O mundo sindical, do trabalho, da resistência, perdeu um dos seus mais valorosos guerreiros: Carlos Alberto Mota Itaparica, diretor do Sindiquímica Bahia e da Confederação Nacional do Ramo Químico da CUT (CNRQ), faleceu nesta quarta-feira (12), deixando como legado a sua história, escrita no chão da fábrica, em inúmeras assembleias, greves, mobilizações e articulações políticas e sindicais com o desejo de construir um mundo melhor, mais justo e igualitário.

A Federação Única dos Petroleiros e todos os seus sindicatos filiados lamentam imensamente a partida desse guerreiro e nos solidarizamos com seus familiares, amigos e companheiros de sonhos. Seu legado é o que nos consola nessa hora. Itaparica participou de grandes lutas junto com os petroleiros, em defesa do Sistema Petrobrás, por condições seguras de trabalho e tantas outras batalhas, que travou ao lado da nossa categoria.

Itaparica tinha 58 anos e deixa três filhos (Tiago, Tatiana e Júnior), seis netos e a sua companheira Lucíola Conceição, também diretora do Sindiquímica-BA. Ele estava internado desde julho no Hospital Cardiopulmonar, em Salvador, para tratar de uma infecção respiratória (não relacionada ao Covid-19), mas não resistiu. O sepultamento será nesta quinta, às 15h15 no Cemitério Bosque da Paz e o velório a partir das 13h15.

Formado em Química pela Universidade Estadual da Bahia (UNEB), funcionário da empresa petroquímica Braskem, ele foi secretário sindical do PT, diretor da CNRQ/CUT e único representante dos trabalhadores latino-americanos no segmento da indústria química na Coordenadoria de Centrais Sindicais do Cone Sul (CCSCS).

Um lutador do povo

O coordenador da FUP, Deyvid Bacelar, diretor do Sindipetro Bahia, onde atuou lado a lado com Itaparica, lamenta profundamente a perda do companheiro. “Quem conhece a trajetória de vida de Itaparica, sabe que ela se confunde com a história de luta do ramo químico da CUT e das trabalhadoras e trabalhadores brasileiros”, ressalta.

Deyvid destaca também a participação de Carlos Itaparica nas lutas em defesa da democracia e da soberania popular. “Junto com outros grandes nomes, ajudou a libertar a Bahia do Carlismo. Ajudou a dar a Bahia uma cara diferente. Uma Bahia que se reconstruiu a partir dos governos populares e democráticos do Partido dos Trabalhadores e Trabalhadoras, com Lula e Dilma, com Jaques Wagner e Rui Costa, com mais de 20 hospitais e diversas obras de infraestrutura”, lembra.

“Essa inquietude de lutar contra as injustiças, herdei da minha família”

Durante muitos anos, Itaparica ficou à frente do Setor de Comunicação do então Sindicato dos Químicos e Petroleiros da Bahia, onde realizou um excelente trabalho, contribuindo com ideias criativas que levaram à uma série de publicações como jornais, revistas, cartilhas e boletins especiais, materiais que auxiliaram na formação de trabalhadores de diversos ramos.

Muitos diretores do Sindipetro-BA conviveram por muitos anos, e de perto, com Itaparica e a sua morte causou muita tristeza. Além do sentimento de perda, fica a lacuna que dificilmente será preenchida, principalmente em um momento tão difícil como esse que vivemos no Brasil.

“Essa inquietude de lutar contra as injustiças eu posso dizer que herdei da minha família. Meu avô era brizolista e meu pai um trabalhador que participava dos movimentos contra a ditadura e que lutava pelo retorno ao regime democrático”, costumava dizer Itaparica quando falava sobre sua escolha de participar desde jovem dos movimentos estudantis e sindicais.

Pai e avô amoroso, Itaparica conseguia unir a luta aos cuidados com a família. O Companheiro fará falta, mas estará sempre presente em nossas memórias e corações. À família nosso mais profundo sentimento.

Itaparica, presente!

Homenagem do amigo Mauro Menezes

O assessor jurídico do Sindiquímica Bahia, Mauro Menezes, que defende as causas dos petroquímicos baianos desde 1989, conviveu durante três décadas com Carlos Itaparica. Muito comovido, fez uma homenagem ao amigo, relembrando sua trajetória no movimento sindical. Segue a íntegra do texto:

Em memória de Carlos Itaparica

O sorriso aberto era a marca registrada desse grande companheiro que hoje fez a sua despedida precoce. Carlos Itaparica sempre esteve na linha de frente da luta sindical. Trabalhador do Pólo Petroquímico de Camaçari, logo se engajou no Sindiquimica-Bahia. Naturalmente, transformou-se em liderança.

O diálogo era a sua ferramenta. Em sua militância, fazia diferença pela inteligência e pela perseverança. Itaparica sabia também conservar os bons principios do movimento classista. Tinha substância política. Isso o levou à Direção da Confederação Nacional dos Químicos. Constituía referência da Central Única dos Trabalhadores.

Articulava ainda no plano internacional, atuando na CCSCS. Enfim, dedicou-se de corpo e alma ao sindicalismo autêntico. Essa rotina desgastante cobrou o preço de sua saúde, acometido de doenças ligadas à obesidade. No Sindiquimica, atuou em diversas áreas, sempre com relevância. Marcou época a sua atuação como diretor da área de comunicação do sindicato. Fazia dobradinha com ninguém menos que Rui Costa. Dois craques da política sindical.

Itaparica estava no nível dos grandes líderes sindicais. Era respeitado pelos representantes patronais. E, sobretudo, tinha a confiança da base dos seus representados. Asssiti de perto a sua atuação em negociações coletivas, em assembleias sindicais, na porta de fábrica e em reuniões de definição estratégica.

Enfim, ao longo de mais de 30 anos, acompanhei a sua trajetória e atuei ao seu lado, como advogado e assessor jurídico da entidade. Inconfundível a maneira como me saudava, com um misto de carinho e admiração, sem abrir mão de uma ponta de ironia, ao me chamar de “Doutor Mauro...”, assim, com um arrastado no final e um sorriso maroto nos lábios.

Ele sabia, e eu também sei, que sindicalistas genuínos como ele desconfiam do que há de ilusório na luta jurídica. Tanto ele quanto eu sabíamos que a luta política de emancipação da classe trabalhadora é o que importa. Daí a ironia sempre renovada, bem compreendida entre nós dois. Com o tempo e o enfrentamento conjunto das adversidades, reconhecemos ambos que o trabalho jurídico deva ter o seu espaço assegurado nessa etapa da marcha social.

O que pouca gente sabe é que éramos amigos desde a adolescência. Fizemos parte de uma mesma delegação aos Jogos Estudantis Brasileiros de 1981, em Brasília. Ele na equipe de atletismo. Eu, na de Xadrez. Isso rendeu muitas lembranças  e brincadeiras naquela época e ao longo da nossa amizade posterior, irmanados na luta sindical. Sim, Itaparica era atleta quando jovem. Em seguida, descobriu a sua vocação definitiva: lutar pela dignidade das pessoas, com uma consciência política invejável e muita determinação pessoal.

Hoje choramos a sua partida. Tenho orgulho por ter sido amigo e companheiro desse grande baiano de luta que foi Carlos Itaparica. Adeus, querido amigo! Você teve uma vida honrada.

Brasília, 12 de agosto de 2020

Mauro Menezes - Advogado e Assessor Jurídico do Sindiquímica-Bahia desde 1989

[FUP, com informações do Sindipetro-BA]

Publicado em Movimentos Sociais

É mais um importante passo na luta da categoria petroleira, que está em greve há 19 dias contra as demissões e o fechamento da fábrica

O juiz Flávio Antônio da Cruz, da 11ª Vara Federal de Curitiba, determinou nesta quarta-feira, 19, que o Ministério Público Federal investigue os riscos para a soberania nacional, decorrentes do fechamento da Fábrica de Fertilizantes Nitrogenados do Paraná (Fafen). A denúncia foi apresentada por dirigentes do Sindiquímica-PR, que, através de uma Ação Popular, cobram a suspensão imediata da hibernação da unidade.

O fechamento da fábrica, a única que produz ureia pecuária no país, além de amônia ativa e Arla, insumos essenciais para o agronegócio e a indústria de componentes de motores automotivos, aumenta a desindustrialização e compromete a soberania nacional. Agricultores e pecuaristas ficarão ainda mais dependentes da importação destes insumos, o que refletirá no bolso do consumidor, que já sofre com o atual cenário de dólar alto.

Acionista integral da Araucária Nitrogenados, gestora da Fafen, a Petrobrás terá que responder por “lesividade ao patrimônio público, à soberania nacional, à função social da propriedade, ao consumidor e ao tratamento favorecido às pequenas empresas, bem como seu papel no desenvolvimento nacional e na redução na desigualdade social”, como cobram os autores da Ação.

No despacho concedido em favor de Caio Rocha da Silva e Reginaldo Fernando Lopes da Silva, trabalhadores da Fafen e dirigentes do Sindiquímica-PR, autores da Ação Popular, o juiz federal Flávio Antônio da Cruz cobra que sejam apuradas as denúncias de “que a ordem para interrupção do funcionamento da ANSA - Araucária Nitrogenados S/A seria ofensiva ao interesse do povo, dado comprometer o desenvolvimento da indústria nacional no setor de fertilizantes, ser agressiva à soberania da República Federativa do Brasil, ser contrária à superação de desigualdades sociais e regionais, dentre outras variáveis”.

Federação Única dos Petroleiros

Publicado em Greve 2020

Na última quarta-feira (08), foi concluído o processo eleitoral para a nova diretoria do Sindiquímica Paraná. Com participação de 80% dos associados, a chapa única Lula Livre foi eleita por unanimidade pelos trabalhadores.

O diretor do Sindiquímica, Gerson Castellano, ressalta que, apesar desta ser a quinta eleição consecutiva com chapa única, os trabalhadores não abrem mão da eleição, pois defendem incondicionalmente o processo democrático de escolha dos seus representantes. “Refutamos qualquer outra forma de referendo, seja por aclamação ou indicação que faça perpetuar as direções, sem eleições diretas”, ressaltou. Outro ponto destacado por Castellano é o nome da chapa “Lula Livre”, que reflete o total apoio da categoria ao ex-presidente Lula. “A categoria sabe a importância dessa bandeira, tanto que compareceu em massa à votação e elegeu a chapa por unanimidade”, afirmou.

A posse da nova diretoria do Sindiquímica Paraná será realizada no dia 14 de setembro e o mandato tem início no dia seguinte com o novo coordenador geral, Santiago da Silva Santos, à frente da entidade. Castellano destaca a importância da renovação, com grande participação dos jovens na direção e rodízio dos trabalhadores na Coordenação do sindicato. Ele lamenta a baixa participação feminina no quadro de associados, o que se reflete na diretoria da entidade. “Hoje temos apenas três petroquímicas filiadas. Sabemos que essa falta de aproximação com o sindicato se deve muito ao assédio que elas sofrem dentro da empresa, mas estamos trabalhando para mudar esse quadro”, afirmou.

A FUP parabeniza cada um dos petroquímicos e petroquímicas que priorizaram a luta e participaram da eleição, respeitando e fortalecendo a democracia sindical. Desde que teve início o processo eleitoral para renovação das diretorias dos sindicatos petroleiros, a categoria vem referendando nas urnas as chapas apoiadas pela FUP, o que comprova a importância de sindicatos atuantes, classistas e comprometidos com a defesa da soberania, da democracia e das conquistas da classe trabalhadora.

[FUP]

Publicado em Trabalho

A Federação Única dos Petroleiros (FUP) foi criada em 1994, fruto da evolução histórica do movimento sindical petroleiro no Brasil, desde a criação da Petrobrás, em 1953. É uma entidade autônoma, independente do Estado, dos patrões e dos partidos políticos e com forte inserção em suas bases.

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