Por Fátima Viana (Fafá), diretora da FUP e do Sindipetro-RN

No dia oito de outubro, o presidente da Petrobras compareceu à audiência da Comissão de Minas e Energia do Congresso Nacional, atendendo a convocação do deputado federal Carlos Zarattini, para explicar os motivos que levam ao encerramento das atividades da estatal no Nordeste.

Os trabalhadores da Petrobras, por meio das representações da Federação Única dos Petroleiros – FUP e dos Sindicatos, participaram do evento com a expectativa de que o presidente da companhia, o senhor Roberto Castelo Branco, apresentasse alguma razão técnica aceitável.

Contrariando as expectativas, o presidente da maior empresa brasileira destilou preconceitos e deboche em relação ao povo nordestino, aos trabalhadores e aos parlamentares defensores da soberania nacional.

Durante o debate, o referido presidente da companhia fez discurso e proselitismo político, seguido pelos parlamentares do PSL, reverberando os mantras da turma da lava jato e do atual presidente do Brasil. Mas o auge do deboche ficou por conta das referências às instalações da Petrobras na Bahia e à explicação chula de que “a Petrobras não tem culpa se a natureza trabalhou contra o Nordeste”.

Os trabalhadores da estatal, orgulhosos que são da construção deste patrimônio nacional, saíram envergonhados, tanto quanto os brasileiros se sentiram envergonhados perante o mundo, após o pronunciamento de Bolsonaro na ONU.

Mas aos trabalhadores não é dado tempo para alimentar dissabores. Os trabalhadores petroleiros estão convencidos da necessidade de organizar e realizar grandes mobilizações em defesa do país e do patrimônio nacional, do qual a Petrobras é o melhor exemplo.

A atual gestão da estatal de petróleo está voltada a atender interesses diversos dos interesses da nação. Essa é a razão para o desmonte que faz na companhia e do ataque ao seu maior patrimônio, que são seus trabalhadores.

De um lado os trabalhadores sofrem o impacto da subtração dos seus direitos, como demonstra o processo frustrado de negociação para a renovação do Acordo Coletivo de Trabalho - ACT, que levará a categoria a mais uma greve, na qual não se reivindica ganho real nem direitos novos, mas tão somente a renovação dos direitos conquistados.

Por outro lado, esses mesmos trabalhadores são vítimas da utilização do assédio moral como ferramenta de gestão, além da subtração dos postos de trabalho, advindos com o encerramento de atividades e com a venda de ativos no Nordeste, no Sul e em parte do Sudeste.

O programa implementado pelos representantes do governo na gestão da empresa configura um processo acelerado de privatização e desintegração da Petrobras sem qualquer justificativa técnica, a não ser a decisão política do governo de retirar a estatal do cenário geopolítico, fragilizando e comprometendo a perspectiva da soberania energética do país.

A desintegração da Petrobras - situada entre as dez maiores empresas de petróleo do mundo -, a venda dos ativos e das reservas do pré-sal atentam contra a soberania e contra a segurança nacional. São ações que contrariam a perspectiva da autossuficiência e o caminho adotado pelas grandes companhias de petróleo, num cenário de disputa crescente pelo controle de reservas e pelo controle do mercado de derivados.

Encerrar as atividades da Petrobras no Nordeste é uma medida perversa, para quem ainda não resolveu o problema do desenvolvimento em escala capaz de superar a desigualdade regional. A concretização desse movimento trará como consequência a desarticulação da estrutura industrial ainda incipiente na região, sem a qual o Nordeste restará subordinado à dinâmica econômica da região sudeste.

Para ilustrar o grau de relevância da Petrobras no Nordeste brasileiro é importante destacar que de 2004 a 2010 o PIB do NE variou de 6,5% a 7,9%, superior ao PIB nacional em 0,4%. Segundo a professora Tânia Barcelar, esse desempenho resultou de duas políticas: a política de compras da estatal com a expansão do refino na região; e a instalação dos estaleiros nos Estados da BA, AL, PE e MA.

A redução dos investimentos da Petrobras na região tem contribuído para a elevar o nível de desemprego. De acordo com os dados apurados pelo Instituto de Estudos Estratégicos de Petróleo, Gás Natural e Biocombustíveis José Eduardo Dutra – INEEP, nos últimos quatro anos o setor desempregou cerca de 7 mil trabalhadores e os salários acumulam queda de 17%.

No Rio Grande do Norte os danos são ainda mais impactantes, pois a Petrobras responde por mais de 40% da atividade de transformação no Estado. A redução dos investimentos de 1,8 bilhões em 2011 para 550 milhões em 2018, já levou à perda de mais de 5 mil postos de trabalho no setor petrolífero.

Ao contrário do que propagam os aliados do governo, a saída da Petrobras do Nordeste não é fato menor e nem será compensada pela entrada de empresas privadas, pois as duas têm papeis, dimensão e objetivos diferentes. O investimento previsto pelas empresas compradoras das concessões de Riacho da Forquilha e do pólo Macau não alcançam o mais baixo investimento da estatal no Estado.

As pequenas e médias empresas de petróleo do país não dão conta do volume de investimento necessário para garantir a atividade de petróleo em águas rasas, que sem a presença da estatal poderão se encerrar precocemente.

Os Estados do Nordeste não podem e não devem aceitar a saída da Petrobras da região, sendo urgente a mobilização dos agentes políticos e econômicos em busca das medidas que garantam a permanência da estatal e a construção de novos arranjos no setor, capazes de garantir a permanência e a expansão da atividade petrolífera na região.

Pelo bem do povo e do Brasil a Petrobras precisa permanecer no Nordeste!


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Por Jorge Oliveira, presidente do Sindipetro dos Petroleiros do Ceará

O governo federal anunciou a venda das refinarias da Petrobrás, entre elas a Lubrificantes e Derivados do Nordeste, localizada em Fortaleza.

A história e as escolhas feitas até o momento mostram que o povo não ganhará nada com essa privatização, pelo contrário, poderá pagar um preço maior pelo derivado, além de Estados e municípios receberem menor receita e ainda sofrer com desemprego.     

Se a iniciativa privada quer comprar “para investir”, por que ela não investe? Basta fundar uma empresa de lubrificantes e asfalto sem precisar comprar o que já foi construído e ganhar dessa mesma empresa estatal na concorrência.

Não há precedentes de investimentos da iniciativa privada em ativos do setor petróleo, o que ocorre é justamente o contrário: quem investiu ao longo de décadas em pesquisa e desenvolvimento foi a Petrobrás.

O monopólio de exploração e refino foi quebrado em 1995, de lá pra cá não houve investimentos privados no setor, nem dutos ou refinarias. Tudo que temos foi fruto de investimento estatal. A Shell teve a chance de descobrir o pré-sal, mas não quis investir por ser muito caro. Aí vem a diferença entre a Petrobrás e as outras companhias estrangeiras e privadas. Despendemos, somente em um poço, US$240 milhões e a Shell não quis correr o risco financeiro para enfrentar o risco geológico.

Essa é a grande diferença entre uma empresa que tem compromisso com o desenvolvimento nacional, no caso, a Petrobrás, e uma empresa privada que quer apenas lucrar.             

Quem comprar a Lubnor não estará interessado em investir, apenas colocar o lucro no bolso. Haverá uma troca de donos, deixará de ser uma empresa do povo para pertencer a um bilionário. Se o empresário está preocupado em investir e gerar empregos, por que não fez isso ao longo desses 24 anos da quebra do monopólio?

Sobre a concorrência e queda no preço dos derivados - outra falácia. O preço dos derivados de petróleo está ligado ao preço do barril no mercado internacional. Desde 2016, com Michel Temer e agora com Paulo Guedes e Bolsonaro, a Petrobrás passou a praticar paridade internacional nos preços. Isso significa que cada movimento brusco no preço do barril, como agora com os ataques à produção da Arábia Saudita, os preços mudam aqui no Brasil. Além disso, só teremos mais concorrência na produção (para ter queda nos preços) se construirmos outra refinaria no Ceará, trocar o dono não significa preço menor.

Houve redução do preço da energia após a Coelce ser privatizada? O que houve foi redução de salários e menos empregos.

Também estamos preocupados com os efeitos fiscais destas privatizações. Não temos dúvida que o dono privado pedirá isenção fiscal ao Governo. Há ainda a possibilidade do dono privado parar de produzir e usar a refinaria como estoque para importar derivado e revender no mercado local. Isso trará desemprego e menor renda para o município/Estado, como menor ICMS e outros impostos.

Por fim, há ainda a possibilidade do dono privado importar petróleo e isso reduzirá os royalties dos municípios produtores e afetados pelo transporte de petróleo. Ou seja, não temos o que comemorar com a venda das refinarias, com a retirada do controle do Estado e passagem para a iniciativa privada.

[Artigo publicado no jornal O Povo]

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No último dia 30 de setembro, a Petrobras assinou o contrato de venda de dois campos da Bacia terrestre Potiguar. Pela operação, a estatal recebeu US$ 7,2 milhões e, segundo comunicado, ela está “alinhada à otimização do portfólio e à melhoria de alocação do capital da companhia, visando a geração de valor para os nossos acionistas”.

A transação dos campos atende ao novo princípio estratégico da Petrobras de focar sua atuação na área de exploração e produção do pré-sal e no downstream da região sudeste. Além disso, a empresa argumenta que novas empresas mais especializadas na exploração de petróleo em terra poderiam aumentar a eficiência da produção gerando maiores benefícios econômicos para as regiões envolvidas. 

Embora seja compreensível que, no longo prazo, a Petrobras se dedique progressivamente aos campos offshore, principalmente do pré-sal, tal mudança de rota abrupta da companhia associada à timidez dos investimentos privados deve levar a um resultado contrário ao pretendido. Isto é, ao invés de uma melhora dos resultados econômicos, o que tem se observado é uma piora acelerada dos indicadores do setor nas regiões de produção de terra.

Em recente estudo, o Ineep mostrou que nos últimos quatro anos, houve a demissão de cerca de sete mil funcionários das áreas de exploração e produção do nordeste, sua maior parte atuando em terra. Além disso, no mesmo período, a média salarial dessa força de trabalho se reduziu em aproximadamente 17%.

Essa queda poderia ser efeito de um ajuste temporário para melhorar a eficiência de produção da região. Todavia, no Rio Grande do Norte, por exemplo, a produção tem despencado continuamente desde 2013, saindo de 53 mil para 36 mil barris por dia. Nesse período, a produção da Petrobras no estado diminuiu 18 mil barris por dia (caiu de 52 mil para 34 mil). Enquanto isso, a produção do setor privado, que é muito menor, teve um aumento que nem de longe compensou essa queda, subindo de mil para dois mil barris por dia.  

Esses dados evidenciam que, apesar da queda na força de trabalho e da forte transferência de ativos para o setor privado, a produtividade declinou no período em razão da queda de produção, o que reforça a incapacidade de as empresas privadas ocuparem o espaço da estatal num curto espaço de tempo. 

É importante notar que a atuação do capital privado pode ser importante para complementar a posição da Petrobras e auxiliar numa transição de longo prazo. No entanto, a estratégia de saída abrupta da Petrobras, levando-se em conta a inexistência de empresas privadas com grande potencial de investimentos nas áreas terrestres, tende a agravar a situação. E, ao invés de uma transição de longo prazo, o que ocorrerá será a destruição de uma cadeia inteira de produção no curto prazo.

[Blog do INEEP]

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Na manhã da próxima quarta-feira, 2 de outubro, véspera de feriado no RN, o SINDIPETRO promoverá um grande abraço à sede administrativa da Petrobrás, na Cidade da Esperança, em Natal. Além de celebrar o aniversário de 66 anos da empresa, criada pela Lei nº. 2004, em 3 de outubro de 1953, o evento pretende mobilizar para uma manifestação em defesa da permanência da Petrobrás em solo potiguar.

Conforme intenção já revelada pelo presidente da Petrobrás, Roberto Castello Branco, “a companhia deverá se transformar, até 2022, numa empresa do Rio de Janeiro, São Paulo e Espírito Santo”. Isto significa a saída da empresa de todas as atividades de exploração, produção e refino de petróleo e gás natural no Rio Grande do Norte, e em diversos outros Estados, acarretando graves prejuízos econômicos e sociais, principalmente na Região Nordeste.

Há duas semanas, por ocasião da reunião de governadores de estados nordestinos, realizada em Natal, a Direção do Sindicato, acompanhada da FUP, entregou Carta Aberta em que apela aos chefes de Executivos Estaduais para que analisem “a possibilidade de concertação de uma ação conjunta, destinada a questionar a decisão da atual cúpula da Petrobrás”.

Em resposta publicada na Carta de Natal, os governadores “manifestam sua profunda preocupação com os atuais sinais de drástica redução da presença da Petrobrás na região, tendo em vista o alto impacto da estatal na geração de emprego e renda, no desenvolvimento regional, cultural e socioambiental de nossas sub-regiões e cidades”, bem como, sua disposição em “dialogar na busca de alternativas que garantam a manutenção e expansão das atividades da Petrobrás em nossos estados”.

Agosto/2020

De acordo com o jornal norte-rio-grandense “Tribuna do Norte”, em nota publicada neste domingo, 29, a Petrobrás já fixou data para encerrar as suas atividades no RN. “O escritório de Natal será fechado em agosto do próximo ano”, informa o veículo, complementado que, “embora o assunto esteja sendo tratado com reservas, alguns servidores já estão sendo transferidos, a partir de dezembro, para outras unidades da empresa, a maioria para o Rio de Janeiro”.

[Via Sindipetro-RN]

Publicado em SINDIPETRO-RN

Foram aprovadas na Comissão de Minas e Energia da Câmara Federal as convocações do presidente da Petrobrás, Roberto Castello Branco e do Ministro de Minas e Energia, Bento Costa Lima Leite, para prestarem esclarecimento, no dia 8/10, sobre o fechamento da Petrobras na Bahia e o desmonte da estatal no Nordeste (NE).

O requerimento da convocação foi feito pelo deputado Carlos Zarattini (PT-SP) e será mais um passo na luta da FUP, do Sindipetro Bahia e demais Sindipetros do NE, que têm feito articulações no sentido de garantir a permanência da estatal na região.

Coincidentemente nesse mesmo dia acontece em Brasília o Fórum dos Governadores do Nordeste. A FUP e seus sindicatos filiados estão se movimentando para aproveitar esse dia para realizar reuniões políticas e sensibilizar deputados e senadores para a importância da permanência da Petrobrás no Nordeste.

Também nesse dia acontece a reunião dos governadores do NE com a Bancada do Nordeste na Câmara e Senado (ParlaNordeste). Nessa reunião, haverá uma apresentação abordando a saída da Petrobrás do NE (Frente Parlamentar em Defesa da Petrobras/FUP/INEEP).
A agenda está cheia e a FUP, o Sindipetro Bahia e demais Sindipetros da região NE farão tudo o que puderem para que a categoria petroleira e o Nordeste saiam vitoriosos dessa luta .

Agenda em Brasília, no dia 8/10

• Convocação do Presidente da Petrobrás, Castello Branco, para prestar esclarecimentos na Câmara Federal

• Convocação do Ministro de Minas e Energia, Bento Costa Lima Leite pela Câmara Federal

• Fórum dos governadores do NE

• Reunião dos Governadores do NE com o Ministro de MME e Presidente da Petrobrás

• Reunião dos Governadores do NE com a Bancada do Nordeste na Câmara e Senado (ParlaNordeste). Nessa reunião, haverá uma apresentação sobre a saída da Petrobrás do Nordeste (Frente Parlamentar em Defesa da Petrobras/FUP/INEEP);

O que já foi feito, recentemente

• Participação na reunião do Fórum dos Governadores do NE
• Assembleia com os trabalhadores do Torre Pituba
• Ato Público na ALBA
• Reunião com o prefeito ACM Neto
• Criação de Frente Parlamentar na Assembleia Legislativa do estado
• Criação de Frente Parlamentar na Câmara Municipal de Salvador

[Via Sindipetro Bahia]

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O auditório da Assembleia Legislativa da Bahia (ALBA)  ficou pequeno para abrigar o grande número de pessoas que compareceram ao Ato em Defesa da Petrobrás na Bahia, na manhã dessa segunda-feira (23). Foram cerca de 1.500 pessoas entre petroleiros, prefeitos, deputados, vereadores, senador, representantes de movimentos sociais e moradores de cidades, cuja economia depende dos investimentos da Petrobrás.

A maior parte das pessoas teve de ficar do lado de fora, pois não havia espaço para todos, o que acabou gerando a realização de dois atos: um no auditório e outro na porta da ALBA. 

O coordenador do Sindipetro Bahia, Jairo Batista, entregou uma carta ao presidente da ALBA, Nelson Leal, solicitando o apoio da Assembleia e de todos os seus deputados na luta em defesa da permanência  da Petrobrás na Bahia.

O objetivo do Sindipetro é buscar ações concretas e rápidas para impedir o desmonte da estatal no estado, explicou o coordenador.

Em sua fala, o ex-diretor de produção e exploração da Petrobras, um dos responsáveis pela descoberta do pré-sal, Guilherme Estrella, foi enfático: “retirar a Petrobras da Bahia é um crime contra a história do Brasil. A Bahia é simbólica, nessa terra estão as raízes da Companhia. A Petrobras foi fundada por causa do petróleo baiano”.  Estrella afirmou ainda que a Bahia também é muito importante no tocante ao aprendizado, pois foi “a partir do que aprendemos nos campos terrestres baianos que  conseguimos desenvolver a tecnologia  em  águas profundas e ultra profundas na Bacia de Santos”.

Para o Senador Jaques Wagner “nós baianos, nós nordestinos que fomos os responsáveis pela primeira refinaria que acabou de completar 69 anos – a RLAM-  (que foi criada antes da existência formal da Petrobras), nós temos uma dupla responsabilidade: não  é só defender os empregos, as famílias e a unidade familiar, que está sendo destroçada, nós temos de defender a chance do Brasil ser um país soberano, altaneiro e com a sua gente efetivamente próspera e feliz”.

O coordenador da FUP, José Maria Rangel, foi bastante objetivo: “estamos diante de uma disputa que não tem mais espaço para dúvidas. Ou se está do lado da permanência da Petrobrás na Bahia ou se está contra a empresa no estado”.

Participaram do ato, os deputados Fabíola Mansur, Fátima Nunes, Hilton Coelho, Jacó, Maria Del Carmen, Nelson Leal, Neusa Cadore, Niltinho, Olívia Santana, Osni Cardoso, Robinson Almeida e Rosemberg Pinto.

Também estiveram presentes os deputados federais, Nelson Pelegrino, Joseildo Ramos e Lídice da Mata.

Além do ex-presidente da Petrobras, o economista José Sérgio Gabriellli, o pesquisador do Instituto de Estudos Estratégicos do Petróleo, Gás e Biocombustíveis (INEEP), William Nozaki e o Chefe de Gabinete da Serin, Jonival Lucas, representando o governo do estado.

Os prefeitos das cidades de Catu, Alagoinhas, Entre Rios, Cardeal da Silva e Araças também participaram do ato. Assim como vereadores, moradores e petroleiros das cidades de Alagoinhas, Catu, Cardeal da Silva Araças, Madre de Deus,  Cardeal da Silva, Entre Rios, Esplanada, Pojuca, e São Sebastião do Passé.

Resoluções

Conheça algumas das resoluções tiradas ao final do ato:

O presidente da ALBA, Deputado Nelson Leal, anunciou a articulação para a criação de uma Frente Parlamentar das Assembleias Legislativas em todo o Nordeste  em Defesa da Petrobras.

O deputado federal Nelson Pelegrino, fez as seguintes sugestões, que serão colocadas em prática:

– Criação de uma Comissão composta pela Bancada Federal baiana, Alba, Governo do Estado e Centrais Sindicais.

–  Ida da Comissão em  todos os gabinetes dos deputados estaduais e federais e senadores  para expor as resoluções desse ato

– Audiência com o governador Rui Costa e com todos os prefeitos

O deputado informou ainda que já está sendo solicitada  reunião com o presidente da Petrobras para discutir as consequências desse desmonte para o Nordeste. 

No final do ato, os petroleiros saíram em caminhada em direção ao prédio do Tribunal de Justiça (TRF1) para protestar e cobrar uma solução para o problema da cobrança do equacionamento.

[Via Sindipetro Bahia]

Publicado em SINDIPETRO-BA

Eduardo Pinto, pesquisador do Instituto de Estudos Estratégicos de Petróleo, Gás Natural e Biocombustíveis Zé Eduardo Dutra (Ineep), conversaram com o Brasil de Fato Pernambuco sobre os impactos, para a população brasileira, das ameaças de privatização da Petrobras pelo governo de Jair Bolsonaro (PSL) e a importância da estatal para o desenvolvimento econômico, social e cultural do Brasil, em especial para o Nordeste. O Ineep foi criado pela Federação Única dos Petroleiros (FUP) em 2018 com o objetivo de fomentar pesquisas acadêmicas e fornecer assessoria para os assuntos relacionados à agenda do setor de petróleo, gás e biocombustíveis no Brasil e no Mundo.   

Brasil de Fato: O que você destacaria como grandes avanços de investimento da Petrobras no Nordeste na última década? Diante do atual cenário político, o que a Petrobras está pensando para esses ativos feitos no Nordeste? 

Eduardo Pinto: A partir de 2003, até 2015, a Petrobras adotou como política a ampliação dos investimentos no Nordeste. Na área de refino, foi construída a refinaria Abreu e Lima (Rnest) em Pernambuco, reformada a refinaria Landulpho Alves, na Bahia. Além de tudo, se ativou a indústria de fertilizantes e a de biocombustíveis. O investimento foi fortemente ampliado. A Petrobras gastou recursos para construir essas atividades e isso gerou um impacto enorme na geração de emprego formal e de renda. Ou seja, o trabalhador que estava no corte de cana, virou metalúrgico na construção da refinaria instalada em Pernambuco. Mudou a estrutura econômica e social. Então, houve enorme efeito local e regional. A partir de 2015, no caso do Nordeste, a estratégia é vender todos os ativos da Petrobras, o que implica em redução de emprego, redução de renda e redução de qualquer possibilidade de política de desenvolvimento regional. Então, é um cenário muito negativo, em que a população vai ter uma piora na questão do emprego e da renda e se tem vendido uma mentira de que essa privatização vai reduzir o preço do gás de cozinha, da gasolina e do diesel.  

Você vê algum motivo para que se priorize uma região do país, enquanto a outra é colocada inteiramente para o capital privado? 

O argumento que a Petrobras usa é de que vão focar no pré-sal. Então, esses outros ativos seriam menos rentáveis. Eles dão dinheiro, mas menos do que investir no pré-sal. Isso é uma meia-verdade. Os investimentos no Nordeste permitem que determinadas atividades gerem lucro e riqueza para as refinarias quando o preço do petróleo cai. Quando o preço do petróleo internacional cai, a Petrobras não ganha tanto dinheiro vendendo petróleo para fora, ganha refinando o petróleo, distribuindo por suas distribuidoras. Então, você vende as refinarias, vende as distribuidoras, que são fontes, é dinheiro na boca do caixa. Quem ganha com isso é o acionista minoritário da Petrobras, porque isso gera dinheiro em caixa em curto prazo para a Petrobras, mas perde de receita no futuro. Então, entra dinheiro com a venda do ativo, aumenta o preço das ações, quem tinha ação ganha dinheiro, mas quem perde é a sociedade brasileira, que é a verdadeira dona da empresa. É no Nordeste que nasce a lógica de desenvolvimento nacional e, nesse momento, a Petrobras está se colocando de costas para a região. 

Com essa possibilidade de privatização, para além do aumento dos preços, que impactos isso traria para a população nordestina? 

 Um impacto marcante e que afeta fortemente a população, é uma piora nas condições do mercado de trabalho. Você tende a reduzir o emprego formal, cair os salários e aumentar o desemprego. Porque, quando privatiza, o empresário compra um ativo que já existe, ele não vai investir mais. Ele, primeiro, vai querer recuperar todo o dinheiro que colocou na compra, para só depois investir. Ele vai diminuir funcionário, para ter mais lucro. Outra coisa importante, é que, como a Petrobras sai, deixa de atuar no apoio a eventos culturais, deixa de atuar junto às universidades em pesquisa e desenvolvimento tecnológico e regional. Na questão local, também reduz fortemente o impacto para pequenos e médios produtores rurais, com a saída das fábricas de biocombustível e biodiesel.  

O que está ao alcance da população diante desse cenário de retrocesso? 

Acho que parte da população ainda está meio letárgica e acha que ainda pode melhorar alguma coisa. No caso específico da Petrobras, a bandeira de mobilização é: queremos um preço justo para o gás de cozinha. A sociedade brasileira exige isso. A partir disso, entender, de forma mais geral, como a Petrobras é importante para o Nordeste e o Brasil para um projeto de desenvolvimento que inclua a população, para gerar crescimento econômico, emprego, para trabalhadores e fornecedores. No polo de Suape, por exemplo, todos os fornecedores de alimentos, serviços e transporte ganham com essa atividade operando.

[Via Brasil de Fato]

Publicado em Sistema Petrobrás

Quais os impactos para a economia do estado da Bahia e seus municípios com a saída da Petrobrás da região?

Como absorver milhares de desempregados, trabalhadores próprios e terceirizados? 

Qual a consequência para a economia da Bahia da perda de outros milhares de trabalhadores do Sistema Petrobrás que serão transferidos para outros estados? 

A direção do Sindipetro Bahia, trabalhadores, comerciantes, empresários, prefeitos e parlamentares do estado não querem só respostas para estas perguntas. Eles querem ações objetivas para manter a Petrobrás na Bahia.

Organizados em torno do assunto, eles participam na segunda-feira, 23, do Ato Público em Defesa da Petrobrás na Bahia, que será realizado pela manhã na Assembleia Legislativa (ALBA), no Auditório Jorge Calmon.

O coordenador da FUP, José Maria Rangel, o presidente nacional da CUT, Vagner Freitas, o ex-diretor de exploração e produção da Petrobrás, Guilherme Estrella, o pesquisador do Ineep, William Nozaki, são alguns dos convidados que já confirmaram presença no evento. 

A Petrobrás emprega atualmente cerca de 4 mil trabalhadores efetivos (concursados) e 13 mil terceirizados na Bahia.

A estatal já anunciou a venda de diversas unidades no estado, como a Rlam, Transpetro, Biodiesel, alguns campos terrestres, localizados na UO-BA, termoelétricas e ainda o fechamento da Fafen Bahia e, recentemente, a desocupação do Edifício Torre Pituba, transferindo parte dos 1.500 trabalhadores próprios para os estados de São Paulo, Rio de Janeiro e Espirito Santo e rescindindo os contratos das empresas prestadoras de serviços, o que deve levar à demissão dos cerca de 2 mil trabalhadores terceirizados.

“Não se trata apenas dos empregos dos petroleiros, mas da economia do estado. Nos anos de 2012 e 2013, a Petrobras já chegou a investir na Bahia cerca de R$ 1 bilhão de reais por ano, gerando emprego e renda. Infelizmente, agora, o que vemos é o desinvestimento, e a  estatal começar a colocar em prática a sua sinalização de retirar seus negócios do Norte e Nordeste, começando no lugar onde o petróleo foi descoberto no Brasil e a Petrobrás nasceu; o estado da Bahia”, lamenta o coordenador do Sindipetro Bahia, Jairo Batista, para quem “existe possibilidade, sim de mudar ou amenizar esse quadro. Essa é nossa proposta e buscamos apoio daqueles que têm esse mesmo sentimento”.

A Bahia é o único estado do Brasil, onde a Petrobras desenvolve todas as suas atividades econômicas: refino (Rlam), logística (Transpetro), produção de fertilizantes, ureia e amônia (FAFEN), Biodiesel (PBIO), energia elétrica (Termoelétricas), produção de petróleo e gás (Campos Terrestres) e administração dos ativos (EDIBA/Torre Pituba).

Para o Diretor de Comunicação do Sindipetro, Radiovaldo Costa, a decisão da atual gestão da Petrobrás, não é econômica e nem técnica, mas politica. As unidades da Petrobrás no estado continuam gerando lucros. A UO-BA (Unidade Operacional da Bahia), por exemplo, é um negócio de 3,5 bilhões de reais por ano. Essa Unidade para a Petrobrás é pequena, mas para a Bahia é grande, gera aqui cerca de 6 mil empregos diretos e indiretos (trabalhadores terceirizados e próprios), somando isso à FAFEN, RLAM, Transpetro, Termoelétricas, Campos Terrestres, Petrobrás Biodiesel e outras unidades da empresa, é possível perceber que a Petrobrás tem um tamanho colossal para o estado. Tirar esse negócio da Bahia, vender e paralisar as unidades é assustador”.

 "Na nossa visão, o estado da Bahia vai pagar por isso. Os empregos diretos e indiretos, as cidades onde têm contratos terceirizados, o impacto nos municípios da Bahia. A gente não sabe quantificar, mas no médio e longo prazo vai trazer um forte impacto”, pontua Radiovald

O Diretor da FUP, Deyvid Bacelar, lembra que desde o governo Temer o Sindipetro Bahia vem denunciando a intenção da Petrobrás de encerrar suas atividades na Bahia. “Essa luta, pela permanência da estatal no estado, é antiga para nós que já realizamos diversas mobilizações, greves e audiências públicas, alertando, inclusive aos prefeitos dos municípios, o que poderia acontecer. Infelizmente, o alerta virou realidade. O lado positivo é que podemos contar com os parlamentares de esquerda, que sempre estiveram ao nosso lado em defesa da Petrobrás. Mas queremos mais, devido à sua importância, entendemos que essa é uma luta suprapartidária. Então, aqueles que realmente pensam no interesse da Bahia são bem vindos”.

[Com informações do Sindipetro Bahia]

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O economista Rodrigo Leão apresentou um cenário de riscos ao desenvolvimento do Nordeste caso a Petrobras confirme sua saída da região. Leão, que é coordenador-técnico do Instituto de Estudos Estratégicos do Petróleo, Gás Natural e Combustíveis (Ineep) foi convidado a palestrar durante o encontro do Fórum de Governadores do Nordeste, nesta segunda-feira (16), em Natal (RN). 

Um dos temas centrais da reunião foi a perspectiva de fechamento dos negócios da Petrobras em todo Nordeste. No mês passado, a empresa vendeu o chamado Polo Macau, no Rio Grande do Norte. Em Salvador (BA), haverá a desativação da sede da empresa. Após a reunião, os governadores Rui Costa, da Bahia, e Fátima Bezerra, do Rio Grande do Norte, manifestaram publicamente sua preocupação depois de conhecerem os dados apresentados pelo Ineep. Fátima Bezerra, anfitriã do encontro, avisou que levará essas preocupações ao presidente da Petrobras. 

O Ineep vem estudando o tema de perto com uma análise muitas vezes crítica a visões superficiais sobre a saída da Petrobras do Nordeste. Os dados apresentados pelo Ineep no encontro lançaram luz sobre os riscos que os estados nordestinos enfrentarão com a venda de ativos, especialmente nas áreas de fertilizantes e refino. 

Para Leão, a venda das refinarias do Nordeste tem potencial de inibir de novos investimentos e irá encarecer o combustível na região. 

O preço final na bomba será afetado, pois o petróleo produzido pela Petrobras é mais barato do que o importado. "A Petrobras tem acesso a óleo cru a preços menores do que os do mercado internacional. Quando uma estrangeira assume a refinaria, ela terá de pautar seu preço no preço internacional do óleo cru, o que encarece a produção. Podemos ter a situação de ver o Nordeste com combustíveis mais caros do que no Sudeste, por exemplo", explica. 

Além disso, entre 2011 e 2014, o Nordeste recebeu R$ 63,4 bilhões em investimentos no setor. No quadriênio seguinte, de 2014 a 2017, esse valor caiu para R$ 8,7 bilhões. "Uma coisa que pouca gente considera é que empresas interessadas em ingressar no mercado brasileiro teriam, por exemplo, a opção de investir na construção de seu próprio parque de refino local. Se a Petrobras vende uma refinaria já pronta, obviamente a empresa compradora irá congelar qualquer projeto de construção". "Além disso", continua Leão, "a Petrobras ao longo desse período realizou um conjunto importante de investimentos de melhoria das refinarias. A venda a uma companhia chinesa, por exemplo, significaria o fim desses investimentos". 

A situação na produção de fertilizantes não é diferente. A Petrobras teria condição de retomar a atividade econômica das fábricas de fertilizantes (fafens) no Nordeste. "O custo do gás sempre foi um fator que pesava na produção nacional de fertilizantes. Com o gás associado dos campos do Pré-Sal, a Petrobras passou a conseguir gás abundante a preço barato. E justamente nesse momento, a empresa hibernou suas fábricas de fertilizantes. Num país que é um enorme consumidor, não faz sentido". 

Por último, o analista do Ineep falou também do mercado de trablaho. "Desde 2015, o setor teve uma queda de mais de 100 mil empregos no Nordeste. O grosso dos empregos está na expansão, em obras. Sem novos investimentos, a perspectiva é de que não haja retomada do emprego no setor". 

O Consórcio

O Consórcio Nordeste foi criado em março deste ano. Por meio dele, os estados nordestinos poderão fazer projetos conjuntos de infraestrutura, criar fundos de investimentos, construir parques tecnológicos interestaduais, entre outras iniciativas.

[Via Blog do Ineep]

Publicado em Sistema Petrobrás

Ao lado dos sindicatos de petroleiros do RN, PE/PB e BA, a Federação Única dos Petroleiros - FUP - participou do Encontro dos Governadores do Nordeste, realizado na tarde desta segunda-feira, 16, em Natal. 

Contando com a assessoria do Instituto de Estudos Estratégicos de Petróleo, Gás Natural e Biocombustíveis - INEEP, as representações sindicais falaram diretamente aos mandatários, formalizando um apelo para a luta conjunta em defesa da permanência da Petrobrás na Região. 

Em recente entrevista, concedida durante evento empresarial realizado no mês de agosto, o presidente da Petrobrás, Roberto Castello Branco, anunciou que a Companhia, muito em breve, deverá restringir suas atividades aos Estados do RJ, SP e ES. 

Porém, caso essa disposição venha a se concretizar, os resultados econômicos e sociais para os Estados esvaziados deverão ser desastrosos, com graves impactos nos níveis de empregabilidade e nas receitas de entes federativos, entre outros danos.  

Carta Aberta 

Também nesta segunda-feira, no período da manhã, petroleiros e petroleiras lotados na sede administrativa da Petrobrás, em Natal, realizaram um Ato Público para lançamento de uma Carta Aberta dirigida aos Governadores do Nordeste. 

No documento, a categoria manifesta apreensão com as decisões que vêm sendo anunciadas pela cúpula dirigente da Petrobrás, uma vez que "historicamente, os vultosos recursos investidos pela companhia (...) contribuíram com o processo de crescimento, expansão produtiva e industrialização do Nordeste". 

Agora, porém - alerta o documento, "ante a ameaça de transformação da empresa em mera produtora e exportadora de óleo cru, com atividades concentradas em Estados da região Sudeste, corremos o risco de assistir a graves retrocessos, com trágicos resultados para a economia e para o povo nordestino". 

De acordo com o Sindicato, a saída da Petrobrás afetará 1.740 trabalhadores diretos e 6.779 terceirizados, somando 8.519 pessoas, somente no RN. Quanto aos investimentos, o volume de desembolso de R$ 792 milhões, previsto pela Petrobrás para 2019, deverá ser radicalmente reduzido, caso a saída da Companhia, prevista para 2020, seja concretizada. 

Resultados 

Ao término do encontro, os governadores divulgaram a “Carta de Natal” em que o primeiro ponto trata da questão da presença da Petrobrás na região. De acordo com o documento, a redução da presença da Petrobrás é preocupante, "tendo em vista o alto impacto da estatal na geração de emprego e renda, no desenvolvimento regional, cultural e socioambiental de nossas sub-regiões e cidades. Manifestam, assim, sua disposição em dialogar na busca de alternativas que garantam a manutenção e expansão das atividades da Petrobrás em nossos estados”. 

[Via Sindipetro-RN]

 

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A Federação Única dos Petroleiros (FUP) foi criada em 1994, fruto da evolução histórica do movimento sindical petroleiro no Brasil, desde a criação da Petrobrás, em 1953. É uma entidade autônoma, independente do Estado, dos patrões e dos partidos políticos e com forte inserção em suas bases.

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