[Da imprensa do Sindipetro BA]

Milhares de petroleiros e petroleiras deixam a Petrobrás através do Plano de Demissão Voluntária (PDV) de 2019 e com eles uma geração de luta – que muito contribuiu para o desenvolvimento da estatal e para a conquista dos direitos da categoria – se despede da Companhia, deixando um importante legado.

Esses trabalhadores e trabalhadoras foram admitidos na Petrobrás na década de 1980, passando pelo governo Figueiredo, último general da ditadura militar no Brasil, pelos governos Sarney, FHC, Collor/Itamar, Lula, Dilma, Temer e Bolsonaro. Durante todos estes anos eles fincaram alicerces sólidos na luta da classe trabalhadora, acumulando conquistas e transformando o Acordo Coletivo de trabalho dos petroleiros em um dos melhores já firmados no país.

Outra marca dessa geração é o amor pela Petrobrás. Porque não havia distinção entre um e outro, era difícil saber onde começava a categoria e terminava a Petrobrás. A geração de 1980 se materializou na Petrobrás e vice-versa.

Com muita dedicação, esses trabalhadores deram passos importantes para o fortalecimento e o crescimento da empresa. Eles foram sujeitos e, ao mesmo tempo, testemunhas de grandes feitos como a ampliação das refinarias, descobertas de novos campos em terra e mar, o surgimento de novas subsidiárias, a criação da Universidade Petrobrás, o desenvolvimento tecnológico da empresa e a descoberta do pré-sal. Mas também presenciaram o desmonte da estatal nos governos Collor, FHC, Temer e Bolsonaro.

Os trabalhadores e trabalhadoras que entraram na Petrobrás quando a farda era cinza com a logomarca de um losango, também uma época onde os engenheiros da empresa eram chamados de doutores, usavam capacete branco, tinham ônibus reservados para os trabalhadores de nível superior com a denominação “técnicos”, gerentes eram servidos nos refeitórios com garçons e suas mesas reservadas, agora saem, vestindo a farda laranja com o símbolo da bandeira do Brasil onde ajudaram a debater, e defenderam igualdade, segurança, respeito, dentro da empresa, reverteram todas as medidas, defendendo uma empresa que tratasse os trabalhadores próprios e terceirizados com igualdade. Essa geração passou também por muitas provações, perderam amigos queridos que morreram nos muitos acidentes que aconteceram na empresa, principalmente no governo de FHC, como incêndios, explosões e o afundamento da Plataforma 36. Essas pessoas perderam suas vidas de forma trágica e não tiveram a oportunidade de conviver com suas famílias e se aposentar. Para elas, fica também a nossa homenagem.

Essa geração também foi muito importante para o movimento sindical: abriu portas, criou a unidade, rompeu com o sindicalismo assistencialista, criou o Comando Nacional dos Petroleiros e a FUP, uma federação nacional que uniu a categoria petroleira de todo o Brasil. Assim, os petroleiros passaram a ter sua pauta de reivindicações negociada em uma mesa única, garantindo direitos iguais para todos de Norte a Sul do país, inclusive para os trabalhadores das subsidiárias.

Também foi ela, essa geração que homenageamos aqui, que teve a visão da necessidade de unir os trabalhadores em cadeias representativas para que pudessem se fortalecer, contribuindo para a criação da Central Única dos Trabalhadores (CUT) e filiando os sindicatos dos petroleiros a essa combativa central, transformando-os em sindicatos classistas.

Conquistas históricas

Talvez os petroleiros mais novos não saibam, mas cada cláusula do ACT que temos hoje, com todas as suas vantagens e benefícios, não foram ofertadas pela Petrobrás. Em cada um desses itens do ACT há a marca da luta dos petroleiros dessa geração, que se empenharam, dormiram em barracas improvisadas durante as inúmeras greves que se fizeram necessárias, enfrentaram a polícia, a ditadura militar, foram presos e demitidos.

Foi essa geração que esteve à frente das greves históricas da categoria petroleira como as greves de 1992, 1994, 1995, 2001, 2009, 2015, 2018 e 2020. Muitos foram demitidos no governo de FHC e depois, de muita luta, readmitidos no governo Lula.

É bom que se diga que foi a partir destas greves que também vieram muitas conquistas como a valorização dos salários, a implantação da PLR, a Quinta Turma, o benefício farmácia, o Direito de Recusa, o regime de turno de 14 x 21, o 1 x 1,5 para o turno e o sobreaviso, entre outras conquistas.

Também foi ela, essa geração, que enfrentou a direção da Petrobrás e não permitiu a compra de direitos como o da dobradinha e a quinta turma, que impediu a mudança do nome da Petrobrás para Petrobax, que sempre lutou contra o assédio moral e a política antissindical em governos como o de FHC, Temer e Bolsonaro.

Ela também soube, como poucas, fortalecer o seu sindicato nos momentos mais difíceis como na ocasião da greve de 1995, quando o Tribunal Superior do Trabalho sequestrou as receitas do Sindipetro. Na época, a categoria encontrou uma forma alternativa de continuar contribuindo financeiramente com o sindicato, assim como para o sustento de todos os demitidos. O nome disto é solidariedade.

Muitas foram as lutas encampadas por esses companheiros e companheiras: em defesa da Petros, da AMS, contra a terceirização, por melhoria das condições de trabalho dos terceirizados e contra a privatização da Petrobrás e suas subsidiárias, conquistando uma importante vitória ao garantir a incorporação das Nitrofértil da Bahia e Sergipe à Petrobrás (atual FAFEN).

Enfim, uma geração que trabalhou com afinco e dedicação, para que a Petrobrás cumprisse o seu papel com a sociedade e o povo brasileiro, de abastecer o mercado com os derivados de petróleo, auxiliar, com diversos programas, para o bom desempenho da educação e saúde dos brasileiros, gerar emprego e renda, desenvolvendo uma tecnologia e uma expertise que transformaram a Petrobrás em uma empresa de ponta, de referência internacional.

Ao deixar a condição de trabalhador da ativa e passar a fazer parte do segmento dos aposentados, temos a certeza que pouca coisa vai mudar para essa geração, pois a luta faz parte do seu DNA. A luta pela soberania, por uma Petrobrás pública e integrada, pelos direitos da categoria, pelo fortalecimento da Petros e da AMS estarão sempre presentes no dia a dia desses companheiros e companheiras, que, refiliados ao Sindipetro, estarão, juntos com o sindicato, na linha de frente, enfrentando as inúmeras batalhas que já estão postas.

Por isso, não vamos dizer adeus, mas, sim, até logo. Contamos com cada um de vocês para continuar defendendo tudo aquilo pelo que sempre lutamos e acreditamos, defendendo nossos direitos, a categoria petroleira e nosso Brasil.

 

Aprovação da greve na Usina de Xisto (SIX) do Paraná fortalece movimentos regionais que completam nesta terça 19 dias. As greves no Sistema Petrobrás, que começaram no dia 05 de março nas unidades da Bahia, Amazonas, Espírito Santo e São Paulo, ganharam na segunda, 22, a adesão dos petroleiros mineiros e avança com a entrada dos trabalhadores da SIX no movimento

[Da imprensa do Sindipetro PR/SC]

Após uma série de seis sessões de assembleia, realizadas entre os dias 18 e 22 de março, os petroleiros da Usina do Xisto (SIX), em São Mateus do Sul-PR, decidiram que irão entrar em greve por tempo indeterminado a partir da próxima sexta-feira (26).  

A deliberação veio após várias tentativas por parte do Sindicato de negociar a pauta de reivindicação apresentada pelos trabalhadores.   

O Sindipetro PR e SC protocolou, em 18/02, a pauta junto à gerência geral da SIX com demandas relacionadas às condições de trabalho e garantia de direitos, caso ocorra a privatização da unidade. Dentre as reivindicações há pedidos de adoção de várias medidas de segurança dos trabalhadores, instalações e comunidades do entorno da SIX. 

De lá para cá, por diversas vezes o Sindicato tentou abrir uma mesa de negociação, mas a empresa negou todas, sem justificativa razoável. A entidade chegou a convidar os gestores locais para uma reunião de videoconferência na última terça-feira (16). No entanto, em ofício no dia anterior, apenas informou que  não compareceriam. 

Diante disso, o Sindicato submeteu o impasse à avaliação dos trabalhadores em assembleia. 91% dos participantes foram favoráveis à greve. Apenas 9% se abstiveram e não houve registro de um voto sequer contra o movimento. Sinal da unidade e indignação coletiva dos petroleiros da Usina do Xisto.

Publicado em Sistema Petrobrás

Seguindo o indicativo da FUP, os petroleiros iniciaram nesta sexta-feira, 05, greves regionais no Amazonas, em São Paulo e no Espírito Santo, cobrando da Petrobrás condições seguras de trabalho, manutenção dos empregos e respeito ao Acordo Coletivo. Na Bahia, a categoria retomou por tempo indeterminado a greve que havia sido temporariamente suspensa durante negociação com a empresa. Sem avanços, os petroleiros recomeçaram o movimento na madrugada desta sexta, em meio a pressão dos gestores, que enviaram um forte aparato policial para a RLAM e estão mantendo trabalhadores em cárcere privado, segundo denúncias recebidas pelo Sindipetro Bahia.   

Nesta sexta-feira, houve ainda mobilizações e protestos na Refinaria Abreu e Lima, em Pernambuco, e na Usina do Xisto (SIX), no Paraná, onde os trabalhadores também aprovaram a greve e devem iniciar o movimento nos próximos dias. Nas demais bases da FUP, a categoria segue em assembleias.

Com pautas de reivindicações diversas, os sindicatos denunciam os impactos das privatizações nas relações de trabalho, em função das transferências compulsórias feitas pela gestão da Petrobrás, da redução drástica de efetivos e do sucateamento das unidades, principalmente as que estão sendo vendidas. O resultado desse desmonte é o risco diário de acidentes, sobrecarga de trabalho, assédio moral e descumprimento rotineiro do Acordo Coletivo de Trabalho.

Avanço da Covid

Além disso, os trabalhadores do Sistema Petrobrás estão sofrendo diariamente com a negligência da direção da Petrobrás no combate à pandemia da Covid-19.  Assim como o governo Bolsonaro, a gestão Castello Branco vem negando recomendações, normas e protocolos de segurança dos órgãos de saúde e de fiscalização, como o Ministério Público do Trabalho, a Fiocruz e a Agência Nacional de Petróleo.

Em um ano de pandemia, mais de 5.200 trabalhadores da Petrobrás já se contaminaram. Isso equivale a mais de 11% do efetivo próprio da companhia. Ou seja, o dobro da média nacional. A cada semana, são mais de 420 trabalhadores infectados pela Covid-19 e uma média de 20 hospitalizados. Esses números, apesar de altos, são subnotificados, pois a Petrobrás insiste em não divulgar os dados dos trabalhadores terceirizados. Em meio às privatizações, a categoria petroleira ainda é obrigada a conviver com o pavor de ser contaminada pelos surtos semanais que estão ocorrendo nas plataformas, refinarias e terminais. Informações obtidas pela FUP revelam que mais de 60 trabalhadores próprios e terceirizados já perderam a vida em consequência da Covid.

[Da imprensa da FUP]

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O Sindipetro Bahia, através de sua assessoria jurídica, entrou com uma ação na 14ª Vara de Justiça de Salvador, para suspender o Programa de Demissão Voluntária (PDV) 2019, que seria colocado em prática no mês de março com as datas de saída dos trabalhadores previstas para os dias 17 e 24 desse mês.

A ação foi necessária para garantir que um dos itens previstos no regramento do PDV seja atendido. Na época da adesão ao PDV foi dada ao trabalhador a possibilidade de suspender temporariamente a sua saída da estatal para aguardar o lançamento do simulador do Plano Petros 3 e acessá-lo antes da homologação da demissão, já que muitos trabalhadores queriam mais tempo para analisar essa outra opção de plano de previdência e até mesmo para poder completar a idade mínima de saída. Mas a Petrobrás não está cumprindo com o acordado.

Na ação, o Sindipetro fez uma observação ressaltando que aqueles que, por ventura, quiserem manter a sua data de saída, poderão fazer, mesmo se o judiciário conceder liminar favorável à entidade sindical.

Apesar de entrar com a ação na justiça para garantir o respeito a um acordo assinado pela Petrobrás, o Sindipetro Bahia deixa claro que é contrário à migração para o Petros 3, por entender que esse plano não atende à categoria petroleira por ser muito inferior ao atual Plano Petros 1, e irá representar perdas para aqueles que fizerem essa opção.

O Sindipetro aguarda a avaliação do judiciário e, caso o pedido seja acatado, a concessão de uma liminar que possa suspender, provisoriamente, as saídas desses trabalhadores da estatal.

[Da imprensa do Sindipetro BA]

Publicado em SINDIPETRO-BA

Indicativo de greve está sendo aprovado nas assembleias convocadas pela FUP e seus sindicatos. Consulta à categoria prossegue até 03/03

[Do Informe FUP]

As assembleias iniciadas na semana passada nas bases da FUP estão aprovando o indicativo de greve em defesa dos direitos e empregos ameaçados pelo desmonte do Sistema Petrobrás.

Na Bahia, no Espírito Santo e em Minas Gerais, o indicativo já foi aprovado pela categoria. Os sindicatos enviarão ainda esta semana o comunicado de greve para a empresa.

Nas bases do Sindipetro Unificado de São Paulo e do Sindipetro Amazonas, os trabalhadores também estão aprovando o movimento. As assembleias serão concluídas no domingo, 27.

No Sindipetro PR/SC, a consulta aos trabalhadores começou nesta quinta e prossegue até o dia 02 de março.

Nos estados do Ceará, Rio Grande do Norte e Pernambuco, as assembleias ocorrem nos próximos dias.

No Norte Fluminense, no Rio Grande do Sul e em Duque de Caxias, a consulta à categoria será realizada virtualmente.

A orientação da FUP é de que os sindicatos concluam as assembleias até o dia 03 de março. A greve é uma reação da categoria petroleira aos diversos ataques de direitos e demissões que estão correndo no Sistema Petrobrás, de norte a sul do país, em meio à aceleração do desmonte da empresa, com vendas de ativos e fechamento de unidades.  

Além da insegurança imposta pela pandemia da Covid-19, com centenas de trabalhadores contaminados diante da irresponsabilidade dos gestores, que insistem em desrespeitar normas de segurança e protocolos estabelecidos por órgãos de saúde, os petroleiros também estão expostos ao risco cada vez maior de um grande acidente industrial, em função da redução drástica de efetivos. Os planos de demissão, sem reposição de vagas, vêm gerando acúmulo de função e dobras rotineiras. O problema foi agravado pela reestruturação das tabelas de turno, transformando as refinarias, terminais e plataformas em bombas relógio.

Soma-se a isso o ataque sistemático aos benefícios históricos da categoria, como a AMS e a Petros, as transferências compulsórias dos trabalhadores de unidades vendidas e fechadas, o assédio moral, o desrespeito à jornada dos petroleiros em trabalho remoto. Tudo isso é parte de um único projeto: o desmonte do Sistema Petrobrás e o redirecionamento da empresa para atender exclusivamente aos interesses do mercado e dos acionistas privados.

A hora, portanto, é de intensificar a mobilização. É fundamental que a categoria petroleira participe ativamente das assembleias e reaja enquanto é tempo. Vamos juntos defender nossos direitos e os empregos que estão sob ataque. É no coletivo que está a força da categoria petroleira. E é coletivamente que precisamos fazer esse enfrentamento.

Direção Colegiada da FUP

Publicado em Sistema Petrobrás

Sindipetro-PR/SC denuncia que havia apenas um operador no momento do vazamento que causou as chamas na U-2631, unidade da Repar que pegou fogo na madrugada do dia 13 

[Da imprensa do Sindipetro PR e SC] 

A UHDS (U-2631 – Unidade de Hidrotratamento e Hidrossulforização) da Refinaria Presidente Getúlio Vargas (Repar), em Araucária, registrou princípio de incêndio após vazamento de óleo diesel. O acidente ocorreu na madrugada do último sábado (13), em uma área de alta pressão. 

No momento do evento, apenas um operador estava responsável por uma unidade inteira dentro de indústria de risco elevado. O trabalhador teve que chamar reforço para controlar a situação. Não houve feridos ou danos às instalações.   

A UHDS faz parte do processamento de diesel. Utiliza hidrogênio para gerar o H2S (sulfeto de hidrogênio) e diminuir o enxofre do óleo. O resultado é a produção do diesel S-50. O H2S é conhecido como o “gás da morte” por ser altamente tóxico, incolor e formar misturas explosivas com o ar. Tem odor de ovo podre a baixas concentrações, mas inibe o sentido do olfato em concentrações elevadas. O vazamento dessa substância sem uma resposta rápida da equipe de operação pode ganhar contornos trágicos. 

Foi mais um episódio que revelou a falta de efetivo na refinaria. A Repar passou por um processo intenso de redução do número de trabalhadores em 2017 com a aplicação o estudo de Organização e Método (O&M). 

O problema foi agravado com a medida chamada de “demanda reduzida”.   Ela prevê que em caso de ausência de um empregado, o posto de trabalho será absorvido pelos demais, sob a alegação de reduzir os serviços. Na realidade isso não ocorre, uma vez que as rotinas de trabalho seguem as mesmas. O que acontece, de fato, é a redução ainda maior de efetivo em determinado dia. Foi uma forma que a gestão encontrou para evitar dobras de turno e, assim, diminuir pagamentos de horas extras. Porém, acarreta em vários riscos, como o agravamento da estafa de trabalhadores já abarrotados de ocupações em razão da redução de efetivo, falta de equipes para atuar em situações de emergência e todas as possíveis e terríveis consequências que isso pode gerar. 

O Sindicato ofereceu denúncia ao Ministério Público do Trabalho (MPT-PR) sobre a falta de efetivo na Repar. Um dossiê de mais de 500 páginas, que foi protocolado em 2013, discorre minuciosamente sobre a carência de trabalhadores na refinaria. O Sindipetro PR e SC aguarda até hoje um posicionamento do órgão público. 

Risco de Acidente Ampliado

A diminuição do efetivo somada à redução de investimentos em manutenção e à série de emergências que ocorre na Repar mostram que há o risco iminente de um novo acidente ampliado, a exemplo do vazamento de 4 milhões de litros de petróleo nos rios Barigui e Iguaçu, no ano 2000. 

Um dos mais sofisticados estudos sobre acidente de trabalho, o MAPA (Modelo de Análise e Prevenção de Acidentes de Trabalho) destaca que antes de um grande acidente exisitiriam séries de acidentes similares, quase-acidentes, incidentes e a instalação de equipamentos novos. “Eles incubam (Llory 1999) e precisam ser enxergados como janelas de oportunidade para o aprendizado organizacional”, discorre publicação do Centro de Referência em Saúde do Trabalhador (CEREST) sobre o tema. 

O difícil mesmo é fazer com que os gestores aprendam com seus próprios erros. Enquanto o lucro estiver acima da vida e a Justiça tardar, os trabalhadores da Repar, a comunidade do entorno e o meio-ambiente estão sujeitos a sofrerem com uma tragédia de grandes proporções.

Após matéria divulgada pelo Sindipetro-SP, Ministério Público do Trabalho notificou a Refinaria de Paulínia por atuar com número de funcionários abaixo do estipulado seguro

[Da imprensa do Sindipetro Unificado SP | Foto: Divulgação/Ag.Petrobras]

Operando com o número mínimo de funcionários abaixo do indicado desde meados de 2017, a Refinaria de Paulínia (Replan) foi novamente notificada, agora por meio de um procedimento aberto pelo Ministério Público do Trabalho (MPT), por conta de uma matéria divulgada pelo Sindicato Unificado dos Petroleiros do Estado de São Paulo (Sindipetro-SP) –  que também foi intimado para apresentar informações sobre o assunto. 

No mesmo ano de surgimento das denúncias, o Sindicato entrou com ação contra a Petrobrás com o objetivo de impedir o funcionamento da Replan abaixo da quantidade de efetivo de trabalhadores indicada. Atualmente, esse processo está em fase de realização de laudos, fiscalizações periciais e esclarecimentos de questionamentos feitos por peritos, que, inclusive, já constataram que a empresa continua operando com uma quantidade de trabalhadores abaixo do estipulado para garantir a segurança. 

“Ainda não se chegou a uma conclusão definitiva sobre o processo porque outras diligências e verificações foram realizadas, por conta do tamanho da refinaria, o que demandou até a atuação de dois peritos [para a otimização do tempo]”, explicou João Faccioli, advogado trabalhista que assessora o Sindipetro-SP. 

Além disso, em momentos de vistoria e realização de perícia na refinaria, os advogados que assessoram o Sindicato costumam estar presentes. “Geralmente, quando os peritos vão até lá, conversam com os trabalhadores e acabam descobrindo novos detalhes e informações. Ao passar isso para a juíza, uma nova diligência é realizada, o que impacta na demora de conclusão do processo”, comentou Faccioli sobre a expectativa de encerramento da ação. 

Notificação do MPT e resposta da Petrobrás

Após a mais recente notificação do MPT à Replan, a equipe jurídica do Sindipetro-SP aguarda a decisão definitiva sobre o caso. “Agora estamos aguardando o posicionamento da juíza a respeito do procedimento do processo, se mais alguma vistoria será indicada a ser realizada ou se o processo seguirá seu curso”, concluiu Faccioli.

Neste tipo de processo, o MPT atua de uma forma auxiliar, para garantir tal fiscalização, visto os riscos que a operação numa refinaria do porte da Replan sem a quantidade mínima de funcionários pode trazer para a segurança dos trabalhadores e até mesmo para a comunidade no entorno da empresa.

Em resposta ao MPT, ainda no final de dezembro do último ano, a Petrobrás alegou que todas as informações e denúncias sobre o baixo número de efetivo na Replan, divulgadas pelo Sindipetro-SP, são “inverídicas”, mesmo com vistorias que comprovaram o contrário. 

 

A Petrobras apresentou à FUP nesta sexta-feira, 15, um programa de realocação interna para trabalhadores das unidades que estão sendo privatizadas, fechadas e hibernadas. O RH informou que as transferências serão feitas através de seleção interna e realocação direcionada, sendo também oferecido aos trabalhadores a opção de adesão ao Programa de Desligamento Voluntário Específico (PDVE) ou ao Plano de Desligamento por Acordo (PDA), cada um com suas especificidades.

“Mais uma vez, o RH da Petrobrás está à reboque das decisões da gestão entreguista de Castello Branco, que vai cumprindo à risca o plano do governo Bolsonaro e de Paulo Guedes de privatizar a Petrobras a toque de caixa. Sem qualquer tipo de planejamento ou negociação com os sindicatos, o RH construiu às pressas um plano de transferência de trabalhadores, sem levar em consideração questões importantíssimas, como a segurança operacional, transferindo pessoas das unidades à venda para outras, criando uma situação de risco grave e eminente de acidentes ampliados de processo”, alertou o coordenador geral da FUP, Deyvid Bacelar.

Os trabalhadores alertaram a gestão da Petrobrás para a iminência de uma tragédia nas unidades operacionais da empresa, que já passam por graves problemas de segurança, em função dos efetivos reduzidos. Os dirigentes dos sindicatos que participaram da reunião denunciaram rotinas de dobras de 24 horas nas refinarias, acúmulos de funções, terceirização de atividades fins sem o devido treinamento, entre outras situações de risco a que os trabalhadores estão expostos.

Apesar do RH não revelar o número de trabalhadores que serão mobilizados pelos programas de realocação e desligamentos, o próprio presidente da empresa declarou recentemente que pretende terminar 2022 com apenas 34 mil trabalhadores, ou seja, menos 10 mil dos atuais 44.300 petroleiros e petroleiras que atuam na holding.

Desde 2014, o número de empregados que deixaram a Petrobrás através de planos de desligamentos ultrapassa 20 mil. O efetivo da empresa já caiu à metade do que era em 2013.  Só no PIDV 2019, foram inscritos 9.405 trabalhadores. De janeiro de 2019 até setembro de 2020, cerca de 4.500 petroleiros já haviam deixado a empresa.

O resultado desse desmonte é o aumento da insegurança, principalmente, nas unidades que foram colocada à venda. “Estamos sob a iminência de um grande acidente industrial ampliado, de proporções inimagináveis. Os trabalhadores das refinarias estão diariamente expostos a uma bomba relógio, assim como as comunidades do entorno e o meio ambiente. Com a redução de efetivos que já estão abaixo do quadro mínimo, a situação ficará cada vez mais insustentável”, alerta o Deyvid.

[Imprensa da FUP | Foto: Fernando Brazão/Agência Brasil]

O Sindicato dos Petroleiros de Minas Gerais (Sindipetro/MG) enviou, nesta quarta-feira (06), ofício à gerência da Usina Termelétrica de Ibirité (UTE-IBT), questionando a baixa disponibilidade de efetivo para operação segura da unidade. O ofício também foi encaminhado à Gerência de Relações Sindicais, localizada na sede da empresa.

O Sindicato recebeu denúncias de trabalhadores da unidade, alegando que o baixo número de técnicos está gerando jornadas exaustivas de até 12 horas em período de folga.

De acordo com o diretor do Sindipetro/MG, Felipe Pinheiro, a entidade cobra a reposição da equipe de técnicos de operação da Usina de Ibibité, diante das saídas em 2020 e das jornadas exaustivas devido a horas extras nas folgas.

“Os trabalhadores exigem uma resposta da gerência local e da Sede sobre essa situação tão crítica para o efetivo da equipe de operação. Há meses que as horas extras e as jornadas exaustivas têm se intensificado sem qualquer sinalização clara da Petrobrás sobre a reposição”, afirma o diretor.

Vale lembrar que a equipe sofre reduções enventuais por outros motivos, como férias, licenças médicas ou maternidade e liberações sindicais, conforme prevê o Acordo Coletivo de Trabalho (ACT).

Além disso, a pandemia de Covid-19 gera mais preocupação entre os trabalhadores, pois a necessidade de quarentena em casos confirmados ou suspeitos poderá potencializar o quadro crítico de efetivo escasso.

Abaixo, leia a íntegra do ofício:

Oficio 004.2021 – Questionamentos operação Ibirité

[Da imprensa do Sindipetro-MG]

Mesmo com denúncias sobre diversas unidades do Sistema Petrobras estarem operando abaixo do efetivo estipulado, a empresa reabriu programa para o desligamento de mais funcionários

[Da imprensa do Sindipetro Unificado SP | Texto: Andreza Oliveira]

A Petrobrás anunciou no início deste ano a reabertura do Programa de Demissão Voluntária de 2019, com inscrições que podem ser realizadas até dia 29 de janeiro de 2021.

Com mais de 14 milhões de brasileiros sem postos de trabalho fixo, segundo o IBGE, um aumento recorde de desempregados no país, a maior estatal brasileira corrobora para um agravamento da crise nas relações trabalhistas.

Contradizendo os próprios estudos, a realidade da companhia é de falta de um quadro efetivo com o número mínimo de trabalhadores para que seja garantida a segurança dos funcionários, da comunidade em torno às unidades e da própria empresa, algo já denunciado pelos trabalhadores do Sistema Petrobras.

Como alternativa para suprir a falta de trabalhadores em determinadas funções, a Petrobras implementou um novo Plano de Carreiras e Remuneração – o chamado “Mobiliza Contínuo”, que promove a intermediação para mudança de funções dentro da empresa ou transferência de unidades de trabalho. Contudo, a reclamação é que além da pouca transparência, o programa da estatal não consegue qualificar os trabalhadores no tempo necessário.

“A empresa não explica pra gente como vai suprir essa falta de efetivo e, na prática, não está conseguindo dar conta dos prazos para qualificar os trabalhadores que mudaram de função. O planejamento não está sendo bem feito”, explicou o coordenador da regional Campinas do Sindicato Unificado dos Petroleiros de São Paulo (Unificado-SP), Gustavo Marsaioli.

Reflexos da privatização

O dirigente aponta ainda que enxugar o efetivo por meio de programas de desligamento voluntário e aposentadorias antecipadas é uma forma que a atual gestão da Petrobrás utiliza para facilitar uma possível venda.

“Por conta do concurso público, os funcionários não podem ser demitidos, por isso a Petrobrás utiliza alternativas para desligamentos e busca reduzir o efetivo com aposentadorias e programas de desligamento, enquanto tenta sanar a falta de trabalhadores, de maneira falha, com alternativas como o Mobiliza”, completou Marsaioli.

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A Federação Única dos Petroleiros (FUP) foi criada em 1994, fruto da evolução histórica do movimento sindical petroleiro no Brasil, desde a criação da Petrobrás, em 1953. É uma entidade autônoma, independente do Estado, dos patrões e dos partidos políticos e com forte inserção em suas bases.