Já foram registrados nove acidentes na refinaria fluminense neste ano, dois deles num mesmo dia de julho. Por problemas de segurança, desde 2019 Reduc não consegue obter certificação definitiva do IBP

[Da assessoria de comunicação da FUP | Foto: César Duarte/Agência Petrobras]

Com sete acidentes em diferentes unidades no primeiro semestre e outros dois ocorridos num mesmo dia de julho (veja relação no fim deste texto), a Refinaria Duque de Caxias (Reduc), em Duque de Caxias (RJ), recebeu nesta terça-feira (27/7) uma equipe do Instituto Brasileiro do Petróleo (IBP), responsável pela auditoria do Serviço Próprio de Inspeção de Equipamentos (SPIE), que fornece certificação de segurança a unidades da Petrobrás. A visita foi acompanhada por dirigentes do Sindicato dos Petroleiros de Duque de Caxias (Sindipetro-Caxias), filiado à Federação Única dos Petroleiros (FUP), que denuncia a falta de manutenção preventiva e o baixo efetivo de pessoal na refinaria, o que coloca em risco não apenas a segurança operacional da Reduc, mas também a integridade física e mental de seus trabalhadores, com jornadas extras e sobrecarga de trabalho.

No dia 12 de julho, um incêndio na U-1250 (UFCC – Unidade de Craqueamento Catalítico Fluido) foi provocado por vazamento de combustível em uma linha de aço carbono furada. No mesmo dia, a unidade de lubrificantes (U-1520) foi reparada de improviso, com a utilização de chaves de válvulas (foto abaixo) como travas de segurança para a parada de bombas.

Estas e outras irregularidades foram denunciadas ao Ministério Público do Trabalho (MPT), ao Centro de Referência de Saúde do Trabalhador (Cerest) e à Delegacia Regional do Trabalho (DRT) pelo Sindipetro-Caxias, que cobra da gestão da Petrobrás a abertura de investigações, com a participação de representantes do sindicato. Entretanto, a companhia ignorou os pedidos e não fez qualquer alteração na rotina de manutenção preventiva e na escala de pessoal.

A auditoria do IBP vem sendo feita desde 2016, quando um grave acidente provocou a morte de um trabalhador da Reduc, conta o coordenador do Sindipetro-Caxias, Luciano Santos. Segundo o dirigente sindical, a entidade constatou diversas irregularidades na época. E desde 2019, o instituto não concede a certificação definitiva de segurança à Reduc.

“No final de 2019, a Reduc obteve a certificação, mas de forma cautelar. Desde então, a refinaria vive numa ‘corda bamba’ de permanecer ou não com esse certificado de segurança, por conta de diversas irregularidades. Um exemplo ocorreu em 2020, quando um incêndio na U-1210 quase matou dois trabalhadores. Fizemos a denúncia, e em vez de investigar o problema, a gestão da Petrobrás me puniu com 10 dias de suspensão por ter levado a informação à imprensa”, explica Santos. 

SOBRA TRABALHO, FALTA PESSOAL E MANUTENÇÃO

O Sindipetro-Caxias verificou que os trabalhadores do turno, por vezes, trabalham 24 horas seguidas – o dobro das 12 horas por turno determinadas pelo Acordo Coletivo de Trabalho (ACT), fechado com a Petrobrás em setembro de 2020 –, devido à falta de profissionais para a rendição. Além disso, a Reduc tem operado com efetivo abaixo do número mínimo de empregados necessário à segurança das unidades industriais.

Mesmo sem acordo prévio com o sindicato, a gestão da Petrobrás impôs um novo modelo de atuação, reduzindo o contingente de mão de obra. O padrão, denominado Organizações e Métodos (O&M), foi implementado em junho de 2017, sob a alegação de que o número mínimo de trabalhadores em cada unidade operacional estaria superdimensionado e a refinaria teria tecnologia que “supre a presença humana”.

Os setores mais atingidos pelo baixo efetivo são os de combustível, transferência e estocagem de lubrificante e combustível (TE/MC), lubrificantes e parafinas, energia, água e efluentes, saúde ocupacional e segurança industrial (SMS/SI).

O fato é que, desde que o O&M foi implantado, aumentaram as emergências operacionais na Reduc. Além do baixo efetivo, o Sindipetro-Caxias aponta a precarização da mão de obra qualificada.

Santos afirma que se tornou prática da gestão da empresa acobertar acidentes, que somente são conhecidos por denúncias anônimas dos trabalhadores ao sindicato.

"A insegurança é resultado da cultura de maximização do lucro aplicada pela atual gestão da Petrobrás, com reduções de investimentos na manutenção e no efetivo da companhia, acabando com a mão de obra qualificada em importantes setores das fábricas, como nas áreas operacionais, de manutenção e de apoio. A saúde e a vida dos trabalhadores estão em jogo, e o sindicato permanecerá denunciando e mobilizando a categoria por mais segurança no chão de fábrica.”

A redução do efetivo e suas consequências para a segurança da refinaria e dos trabalhadores são objeto de ações judiciais movidas pelo Sindipetro-Caxias. 

A SEQUÊNCIA DE RISCOS E ACIDENTES NA REDUC NO 1º SEMESTRE DE 2021

15 de março – Vazamento de vapor de alta pressão multidirecional na parcializadora do compressor C-5302, da U-1530 (desparafinação do óleo). O acidente impõe riscos de vida para o operador, que tem de estar próximo do equipamento. Na ocasião, a gestão da empresa providenciou uma instalação improvisada de andaimes e tapumes para impedir a projeção do escape de vapor de alta pressão de quem se aproximasse do compressor.

A manutenção do equipamento foi realizada somente no final de junho, em função de ação judicial movida pelo Sindipetro-Caxias.

1° de abril – Vazamento de vapor na turbina do compressor C-450001, da HDS (hidrodessulfurização), provocando ruído enorme, de mais de 100 decibéis. O compressor, localizado em frente à casa de controle, está há mais de dois anos sem manutenção.

15 de abril – Vazamento do tanque de armazenamento de solvente (MIBC) TQ-6303, da U-1630 (desoleificação da parafina). A gestão operacional manteve o tanque em funcionamento, mesmo com um furo localizado numa altura de cerca de 5 metros (correspondente a 50% da capacidade de armazenamento do tanque).

9 de maio – Na U-1640 (hidrogenação de parafinas), alguns medidores indicam anormalidade no forno (H-6401), com possível obstrução e riscos de rompimento de tubulações e explosões. Iminentes riscos já vinham sendo denunciados desde março de 2021.

16 de junho – A U-2200 (setor TM - Termelétrica) parou em emergência à noite, por falta de água de caldeira (SG-2002), o que paralisou também diversas outras unidades por falta de energia elétrica. Além disso, houve emissão de fumaça preta, devido à queima incompleta nos flares (tochas), que fazem parte do sistema de segurança da Reduc.

O padrão O&M reduziu de quatro para apenas dois o total de trabalhadores na U-2200, cujo painel controla a complexa geração de energia elétrica e vapor em seis caldeiras da refinaria.

21de junho – Incêndio na U-1250 (Unidade de Fracionamento e Craqueamento Catalítico), por vazamento de produto a 250°C em uma linha de 3”, que furou.

26 de junho – Ocorrência de fogo em bomba de diesel pesado, na U-1710 (destilação atmosférica/vácuo no setor de lubrificantes). Apesar da dificuldade pelo número insuficiente de pessoal, os trabalhadores do setor conseguiram atuar no corte de carga ao equipamento com a ajuda de técnicos de segurança industrial e da brigada no combate ao incêndio, todos empregados próprios da empresa.

Na Regap, princípio de incêndio foi evitado por operadores que trabalhavam na parada de manutenção e não fazem parte do quadro efetivo da unidade

[Da assessoria de Comunicação da FUP | Foto: Washington Alves/Agência Petrobras] 

A Unidade de Hidrotratamento de Diesel (U-310) da Refinaria Gabriel Passo (Regap), em Betim (MG), registrou um vazamento de óleo na saída do forno. No momento do incidente, apenas um operador era responsável por toda a unidade. O trabalhador teve de chamar reforços para controlar a situação e paralisar a unidade. O evento ocorreu na madrugada do último sábado (17/7), e coloca em evidência a precarização do trabalho e os riscos de acidentes em unidades da Petrobrás, decorrentes da escassez de efetivo de pessoal de segurança. Não houve feridos ou danos às instalações da Regap, segundo informações do Sindicato dos Petroleiros de Minas Gerais (Sindipetro-MG), filiado à Federação Única dos Petroleiros (FUP). 

O Sindipetro-MG vem denunciando os riscos do baixo efetivo e mostrando o descaso com a manutenção na Regap. Nos últimos anos, a manutenção tem sido feita de forma menos criteriosa, com alterações na rotina de inspeção dos equipamentos. Segundo a entidade, a produção e a exigência de trabalho são as mesmas, em alguns casos até aumentaram, mas o número de pessoas reduziu muito nos últimos dois anos, levando profissionais a trabalharem em dias de folga, com jornada diária elevada e sem entrar em acordo com o sindicato”. 

O resultado disso é que em junho último foram registradas diversas ocorrências na Regap, como fogo em um conversor, devido ao vazamento de uma linha de gasolina; trincas no reator do craqueamento 1, onde foi necessário parar a unidade para realizar manutenção; e acidente com queimadura de vapor. 

“A redução de efetivo de pessoal e a intensificação da carga de trabalho estão ocorrendo em toda a Petrobrás, aumentando os riscos de acidentes nas unidades e no meio ambiente. Essa lógica é base do sucateamento que precede a privatização de ativos da empresa”, critica o coordenador do Sindipetro MG, Alexandre Finamori. 


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O Sindipetro-MG enviou ofício (Ofício 043.2021) à gerência da Refinaria Gabriel Passos (Regap), questionando sobre essas questões e ressaltando a preocupação com o baixo número de efetivo da refinaria e suas consequências à segurança. Em resposta burocrática ao ofício, a Regap disse que “a Refinaria Gabriel Passos – REGAP, em conjunto com outras unidades da Companhia, adota metodologia desenvolvida especificamente para o estabelecimento de critérios e parâmetros técnicos para dimensionamento do número de postos de trabalho de operação para as refinarias da Petrobras”. 


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Em fevereiro deste ano, a FUP já havia denunciado a precarização do trabalho e da segurança das operações do refino, quando a Unidade de Hidrotratamento e Hidrossulforização (UHDS) U-2631 da Refinaria Presidente Getúlio Vargas (Repar), em Araucária (PR), registrou um princípio de incêndio após vazamento de óleo diesel em uma área de alta pressão. No momento do acidente, também apenas um operador era responsável por toda a unidade. O episódio revelou, já naquele período, a falta de efetivo na Repar – que vem ocorrendo também em outras refinarias da Petrobrás, que integram o plano de privatização da atual gestão da empresa. 


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Deyvid Bacelar, coordenador geral da FUP, alerta para os riscos da redução de pessoal nas refinarias, que vem aumentando sistematicamente o risco das operações de uma indústria que já é de alto risco, tanto para trabalhadores, quanto para as comunidades do entorno. “Se a Petrobrás, uma empresa controlada pelo governo e com papel social, vem cortando pessoal para aumentar seus ganhos, mesmo que isso signifique aumentar o risco operacional, o que podemos esperar de um ente que adquira suas refinarias e que precisará dar retorno em menor prazo a seus acionistas?”, questiona ele.


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A direção do Sindipetro Duque de Caxias, junto com o SITICOMMM (Sindicato dos Trabalhadores da Construção Civil) e a prefeitura de Duque de Caxias, garantiu a 1.000 petroleiros e petroleiras da Refinaria Duque de Caxias (Reduc) a imunização contra a Covid-19 com a dose única da vacina Janssen, da Johnson & Johnson.

A vacinação começou nesta sexta-feira, 09, e está sendo realizada na entrada da Reduc, onde encontra-se o posto montado pela Secretaria Municipal de Saúde. Estão sendo imunizados trabalhadores com idades entre 39 a 45 anos, que não tenham tido sintomas do coronavírus nos últimos 15 dias.

Importante lembrar que ainda estamos em uma pandemia e que o uso das máscaras PFF2 e N-95 é obrigatório. 

O coordenador da FUP, Deyvid Bacelar, esteve na refinaria acompanhando a imunização, e ressaltou a importância da mobilização do Sindipetro. Veja abaixo:

[Com informações da imprensa do Sindipetro Caxias]

Publicado em Sistema Petrobrás
Segunda, 07 Junho 2021 14:12

Casos de COVID aumentam na REDUC

A falta de compromisso com a saúde dos trabalhadores não é de hoje, e com a pandemia a gestão se mostra cada dia mais perversa. Conforme previsão no ACT, o sindicato ingressou com ação judicial para requerer que a empresa informasse os dados quantitativos dos trabalhadores doentes. Mesmo com tal previsão devidamente assinada pela empresa no acordo coletivo, ela se recusava a fazê-la, obrigando assim o sindicato ingressar com ação judicial.

Agora, a empresa está recorrendo da decisão que determina que ela cumpra algo que se comprometeu a fazer. Todavia, o sindicato conseguiu uma liminar e por isso já está recebendo os dados quantitativo dos trabalhadores do turno da REDUC e UTE-GLB.

Entre os meses de abril e maio, houve um aumento de 152% em relação aos meses anteriores, período em que ocorreu as paradas de manutenção da U-1210 e U-1220. As paradas são um grande problema em meio a uma pandemia, tendo em vista o aumento do número de trabalhadores circulando pela fábrica. Por isto é tão importante um planejamento sanitário complexo, visando a segurança de todos.

No mês de maio de 2020, o Sindipetro Caxias contabilizava 101 casos confirmados entre os trabalhadores próprios e 77 trabalhadores terceirizados. Além da morte de quatro companheiros por COVID 19. No dia 02/05, faleceu o motorista da COMAP, Sr. Josimar Lopes Mouses, de 51 anos. No dia 09/05, o vigilante patrimonial da empresa Esquadra, Sr. Gilson Araújo Lione, de 55 anos, no dia 19/05, o Sr. Luiz Cláudio de Menezes, de 52 anos de idade, trabalhador do serviços gerais da LIMPIND, e no dia 23/05, o Sr.Celso Antonio Venâncio Lopes, motorista da COMAP, que faria 64 anos no dia 26/05. Em 2021, duas mortes. No dia 16/04, faleceu o trabalhador terceirizado, Waguinho, planejador de pintura da Equilibrium Vertical. Em maio de 2021, a primeira morte de um trabalhador próprio por COVID-19, o companheiro Marcelo Eduarde. A todas as famílias e amigos que tiveram perdas nessa pandemia, nosso sentimento.

A direção do Sindipetro Caxias alerta para o correto uso das máscaras de proteção PFF2 e higienização das mãos e equipamentos. Novas variantes do vírus estão surgindo no Brasil, e mesmo pessoas que estão fora dos grupos de riscos estão entrando para as estatísticas desta doença. Alguns cuidados, como evitar a aglomeração e fornecer máscaras PFF2 é o mínimo exigido para que a gestão seja humana e em prol das vidas de seus empregados. Não existe produção sem petroleiros. Está programado para julho uma nova parada de manutenção. Caso não seja adiada, uma nova onda de contaminação assombrará a REDUC.

De acordo com o último boletim elaborado pelo DIEESE/FUP, em nível nacional já são quase 6500 petroleiros contaminados, 47 seguem hospitalizados e 39 óbitos.

Basta de mortes, vida em primeiro lugar.

[Da imprensa do Sindipetro Duque de Caxias]

Após esforços do Sindipetro Caxias juntamente com a FUP, hoje a REDUC realiza a testagem em massa de antígenos (resultado com maior confiabilidade) da COVID-19. Porém, com a alegação de redução de custos, a empresa quer parar de realizar a testagem.
O que vem ocorrendo porém, é que na refinaria está tendo um surto de coronavírus e a realização de teste em massa, faz com que estes dados saltem, deixando clara a política negligente da empresa em não realizar os procedimentos de segurança em relação à pandemia.
O Sindicato já denunciou este crime gerencial e não vai descansar até que se hajam testes para todos, máscaras para todos e vacina para todos! Se cuide, a vida em primeiro lugar!

Enquanto municípios da Região Metropolitana do Rio de Janeiro decretam lockdown, a Refinaria Duque de Caxias inicia parada de manutenção da unidade de destilação, mais que dobrando o número de trabalhadores em suas dependências

[Comunicado à imprensa]

O Sindicato dos Petroleiros de Duque de Caxias (Sindipetro-Caxias), filiado à Federação Única dos Petroleiros (FUP), enviou documento à Justiça do Trabalho e ao Ministério Público do Trabalho (MPT) solicitando o adiamento da parada de manutenção da unidade U-1210 (destilação) na Refinaria Duque de Caxias (Reduc) – a maior unidade operacional da refinaria –, bem como máscaras N95 para os trabalhadores, além de equipamentos de segurança que diminuam o risco de os profissionais contraírem a covid-19. Desde março de 2020, a refinaria contabiliza mais de 1.800 pessoas contaminadas pelo coronavírus, entre trabalhadores próprios e terceirizados, com quatro mortes por decorrência da doença. Neste momento, há nove trabalhadores internados.

 A parada de manutenção na Reduc começou no dia 10 de março, aumentando significadamente o número de trabalhadores nas dependências da unidade. Na pandemia, a refinaria funcionava com aproximadamente 500 trabalhadores próprios e mais 1.300 terceirizados. Com esta parada de manutenção, aumentará em mais 3 mil terceirizados em seu pico para manutenção, além dos demais mencionados, elevando substancialmente a circulação de pessoas dentro da refinaria, colocando os profissionais em risco neste momento de pandemia. Hoje, o Brasil passa de 3 mil mortes por dia. Diversos estados e municípios do país estão entrando em lockdown, porque o sistema de saúde entrou em colapso. A ideia do lockdown é, além de fazer o vírus parar de circular, desafogar os hospitais. Há filas de espera em CTIs do Rio de Janeiro e, em alguns locais do país, já faltam insumos até para intubar o paciente, caso necessário.

 A Refinaria Gabriel Passos (Regap), em Betim (MG), vem sofrendo um surto de covid-19, com mais de 220 trabalhadores contaminados só neste mês, 84 deles de um mesmo setor. Até este momento, são 13 empregados internados por complicações da doença. A Refinaria Landulpho Alves (Rlam), na Bahia, sofre com o mesmo problema e, em apenas uma semana, perdeu dois trabalhadores por complicações da covid-19.

 “A Petrobrás manter esta parada de manutenção neste grave momento da pandemia demonstra descaso com a vida de seus trabalhadores e trabalhadoras. Desde janeiro estamos alertando a empresa dos riscos desta parada acontecer neste momento, inclusive enviamos documento solicitando o adiamento, mas não obtivemos resposta da Petrobrás”, explicou Luciano Santos, diretor do Sindipetro Caxias.

Você sabia que tem supervisor e até gerente na Reduc que, apesar do código de ética e de toda informação corporativa contra a discriminação, ainda acha que a operação não é lugar de mulher? 

[Da imprensa do Sindipetro Duque de Caxias]

Na Petrobrás, do efetivo total de trabalhadores, cerca de 16% são mulheres. Na área operacional, a quantidade de mulheres é ainda menor – chegando a 10% ou menos dependendo da unidade. Uma das possíveis razões talvez seja esse mesmo preconceito que atinge as mulheres, antes mesmo de realizar o concurso para preenchimento de vagas em cargos técnicos.

“Quando entrei ouvi alguns homens falarem que ali não era lugar de mulher, que deveria estar em casa cuidando do marido ou estudar para estar num lugar melhor. Estou há 12 anos provando o contrário. São sempre comentários revestidos de um caráter de cuidado por parte dos homens”, critica Andressa Delbons, técnica de operação da Reduc, diretora do Sindipetro Caxias e da Federação Única dos Petroleiros, além de coordenadora do Coletivo de Mulheres Petroleiras da FUP.

A diferença de tratamento é reforçada em períodos de retrocesso democrático, como esse que o Brasil e outros países do mundo enfrentam. E se afirma como uma reação do conservadorismo à conquista de direitos.

Quando a mentalidade predominante é de submissão, ela irá transparecer em todos os setores da nossa vida, negando não só a autonomia das mulheres mas também do país. Por isso vemos o Estado voltando a abrir mão da soberania nacional com ideais de privatização e sucateamento da educação, saúde… e isso também nos afeta.

Foi sob a gestão Temer que o subcomitê de diversidade – que é um requisito para que Petrobrás mantenha o selo pró-equidade de gênero, e que tinha uma representante das trabalhadoras, foi totalmente esvaziado. Um retorno desse fórum no governo Bolsonaro seria uma utopia, dada a ideologia do novo governo. Esse pensamento tacanho e retrógrado impacta no dia a dia das trabalhadoras e dificulta o avanço em questões fundamentais para a classe trabalhadora, como por exemplo o direito à amamentação. A partir desse fórum foi, por exemplo, expandida e facilitada a utilização das salas de amamentação em diversas unidades do Sistema Petrobrás.

Se você é homem e está parado no tempo, se atualize! Mas se você é mulher e se identificou ou já sofreu qualquer tipo de assédio dentro do local de trabalho, participe do Coletivo Nacional de Mulheres Petroleiras e vamos juntas combater este pensamento!


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Publicado em Sistema Petrobrás

Conforme edital divulgado no boletim Unidade Nacional, nº713, começa nesta segunda-feira (26) a votação para o plebiscito virtual realizado pelo Sindipetro Caxias para a escolha do regime trabalho – Tabelas de Turno de 8 e 12h para a UTE-GLB e REDUC.

O petroleiro cadastrado deverá realizar o login no link a seguir informando CPF e Data de Nascimento.

A sua participação é muito importante.

Vote em: https://app.panagora.com.br/sindipetrocaxias/assembleia-votacao-turnos

Confira também nosso vídeo sobre o assunto no YouTube

Para receber o link pelo WhatsApp, adicione em seus contatos do celular o número (21)996639953 e envie a palavra LINK.

[Da imprensa do Sindipetro Duque de Caxias]

Publicado em SINDIPETRO CAXIAS

Primeira vistoria será feita na Reduc (RJ), nesta quarta (21/10), e ocorre após divulgação de parecer da Fiocruz que indicou a alta contaminação pelo coronavírus entre trabalhadores da Petrobrás e a necessidade de que a doença seja comunicada pela empresa como acidente de trabalho

Após cobranças sistemáticas da Federação Única dos Petroleiros (FUP) e seus sindicatos filiados nas reuniões do grupo de Estrutura Organizacional de Resposta (EOR) da Petrobrás que trata das ações relativas à pandemia da Covid-19, a companhia agendou para esta quarta-feira (21/10) a primeira vistoria sanitária em unidades operacionais. A vistoria será na Refinaria Duque de Caxias (Reduc), no Rio de Janeiro, a partir da 7h, e contará com o diretor de SMS da FUP, Antonio Raimundo Santos, que também irá representar o Sindicato dos Petroleiros do Norte Fluminense (SindipetroNF); do secretário geral do Sindipetro-Caxias e diretor suplente da FUP, Luciano Santos; e do médico do trabalho que assessora a Federação, Ricardo Garcia Duarte.

A vistoria sanitária ganhou ainda mais importância após o parecer técnico-científico da Escola Nacional de Saúde Pública (ENSP) da Fundação Oswaldo Cruz (Fiocruz) que comprova que a frequência dos casos de Covid-19 (expressa na incidência contaminados por 100 mil) entre os petroleiros é mais que o dobro da frequência registrada na população brasileira (Acesse aqui a íntegra do parecer científico da Fiocruz). Além disso, o documento aponta que a resistência da empresa em emitir Comunicações de Acidente de Trabalho (CATs) para trabalhadores contaminados por Covid-19 é uma estratégia para manipular a Taxa de Acidentes Registráveis (TAR), indicador observado para determinar o desempenho internacional de companhias de petróleo e que pode desvalorizar as empresas se mantido em patamares altos.

Outro ponto analisado pelo parecer da Fiocruz é a Nota Técnica (NT) 28/2020, da Petrobrás, que estabeleceu procedimentos de testagem para liberação ao trabalho que foram condenados por diversos fóruns de saúde e de epidemiologistas, além de rechaçados pelo Ministério Público do Trabalho (MPT). “IgG positivo não garante imunidade que dê respaldo científico à NOTA TÉCNICA 28/2020 da Petrobras, assim como não há garantias de impedimento de processos de reinfecção por coronavírus”, reitera o documento. Os gestores da Petrobrás, no entanto, insistem em usar a NT 28 para validar o embarque e a permanência nas plataformas de trabalhadores que tiveram resultados positivos nos testes sorológicos rápidos. O mesmo procedimento continua sendo adotado nas unidades operacionais de terra.

“Um dos questionamentos que mais fizemos, e continuamos fazendo, envolve notas técnicas que o EOR estabeleceu como referência para aplicação no combate à pandemia. A principal é a NT 28, cujo protocolo estabelecido para testagem e consequente liberação para trabalho, como embarque para as unidades offshore e mesmo em escalas de turno nas refinarias e bases terrestres, é combatido e condenado por muitos especialistas das áreas médica, de epidemiologia, de saúde pública e a Petrobrás insiste em aplicar. Vamos verificar na vistoria sanitária se esse protocolo errado continua sendo aplicado pela empresa”, explicou Antonio Raimundo do Santos, diretor de SMS da FUP.

A vistoria sanitária é uma ação sindical que a FUP orienta todos os sindicatos a implementarem. Seu objetivo é fiscalizar e acompanhar as medidas implementadas pela Petrobrás e suas subsidiárias no combate à contaminação pelo coronavírus, visando a proteção dos trabalhadores próprios e terceirizados durante a pandemia da Covid-19.

“A importância dessa visita é a aplicação de uma cláusula que há muito tempo está em nosso Acordo Coletivo de Trabalho, mas que é pouco aplicada. Após essa primeira vistoria, vamos recomendar que todos os nossos sindicatos estabeleçam visitas sistemáticas às unidades operacionais, acompanhados de profissionais da área médica ou de segurança do trabalho. E o parecer da Fiocruz nos mostra, a partir de uma visão de profissionais especialistas, as contradições que a Petrobrás apresenta tanto nas divulgações de números e ações como na realidade observada por trabalhadoras e trabalhadores”, detalha Santos.

Encontro com a categoria

Os diretores da FUP e dos sindicatos que participam das reuniões semanais com o EOR estarão nesta terça-feira, 20, conversando ao vivo com os trabalhadores sobre o parecer da Fiocruz e as principais questões relacionadas à pandemia da Covid-19 que estão sendo tratadas com a Petrobrás. O Encontro com a categoria começa às 19h, nos canais da FUP no Youtube e no Facebook. Participe e divulgue: 

Bacia de Campos

Além do parecer da Fiocruz, na última reunião do EOR, a FUP e o Sindipetro-NF denunciaram que bases terrestres da Petrobrás em Macaé (RJ) – Imbetiba, Cabiúnas e Parque de Tubos – estavam desde 30 de setembro sem realizar nem mesmo testes rápidos em trabalhadores próprios da empresa e terceirizados. A alegação da petroleira era de que o contrato com a empresa responsável pelos testes estava sendo renovado e que a situação se normalizaria até 16 de outubro.

O SindipetroNF solicitou à Petrobrás que fornecesse guias de seu plano de saúde próprio (Assistência Multidisciplinar de Saúde –AMS) para que os petroleiros pudessem fazer os exames em laboratórios credenciados. Entretanto, o pedido foi negado.

[FUP | Foto: Agência Petrobras]

 

Após cobrança da FUP nas reuniões do grupo de Estrutura Organizacional de Resposta da Petrobrás (EOR), que trata das ações em relação à pandemia da Covid-19, a empresa agendou para o próximo dia 21 a primeira vistoria sanitária em unidades operacionais. A visita será feita na Reduc, com a presença de um representante da FUP, um do Sindipetro Duque de Caxias e do médico do trabalho que assessora a Federação, Ricardo Garcia Duarte.

A vistoria sanitária é uma ação sindical que a FUP orienta todos os sindicatos a implementarem, com o objetivo de fiscalizar e acompanhar as medidas implementadas pela Petrobrás e suas subsidiárias no combate à contaminação do coronavírus, visando a proteção dos trabalhadores próprios e terceirizados durante a pandemia da Covid-19.

É importante ressaltar que essas vistorias estão previstas no capítulo de SMS do Acordo Coletivo de Trabalho, cuja Cláusula 68 garante o acesso dos sindicatos aos locais de trabalho, acompanhado por médico do trabalho e/ou engenheiro de segurança do trabalho para acompanhamento das condições de salubridade e segurança.

[Imprensa da FUP]

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A Federação Única dos Petroleiros (FUP) foi criada em 1994, fruto da evolução histórica do movimento sindical petroleiro no Brasil, desde a criação da Petrobrás, em 1953. É uma entidade autônoma, independente do Estado, dos patrões e dos partidos políticos e com forte inserção em suas bases.