Na sexta-feira (30/08) os trabalhadores da FAFEN-BA e da Braskem se assustaram com um odor muito forte de Amônia Anidra devido a um vazamento ocorrido durante os preparativos para a hibernação da Fábrica de Fertilizantes.

Apesar de estranhamente o alarme de emergência não ter soado, equipes de evacuação se dirigiram à portaria bem como para os fundos da fábrica, no portão que dá acesso à UTE-RA. O ex-coordenador de Meio Ambiente, Iury Costa, foi o monitor de uma dessas equipes.

A Braskem reclamou do odor por meio do rádio PAM, que é compartilhado por todas as indústrias do Polo Petroquímico de Camaçari. Parte do ADM 1 da Braskem foi esvaziado devido ao vazamento, segundo informações da Central de Comunicação da empresa.

O vazamento ocorreu numa bomba que faz o suprimento de Amônia aos clientes do Polo Petroquímico e os de Candeias. Devido ao vazamento a bomba teve que ser parada e isolada bem como houve interrupção emergencial do bombeamento reverso do Porto de Aratu desabastecendo indústrias como a Proquigel, Acrinor e Oxiteno. Parte da brigada da unidade atuou no controle do vazamento e, apesar do susto, ninguém se feriu.

Fonte – Sindipetro Bahia

 

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Quinta, 29 Agosto 2019 20:17

Que papelão, Petrobrás!

Após recusa da Petrobrás em negociar, TST propõe prorrogação do ACT e continuidade da mediação

A FUP e a FNP participaram nesta quinta-feira, 29, de reunião no Tribunal Superior do Trabalho (TST), para mediação do Acordo Coletivo de Trabalho. Após reunião com as federações, os representantes do TST se reuniram com a Petrobrás. Participaram da mediação o ministro Renato Lacerda e o juiz auxiliar da Vice-Presidência do TST, Rogério Neiva.

Apesar da mediação ter sido pedida pela Petrobras, os gestores não aceitaram a proposta das federações de prorrogar o Acordo Coletivo e manter o processo  de discussão em mesa de negociação, na própria empresa.

Diante da intransigência da Petrobrás, o ministro do TST também propôs que a empresa prorrogue o ACT e dê continuidade à mediação no Tribunal. A Petrobras tem até às 10h de segunda-feira (02/09) para responder se aceita ou não a proposta.

Má fé

“Os gestores, ao pedirem a mediação, quebrando uma tradição da empresa e sindicatos de solucionar os impasses em mesa de negociação, já sabiam que o TST, em todas as mediações, propõe a prorrogação do ACT por no mínimo 30 dias. Pedir a mediação do TST, para lá rejeitar a prorrogação do ACT - a qual, repito, sabiam que o tribunal proporia - é ato de explícita má fé. É como querer aproveitar da mediação só o 'pedaço' que lhes interessa”, explica o assessor jurídico da FUP, Normando Rodrigues.

Os coordenadores da FUP e da FNP, que participaram da audiência no TST, falam sobre a reunião:


 

[FUP]

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O Conselho Nacional de Política Energética (CNPE), ligado ao Ministério das Minas e Energia, publicou nesta quinta-feira (29) resolução que extingue a política de subsídios ao gás de cozinha (GLP), praticada pela Petrobras desde 2005. 

A medida foi criada pelo governo Lula, com o objetivo de beneficiar famílias de renda mais baixa.

A decisão do governo Bolsonaro atinge em cheio o povo pobre, que já paga um preço exorbitante pelo botijão de gás, e vai de encontro aos interesses do mercado e das multinacionais, que estão de olho nas refinarias da Petrobrás, colocadas à venda pela gestão Castello Branco. 

Mais uma vez, o governo usa o argumento de redução do preço para tentar enganar a população, como fez recentemente ao defender a estapafúrdia ideia de fracionamento do gás de cozinha.

Como a FUP vem alertando desde 2016, quando o então presidente da Petrobrás, Pedro Parente, vinculou os preços dos derivados de petróleo às cotações em dólar do barril internacional, o único compromisso dos governos liberais é com os acionistas privados, as multinacionais e o mercado financeiro.

Quem vai continuar pagando o preço desse desmonte é o povo brasileiro, principalmente as famílias mais pobres.

Entenda os motivos que fizeram o preço do gás disparar

A internacionalização dos preços dos derivados de petróleo nas refinarias da Petrobrás teve início em outubro de 2016, após o golpe que resultou no impeachment da presidenta Dilma Rousseff. No ano seguinte, os reajustes passaram a ser diários e a então gestão Pedro Parente alterou também a política de preços do GLP de uso residencial.

Os preços dispararam, satisfazendo o mercado financeiro e os acionistas privados. O botijão do gás de cozinha, que custava cerca de R$ 40 em 2013, hoje ultrapassa os R$ 70. Nas refinarias, o aumentou do GLP foi de 94%, enquanto a inflação do período girou em torno de 41%.

A FUP e os sindicatos de petroleiros desde o início denunciaram que quem pagaria a conta dessa política nefasta seria o povo, alertando para os riscos do Brasil ficar refém das crises internacionais de petróleo.

O alinhamento internacional dos preços de derivados faz parte do projeto de quebra e privatização do Sistema Petrobrás, que está ocorrendo desde 2016 e foi intensificado no governo Bolsonaro. Subsidiárias estão sendo privatizadas a toque de caixa, como já aconteceu com a BR Distribuidora e a TAG. Oito refinarias foram colocadas à venda e quatro delas estão com propostas de compra, que inclui a entrega de 1.506 quilômetros de dutos e 12 terminais. O feirão da Petrobrás inclui ainda campos de petróleo, fábricas de fertilizantes, termoelétricas, usinas de biodiesel e vários outros ativos.

O resultado desse desmonte é um país cada vez mais dependente do mercado internacional, com a indústria destruída, desemprego recorde, preços dos combustíveis entre os mais caros do mundo e a soberania ameaçada.

[FUP]

 

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A atividade da construção civil perdeu 31% de nos últimos 20 trimestres, retornando ao patamar de dez anos atrás. Ou seja, desde 2015, início da crise econômica que o setor vem amargando perdas até chegar ao quadro atual de recessão.

Uma das causas para que o setor amargue números tão ruins é a Operação Lava Jato, que com o discurso de combate a corrupção paralisou obras em todo o país e levou às principais empreiteiras e estatais, como a Petrobras, a perderem mercado interno e externo.

Somente a construção civil registrou saldo negativo entre contratações e demissões de 991.734 vagas formais, entre 2014 e 2017.

As maiores construtoras do país, Odebrecht, Andrade Gutierrez, Camargo Corrêa, Queiroz Galvão, Galvão Engenharia, UTC e Constran tiveram perdas de 85% de suas receitas entre 2015 e 2018, passando de um faturamento conjunto de R$ 71 bilhões para apenas R$ 10,8 bilhões.

Nesse mesmo período, a construção pesada fechou um milhão de postos de trabalho no país, o equivalente a 40% das vagas de emprego perdidas na economia.

A Lava Jato impactou também nos setores metalomecânico, naval, construção civil e engenharia pesada, cujas perdas podem totalizar até R$ 142 bilhões. Essa perda fez o Produto Interno Bruto (PIB) cair 2% e 2,5%,em 2015 e 2016, respectivamente.

Enquanto nos anos de 2010 a 2014, a economia brasileira, sem a existência da operação Lava Jato, cresceu 3,2% como média anual, na segunda metade da década de 2010, com a presença da operação Lava Jato, o país regrediu em média, 1% ao ano. Com isso, o desempenho do PIB foi de apenas 1,1% como média anual nos últimos 10 anos.

Os dados sobre a construção civil e os impactos nos demais setores e no PIB, foram divulgados pelo professor de economia do Instituto de Economia da Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ), Luiz Fernando de Paula, o doutorando no Instituto de Estudos Sociais e Políticos (IESP) da Universidade do Estado do Rio de Janeiro, Rafael Moura, o professor do Departamento de História da UFRJ, Pedro Henrique Pedreira Campos, e o presidente da Fundação Perseu Abramo, Marcio Pochmann, que numa série de artigos analisaram os impactos negativos da Operação Lava Jato no desenvolvimento econômico e no nível de emprego no país, na edição deste mês do jornal do Conselho Regional de Economia do Rio de Janeiro (Corecom)clique para ler.

“A Operação Lava Jato contribuiu para sufocar setores inteiros que eram responsáveis por parte significativa do crescimento da economia nacional como petróleo e gás, construção naval e civil, entre outros”, afirma Pochmann em seu artigo.

Trabalhadores e Petrobras, vítimas da Operação Lava Jato

Um levantamento feito pelo professor do Instituto de Economia da UFRJ e pesquisador do Instituto de Estudos Estratégicos de Petróleo, Gás Natural e Biocombustíveis Zé Eduardo Dutra (Ineep), Eduardo Costa Pinto, encomendado pela Federação Nacional dos Petroleiros (FUP), mostra que a Operação Lava Jato, aliado à queda do preço internacional do petróleo em 2015 (o barril caiu de US$ 90 para US$ 40), destruíram os pequenos e médios fornecedores da Petrobras e, consequentemente, atuaram para o fechamento de milhares de postos de trabalho.

Os dados mostram que em 2013, a Petrobras era responsável por 9% (R$ 99 bilhões ) do total dos investimentos do país. Em 2015, início da crise econômica, já com a Lava Jato em andamento, caiu para 7% (R$ 73 bilhões). Em 2016 nova queda para R$ 53 bilhões e chega a 2017, último ano da apuração, em 5% ( 46 bilhões). Ou seja, em apenas quatro anos, os investimentos da Petrobras caíram quase 50%.

“Isso afetou fortemente os empregos do setor. Todo o sistema Petrobras, que incluiu suas refinarias e subsidiárias, de 2013 a 2017, diminuiu o número de trabalhadores de 86 mil para 63 mil. Os terceirizados caíram de 360 mil para 117 mil e o da construção naval, que prestava serviços para a Petrobras diminuiu de 63 mil para perto de 42 mil”, conta o autor da pesquisa.

Segundo ele, a cadeia de produção de insumos para a estatal como cimento para um poço, aço para plataformas, alimentação para funcionários, ruiu num efeito dominó.

Eduardo critica a forma como a operação Lava Jato atuou no combate à corrupção que levou a perda de milhões de empregos e o fechamento de empresas.

“Não é só prender o dono da empresa. Deveria haver um tipo de intervenção do sistema judiciário para manter a empresa funcionando. A Lava Jato só conseguiu fechar empresas e a Petrobras agora compra insumos da China, da Malásia, gerando empregos fora do Brasil”, diz.

Para o professor, a crise econômica gerada a partir da operação mostra ainda que o importante não é o combate a corrupção, mas a forma como ele é feito.

“A Lava Jato destruiu setores fundamentais na geração de emprego, renda e no desenvolvimento nacional. O mecanismo de combate à corrupção teve um  custo maior de destruição do que benefícios”, avalia .

Segundo o economista, esses setores não se reconstroem da noite para o dia e o custo do benefício social foi muito negativo porque os operadores da Lava Jato acharam que poderiam passar por cima de regras, como demonstram as conversas vazadas entre os procuradores do Ministério Público Federal (MPF) e o ex-juiz Sergio Moro, atual ministro da Justiça do governo Bolsonaro.

“É um discurso moralista, udenista como o de Jânio Quadros e Collor de Mello,que afundaram o país. Não é só a corrupção que é o problema a ser vencido no país, mas sim a concentração de renda e a desigualdade social”, analisa o economista.

Governo deixa de investir R$ 132 bilhões com obras paralisadas, aponta TCU

Além de não investir, o governo federal não retoma obras que poderiam amenizar a crise econômica e abrir mais vagas de emprego.  É o que mostra uma auditoria operacional do Tribunal de Contas da União (TCU) realizada entre abril e maio de 2018, mas só divulgada neste ano. 

Segundo o TCU, das 38.412 obras financiadas com recursos federais, para as quais havia sido previsto um investimento inicial de R$ 725 bilhões, mais de 14 mil estão paralisadas. Ou seja, cerca de 37%, não tiveram avanço ou apresentaram baixíssima execução nos últimos três meses analisados em cada caso. Juntas elas alcançam um investimento previsto de R$ 144 bilhões, dos quais R$ 10 bilhões foram aplicados.

Em sua análise, o Tribunal de Contas da União diz que “no caso das obras do Programa de Aceleração do Crescimento (PAC), consideradas mais relevantes para o país e que deveriam, por esta razão, ser aceleradas, cerca de 21%  (2.914)  estão paralisadas. Desse total, apenas seis delas tiveram indicação de paralisação pelo TCU.

Isso significa que, dos R$ 663 bilhões inicialmente previstos para serem investidos no PAC, R$ 127 bilhões estão atrelados a obras paralisadas.

 “Entre outros efeitos negativos, podem ser citados os serviços que deixam de ser prestados à população, os prejuízos ao crescimento econômico do País e os empregos que não são gerados. São mais de R$ 132 bilhões que deixaram de ser injetados na economia. Apenas no tocante aos recursos destinados às creches do Programa Proinfância, 75 mil vagas deixaram de ser criadas e oferecidas à população”, diagnosticou o TCU, na síntese da auditoria.

Segundo o presidente da Confederação Nacional dos Sindicatos de Trabalhadores nas Indústrias da Construção e da Madeira filiados à CUT (Conticom-CUT), Cláudio da Silva Gomes, Claudinho, esses números demonstram que a soma dos trabalhos na construção de obras de infraestrutura e as demais obras residenciais, industriais, comerciais e particulares decorrem dessa crise econômica que teve início com a Operação Lava Jato.

Para Claudinho, a paralisação de grandes obras de infraestrutura como a estrada Transnordestina e a transposição do Rio São Francisco também aumentam o custo do país.

“Tudo que é precário custa mais. Você gasta com manutenção, não gera empregos e a população é que paga esse prejuízo. Perde a economia como um todo”, afirma.

Mudar legislação trabalhista não gera emprego

O dirigente lembra que para piorar, a atual conjuntura não está favorável aos trabalhadores e as trabalhadoras porque as medidas anunciadas por Bolsonaro levam a um caminho da irracionalidade.

“O governo insiste em mexer na legislação trabalhista e diz que é para gerar emprego, mas ele não ataca as ações causadoras do desemprego que são a falta de linhas de financiamento”, critica.

[Via CUT |Texto: Rosely Rocha]

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Trabalhadores da Fábrica de Fertilizantes Nitrogenados do Paraná (Fafen-PR) se reuniram, em Assembleia Geral Extraordinária, nesta terça-feira, 27, na sede do Sindicato dos Trabalhadores na Indústria Petroquímica do Estado do Paraná (Sindiquímica-PR) para discutir o Acordo Coletivo de Trabalho (ACT).

A assembleia ficou aberta e à disposição de todos, associados ou não. “Aqui todos são trabalhadores, independentemente da função. Todos sustentam suas famílias através de suas atividades na empresa. Participar da reunião de hoje é um interesse de todos nós”, apontou o diretor do sindicato, Gerson Castellano.

A reunião tratou, ponto a ponto, o Acordo Coletivo de Trabalho (ACT) 2019-2021, bem como a possível privatização da estatal e os prejuízos consequentes para a categoria. Assim como ocorrido na década de 1990, quando os petroleiros lutaram bravamente pela defesa e proteção de seus direitos, o momento atual exige união e apoio de todos.

A diferença na luta em relação àqueles anos está, agora, na situação política. Os trabalhadores petroquímicos estão seriamente ameaçados não apenas pela possibilidade de privatização, mas pelo modo como as tratativas do acordo são recebidas pela justiça e até pela sociedade, enganada pelas falsas narrativas atuais contra a luta sindical.

Frente aos desafios, o coordenador geral da entidade, Santiago da Silva Santos, convocou toda a categoria a aliança para que seja possível avançar nas conquistas de um ACT justo.Este acordo não é defendido apenas por nós desta sala, mas por mais 80 mil petroleiros espalhados pelo Brasil. A empresa apostou que os trabalhadores não seriam solidários, mas o pessoal entende e respeita nossa luta”, afirmou enfático.

Além de unidade, o avanço do acordo carece de harmonia: Não estamos sozinhos, mas temos de nos ajudar. Não adianta 80 mil petroleiros nos defender se nós estivermos divididos em relação ao ACT”, completou o coordenador.

A orientação é não ceder ao politivismo empresarial, como ameaças e assédios. “Sei que todos têm necessidades, mas tudo tem limites. Antes havia diálogo, mas hoje isso acabou por questões políticas e nós somos os maiores prejudicados”, finalizou.

Fechando o debate, o secretário de administração, organização e finanças, Otêmio Garcia de Lima, motivou os presentes quanto a força das históricas mobilizações de petroleiros: “Greve não tem que ser tabu. Ela é a única ferramenta que os trabalhadores têm e deve ser usada. É nas greves que a gente avança. Independe de quem assumir a empresa, nós todos continuaremos lá e vamos continuar tendo os mesmos embates. Mas, nosso dia a dia não pode sobrepor ao combate. As mobilizações não são apenas por nós, mas todo mundo”, declarou entusiasmado.

Na avaliação da diretoria do Sindiquímica-PR a assembleia mostrou sua força. “Ontem tivemos a casa cheia e a categoria acompanhou por grande maioria os indicativos do sindicato. Parabenizamos todos pelo entendimento dessa união. Essa é somente uma etapa da luta que teremos, muitas outras virão e precisamos nos manter participativos e coesos para vencer a guerra”, finalizou Santiago.

Nesta quarta-feira (28), a diretoria do Sindiquímica-PR se reunirá no Rio de Janeiro com demais lideranças da categoria para discutir os próximos passos rumo às resoluções do ACT. 

Pontos discutidos e votados na assembleia geral extraordinária de 27 de agosto:

  1. Manutenção da negociação coletiva sobre os pontos divergentes; 

Favoráveis: 90%

Contrários: 10%

Abstenções: 3

  1. Prorrogação dos efeitos do atual acordo coletivo de trabalho enquanto durarem as negociações, demonstrando boa-fé negocial; 

Favoráveis: 93%

Contrários: 7%

Abstenções: 1

  1. Rejeição da 3ª contraproposta da Petrobrás/Araucária Nitrogenados (Fafen-PR); 

Favoráveis: 86%

Contrários: 14%

Abstenções: 2

  1. Aprovação de greve em data a ser definida pela FUP e seus sindicatos, no caso de ataques ao patrimônio jurídico coletivo da categoria, durante o processo negocial.

Favoráveis: 80%

Contrários: 20%

Abstenções: 10

[Via Sindiquimica-PR]

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Em Ação Popular protocolada nesta terça-feira, 27, junto à 3ª Vara Empresarial do Tribunal de Justiça do Rio de Janeiro, representantes das entidades sindicais dos trabalhadores da Petrobrás e da BR Distribuidora cobram a impugnação da Assembleia Geral Extraordinária do Conselho de Administração da estatal, que aprovou em abril mudanças ilegais no estatuto da companhia.

A alteração estatutária permite a venda do controle de subsidiárias  apenas com a aprovação do Conselho de Administração da Petrobrás, sem passar pelos acionistas, o que contraria a Lei das Sociedades Anônimas (Lei nº 6404/76). A medida foi tomada com intuito de facilitar os objetivos do atual presidente da empresa, Roberto Castello Branco, que já anunciou seu desejo de privatizar por completo a empresa.

Não por acaso, no dia seguinte à aprovação da mudança no estatuto da Petrobrás, a empresa anunciou a venda de oito refinarias. A Aragão Ferraro Advogados, assessoria jurídica responsável pela Ação, explica que a alteração promovida faz com que “Castello Branco e a Petrobrás se furtam ao controle público e social, e podem criar ou extinguir subsidiárias de uma forma mais simples. Tal medida atinge diretamente a privatização da empresa, que deve criar subsidiárias para vender, por exemplo, as refinarias”.

A Ação Popular (nº 0212517-84.2019.8.19.0001) foi proposta pelo Coordenador Geral da Federação Única dos Petroleiros (FUP), José Maria Rangel, pelo Coordenador Geral do SindipetroNF, Tezeu Bezerra, e pela presidente do Sindicato dos Trabalhadores no Comércio de Minérios e Derivados de Petróleo do Estado do Rio de Janeiro (Sitramico/RJ), Ligia Deslandes.

[FUP]

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Terça, 27 Agosto 2019 17:51

A Amazônia e o óleo que inflama o fogo

Por William Nozaki, pesquisador do INEEP

Por trás do crescente interesse da comunidade internacional em torno da devastação e das queimadas na Amazônia há mais do que a preocupação com a preservação do meio ambiente e da floresta. Nos últimos anos, os rios e mares que orbitam o perímetro amazônico têm sido objeto de disputas petrolíferas cada vez mais intensas, por trás das fumaças do fogo há interesses em torno do óleo. 

No século XXI, a grande fronteira de exploração e produção de petróleo encontra-se em águas profundas e ultraprofundas, as descobertas do pré-sal colocaram o Brasil na ponta de lança da indústria petrolífera offshore e no epicentro da nova geopolítica do petróleo [1], desde então o Atlântico Sul tornou-se área de influência e vigilância internacional e as riquezas marítimas da costa brasileira, na área da chamada Amazônia Azul, tornaram-se objeto de interesse e cobiça por parte dos principais players globais [2]. 

Mais recentemente, a região Norte da América do Sul tem se apresentado como o espaço que desperta o apetite e orienta estratégias nacionais e empresariais no setor de óleo e gás. Desde 2015, algumas das descobertas offshore mais relevantes tem acontecido nas águas profundas da Guiana, entre a Venezuela e o Suriname.

Nos últimos 5 anos, a norte-americana Exxon já anunciou 13 novas descobertas naquele pequeno país, alguns desses blocos são operados em consórcios que contam com a presença da chinesa CNOOC, ambas já anunciaram a existência de mais de 5,5 bilhões de barris de reserva naquela área e apontam a instalação de pelo menos mais 5 plataformas FPSO`s com previsão de produção de 750 mil barris por dia até 2025.

Uma parte das tensões entre os governos Trump e Maduro passam pela disputa ainda silenciosa em torno dessa região que vive um boom de atividades exploratórias. Além da Guiana, há uma presença crescente da norte-americana Chevron, da espanhola Repsol e da japonesa Inpex no Suriname; enquanto a anglo-holandesa Shell e a francesa Total intensificam sua inserção e atuação na Guiana Francesa. A taxa de sucesso exploratório na região tem atingido a taxa extraordinária de 82%, muito acima da média mundial e comparada às áreas do pré-sal.

Se, na década passada, a descoberta do pré-sal brasileiro mobilizou os EUA a reativarem a IV Frota Naval de monitoramento militar do Sul da América do Sul, na década atual, as novas descobertas no Norte da América do Sul tem mobilizado o governo dos EUA a participar ativamente da elaboração do novo marco regulatório de exploração e produção de petróleo na região da Guiana. 

Essa nova tendência tem impactos diretos sobre a área da Amazônia Verde brasileira, dado que o estado do Amapá e a Foz do Amazonas compõe o novo perímetro de exploração e produção, uma área delicada do ponto de vista ambiental, marítimo e socioeconômico. A chamada Margem Equatorial comporta uma faixa do Atlântico que se estende do Amapá ao Rio Grande do Norte e é dividida em 5 grandes bacias sedimentares em uma área de mais de 1 milhão de km². Na Foz do Amazonas, há notícias da probabilidade de existência de até 15 bilhões de barris de petróleo e 30 trilhões de pés cúbicos de gás, a uma distância de cerca de 60 km do litoral, tanto em águas rasas (50 metros de profundidade) quanto em águas profundas (mais de 3 mil metros de profundidade). A exploração nessa região, entretanto, traz enormes riscos ambientais e grandes desafios de infraestrutura.

Desde a década de 1970 diversas incursões de exploração petrolífera já foram ensaiadas entre a Guiana e a Foz do Amazonas, boa parte delas foi interrompida por acidentes. Em 2011 uma plataforma da Petrobras passou por instabilidade em função do terreno e das correntezas e ficou à deriva. A partir de 2013 diversas empresas petrolíferas passaram a disputar licenças ambientais para realizar atividades de pesquisa e prospecção nessa região, como Exxon e Chevron. No final de 2018 o Ibama indeferiu um pedido de licença para que a petrolífera francesa Total explorasse a região, a petrolífera britânica BP aguarda a resolução para um pedido análogo.

Sendo assim, o crescente interesse global sobre a Amazônia não pode ser visto apenas como manifestação da comunidade internacional em favor da preservação do meio-ambiente. As recentes declarações do presidente francês Emmanuel Macron alertando para as queimadas como um problema internacional devem ser observados em conjunto com os interesses petroeconômicos da francesa Total. 

A tentativa de se pautar na próxima reunião do G7 o fogo sobre a floresta, se, por um lado, é importante para lançar luz sobre um problema devastador, por outro lado, não pode ser observado com olhos ingênuos de quem, incapaz de reagir contra as ações desastrosas do atual governo brasileiro, aguarda que a salvação venha de fora. A saída para o desastre provocado pelo governo Bolsonaro na Amazônia não pode se dar por meio de ingerências externas. Tentar proteger as riquezas do país contando com intervenções estrangeiras é um contrassenso de quem não compreendeu o que é, afinal, a soberania nacional.

 
[1] Sobre a nova geopolítica do petróleo: https://diplomatique.org.br/a-nova-geopolitica-do-petroleo-no-seculo-xxi/

[2] Sobre o Atlântico Sul e o petróleo: https://diplomatique.org.br/o-velho-atlantico-e-o-novo-ouro-negro/

 [Artigo publicado no Jornal GGN]
Publicado em Petróleo

Nas primeiras horas da manhã desta terça-feira, 27, trabalhadores e trabalhadoras da Petrobrás lotados no ATIVO MAR, reunidos no pré-embarque, decidiram rejeitar, com 89,5% dos votos dos participantes, a terceira contraproposta de Acordo Coletivo de Trabalho (ACT) apresentada pela Companhia.

A sessão foi realizada em Natal, em frente à sede da empresa, e também aprovou, por ampla maioria, os indicativos de manutenção da negociação coletiva nos pontos divergentes; de prorrogação dos efeitos do ACT atual enquanto houver negociação; e de deflagração de greve, caso a empresa decida retirar algum direito durante o processo negocial.

Com os resultados desta terça-feira, faltando realizar cinco sessões deliberativas, a contraproposta rebaixada de ACT apresentada pela Direção da Petrobrás já acumula 76,6% de rejeição. Já, a proposta de deflagração de greve, em caso de descumprimento do ACT, tem o apoio de 64,7% dos trabalhadores e trabalhadoras consultados.

Reta-final

Com encerramento previsto para a próxima sexta-feira, 30, o calendário de sessões deliberativas destinadas a apreciar a contraproposta de Acordo Coletivo de Trabalho apresentada pela Petrobrás, já promoveu 11 consultas, reunindo cerca de 1.000 participantes, em áreas administrativas e operacionais.

Nesta quarta-feira, 28, e quinta-feira, 29, serão realizadas sessões especiais nas cidades de Assú, Mossoró e Natal, reunindo trabalhadores e trabalhadoras da ativa que se encontrarem de férias ou de folga, além de aposentados. Trabalhadores do Polo Guamaré e da Transpetro Macaíba também têm assembleias previstas nos próximos dias.

[Via Sindipetro-RN]

Publicado em SINDIPETRO-RN

Durante a assembleia dos trabalhadores realizada segunda-feira (26) na sede da Petrobrás em Salvador (Edifício Torre Pituba),  a diretoria do Sindipetro-BA abriu espaço para que os gerentes e supervisores usassem o microfone para defender a contraproposta da empresa, mas ninguém se pronunciou. Será que não acreditavam no que estavam votando?

O fato é que a estratégia assediadora, imposta pela alta gestão da empresa, se mostrou ineficiente, diante da consciência e unidade dos trabalhadores petroleiros.

O que resta à direção da Petrobras diante da derrota sofrida? Destituir seu corpo gerencial por incompetência? Impor a devolução do dinheiro usado para comprar a dignidade destes gestores?

O fato é que a estratégia da empresa foi um tiro no pé. Deu audiência à atividade do sindicato e expôs os gerentes, duplamente vendidos, à base. De quem foi essa ideia genial?

Para o diretor do Sindipetro, André Araújo, que também é candidato à suplência do Conselho Deliberativo da Petros, “a votação expressiva da categoria petroleira da Bahia, reprovando a proposta da empresa e aprovando a greve em caso de atentado contra  alguns de seus direitos coletivos, impõe uma humilhante derrota à atual e alta gestão entreguista da Petrobrás”.

Araújo ressalta ainda que a prática de assédio aos trabalhadores,  além de ser ilegal,  demonstra que "falta ética à atual gestão da empresa”.

Ele chama a atenção para a estratégia ardilosa da Petrobrás, que  foi iniciada com a distribuição das Remunerações  Variáveis (RV), cujo objetivo foi comprar a dignidade dos gestores e de alguns outros trabalhadores.

O próximo passo foi a imposição do assédio e coação de forma aberta ou velada, visando pressionar os trabalhadores a atenderem os anseios da direção da Petrobras. O ápice desta reprovável tática foi a obrigatoriedade de participação nas assembleias imposta aos gerentes”.

Para Araújo “esses acontecimentos demonstram que a atual gestão da Petrobrás, está totalmente alinhada ao interesse privatista do governo de extrema direita do presidente Bolsonaro e não medirá esforços para entregar as riquezas desta empresa ao capital internacional. Cabe à FUP, aos Sindipetros e à categoria agir para tentar evitar que isso aconteça. Essa responsabilidade já foi aceita por todos nós. Prova disto são os resultados das assembleias que estão rejeitando a contraproposta da empresa e colocando os  maus gestores nos seu devidos lugares”.

Em meio ao entreguismo da alta gestão, os petroleiros se protestaram durante a assembleia, estendendo a bandeira do Brasil e queimando a bandeira da multinacional Shell,  em um ato de patriotismo e defesa da soberania nacional. “Aqui  a Shell não tem vez, o petróleo é do Brasil e dos brasileiros”, afirmou o diretor do Siindipetro, Radiovaldo Costa, aplaudido pelos trabalhadores.

O diretor da FUP, Deyvid Bacelar, denunciou e colocou abaixo os argumentos falsos usados pela direção da Petrobrás para influenciar na votação e aprovação de um ACT rebaixado e que retira direitos da categoria. “Se mexerem nos nossos direitos, vamos entrar em greve – a categoria está aprovando isso – para garantir não só os nossos direitos, mas também essa empresa, a Petrobrás, que foi construída por nós”.

O coordenador do Sindipetro, Jairo Batista, arrematou, “o que está em jogo aqui é a pavimentação para o processo de desmonte e privatização da Petrobrás, não se trata apenas do ACT da categoria, de seus direitos e empregos, e, felizmente, os petroleiros já estão reagindo”.

[Via Sindipetro BA, com edição da FUP]

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A defesa da soberania nacional é tema da série de seminários que ocorrem nos dias 4 e 5 de setembro, na Câmara dos Deputados, em Brasília.

O evento, organizado pela Frente Brasil Popular e Frente Povo Sem Medo, vai debater questões relativas ao patrimônio público, à produção científica e às riquezas naturais, que estão sob intenso ataque do governo Bolsonaro 

A FUP e seus sindicatos estarão presentes.

Um ato político na abertura do seminário lançará a Frente Parlamentar e Popular em Defesa da Soberania Nacional. No encerramento, haverá a divulgação do Manifesto em Defesa da Soberania Nacional.

Para os dois dias estão previstos debates temáticos - Desenvolvimento Econômico e Soberania Nacional; Privatizações: Bancos, Correios, Previdência, Eletrobrás e Petrobrás; Ambiental: Amazônia, Biodiversidade, Mineração e Água; e Ciência, Tecnologia e Educação.

O evento será no Auditório Nereu Ramos e é aberto a todos os interessados.

Confira a programação 

4 de setembro

9h - Ato político em defesa da soberania nacional

11h30 - Desenvolvimento Econômico e Soberania Nacional 

14h30 - Privatizações: Bancos, Previdência, Correios, Eletrobrás e Petrobrás 

5 de setembro

9h - Ambiental: Amazônia, Biodiversidade, Mineração e Água

10h30 - Ciência Tecnologia e Educação.

14h - Aprovação do Manifesto em Defesa da Soberania Nacional

Encaminhamentos práticos para a construção de um Movimento Nacional em Defesa da Soberania Nacional

[Com informações do Brasil de Fato]

Publicado em Economia
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A Federação Única dos Petroleiros (FUP) foi criada em 1994, fruto da evolução histórica do movimento sindical petroleiro no Brasil, desde a criação da Petrobrás, em 1953. É uma entidade autônoma, independente do Estado, dos patrões e dos partidos políticos e com forte inserção em suas bases.

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