Valores pagos a trabalhadores de unidades operacionais que foram deslocados para o teletrabalho foram corrigidos 

[Da imprensa do Sindipetro Unificado SP | Foto: Marcelo Camargo/Agência Brasil]

Em negociação com a direção da Petrobrás, a Federação Única dos Petroleiros (FUP) pressionou e fez com que os valores do auxílio alimentação pagos aos trabalhadores de unidades operacionais deslocados provisoriamente para o teletrabalho durante a pandemia fossem igualados.

Além da equiparação do benefício em relação aos que atuam em regime permanente, a empresa também passará a efetuar o pagamento por meio do vale refeição, outra reivindicação da categoria.

Isso porque os descontos em folha faziam com que o valor creditado no contracheque sofresse uma redução de cerca de 30%.

No período de suspensão das atividades por conta da necessidade de isolamento social, os petroleiros do administrativo e do regime de turno ininterrupto deixaram de contar com as refeições nas unidades da Petrobrás e passaram a receber como compensação o auxílio almoço eventual.

A mudança no modelo de jornada que deve valer ao menos até 31 de março fez com que algo que deveria ser provisório se transformasse em contínuo e passou a provocar prejuízos aos trabalhadores, conforme explica a  diretora da FUP e do Sindicato Unificado dos Petroleiros do Estado de São Paulo (Unificado-SP) Cibele Vieira.

“Na pandemia, o pessoal do operacional estava recebendo auxílio almoço eventual e não a assistência alimentar do Acordo Coletivo. Nós apontamos a necessidade urgente de mudar isso, até porque não está sendo algo pontual, mas fixo, e se trata de algo que poderia ser corrigido imediatamente”, explica.


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A FUP participou na manhã desta quarta-feira, 16, da segunda reunião do Grupo de Trabalho paritário que está discutindo o teletrabalho no Sistema Petrobrás. Foram apresentadas à Gerência de Recursos Humanos diversas dúvidas e queixas da categoria em relação às regras que estão sendo propostas pela empresa para o pós pandemia.

A Federação alertou que a maior parte dos questionamentos feitos pelos trabalhadores já era previsível, pois o modelo de teletrabalho permanente que está sendo oferecido é basicamente a replicação do projeto piloto, que já existia antes da pandemia. Não há sequer uma definição objetiva sobre quem pode ou não aderir, já que as regras não especificam que atividades estão aptas para o teletrabalho. Outra queixa dos trabalhadores é o engessamento feito pela empresa, com a imposição da escala semanal.

Todos estes problemas estão ocorrendo porque a Petrobrás, até agora, não levou em consideração a proposta construída pelos trabalhadores no CONFUP e apresentada no dia 05 de agosto à companhia, com ampla discussão na comissão que foi instalada durante a negociação do ACT.

O teletrabalho tem que ter regras transparentes, objetivas e justas para todos os trabalhadores e não ser mais um instrumento de gestão desenhado especificamente para atender aos interesses da Petrobrás e suas subsidiárias. Por conta disso, a FUP orienta a categoria a não aderir ao termo proposto pela empresa, fortalecendo as entidades sindicais na negociação do GT, que terá um calendário denso de reuniões em janeiro.

“O pessoal do regime administrativo continuará em teletrabalho até março. Não tem por que ter pressa em relação ao pós pandemia e assinar o termo do jeito que está. Vamos continuar buscando no GT o atendimento da nossa pauta e avançar em pontos essenciais para garantir segurança e previsibilidade aos trabalhadores”, alerta a diretora da FUP, Cibele Vieira. Veja o vídeo abaixo.

Vale refeição – após a cobrança da FUP para que acabe com a diferenciação no pagamento do auxílio refeição dos trabalhadores de unidades operacionais que estão em teletrabalho, a Petrobrás informou que vai tentar agilizar a substituição do auxílio eventual que está sendo pago em folha, com valores reduzidos, para o cartão do Vale Refeição. 

 

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Em atendimento à cobrança da FUP, a Petrobrás agendou para esta quarta-feira, 16, às 10h, uma nova reunião do Grupo de Trabalho paritário que acompanha o teletrabalho nas empresas do Sistema. É a segunda reunião do GT desde que foi conquistado no Acordo Coletivo de Trabalho. A primeira reunião do Grupo foi no dia 12 de novembro, quando a FUP tornou a cobrar um regramento para o trabalho remoto, conforme discutido na comissão que discutiu esse tema com a Petrobras e subsidiária, em agosto (saiba mais abaixo).

Demandas da categoria que serão levadas à empresa

Muitos trabalhadores ainda não sabem se poderão ou não aderir ao regramento proposto, já que a Petrobrás não deixou claro quais atividades poderão ter ou não pelo menos uma escala de teletrabalho. Outra questão que precisa ser resolvida é a diferença entre o valor do auxílio almoço pago aos empregados de unidades operacionais em teletrabalho e o que é recebido pelos trabalhadores de escritórios. Além disso, há problemas também com a flexibilidade da escala feita pela empresa, que atualmente é semanal. A cobrança da FUP é por teletrabalho em período integral. Se isso não for atendido, que pelo menos a escala seja mensal, em vez de semanal.

Essas e outras demandas da categoria fazem parte da pauta de reivindicações relacionadas ao regramento do teletrabalho, cuja proposta foi construída e deliberada no Congresso Nacional da FUP, em julho, e apresentada à Petrobrás e subsidiárias.

Teletrabalho é pauta da FUP desde o início da pandemia

Desde o início da pandemia, a FUP vem cobrando da Petrobras e subsidiárias segurança e melhores condições de trabalho para os petroleiros e petroleiras que estão em home office, bem como um regramento que garanta previsibilidade à categoria. Em agosto, paralelamente ao processo de negociação do Acordo Coletivo de Trabalho, a FUP realizou quatro reuniões com a empresa, garantindo no ACT o compromisso dos gestores em criar um Grupo de Trabalho paritário para acompanhar o teletrabalho no Sistema Petrobras. Outra iniciativa importante foi a pesquisa feita com a categoria para identificar as principais demandas dos petroleiros que estão em trabalho remoto.

[Imprensa da FUP | Foto: Tânia Rego/Agência Brasil]

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A pesquisa sobre Teletrabalho do Sindipetro-NF e realizada por técnicos do Departamento Intersindical de Estatísticas e Estudos Socioeconômicos (Dieese) estrou na fase de apuração via ligação telefônica que vai até o dia 10 de dezembro.

Técnicos do Dieese selecionaram de um banco de dados fornecido pelo Sindipetro-NF e sob total sigilo, trabalhadores e trabalhadoras do administrativo de forma aleatória para participar da pesquisa e começaram a entrar em contato. Até o momento o Dieese já tem 113 entrevistas completas, da fase de auto preenchimento. A previsão é que até o final do ano os dados apurados sejam divulgados.

O Dieese é uma entidade conceituada em pesquisa e para saber se a pesquisa é aplicada por seus técnicos é importante verificar que o remetente do e-mail com o link de convite é Este endereço de email está sendo protegido de spambots. Você precisa do JavaScript ativado para vê-lo.

As respostas serão fundamentais para embasar a ação do sindicato a esse respeito, especialmente na negociação com a Petrobrás na busca de condições adequadas para trabalhadoras e trabalhadores, que adotarem o regime de teletrabalho.

[Da imprensa do Sindipetro-NF]

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Trabalhadores que foram transferidos compulsoriamente para o teletrabalho durante a pandemia estão recebendo cerca de 30% a menos de auxílio refeição

[Da imprensa do Sindipetro Unificado SP]

Nesta terça-feira (24), representantes do Sindicato Unificado dos Petroleiros do Estado de São Paulo (Sindipetro-SP) realizaram reunião virtual com a gerência de Recursos Humanos da Refinaria de Paulínia (Replan). Uma das pautas abordadas foi a falta de isonomia no pagamento do auxílio alimentação entre a própria categoria.

Durante a pandemia, os trabalhadores que migraram compulsoriamente para o teletrabalho, do administrativo ou do regime de turno ininterrupto, deixaram de usufruir das refeições que são oferecidas nas suas respectivas unidades da Petrobrás.

Como compensação, a estatal tem pagado o “auxílio almoço eventual”, depositado diretamente no contracheque dos petroleiros. Entretanto, pelos tributos descontados na folha, o valor é cerca de 30% menor do que o recebido pelos trabalhadores que já estavam no regime de teletrabalho permanente e que recebem o auxílio por meio de um cartão específico.

Para o mecânico da Refinaria de Paulínia (Replan) e diretor do Sindicato Unificado dos Petroleiros do Estado de São Paulo (Sindipetro-SP), Gustavo Marsaioli, não existe mais o caráter de eventualidade que fez com que esse modelo fosse implementado no início da pandemia. 

“A gente já vem questionando há bastante tempo. Em um primeiro momento, a gente entendeu que tenha sido feito dessa maneira, de forma emergencial, mas agora já não configura mais como caráter de eventualidade, tendo em vista que isso está ocorrendo desde março. Por isso, entendemos que os valores precisam ser equalizados”, aponta Marsaioli.

A gerência de Recursos Humanos informou que a orientação geral do Sistema Petrobrás é não ressarcir essa diferença. Entretanto, os representantes da empresa presentes na reunião afirmaram que a expectativa é migrar esses trabalhadores em regime extraordinário para um modelo permanente de teletrabalho no início do próximo ano, o que também daria a eles o direito de receberem o valor do vale alimentação por meio de cartão, sem dedução de impostos.

O Sindipetro-SP solicitou que o novo modelo permita aos trabalhadores dividirem o valor em dois cartões distintos, um de alimentação (utilizado em supermercados) e outro de refeição (aceito geralmente em restaurantes). 

A previsão inicial do regime compulsório de teletrabalho, que era até 31 de dezembro, foi estendida para o dia 31 de março. Caso o número de casos se mantenham altos, poderão haver novas prorrogações. 

A migração para o regime de teletrabalho causou redução de jornada de oito para seis horas e diminuição proporcional de 20% dos salários para os trabalhadores do administrativo. Além disso, uma parcela dos petroleiros do regime de turno ininterrupto também foi direcionada ao teletrabalho, com cortes nas remunerações que variaram entre 37,5% e 49%.

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A pandemia do novo coronavírus trouxe mudanças significativas a muitos trabalhadores. O teletrabalho foi uma estratégia adotada por diversas empresas, desde março, para garantir o isolamento social como medida recomendada pelos órgãos de saúde no país.

Foi a partir desta realidade que a CUT e a Associação Brasileira de Estudos do Trabalho (Abet) lançam neste mês uma pesquisa para compreender as percepções dos trabalhadores que hoje atuam em trabalho remoto.

Como explica o presidente da CUT São Paulo, Douglas Izzo, a proposta das entidades é conhecer as formas e a dinâmica como o trabalho remoto está sendo implementado pelas empresas e como os trabalhadores sentem estas transformações no seu cotidiano.

“Isso nos ajudará a compreender melhor o momento vivido pelos trabalhadores e os impactos nas relações trabalhistas, principalmente agora que os números das contaminações e internações voltam a crescer em uma pandemia ainda não controlada”, afirma.

Pesquisa e percepções

O questionário tem um tempo médio de resposta de 20 minutos. Podem participar trabalhadores que atuam nos setores público ou privado, em organizações sem fins lucrativos (ONGs) ou funcionários de entidades sindicais.

Segundo os organizadores, a participação é livre, voluntária e as entidades garantem a privacidade e o anonimato quanto às respostas.

Presidenta da ABET, Patrícia Vieira Trópia destaca que o teletrabalho é uma modalidade de trabalho que, embora não seja uma novidade, se expande na pandemia.

Para Patrícia, no Brasil ainda há poucos estudos sobre teletrabalho e o fato de a pandemia ter colocado alguns milhões de trabalhadores em trabalho remoto instiga algumas questões.

Neste sentido, pretende-se saber, entre outros aspectos, como o teletrabalho impacta a vida familiar e as relações de trabalho.

"A pesquisa visa levantar um conjunto de informações sobre o processo de adaptação dos trabalhadores ao teletrabalho, as condições disponíveis no ambiente doméstico, a compatibilização entre trabalho doméstico e teletrabalho, organização do tempo de trabalho, além da percepção dos pesquisados sobre o teletrabalho".

Para a secretária de Formação da CUT-SP, Telma Victor, a pesquisa chega num momento importante para avaliar os impactos do isolamento social.

"A pesquisa trará dados que irão auxiliar na discussão junto às categorias e nas mesas de negociação como proteção e regulamentação do trabalho remoto ou home office".

Petroleiros

No último dia 12, a FUP participou da primeira reunião do Grupo de Trabalho para acompanhar o teletrabalho no Sistema Petrobrás e discutir propostas de regulamentação do trabalho remoto na companhia. Cerca de 20 mil petroleiros e petroleiras estão em teletrabalho desde março, quando teve início o processo de isolamento social em função da pandemia da Covid-19. Para buscar informações sobre as principais demandas dos trabalhadores em home office, a FUP realizou uma pesquisa com a categoria, entre agosto e setembro. 


Participe da pesquisa da CUT e da ABET:
https://fs4.formsite.com/uvnr1L/4d8wju9r35/index.html


[Com informações da CUT]

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Quinta, 12 Novembro 2020 16:01

Teletrabalho: FUP negocia regramento

Aconteceu nesta quinta-feira, 12, a primeira reunião do Grupo de Trabalho para acompanhar e propor medidas que regulamentem o teletrabalho no Sistema Petrobrás. Neste encontro virtual, a gerência de RH apresentou a regra que foi passada para categoria e deverá ser implementada no período pós-pandemia. A direção da FUP reafirmou as premissas definidas para que possa ser validado o regramento. São elas:

> Ser negociado de forma coletiva, garantindo segurança e estabilidade jurídica para os trabalhadores e a empresa.
> Ter adesão opcional, com previsibilidade de duração e controle de jornada.
> Divisão de custo do trabalho e responsabilidade com a infraestrutura.
> Manter todas as garantias e benefícios previstos no ACT.
A gerência da empresa irá apresentar um calendário para as próximas reuniões do GT.

O GT é uma conquista da Federação no Acordo Coletivo de Trabalho 2020-2022.

[Imprensa FUP]

 

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A comissão da FUP que está discutindo o regramento do teletrabalho com os gestores do Sistema Petrobrás participou nesta sexta-feira, 21, da quarta reunião de negociação com a empresa. O tema principal foi saúde e segurança.

A Petrobrás fez uma apresentação com as orientações que estão sendo dadas aos trabalhadores em teletrabalho sobre ergonomia física, organizacional e cognitiva, através de cartilhas, guias e grupos no Workplace.

As direções sindicais cobraram que as CIPAs e comissões de SMS participem da elaboração dos mapas de risco e monitoramento das condições de trabalho, destacando a importância do envolvimento destes fóruns nas ações que garantam a saúde e segurança dos empregados que estão em teletrabalho. Uma das atribuições da CIPA é justamente o mapeamento e a análise de riscos e, portanto, deve contemplar, também, o ambiente de trabalho remoto.

A FUP lembrou ainda que a NR-17 prevê uma série de orientações relacionadas à ergonomia, destacando que as medidas da empresa precisam ser discutidas coletivamente, respeitando-se as normas regulamentares e os comitês de ergonomia.

Outro ponto reforçado pela federação foi a importância do regramento da jornada, já que a sobrecarga de trabalho impacta diretamente na saúde física e mental dos trabalhadores. O controle de jornada no teletrabalho é fundamental para que as pessoas possam se planejar e garantir uma rotina com exercícios físicos e atividades de lazer. 

A diretora da FUP, Cibele Vieira, relata como foi a reunião desta sexta: 

Próximos passos

Os petroleiros aguardam uma resposta da gestão da Petrobrás sobre as propostas que foram discutidas em relação ao regramento do teletrabalho, assim como um posicionamento relativo ao Acordo Coletivo.  


Leia também:

> Teletrabalho: FUP cobra controle de jornada, periodicidade e custeio da estrutura

> Teletrabalho: regras de adesão devem ser tratadas coletivamente para garantir segurança e previsibilidade

> FUP propõe calendário de negociação para regramento do teletrabalho no ACT


Participe da pesquisa da FUP sobre teletrabalho

É muito importante que os trabalhadores participem da pesquisa elaborada pela FUP para identificar os principais problemas e conhecer as demandas da categoria em relação ao teletrabalho. Esse subsídio é fundamental para fortalecer a FUP no processo de negociação coletiva. A pesquisa será sistematizada de forma confidencial.

Clique no link e preencha o formulário:

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[Imprensa da FUP | Foto: Thinkstock/Getty Images]

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[Da imprensa do Sindipetro Unificado SP]

Por necessidade de proteção contra a pandemia de covid-19, mais de 20 mil funcionários do sistema Petrobrás foram afastados de seus postos originais de trabalho, passando a integrar o sistema de teletrabalho instituído pela a empresa.

Nas bases do Sindicato Unificado dos Petroleiros do Estado de São Paulo (Sindipetro-SP), ingressaram nesse modelo trabalhadores da Refinaria de Paulínia (Replan) e Refinaria de Capuava (Recap), em Mauá, que atuam em horário administrativo e/ou fazem parte dos grupos de risco mais suscetíveis à doença. 

Somada às medidas de isolamento recomendadas, essa nova rotina trouxe dificuldades como sobrecarga de jornada, ansiedade, depressão e, ataque de pânico a quem está trabalhando de casa. 

Inicialmente, o petroleiro Guilherme Galdiano, que está passando pelo período de isolamento sozinho, diz que achou a adoção do teletrabalho uma medida vantajosa, até por não precisar gastar com transporte até o local de serviço. Contudo, com o passar do tempo, se tornou cansativo. “Ficar todos os dias em casa se torna desgastante e não temos mais aquela separação de ambiente de trabalho e ambiente de descanso, vira tudo uma coisa só”, admitiu.

Doutora em sociologia e professora da Fundação Escola de Sociologia e Política de São Paulo (FESPSP), Carla Diéguez explica que o isolamento social faz com que o trabalhador perca a referência do local de trabalho. “As atividades presenciais são importantes por conta do olho no olho, da linguagem corporal, e esses elementos foram perdidos, e num momento de crise econômica isso tende a se agravar e gerar mais ansiedade aos trabalhadores”, explicou. 

Necessidade de equipamentos próprios

Ao afastar parte de seus trabalhadores, a Petrobrás não prestou suporte inicial para que houvesse uma adaptação das casas para o trabalho. A empresa não disponibilizou cadeiras, computadores e nem internet para os petroleiros que precisavam trabalhar de suas residências.

“Como tínhamos móveis próprios [na empresa], não percebíamos como isso fazia diferença. [em casa] Tenho sentido um pouco mais de dor na região do pescoço e coluna e tento fazer alguns exercícios para dar uma soltada”, afirmou Galdiano.

Acostumado com a rotina na refinaria há quase 40 anos, um petroleiro que preferiu não se identificar  explicou que entrar em home office foi difícil logo de início por conta da falta de apoio da Petrobrás. “Foi angustiante ter que providenciar tudo, a estrutura residencial não está preparada. Antes de enviar alguém para teletrabalho, a empresa precisa pensar nas condições ergonômicas do funcionário”, declarou o trabalhador que precisou comprar computador e cadeira.

Após reclamações, a companhia reembolsou parte do investimento que os trabalhadores fizeram para a adequação do espaço residencial.

Jornadas em excesso

Assessor do Unificado, o médico do trabalho Adilson Campos explica que a ergonomia é de extrema importância e que em casa os móveis geralmente não são adequados para o exercício profissional contínuo. “As casas são feitas pra viver, não pra trabalhar e diversos fatores deste ambiente contribuem para a desatenção da pessoa que está em teletrabalho”, esclareceu. Para ele, há ainda as distrações e responsabilidades particulares que podem resultar em maiores jornadas a partir do no novo ambiente. 

Para o petroleiro Uiram Kopcak, criar uma rotina deve ser fundamental e o trabalhador deve se atentar ao horário em que loga e desloga do sistema. “Não é porque estou com o computador ou celular do meu lado, mesmo que fora do horário de expediente, que estou disponível para a empresa”, alertou. 

“Se o trabalhador estiver frequentemente trabalhando fora do horário de serviço, por conta de uma maior demanda ou afins, deve contatar o Sindicato para um apoio jurídico em busca de seus direitos”, indicou Kopcak, reiterando que, apesar do distanciamento, os trabalhadores devem se unir. 

Conciliação entre família e trabalho

Uma das principais dificuldades relatadas por trabalhadores de diversas áreas que migraram para o sistema de home office foi ter de lidar, de uma hora para a outra, com trabalho e família no mesmo ambiente. 

A situação foi totalmente nova e inesperada e, de acordo com o petroleiro que não quis se identificar e que já não está mais em teletrabalho, essa foi uma tarefa árdua. “É muito complicado. Em casa, a minha esposa já tinha a rotina dela e eu e minha filha, que também está em home office, passamos a fazer parte integralmente deste ambiente, o que resultou em estresse emocional e dificuldade na convivência”, explicou.

Para outra petroleira que também preferiu não se identificar, a dificuldade é a mesma somada à maternidade de duas crianças.

Também com filho em idade escolar, Uiram Kopcak admite ter dificuldades para relacionar as tarefas do trabalho com a vida em casa, mas conta com sua esposa para revezar no auxílio aos estudos da criança. “Minha esposa trabalha no quarto e eu na cozinha, meu filho sempre acompanha um de nós dois, mas é desafiador porque ele sente falta do convívio com outras crianças”, completou. 

Para amenizar os conflitos em casa, a socióloga Carla Diéguez explica que negociações sobre o uso dos espaços e horários são importantes para conseguir promover uma convivência de forma mais saudável. “A vida familiar é importante para a nossa sanidade mental, mas essa intensificação não”, concluiu.

Saúde mental

Um dos aspectos mais delicados e que sofre mudanças bruscas com as medidas de isolamento e home office é a saúde mental dos trabalhadores. Pesquisas apontam que após o início da pandemia houve um agravamento de doenças psiquiátricas, causadas principalmente por conta do estresse e tensão. 

Conciliando os afazeres domésticos com maternidade e trabalho, a petroleira que não se identificou afirmou que teve crises de ansiedade por sentir falta em trabalhar na refinaria. “Fico em casa o tempo todo com meus filhos e tive crise de ansiedade por sentir falta da minha vida adulta, conversando com outras pessoas, é uma situação angustiante”, explicou.

Já para Guilherme, existem altos e baixos e o home office não é algo que funciona todos os dias. “Acho que se pudéssemos sair, fazendo nossas atividades normais, o impacto seria menor. Além disso, o trabalho presencial é muito importante para resolver algumas pendências”, concluiu, afirmando que o teletrabalho tem que ser negociado dentro do Acordo Coletivo de Trabalho, e não individual. 

Mas há situações que demonstram como identificar e responsabilizar a empresa por doenças de trabalho será desafiador, como explica outro trabalhador que não se identificou. Ele teve de procurar ajuda psiquiátrica por conta dos problemas que desenvolveu devido ao isolamento e às condições de home office. “Tive crise de ansiedade, comuniquei a empresa e o médico do trabalho não estava preparado pra ouvir, simplesmente fui jogado para escanteio, que é o que a Petrobrás faz com seus funcionários que estão com problemas psicológicos”concluiu o petroleiro, que sugere que seja realizada, ao menos uma vez por mês, uma videoconferência pela empresa para saber como estão os funcionários.

Por se tratar de uma situação muito nova, de acordo com o médico do trabalho, dr. Adilson, a ansiedade é uma consequência comum.

A falta de transparência por parte da Petrobrás em relação ao futuro dos trabalhadores funciona como um gatilho para ansiedade que, de acordo com Diéguez, acaba sendo agravado por conta da crise econômica. Por isso, é necessário que a empresa seja sempre transparente. “É importante que a empresa deixe claro que o emprego de seus funcionários está garantido, mesmo que por um determinado tempo”, admite, explicando que o trabalhador pode até mesmo perder produtividade se a empresa não for suficientemente clara. 

Escapes do isolamento

Conciliar o teletrabalho com outras tarefas e praticar exercícios, integrar grupos virtuais e novos conhecimentos podem ser alternativas para evitar a sensação de isolamento e para melhorar a qualidade de vida. 

Kopcak, que é diabético, sentiu a necessidade de dar uma maior atenção à saúde. “Vejo vídeo-aulas com a minha esposa, e funciona como distração e serviu para eu emagrecer e controlar a minha glicemia, o que é muito importante, já que faço parte do grupo de risco”, concluiu. 

Criar programações, momentos de lazer com as outras pessoas da casa e pensar em planos para o pós-pandemia, para a socióloga Carla Diéguez também pode funcionar como um escape. “Precisamos fazer planos para o futuro e não precisa ser uma super aventura, pode ser um almoço num restaurante legal”, explicou.

Além disso, falar menos sobre trabalho com os outros residentes da casa também pode ser uma boa estratégia.

Para o médico trabalhista, dr. Adilson, estipular horários para trabalho através de uma regulamentação da jornada, a ser aplicada pela empresa tende a facilitar a vida do trabalhador que está nesse modelo. “Uma alternativa, além da implementação de uma regulação do tempo de jornada em casa, é uma participação ativa do Sindicato em busca dessa luta, em contato com a empresa”, finalizou. 

[Foto: Reprodução iStock]

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Nesta quarta-feira, 19, a FUP realizou mais uma reunião com a Petrobrás para dar sequência à negociação do regramento do teletrabalho. O foco desta vez foi nas relações trabalhistas. A federação voltou a frisar que o regramento deve ser garantido no Acordo Coletivo de Trabalho e que deve valer para todas as empresas do Sistema Petrobrás. Ao final da reunião, o RH sinalizou que irá apresentará uma proposta em breve.

Jornada - a FUP ressaltou a importância do controle de jornada, mesmo com flexibilidade de horário, como já existe no horário flexível. "É importante não ficarmos escravos dos sistemas corporativos 24 horas por dia, sem que a empresa sequer contabilize como trabalho", afirmou a diretora da federação, Cibele Vieira (veja o vídeo abaixo).

Periodicidade - a FUP reforçou o pleito de trabalho remoto integral ou em escala mensal, ao invés de semanal, como vem sendo divulgado pela Petrobrás. “Isso garante uma maior flexibilidade para quem trabalha em um estado e mora em outro, uma realidade cada vez mais presente na empresa, devido às transferências forçadas que os gestores estão implementando”, explica Cibele. Ela destacou também que a proposta da FUP permite uma adequação dos trabalhadores que eram de regime de turno e estão migrando para o teletrabalho, em função das desmobilizações que estão ocorrendo na companhia.

Estrutura - outra reivindicação da FUP é que o regramento do teletrabalho especifique que a empresa se responsabilizará pelo fornecimento de equipamentos, bem como os custos que os trabalhadores vêm tendo para manter a estrutura do trabalho remoto.

Subsidiárias

Diferentemente das reuniões anteriores, as subsidiárias não participaram dessa rodada de negociação, o que foi questionado pela FUP, já que o teletrabalho precisa ser regrado em todas as empresas do Sistema Petrobrás. A negociação, portanto, deve ser coletiva, ainda que haja adequações posteriores, de acordo com as especificidades de cada subsidiária. A FUP cobrou que as empresas voltem a participar das próximas reuniões, reforçando que as premissas que estão sendo negociadas devem ser aplicadas no regramento do teletrabalho em todo o Sistema Petrobras.

 

Negociação continua na sexta

As rodadas de negociação sobre teletrabalho no Sistema Petrobras tiveram início na segunda-feira, 17, quando foram discutidos critérios relativos à adesão (clique aqui para saber como foi a reunião). Na sexta, 21, a FUP terá mais uma negociação com a empresa, com foco nas condições de saúde e segurança.

O calendário de negociação específica sobre o teletrabalho foi definido, após reunião no dia 05 agosto, quando a FUP detalhou o ponto da pauta de reivindicações que trata sobre esse tema e reforçou a importância da negociação coletiva de regras que garantam segurança e previsibilidade para os trabalhadores.

Participe da pesquisa da FUP sobre teletrabalho

É muito importante que os trabalhadores participem da pesquisa elaborada pela FUP para identificar os principais problemas e conhecer as demandas da categoria em relação ao teletrabalho. Esse subsídio é fundamental para fortalecer a FUP no processo de negociação coletiva. A pesquisa será sistematizada de forma confidencial.

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A Federação Única dos Petroleiros (FUP) foi criada em 1994, fruto da evolução histórica do movimento sindical petroleiro no Brasil, desde a criação da Petrobrás, em 1953. É uma entidade autônoma, independente do Estado, dos patrões e dos partidos políticos e com forte inserção em suas bases.