crescimento, aliás, só não foi maior em razão da queda da produção do pós-sal em águas profundas e ultraprofundas.

Já no Refino, o lucro operacional de 4,3 bilhões de reais representou uma queda menos aguda que a registrada no E&P, com retração de 32,5%. Os números reforçam o papel estratégico do refino da Petrobras para mitigar as perdas nos demais segmentos, uma vez que, em um cenário de crise, aproveitou para ampliar a sua produção de derivados em 2,8% e deslocou suas vendas para o mercado externo, sobretudo para os mercados da Ásia e Europa. Vale lembrar que parte expressiva dessa produção foi refinada pela RLAM, refinaria que acaba de entrar em processo de privatização pela Petrobras.

Sobre os investimentos, a Petrobras em 2020 desembolsou o equivalente a 8,1 bilhões de dólares, o menor patamar dos últimos 20 anos. Como efeito, a petrolífera vem sofrendo uma drástica redução nas suas reservas provadas – que caíram de 14,0 bilhões de barris de óleo equivalente (boe) em 2014 para 8,8 bilhões boe, em 2020. Outro fator importante é o destino desses investimentos: enquanto o E&P concentra 81,4% dos investimentos, Refino e Gás e Energia respondem, ao todo, apenas 16,1%. A falta de investimentos de um lado somada à concentração em um segmento específico de outro ilustram como a atual estratégia provoca o encolhimento da Petrobras em um curto espaço de tempo.

O resultado da Petrobras em 2020, por fim, é possivelmente o retrato mais acabado do equívoco estratégico da atual gestão. Em um ano marcado pela maior crise do século no setor, a Petrobras só conseguiu sobreviver aproveitando-se das suas oportunidades de mercado nas exportações de petróleo cru e derivados, o que a fez aumentar não apenas a sua produção de petróleo como também a utilização das suas refinarias. Essa é uma prova indelével da importância da Petrobras enquanto empresa integrada de energia e revela como a política de desinvestimentos tende a comprometer a capacidade de reação da companhia em crises futuras.

Enquanto isso, a petrolífera realiza uma série de operações contábeis e financeiras para garantir o pagamento de dividendos e do bônus para a diretoria. Esse movimento, em um cenário de investimentos reduzidos, privatizações e por uma agressiva política de preços, reforça o compromisso da atual gestão em privilegiar acionistas e diretores, enquanto o restante da população sente os efeitos perversos dessa atual gestão.

 

Publicado em Petrobrás Fica

Como no primeiro semestre, a Petrobrás fechou o terceiro trimestre no vermelho. Segundo os resultados divulgados pela empresa, houve prejuízo de R$ 1,55 bilhão. No acumulado do ano, as perdas chegam a R$ 52,8 bilhões. A gestão, no entanto, informou que o resultado recorrente foi um lucro de R$ 3,17 bilhões

[Análise de*Rodrigo Leão e **Rafael Rodrigues da Costa, publicada na Carta Capital]

A Petrobras divulgou nesta quarta-feira 28 os resultados operacionais e financeiros do terceiro trimestre de 2020. A empresa teve um prejuízo de R$ 1,55 bilhão, 43% menor do que a perda do segundo trimestre, e muito longe de lucro obtido no mesmo período de 2019 que foi de R$ 9,09 bilhões. Todavia, a companhia informou que o resultado recorrente foi um lucro de R$ 3,17 bilhões. Ou seja, o prejuízo foi explicado por despesas financeiras não recorrentes e cambiais.

Em termos operacionais, as receitas de vendas no terceiro trimestre foram de R$ 70,73 bilhões, um aumento de 39% em relação ao segundo trimestre de 2020 e apenas 8,2% inferior do valor alcançado no mesmo período de 2019. O EBITDA ajustado (lucro antes de juros, impostos, depreciação e amortizações), ou seja, o lucro operacional, foi de R$ 33,44 bilhões neste terceiro trimestre, 34% maior do que o trimestre anterior. Na comparação com o mesmo período do ano anterior, o crescimento foi de 2,6%. Isso significa que, em termos operacionais, a Petrobras já recuperou o patamar pré-crise.

A melhora do resultado neste terceiro trimestre mostra que a companhia conseguiu ser resiliente durante a crise da Covid-19 em função do crescimento da produção de petróleo cru e também do excelente desempenho do refino. A empresa conseguiu, ao mesmo tempo, elevar sua produção de petróleo e de derivados aproveitando-se principalmente da recuperação do consumo interno e da demanda asiática tanto para derivados, como para petróleo cru.

O crescimento nas receitas de vendas da Petrobras foi explicado principalmente pelo aumento no volume de vendas da companhia para o mercado interno (de 1,74 milhão barris por dia – bpd – no segundo trimestre para 2,04 milhões bpd no terceiro trimestre).

As receitas no mercado externo também contribuíram para melhor o resultado operacional da Petrobras. O aumento das receitas com exportações de petróleo cru e derivados foi de 40% neste terceiro trimestre em relação ao anterior se deveu ao cenário de recuperação nos preços médios desses produtos no mercado internacional e ao aumento da quantidade das exportações.

As maiores vendas de petróleo e derivados tanto para o mercado externo, como interno afetaram positivamente os resultados dos segmentos de exploração e produção (E&P) e de refino.

O E&P teve um lucro de R$ 21,90 bilhões, o que representou um crescimento de 128% em relação ao trimestre imediatamente anterior. Na comparação com o mesmo período do ano passado, o crescimento foi de 23%. Esse segmento se aproveitou das oportunidades no mercado internacional, que permitiu elevar suas exportações de petróleo cru em 8% neste trimestre frente ao anterior. Além disso, houve um aumento da demanda interna por petróleo em função de petróleo cru por conta da expansão do fator de utilização das refinarias de 70% para 83%. Mesmo com a redução de 31% do preço do Brent, esses fatores permitiram que o resultado do E&P já fosse superior ao terceiro trimestre de 2019.

No segmento de refino, a Petrobras também teve uma melhora do seu resultado em relação aos trimestres anteriores. O lucro de R$ 8,65 bilhões no terceiro trimestre foi 93% maior do que no trimestre anterior e 77% na comparação com o mesmo período de 2019.

Tanto o mercado interno como o externo foram responsáveis pelo melhor resultado do refino: no interno, a recuperação do market share da Petrobras associada à recuperação da demanda interna principalmente da gasolina e diesel e, no externo, a elevação das exportações de derivados, principalmente do óleo combustível marítimo.

A produção principalmente de diesel e gasolina, que cresceu, respectivamente, 22,3% e 33,1% do segundo para o terceiro trimestre de 2020, fez com que Petrobras elevasse seu market share em sete pontos percentuais em ambos mercados.

O bom desempenho da companhia no mercado externo aconteceu em decorrência, principalmente, do crescimento nas vendas de óleo combustível, que neste trimestre obteve o seu melhor resultado em dois anos. No terceiro trimestre de 2020, as exportações de óleo combustíveis foram de 204 mil barris por dia, 9 mil barris por dia a mais do que o segundo melhor resultado obtido pela companhia no segundo trimestre de 2020.

Dados da Secretaria de Comércio Exterior (Secex) revelam que esse desempenho se deveu, em grande medida, às exportações para a Ásia. De janeiro a setembro de 2020, as vendas de óleos combustíveis para Cingapura cresceram 52% em relação ao mesmo período do ano anterior. A Petrobras informou que 65% das suas vendas externas de derivados, no terceiro trimestre, foram para o país asiático. Por se tratar de uma região portuária com grande movimento de navios e de comércio marítimo, é bastante provável que essas exportações continuem associadas ao óleo de combustível marítimo.

Apesar da estratégia exitosa nas suas operações, despesas não recorrentes afetaram o resultado da companhia. Primeiro, a aprovação da adesão aos programas de anistia fiscal no RJ e ES obrigou a Petrobras a desembolsar R$ 1,93 bilhão para encerrar um passivo contingente de R$ 3,9 bilhões e garantir a alíquota acordada de ICMS a ser usada futuramente. Segundo, o pagamento de ágio na recompra de títulos de dívidas onerou a companhia em mais R$ 2,81 bilhões.

Em contrapartida, a entrada de recursos com venda de ativos no valor de R$ 3,20 bilhões afetou positivamente os resultados da companhia. Todavia, o excelente resultado operacional não é fruto somente da atual estratégia de ampliar a produção e usar seu parque refino, mas também da gestão de vários desses ativos.

Mesmo assim, a Petrobras continua os vendendo (inclusive sinalizando a possibilidade de vender áreas do pré-sal) e, além do mais, enxugando investimentos, o que deve afetar a capacidade de reação da companhia em crises futuras. Apesar da crise da Covid-19 explicar parte dessa queda, é importante notar que a redução dos investimentos da companhia ocorre desde meados da década passada. Neste trimestre, a Petrobras fez um investimento de US$ 1,63 bilhão é o valor mais baixo desde 2003.

* Coordenador-técnico do Instituto de Estudos Estratégicos de Petróleo, Gás Natural e Biocombustiveis (Ineep) e pesquisador visitante do Núcleo de Estudos Conjunturais da Universidade Federal da Bahia (UFBA)

** Mestre em Ciências Sociais pela UNIFESP, pesquisador visitante do NEC/UFBA e pesquisador do Ineep

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A Petrobrás registrou prejuízo líquido de R$ 2,7 bilhões no segundo trimestre deste ano, resultado oposto ao do lucro líquido de R$ 18,9 bilhões obtido no mesmo período de 2019. As perdas seriam ainda maiores, se a empresa tivesse registrado impairments e não tivesse sido beneficiada pelos ganhos fiscais de R$ 10,9 bilhões provenientes da exclusão do ICMS da base de cálculo do PIS/Cofins. “Excluindo esses fatores, o prejuízo seria próximo dos R$ 13,8 bilhões, devido aos impactos da pandemia da Covid-19 em suas operações, com reflexo nos preços, margens e volumes”, destaca o Ineep.

Para além do impacto econômico causado pela pandemia, os resultados reportados pela Petrobrás refletem o desmonte promovido pela gestão Castello Branco. O balanço revela questões preocupantes, como a redução drástica de 24,1% dos investimentos, o menor nível em quase duas décadas. Segundo o Ineep, na média, o investimento deste trimestre retornou aos patamares de 2002.

A redução de 16,4% nas despesas com pessoal (comparativamente ao segundo trimestre de 2019) foi comemorada pelos gestores, a despeito do aumento de 97,9% dos gastos com materiais, serviços, fretes, aluguéis, entre outras despesas extraordinárias, como os PDVs. Segundo o Ineep, apesar da gestão da Petrobrás justificar os cortes com pessoal como forma de preservar o fluxo de caixa, o efeito concreto dessas medidas no segundo trimestre foi uma “economia” de R$ 239 milhões, enquanto o caixa da empresa cresceu R$ 40,7 bilhões no mesmo período.

Outro fato que chama a atenção no balanço da Petrobrás é o aumento da dependência das exportações, principalmente em relação ao mercado chinês. No segundo trimestre, 87% das exportações de petróleo cru foram destinadas ao país asiático. “Embora seja importante no curto prazo, a perpetuação dessa estratégia no longo prazo deixa a Petrobras mais exposta tanto às oscilações do preço do petróleo, como à dinâmica da demanda chinesa”, ressalta o pesquisador do Ineep, Rafael Costa.

Outros pontos destacados pelo Ineep no balanço da Petrobrás: 

Queda de 29,9% na receita de vendas, comparativamente ao segundo trimestre de 2019.

Queda de 39,2% na comercialização de derivados no mercado interno, comparativamente ao segundo trimestre de 2019 – caiu de 2,1 milhões de barris diários para 1,7 milhão de barris/dia.

Aumento de 58,7% das exportações, comparativamente ao segundo trimestre de 2019  - passou de 606 mil barris diários para 962 mil barris por dia. O Ineep, no entanto, ressalta que a receita de vendas no mercado externo se manteve praticamente no mesmo patamar do ano passado, registrando ganhos da ordem de R$ 17,2 bilhões.

Redução de 14,9% na dívida líquida em dólar, comparativamente ao segundo trimestre de 2019 - queda de US$ 83,7 bilhões para US$ 71,2 bilhões, mas a desvalorização do Real fez o endividamento líquido da companhia crescer 21,6% no período (passando de R$ 320,7 bilhões para R$ 390,0 bilhões).

[FUP]

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[Da assessoria do Ineep]

A Petrobras divulga nesta quinta-feira (30/07) o balanço dos seus resultados operacionais e financeiros do segundo trimestre de 2020. A expectativa do Ineep é que a companhia será fortemente afetada pelos impactos da crise do covid-19, em virtude da queda do preço do petróleo (cerca de 40% em relação ao mesmo período do passado), que provocou queda na receita de exportação, e da redução do volume de vendas dos derivados no mercado interno. Nem mesmo o aumento das receitas de exportação de derivados, sobretudo o óleo combustível de tipo bunker, conseguiu reverter os resultados negativos.

Segundo estimativas do Ineep, a expectativa é de que a empresa deva registrar prejuízo líquido em torno de R$ 7,1, bilhões, que representa uma queda de 137% em relação ao mesmo período no ano. Caso não haja receitas ou despesas extraordinárias não anunciadas previamente ou alguma reversão do elevado impairment (valor de recuperação de ativos) de R$ 65,3 bilhões, realizado no 1º trimestre de 2020, em virtude da melhora nas expectativas do preço futuro do petróleo Brent.

Em relação ao EBITDA (lucro antes de juros, impostos, depreciação e amortização), a previsão é de que o resultado negativo chegue a algo próximo a R$ 21,3 bilhões, montante, que comparado a 2019, poderá representar uma queda de 34%.

Esse provável resultado acontecerá, em boa medida, devido à queda expressiva nas receitas de vendas (retração de cerca de 27%, segundo estimativas do Ineep), sobretudo no mercado interno. Resultado dos impactos mais agudos da crise do Covid-19 no país, o encolhimento significativo nas receitas de vendas da Petrobras deve ser puxado, de um lado, pela queda abrupta no volume de vendas da companhia para o mercado interno (de 2,05 milhões bpd no 2T/19 para 1,74 milhão bpd no 2T/20). Esse aspecto acompanhado pela redução dos preços dos combustíveis (sobretudo no diesel, gasolina e querosene para aviação) deve fazer com que a receita de vendas internas despenque para algo em torno de R$ 33,6 bilhões, um tombo de mais 39% quando comparado ao mesmo período do ano passado.

De outro lado, o aumento no volume de exportação de petróleo e derivados tende a suavizar os impactos negativos da queda de receitas no mercado interno, mas não será suficiente para compensar as perdas internas. Isso porque, embora o volume de exportações de petróleo e derivados da Petrobras tenha saltado de 59% quando comparado a 2019 (de 606.000 bpd no 2T/19 para 962.000 bpd no 2T/20), – o preço de exportação também sofreu retração no período em reais (de 41%, no caso do petróleo, e 6% entre os derivados). Com isso, o Ineep estimou que as receitas do mercado externo fiquem em um patamar próximo a R$ 19,1 bilhões, cifra 12% superior ao registrado no ano passado, mas 27% menor que o observado no primeiro trimestre.

Cabe observar que essa redução nas receitas de vendas de exportação foi fruto da redução tanto no preço como na quantidade exportada de óleo cru. Isso mostra a dificuldade em realizar (vender) esse petróleo no mercado mundial em virtude dos efeitos da queda da demanda de petróleo na pandemia e a dificuldade de recuperação econômica nos cenários pós-quarentenas.

Importante frisar que o provável resultado negativo só não deverá ser mais grave em virtude do bom desempenho de vendas de derivados no mercado externo, que apesar de ter sofrido redução de preço no 2T/20, ainda permanece em patamar elevado (cerca de US$ 54,8 por barril no trimestre) se comparado com o preço de petróleo (valor médio de U$ 29,1 por barril no trimestre).

O bom resultado na receita das exportações de derivados se deve ao aumento da participação do óleo combustível (hoje cerca de 67% no trimestre), de baixo teor de enxofre, nas exportação da Petrobras. Vale lembrar que a produção de óleo combustível da Petrobras está diretamente relacionada com a produção das refinarias do Nordeste que estão no plano de privatização da Petrobras, como a RLAM e a RNEST.

Em relação a pandemia, embora a empresa tenha anunciado um pacote de medidas de resiliência, a Petrobras conseguiu aumentar a sua produção e “segurar” a reduçãodo fator de utilização das refinarias. Essas mudanças foram possíveis por conta de dois aspectos.

Em primeiro lugar, pela recuperação da demanda de diesel e gasolina no mercado interno entre maio e junho com relação aos dois meses anteriores, o que fez com que a Petrobras aumentasse tanto as vendas bem como o market share nesses produtos no mercado brasileiro (saltou de 84% para 88% entre o 1T/20 e o 2T/20). Em segundo lugar, pelo aumento da demanda externa por alguns derivados (óleo combustível, sobretudo), o que pode ter indicado uma oportunidade para a Petrobras expandir no mercado externo e mitigar os eventuais prejuízos que a empresa enfrenta nos últimos meses com o mercado interno.

 

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Nesta segunda-feira, 18 de maio, a FUP distribuiu ação na qual pede a demissão de Castello Branco da presidência da Petrobrás.

A gestão do agora réu se caracterizou por uma série de medidas de renúncia ao mercado e a atividades industriais de uma empresa de petróleo integrada.

O resultado foi a fragilização da empresa de uma forma inédita em sua história, tornando a Petrobrás a mais afetada dentre as grandes empresas do ramo, quando veio a crise da pandemia de Covid-19, como demonstra o gráfico abaixo.

A gestão de "liquidação" da Petrobrás será agora analisada pelo Judiciário.

[Assessoria Jurídica da FUP]

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Em live nesta sexta-feira, 15, realizada pela Revista Fórum, o coordenador da FUP, José Maria Rangel, e o economista Eduardo Pinto, pesquisador do Instituto de Estudos Estratégicos de Petróleo, Gás Natural e Biocombustiveis Zé Eduardo Dutra (INEEP), explicaram o que está por trás do prejuízo de R$ 48,5 bilhões, reportado pela Petrobrás no primeiro trimestre deste ano.

Este é o pior resultado já registrado na história da companhia em um trimestre, na contramão do lucro de R$ 4 bilhões que marcou o mesmo período do ano passado.


Leia aqui a análise do INEEP publicada pela revista Carta Capital

Ouça aqui o podcast do INEEP


Para a FUP e o INEEP, o prejuízo não reflete impactos da pandemia da covid-19, já que nos dois primeiros meses do ano, os preços do barril de petróleo e a demanda pelo produto ainda não haviam sido afetados significativamente pela crise do novo coronavírus.

Além disso, a Petrobrás alcançou neste primeiro trimestre R$ 35 bilhões de geração operacional de caixa, 97% a mais do que foi registrado no mesmo período de 2019, segundo levantamento da Subseção do Dieese da FUP.

O principal motivo do prejuízo histórico registrado pela companhia foi a decisão da atual gestão de realizar uma depreciação gigantesca de ativos, os chamados impairments, baixas contábeis de R$ 65,3 bilhões. Depreciações feitas em uma escala muito acima do que outras petrolíferas realizaram no período.

A Total, por exemplo, fez impairments de US$ 3,6 bilhões, quatro vezes menor do que os US$ 13,5 bilhões depreciados pela Petrobrás. No mesmo período, a Exxon Mobil registrou impairments de US$ 2,8 bilhões; a Sinopec, de US$ 1,5 bilhões; a BP, de US$ 1,1 bilhões e a Shell de apenas US$ 750 milhões.

“Como a Petrobrás pode fazer um impairment desta natureza, estimando o preço do petróleo em 50 dólares em 2025? Não temos certeza do que vai acontecer no setor até o final do ano”, questionou o coordenador da FUP, lembrando que o próprio presidente da estatal e sua diretoria fizeram questão de afirmar recentemente para os trabalhadores que o setor petróleo está completamente incerto diante das mudanças geradas pela pandemia.

Ele lembrou que os impairments têm sido uma manobra das últimas gestões da Petrobrás para depreciar o valor dos ativos e, assim, facilitar as privatizações. “Ao desvalorizar os ativos, nesta proporção absurda que fez a gestão da empresa, os valores das privatizações futuras, por mais baixos que sejam, entrarão como lucro nos balanços seguintes”, explicou José Maria, chamando a atenção para as refinarias que foram colocadas à venda. “Como estão cegos para vender refinarias, desvalorizam o preço, entregam na bacia das almas e ainda lançam no balanço como lucro e, assim, fazem parecer que foi um grande negócio”, alertou.

O pesquisador do INEEP, Eduardo Pinto, fez uma análise técnica do balanço da Petrobrás, comparando receitas e despesas da empresa, e reforçou que o prejuízo contábil foi uma decisão muito mais política do que técnica. “Por que a Petrobrás fez um impairment muito maior do que o de outras empresas? Por que subestimou o preço do petróleo para este ano e projetou para o futuro valores tão incertos neste momento?”, questionou.

Para o coordenador da FUP, a resposta é política. “Está muito claro neste balanço, que a gestão Castello Branco continua a pavimentar o caminho para a privatização da empresa, para entrega do patrimônio público a preço de banana”, afirmou.

Veja a íntegra do debate: 

[FUP]

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Em parceria com a Revista Forum, a FUP e o INEEP estiveram AO VIVO, no final da tarde desta sexta-feira, 15, analisando os resultados da Petrobras no primeiro trimestre do ano.

A empresa reportou um prejuízo de R$ 48,5 bilhões, contra um ganho de R$ 4 bilhões no mesmo período do ano passado. Foi o pior resultado já registrado na história da companhia em um trimestre.

O coordenador da FUP, José Maria Rangel, e o pesquisador do INEEP, Eduardo Costa, explicaram o que está por trás destes números e como as privatizações e outras estratégias da gestão Castello Branco comprometem o futuro da petrolífera e, consequentemente, a soberania nacional. 

Assista a íntegra:

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A Petrobras divulga nesta quinta-feira (14) seu balanço dos resultados do primeiro trimestre deste ano. Apesar da crise da Covid-19, os números devem ser bastante positivos. Isso porque a pandemia – que provocou forte redução tanto do consumo interno de derivados como dos preços de petróleo em todo planeta – chegou de maneira mais intensa ao Brasil na segunda quinzena do mês de março, ou seja, ao final do período de análise.

Segundo estimativas do Instituto Estratégicos de Petróleo, Gás Natural e Biocombustíveis (Ineep), a expectativa é que a empresa registre um lucro líquido em torno dos R$ 4,6 bilhões, o que significaria uma expansão próxima de 8,7% em relação o primeiro trimestre do ano passado. Isso caso não sejam incluídas no balanço elevadas receitas ou despesas extraordinárias, como impairments. Uma eventual desvalorização dos ativos por conta da queda dos preços, por exemplo, pode ter impactos significativos no resultado.

O EBITDA ajustado, que é o lucro antes de juros, impostos, depreciação e amortização, deve girar próximo dos R$ 29,3 bilhões, segundo o Ineep. Esse montante é 6,7% superior ao registrado no primeiro trimestre no ano anterior. 


Tabela:  Estimativas do INEEP do Balanço da Petrobras 

 

 

Esse provável resultado positivo é fruto (i) do aumento expressivo na produção de petróleo, que proporcionou a elevação das exportações; e (ii) da ampliação do fator de utilização das refinarias, expandindo a produção de derivados que foram destinados às exportações. 

A produção de petróleo aumentou de 1,97 milhões de barris por dia (bpd) para 2,32 milhões bpd entre os primeiros trimestres de 2019 e 2020, respectivamente. Crescimento de 17,7%, comparado ao mesmo período em 2019, que representou uma expansão de 31,4 milhões de barris. Esse resultado deveu-se aos ramp-up (crescimento da curva de produção) dos sete sistemas que entraram em produção nos campos de Búzios (P-74, P-75, P-76 e P-77), Lula (P-67 e P-69) e Berbigão/Sururu (P-68). 

Essa expansão da produção foi, primordialmente, destinada à exportação de petróleo cru, que cresceu 28,1 milhões de barris entre 1T19 e 1T20. Isso deverá gerar um aumento expressivo das receitas de exportação da ordem de 54%. Cabe destacar que o principal destino das exportações de petróleo foi a China. 

Outra parte desse aumento da produção de petróleo (cerca de 4,8 milhões de barris) foi direcionada para a ampliação da carga fresca processada nas refinarias da Petrobras. O fator de utilização das refinarias de 75% no 1T19 para 79% no 1T20. Com isso, a produção de derivados cresceu 5,5% (de 1,7 milhões bpd no 1T19 para 1,83 milhões bpd no 1T20). 

Dada a queda nas vendas de derivados no mercado nacional (cerca de - 5,5%), a Petrobras direcionou o aumento da sua produção de derivados para o mercado externos. Segundo estimativas do Ineep, a receita de exportação de derivados deve crescer cerca de 100%, entre 1T19 e 1T20, em decorrência da expansão da quantidade exportadas (de 14,9 milhões de barris para 20,3 bilhões de barris) e dos preços estimados de exportação (de 264 reais por barril para 392 reais por barril). 

Esse expressivo desempenho na receita estimada das exportações de derivados está associado, principalmente, ao crescimento nas exportações de óleo bunker (combustível marítimo) e óleo combustível com baixo teor de enxofre com destino ao mercado asiático, principalmente em Cingapura, Hong Kong e China. De acordo com a companhia, esse aumento nas exportações está relacionado com a nova especificação mundial para combustíveis marítimos (IMO 2020), que reduziu o limite de teor de enxofre, criando uma vantagem competitiva para a Petrobras no mercado internacional. 

Segundo dados da Secex sistematizados pelo Ineep, as exportações de óleos combustíveis (diesel, bunker, fuel-oil etc.) cresceram mais de 140% entre 1T19 e o 1T20, saltando de 10,6 milhões de barris para 25,5 milhões de barris. Em valores, as exportações desses produtores aumentaram 168%, o que indica que o preço do barril do óleo combustível também cresceu. 

O bom desempenho no mercado externo (exportações de petróleo e derivados), portanto, poderá ajudar a compensar os efeitos negativos da crise no cenário brasileiro. É importante ressaltar que a produção do pré-sal, assim como de um amplo parque de refino com capacidade de produzir diferentes tipos de derivados permitem à empresa uma estratégia de vendas no exterior mais “flexível” atendendo diferentes tipos de mercados e diferentes tipos de demanda. 

O volume de vendas do diesel e da gasolina caiu em comparação ao primeiro trimestre 2019, respectivamente, 13% e 14%, mas o GLP teve um aumento de 3%, em função do maior consumo doméstico. 

Além do GLP, ocorreu também elevação no volume de vendas de nafta, que registrou uma expansão de 50% em relação ao 1T2019 motivado, por um lado, pelo crescimento da demanda pela Braskem nos dois primeiros meses do ano e, por outro, pelo maior uso do nafta ao invés do gás natural em alguns polos petroquímicos, como o polo Triunfo no Rio Grande do Sul. Segundo o Jornal do Comércio, “no ano passado, a nafta chegou a custar, em média, US$ 500 por tonelada – hoje, o preço está na faixa de US$ 120, com tendência de queda. (...) a rentabilidade das plantas à base nafta deverá se manter enquanto o preço do petróleo permanecer baixo, o que deve durar, pelo menos, até 2021”. 

No entanto, a expansão das vendas desses dois derivados não compensou a enorme queda das vendas da gasolina e diesel, que juntos representaram, no 4T19, cerca de 41% das receitas totais de vendas da Petrobras. 

Apesar dos resultados positivos operacionais e financeiros do balanço no primeiro trimestre de 2020, sobretudo na comparação com mesmo período do ano passado, cabe observar que há uma base de comparação deprimida (1T2019) no que diz respeito à produção de petróleo, em virtude de uma maior concentração de manutenções em plataformas no início de 2019. Quando se observam as comparações da produção e das vendas de petróleo e derivados entre 1T20 e 4T19, há sinais dos primeiros impactos da pandemia na estatal. Esses efeitos devem se aprofundar no segundo trimestre de 2020. 

Cabe ressaltar que parte desse bom resultado no trimestre, associado a expansão das exportações de derivados, está diretamente relacionada à produção das refinarias do Nordeste (RLAM e RNEST, principalmente) que só no primeiro trimestre produziram mais da metade dos óleos combustíveis da Petrobras. Isso evidencia o papel estratégico desses ativos. Atualmente, as refinarias da Bahia e de Pernambuco integram o plano de desinvestimentos da companhia e, se vendidas, podem vir a representar uma significativa perda receitas de vendas da Petrobras frente as novas demandas do mercado internacional, sobretudo no que diz respeito nova regulação IMO 2020. 

Se, por um lado, as exportações de derivados parecem ser uma alternativa oportuna para a Petrobras, no contexto da redução da demanda no mercado interno, a expansão da exportação de petróleo cru é marcada por incertezas estruturais, dado o atual cenário de crise e seus efeitos baixistas sobre o preço internacional do petróleo. Entre janeiro e março de 2020, por exemplo, enquanto preço do barril caiu significativamente, alguns derivados, como o próprio bunker, tiveram uma valorização nesse período. 

Os resultados do balanço da Petrobras devem sinalizar os primeiros efeitos dos impactos da pandemia, que tende a se aprofundar no segundo trimestre de 2020, principalmente se ocorrer uma queda global pelos produtos exportados pela Petrobras. Além disso, deve evidenciar a importância da Petrobras ter uma flexibilidade na gestão dos seus ativos, permitindo obter receitas relevantes atreladas as exportações de petróleo cru, bem como de derivados.

[Via INEEP]

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O anúncio dos resultados da Petrobrás no segundo trimestre de 2019 está sendo festejado pelos gestores da empresa, pelo governo e pelo mercado. Não poderia ser diferente.  Os R$ 18,8 bilhões que a Petrobrás “lucrou” foram obtidos às custas da entrega do patrimônio público, projeto principal da equipe econômica do governo Bolsonaro.

Não por acaso, no mesmo dia do fechamento do balanço da empresa, o ministro do mercado, Paulo Guedes, voltou a repetir que seu objetivo é “vender todas as estatais federais”.

Segundo o INEEP, somente neste segundo trimestre do ano, a Petrobrás aumentou os seus desinvestimentos em US$ 12,7 bilhões, a partir da venda da Transportadora Associada de Gás (TAG), de campos de petróleo e de ativos no exterior, como a Refinaria de Pasadena e o complexo de distribuição de derivados no Paraguai.

Os números do balanço da Petrobrás comprovam a relação direta entre os resultados operacionais e financeiros da empresa e a política de privatização e desinvestimentos, cujo foco é única e exclusivamente gerar lucros para os acionistas e para o sistema financeiro.

Sem investimentos, a produção de petróleo segue estagnada. Entre os segundos trimestres de 2018 e 2019, a produção de óleo e gás caiu 1%, passando de 2,66 milhões de barris por dia para 2,63 milhões de boe/dia.

Para piorar, a gestão da Petrobras tornou a reduzir o plano de investimentos, que caiu de US$ 16 bilhões para US$ 11 bilhões. Segundo o INEEP, a empresa está postergando as atividades de perfuração, o que irá “retardar a exploração e produção de poços com alto potencial de receita” e deixar a companhia “cada vez mais refém dos movimentos internacionais do barril do petróleo e da produção do pré-sal que, diga-se de passagem, ainda não tem sido capaz de alavancar a produção nacional em função da postergação de novos investimentos e do abandono dos campos maduros”.

As refinarias também continuam produzindo com baixa carga. A produção de derivados caiu 4,1% entre o segundo trimestre de 2018 e o segundo trimestre de 2019, passando de 1,841 milhões de barris processados por dia para 1,765 milhões de barris.

Além de servir como álibi para tentar justificar a venda das refinarias, a redução proposital da carga do parque de refino beneficia as importadoras de derivados, que despejam no mercado brasileiro combustíveis trazidos de fora, se aproveitando da política de preços internacionais que é praticada aqui pela Petrobrás. E quem paga a conta dessa equação é o consumidor.

Outra consideração que precisa ser feita em relação aos resultados da Petrobrás é que a empresa continua se beneficiando de fatores externos, como o dólar e o preço do barril do petróleo. Entre o primeiro e o segundo trimestre de 2019, o BRENT aumentou 9%, passando de US$ 63,20 para US$ 68,82, e o dólar subiu 4%, variando de R$3,77 para R$ 3,92.

Ao reduzir o tamanho econômico e a importância política da Petrobrás, a gestão Bolsonaro intensifica a desnacionalização do setor de óleo e gás, colocando para escanteio a indústria nacional, que já está nas cordas em função do desmonte promovido pela Lava Jato. Prejuízo para a sociedade e lucro para os acionistas e investidores estrangeiros.

Quem paga essa conta são milhões de brasileiros desempregados, jovens e adultos sem perspectivas de um futuro digno.

Quem paga a conta são as famílias que foram obrigadas a voltar a cozinhar com lenha ou carvão por causa do preço exorbitante do botijão de gás.

Quem arca com essa conta são os caminhoneiros que continuarão pagando caro pelo diesel importado dos Estados Unidos.

Quem paga a conta é a classe média, que continuará consumindo uma das gasolinas mais caras do planeta.

Quem paga a conta são as crianças e as próximas gerações de brasileiros, que correm o risco de viver em um país sem soberania energética, rico em petróleo, mas dependente e refém das nações estrangeiras.

Enquanto isso, os mercadores festejam os bilhões que lucram com o maior desmonte de uma empresa petrolífera já visto no mundo. Um recorde, de fato.

[FUP]

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Os resultados operacionais e financeiros do 1º semestre devem evidenciar uma política de desinvestimentos que gera caixa no imediato, mas afeta as condições produtivas da empresa no médio e longo prazos. A queda na produção é uma das consequências. 

Leia a nota do INEEP:

A Petrobras divulga amanhã (01/08), após o fechamento do mercado, o seu balanço do primeiro semestre de 2019. A empresa deverá obter resultados financeiros positivos em virtude do aumento dos preços do petróleo em reais, que cresceu 11% (de R$ 229 para R$ 254), uma vez que a produção de petróleo e gás caiu 2,6% e a produção de derivados permaneceu estagnada (-0,4%). 

Caso a venda da TAG seja lançada no balanço do 2º trimestre de 2019, os resultados financeiros da Petrobras serão astronômicos. Segundo estimativas do INEEP, o lucro líquido estimado semestral deve ser da ordem de R$ 40 bilhões no primeiro semestre de 2019. Na situação em que o valor total da venda da TAG seja computado no próximo semestre, o lucro semestral estimado é da ordem de R$ 8,9 bilhões. 

Cabe observar que pelo lado produtivo, observou-se uma queda na produção de petróleo e gás que não foi ainda maior em virtude do crescimento de 12,7% nos campos do pré-sal, resultado da entrada em operação de novos sistemas de produção. Esse resultado negativo provocou a revisão para baixo nas metas de produção da empresa para o ano de 2019, de 2,8 milhões de barris/dia para 2,7 milhões de barris/dia. 

De acordo com a Petrobras, a alteração nas expectativas seria fruto apenas das dificuldades operacionais enfrentadas na fase inicial de novas unidades de produção. Cumpre salientar que tal redução é também explicada por meio das políticas de (i) venda dos campos de petróleo; (ii) redução de investimentos para recuperação de óleo em campos maduros; e (iii) retração no custeio de novos projetos de exploração desde o final de 2015. Nesse sentido, os ganhos com o aumento do preço do petróleo poderiam ter sido ainda maiores se a Petrobras não tivesse adotado a política de desinvestimentos. 

Com esse aumento do preço do petróleo e a redução dos custos de extração/lifting cost, a área de E&P (exploração e produção) deverá ser o principal segmento da expansão dos lucros do primeiro semestre de 2019. 

Outro destaque diz respeito a situação da área de abastecimento (refino, transporte e comercialização), cujo resultado operacional possivelmente irá crescer pouco, mesmo com o aumento dos preços internos dos derivados e com a expansão das vendas em 1,1%.  Esse crescimento tímido será influenciado negativamente pela queda na receita das exportações de petróleo cru, dado o decrescimento da exportação em 1,5% e a redução do preço de exportação em 2,5%, e pelo aumento dos custos de importação dos derivados com o aumento da participação da Petrobras, que está descolando importadores privados.  

Apesar do aumento das importações de derivados, a produção das refinarias da Petrobras ficou estagnada no semestre em relação ao mesmo período do ano anterior, mesmo com o aumento das vendas da empresa. Dado esse contexto, a receita de vendas do abastecimento deve crescer numa velocidade bem menor do que a observada nos custos dos produtos e serviços vendidos, implicando na redução dos lucros da área. 

Em parte, isso se deve à estagnação do FUT do parque de refino da Petrobras no 1º semestre de 2019 de 75%, mesmo patamar do mesmo período em 2018, mesmo com o aumento das vendas de derivados em 1,1%. Com isso, a Petrobras aumentou as suas importações de derivados em 35%, sobretudo de diesel e gasolina, mesmo tendo capacidade ociosa em refinarias cuja disponibilidade de unidades de conversão (coqueamento e craqueamento catalítico) permitiria refinar petróleo obtendo esses tipos de derivados com eficiência econômica. Um exemplo disso é a RNEST/PE, refinaria pernambucana com alto padrão tecnológico e que já chegou a operar em 2016 com fator de utilização superior a 85%, mas que no último semestre teve a sua produção reduzida em 69,9%. 

A queda na produção de petróleo, atrelado a estagnação do FUT das refinarias, provavelmente não provocará queda no EBITDA ajustado (lucro antes de juros, depreciação e amortização) do refino no 1º semestre de 2019. 

Pelo lado do endividamento, os resultados do balanço deverão sinalizar a política em curso de acelerada desalavancagem (relação dívida líquida/LTM EBITDA), que tem como um de seus eixos a estratégia de adiantar o pagamento de dívidas junto aos seus credores, que está impactando negativamente na produção de petróleo. Com as receitas oriundas das vendas de ativos, a Petrobrás deverá reduzir o nível de endividamento.   

Os resultados operacionais e financeiros do balanço do 1º semestre de 2019 da Petrobras evidenciarão uma política de desinvestimentos que gera caixa no curto prazo, mas afeta as condições produtivas da empresa no médio e longo prazo, como, por exemplo, a redução da produção de petróleo e gás verificada nesse semestre. 

Em todo caso, as perspectivas na produção de petróleo, principalmente por conta do pré-sal, devem garantir um futuro promissor à empresa, desde que não ocorram novas turbulências no mercado internacional que reduzam o preço do barril do petróleo. A atual situação da empresa, já permite uma nova ascensão dos seus investimentos, mas isso dependerá de uma visão estratégica da nova gestão da companhia que parece caminhar em outra direção.

[INEEP]

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A Federação Única dos Petroleiros (FUP) foi criada em 1994, fruto da evolução histórica do movimento sindical petroleiro no Brasil, desde a criação da Petrobrás, em 1953. É uma entidade autônoma, independente do Estado, dos patrões e dos partidos políticos e com forte inserção em suas bases.