Na manhã desta segunda-feira (05/07), o ex-ministro das Relações Exteriores, Celso Amorim, compartilhou com diretores da Federação Única dos Petroleiros (FUP) e sindicatos filiados uma análise de conjuntura nacional e internacional.

Duas vezes Ministro das Relações Exteriores, a última durante oito anos no governo do ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva, Celso Amorim foi também Ministro da Defesa no governo Dilma. Estudioso dos assuntos de defesa, em diálogo com petroleiros e petroleiras de todo o Brasil, ele analisou o governo Bolsonaro e as mudanças no governo americano e na geopolítica.

A exposição do ex-ministro começou chamando a atenção para um fato recente, que passou quase despercebido em meio à avalanche de notícias que nos atropela: a visita de William Burns, diretor da CIA, agência de inteligência do governo norte-americano, que reuniu-se semana passada com ministros do governo Bolsonaro, em Brasília, na volta de sua passagem pela Colômbia. Para Amorim, foi um fato surpreendente, pois “geralmente essas autoridades se deslocam na véspera de um conflito, ou situação muito dramática. Por isso mesmo, a vinda do chefe da CIA despertou várias especulações. Todas elas respeitáveis”, afirmou.

Após destacar que Colômbia e Brasil foram os dois únicos países que votaram contra a resolução que condena as sanções contra Cuba na ONU, e que “são os dois países cujos presidentes estavam mais ligados a Trump”, Amorim acrescentou: “Acredito que essa visita do chefe da CIA foi para tomar o pulso em ambos os países. Eles (referindo-se aos EUA) estão olhando para América Latina e tentando entender como vão se posicionar. Não acredito que ele (William Burns) esteja aqui para apoiar um golpe, seria muito evidente e contraditório com a forma de atuação da CIA. Me parece que seja mais uma necessidade de entender”.

Mudança de tom

Amorim divide em duas frentes as mudanças ocorridas na política norte-americana, após a vitória de Joe Biden. Internamente, destaca mudanças: “no sentido de uma política mais social, um retrocesso do neoliberalismo, e um aumento do investimento público”. Mas, do ponto de vista da política internacional, ele diz que “mudou muito pouco”. Porém, Amorim enxerga “uma mudança de estilo, com menos ameaças, uma diferença no tom, há vários indícios disso, o que não significa que os objetivos tenham mudado”.

Para o ex ministro, os EUA continuam a ver a América Latina sob a ótica da luta pela hegemonia mundial com a China e a Rússia: “A cabeça norte-americana em relação ao continente ainda é muito moldada pela visão de América Latina como quintal estratégico”. Porém, afirmou que “em política internacional, uma mudança de tom pode significar salvar milhares de vidas e não pode ser desprezada”. E apontou: “Os Estados Unidos com Biden decidiram voltar ao mundo, mas parece que ainda não perceberam que o mundo mudou e que essa hegemonia que eles exerceram durante tanto tempo terá que ser compartilhada. É algo que o Brasil e a América Latina têm que entender também para se posicionar”.

A Caserna e a política

Ministro da Defesa no momento mais tenso da relação entre os governos progressistas e as Forças Armadas, que foi a instauração da Comissão Nacional da Verdade (CNV), em 2011, Amorim afirma que existe um processo de politização dos militares, mas defende a necessidade da existência das Forças Armadas.

“Há um ranço da caserna com a esquerda, que vem dos anos 30, se acentuou com a Guerra Fria e ficou amenizado durante os governos Lula e Dilma, graças aos progressos feitos e a forma respeitosa com que foram tratados”, afirma, acrescentando: “A Comissão da Verdade mexeu em feridas, é verdade, que poderia ter sido feito de outra maneira, talvez, mas não devemos puxar para nós a responsabilidade de uma coisa errada deles, que foi se meter em política”.

Para o ex-ministro da pasta da defesa, o que o presidente Bolsonaro está tentando fazer com as Forças Armadas é “neutralizá-las”, ou seja, “fazer com que numa situação caótica, gerada com apoio de setores das polícias ou milícias, as Forças Armadas não atuem". Apontando um certo “desconforto de setores do alto comando”, Amorim acredita que "dificilmente os militares apoiariam Bolsonaro numa aventura de golpe”.

Mas Amorim reafirmou a necessidade da existência das forças militares: “Um país de dimensão continental, com dez fronteiras, com o maior litoral no Oceano atlântico do mundo, uma riqueza como o pré-sal, um espaço aéreo gigante, não pode deixar de ter Forças Armadas. Mas elas têm que entender que sua missão é proteger a soberania da nação”.

Desafíos nacionais

No tocante à realidade nacional e à conjuntura política, o diplomata apontou a necessidade de reforçar a luta pelo impeachment do presidente Jair Bolsonaro: “O ideal seria que Bolsonaro fosse derrotado por Lula nas urnas. Mas as coisas ruins que podem acontecer até lá no campo humano, político, cultural e econômico, não nos permitem abandonar a linha de exigir o urgente impeachment do Bolsonaro”.

“Não devemos ter medo da palavra impeachment. Precisamos restabelecer a democracia no Brasil. Estamos falando de quase 530 mil mortes, uma economia que não cria emprego, situação de carestia que atinge sobretudo os mais pobres e vulneráveis”, afirmou.

Para Amorim, “a elite econômica está descontente com esse comportamento absurdo do Bolsonaro em relação à pandemia, que teve efeito contrário. Além das mortes, as elites económicas sabem que as soluções para a economia não deram certo. Querem um governo estável, não uma crise por dia. Isso está enfraquecendo a base política de apoio do Bolsonaro”.

Para sair desta situação, o ex-ministro aponta Lula: “Um líder que transcende o Brasil, enxergado no mundo como uma liderança importante, que pode reconstruir esse país”. E acrescenta: “O Lula está tendo uma atitude muito coerente e muito correta nesse momento. Lula é uma figura agregadora que tem que ser preservada e conquistar a Presidência da República”.

[Da imprensa da FUP]

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A noite dessa terça-feira (15) resgatou um importante capítulo na vida de todos os gaúchos. Há dez anos, no dia 13 de dezembro de 2010, os petroleiros venceram a luta pela reincorporação da Refap, que voltava a ser  100% Petrobrás. O ato virtual, organizado pelo Sindipetro-RS, contou a com a participação dos ex-governadores Tarso Genro e Olívio Dutra (PT), com os representantes das Frentes Parlamentares Nacional e Estadual, Elvino Bohn Gass e Pepe Vargas (PT), do ex-deputado estadual, Raul Carrion (PCdoB) e do eleito vereador de Porto Alegre, Pedro Ruas (Psol).  Durante toda a atividade, os participantes reforçaram a nossa atual luta pela permanência da Petrobrás no estado. Com mediação e apresentação do jornalista Juremir Machado, a live pode ser conferida no Facebook (sindipetro.rs) e no canal do Youtube (sindipetrors).

No dia 4 de agosto de 2000, FHC entregava 30% da Refap à empresa argentina Repsol. A partir daí, foram dez anos de desmantelamento e encolhimento da empresa. Um período de demissões e de forte pressão, o que levou trabalhadores ao adoecimento, resultado do estresse, de redução de pessoal e de ataques sofridos pela administração da empresa.    

Fruto de uma decisão política, o processo que resultou na reestatização da Refap iniciou com a eleição do governo Lula, que interrompeu as desenfreadas privatizações que vinham acontecendo desde 1995 pelo governo FHC.

A Luta continua 

Durante a live, Olívio Dutra (PT), então governador do estado, no ano 2000, lembrou da luta do seu governo para tentar barrar a venda da refinaria. A entrega da riqueza brasileira vem se repetindo, com mais intensidade e a passos largos, no governo Bolsonaro: " o estado na visão deles (governo FHC e Bolsonaro) é uma empresa que tem que trabalhar de forma pragmática, como se não existisse o ser humano. O estado é muito mais do que isso. O povo tem que ser sujeito e não objeto da política, para que o povo viva bem. Serviços fundamentais não devem ser privatizados, tudo isso é tentativa de reduzir o estado para a maioria do seu povo e ampliar o interesse de um grupo privado".

Para o ex-governador Tarso Genro, a reincorporação da Refap à Petrobrás, teve um significado extremamente importante na política do estado: "todos nós sabemos que uma estatal desenvolve políticas que contemplam uma totalidade de fatores, na malha produtiva, na arrecadação dos municípios e do próprio estado. Foi uma notícia extraordinária na época, que jamais imaginaríamos que iria se reverter de forma tão calhorda, quando este (atual) governo anunciou o processo de privatização".

Para o presidente da Frente Parlamentar em Defesa da Petrobrás no RS, o deputado estadual, Pepe Vargas (PT), é necessário debater com a sociedade todos os prejuízos que serão causados com a saída da Petrobrás no estado: "a sociedade não está suficiente esclarecida, este é um assunto que pouco frequenta o noticiário dos grandes veículos. O que existe é uma resistência e uma tentativa de esclarecimento por parte do Sindipetro, pela FUP e por uma parcela de parlamentares. A sociedade ainda não se deu conta de que a privatização vai trazer o aumento no valor do gás e da gasolina. O governador Eduardo Leite poderia ser um porta-voz dos interesses do estado e não se omitir, como vem fazendo, dessa luta.   

O deputado Elvino Bohn Gass (PT), presidente da Frente Parlamentar Nacional em Defesa da Petrobrás, falou sobre a necessidade da luta para barrar o anúncio de venda Refap: "temos que ter força social e popular, fazer as disputas no parlamento, no  judiciário e em todos os órgãos. Sem pressão externa eu não acredito em mudança. Nesse sentido, temos que mostrar a falácia do argumento de que privatizar a refinaria reduziria o preço de gás e da gasolina. Isso é mentira. Não vão construir novos dutos, não haverá outras refinarias, isso se chama monopólio natural. Esse é o grande debate".

A repercussão completa da Live dos 10 anos da Refap 100% Petrobrás estará na próxima edição do Jornal Papo Direto. Aguarde.  

[Imprensa da FUP]

Publicado em SINDIPETRO-RS

Em vídeo enviado aos trabalhadores do Sistema Petrobrás, o coordenador geral da FUP, Deyvid Bacelar, reforça a importância da categoria participar aprovar nas assembleias um amplo calendário de luta contra as privatizações em curso.

A construção de uma agenda nacional de mobilizações em defesa do Sistema Petrobrás foi deliberada no último Conselho Deliberativo da FUP. O calendário está sendo apresentado aos trabalhadores nas assembleias que prosseguem até o dia 23 para deliberar sobre o indicativo de aceitação da proposta de regramento da PLR.  

Atos e mobilizações em defesa da Petrobras

Em plena pandemia da Covid-19, com os trabalhadores cada vez mais expostos à contaminação e sendo transferidos a toque caixa, em meio ao desmonte da empresa, a gestão Castello Branco acelerou o processo de privatização. Nos últimos meses, a Petrobrás comunicou ao mercado que está em estágio final de venda de diversas unidades, como os complexos de refino e terminais da Bahia (Rlam), do Paraná (Repar e Six) e do Ceará (Lubnor).

Não bastassem todas as dificuldades que a pandemia impõe, os petroleiros estão sendo obrigados a enfrentar um dos momentos mais dramáticos da história da categoria. A resistência coletiva é o único caminho possível.

Por isso, a FUP e seus sindicatos convocam os trabalhadores a aprovar uma agenda de mobilizações e atos, tanto em nível nacional, quanto local, em defesa do Sistema Petrobras, dos direitos, dos empregos e da vida.

>Ato nacional contra a venda da Rlam e dos terminais da Bahia, com data a ser definida pela FUP

> Dia Nacional de Luta em defesa da redução do preço do botijão de gás, com ações em diversas cidades do país, articuladas em conjunto com os sindicatos, cuja data ainda será definida.

O Sindipetro Bahia também está submetendo aos trabalhadores de suas bases a aprovação de uma greve local para barrar o desmonte da Petrobrás no estado. A orientação da FUP é de que os demais sindicatos avaliem também outras formas de mobilizações permanentes (paralisações, atrasos, cortes de rendição) contra as privatizações.

[Imprensa da FUP]

 

Publicado em Petrobrás Fica

A Associação Beneficente e Cultural dos Petroleiros do Paraná e Santa Catarina (ABCP) tem o objetivo de alcançar mil cestas e beneficiar famílias em situação de vulnerabilidade social de Curitiba e Araucária nos dias 21, 22 e 23 de dezembro. Sua doação é essencial 

[Da imprensa do Sindipetro-PR/SC | Foto: Divulgação]

As ações sociais da ABCP acontecem desde o início da pandemia. Elas são realizadas graças a solidariedade das trabalhadoras e trabalhadores das unidades da Petrobrás no Paraná e Santa Catarina. E no momento de agravamento da crise sanitária provocada pelo coronavírus, a situação de diversas famílias de Curitiba e região se agravou, o que torna a Cesta Esperança ainda mais essencial. 

A cesta custa R$ 70 e vai ajudar a fazer o Natal de pessoas carentes um pouco mais feliz. Lembrando que completam o kit solidário os alimentos vindos dos assentamentos do Movimento Rural dos Trabalhadores Sem Terra (MST), como alface, acelga, batata doce, repolho e melancia. 

Serão beneficiadas famílias de Curitiba que moram na Portelinha (Santa Quitéria), Vila Santos Andrade (Campo Cumprido) e no Xaxim; e em Araucária na comunidade Santa Cruz. 

Bora fortalecer? 

:: Banco do Brasil

   Agência: 5044-X

   Conta Corrente: 371-9

   CNPJ 80.043.045/0001-82 

:: Caixa Econômica Federal (CEF)

   Agência: 0369

   Conta Corrente: 00005048-4

   CNPJ 80.043.045/0001-82

Publicado em Cidadania

O governo Bolsonaro tem promovido um verdadeiro desinvestimento no Brasil com a venda de 8 das 13 refinarias da Petrobras. Durante live nesta segunda-feira (07/12), o presidente do Sindicato dos Bancários da Bahia, Augusto Vasconcelos, e o coordenador geral da Federação Única dos Petroleiros e diretor do Sindipetro Bahia, Deyvid Bacelar, discutiram a quem pode interessar o entreguismo.

As empresas públicas têm sido entregues a preço de banana ao capital estrangeiro. Augusto Vasconcelos lembra que a Petrobras não é a única neste processo, em que a Caixa também está inserida, com a venda do banco digital e outras subsidiárias. O presidente do SBBA analisa que a venda de setores estratégicos do Brasil compromete a economia, retardando a volta do crescimento do país.

O que salvou o setor de petróleo durante a pandemia do coronavírus foram as refinarias, sendo um contrassenso a venda delas. Deyvid Bacelar alerta que a privatização da Petrobras pode causar um desabastecimento dos derivados no país. 

Segundo a ANP (Agência Nacional de Petróleo, Gás Natural e Biocombustíveis), se houver vendas das refinarias poderá faltar gás de cozinha em algumas regiões do país, e a PUC – RJ chama atenção da possibilidade de serem constituídos monopólios regionais, a partir da compra por empresas privadas.

O grande objetivo da venda das refinarias é pagar a fatura do golpe iniciado em 2016 com o impeachment de Dilma Rousseff, já que petrolíferas apoiaram a queda da presidenta, injetando recursos a parlamentares, além do patrocínio da campanha em 2018. 

Parte da dívida já foi paga com a aprovação da Medida Provisória que dá isenção fiscal de R$1 trilhão nos próximos 20 anos as empresas petrolíferas, além de desmoronar o marco regulatório do Pré-Sal brasileiro, tirando a Petrobras como única controladora.

A venda também serve as grandes petrolíferas internacionais, que não fazem mais guerra, mas querem se aproveitar do potencial petrolífero brasileiro, além de ser o 6º maior mercado de derivados do petróleo do mundo. Não faz sentido privatizar nem subutilizar refinarias, nem nenhuma estatal do Brasil, já que todas as empresas públicas poderiam contribuir com o Fundo Social Soberano Brasileiro, capaz de levar ao país a um futuro justo e sustentável para todos. 

Reveja a live: https://www.instagram.com/tv/CIgy1PcldhV/?utm_source=ig_web_copy_link

[Do Sindicato dos Bancários da Bahia | Foto: divulgação]

 

Publicado em Petrobrás Fica

Os trabalhadores da PetroReconcavo e o Sindipetro Bahia festejam os avanços nas negociações que levaram à aprovação do fechamento do Acordo Coletivo desses trabalhadores do setor privado, após assembleia virtual que aconteceu na noite da segunda-feira (7).

Mesmo diante de uma conjuntura econômica e política difícil em que muitas categorias estão tendo dificuldade para fechar bons acordos, os trabalhadores da PetroReconcavo conquistaram avanços significativos como um reajuste salarial de 2,44% retroativo a setembro. O mesmo percentual (inflação do período acumulada medida pelo IPCA) será aplicado aos tickets refeição e alimentação. O primeiro passará a ter o valor de R$33,45 por ticket (diário) e o segundo será de R$ 579, 89, mensal.

Outra grande conquista foi a adoção do Plano nacional de Saúde Bradesco, na modalidade apartamento para os titulares e dependentes. Também foi negociada a redução da coparticipação dos trabalhadores no pequeno risco de 25% para 20%.

Além do pagamento de hora extra a 100% para os trabalhadores de turno que forem convocados em suas folgas pela empresa.

O Sindipetro Bahia e o Sindipetro Rio Grande do Norte conseguiram que esse mesmo Acordo, aprovado na Bahia, seja aplicado no Rio Grande do Norte, o que o torna um ACT nacional.

Foi aprovado também o pagamento de uma taxa assistencial de 1% sobre o salário básico para cobrir as despesas com a campanha reivindicatória.

A PetroReconcavo é a maior operadora privada em operação na Bahia,em número de trabalhadores e em produção de petróleo e gás.

Com um histórico de boa e constante atuação no setor privado, O Sindipetro Bahia está dando continuidade à negociação dos outros acordo do setor.

[Da imprensa do Sindipetro Bahia]

Publicado em Setor Privado

Por Deyvid Bacelar, coordenador geral da Federação Única dos Petroleiros - FUP

Você, petroleiro e petroleira, já se perguntou de onde vieram os direitos consolidados no Acordo Coletivo de Trabalho? Não caíram do céu, nem nos foram dados. Cada cláusula do ACT foi conquistada na luta, fruto da capacidade de organização da classe trabalhadora.

Agora eu te pergunto, o que a FNP construiu em prol dos petroleiros? Por que em quase 15 anos de existência essa divisão sindical jamais conseguiu negociar uma só cláusula do ACT? A resposta talvez esteja na maneira com que seus dirigentes tocam as campanhas reivindicatórias: não fazem greve, não negociam, são contra o que a FUP constrói na negociação, indicam rejeição do ACT e depois assinam o mesmo Acordo.

Inércia sindical

Por trás da inércia sindical da FNP está a total incapacidade de organização dos trabalhadores. E isso se reflete na maior base do Sistema Petrobrás, que é o Rio de Janeiro, onde está o comando da empresa. O baixo grau de filiação do sindicato é o sinal claro de que há um grave problema de representatividade. Há mais de uma década, as direções sindicais são eleitas basicamente com votos dos aposentados. A greve de fevereiro deste ano, uma das mais importantes da história da categoria petroleira, foi protagonizada pela FUP em uma base da FNP, através da ocupação do Edise.

Se não é capaz de organizar os trabalhadores além das bravatas, como a FNP vai conseguir negociar com responsabilidade e efetividade o Acordo Coletivo? Cada conquista e direito da nossa categoria tem por trás a força de sua organização sindical. Entre 2005 e 2013, o ACT passou de 113 para 186 cláusulas. Apesar da sua importância e abrangência, ele vem sofrendo duros ataques que vão além dos gestores do Sistema Petrobrás.

Ataques ao ACT

Desde que foi criada, a FNP atua contra o nosso ACT, indicando a sua rejeição em todas as campanhas reivindicatórias, sem jamais apresentar alternativas viáveis para a categoria. O roteiro é o mesmo há mais de uma década. O Acordo cresceu de tamanho, os petroleiros acumularam ganhos reais e avanços significativos nas condições de trabalho e benefícios, mas, os sindicatos que integram a FNP sempre se posicionaram contra, sem acrescentar uma única cláusula sequer. 

Com as mudanças conjunturais a partir 2016, o Sistema Petrobrás começou a sofrer o maior desmonte da sua história, com perda de diversos ativos que foram privatizados, desinvestimentos, redução drástica dos efetivos próprios, demissões em massa de terceirizados e uma série de ataques aos direitos da categoria. As resoluções 22 e 23 da CGPAR são parte desse projeto político imposto.

É evidente que este ACT não é o que gostaríamos de ter pactuado, mas foi o melhor acordo possível dentro da atual conjuntura. A FUP jamais iludiu a categoria, como sempre faz a FNP e fez de novo nesta campanha, colocando em risco milhares de trabalhadores. Nas bases do Sindipetro-RJ, por conta das irresponsabilidades da direção do sindicato, houve perdas de 70% da gratificação de férias e a Petrobrás aplicou acordos individuais para cerca de 7 mil trabalhadores.

Sabemos que o Acordo Coletivo está aquém do que queríamos, mas é o que nos dará respaldo para manter a AMS, impedir demissões sem justa causa e preservar a essência dos nossos direitos históricos.

Quem é o inimigo?

Ao contrário de muitos companheiros da FNP, temos o entendimento claro de que o inimigo não é quem nos faz oposição sindical e sim os que conduzem o projeto fascista ultra liberal, seja dentro ou fora da Petrobrás. É dessa turma que partem os ataques contra os direitos dos trabalhadores, contra o patrimônio público, contra a soberania nacional e contra a democracia.

Para enfrentar e derrotar o inimigo, o front de batalha tem que ser unitário. E a FUP jamais fugiu a essa responsabilidade, sempre protagonizando a construção de frentes de lutas contra as privatizações e em defesa do pré-sal. Não é de hoje que alertamos a categoria de que não há salvação individual. A luta contra esse desmonte tem quer ser coletiva. Até quando a FNP vai continuar batendo bumbo, sozinha na praça, nos tratando como inimigo, enquanto o verdadeiro inimigo avança?

Publicado em Movimentos Sociais

A partir de obras variadas, a lista de filmes elaborada pelo Sindipetro Unificado SP traz elementos que ajudam a entender o modo de funcionamento do setor econômico e político mais importante do último século. Vale a pena conferir

[Da imprensa do Sindipetro SP | Por: Guilherme Weimann]

Espionagens, golpes, assassinatos, dinheiro e poder, uma busca incessante pelo poder. Provavelmente nenhum outro setor possua na sua gênese elementos tão dramáticos – e por isso tão válidos às produções cinematográficas – como a indústria do petróleo. Isso não quer dizer que essa combinação tenha gerado um extenso catálogo de filmes. Apesar disso, algumas obras se destacam não apenas na abordagem do tema, como na própria história do cinema.

Desde a perfuração do primeiro poço em 1859, na Pensilvânia, o petróleo está no centro do capitalismo. Além disso, sua utilização foi se diversificando ao longo dos anos e, hoje, são raras as casas ao redor do mundo que não tenham nenhum produto fabricado à base de petróleo.

O Brasil, após a descoberta do pré-sal, também não passou ileso a esse roteiro. Nos últimos anos, os veículos jornalísticos Intercept e Pública revelaram documentos que comprovam a ligação de procuradores da Lava Jato com funcionários ligados à agência de espionagem norte-americana (CIA).

Diante disso, mesmo a lista contendo apenas um filme brasileiro, é impossível não traçar paralelos das obras apontadas, mesmo que ambientadas em outros contextos, com a tragédia nacional em curso.

Confira abaixo os filmes:

O CASO MATTEI 

[Itália, 1972, 116 minutos]

Muito além do que um filme sobre petróleo, O Caso Mattei é um clássico do cinema mundial. Vencedor da Palma de Ouro no Festival de Cannes de 1972, esta ficção documental foi dirigida por Francesco Rosi, ícone da retomada do cinema político italiano. Também foi protagonizada por Gian Maria Volonté, que além da participação em obras engajadas também se tornou conhecido por papéis em filmes de Sergio Leone, grande artista do gênero western.

O longa-metragem narra a história de Enrico Mattei, um combatente da resistência católica na Lombardia contra o regime fascista de Benito Mussolini [1922-1943], derrotado junto com os outros países do Eixo (Alemanha e Japão) na Segunda Guerra Mundial [1939-1945].

Durante o governo provisório que sucedera o fascismo, Mattei foi nomeado em 1945 justamente para destruir um dos símbolos da propaganda do governo de Mussolini, a Azienda Generale Italiana Petroli (Agip), empresa estatal de petróleo. Entretanto, ao se deparar com pesquisas e documentos que comprovavam o potencial da petrolífera, o engenheiro fez um movimento inverso.

Mattei readmitiu antigos funcionários, costurou parcerias com as mais diversas vertentes políticas e criou, em 1953 – mesmo ano de fundação da Petrobrás –, a Ente Nazionale Idrocarburi (ENI). A partir de então, iniciou uma história de fortalecimento estatal e combate implacável contra as “Sete Irmãs”, termo cunhado pelo próprio Mattei para se referir ao cartel de empresas que dominavam o mercado de petróleo na época – principalmente estadunidenses.

Em uma das cenas do filme, em diálogo com um jornalista, Mattei sintetiza seu pensamento e atuação: “A única maneira de impedir que tudo seja revirado é considerar o Terceiro Mundo como um mundo de seres humanos, não de seres inferiores”. E foi justamente isso que pautou sua atuação à frente da ENI. Aproveitando-se que a Itália havia perdido suas colônias após a Segunda Guerra, Mattei encampou um discurso anticolonialista e um movimento de aproximação com os países produtores da África e Oriente Médio.

Também por interesses econômicos, foi um grande incentivador do movimento de independência na Argélia, além de ter estreitado laços com outros países da região, como Marrocos e Egito. Mas o que talvez tenha despertado a ira do governo dos Estados Unidos foram justamente os contratos estabelecidos com os governos da China e da Rússia, como também a sua atuação decisiva na criação da Organização dos Países Exportadores de Petróleo (OPEP), que deu mais soberania às nações produtoras.

Com uma linguagem que mistura cenas reais, documentais e dramatizadas, o filme se concentra justamente nas consequências dessa afronta ao cartel do mercado e ao imperialismo norte-americano. Em 1962, quando somava quase duas décadas no comando da estatal petrolífera italiana, o avião de Enrico Mattei caiu após ser sabotado, o que causou sua morte aos 54 anos.

Entretanto, na época da gravação do filme, este fato ainda estava no plano da especulação, o que fez com que o diretor Francesco Rosi contratasse o jornalista Mauro De Mauro para fazer uma investigação sobre os últimos dois dias da vida de Mattei. Como se já não bastasse a carga de dramaticidade presente na morte de Mattei, De Mauro foi assassinado pela máfia siciliana enquanto realizada suas pesquisas.

Somente 35 anos após a morte de Mattei, a tese de assassinato foi confirmada de forma oficial. Em 1997, o ex-chefe da máfia, Tommaso Buscetta, admitiu por meio de delação premiada que havia explodido o avião que transportava Enrico Mattei. Entretanto, o inquérito foi encerrado em 2003 sem descobrir os mandantes do crime.

Essa história de conspiração e guerra contra a tentativa de fortalecimento da soberania nacional no setor de petróleo fez com que diversos analistas fizessem comparações do caso Mattei com o vivido pela Petrobrás nos últimos anos. Um deles é o professor da Universidade Federal do ABC (UFABC), Giorgio Romano Schutte, que recorda em artigo a espionagem realizada contra a estatal brasileira por órgãos de inteligência dos Estados Unidos.

O filme está disponível neste site com legenda em espanhol ou em DVD.

A CORDILHEIRA

[Argentina, 2017, 114 minutos]

Se O Caso Mattei se baseia em fatos verídicos para construir sua narrativa ficcional, A Cordilheira parte de um roteiro totalmente ficcional para fazer uma crítica apurada da história de subserviência latino-americana ao imperialismo norte-americano. O filme do argentino Santiago Mitre, que também dirigiu Paulina e Leonera, é protagonizado pelo consagrado Ricardo Darín.

O ator interpreta o papel de presidente da Argentina, chamado na obra de Hernán Blanca, que ocupa o cargo há seis meses. Com uma vida pública ilibada até então, o político descobre que o ex-esposo da filha está à frente de uma denúncia de corrupção, ainda não tornada pública, em uma de suas gestões passadas. Além disso, o mandatário está convivendo com críticas da imprensa por uma postura considerada pouco assertiva da sua gestão, que o denomina como um “presidente invisível”.

Diante desses obstáculos, Blanca viaja ao Chile para uma reunião de líderes latino-americanos que irão discutir a criação da Aliança Petroleira, uma espécie de estatal plurinacional capitaneada pelo presidente brasileiro, que na obra se mostra como um forte estadista, de histórico populista, que diminuiu drasticamente a miséria em seu país. Aqui é impossível não fazer uma fazer uma ligação com o ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva.

Em um cenário insólito de um hotel cercado pela neve da Cordilheira dos Andes, tudo indica que o presidente argentino seguirá o apoio até então declarado ao projeto liderado pelo Brasil. No entanto, diversas conversas paralelas modificarão a votação que parecia ganha em favor de um projeto que visava se construir como uma alternativa ao poder dos Estados Unidos no continente.

Além disso, a chegada da filha do presidente, que sofre com transtornos psicológicos, traz à obra uma dose de suspense e mistério. Durante o desenrolar do longa-metragem, a personagem de Darín se mostra menos previsível do que aparentava no início da narrativa e, ao conceder entrevista a uma conceituada jornalista política, prenuncia: “o mal existe, e uma pessoa não chega à presidência sem tê-lo visto pelo menos um par de vezes”.

O filme está disponível no Youtube e no Now.  

SYRIANA – A INDÚSTRIA DO PETRÓLEO

[Estados Unidos, 2005, 128 minutos]

Embora o título sugira o contrário, Syriana – A Indústria do Petróleo se coloca no extremo oposto do didatismo. Mesmo baseado no livro See No Evil, do ex-agente da CIA Robert Baer, o filme foi indicado ao Oscar na categoria de melhor roteiro original no ano de 2006. O responsável pelo feito é o diretor e roteirista Stephen Gaghan, que venceu a estatueta por Traffic, dirigido por Steven Soderbergh.

Se o longa-metragem não levou a premiação como melhor roteiro original, George Clooney foi agraciado como melhor ator coadjuvante pela atuação como Bob Baer, que tudo indica ter sido inspirado na vida do autor do livro no qual a obra se apoia.

Na ficção, Bob Baer trabalha há 21 anos para a CIA investigando terroristas, especialmente no Oriente Médio. Pelo uso de métodos pouco convencionais, como a troca de um arsenal de guerra por informações privilegiadas, o espião é colocado de molho pela alta cúpula da entidade.

Paralelamente, desenrolam-se diversas histórias que vão se chocar ao longo da narrativa. Uma delas é de um analista norte-americano de uma grande empresa de energia interpretado por Matt Damon. Após um drama familiar, o executivo se torna consultor do Príncipe Nasir (Alexander Siddig), de um país não definido do Oriente Médio.

Em um dos diálogos, Nasir sintetiza a disputa simbólica realizada em torno do petróleo: “Quando aceitei a melhor oferta da China para explorar meus poços, o fiz pensando em meu povo, em usar o dinheiro para melhorar a condição de vida de todos, investir em infraestrutura e bem estar social. Por isso, sou chamado pela mídia e pelo seu governo de terrorista, comunista e ateu”.

Se o jovem herdeiro possui um pensamento soberano e desenvolvimentista sobre a reserva de petróleo existente em seu país, seu irmão é rigorosamente o extremo oposto. Um verdadeiro playboy interessado apenas em usufruir da riqueza do seu posto político hereditário. Por essa fragilidade, é alvo de assédio e suborno do governo e do cartel de empresas dos Estados Unidos.

Por fim, uma outra personagem importante para a trama é o advogado Bennett Holiday (Jeffrey Wright), que investiga um possível esquema de corrupção na fusão de duas empresas petrolíferas. Ao questionar o executivo Danny Dalton (Tim Blake Nelson), o advogado escuta uma frase que pode ser considerada a síntese do modus operandi da indústria do petróleo: “Corrupção? Corrupção é a nossa proteção. Corrupção nos mantém a salvo e aquecidos. Corrupção é a razão pela qual você e eu estamos viajando o mundo em vez de ficarmos brigando nas ruas por um pedaço de carne. Corrupção é porque nós vencemos!”.

O filme está disponível no Youtube.

SANGUE NEGRO

[Estados Unidos, 2007, 158 minutos]

Dirigido por Paul Thomas Anderson, um dos cineastas mais talentosos de sua geração, Sangue Negro é um grande épico ficcional ambientado no início do século XX, que conta a história de um empresário pioneiro do ramo do petróleo chamado Daniel Plainview. A interpretação do protagonista rendeu a Daniel Day-Lewis o Oscar de melhor ator – o filme também levou a estatueta de melhor fotografia, concedida a Robert Elswit.

Toda a construção da personagem principal dialoga com a aridez das paisagens que servem como cenário ao filme. Inicialmente, Daniel Plainview é um operário, que incorpora em si o sonho americano em busca do “ouro negro”. Neste percurso, acaba herdando o filho de um dos colegas que morre durante a perfuração de um poço.

Quando já se mostra um empresário proeminente do ramo, recebe a visita de um jovem com informações privilegiadas de uma região rica em petróleo. De fato, Little Boston acaba se mostrando como um grande tesouro descoberto por Daniel. O que ele não imaginava, todavia, eram as dificuldades que enfrentaria exatamente com o garoto que havia entregado a informação privilegiada.

Ele se chama Eli Sunday (Paul Dano) e é um pastor fervoroso da comunidade. Assim como Daniel, busca por meio da religião alcançar pujança econômica e, principalmente, poder. Por isso, é inevitável o choque entre duas personalidades marcadas pela busca incansável de riqueza – seja ela em forma de petróleo ou fiéis.

A partir do momento em que Daniel não permite que o pastor faça uma benção ao poço recém construído na pequena comunidade, as duas personalidades iniciam uma batalha grandiloquente marcada por sangue, mortes e perdas. No fundo, as duas personagens incorporam traços marcante da formação norte-americana – a indústria do petróleo e a religião.

Uma obra que soube mesclar os elementos históricos e os dramas subjetivos das personagens de forma magistral, sem um se tornar acessório do outro. Um filme que já nasceu com o atributo de clássico.

O filme está disponível no Now e dublado no Youtube.  

TERRA PROMETIDA

[Estados Unidos, 2012, 106 minutos]

O boicote das distribuidoras e as críticas mordazes não diminuem o filme, muito pelo contrário. Mostra a potência que Terra Prometida tem enquanto crítica não apenas à indústria do petróleo, como ao próprio procedimento sistêmico das grandes corporações. Dirigido por Gus Van Sant, o longa-metragem é roteirizado por Matt Damon (Gênio Indomável) e John Krasinski (The Office), que também protagonizam a narrativa junto com a atriz Frances McDormand.

Na trama, Steve Butler e Sue Thomason (Matt Damon e Frances McDormand, respectivamente) são funcionários da Global, uma grande empresa de energia. Eles são enviados ao interior dos Estados Unidos para comprar terras pelo menor custo possível de agricultores pobres, com poder de consumo e financiamento totalmente impactados pela crise de 2008, para iniciar a extração de gás natural por meio do fraturamento hidráulico do xisto.

Apesar de se ambientar no interior da maior potência econômica e militar, a história poderia se desenrolar em qualquer parte do mundo, inclusive no Brasil. Aqui, por exemplo, existem diversas personagens semelhantes a Steve Butler e Sue Thomason nos locais onde as corporações e o Estado pretendem construir hidrelétricas, explorar minérios ou erguer grandes obras de infraestrutura. Os métodos, entretanto, costumam ser muito mais violentos em terras tupiniquins.

A personagem interpretada por John Krasinski também pode ser encontrada em diversas partes do mundo. Ele incorpora um militante ambientalista que pertence a uma ONG, que atua na denúncia dos efeitos nocivos do fraturamento hidráulico à natureza, responsável pela contaminação de rios e mortandade de animais.

No final, contudo, ocorre uma grande reviravolta (cuidado com o spoiler), carregada de uma dose extrema de niilismo. Mas a redenção vem à galope, com o protagonista passando de vilão à mocinho em um ato heroico e autodestrutivo. Apesar disso, é uma obra essencial para entender o próprio capitalismo.

O filme está disponível no Youtube

VIRUNGA

[Congo/Reino Unido, 2014, 105 minutos]

Como dito anteriormente, as táticas mudam, mas os métodos das grandes empresas petrolíferas são os mesmos em todos os lugares do mundo. No caso de Virunga, documentário indicado ao Oscar em 2014, o cenário é a República Democrática do Congo, mais especificamente no Parque Nacional do Virunga.

Dirigido pelo cineasta Orlando von Einsiedel, o filme mostra a luta desigual entre a população local e uma grande petroleira, a britânica SOCO Internacional, pelo futuro do mais antigo parque nacional do continente africano – circunscrito em uma área de 7.800 km² que abriga a maior população de gorilas das montanhas, espécie em extinção. Nos anos que antecederam o longa-metragem, 140 funcionários haviam morrido na fiscalização contra invasores da reserva.

Se de um lado aparece todo o poderio corruptor de uma grande companhia internacional, interessada na recém descoberta de petróleo dentro do perímetro do parque, de outro se destacam quatro personagens: o belga Emmanuel de Merode, diretor do parque; o congolês Rodrigue Katembo, chefe de segurança; o também congolês André Bauma, cuidador de quatro gorilas órfãos; e a francesa Mélanie Gouby, jornalista.

A partir de recursos do jornalismo investigativo, que incluem gravações por meio de câmeras escondidas, o documentário consegue captar o poder corruptivo da empresa sobre pessoas e organizações, incluindo o grupo rebelde M23, que inicia uma guerra civil captada de forma assustadora pela equipe do filme.

Além disso, os diálogos do diretor da SOCO Internacional merecem destaque pela sordidez do seu conteúdo. Ele revela todo o plano de suborno e escancara todo seu racismo ao tratar os congoleses como uma raça inferior.

O filme está disponível na Netflix.

HORIZONTE PROFUNDO: DESASTRE NO GOLFO

[Estados Unidos, 2016, 107 minutos]

Dirigido por Peter Berg, Horizonte Profundo: Desastre no Golfo é outro filme que mostra o feitiço virado contra o feiticeiro, assim como o já citado Terra Prometida. Baseado em fatos reais, o longa ficcional mostra os bastidores do maior vazamento de petróleo da história dos Estados Unidos, ocorrido em 2010, no Golfo do México.

A responsável pelo crime é a petroleira britânica BP, que força uma plataforma semissubmersível, denominada justamente Horizonte Profundo (Deepwater Horizon), de propriedade da empresa terceirizada Transocean, a acelerar o processo de extração de petróleo de um poço na região de Louisiana, mesmo com os riscos evidentes.

O resultado foi uma explosão que matou 11 pessoas e deixou sequelas físicas e psicológicas em mais de uma centena de trabalhadores – o que pode ser considerado praticamente um milagre frente à dimensão do desastre.

Além disso, a narrativa também traz, mesmo que de forma secundária, elementos subjetivos que perpassam a vida de petroleiros embarcados – desde solidão e distância da família até a amizade e parceria criadas a partir do convívio extremo de um cotidiano restrito a poucos metros quadrados de uma “ilha” flutuante.

O filme está disponível na Netflix

O OLHO E A FACA

[Brasil, 2016, 107 minutos]

Se em Horizonte Profundo a questão subjetiva é meramente acessória, em O Olho e a Faca ela ganha um caráter de centralidade, apesar do filme não demonstrar isso logo de cara. Durante vários minutos, o longa-metragem sugere muito mais uma narrativa sobre o cotidiano de uma plataforma de petróleo, com uma estética típica do gênero documentário. O que faz recordar a primeira obra do diretor, O Prisioneiro da Grade de Ferro (2003), excelente filme que se passa dentro do extinto Complexo Penitenciário do Carandiru.

Em certo momento, entretanto, os dramas pessoais começam a surgir em volta do protagonista Roberto, interpretado pelo ator Rodrigo Lombardi. Um típico peão, amigo e querido por todos os colegas, é tragado pela lógica da promoção interna da empresa em que trabalha. Isso faz com que sua vida, na qual vigorava até então a retidão – pelo menos aparentemente -, comece a desmoronar.

Em uma das cenas, Roberto mostra um fio de prumo ao filho. O rigor da ação e de sua vida, entretanto, entra em completa ebulição – tanto do ponto de vista pessoal, como profissional.

O trabalhador exemplar se vê perdendo tudo aquilo que havia construído como a base da sua existência. E, como ocorre com diversos trabalhadores, o resultado contém uma grande dose de solidão e dramaticidade. Com certeza, uma personagem que diversos petroleiros poderão se ver representados.

Um outro elemento de destaque é o ambiente do machismo tóxico da plataforma em que Roberto trabalha. Neste ponto, a trama sai do singular e dialoga com a universalidade da indústria do petróleo. Na Petrobrás, por exemplo, as mulheres representam apenas 17% do quadro de funcionários.

O filme está disponível no Youtube.

Publicado em Petróleo

[Da imprensa da FUP]

Na reunião desta quarta-feira, 22, com o grupo de Estrutura Organizacional de Resposta (EOR), a FUP tornou a criticar a gestão da Petrobrás por insistir em manter nas áreas trabalhadores que testam positivo para o coronavírus, entre outras medidas da empresa que estão na contramão da contenção da proliferação da covid-19.

Na Termelétrica de Três Lagoas, em Mato Grosso do Sul, por exemplo, devido a um problema no fornecimento de água, os trabalhadores estão tendo que usar baldes para fazer a higienização. Mesmo assim, a gestão insiste em realizar uma parada de manutenção, que aumentará exponencialmente os efetivos de trabalhadores na área. Só isso já colocaria em risco os trabalhadores, por conta da aglomeração. Imagine sem água para lavar as mãos e outros procedimentos de higienização que são determinantes para evitar a contaminação?

A FUP tornou a cobrar a suspensão de obras e paradas de manutenção em todo o Sistema Petrobrás até que haja real melhoria nas condições das unidades, controle da pandemia e o retorno seguro de trabalhos que envolvam grandes contingentes de empregados.

A FUP também criticou a falta de transparência da gestão da Petrobrás em relação ao plano de retomada das atividades, que está sendo implementado unilateralmente pela empresa em meio à pandemia, quando vários estados do país apresentam curvas crescentes de casos de contaminação e óbitos por covid-19. O RH disse que a FUP será comunicada previamente sobre as retomadas, o que não condiz com a realidade dos fatos, já que os trabalhadores já estão recebendo mensagens da empresa com orientações para a chamada “fase 1” de retorno. 

Números divergentes

A Petrobrás continua omitindo informações sobre o avanço da covid-19 entre os trabalhadores terceirizados, que não têm sido poupados da exposição e são os mais vulneráveis à contaminação. Segundo o EOR, no dia 21 de julho foram contabilizados 192 casos ativos de covid-19 entre os trabalhadores próprios, uma informação que não revela a quantidade efetiva de trabalhadores contaminados no Sistema Petrobrás.

A diferença dos dados informados à FUP e aos sindicatos em relação aos números divulgados pelo Ministério das Minas e Energia (MME) tem sido uma constante. O mais absurdo é o fato do MME informar a ocorrência de 3 óbitos na Petrobrás, quando temos informações das bases de que esse número é muito maior e já ultrapassa 14 casos, infelizmente.

 

[Da imprensa do Sindipetro Unificado-SP]

Na próxima terça-feira (28), no Dia do Agricultor, o Sindicato Unificado dos Petroleiros do Estado de São Paulo (Sindipetro Unificado-SP) lança um mini documentário denominado “O elo da semente”. O curta-metragem de nove minutos apresenta a parceria construída com integrantes do Movimento dos Trabalhadores Rurais Sem Terra (MST), com o objetivo de contribuir com a venda e distribuição de alimentos orgânicos cultivados em assentamentos da região de Campinas (SP).

A partir do diagnóstico de que a distribuição era o gargalo da cadeia de produção da reforma agrária, petroleiros e voluntários decidiram criar um grupo de WhatsApp, desde agosto de 2017, para potencializar a venda de orgânicos da Cooperativa da Agricultura Familiar de Americana, Cosmópolis, Limeira e Piracicaba (Cooperflora).

Semanalmente, os participantes se inscrevem para comprar uma cesta com cinco quilos e uma variedade de sete verduras e legumes orgânicos, selecionados a partir da colheita, pelo valor de R$ 28. Os alimentos podem ser retiradas na sede do Sindipetro Unificado-SP ou recebidos em casa, por meio de um serviço de entrega.

Em todas as etapas (produção, distribuição e consumo) desse processo, destaca-se o papel das mulheres. Uma delas é a agricultora do Assentamento Milton Santos, Ariele Caroline Contrigiani, que explica o significado da frase “se o campo não planta, a cidade não janta”, comum de ser escutada nas marchas do MST.

“Eu defendo muito que o alimento tem um papel fundamental nessa batalha das ideias. Hoje a logística é difícil, não é uma coisa simples. As pessoas da cidade não entendem o quanto são importantes para todo esse processo. Isso é uma tarefa de todo mundo”, opina Ariele.

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A Federação Única dos Petroleiros (FUP) foi criada em 1994, fruto da evolução histórica do movimento sindical petroleiro no Brasil, desde a criação da Petrobrás, em 1953. É uma entidade autônoma, independente do Estado, dos patrões e dos partidos políticos e com forte inserção em suas bases.