Serviços preliminares da parada de manutenção continuam e expõem trabalhadores ao risco de contaminação pelo coronavírus.

[Da imprensa do Sindipetro PR/SC]

No último sábado (13), o Sindipetro Paraná e Santa Catarina recebeu um ofício da Repar no qual era comunicada a postergação da parada de manutenção para 12 de abril, em atendimento à reivindicação da entidade. 

O Sindicato considera a realização de um processo que inclui cerca de dois mil trabalhadores a mais na rotina da refinaria, em pleno ápice da pandemia do coronavírus no Brasil, um absurdo. Tanto que exigiu a suspensão da parada à Repar e denunciou aos órgãos oficiais, como as secretarias de saúde municipal de Araucária e do Paraná, Ministério Público Estadual (MPE) e Ministério Público do Trabalho (MPT-PR). 

O problema parecia resolvido, apenas parecia. Ao longo da semana não pararam de chegar denúncias de aglomerações na Repar ao Sindipetro. A constatação é de que os serviços de pré-parada foram mantidos, mesmo diante do cenário de colapso das redes pública e privada de saúde por conta do agravamento da crise sanitária.   

O Sindipetro novamente tentou cobrar a suspensão dessas atividades aos gestores, mas recebeu somente respostas evasivas. Dessa forma, a medida imediata a ser tomada legalmente é adicionar essas informações às denúncias junto aos órgãos competentes. Em caso de a refinaria se tornar um foco de contaminação, acaso as aglomerações continuem, os gestores devem ser responsabilizados criminalmente por suas atitudes.  

Regap é exemplo ruim

A gestão da Repar trilha o mesmo caminho da catástrofe que ocorre na Regap, em Minas Gerais. Por lá, também cerca de dois mil trabalhadores de outras regiões foram realizar serviços da parada de manutenção em plena pandemia. O resultado foi a criação de um foco de contaminação pelo novo coronavírus. De acordo com as informações do Sindipetro/MG, mais de 200 trabalhadores testaram positivo para Covid-19 somente neste mês, sendo que mais de dez, entre próprios e terceirizados, estão internados. 

Cabe salientar que a gerência de SMS que responde pela refinaria de Minas Gerais é a mesma da Repar. 

Denúncias

Qualquer situação de risco de contaminação deve ser comunicada imediatamente ao Sindicato, tais como aglomerações em oficinas, containers, refeitórios, transporte e alojamento, principalmente no período de serviços de pré-parada, de preferência com registros. As denúncias devem ser feitas através do e-mail Este endereço de email está sendo protegido de spambots. Você precisa do JavaScript ativado para vê-lo. ou do telefone (41) 3332-4554. Se preferir, trate o assunto diretamente com os dirigentes sindicais nos locais de trabalho.

O Sindipetro-NF recebeu denúncia de que operadores de caldeira da P-63 estão sendo “convidados” a ficarem uma semana além dos 14 dias de embarque. Com isso, a folga fica resumida a apenas 12 dias.

Também há a denúncia de que alguns eletricistas da contratada pela Petrobrás estão atuando como operadores de facilidades.

De acordo com o diretor do Sindipetro-NF, Antônio Carlos Bahia, que está acompanhando o caso, operadores de caldeira, lastro, bem como supervisores (devido à possibilidade de greve) têm realizado embarques de 21 dias em P-63.

A categoria denuncia que os “pedidos de colaboração” são feitos em tom amistoso, ameno, dissimulando a prática de assédio. A tática tem sido transferir para o trabalhador a responsabilidade pelo baixo efetivo na unidade.

O Sindipetro-NF cobra explicações da Petrobrás sobre essa prática da empresa contratada e se manterá atento para possível denúncia aos órgãos fiscalizadores. A categoria pode manter a entidade informada pelo e-mail Este endereço de email está sendo protegido de spambots. Você precisa do JavaScript ativado para vê-lo..

[Da imprensa do Sindipetro NF]

Publicado em Sistema Petrobrás

A greve, que mobiliza há 18 dias a categoria petroleira em quatro bases da FUP (Bahia, Amazonas, Espirito Santo e Unificado de São Paulo), ganhou nesta segunda-feira, 22, o reforço dos trabalhadores de Minas Gerais, que iniciaram por tempo indeterminado uma greve sanitária. Seguindo as orientações do Sindipetro MG, trabalhadores próprios e terceirizados, não compareceram à Regap, onde mais de 200 companheiros já foram infectados pela Covid-19. Atualmente, 12 trabalhadores da refinaria estão internados em decorrência da Covid e três deles estão em unidades de tratamento intensivo, intubados.

Apesar da gravidade da situação, a gestão da Petrobrás insiste em manter as paradas de manutenção, com mais de 2 mil trabalhadores na Regap. “Os trabalhadores estão em risco e a gestão da empresa não toma as providências necessárias. Nós precisamos com urgência que sejam interrompidas todas as atividades da refinaria que não sejam essenciais. Nossa greve não é para impactar a produção, nossa greve é para resguardar a saúde dos trabalhadores, é em defesa da vida”, explica o coordenador do Sindipetro MG, Alexandre Finamori. 

Este cenário caótico, no momento mais grave da pandemia, se repete em diversas outras unidades do Sistema Petrobrás. Na Rlam, na Bahia, o sindicato vem denunciando o avanço da contaminação, com mais de 90 trabalhadores infectados ao longo de março e dois operadores mortos no espaço de uma semana, após complicações geradas pela Covid-19. No último dia 17, o Sindipetro BA realizou um lockdown na unidade, convencendo os trabalhadores próprios e terceirizados a retornarem para casa.

Nas plataformas, a situação se agrava com o aumento de surtos da Covid. Em apenas um dia, segundo dados da ANP, foram confirmados 83 novos casos de trabalhadores contaminados na última semana em atividades offshore do país. O surto mais recente foi registrado na P-38, no campo de Marlim Sul, na Bacia de Campos. A unidade está operando parcialmente, após diversos trabalhadores terem testado positivo na semana passada. “A plataforma suspendeu os trabalhos no convés desde quarta-feira (17/3) depois do almoço, quando os resultados saíram”, informou o coordenador do Departamento de Saúde e Meio Ambiente do Sindipetro-NF, Alexandre de Oliveira Vieira, com base em informações recebidas de trabalhadores da unidade.

Lockdown na quarta

A FUP e seus sindicatos orientam todos os trabalhadores e trabalhadoras do Sistema Petrobrás a aderirem na quarta-feira, 24, ao “Lockdown em Defesa Da Vida e dos Direitos”, convocado pelas centrais sindicais. Além de fortalecer as greves regionais que a categoria petroleira vem realizando desde o dia 05 de março, a mobilização será mais uma forma de denunciar a “irresponsabilidade do governo federal, que levou o país ao pior colapso sanitário e hospitalar de sua história”, conforme destacam as centrais sindicais.

Já são quase 3 mil mortes diárias após um ano de pandemia, resultado da irresponsabilidade e inércia do governo Bolsonaro que transformou o Brasil em exemplo mundial de fracasso e de falta de políticas públicas para conter a disseminação da covid-19. O “Lockdown em Defesa Da Vida e dos Direitos” cobrará vacinação em massa e a retomada do auxílio emergencial com parcelas de, no mínimo, R$ 600,00.

Para a CUT, "é urgente um efetivo lockdown que amplie o isolamento social para pôr fim a esta tragédia e acabar com o sofrimento e as mortes promovidas por esse genocídio contra o povo brasileiro". A Central considera que o auxílio emergencial, dentre outras medidas, "é fundamental para assegurar condições básicas de sobrevivência de milhões de trabalhadores e trabalhadoras desempregados e informais para que eles possam ficar em casa".

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 [Imprensa da FUP]

Publicado em Sistema Petrobrás

No 17º dia de greve, os petroleiros da Bahia denunciam ameças e intimidação da gestão da Petrobrás, que tenta esvaziar o movimento, desrespeitando o direito constitucional de greve

[Do Sindipetro Bahia]

Chegou ao conhecimento do Sindicato dos Petroleiros do Estado da Bahia que a gestão da Petrobrás teria anunciado a adoção de medidas contra o pleno exercício do direito de greve dos trabalhadores. Dentre as medidas anunciadas, estariam o atraso do pagamento de salários, além das medidas disciplinares. O Sindipetro BA entende que eventuais ameaças ferem o pleno exercício do direito de greve, que é assegurado aos trabalhadores pela Constituição Federal, disciplinado pela Lei 7.783/89.

Esclarecemos ainda que a legislação, que dispõe sobre o exercício do direito de greve, não apenas considera legítima a “suspensão coletiva, temporária e parcial, total ou parcial, de prestação de pessoal de serviços a empregador” (art. 2º), como expressamente veda às empresas a adoção de “meios para constranger o empregado ao comparecimento ao trabalho, bem como capazes de frustrar a divulgação do movimento” (art. 6º, § 2º).

O Sindipetro Bahia, dessa forma, exige respeito da gerência geral da Rlam às leis do Brasil, para com os direitos assegurados dos trabalhadores e trabalhadoras próprios e terceirizados, e não se furtará a adotar todas as medidas legalmente cabíveis para impedir a concretização de tais ameaças, além da responsabilização pessoal dos prepostos da mesma.

A greve em vários estados do Brasil começa a incomodar a atual gestão da Petrobrás, que faz ameaças aos petroleiros e petroleiras de forma velada e escusa. Reforçamos que a Constituição Federal não permite essas atitudes por parte da empresa. O movimento dos grevistas é legítimo e continuará. Pedimos a toda categoria que siga as orientações dos sindicatos e não dos gestores da Petrobrás.

O Sindipetro BA esclarece que, no âmbito jurídico, a gestão da Petrobrás ainda não entrou com ação contra o sindicato, questionando a legalidade da greve.

Nosso movimento grevista é legal e legitimo, só com luta venceremos.

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Publicado em Sistema Petrobrás

Cinco plataformas apresentaram casos de Covid-19 no mês de março

[Comunicado do Sindipetro NF à imprensa]

Devido a um aumento brusco no número de casos de Covid-19 nas plataformas da Bacia de Campos, o Sindipetro-NF encaminhou uma denúncia ao Ministério Público do Trabalho solicitando que a Petrobrás seja notificada e esclareça o motivo do surto da doença no mês de março e apresente todas as medidas por tomadas em relação ao isolamento e testagem dos trabalhadores.

Em apenas um dia nesta semana, foram confirmados 83 novos casos em atividades offshore do país (Petrobrás e outras operadoras), segundo dados da Agência Nacional do Petróleo, Gás Natural e Biocombustíveis (ANP).

Além disso, o Sindipetro-NF recebeu denúncia de casos em cinco plataformas, P-25, P-35. P-38, P-43 e P-63. O caso mais grave e recente aconteceu em P-38, que no dia 11 de março confirmou dois trabalhadores com sintomas da doença e dois dias depois desembarcou sete trabalhadores, sendo seis confirmados após a testagem a bordo.

E no dia 15, apresentou vários novos casos que chegaram a lotar a enfermaria. A estimativa total é que até a última quarta, 17, aconteceram 19 desembarques. “A plataforma suspendeu os trabalhos no convés desde quarta-feira (17/3) depois do almoço, quando os resultados saíram”, informou o coordenador do Departamento de Saúde e Meio Ambiente do Sindipetro-NF, Alexandre de Oliveira Vieira, com base em informações recebidas de trabalhadores da unidade.

Em P-43, cerca de 20 pessoas desembarcaram entre elas, casos confirmados e pessoas que tiveram contato com elas. Segundo denúncias não houve qualquer tipo de isolamento ou distanciamento, e dias depois os profissionais de saúde detectaram mais dois casos de pessoas contaminadas. As pessoas que tiveram contato com os contaminados não foram afastadas da unidade e nem isolados e trabalho na plataforma seguiu normalmente, apesar dos inúmeros indícios de que o vírus mantinha a sua disseminação entre a equipe.

Em P-63, o sindicato recebeu denúncia que a unidade estava com seis suspeitos de contaminação pela doença. Em P-25, sete suspeitos desembarcaram entre os dias 12 e 13 de março e em P-35 no dia 14 de março, quatro pessoas desembarcaram e entre elas uma suspeita.

Testagem

No documento encaminhado ao Ministério Público o Sindipetro-NF questiona novamente a forma de testagem que vem sendo feita no pré-embarque dos trabalhadores. O Diretor do Departamento de Saúde do Sindipetro-NF, Alexandre Vieira, reforça a necessidade de uma nova testagem a bordo para a investigação da possibilidade de falsos negativos, o que vem sendo subestimado, pela gestão da Petrobrás, e na visão de Vieira tem provocado a disseminação da Covid-19 e colocado em risco a vida dos trabalhadores.

Retestagem

O Sindipetro-NF também solicitou que o MPT solicite à Petrobrás que estabeleça um protocolo de retestagem de todos os trabalhadores a bordo das unidades offshore, de 3 a 7 dias após a sua chegada nas unidades, informe a relação entre o trabalho a bordo e a contaminação pelo Covid-19 e reduza o número de pessoas a bordo durante a pandemia.

Dados nacionais

Desde o início da pandemia, a ANP registra um total de 4.743 casos de covid confirmados nas áreas de E&P. Desses, 3.392 acessaram as instalações, de acordo com o painel dinâmico da agência reguladora. Do total de 67 plataformas de petróleo em operação no país, 56 são da Petrobrás (83%).

“Das 67 plataformas em operação no país, 56 são da Petrobras, então, dos 4.743 casos acumulados podemos sem medo de errar, dizer que 3.964 casos ocorrem em unidades da Petrobras, já que ela detém 83% das plataformas em operação”  – afirma Vieira, que critica a suspensão das reuniões da Estrutura Organizacional de Resposta (EOR), orientada para a gestão da crise sanitária, com os sindicatos.


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A decisão está nas mãos do Governo Federal e do Paraná. A reabertura da Fábrica de Fertilizantes para produzir oxigênio hospitalar é urgente, mas Petrobrás tenta fugir da responsabilidade

[Da imprensa do Sindipetro PR/SC]

O Ministério Público Federal (MPF) e do Trabalho (MPT) enviaram no início da semana ofício aos governos federal, estadual e à Petrobrás no qual exigem providências para reativar a Fábrica de Fertilizantes Nitrogenados do Paraná (Fafen-PR), localizada em Araucária, região metropolitana de Curitiba. Nos próximos dias, o presidente Bolsonaro e o governador Ratinho Jr precisam decidir se vão produzir oxigênio hospitalar para salvar vidas diante do surto de covid-19 no país e do desabastecimento do produto. 

Já a Petrobrás, nesta tarde (18), emitiu comunicado oficial em que afirma não ter estrutura para produzir oxigênio na fábrica. Para o representante da FUP e ex-empregado da Fafen, Gerson Castellano, “foi uma resposta dada por alguém que não conhece a unidade. Uma posição extremamente lamentável, cruel e mentirosa. Mas nós estamos preparando um laudo com todas as possibilidade e um projeto que mostra como fazer isso. Algo que a empresa deveria fazer”.   

Cada minuto pode ser decisivo, pois as filas de pessoas que buscam por atendimento médico não param de aumentar. Muitos hospitais estão sem medicamentos, com profissionais de saúde estafados, e ainda sofrem com escassez de oxigênio, principal produto para manter os pacientes vivos. 

Os órgãos públicos do judiciário deram prazo de três dias para as autoridades informarem o tempo e o custo necessários para a adequação dos equipamentos a fim de que a unidade passe a produzir o oxigênio hospitalar. 

Também é cobrado pelo MPF e MPT a readmissão imediata de ex-empregados para garantir a máxima produção diária do produto medicinal. O Paraná já começa a enfrentar problemas no fornecimento de oxigênio. Há relatos da falta do produto hospitalar em Curitiba e principalmente nas regiões oeste e sudoeste do estado, onde muitas empresas, inclusive cervejarias, paralisaram suas produções para doar o item essencial. 

Na quarta-feira (17), em Brasília, o presidente da Frente Parlamentar em Defesa da Petrobrás, senador Jean Paul Prates (PT-RN), se pronunciou em apoio ao ingresso dos órgãos públicos na luta pela reativação da Fafen-PR. “Veja que a importância de uma estatal como a Petrobrás transcende a questão do mercado. Ela é fundamental como braço atuante para o bem estar social brasileiro em horas como essa, da pandemia. A Fafen será obrigada a reabrir para produção de oxigênio hospitalar para salvar vidas”, disse. 

Assista baixo à mensagem completa do senador: 

Sincronizado ao discurso vindo de Brasília, a Frente Parlamentar na Assembleia Legislativa do Paraná já encaminhou documento ao chefe da Casa Civil, Guto Silva, que auxiliará nas negociações com a Petrobrás para reabrir a Fafen-PR. A fábrica tem capacidade para produção diária de 760 mil m3 de oxigênio hospitalar (Leia AQUI). Já no Congresso Nacional, o deputado paranaense Gustavo Fruet informou que vai providenciar uma consultoria legislativa para saber o que pode ser feito via Câmara Federal.  

O Sindipetro Paraná e Santa Catarina considera as ações vindas do judiciário e das forças políticas fundamentais. “Temos que lembrar que estamos numa situação similar a uma guerra e nesses momentos a indústria precisa se voltar para o enfrentamento do problema. É surreal que após um ano do início da pandemia não tenhamos um plano nacional que vá de encontro às necessidades dos brasileiros. É a vida em primeiro lugar”, explica Alexandro Guilherme Jorge, presidente do Sindicato.  

Fafen contra a Covid-19 

Fechada desde março do ano passado, a unidade entrou em operação no Paraná em 1982. A capacidade de produção anual já foi de 700 mil toneladas de ureia e 475 mil toneladas de amônia, além de produzir o Agente Redutor Líquido Automotivo (Arla 32) e gerar cerca de mil empregos diretos. 

Tecnicamente a unidade possui uma planta de separação de ar, que, com uma pequena modificação, pode ser convertida para produzir oxigênio hospitalar. Esse é um dos processos que ocorre para a produção da amônia, matéria prima utilizada na fabricação da ureia, que era o principal insumo gerado na fábrica. 

Hoje o Paraná está com 96% de lotação nas UTIs, segundo a Fiocruz. Na visão dos pesquisadores, trata-se do maior colapso sanitário e hospitalar da história do Brasil. Das 27 unidades federativas, 24 estados e o Distrito Federal estão com taxas de ocupação de leitos de UTI Covid-19 para adultos no Sistema Único de Saúde (SUS) iguais ou superiores a 80%, sendo 15 com taxas iguais ou superiores a 90%.

 

Publicado em Sistema Petrobrás

Operação foi forjada para desmontar a indústria petrolífera nacional. Não por acaso, tiraram da Petrobrás a exclusividade na operação do pré-sal e estão privatizando a empresa. Estudo do Dieese reforça denúncias que a FUP vem fazendo há sete anos, ao mensurar que, somente no setor petrolífero, o pais deixou de receber cerca de R$ 104,3 bilhões em investimentos durante esse período, o que contribuiu para o aprofundamento da crise econômica

[Da redação da CUT]

Uma das funções da Operação Lava Jato, comandada pelo ex-juiz Sérgio Moro, do Paraná, foi destruir a Petrobras, a maior empresa estatal brasileira, para atender a interesses estrangeiros sobre o petróleo brasileiro e isso contribuiu muito para a destruição da economia do país.

O caos econômico vivido pelo Brasil nos dias de hoje, portanto, é, em parte, herança da operação Lava Jato, encerrada em fevereiro deste ano. Esta é uma das conclusões do estudo “Implicações Econômicas Intersetoriais da Operação Lava Jato”, realizado pelo Dieese, a pedido da CUT.

A principal consequência da operação, que focou nos CNPF e não nos CPF, para o setor de petróleo e gás foi uma mudança no perfil da empresa, que antes de perder os investimentos que recebia, trilhava o caminho do desenvolvimento, da tecnologia, para impulsionar o crescimento econômico do país, por meio de sua cadeia de produção.

“A Petrobras, assim como o setor de construção civil, foi dizimada pela Laja Jato”, diz o presidente da CUT, Sérgio Nobre, se referindo aos cortes bruscos dos recursos aplicados, um dos efeitos da operação.

A estatal, então, passou a ser apenas uma empresa de prospecção de petróleo, favorecendo seus acionistas, se tornando um negócio para gerar lucro aos rentistas e deixou ter um papel social para o país.

“Caminhávamos para ter uma empresa integrada, ter soberania nacional na produção, ter uma política em que os investimentos alavancavam outros setores nacionais a partir da política de conteúdo nacional. E tudo ficou comprometido”, diz Adriana Marcolino, técnica da subseção do Dieese da CUT Nacional.

De acordo com ela, mudar as diretrizes e a direção dos investimentos na Petrobras foi um ambiente criado a partir de interesses internacionais e isso gerou os impactos negativos sentidos até hoje, como o preço alto dos combustíveis, que explodiram depois do golpe – o litro da gasolina é vendido por até R$ 8,20 em algumas regiões do país.  

“Tudo de positivo que os investimentos na Petrobras poderiam gerar, inclusive em outros setores, foi cortado e a estatal se tornou uma empresa baseada na extração, sem estratégias para o desenvolvimento e dirigida à privatização”, afirma Adriana.

Desde a descoberta do Pré-Sal, durante o governo Lula, o presidente que mais investiu na Petrobras na história do Brasil, ano após ano, o país aumentava o montante de investimentos na estatal. Pulou de cerca de US$ 8 bilhões em 2006 para US$ 48 bilhões em 2014, ano em que começaram as investigações da operação e a paralisação das atividades de várias empresas de vários setores, em especial da construção civil e na Petrobras, alvo principal da operação.

Por causa do espetáculo promovido por Moro e pelos procuradores do Ministério Público, mais interessados em holofotes do que no real combate à corrupção, começava  a destruição do que a Petrobras representava ao Brasil. Com isso, toda a cadeia produtiva sofreu duramente por causa das ações midiáticas da 'República de Curitiba'.

Em 2017, os investimentos já haviam caído para cerca de R$ 13 bilhões e no ano passado, o número fechou no mesmo patamar de 15 anos atrás – US$ 8 bilhões.

Somente no setor petrolífero o pais deixou de receber cerca de R$ 104,3 bilhões em investimentos durante o período. Se somado ao setor de construção civil (67,8 bilhões), o total de investimentos não realizados no país chega a R$ 172,2 bilhões.

Adriana Marcolino explica que esse valor poderia ter gerado um incremento de 3,6% no Produto Interno Bruto (PIB) entre 2014 a 2017 e “possivelmente em 2018, já teríamos compensando a queda do PIB em 2015 e 2016, o que teria ajudado a superar a recessão”.

“O que a gente vive hoje é reflexo da Lava Jato e a falta de investimentos na Petrobras. Teríamos chegada nessa crise 2020 em um cenário de problemas econômicos e sociais menores”.

E os efeitos recaem também sobre outros setores. A Petrobras demanda insumos, recursos, serviços e produtos de outros segmentos da economia, que sentiram o impacto. “Se a Petrobras tem sua capacidade reduzida, outros setores deixam de prestar serviços a ela”, diz Adriana Marcolino.

Ela cita como exemplo a construção civil, setor em que pela paralisação de grandes obras como as do Programa de Aceleração do Crescimento (PAC), houve uma quebradeira generalizada. “Outras empresas, contratadas, terceirizadas, também tiveram contratos cancelados e não receberam pagamentos por causa da investigação”, explica Adriana.

Providências

O estudo elaborado pelo Dieese tem como objetivo denunciar à sociedade o tamanho do estrago feito pela Lava Jato e subsidiar o debate sobre os interesses políticos por trás da operação.

O presidente da CUT, Sérgio Nobre, ao citar a destruição da Petrobras pela operação, questiona o porquê de não ter havido um controle das movimentações financeiras da estatal, já que para isso há métodos de eficientes pelo sistema financeiro.

“A gente pensava: como é que alguém consegue movimentar bilhões de um lado para outro, como diz a operação, e não tem banco envolvido?”

O presidente da CUT afirma que o ex-juiz Sérgio Moro disse na época que investigar o sistema financeiro implicaria em um risco de uma “crise sistêmica”, com efeitos colaterais em toda a economia, um cuidado que, de acordo com ele, não houve no caso da Petrobras.

E isso, diz, “no mínimo merece uma investigação porque ninguém, em lugar nenhum do mundo, destrói uma empresa como a Petrobras, sem servir a interesses econômicos estrangeiros, ou de multinacionais”.

“No capitalismo é assim. Quando você destrói um setor inteiro como esse, alguém ocupa”, pontua Sérgio Nobre.


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Publicado em Sistema Petrobrás

Gestão da Petrobrás ignora surtos de Covid-19, que já contaminaram mais de 200 petroleiros só no mês de março, 84 deles de um mesmo setor da refinaria

[Da imprensa do Sindipetro MG]

O Sindicato dos Petroleiros de Minas Gerais (Sindipetro/MG) comunicou nesta sexta-feira, 19/03, a gerência geral da Refinaria Gabriel Passos (Regap) sobre a realização de greve por tempo indeterminado a partir da próxima segunda-feira, dia 22.

O objetivo do movimento é defender a vida e os direitos da categoria, pauta que ganhou ainda mais importância diante dos aumentos de mortes por Covid-19 e o descaso da empresa em respeitar as medidas de segurança para conter a contaminação dentro da unidade.

Além disso, a pauta retoma as reivindicações da greve que teria início no dia 28 de fevereiro, mas foi suspensa devido a sinalização de negociação por parte da empresa. No entanto, como a negociação não progrediu por falta de interesse da empresa, a categoria irá dar continuidade ao chamado de greve.


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Abaixo, veja a pauta de reinvindicações completa:

1-  Recomposição de efetivo;

2 – Retorno ao número mínimo anterior ao O&M;

3 – Manutenção das atividades executadas por trabalhadores próprios – Fim da terceirização das atribuições e tarefas inerentes aos cargos do quadro de trabalhadores próprios da Petrobrás;

4 – Minuta da tabela de turno;

5 – Não alteração de THM durante parada de manutenção;

6 – Realização de periódicos durante a jornada de trabalho;

7- Anulação das punições aplicadas à trabalhadores em razão a participação da greve de fevereiro de 2020;

8 – Regulamentação do teletrabalho;

9 – Reembolso das horas indevidamente descontadas em janeiro 2021 em descumprimento do acordo realizado no TST decorrente da greve de fevereiro de 2020;

10 – Falta de medidas adequadas de prevenção ao novo coronavírus em razão da aglomeração excessiva de trabalhadores próprios/terceirizados agravados pelas paradas de manutenção;

11 – Interrupção e estorno das cobranças abusivas realizada na AMS.

 

Em Manaus, ação solidária do Sindipetro-AM distribuiu 2.500 litros de gasolina a R$ 3,50 para taxistas e mototaxistas

[Da imprensa do Sindipetro AM]

O Sindicato dos Petroleiros do Amazonas (Sindipetro-AM) realizou mais uma ação de 'Combustível a preço justo', nesta quinta-feira (18), para taxistas e desta vez, também para mototaxistas. A ação vendeu o litro da gasolina por R$ 3,50 e ocorreu em parceria com o Sindicato dos Taxistas do Amazonas (Sintax/AM) e Sindicato dos Profissionais de Mototáxi de Manaus (Sindmoto), responsáveis pela organização e mobilização das categorias durante a ação.

A ação beneficiou 100 taxistas e 50 mototaxistas que puderam abastecer os veículos por preço justo. No total, a ação vendeu 2.500 litros de gasolina. Para taxistas, o limite foi de 20 litros por veículo e para mototaxistas o limite foi de 10 litros por moto.

O preço considerado justo do litro por R$ 3,50 mantém o custo de produção nacional, o lucro das distribuidoras, revendedoras, da Petrobrás e a arrecadação dos estados e municípios. O objetivo da ação é dialogar com a sociedade que é possível vender combustível a preço justo, sem a atual Política de Paridade de Importação (PPI), aplicada desde 2016, e sem vender as refinarias do Sistema Petrobrás, que atualmente operam com capacidade reduzida devido a política de desinvestimentos.

Para o coordenador do Sindipetro-AM, Marcus Ribeiro, a ação tem repercutido de forma positiva para lutar contra o PPI e chamar a atenção da sociedade contra a venda das Refinaria Isaac Sabbá (Reman). "É importante que a gente continue lutando contra a atual política de preços e com as ações, mostrar que preço justo é possível, sim. Só basta o governo querer por fim no PPI e suspender a venda das refinarias para que possam voltar a operar com 100% da capacidade e produzindo o que é nosso", afirma.

Impactos dos reajustes no bolso

Mototaxista há 15 anos, Hugo Baraúna chega a realizar 12 corridas por dia e conta que os constantes reajustes do preço da gasolina tem impactado diretamente no seu trabalho e qualidade de vida. "Com esses reajustes e em meio a pandemia, nós precisamos prestar o mesmo serviço. E isso tem gerado dificuldade para mantermos nossos compromissos diários e também na manutenção dos serviços".

O mototaxista também questiona a atual política aplicada na Petrobrás. “Por que pagamos um preço mais caro no combustível sendo que é algo que nós produzimos? É contraditório. Acredito que essa campanha seja um incentivo para empresas e que a classe política olhe para essa questão. Precisamos ser beneficiados com algo que seja nosso para pagar mais barato, com preço justo", afirma.

Com realidade parecida, o taxista Roberto Delfino, que trabalha há 30 anos fazendo corridas, também afirma que os reajustes afetam a rotina. “Um reajuste próximo do outro afeta muito o nosso trabalho e o bolso dos nossos clientes. Percebemos que os clientes somem porque não tem como ficar andando de táxi. A gasolina fica um preço essa semana e na outra semana tem novo reajuste. Não tem condições. Precisamos de preço justo", explica.

"Nós vamos batalhar e não vamos desistir do que é nosso"

O presidente do Sintax/AM, Carlos Sousa, destacou a parceria positiva com o Sindipetro-AM e afirmou que as ações são fundamentais para dialogar com a população. "A primeira ação serviu como alerta. Já nesta segunda ação, a categoria está mais consciente, não apenas os motoristas, mas também as famílias começaram a perceber a diferença que isso (combustível a preço justo) vai fazer se conseguirmos êxito nos nossos protestos e manifestações, em que estamos visando o bem da população. Produzimos aqui, consumimos aqui e por que pagar um preço internacional? Nós vamos batalhar e não desistir do que é nosso".

Para Ricardo Castro, presidente do Sindimoto, a luta também é necessária e ocorre em um contexto político e social importante. "Não podemos deixar que os preços aumentem e prejudiquem o trabalhador, que quase não tem lucro com os reajustes. Hoje o mototaxista paga de R$30 a R$ 40, por dia para realizar as corridas. Os quilômetros rodados continuam os mesmos e o valor gasolina aumentando. Temos que ter gasolina a preço justo e consumir o que é nosso".

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Publicado em Sistema Petrobrás

O coordenador geral da FUP, Deyvid Bacelar, participou nesta quinta-feira, 18, de audiência em Brasília com o presidente da Câmara dos Deputados Federais, Arthur Lira (PP/AL), que contou também com a participação dos presidentes da CUT, Sérgio Nobre, da IndustriAll Brasil, Aroaldo de Oliveira, e da Força Sindical, Miguel Torres. Articulada pela liderança do PT, a reunião teve como objetivo discutir propostas para recuperar a indústria nacional e estancar a privatização do Sistema Petrobrás e as perdas geradas pela operação Lava Jato.

Os dirigentes sindicais apresentaram ao presidente da Câmara estudo do Dieese que denuncia os estragos feitos pela Lava Jato na economia do Brasil, ao destruir a indústria nacional e acabar com milhões de empregos. O estudo revela que a operação resultou na perda de 4,4 milhões de empregos e R$ 172,2 bilhões de investimentos para o país. Por conta disso, o PIB deixou de crescer 3,6% entre 2014 e 2017, a economia perdeu R$ 85,8 bilhões somente em massa salarial e o Estado deixou de arrecadar R$ 47,4 bilhões em impostos.

A audiência contou com a participação dos deputados Bohn Gass (PT/RS), Vicentinho (PT/SP), Reginaldo Lopes (PT/MG) e Marcelo Ramos (PL/AM), vice-presidente da Câmara. Os parlamentares, junto com as lideranças sindicais, sugeriram a Arthur Lira a criação de um grupo de trabalho específico para discutir medidas para retomar o crescimento da indústria nacional, para geração de empregos e proteção dos postos de trabalho e direitos da classe trabalhadora. “A geração de emprego é a grande pauta da classe trabalhadora e mostramos para o presidente da Câmara que a Petrobrás está sendo fatiada e privatizada, assim como as demais estatais brasileiras. É urgente que o país discuta o fim das privatizações. Todos os momentos em que o Brasil teve crescimento econômico foi com planejamento do Estado, com investimentos públicos e puxado pelas empresas estatais”, afirmou o presidente da CUT, Sérgio Nobre.

Os sindicalistas também apresentaram ao presidente da Câmara o documento intitulado “A Petrobras é do Brasil”, que reforça a urgência de medidas para recuperar o papel econômico e social que a empresa sempre teve no Brasil, desde sua criação. “A Petrobrás foi e ainda é o principal instrumento de fomento à industrialização do Brasil nos últimos 70 anos. Porém, nos últimos anos a empresa foi capturada pelo capital financeiro que vem impondo na empresa a lógica do lucro no curto prazo em detrimento do longo prazo e do papel de alicerce do desenvolvimento do país. Precisamos resgatá-la e trazê-la para o controle real do Estado Brasileiro novamente. A empresa precisa voltar a investir, voltar a gerar as centenas de milhares de empregos diretos e indiretos, voltar a fomentar o desenvolvimento com inclusão social no país”, destaca o documento, assinado pelo coordenador da FUP, Deyvid Bacelar, e pelo presidente da CUT, Sérgio Nobre.

O documento elenca algumas das propostas do movimento sindical para fortalecimento da Petrobrás:

Interromper a venda das refinarias e mudar a política de preços

O tema dos preços dos derivados é central e uma nova política é necessária. Nos últimos anos, os preços dos derivados estão subindo muito acima do aumento da inflação e da renda do brasileiro, o está fomentando uma reação popular contrária à Petrobrás e ao governo. O governo pode perder o controle! As refinarias não estão trabalhando em carga máxima. Em 2020, ficaram em 77% de sua capacidade de produção. A Petrobrás tem optado por reduzir a carga, exportar petróleo cru e importar derivados. As refinarias podem ajudar na redução dos preços, aumentando a produção. Temos que retomar os investimentos no aumento da capacidade do refino também. O segundo trem da RNEST é fundamental. Mas é preciso, também, mudar a política de preços e levar em consideração outros fatores além da paridade de importação, como os custos de produção, por exemplo. Isso é possível e não traz prejuízos para a Petrobrás.

Retomar investimentos no Brasil e a política de conteúdo local

A Petrobrás precisa voltar a investir no Brasil. Os investimentos da empresa em 2020 foram os mais baixos dos últimos 20 anos, 50% abaixo do realizado em 2016, que já era bem abaixo dos anos anteriores. Estes investimentos geram empregos e renda e desenvolvimento. Precisamos retomar os índices de conteúdo local, que caíram de 55%, em média, para 25%.

Fortalecer a integração do Sistema Petrobrás

Não pode vender mais ativos, a empresa precisa ser integrada para sofrer menos impactos com a flutuação do preço do barril e do dólar. A escolha por ter uma Petrobrás atuando em vários setores, integrada, tinha a ver com sua capacidade de superar gargalos em vários setores na cadeia de óleo e gás e reduzir riscos. A Petrobras integrada e atuando em todas as regiões gera mais lucro para os acionistas e induz o desenvolvimento do país.

Restabelecer o diálogo com os trabalhadores

A gestão da empresa precisa dialogar mais com os trabalhadores e movimento sindical. Precisa de um canal de diálogo para não voltarmos a conviver com movimentos grevistas. As mudanças no mundo do trabalho requerem negociações difíceis, mas abertas entre as partes.

Acesse aqui a íntegra do documento apresentado ao presidente da Câmara, deputado Arthur Lira

Publicado em Movimentos Sociais
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A Federação Única dos Petroleiros (FUP) foi criada em 1994, fruto da evolução histórica do movimento sindical petroleiro no Brasil, desde a criação da Petrobrás, em 1953. É uma entidade autônoma, independente do Estado, dos patrões e dos partidos políticos e com forte inserção em suas bases.