Atos nos prédio administrativos e nas sedes da Petrobrás Biocombustíveis (Pbio) marcaram o  último dia da Semana Nacional de Lutas realizado por todos os petroleiros das bases sindicais da FUP.  Desde o dia 30 os petroleiros mandaram o recado de que estão dispostos para o enfrentamento. Foram realizados atos nas bases da Transpetro, refinarias, Fafen’s, E&P, termoelétricas, prédios administrativos, na SIX e na Pbio.  

Em São Paulo, aconteceu hoje um ato em um prédio de Coworking (local alugado onde diversas empresas dividem o mesmo espaço), onde trabalham os empregados transferidos do EDISP 1, que ficava na Av. Paulista.

As mobilizações desta semana foram parte do calendário de lutas da FUP, que tem como objetivo a defesa do acordo coletivo, dos empregos e da Petrobrás pública e integrada. Essas ações marcam a posição da categoria petroleira contra a intransigência da atual gestão da Petrobrás que insiste em retirar direitos dos trabalhadores, ameaça com demissões e oferece um reajuste salarial de apenas 1%. Além disso, a classe continua dizendo não a privatização das estatais.

Nos dias 6 e 7 de agosto, a direção da FUP estará reunida com seus sindicatos filiados no Rio de Janeiro, para o Seminário Nacional de Greve.

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Os petroleiros precisam mostrar para o atual presidente da Petrobrás a força que a categoria tem. Uma força que nasceu junto com a descoberta do petróleo, que se tornou gigante com a descoberta do Pré-Sal e que vai ressurgir como ultimato na mobilização do próximo dia 30 de abril. Os petroleiros vão responder ao ataque que sofreram e que foi feito pelo seu próprio presidente.

Quando Castello Branco afirmou que vai vender 8 das 13 refinarias brasileiras, ele mexeu com a categoria mais forte e organizada deste país. Ao listar as refinarias, ele listou o nome de todos os empregados da Petrobras, inclusive os das unidades que não estão na lista de venda imediata.

  • Refinaria Abreu e Lima;
  • Unidade de Industrialização do Xisto;
  • Refinaria Landulpho Alves (RLAM);
  • Refinaria Gabriel Passos (REGAP);
  • Refinaria Presidente Getúlio Vargas (REPAR);
  • Refinaria Alberto Pasqualini (REFAP);
  • Refinaria Isaac Sabbá (REMAN);
  • Lubrificantes e Derivados de Petróleo do Nordeste (LUBNOR).

Para onde vão os trabalhadores destas refinarias? Serão vendidos junto com as máquinas e as ferragens? E se forem, terão a garantia do cumprimento dos mesmos direitos conquistados pela luta ao longo da história da empresa? Continuarão estes empregados a ter direito a AMS, Petros e todos os benefícios adquiridos pelo mérito de terem conseguido trabalhar numa grande empresa estatal?

O que farão os bravos defensores da soberania energética do seu país que agora se encontram com a sensação de terem sido enganados pelas mentiras de Castello Branco?

Mentiras sim. Mentiras repetidas muitas vezes, acabam se tornando verdades. E é o que está acontecendo com a fala do atual presidente da Petrobras, quando afirma que haverá concorrência com a venda das refinarias e que isso irá baratear os preços dos combustíveis. Será mesmo que se pode chamar isso de concorrência?

Concorrência não. A privatização da Petrobras não se trata de uma simples concorrência, se conseguirem vender as refinarias brasileiras, o máximo que vai acontecer é a formação de um cartel, onde o preço dos derivados será combinado entre as 8 empresas que comprarem as refinarias e isso não garantirá que o preço dos combustíveis vá baixar.

Pelo contrário, o governo deixa de ter responsabilidade sobre as refinarias privatizadas, onde não há nenhum tipo de compromisso com o controle de preços, ao contrário do que acontece em uma empresa estatal que tem o governo federal como responsável por controlar preços e responder à sociedade.

Como principal acionista, o governo tem o dever de promover políticas públicas para defender o interesse dos brasileiros e está na Lei 9478 que é obrigado a abastecer o mercado interno. Mas, Castello Branco quer transformar um monopólio estatal num monopólio privado.

Ou ainda, passar de um monopólio para um oligopólio. A diferença entre monopólio e oligopólio é que no monopólio existe apenas um fornecedor que domina o mercado, enquanto que no oligopólio existem poucos fornecedores do mesmo produto. A questão é que, enquanto a Petrobras se mantiver estatal, sua orientação deve ser em nome do interesse coletivo, e não baseada exclusivamente em critérios econômico e financeiros. O petróleo não pertence à Petrobras, é da União, é do povo, o que significa que a prioridade no uso das riquezas geradas por ele deve ser dada à sua população, aos brasileiros.

“O momento em que estamos vivendo é grave e se nós que somos petroleiros não defendermos a Petrobrás, ninguém mais vai defender. ”Este é o apelo de José Maria Rangel, coordenador geral da FUP que lembra outra grande reflexão a ser feita pela sociedade, e imprescindível à categoria: “se os petroleiros produzem quase todo o combustível que os brasileiros consomem, por que então os preços têm que seguir a política internacional? ”

Lute pela Petrobras e pela soberania energética como você luta pelo seu arroz com feijão de todos os dias, pois se a defesa da Petrobras não começar pelos petroleiros, ninguém mais vai defender.

 

A mentira desmascarada

A categoria Petroleira tem autoridade e credibilidade para responder e afirmar que a fala do presidente da Petrobras é uma falácia e que, a prova disso está nos índices mostrados no gráfico elaborado pelo INEEP.

No gráfico fica nítida a relação entre a importação e o aumento do preço dos combustíveis. Quando a Petrobras perde espaço no mercado e aumenta a quantidade de importação de barris de petróleo, aumenta o preço do combustível. É a prova da interferência do mercado internacional no preço que o brasileiro paga pelo combustível.

A gasolina brasileira é a segunda mais cara entre os países produtores de petróleo, segundo consultoria Air-Inc. Diferente do que acontece em outros países também produtores, mas que dão subsídios que garantem o preço da gasolina mais baixo e não atrelado ao do mercado internacional.

País         Preço da gasolina em US$/litro

Noruega   1,89
Brasil       1,34
Angola     0,97
Gabão      0,94
China       0,92
México     0,82
EUA         0,62

Então, com qual lógica é possível defender a privatização, se ao vender as Refinarias brasileiras a Petrobras está abrindo mão de ter autonomia para gerenciar o seu preço?

Como está não pode ficar, e é por isso que o principal motivo da mobilização dos petroleiros no próximo dia 30 de abril, é a venda das refinarias e a ameaça de privatização que, são as causas do aumento do preço dos combustíveis.

 

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Em São Bernardo do Campo, na região do ABC paulista, trabalhadores metalúrgicos vão continuar acampados em frente à fábrica de ônibus e caminhões da Mercedes-Benz. A mobilização começou na última segunda-feira (8), na tentativa de reverter cerca de 500 demissões anunciadas pela montadora em maio. Desde então, os metalúrgicos têm organizado movimentos como paradas em setores da produção, manifestações e, agora, o acampamento. Parte deles estava no chamado lay-off (suspensão do contrato de trabalho), com previsão de retorno no próximo dia 15, mas foram informados sobre as demissões.

O presidente do Sindicato dos Metalúrgicos do ABC, Rafael Marques, ressaltou o porte e a importância da empresa, que, segundo ele, tinha condições de buscar alternativas às demissões. "Essa não é uma empresinha qualquer, é empresa multinacional, muito estruturada, uma marca importante no mundo, Podia buscar suporte externo para atender, aqui, os empregos, trazendo produção de exportação para cá."

A ação busca reverter as demissões anunciadas pela montadora em maio, quando foram desligados 500 dos 750 funcionários afastados em regime de lay-off, desde o ano passado. "São em mobilizações como essas que nascem coisas novas. É só lutando que se consegue os objetivos na vida. E aqui não será diferente. Infelizmente, as negociações cessaram já há duas semanas. A direção de Recursos Humanos da empresa está em um seminário na Alemanha e esperamos que volte com alguma posição. Neste momento, não tem negociações em andamento. Por isso, agora é resistência e buscar alternativas", afirmou Marques.

A montadora informa que a decisão é para ajustar a produção frente às dificuldades das vendas do setor neste ano. Desde o início de 2015, a empresa acumula queda de 42,7% no licenciamento de caminhões e 15,2% em ônibus nem relação a 2014 (de janeiro a maio). "Quando a Alemanha (país-sede da Mercedes-Benz) passou por dificuldades em 2011 e 2012, aqui no Brasil estava bombando a produção (de veículos) e certamente as remessas de lucros que saíram do nosso País ajudaram os alemães a não terem problemas de empregos por lá. Agora, o tratamento não pode ser diferente com o Brasil", comparou o sindicalista.

Ainda segundo Marques, cerca de 2,8 mil trabalhadores perderam o emprego até agora no setor em 2015, sendo "a grande parte nas montadoras, mas por PDV (plano de demissões voluntárias)". "A primeira e única demissão em massa que foi desse jeito aconteceu somente na Mercedes. Por isso, a nossa indignação", acrescentou o sindicalista. O coordenador do comitê sindical na Mercedes, Max Pinho, disse que o acampamento "não tem data para terminar" e espera que a empresa reverta as demissões e abra negociação. "Se reverter as demissões e chamar para uma conversa, a gente pode cessar o acampamento. Caso contrário, vai continuar por tempo indeterminado."

Fonte: RBA

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A Federação Única dos Petroleiros (FUP) foi criada em 1994, fruto da evolução histórica do movimento sindical petroleiro no Brasil, desde a criação da Petrobrás, em 1953. É uma entidade autônoma, independente do Estado, dos patrões e dos partidos políticos e com forte inserção em suas bases.

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