Quinta, 10 Setembro 2020 21:38

Petroleiros do NF aprovam Acordo Coletivo

Petroleiros e petroleiras da região encerraram há pouco, às 20h, o período de assembleia da Campanha Reivindicatória 2020. A categoria aprovou, por 65,1% dos votos, com 33,9% contrários e 1% de abstenção, em um universo de 3.491 votantes, o indicativo da FUP e do Sindipetro-NF de aceitação da contraproposta de Acordo Coletivo 2020-2022 feita pela gestão da Petrobrás.

Em razão da pandemia da covid-19, a consulta à categoria foi feita de modo remoto, com formatos de votações para filiados, não filiados e aposentados.

O coordenador do Sindipetro-NF, Tezeu Bezerra, avaliou que a aprovação do indicativo é importante “nesta conjuntura de incertezas e ataques aos trabalhadores promovido pelo governo e pela atual gestão da Petrobrás”, com garantia de direitos até 2022.

“Os petroleiros e petroleiras estão atentos e prontos para o embate caso a empresa tente descumprir alguma cláusula do que está sendo pactuado”, adverte Tezeu.

O movimento sindical petroleiro avalia que a conquista da preservação do Acordo Coletivo com validade de dois anos, com garantia da grande maioria dos direitos históricos da categoria, só foi possível em razão da grande organização dos trabalhadores, que realizaram uma grande greve em fevereiro de 2020 e mostraram ao governo Bolsonaro a capacidade de resistência dos petroleiros e petroleiras.

[Via Sindipetro-NF]

Publicado em SINDIPETRO-NF

O canal Normose lançou nesta quinta-feira, 10, o trailer do documentário “Lava Jato entre quatro paredes”, cuja estreia está prevista para 22 de setembro.  O documentário será dividido em quatro episódios, que contarão a história da operação “de um jeito que você ainda não viu”, como destaca o canal. Além dos episódios em vídeo, o Normose também produziu entrevistas e podcasts sobre o tema.

Segundo o canal informou, o projeto consumiu 10 meses de pesquisas, que levantaram “a história da corrupção na Petrobrás no século 20, a Lava Jato, o Lavajatismo e suas ligações confusas que merecem luz”.

“Está sendo um trabalho intenso, de descobertas estranhas e reflexões profundas pra mim sobre o poder de um judiciário paralelo no país”, afirma o youtuber.

Assista aqui o trailer e já se inscreva no canal para não perder a estreia dos episódios de “Lava Jata entre quatro paredes”. 

[FUP]

Publicado em Petróleo

[Última atualização: 11/09, 11h20]

Na reta final, as assembleias para deliberar sobre a proposta de Acordo Coletivo de Trabalho apresentada pela gestão da Petrobrás e das subsidiárias seguem aprovando o indictivo da FUP de aceitação. A consulta teve início no dia 31 de agosto nas bases da FUP e prossegue até domingo 13 de setembro. 

Com participação de 3.491 petroleiros e petroleiras, as assembleias do Sindipetro-NF foram concluídas na noite desta quinta, 10, com aprovação do ACT por 65% dos votantes.

Nesta sexta, 11, mais quatro sindicatos da FUP encerram a consulta aos trabalhadores: RN, MG, Unificado SP e RS. As parciais também apontam a aprovação do indicativo de aceitação do ACT. Veja o quadro abaixo.

No Espírito Santo, a proposta de ACT foi aprovada em assembleia virtual realizada no último dia 03, com 85% de aceitação dos trabalhadores.

Nas bases de Pernambuco e Paraíba, foram realizadas 17 assembleias entre os dias 31 de agosto e 8 de setembro, onde 91,5% dos votantes aprovaram o ACT, seguindo o indicativo da FUP. 


> A proposta de ACT apresentada pela gestão da Petrobrás preserva por dois anos os principais direitos da categoria petroleira, com uma cláusula de garantia de emprego em todo o Sistema até 31 de agosto de 2022. Saiba mais sobre a proposta e o indicativo da FUP aqui.


Quadro nacional das assembleias

Sindipetro Amazonas – assembleias prosseguem até sábado, 12. Resultado parcial é de que o ACT está sendo aprovado

Sindipetro Ceará/Piauí - assembleias de 10 a 12

Sindipetro Rio Grande do Norte – assembleias prosseguem até sexta, 11. Resultado parcial é de que o ACT está sendo aprovado

Sindipetro Pernambuco/Paraíba – assembleias concluídas e ACT aprovado por 91,5% dos votantes

Sindipetro Bahia - assembleias prosseguem até sábado, 12. Resultado parcial é de que o ACT está sendo aprovado

Sindipetro Espírito Santo – assembleia concluída e ACT aprovado por 85% dos votantes

Sindipetro Minas Gerais – assembleias prosseguem até sexta, 11. Resultado parcial é de que o ACT está sendo aprovado

Sindipetro Duque de Caxias – assembleias prosseguem até domingo, 13. Resultado parcial é de que o ACT está sendo aprovado

Sindipetro Norte Fluminense - assembleias concluídas e ACT aprovado por 65% dos votantes

Sindipetro Unificado de São Paulo –  assembleias prosseguem até sexta, 11. Resultado parcial é de que o ACT está sendo aprovado

Sindipetro Paraná/Santa Catarina – assembleias prosseguem até sábado, 12.  Resultado parcial é de que o ACT está sendo aprovado

Sindipetro Rio Grande do Sul – assembleias prosseguem até sexta, 11

[FUP com informações dos sindicatos filiados | Foto: Replan]

Publicado em Sistema Petrobrás

A diretora da FUP, Cibele Vieira é uma das convidadas do seminário online que reunirá neste final de semana (12 e 13) juristas, economistas e pesquisadores para debater o desemprego, o enfraquecimento da Petrobras e a desindustrialização do Brasil como consequências da operação Lava Jato.

O seminário  "Impactos Econômicos da Lava Jato" é uma iniciativa da Associação Brasileira de Juristas pela Democracia (ABJD), Associação Brasileira de Economistas pela Democracia (ABED) e da Federação Nacional de Estudantes de Direito (Fened). 

Estimativa do Instituto de Estudos Estratégicos de Petróleo, Gás Natural e Biocombustíveis Zé Eduardo Dutra (Ineep) aponta que a Lava Jato levou a Petrobras a reduzir o seu montante de investimento em 25%, causando a perda de milhões de empregos e redução no Produto Interno Brasileiro (PIB).

O pesquisador do Ineep, Willian Nozaki, é um dos palestrantes do painel de domingo Impactos da Lava Jato nos setores do petróleo e gás, construção civil e indústria naval, que terá também a participação da diretora da FUP, Cibele Vieira.

Doutora em Desenvolvimento Econômico pela Unicamp, Juliane Furno afirma que, somente entre 2015 e 2016, a operação foi responsável por algo em torno de 2,5% da retração do PIB, devido à paralisia das atividades nos setores metalmecânico, naval, construção civil e engenharia pesada. 

O seminário será transmitido ao vivo no canal do Youtube da ABJD.

Confira a programação:

Sábado (12)

9h30 às 17h

Painel 1: Lava Jato e o imaginário de um país corrupto: crescimento da extrema direita e desconstrução do Estado
Convidados: Rafael Valim e Esther Solano

Painel 2: Papel da Lava Jato na crise econômica brasileira (2015-2016)
Convidados: Juliane Furno, Esther Dweck, Luiz Fernando de Paula 

Domingo (13)

10h às 17h

Painel 3: Impactos da Lava Jato nos setores do petróleo e gás, construção civil e indústria naval
Convidados: Rosa Maria Marques, William Nozaki, Cibele Vieira

Painel 4: Lava Jato e geopolítica, relações internacionais e efeitos econômicos
Convidados: Marcelo Zero, Gisele Ricobom Larissa Ramina

[Com informações do Brasil de Fato]

Publicado em Economia

O jornal O Estado de S.Paulo publicou no último dia 03 matéria em que mostra como as empresas de refino estão se aproveitando da baixa nos preços do petróleo para lucrar em meio à crise. “Na contramão das empresas petrolíferas com foco na exploração e produção de petróleo e gás natural, companhias do setor com mais de 90% dos seus negócios direcionados à fabricação de combustíveis estão conseguindo passar o período de crise econômica mundial com o caixa positivo”. 

Grandes refinadoras pelo mundo aproveitaram a queda acentuada no preço da matéria prima e terminaram o segundo trimestre deste ano com lucros milionários. Outras grandes majors como a Exxon e até mesmo a Petrobras amenizaram seus prejuízos graças ao refino. No caso da estatal brasileira, o refino representou uma receita de R$ 43,3 bilhões em um trimestre cujo balanço fechou com prejuízo de R$ 3 bilhões. Isso porque os produtos refinados tiveram quedas de preço menores do que a do óleo cru. 

A reportagem usa como exemplo o mercado americano, no qual os preços da gasolina caíram 31,2% e os do óleo diesel, 22,2%, no período de um ano concluído em 30 de junho. No mesmo espaço de tempo, o petróleo cru americano (WTI) teve uma queda muito maior, de 54,4%. 

Alerta para a Petrobras

A notícia especialmente é importante para o mercado brasileiro porque é mais um alerta para os perigos da estratégia da Petrobras. Alegando busca de eficiência e ignorando alertas de especialistas, a estatal decidiu concentrar seus negócios exatamente na exploração e produção de petróleo cru do Pré-Sal

Ouvido pela reportagem do jornal O Estado de S.Paulo, Rodrigo Leão, coordenador técnico do Instituto de Estudos Estratégicos de Petróleo e Gás Natural (Ineep) diss que “mesmo em um mercado com muitos agentes e mais competitivo como o americano, os preços dos derivados foram menos afetados que os do petróleo na crise. Com isso, as maiores refinadoras conseguiram sustentar um resultado positivo no segundo trimestre ao contrário das conterrâneas mais atuantes na exploração e produção de petróleo”.

[Com informações do Estadão e INEEP]

 

Publicado em Petróleo

Estão encerradas as assembleias gerais extraordinárias convocadas pelo Sindipetro PE/PB para avaliar a contraproposta do Acordo Coletivo de Trabalho (ACT) apresentada pela Petrobrás. A última votação aconteceu às 19h desta terça-feira (8), com os trabalhadores e trabalhadoras do Grupo C da Refinaria Abreu e Lima (RNEST). Ao longo de 17 assembleias, realizadas entre os dias 31 de agosto e 8 de setembro, 91,5% dos votantes aprovaram a proposta, seguindo o indicativo da Federação Única dos Petroleiros (FUP).

Rogério Almeida, coordenador geral do Sindipetro PE/PB, destaca a importância da aprovação do Acordo Coletivo por dois anos, chamando atenção para a cláusula que garante a manutenção dos empregos por dois anos, que ele considera ser “muito importante para a categoria, possibilitando que ela possa enfrentar os próximos dois anos de ataques do (des)governo Bolsonaro vem promovendo à Petrobrás e às demais empresas estatais, delapidando o patrimônio do povo brasileiro”.

Segundo publicação feita pelo site da FUP, “a manutenção por mais dois anos das conquistas históricas da categoria petroleira no ACT e a garantia de emprego até 31 de agosto de 2022, foi o ponto decisivo para a definição do indicativo”, que veio após uma longa e cuidadosa apreciação, durante o Conselho Deliberativo (CD) da FUP, realizado entre os dias 26 e 27 de agosto.

Diante da atual conjuntura política do país e da própria gestão Castello Branco, a manutenção de direitos e a apreciação do atual ACT é um ponto estratégico na luta contra a privatização e o desmonte do Sistema Petrobrás, pauta que já vem sendo amplamente trabalhada pelo movimento sindical e que ganhou notoriedade nacional desde a greve do início deste ano (considerada a segunda maior da história da empresa).

Com isso, o Sindipetro PE/PB torna-se o segundo sindicato da FUP a finalizar as assembleias deliberativas para o ACT 2020-2022. “Uma vez passado esse momento de fechamento do Acordo Coletivo”, diz Rogério Almeida, “a categoria petroleira vai focar a sua força na campanha #PetrobrásFica; para que a Petrobrás fique no Brasil, fique no Nordeste e fique em Pernambuco. Vamos lutar para defender esses patrimônios do povo pernambucano, que são a Refinaria Abreu e Lima e o Terminal Aquaviário de Suape”.

Sindipetro PE/PB

Publicado em SINDIPETRO-PE/PB

O Encontro com a categoria desta terça, 08, voltou a esclarecer dúvidas dos trabalhadores sobre a contraproposta de Acordo Coletivo de Trabalho apresentada pela gestão do Sistema Petrobrás, após negociação com as entidades sindicais. 

Participaram do programa o coordenador geral da FUP, Deyvid Bacelar (Sindipetro-BA), e os diretores Cibele Vieira (Unificado-SP), Guilherme Carvalho (Sindipetro-MG) e Fátima Viana (Sindipetro-RN).

As assembleias para deliberar sobre a proposta de Acordo Coletivo se intensificam ao longo desta semana, reta final do calendário indicado pela FUP. Em todos os sindicatos filiados que iniciaram a consulta, os trabalhadores estão aprovando o ACT. Veja aqui o quadro atualizado.

O Encontro com a categoria vai ao ar todas as terças, sempre às 18h30, com transmissão pelo canal FUP Brasil no YouTube e pelo perfil da FUP no Facebook. 

Veja a íntegra do último programa: 

Publicado em Sistema Petrobrás

[Do Jornal Brasil de Fato]

Aguardando votação pelo plenário do Senado, o Projeto de Lei 6407/13, que instaura um novo marco regulatório para o setor de gás no país, é visto com cautela por opositores, especialistas e pela Federação Única dos Petroleiros (FUP). Esta última aponta que a proposta, aprovada pela Câmara dos Deputados no dia 01/09, tem alguns pontos ainda pouco esclarecidos.

A medida fixa, entre outras coisas, a necessidade de uma autorização no lugar de concessão pública para o transporte de gás natural no país. Com isso, simplifica e, portanto, facilita a entrada de atores privados no ramo. A proposta prevê que será concedida uma outorga para liberar a construção ou a ampliação de gasodutos e estipula que a autorização será dada por meio de uma chamada pública conduzida pela Agência Nacional do Petróleo, Gás Natural e Biocombustíveis (ANP).

“Não está claro como a ANP se comportará nesse novo cenário, tampouco houve uma discussão mais aprofundada sobre como se reorganizarão as regulações estaduais. Após a aprovação da lei, muito provavelmente se intensificarão as pressões para a privatização das subsidiárias estaduais de gás", afirma o coordenador-geral da Federação Única dos Petroleiros (FUP), Deyvid Bacelar.

A declaração do dirigente é uma referência à norma constitucional que define o Poder Executivo estadual como responsável pela distribuição de gás, por meio de empresas públicas. Com uma maior participação de atores privados nesse panorama, o entendimento dos críticos do PL é o de que as estatais locais ficariam mais suscetíveis ao lobby privado, que tem expandido seu poder no país por meio do aprofundamento da política neoliberal.

“Por que colocar em xeque o conceito de que o gás é da União? Por que fazer uma alteração de concessão para autorizações precárias para facilitação, inclusive, da exploração do gás pelo setor privado?”, questionou, por exemplo, o deputado Glauber Braga (Psol-RJ), durante a apreciação do PL na Câmara.

De modo geral, os opositores entendem que a medida seria uma espécie de capítulo posterior à redução da participação da Petrobras no mercado de transporte, logística e distribuição de gás natural no país, que vem ocorrendo nos últimos anos, já que o PL sedimenta o caminho para a atuação privada no setor.  

A petroleira vem sendo desidratada especialmente desde 2016, a partir da agenda econômica de Michel Temer (MDB). Atualmente, a cartilha é conduzida pelo ministro da Economia, Paulo Guedes, que mira a venda de várias empresas públicas, como Eletrobras, Correios, bancos.

Alguns parlamentares, como o deputado Daniel Almeida (PCdoB-BA), defenderam a necessidade de mais tempo para esmiuçar o conteúdo do PL, que teve a tramitação de urgência aprovada no ultimo dia 29. Ele mencionou, por exemplo, o interesse em entender melhor como se daria o poder regulatório do Ministério de Minas e Energia diante das mudanças trazidas pela proposta. Agora, o Senado será o palco da disputa, onde ainda não se sabe o nível de atenção que será dado à pauta.

Longe dos holofotes

Na Câmara, a proposta foi chancelada pelo plenário por um placar de 351 votos a 101 e passou longe das prioridades políticas das bancadas. Pouco observado pela oposição e também por segmentos populares, o PL está na periferia do jogo político do Legislativo, em meio à dinâmica acelerada das sessões remotas e às demandas do cenário eleitoral. 

O projeto conta com o apoio de entidades do ramo industrial, entre elas a Confederação Nacional da Indústria (CNI), que chegou a apresentar uma carta aberta intitulada “Gás para sair da crise”, para pressionar o jogo político favoravelmente ao PL.

O tecnicismo que envolve o tema também é visto como fator para a baixa capacidade de mobilização de PLs dessa natureza no Congresso. Assim como ocorre com outras medidas do gênero, a atenção à pauta tem se resumido a algumas poucas manifestações públicas.

De autoria do ex-deputado federal Antonio Carlos Mendes Thame (PSDB), o projeto tramita desde 2013 e foi relatado na Câmara pelo deputado Laércio Oliveira (PP-SE), que apresentou parecer pela aprovação do texto. Ele disse que teria debatido o tema com vários setores e defendeu o conteúdo do PL.

“A nova lei do gás vai reindustrializar o Brasil, aumentar a receita dos governos e reduzir o custo do gás nas empresas, nos comércios e até nas residências. Daqui a alguns anos, quando o brasileiro estiver em casa cozinhando com seu botijão, que ele conseguiu comprar mais barato, saberemos que este foi o resultado de uma escolha importante que fizemos neste dia”, disse, erroneamente, na votação.

Contrapontos

Isso porque a proposta não tem relação com o preço do botijão do gás de cozinha, o chamado Gás Liquefeito de Petróleo (GLP). Ela trata apenas de gás natural, produto que resulta de uma mistura de outros derivados. É o que esclarece o diretor técnico do Instituto de Estudos Estratégicos de Petróleo, Gás e Biocombustíveis (Ineep), William Nozaki. Em entrevista ao Brasil de Fato, ele contestou ainda outros pontos levantados pelo relator.

Ele ressalta, por exemplo, a questão logística e de investimentos relacionados ao setor. Dados da ANP de julho de 2019 mostram que o país produz cerca de 124,0 mil milhões m³ de gás natural por dia, sendo a Petrobras a produtora de 75% desse total. Mais de 80% do montante de produção do país vêm de reservas marítimas, o que exige alto custo no transporte do produto para levá-lo das águas do mar até a costa de forma que ele possa ser aproveitado.

Com isso, a logística exige investimentos volumosos, inclusive porque a malha dutoviária está concentrada na costa. “E a utilização de toda a potencialidade desse gás exige investimentos na ampliação da malha de gasodutos pra que isso seja utilizado de modo que a renda petroleira se converta em desenvolvimento econômico industrial”, sublinha Nozaki.

O diretor técnico do Ineep acrescenta que a Petrobras é, historicamente, a maior investidora, mas esbarra atualmente no plano estratégico que vem sendo adotado pela gestão da estatal. O escopo de atuação prevê a retirada da petroleira de diversos segmentos do mercado, incluindo o de gás, o que fez com a empresa vendesse recentemente sua participação em diferentes empresas de gasodutos.   

“Na prática, isso significa  que a iniciativa privada teria que arcar sozinha com esse investimento, sem a indução da Petrobras. Esse é um primeiro problema que coloca dúvida sobre a geração de investimento privado. Segundo, esses investimentos exigem pacotes de financiamentos significativos e, com a atual política do governo, não há sinais de que o BNDES, que é o grande responsável por viabilizar esse tipo de investimento, vá destinar financiamento de longo prazo pra isso”, aponta Nozaki.

No bojo da discussão sobre o PL 6407/13, surgiu a possibilidade de criação de um fundo pra financiamento de obras, comercialização e distribuição de gás natural, mas o governo Bolsonaro indicou que vetaria esse ponto, caso fosse aprovado.   

“Assim, sem o financiamento público da Petrobras, sem financiamento de longo prazo do BNDES e sem um fundo pra viabilização a ampliação da malha dutoviária, é muito improvável que isso se converta em grandes pacotes de investimentos privados, sobretudo num momento de crise política e incerteza como este que a gente vive”, resume William Nozaki, ao rebater os argumentos de incentivo à industrialização e aos investimentos, manifestados pelo governo e pelos defensores do PL.

Preço e oligopólio

Nozaki afirma ainda que a escolha pelo fim da regulação estatal no setor foge à tendência mundial porque os países que são grandes produtores e exportadores de óleo e gás, como é o caso do Brasil, mantêm empresas públicas que atuam com essa tarefa. O especialista não acredita que haverá uma competição capaz de reduzir o preço do gás natural no país. 

“A ideia de que vai haver uma competição e de que ela vai levar à redução do preço do gás natural não se aplica a esse mercado. Vão se interessar para atuar nesse segmento no Brasil aquelas empresas que já estão comprando ativos da Petrobras e outros que estão sendo vendidos. Sob o argumento de defesa da concorrência, a gente vai desfazer o oligopólio natural da Petrobras pra criar o oligopólio privado”, projeta.

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[Da imprensa do Sindipetro Unificado-SP]

No início de 2019, a Petrobrás abriu um plano de incentivo ao desligamento voluntário (PIDV) e o operador de processamento Marcio Gonzaga Cardoso, trabalhador da Refinaria Paulínia (Replan), resolveu aderir.

Em dezembro do mesmo ano, ele se desligou da companhia e em janeiro de 2020 ocorreu a homologação. Porém, ao verificar os valores apresentados pela empresa, o Sindicato Unificado dos Petroleiros de São Paulo (Unificado-SP) identificou o desconto indevido de faltas não justificadas.

O setor de Recursos Humanos da Replan, que também cuida da Refinaria Henrique Lage (Revap), em São José dos Campos, se comprometeu a dar uma resposta ao questionamento em 10 dias e marcar uma homologação complementar, conforme determina a lei. Mas, quase oito meses depois, Marcio é um dos 17 trabalhadores da Replan que ainda não receberam qualquer parecer.

O mais antigo deles possui ressalva indicada desde setembro de 2018, o que levou o Unificado a mover uma ação e vencer. O processo se encontra na fase de fixação do valor a receber.

Conforme levantamento do sindicato, somadas as pendências, o passivo da refinaria supera a marca de R$ 1 milhão somente nesta unidade.

A dívida preocupa Marcio, que vê crescerem outras contas, inclusive relacionadas à antiga empregadora.

“Quando a gente se aposenta, o rendimento cai e tivemos o aporte extra do plano Petros. Há dois meses pagamos um valor alto porque tinha liminar que impedia o desconto. Mas nem precisaria de qualquer justificativa para que a empresa tivesse que pagar o que deve”, critica.

A situação é a mesma do técnico em operação Dorival Saula Júnior, que deixou a companhia após 32 anos de serviços prestados e move ação por conta da demora em dois meses para a quitação da rescisão.

“Parece que o empregador que deve é sempre favorecido pela Justiça. Hoje ainda consigo levar a vida sem que esse valor seja algo emergencial, mas uma hora isso vai fazer falta”, comenta.

Insatisfação geral com o RH

Tanto quanto a demora, o tratamento oferecido pelo setor de recursos humanos (RH) também é motivo de crítica pelo desrespeito com que tem tratado os petroleiros.

“A gente liga para os canais de comunicação da empresa e eles não respondem. É uma deterioração total, o RH está uma vergonha. Por lei, tinham 10 dias para marcar minha homologação e até hoje não obtive resposta”, critica Marcio Cardoso.

Coordenador-geral da regional Campinas do Unificado, Gustavo Marsaioli, destaca que as falhas só foram identificadas porque a homologação ocorreu no sindicato, portanto, algo fundamental para a categoria, ainda que essa ação não seja mais obrigatória desde a reforma trabalhista implementada pelo presidente golpista Michel Temer (PMDB).

Como resposta à atitude da empresa, o dirigente diz que o Unificado, após encaminhar diversos ofícios e realizar várias reuniões, ouvindo sempre que os casos estão sob análise da diretoria executiva, estuda entrar com uma ação por improbidade administrativa e denunciar a companhia ao Tribunal de Contas da União (TCU).

O diretor aponta ainda o contrasenso de o setor de Recursos Humanos, que defende demissões por baixo desempenho, não conseguir realizar as homologações no prazo adequado.

“Como será que um acionista avalia o RH da Petrobrás, que não consegue cumprir a lei de 10 dias e gera um custo maior para a rescisões do que teriam naturalmente?”, questiona.

Além da atuação em órgãos de fiscalização, o sindicato convocará os trabalhadores para outorgar uma procuração para ingressar com ações individuais, exibição de documentos e produção antecipada de provas.

Neste caso, como a realidade de cada trabalhador é única, não é possível adotar uma ação coletiva, ao menos não neste momento. Os próximos passos dependem das informações que a empresa prestar.

Publicado em Sistema Petrobrás

[Última atualização 09/09, às 15h30]

As assembleias para deliberar sobre a proposta de Acordo Coletivo de Trabalho apresentada pela gestão da Petrobrás e das subsidiárias se intensificam ao longo desta semana. A consulta teve início no dia 31 de agosto nas bases da FUP e prossegue até o dia 13 de setembro. 

Dois sindicatos já concluíram as assembleias: Sindipetro-ES e Sindipetro-PE/PB. No Espírito Santo, a proposta de ACT foi aprovada em assembleia virtual realizada no último dia 03, com 85% de aceitação dos trabalhadores. Nas bases de Pernambuco e Paraíba, foram realizadas 17 assembleias entre os dias 31 de agosto e 8 de setembro, onde 91,5% dos votantes aprovaram o ACT, seguindo o indicativo da FUP.

Na terça-feira, 08, mais cinco sindicatos iniciaram as assembleias: Amazonas, Norte Fluminense, Minas Gerais, Rio Grande do Sul e Rio Grande do Norte. No Sindipetro-AM, a primeira assembleia realizada foi com aposentados, que aprovaram por unanimidade o indicativo da FUP de aceitação da contraproposta.

Nesta quarta, 09, é a vez do Sindipetro Duque de Caxias, cujas assembleias terão início às 19h e prosseguem até o dia 13.

Na quinta, 10, o Sindipetro-CE/PI inicia a consulta aos trabalhadores.

Nas demais bases da FUP, as parciais apontam a aprovação do indicativo de aceitação da proposta de Acordo Coletivo. Veja o quadro abaixo.


> A proposta de ACT apresentada pela gestão da Petrobrás preserva por dois anos os principais direitos da categoria petroleira, com uma cláusula de garantia de emprego em todo o Sistema até 31 de agosto de 2022. Saiba mais sobre a proposta e o indicativo da FUP aqui.


Quadro nacional das assembleias

Sindipetro Amazonas – assembleias prosseguem até o dia 12. Resultado parcial é de que o ACT está sendo aprovado

Sindipetro Ceará/Piauí - assembleias de 10 a 12

Sindipetro Rio Grande do Norte – assembleias prosseguem até o dia 11.Resultado parcial é de que o ACT está sendo aprovado

Sindipetro Pernambuco/Paraíba –assembleia concluída, com aprovação do ACT

Sindipetro Bahia - assembleias prosseguem até o dia 12. Resultado parcial é de que o ACT está sendo aprovado

Sindipetro Espírito Santo – assembleia concluída, com aprovação do ACT

Sindipetro Minas Gerais – assembleias prosseguem até o dia 11. Resultado parcial é de que o ACT está sendo aprovado

Sindipetro Duque de Caxias – assembleias de 09 a 13

Sindipetro Norte Fluminense - assembleias prosseguem até quinta, 10

Sindipetro Unificado de São Paulo –  assembleias prosseguem até o dia 11. Resultado parcial é de que o ACT está sendo aprovado

Sindipetro Paraná/Santa Catarina – assembleias prosseguem até o dia 12.  Resultado parcial é de que o ACT está sendo aprovado

Sindipetro Rio Grande do Sul – assembleias prosseguem até o dia 11. Resultado parcial é de que o ACT está sendo aprovado

[FUP com informações dos sindicatos filiados | Foto: Rlam]

Publicado em Sistema Petrobrás
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A Federação Única dos Petroleiros (FUP) foi criada em 1994, fruto da evolução histórica do movimento sindical petroleiro no Brasil, desde a criação da Petrobrás, em 1953. É uma entidade autônoma, independente do Estado, dos patrões e dos partidos políticos e com forte inserção em suas bases.

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