Enquanto 5% da população mineira foi infectada por Covid-19, totalizando 1,1 milhão de pessoas, a média de trabalhadores contaminados na Refinaria Gabriel Passos (Regap) é duas vezes maior que a do Estado. 

Segundo ofício enviado pela Petrobrás, 84 trabalhadores testaram positivo para o coronavírus, o que representa mais de 10% dos funcionários que atuam hoje na refinaria. 

Apesar de ter enviado ofício sobre o número de contaminados na Regap, a Petrobras não informou o período em que ocorreram essas contaminações, mais uma vez mascarando o impacto da parada de manutenção na refinaria.

A empresa segue se negando a fornecer informações completas sobre o número de casos, e não é só ao Sindicato. Na última semana, o deputado federal Rogério Correia enviou um ofício à gerência local pedindo informações mais completas sobre os números de trabalhadores infectados por Covid-19, porém até o momento não foi respondido. 

Mortes

O Sindipetro/MG lamenta o falecimento de três trabalhadores da Gramo e de um funcionário da Estrutural. O Sindicato se solidariza com as famílias e amigos dos trabalhadores e continuará lutando para que haja a interrupção de todas as atividades não essenciais que estão sendo realizadas na Regap para garantir a segurança dos trabalhadores.

[Da Imprensa do Sindipetro MG]

O Sindipetro PR/SC informou a perda de dois trabalhadores da Repar - o lubrificador Rodrigo de Souza Germano (36 anos) e o caldeireiro Marcos da Silva (39 anos), vítimas da Covid-19. Para a entidade, mesmo alertada por diversas vezes, gestão da refinaria manteve concentração de trabalhadores no auge da pandemia

[Da imprensa do Sindipetro PR/SC]

Ontem (24) o Sindicato foi informado da morte do lubrificador *Rodrigo de Souza Germano, vítima do novo coronavírus. Ele trabalhava na SNA Serviços de Manutenção Industrial e prestava serviços na Refinaria Presidente Getúlio Vargas (Repar), em Araucária. Nessa madrugada mais uma pessoa faleceu por conta da Covid19, o caldeireiro **Marcos da Silva, trabalhador da PROPAV Construção e Montagem, também terceirizado na unidade da Petrobrás. São pais, irmãos, maridos, filhos que deixam, de forma prematura, seus entes queridos. 

Enquanto isso, a atual gestão da refinaria, sabendo que uma das principais causas de contaminação pela Covid19 é o grande número de pessoas num mesmo ambiente, não atende aos alertas do Sindipetro PR e SC. De acordo com denúncias vindas dos próprios trabalhadores, aproximadamente 800 pessoas continuam em atividade na pré-parada de manutenção no momento mais crítico da pior crise sanitária da história do país. 

O Sindicato alertou a gerência da unidade por diversas vezes, seja por ofício ou contato direto com gerentes e responsáveis, que a circulação de centenas de pessoas no momento de colapso dos serviços de saúde, tanto na iniciativa privada como na saúde pública, seria muito trágico (LEIA AQUI).  

Trata-se de uma tragédia anunciada, a empresa ignora as solicitações para reduzir ou adiar os trabalhos não essenciais, não dá a devida importância a saúde dos trabalhadores e é omissa no combate à Covid19.   

Ontem, justamente no dia em que o Brasil ultrapassou a triste marca dos 300 mil mortos (24/03), os petroleiros enviaram aos órgão públicos do governo federal, estadual e municipal, além da própria Petrobrás, mais uma denúncia sobre a continuidade das atividades não essenciais na Repar.    

O Sindipetro apela às autoridades para que todos os trabalhos não prioritários sejam adiados até que a situação da pandemia recue e o sistema de saúde possa atender à sociedade com tranquilidade. Lamentavelmente se nada for feito mais famílias perderão seus entes queridos. Parem as aglomerações na Repar. Vidas valem mais.

 Denúncias

Qualquer situação de risco de contaminação deve ser comunicada imediatamente ao Sindicato, tais como aglomerações em oficinas, containers, refeitórios, transporte e alojamento, principalmente no período de serviços de pré-parada, de preferência com registros. As denúncias devem ser feitas através do e-mail Este endereço de email está sendo protegido de spambots. Você precisa do JavaScript ativado para vê-lo. ou do telefone (41) 3332-4554. Se preferir, trate o assunto diretamente com os dirigentes sindicais nos locais de trabalho. 

*Rodrigo de Souza Germano 

 Rodrigo de Souza Germano

 ** Marcos da Silva 

A entidade, em nome de toda categoria petroleira, se solidariza com os familiares e amigos das vítimas. Informa também que não está medindo esforços para que as condições de trabalho mudem e a vida dos trabalhadores seja respeitada.  

Enquanto municípios da Região Metropolitana do Rio de Janeiro decretam lockdown, a Refinaria Duque de Caxias inicia parada de manutenção da unidade de destilação, mais que dobrando o número de trabalhadores em suas dependências

[Comunicado à imprensa]

O Sindicato dos Petroleiros de Duque de Caxias (Sindipetro-Caxias), filiado à Federação Única dos Petroleiros (FUP), enviou documento à Justiça do Trabalho e ao Ministério Público do Trabalho (MPT) solicitando o adiamento da parada de manutenção da unidade U-1210 (destilação) na Refinaria Duque de Caxias (Reduc) – a maior unidade operacional da refinaria –, bem como máscaras N95 para os trabalhadores, além de equipamentos de segurança que diminuam o risco de os profissionais contraírem a covid-19. Desde março de 2020, a refinaria contabiliza mais de 1.800 pessoas contaminadas pelo coronavírus, entre trabalhadores próprios e terceirizados, com quatro mortes por decorrência da doença. Neste momento, há nove trabalhadores internados.

 A parada de manutenção na Reduc começou no dia 10 de março, aumentando significadamente o número de trabalhadores nas dependências da unidade. Na pandemia, a refinaria funcionava com aproximadamente 500 trabalhadores próprios e mais 1.300 terceirizados. Com esta parada de manutenção, aumentará em mais 3 mil terceirizados em seu pico para manutenção, além dos demais mencionados, elevando substancialmente a circulação de pessoas dentro da refinaria, colocando os profissionais em risco neste momento de pandemia. Hoje, o Brasil passa de 3 mil mortes por dia. Diversos estados e municípios do país estão entrando em lockdown, porque o sistema de saúde entrou em colapso. A ideia do lockdown é, além de fazer o vírus parar de circular, desafogar os hospitais. Há filas de espera em CTIs do Rio de Janeiro e, em alguns locais do país, já faltam insumos até para intubar o paciente, caso necessário.

 A Refinaria Gabriel Passos (Regap), em Betim (MG), vem sofrendo um surto de covid-19, com mais de 220 trabalhadores contaminados só neste mês, 84 deles de um mesmo setor. Até este momento, são 13 empregados internados por complicações da doença. A Refinaria Landulpho Alves (Rlam), na Bahia, sofre com o mesmo problema e, em apenas uma semana, perdeu dois trabalhadores por complicações da covid-19.

 “A Petrobrás manter esta parada de manutenção neste grave momento da pandemia demonstra descaso com a vida de seus trabalhadores e trabalhadoras. Desde janeiro estamos alertando a empresa dos riscos desta parada acontecer neste momento, inclusive enviamos documento solicitando o adiamento, mas não obtivemos resposta da Petrobrás”, explicou Luciano Santos, diretor do Sindipetro Caxias.

Com mais de 300 mil óbitos causados pela negligência do governo Bolsonaro no combate à pandemia da Covid-19, Brasil tem média diária superior a 75 mil contaminados. Sobrecarga dos profissionais de saúde e falta de equipamentos poderiam ser evitados com planejamento e unidades industriais

[Do Brasil de Fato/Paraná]

No Brasil de hoje, por um lado faltam insumos, materiais e até mesmo oxigênio medicinal para o atendimento ao número de internados por covid-19, cada vez maior. Por outro lado, o Brasil aprofundou recentemente o desmonte de estruturas produtivas que poderiam estar a serviço da produção e do combate à covid-19.

Essa foi a contradição central exibida pelo programa Brasil de Fato Paraná Entrevista, na última segunda-feira (22), com a participação de Gerson Castellano, trabalhador da Fafen Fertilizantes, de Araucária, fechada em 2020, que poderia produzir cilindros de oxigênio. Veja a íntegra do programa no final da matéria.

O Ministério Público do Paraná recomenda a reabertura dessa subsidiária da Petrobras para dar conta da demanda de produção.

Participou também do programa a fisioterapeuta Paula Prates, Graduada em Fisioterapia pela Universidade Paulista, com pós-graduação em Fisioterapia cardiorrespiratória Neonatal e Pediatria pela Faculdade de Medicina do ABC. Paula está na linha de frente no combate contra a Covid em três hospitais com atuações distintas (pediatria, hospital público e um hospital de campanha).

O relato da jovem trabalhadora da saúde é fortíssimo.

Revela a sobrecarga a que os profissionais são submetidos neste momento em que a pressão se intensifica cada vez mais.

“Desde o início, vivemos o problema de Equipamento de Proteção Individual (EPI) e faltaram máscaras, muitos hospitais fechando no começo por contaminação de seus funcionários. Isso foi acontecendo ao longo de 2020 e ainda hoje os hospitais têm essa dificuldade em EPIs. A criação de hospitais de campanha conseguiu isolar algumas pessoas com sintomas. Ainda faltam medicamentos de sedação, como fisioterapeuta preciso de sedação para a ventilação mecânica”, relata.

Oxigênio não precisaria faltar

Levantamento recente de Frente Nacional de Prefeitos (FNP) indica que o oxigênio para pacientes de covid pode acabar em pelo menos 76 municípios de 15 estados. Em São Paulo, 54 cidades aventam esse risco.

No Paraná, foram cedidos 200 cilindros, de acordo com a Secretaria de Estado de Saúde (Sesa), vindos do Amazonas. Castellano aponta como prefeitura municipal e sobretudo o governo do Paraná têm sido indiferentes ao apelo de reabertura da Fafen. “O governador justifica que o oxigênio não é o problema, apenas a produção de cilindros”, critica o sindicalista.

A unidade de Araucária foi fechada em janeiro de 2020, por decisão da Petrobras no governo Bolsonaro, causando 1000 demissões diretas, além das indiretas. Por parte da sociedade, relata Castellano, há forte pressão pela reabertura da planta industrial, o que passa por articulações na Câmara de Vereadores de Curitiba, na Assembleia Legislativa do Paraná (Alep). Ao longo da entrevista, vários trabalhadores enviaram mensagem questionando a Petrobras, que poderia ter posição mais atuante no combate à pandemia. "A prioridade neste momento tem que ser a vida", enfatiza o sindicalista.

Fake news

Ao lado da ausência de estrutura, profissionais na linha de frente no combate contra a Covid apontam a dificuldade de combater preconceitos e criação de notícias falsas, disseminadas entre a população.

“Buscamos questionar a pessoa, fazer com que ela entenda apenas a informação – as pessoas não querem acreditar, que é uma doença grave, fatal, comprovadamente no mundo, isso impacta sim na lotação dos hospitais e no tratamento que acaba sendo tardio, mascarando um pouco os sintomas e evolui para algo mais grave”, afirma Paula. 

Publicado por Gerson Castellano em Segunda-feira, 22 de março de 2021

A Federação Única dos Petroleiros e seus sindicatos lamentam profundamente o falecimento do ex-deputado federal e atual dirigente do PCdoB, Haroldo Lima, ocorrido na madrugada desta quarta-feira, 24, em Salvador, onde estava internado, lutando há mais de duas semanas contra a Covid-19. 

A diretoria colegiada da FUP manifesta sua solidariedade aos familiares, amigos  e companheiros de partido.

Ex-diretor geral da Agência Nacional de Petróleo (ANP), Haroldo Lima era um defensor incansável da democracia, da liberdade e da justiça social, sem jamais titubear de que lado da luta estava.

Ele é mais uma vítima do genocídio de um governo negacionista e anti-vacina, que já levou à morte 300 mil brasileiros e brasileiras em meio a maior tragédia sanitária do planeta. 

Foi na gestão de Haroldo Lima na ANP, após ouvir as denúncias da FUP e do Sindipetro-NF sobre a precarização das condições de trabalho offshore e o desrespeito às normas de segurança, que pela primeira vez foi realizada uma interdição de plataforma de petróleo no Brasil, por condições inseguras de trabalho. 

Era, acima de tudo, um lutador da democracia, cujo legado ficará de inspiração para as atuais e as próximas gerações de trabalhadores.

Haroldo Lima, presente!

Leia também:

Haroldo Lima: Mais de meio século de lutas

A Lava Jato destruiu empresas. "Quem pagará por esse crime?", questiona ex-diretor da ANP

Ex-diretor da ANP conclama deputados a rejeitarem o PL 8939/17. "É uma expropriação ao povo brasileiro"

Publicado em Movimentos Sociais

Esta quarta-feira, 24, é dia de lockdown da classe trabalhadora. De que lado você, petroleiro e petroleira, estará? Na luta pela vida ou ao lado da necrogestão?, questiona a FUP, em editorial 

Leia a íntegra:

Enquanto os trabalhadores do Sistema Petrobrás estão sendo contaminados e mortos pela Covid-19 por conta da negligência e ingerência da empresa, a atual diretoria, que deveria estar preocupada em salvar vidas, corre contra o tempo para aumentar os lucros dos acionistas privados. A FUP tomou conhecimento pela imprensa de que Roberto Castello Branco, às vésperas de se desligar da presidência, está pressionando o Conselho de Administração da empresa a aprovar a qualquer custo a venda da Refinaria Landulpho Alves (Rlam), negociada pela metade do preço. A notícia foi divulgada no final da tarde desta terça-feira, 23, pela Agência Estado.

E daí que quatro trabalhadores da Regap morreram nas últimos 48 horas por culpa de gestores que insistiram em manter as paradas de manutenção, abarrotando a refinaria com 2.200 trabalhadores a mais? E daí que cerca de 300 petroleiros se contaminaram na Regap e na Rlam nas últimas semanas? E daí que centenas de trabalhadores offshore estão entregues à própria sorte em meio aos surtos de Covid que se alastram pelas plataformas?

O que vale para a diretoria da Petrobrás é vender a empresa a preço de banana e garantir os compromissos assumidos com os acionistas privados e o mercado. A reportagem da Agência Estado mostra a pressão que está sendo feita sobre os integrantes do CA para que aprovem nesta quarta-feira, 24, a privatização da Rlam. Ao apagar das luzes da gestão Castello Branco, a única coisa que interessa à empresa é tentar consolidar o Preço de Paridade de Importação (PPI) como política de reajuste dos derivados. Em documento obtido pela reportagem, está claro que a diretoria usa o PPI para tentar justificar perante os acionistas o preço da Rlam abaixo do mercado: "sem vender refinaria, vai ser difícil manter os preços dos combustíveis alinhados aos do mercado internacional".

É essa mesma diretoria, em qualquer compromisso com os interesses nacionais, que atua na contramão das medidas de contenção da pandemia da Covid-19, fazendo multiplicar a contaminação nas unidades operacionais. É a mesma diretoria que se recusa a tomar as medidas de prevenção cobradas pela FUP e pelos sindicatos, como suspensão da paradas de manutenção que lotam as refinarias com mais de 2 mil trabalhadores, a testagem em massa de todos os petroleiros, próprios e terceirizados, o cumprimento dos protocolos recomendados pelos órgãos de saúde e de fiscalização, a emissão de CATs para os casos de Covid, entre outras.

Segundo o último boletim de monitoramento da Covid-19 divulgado pelo Ministério de Minas e Energia (22/03), a semana começou com 5.684 petroleiros contaminados, o que representa 12,2% do total de trabalhadores próprios da empresa. O número de infectados vem aumentando há seis semanas consecutivas. Esses dados, no entanto, por mais assustadores que sejam, não refletem a realidade, pois a Petrobrás omite, desde o início da pandemia, a divulgação dos casos de Covid entre os trabalhadores terceirizados, que são os mais expostos à contaminação.

A gestão Castello Branco tem as mãos manchadas de sangue, mas, e daí? O que interessa é garantir a produção a qualquer custo, não importa que o preço seja a vida do trabalhador. O que interessa é vender refinaria pela metade do preço e cumprir as metas de privatização. O que interessa é sacrificar a população com preços abusivos do gás de cozinha e dos combustíveis e agradar o mercado.

Esta quarta-feira, 24, é dia de lockdown da classe trabalhadora. De que lado você, petroleiro e petroleira, estará? Na luta pela vida ou ao lado da necrogestão? 

Federação Única dos Petroleiros

Segundo o Sindipetro-NF, a situação na plataforma da Bacia de Campos é crítica, não apenas pelo risco sanitário, mas por questões de segurança, já que a plataforma está trabalhando com equipe incompleta de operadores por causa do desembarque de infectados

[Da assessoria de comunicação do Sindipetro NF]

Mais um surto de contaminação pela covid-19 foi registrado em plataformas de petróleo da Petrobrás. Desta vez, na P-48, no campo de Caratinga, na Bacia de Campos (RJ), onde, nesta semana, em apenas dois dias, foram confirmados oito casos de infectados pelo coronavírus. Com isso, sobe para dez o número de trabalhadores que testaram positivo para a doença na unidade e foram desembarcados.

“A situação é crítica, por questões sanitária e de segurança”, afirma Alexandre Oliveira Vieira, diretor de Saúde e Meio Ambiente do Sindicato dos Petroleiros do Norte Fluminense (Sindipetro-NF), filiado à Federação Única dos Petroleiros (FUP). Vieira se refere ao fato de que, entre os petroleiros contaminados, estão técnicos de equipes consideradas chave para a operação de plataformas, como mestre de cabotagem, coordenador de embarcação e de produção. “A P-48 está trabalhando com equipe incompleta de operadores”, ressalta.

Segundo dados da Agência Nacional do Petróleo (ANP), em apenas oito dias, de 15 a 22 de março, foram contabilizados 248 casos de covid-19 em unidades marítimas. Esses números, porém, não incluem a P-48, cujos números deverão entrar nas estatísticas oficiais somente amanhã (24/3), pois o manual de notificação da ANP prevê até 24 horas para atualização de casos.

CASOS DE COVID NA PETROBRÁS EXPLODEM

O Boletim de Monitoramento da covid-19 de número 49, publicado no site do Ministério das Minas e Energia (MME) nessa segunda-feira (22/3), mostra que, até ontem, o número de casos confirmados entre trabalhadores da Petrobrás passou de 258 para 294, com 17 pessoas hospitalizadas  e também 17 mortes. Foi a sexta semana consecutiva de crescimento no número de casos registrado pelo MME.

O total de trabalhadores da Petrobrás recuperados somam 5.356. Assim, a semana começou com total de 5.684 trabalhadores contaminados com a covid-19, representando 12,2% do total de trabalhadores da empresa.

 

Publicado em Sistema Petrobrás

A cada semana, um trabalhador perde a vida para a Covid-19 nas instalações da Petrobrás na Bahia. Essa tem sido a tenebrosa realidade que assusta os trabalhadores diante do aumento de surtos da doença na Rlam e nas demais unidades da empresa. A vítima mais recente foi uma trabalhadora terceirizada na área de produção terrestre de Taquipe, que faleceu no último domingo, 21. Nos dois domingos anteriores, dois operadores da Rlam também perderam a vida em consequência da Covid.

Veja a nota do Sindipetro-BA:

É com grande pesar que nos despedimos da companheira Gilsi Vasconcelos Fernandez, terceirizada da Telsan, no setor de terras em Taquipe, faleceu ontem (21), em Salvador. As mortes se avolumam semanalmente, a intensidade e o temor aumenta dia a dia, fato que não existia antes.

O Sindipetro BA, recebeu confirmação que o setor que Gilsi trabalhava, está funcionando com número exagerado de trabalhadores, o que provoca aglomeração e consequente aumenta o risco de contaminação pelo coronavirus. A gerência geral da UN-BA precisa urgentemente diminuir o efetivo de Taquipe, em especial do SOP. Identificar pessoas que tenham comorbidades, pois têm risco adicional no caso de contaminação e de vir a óbito. Adotando medidas preventivas mais concretas, de higienização no local de trabalho, de testagem dos trabalhadores com frequência, de isolamento e acompanhamento das pessoas que testem positivo.

Devem também adotar medidas de higienização de veículos, diminuir o numero de trabalhadores que circulam nos ônibus e nas vans, que aumentam o risco de contaminação. Fornecer mascaras de proteção, para que haja troca com maior intensidade durante o dia de trabalho, entre outra medidas que devem ser adotadas na perspectiva de diminuir os riscos de contaminação entre os trabalhadores e trabalhadoras, isso vale para todas as unidades da Petrobrás na Bahia.

[Da imprensa do Sindipetro BA]

 

A representante dos trabalhadores no Conselho de Administração da Petrobrás, Rosângela Buzanelli, divulgou nota em seu blog, manifestando preocupação diante do aumento significativo de casos de trabalhadores infectados pela Covid-19 nas instalações da empresa. "A situação é muito alarmante. A gestão da empresa, como em todos os demais aspectos trabalhistas e de recursos humanos, não dialoga com os representantes dos empregados, que trazem soluções alternativas, inclusive aprovadas por instituições respeitadas na área como a Fiocruz", ressalta a conselheira.

Leia abaixo a íntegra da nota:

[Do blog de Rosângela Buzanelli]

Li algumas notícias neste final de semana muito preocupantes e assustadoras. Reportagens da imprensa e da FUP mostram que a situação da covid, que já contabiliza quase 300 mil mortos no Brasil, também é muito grave dentro da Petrobrás. O vírus avança de maneira descontrolada e as petroleiras e petroleiros, com toda razão, cobram esclarecimentos da direção da empresa e medidas de segurança para garantia da saúde.

Na Regap, refinaria que fica em Betim, na região metropolitana de Belo Horizonte, já são mais de 200 empregados contaminados. Só na última semana, foram registrados 100 novos casos, sendo 84 em um mesmo setor. Ontem, dia 22, os petroleiros da Regap entraram em greve. A mobilização deles reivindica mais saúde e segurança no trabalho.

Em um único dia, na semana passada, foram confirmados 83 novos casos em unidades de Exploração e Produção (E&P). O maior surto recente nas atividades offshore, de acordo com a FUP, ocorreu na plataforma P-38, no campo de Marlim Sul, na Bacia de Campos. Vários trabalhadores testaram positivo para a covid e, diante desse cenário grave, os trabalhos no convés foram suspensos e a plataforma passou a operar de forma parcial.

Desde o início da pandemia, há um ano, a ANP já registrou 4.743 casos confirmados de covid em áreas de E&P, com grande incidência na região Sudeste, onde ficam as bacias de Campos e Santos, que movimentam cerca de 40 mil pessoas por mês.

Diante desse crescimento desenfreado de casos, o Sindipetro-MG e o Sindipetro-NF encaminharam requerimento ao Ministério Público do Trabalho (MPT), pedindo esclarecimentos por parte da Petrobrás sobre o avanço da doença nas plataformas e na refinaria.

Segundo o último boletim de monitoramento covid-19 do Ministério de Minas e Energia, divulgado nesta segunda (22/03), mais de 5,6 mil trabalhadores da Petrobrás já foram contaminados pela covid – número que deve ser bem maior, já que não inclui os trabalhadores terceirizados, invisíveis nesse trágico cenário. Desse total, 5.356 já estão recuperados, 17 seguem hospitalizados, 294 estão em quarentena e 17 morreram. O número total de infectados representa cerca de 12% do efetivo próprio da companhia (https://www.gov.br/mme/pt-br/assuntos/noticias/49BoletimdeMonitoramentoCovid19.pdf).

A situação é muito alarmante. A gestão da empresa, como em todos os demais aspectos trabalhistas e de recursos humanos, não dialoga com os representantes dos empregados, que trazem soluções alternativas, inclusive aprovadas por instituições respeitadas na área como a Fiocruz. Uma dessas soluções, no caso do trabalho offshore, se mostrou mais eficaz no combate ao contágio pré-embarque, economicamente mais vantajosa para a empresa, mas ainda assim há resistência injustificada na sua aplicação.

No ano passado solicitei, e fui atendida, no sentido de que os números da covid deveriam ser apresentados nas reuniões do Comitê de Segurança, Meio Ambiente e Saúde (CSMS), ligado ao Conselho de Administração da Petrobrás, do qual eu faço parte. Agora precisamos avançar na discussão das medidas, buscando somar nas ações de prevenção. É preciso que esse tema seja debatido com mais ênfase, profundidade e amplitude dentro da companhia. É necessário e urgente que ações mais efetivas sejam implementadas para combater o avanço da covid e evitar que mais mortes ocorram na Petrobrás. E para isso, envolver os trabalhadores na discussão e busca de soluções é imperativo.

 

Serviços preliminares da parada de manutenção continuam e expõem trabalhadores ao risco de contaminação pelo coronavírus.

[Da imprensa do Sindipetro PR/SC]

No último sábado (13), o Sindipetro Paraná e Santa Catarina recebeu um ofício da Repar no qual era comunicada a postergação da parada de manutenção para 12 de abril, em atendimento à reivindicação da entidade. 

O Sindicato considera a realização de um processo que inclui cerca de dois mil trabalhadores a mais na rotina da refinaria, em pleno ápice da pandemia do coronavírus no Brasil, um absurdo. Tanto que exigiu a suspensão da parada à Repar e denunciou aos órgãos oficiais, como as secretarias de saúde municipal de Araucária e do Paraná, Ministério Público Estadual (MPE) e Ministério Público do Trabalho (MPT-PR). 

O problema parecia resolvido, apenas parecia. Ao longo da semana não pararam de chegar denúncias de aglomerações na Repar ao Sindipetro. A constatação é de que os serviços de pré-parada foram mantidos, mesmo diante do cenário de colapso das redes pública e privada de saúde por conta do agravamento da crise sanitária.   

O Sindipetro novamente tentou cobrar a suspensão dessas atividades aos gestores, mas recebeu somente respostas evasivas. Dessa forma, a medida imediata a ser tomada legalmente é adicionar essas informações às denúncias junto aos órgãos competentes. Em caso de a refinaria se tornar um foco de contaminação, acaso as aglomerações continuem, os gestores devem ser responsabilizados criminalmente por suas atitudes.  

Regap é exemplo ruim

A gestão da Repar trilha o mesmo caminho da catástrofe que ocorre na Regap, em Minas Gerais. Por lá, também cerca de dois mil trabalhadores de outras regiões foram realizar serviços da parada de manutenção em plena pandemia. O resultado foi a criação de um foco de contaminação pelo novo coronavírus. De acordo com as informações do Sindipetro/MG, mais de 200 trabalhadores testaram positivo para Covid-19 somente neste mês, sendo que mais de dez, entre próprios e terceirizados, estão internados. 

Cabe salientar que a gerência de SMS que responde pela refinaria de Minas Gerais é a mesma da Repar. 

Denúncias

Qualquer situação de risco de contaminação deve ser comunicada imediatamente ao Sindicato, tais como aglomerações em oficinas, containers, refeitórios, transporte e alojamento, principalmente no período de serviços de pré-parada, de preferência com registros. As denúncias devem ser feitas através do e-mail Este endereço de email está sendo protegido de spambots. Você precisa do JavaScript ativado para vê-lo. ou do telefone (41) 3332-4554. Se preferir, trate o assunto diretamente com os dirigentes sindicais nos locais de trabalho.

Página 2 de 35

A Federação Única dos Petroleiros (FUP) foi criada em 1994, fruto da evolução histórica do movimento sindical petroleiro no Brasil, desde a criação da Petrobrás, em 1953. É uma entidade autônoma, independente do Estado, dos patrões e dos partidos políticos e com forte inserção em suas bases.