Projeto Brigadas Digitais será instrumento para “influenciar decisões do governo e patrões na luta para recuperar nossos direitos e nosso país. A gente tem capacidade, somos CUT”, afirma o presidente da CUT, Sérgio Nobre

[Da redação da CUT]

Para fortalecer a Rede Nacional de Comunicação da CUT e combater as fake news, é fundamental estar preparado para a batalha nas redes sociais em defesa da classe trabalhadora e de um país mais justo e para todos. Foi com esse objetivo que a CUT lançou no sábado (28), dia do seu aniversário de 38 anos, o Projeto “Mutirão da Comunicação – Brigadas Digitais da CUT”.

A atual conjuntura política no Brasil, marcada sobretudo pela ofensiva da extrema direita, que  utiliza intensamente as redes sociais para defender a retirada de direitos da classe trabalhadora, interferir no processo eleitoral e disseminar notícias falsas, é um grande desafio para as forças populares e, neste contexto, a CUT sentiu necessidade de repensar a comunicação, os meios de produção e disseminação de informações voltadas para a classe trabalhadora.

O projeto Brigadas Digitais da CUT nasce como um instrumento estratégico para a classe trabalhadora ocupar as redes sociais e fortalecer a pressão em defesa das pautas e lutas do movimento sindical [abaixo vídeo explicativo sobre o projeto].

Para isso, vai preparar de maneira teórica e prática mais de 60 mil comunicadoras e comunicadores sindicais para que pensem, produzam e disseminem conteúdos, referenciados no projeto político defendido pela Central, em seus territórios de atuação, como o local de trabalho, a escola, a igreja, a comunidade, o sindicato, os territórios quilombolas e indígenas, entre outros.

Integrantes do Coletivo de Comunicação das CUTs nos estados e ramos, dirigentes sindicais, lideranças, trabalhadoras e trabalhadores em comunicação das entidades sindicais, educadoras e educadores militantes de sindicatos, trabalhadoras e trabalhadores nos seus locais de trabalho e  todo  movimento sindical CUTista estão sendo convidados para serem uma ou um comunicador popular, atuar em rede e de forma organizada em uma Brigada Digital para contribuir com a construção de uma nova política de comunicação que dialogue com a classe trabalhadora, com as pautas e saberes e sonhos da classe trabalhadora. 

Para o presidente da CUT, Sérgio Nobre, que inclusive está sendo o embaixador e divulgando o projeto por todo país, o Projeto Brigadas Digitais da CUT é prioridade e fundamental para que a Cental dialogue com milhões de pessoas no país, amplie a voz da classe trabalhadora nas redes sociais e impacte decisões no Congresso Nacional e dos patrões.

“Tem muita gente duvidando da nossa capacidade de conseguir articular e organizar nossa militância CUTista em uma rede de comunicação forte para influenciar decisões de governos e patrões na luta para recuperar nossos direitos e nosso país”, argumenta Sérgio.

“Este projeto será prioritário e fundamental para a vitória.  Nós vamos fazer, temos capacidade para isso porque somos CUT”, disse o presidente nacional da CUT em vídeo gravado para apresentar o projeto para toda a rede CUT.

Durante o mês de agosto, a CUT apresentou e aprovou o projeto com todos os representantes da Central nos estados e nos ramos, no dia 1º de setembro começam as inscrições e no dia 21 de setembro, a CUT está programando um Encontro de abertura do Mutirão da Comunicação – Brigadas Digitais da CUT. O percurso formativo será feito em 4 fases e tem como proposta formar quase 6 mil Brigadas Digitais até dezembro de 2022.

Como nasceu o Mutirão da Comunicação

Na live de 38 anos da CUT, que foi transmitida pela TVT, redes sociais da CUT e retransmitida por outros canais do movimento sindical, o secretário de Comunicação, Roni Barbosa, e a secretária de Formação da CUT Brasil, Rosane Bertotti, apresentaram o projeto e contaram como nasceu este Mutirão da Comunicação como processo de formação e organização das Brigadas Digitais.

De acordo com Roni, o projeto é resultado de um longo processo de construção coletiva, com muita gente pensando em como a CUT poderia reagir diante de tantos desafios que a classe trabalhadora está enfrentando no Brasil e conseguir mudar o rumo do país.

Segundo o secretário, só com uma rede de comunicação forte e grande será possível enfrentar e ser protagonista da mudança neste período difícil que o país vive, com o desemprego em massa, perda de direitos, a disparada dos preços, o retorno da fome, a destruição do meio ambiente, a falta de cuidado com a vida e o pior: a desesperança do povo.

“Tudo começou com as análises e reflexões que fizemos sobre os ataques da extrema direita, como eles usaram intensamente as redes sociais para espalhar as mentiras, chamadas de fake news, e conseguiram eleger um presidente da República que tenta implantar um projeto neofascista e ultraliberal de destruição do nosso país”, afirma o secretário, que finaliza fazendo o convite para a rede CUT participar do mutirão: “Você dirigente, militante ou uma liderança na sua categoria, que tenha respeito na sua comunidade, é hora também de influenciar o mundo digital”.

Bertotti disse que o projeto das Brigadas Digitais será uma grande jornada de formação em comunicação, falou da importância da unidade do campo popular democrático na luta e ressaltou a importância da mobilização e organização.

“É formação e é ação para derrotarmos os inimigos da classe trabalhadora, mas sabemos que para uma iniciativa desta dar certo, precisaremos do compromisso de todo movimento sindical CUTista. Precisaremos do empenho de cada um, da criatividade e da disciplina de cada um de vocês”, finalizou a dirigente.

Acompanhe o lançamento do projeto Brigadas Digitais 

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Telejornais e jornais impressos violam direito à comunicação, invisibilizam protestos ocorridos no país e suas consequências para a disputa política

[Da revista Carta Capital]

Após quase um ano e meio de silêncio nas ruas, por conta da pandemia do coronavírus, entidades e movimentos progressistas decidiram que era o momento de sair e gritar por #ForaBolsonaro, pedir vacina para todes e lutar a favor da ciência e dos direitos humanos básicos, que têm sido ainda mais violados nesse período tão difícil para o povo brasileiro.

O dia escolhido para a luta foi 29 de maio. Várias cidades brasileiras amanheceram com milhares de manifestantes nas ruas. Como diz o meme que circula nas redes, “se o povo protesta em meio a uma pandemia é porque o governo é mais perigoso que o vírus”. E é mesmo. Muitos dos que foram às manifestações se expressavam pela dor da perda de alguém querido – já são mais de 461 mil mortos só no Brasil -, pela falta de expectativas de vacina para toda a população e pela piora constante dos indicadores sociais.


Leia também: > Mais de 420 mil pessoas foram às ruas pelo ‘fora, Bolsonaro”, vacinas e auxílio


Porém, durante e após os protestos deste sábado, um dos direitos mais importantes para a viabilização dos demais foi negado àqueles que foram às ruas: o direito humano à comunicação. Tanto na cobertura ao longo do sábado, quanto nos principais jornais impressos deste domingo 30, o espaço para os protestos foi pequeno. E, em alguns casos, a própria pauta da manifestação foi distorcida.

Manipulação e desinformação

GloboNews, que por diversas vezes realizou entradas ao vivo de diferentes manifestações – sobretudo durante os protestos contra o governo Dilma, em 2016 –, não adotou o mesmo procedimento na manhã deste sábado. O silenciamento da emissora foi percebido e questionado nas redes sociais. A bronca surtiu efeito e o canal então colocou no ar flashes dos protestos que aconteceram no período da tarde. Mas já era possível perceber que a orientação no grupo Globo não seria dar voz aos manifestantes críticos a Bolsonaro. No canal aberto do grupo, o Jornal Hoje tratou do tema em exatos dois minutos ao final do telejornal. No Jornal Nacional, o principal acontecimento do dia recebeu nada mais que três minutos e vinte segundos. No dia seguinte, a capa do impresso O Globo confirma o silenciamento: foi como se o movimento não tivesse existido. Ignorando que um dos maiores protestos acontece no Rio de Janeiro, sede do jornal, o veículo trouxe apenas uma pequena chamada de capa e meia página no conteúdo interno. Pareceu mais importante à redação noticiar que o “PIB reaquece…”, forçando uma leitura de que tudo vai bem no país.

Principal concorrente da Globo e aliada do presidente desde o início da sua gestão, a Rede Record conseguiu ser pior em seu telejornal de sábado: em reportagem de 58 segundos, o Jornal da Record não mencionou o nome do presidente. Disse que ocorreram protestos contra o governo e pela ampliação do auxílio emergencial, escondendo as demais reivindicações. Um dos destaques da edição foi a reportagem: “Na Inglaterra, manifestantes vão às ruas protestar contra o confinamento”.

Enquanto a TV Bandeirantes produziu matéria de um minuto e quinze segundos utilizando-se da narrativa recorrente de reforçar a aversão a quem vai às ruas reivindicar direitos – focou no fechamento de ruas e avenidas e em eventuais transtornos causados ao trânsito, sem mencionar a verdadeira pauta em disputa –, o Jornal do SBT citou que o protesto era contra o governo Bolsonaro, pela ampliação do auxílio emergencial, por mais emprego e pela vacina. Porém, os dois minutos e quinze segundos no telejornal noturno de sábado foram os únicos dedicados pelo canal em toda a sua programação.

Todos os grupos de mídia fizeram menção à violência policial que marcou o final do protesto em Recife, sem explicitar a origem do conflito e os responsáveis. A exceção foi o Jornal da Record, que responsabilizou os manifestantes pelo “conflito”, dizendo que “a manifestação que seguia pacífica terminou em confronto com a polícia quando um grupo tentou seguir por um trajeto não autorizado”.

No domingo, a capa do jornal O Estado de S.Paulo chegou a indignar pela incoerência. Uma pequena chamada em meio a outros assuntos fez referência aos protestos, mas chamando atenção para a aglomeração. Ao mesmo tempo, deu como manchete as “Cidades turísticas que se reinventam para atrair o home office”. No miolo do jornal, meia página para dizer que “protestos têm aglomerações em mais de 200 cidades”.

Folha de S.Paulo foi o único impresso de circulação nacional que deu destaque na capa para as manifestações do #29M. A chamada “Milhares saem às ruas contra Bolsonaro pelo país” veio acompanhada de uma foto aérea da Avenida Paulista, que teve dez quarteirões tomados pelos manifestantes. Em duas páginas completas do jornal, a cobertura tratou dos temas principais do ato e abriu espaço para relatar a violência da polícia do Recife e o caso da vereadora Liana Cirne (PT), agredida com spray de pimenta diretamente no rosto por um policial depois de já ter se identificado.

No dia dos protestos, o jornal publicou editorial intitulado “Novidades nas ruas”, em que destacava o alívio em ver vozes dissonantes ao presidente ocupando também o espaço público. Porém, na busca por viabilizar uma terceira via trouxe de volta a narrativa antipetista e demonstrou preocupação com as pautas da esquerda. A Folha também marcou uma divisão entre sindicatos e movimentos sociais e pessoas que foram aos protestos de forma individual, como se apenas estas últimas pudessem ser chamadas de “sociedade civil”.

A cobertura nos estados

Nos impressos estaduais também houve omissão. Neste domingo, muitos jornais optaram por uma capa completamente indiferente aos protestos. Foi o caso do Diário do Nordeste, da Gazeta do Paraná e também do maior jornal do Pará, O Liberal, que sequer citou as manifestações na capa do impresso ou do portal do veículo. Já A Tarde, da Bahia, e O Povo, do Ceará, mencionaram as manifestações em suas capas, mas sem qualquer destaque que pudesse chamar atenção dos leitores.

O Correio Braziliense, jornal de maior circulação em Brasília, foi no sentido contrário, publicando foto com destaque da manifestação na capital, citando as reivindicações por mais vacinas e pela saída de Bolsonaro. Nesta mesma linha seguiram O Estado de Minas, de Minas Gerais, e A Gazeta, do Mato Grosso, com chamada na capa e espaço interno para os protestos.

Já o Jornal do Commercio, de Pernambuco, destacou a violência ocorrida na manifestação no Recife. Com duas fotos de momentos diferentes, uma do ato pacífico e a segunda dos policiais indo para cima das pessoas, publicou a manchete “Aglomeração, violência e PMs afastados”.

Repercussão internacional

Diferentemente da mídia local, a imprensa internacional parece ter entendido a relevância dos atos deste sábado. O jornal britânico The Guardian, por exemplo, estampou imagens da manifestação e falou sobre a crise enfrentada pelo presidente Bolsonaro e sua omissão diante da pandemia, que está sendo investigada agora por uma CPI. A matéria ficou por um bom tempo como destaque dentro do portal do veiculo.

O francês Le Monde destacou que as marchas no Rio de Janeiro começaram em frente ao edifício conhecido como “Balança mas não cai” e que a escolha não parecia ter sido aleatória. Também repercutiram os atos os informativos La Nación, do Uruguai; El Pais, da Espanha; a rede Al Jazeera, do Catar, e a agência de notícias Reuters, que é reproduzida por vários jornais no mundo.

Enquanto isso, a mídia brasileira seguiu incorrendo nos mesmo erros que contribuíram para que Bolsonaro chegasse ao poder em 2018. Ao silenciar os protestos legitimamente organizados pela sociedade civil, as comunicações no Brasil escrevem mais um episódio de sua história de contradição com nossa democracia. Como escreveu o jornalista Xico Sá, em seu perfil no Twitter, “que botem comentaristas contra e a favor (ou isentões) para falar adoidadamente, mas que cubram. Não dá mais pra voltar aos tempos que esconderam as Diretas Já e omitir os fatos. Hoje em dia é impossível a mídia pecar por omissão. Ou joga o jogo ou fica feio pra cacete”. E, sim, ficou feio pra cacete.

Exemplos de como fazer bom jornalismo não faltam. O que falta é espaço na mídia brasileira para dar voz à pluralidade e diversidade da nossa sociedade, e para respeitar o pleno exercício do direito à comunicação no país.

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Uma decisão da 32ª Vara Cível do Rio de Janeiro, na última sexta-feira (29), obrigou o Jornal GGN, editado pelo jornalista Luis Nassif, a retirar do ar 11 matérias sobre o banco BTG Pactual, sob pena de multa diária de R$ 10 mil em caso de descumprimento. Determinada pelo juiz Leonardo Grandmasson Ferreira Chaves, a censura também se aplica a publicações futuras.

As reportagens foram escritas por Nassif e pela jornalista Patricia Faermann. Revelam desde o favorecimento em licitação da Zona Azul da Prefeitura de São Paulo até a venda de “créditos podres” do Banco do Brasil ao BTG Pactual. Criado em 1983, o banco tem entre os seus fundadores o atual ministro da Economia, Paulo Guedes.

A carteira de crédito do Banco do Brasil, por exemplo, era avaliada em R$ 3 bilhões, de acordo com as reportagens. E foi vendida ao BTG Pactual por R$ 371 milhões, levantando suspeitas de favorecimento.

Sem avaliar o mérito das denúncias apresentadas, o juiz as classificou como “notícias levianas”, que causariam dano à “honra objetiva” do banco. Com capital aberto, as reportagens poderiam arranhar a “imagem” da instituição, considerada como “patrimônio” de seus acionistas.

O Jornal GGN irá recorrer da decisão no Supremo Tribunal Federal (STF). O recurso deverá contar com o apoio da Comissão de Direitos Humanos da Câmara, da Associação Brasileira de Imprensa (ABI) e do Instituto Vladimir Herzog.

Repúdios

O presidente da Ordem dos Advogados do Brasil, Felipe Santa Cruz, condenou a censura e se solidarizou com o jornallista: “Questionar a venda de créditos avaliados em 3 bilhões por 371 milhões é absolutamente legítimo, para não dizer obrigatório. Os brasileiros têm direito a uma explicação e os jornalistas que suscitaram a questão, Luís Nassif e Patricia Faermann, merecem apoio, jamais censura”, afirmou em sua conta no Twitter.

Em nota conjunta, a Federação Nacional dos Jornalistas (FENAJ) e o Sindicato dos Jornalistas de São Paulo condenaram a decisão absurda do juiz Leonardo Chaves: “A censura ataca diretamente a liberdade de imprensa, infringindo o que determina a Constituição Federal em seu artigo 5: “é livre a expressão da atividade intelectual, artística, científica e de comunicação, independentemente de censura ou licença”.

“Essa postura arbitrária é mais um passo do autoritarismo que se instala no país, a partir de um governo com vocação fascista, inimigo declarado da liberdade de imprensa e dos jornalistas, aos quais agride seguidamente, por todos os meios. Mesmo assim, não conseguirá calar a imprensa. O Sindicato e a FENAJ conclamam a sociedade a repudiar todas as tentativas de censura e exigem que essa decisão judicial seja imediatamente revogada”, afirmam as entidades.

O coletivo Jornalistas Livres també se manifestou publicamente contra o ataque à liberdade de imprensa. "Se eles conseguirem censurar o JornalGGN e o jornalista Luis Nassif, se eles conseguirem censurar a imprensa, eles também serão capazes de suprimir todas as notícias que foram mencionadas acima. Bastará um juiz decidir que quer que seja assim. Cancelam-se as matérias. Cancela-se o jornalismo. Cancela-se o que é inconveniente para os amigos do Presidente (Bolsonaro)", alerta um tercho da nota, que pode ser acessada aqui.

O criminalista José Carlos Portella Junior, do Coletivo Advogadas e Advogados pela Democracia (Caad), classificou a censura às reportagens do Jornal GGN como uma “decisão absurda”. Ele acredita que a decisão deverá ser derrubada pelo Supremo Tribunal Federal (STF). “Não há justificativa jurídica nenhuma para se impor esse tipo de sigilo”, afirmou, em entrevista a Glauco Faria, no Jornal Brasil Atual nesta segunda-feira (31).

Ele também destacou a cumplicidade entre o Judiciário e o sistema financeiro. Ele citou, por exemplo, delações descartadas na Lava Jato que envolveriam bancos em casos de corrupção. Além de outras decisões que afastaram o Código de Defesa do Consumidor para dar ganho de causa aos bancos, em ações movidas por clientes que se sentiram prejudicados. Por outro lado, a própria Lava Jato não teve esse tipo de sensibilidade para preservar a imagens de empresas envolvidas.

[Com informações da Rede Brasil Atual | Imagem: Centro de Mídia Alternativa Baraão de Itararé]

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Direito este que muitos confundem como sendo de uma categoria – a dos jornalistas – quando, na verdade, é um direito do povo de receber informações variadas para fazer seus juízos de valores e tomar suas decisões, através do voto.

Na realidade, porém, é um direito boicotado por aqueles que sempre se posicionaram, ao menos teoricamente, contra a censura. A começar pelos meios de comunicação de uma forma em geral, os chamados grandes conglomerados da imprensa tradicional. Tal como ninguém menos do que Janio de Freitas registrou na sua coluna de domingo (16/02) na Folha de S.Paulo, ao lembrar que quem fala de censura dos livros deveria também falar da greve dos petroleiros.

Há 17 dias mais de 20 mil petroleiros estão de braços cruzados. Paralisaram as operações em cerca de 120 unidades da Petrobras espalhadas por todo o território nacional – no domingo os trabalhadores do longínquo campo de Urucu, na selva amazônica, aderiram à greve. Mas a chamada grande imprensa praticamente ignora o movimento.

Quando fala a respeito é apenas para dar voz à empresa ou mostrar as reações contrárias ao movimento, sem qualquer senso crítico. Tal como a esdrúxula decisão do ministro Dias Toffoli do dia 12/02 – Toffoli sufoca petroleiros com multas e greve só de 10%. Nela, com uma canetada, o presidente do Supremo Tribunal Federal, a quem cabe fazer respeitar a Constituição, ao mesmo tempo enterrou o direito de greve ao determinar o trabalho de 90% da categoria assim como ameaçou o direito sindical, ao convalidar multas que inviabilizam economicamente as entidades representantes dos trabalhadores.

Na sociedade democrática é admissível que donos de meios de comunicação tenham seu lado como empresários e apoiem, por mais injustas que possam parecer, políticas liberais na economia brasileira. Como fez O Globo nesta segunda-feira, que mesmo sem noticiar o movimento grevista a seus leitores, apresenta um editorial classificando a greve como movimento político da Federação Única dos Petroleiros – FUP.

Omite apenas que diversas “bases” da Petrobras onde os sindicatos pertencem à Federação Nacional dos Petroleiros – FNP, entidade politicamente divergente da FUP, também já aderiram à paralisação.

Também se deve aceitar, democraticamente, que parte da categoria dos jornalistas já não empunhe, como outrora, bandeiras como a do “Petróleo É Nosso” desfraldadas no passado pela Associação Brasileira de Imprensa – ABI, contando, inclusive, com o apoio de donos de jornais, seus antigos sócios.

Há, porém, um compromisso maior, que vem sendo desrespeitado pela chamada grande mídia. A de fornecer a seus leitores/telespectadores informações variadas, que lhes permitam refletir sobre o que ocorre na sociedade brasileira. Não basta dizer como O Globo fez que se trata de greve política. Afinal, todas acabam o sendo por serem em protesto a medidas adotadas pelos donos da empresa em desfavor de seus empregados.

É preciso que a mídia atue na sua função de promover um amplo debate. No caso, por exemplo, na discussão a respeito da política de preços que está sendo praticada nos derivados de petróleo, desde o governo Temer. Uma política que, nas explicações dos petroleiros e não apenas deles, desdenha a nossa capacidade de produzir tais derivados, deixando nossas refinarias ociosas. Optam pela exportação do óleo cru para depois importarmos os derivados que deixamos de produzir.

Em consequência, ficamos à mercê dos preços internacionais e todos nós pagamos mais caros pelo derivado consumido – incluindo aí o gás de cozinha que passou a ser produto supérfluo para muitas famílias. Sem falar no desemprego gerado com a ociosidade nas unidades da Petrobras.

Aliás, O Globo e toda a grande imprensa desdenharam, inclusive, o desafio feito pela própria FNP ao governo de Jair Bolsonaro, quando o presidente fez galhofa prometendo cortar imposto dos derivados caso os estados cortassem o ICMS. Desafio divulgado por blogues, como o JornalGGN – Confira a carta dos petroleiros – Federação Nacional dos Petroleiros. Nele, a FNP reafirma o que outros dizem e a grande mídia ignora:

“(…) a verdadeira causa do aumento do preço dos combustíveis não está aí, já que a carga tributária em essência continuou a mesma nos últimos anos e está dentro da média mundial. O que mudou, portanto, foi a política de preços da Petrobras que passou a seguir a referência de um preço que nada tem a ver com os custos da Petrobras, mas que facilita a concorrência de empresas estrangeiras no mercado brasileiro e encarece o combustível para os que mais precisam“.

Deveria caber à mídia, independentemente da ideologia de seus donos, o debate aberto sobre todas estas questões. Explicar como petroleiros podem, como mostra o vídeo abaixo, vender botijões de gás a um preço bem menor (R$ 35,00) do atual valor cobrado nos revendedores. Porém, sequer a iniciativa de colocação destes botijões a preço mais em conta é noticiada. Escondem o fato, em vez de debatê-lo, até mesmo para, se for o caso, se demonstrar a inviabilidade disso.

Houve época em que os jornais cariocas cobriam greve de petroleiro na porta da Refinaria Duque de Caxias. Fiz isso, quando repórter do Jornal do Brasil, no final dos anos 80. Lá encontrava sempre minha colega Heloisa Vilela, atualmente trabalhando em Nova Iorque pela TV Record, fazendo a cobertura pelo O Globo. Hoje, provavelmente, repórteres nem saberão o que vem a ser Reduc.

Ignoram até mesmo o acampamento instalado na porta do edifício sede da estatal, na Avenida Chile, no centro nervoso do Rio, onde estão em vigília empregados e familiares da Fábrica de Fertilizantes de Araucária, subsidiária da estatal que está sendo fechada, causando a demissão de mil trabalhadores da empresa e terceirizados. Tudo para não falarem do movimento da greve e do apoio que ele vem tendo.

Movimento que nesta segunda-feira (17/02) recebeu a adesão de caminhoneiros no Porto de Santos onde desde a madrugada não entram os caminhões carregados. Aparentemente, sem a necessidade dos piquetes que foram proibidos pela Justiça.

O que deverá aumentar ainda mais a dificuldade de funcionamento do porto, que já vinha sofrendo problemas no reabastecimento dos navios ali atracados, tal como divulgou no domingo A Tribuna – Falta de combustível para navios, causa prejuízos e atrasos no Porto de Santos.

Resta saber até quando este silêncio que a mídia se impõe, deixando de cumprir seu papel social, irá perdurar. Nesta terça-feira (18/02) está prevista uma grande mobilização, não apenas dos petroleiros, no centro do Rio de Janeiro. Mais de mil trabalhadores em greve em outras cidades estão sendo esperados a partir das 16h00, em uma concentração na porta do edifício sede da empresa.

Paralelamente, aguarda-se nesta semana o resultado das negociações que os presidentes da Câmara Federal, Rodrigo Maia, e do Senado, Davi Alcolumbre, se comprometeram junto a petroleiros, deputados e senadores da oposição a fazer para abrirem um cabal de negociação com a estatal e o governo. Nada disso, porém, tem sido noticiado pela grande mídia, que no seu silêncio, deixa de cumprir seu papel. Não por outro motivo que está perdendo prestígio.

 

 

Publicado em Greve 2020

site Manchetômetro, que acompanha a cobertura feita por veículos da mídia tradicional de temas relacionados a política e economia, mostra que os três principais jornais do país apresentam comportamento distinto quando o assunto é o escândalo do vazamento de conversas entre o juiz Sergio Moro e procuradores da Operação Lava Jato. De acordo com o monitoramento do sétimo dia do caso, no domingo (16), a Folha de S.Paulo é quem se dedica mais ao tema, com o maior número de textos sobre a chamada Vaza Jato: foram 10 na edição de ontem, dos quais cinco críticos a Sergio Moro.

O jornal O Estado de S. Paulo, após ter pedido em editorial a renúncia de Sergio Moro do cargo de ministro da Justiça e Segurança Pública, segue agora com uma “cobertura tímida do caso, com apenas seis textos novos”. De acordo com o Manchetômetro, o tom é “levemente favorável a Moro”. A mudança de postura do Estadão começou a se dar no terceiro dia da cobertura, segundo o site.

“Se no primeiro dia da cobertura houve espaço para apontar críticas ao conteúdo das conversas e outras vozes, como a defesa de Lula, do segundo para o terceiro dia (o Estadão) deu lugar à narrativa de uma conspiração criminosa contra o Ministério Público e a Operação Lava Jato. Passou a ganhar espaço a desqualificação do material, seja pelo método de obtenção de seu conteúdo seja pela alegação de risco de inautenticidade. O jornal dá ampla voz aos membros da operação focando no acesso e divulgação das mensagens, enquanto se exime de explorar as questões éticas, legais e políticas relativas ao comportamento de Moro, dos procuradores da Lava Jato e de ministros do Supremo, citados nas conversas.” O jornal chegou a publicar entrevista de Moro ao repórter Fausto Macedo, um dos profissionais de imprensa habituados a antecipar notícias relacionadas à Lava Jato, mesmo sob segredo de Justiça.

O jornal O Globo manteve a mesma linha, de defesa de Moro e dos integrantes da Lava Jato. “A cobertura de O Globocontinua a martelar a questão da segurança de dados, agora inclusive na manchete da edição de domingo. Dos 7 textos que citam a Vaza Jato, cinco discutem diretamente a questão do hacking.” Segundo o Manchetômetro, o periódico da família Marinho “reafirma sua posição de defesa de Moro e da Lava Jato, como se o caso demandasse posicionamento político antes que profissionalismo jornalístico. Estão presentes novamente em sua cobertura o enquadramento do vazamento de dados combinado ao argumento de nulidade de provas”.

O Manchetômetro também analisou a cobertura feita pelo principal noticiário televisivo do grupo Globo, o Jornal Nacional, até sexta-feira (14). A tônica da cobertura é similar à do veículo impresso, mas com alcance muito maior. “Se no primeiro dia da cobertura houve espaço para apontar críticas ao conteúdo das conversas e outras vozes, como a defesa de Lula, do segundo para o terceiro dia deu lugar à narrativa de uma conspiração criminosa contra o Ministério Público e a Operação Lava Jato. Passou a ganhar espaço a desqualificação do material, seja pelo método de obtenção de seu conteúdo seja pela alegação de risco de inautenticidade. O jornal dá ampla voz aos membros da operação focando no acesso e divulgação das mensagens, enquanto se exime de explorar as questões éticas, legais e políticas relativas ao comportamento de Moro, dos procuradores da Lava Jato e de ministros do Supremo, citados nas conversas.”

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[Via Rede Brasil Atual]

Publicado em Política

O Centro de Estudos da Mídia Alternativa Barão de Itararé, ou somente o Barão de Itararé, é uma entidade que nasceu para capitanear a luta por uma comunicação mais democrática no Brasil. Seu universo é a chamada mídia alternativa ou as tantas que costumamos visitar diariamente em tantas conformações, mídia comunitária, popular, colaborativa, independente, social. O Barão de Itararé tem por missão fortalecer tais setores de comunicação, que são excluídos diuturnamente pela mídia hegemônica e grandes conglomerados.

Em 2018, o Barão de Itararé cravou a marca de 8 anos de luta. E agora conta com o apoio de todos para emplacar mais um ano. Na sede, o constante compartilhamento de ideias, debates e reuniões em que se analisa a situação do Brasil. Nesses 8 anos, um mesmo endereço e a firme disposição de acompanhar a luta e as conquistas da mídia alternativa. 

Nesses anos, centenas de atividades tiveram lugar no Barão de Itararé: seminários, debates, coletivas de imprensa e cursos. Por lá passaram nomes como os do ex-presidente do Uruguai, Pepe Mujica, do linguista e filósofo norte-americano Noam Chomsky, do relator para a liberdade de expressão da Comissão Interamericana de Direitos Humanos da OEA, Edson Lanza, e de inúmeros intelectuais, artistas, economistas, lideranças sociais, entre os quais: Bresser Pereira, Luiz Gonzaga Belluzo, Laura Carvalho, Celso Amorim, Samuel Pinheiro Guimarães, Tico Santa Cruz, Sérgio Mamberti, Fernando Haddad, Jessé de Souza, Manuela D’Ávila, Roberto Requião, Luciana Santos, Jandira Feghali, Wadih Damous, Dilma Rousseff, Eugênio Aragão, Sérgio Gabrielli, Emiliano José, e muitos mais.

Barão é a casa dos jornalistas, blogueiros e comunicadores. Todos juntos na luta por uma comunicação mais democrática. É também a casa do movimento social e de entidades de classe.

E é de suma importância que não feche, que prossiga firme. Daí conta com sua colaboração e apoio. O link abaixo leva ao site do Catarse, onde, se quiser, poderá contribuir para mais um ano de luta. A contribuição irá custear o aluguel, condomínio, limpeza e luz por um ano.

Acesse aqui.

[Via GGN]

Publicado em Cidadania

A defesa do ex-presidente Lula entrou com recurso junto ao Tribunal Superior Eleitoral (TSE) para tentar garantir que a Rede Globo e as demais emissoras de televisão tenham isonomia na cobertura das campanhas eleitorais, dedicando a Lula o mesmo tratamento dos demais candidatos à presidência.

O recurso reúne material que demonstra que as emissoras têm escondido deliberadamente a campanha de Lula e de seu vice e porta-voz, Fernando Haddad. Segundo levantamento realizado por juristas, referente a telejornais que foram ao ar entre 20 e 24 de agosto, o Jornal Nacional dedicou exatos 21 segundos à coligação de Lula, e ainda para apenas comunicar que não cobriria a agenda do petista, por ele estar preso, no dia 20 de agosto.

Em texto publicado no site do ex-presidente, a equipe de campanha informa que, no mesmo período, o Jornal Nacional dedicou 5 minutos (um minuto por dia) para cobrir as campanhas de Marina Silva (Rede), Ciro Gomes (PDT) e Geraldo Alckmin (PSDB); 4 minutos para Jair Bolsonaro (pois o candidato não teve agenda pública no dia 20) e 1 minuto para Álvaro Dias (Podemos), que está em um longínquo sexto lugar nas pesquisas de intenção de voto. A Rede Record e o SBT tampouco cobriram a campanha da coligação de Lula em seus telejornais.

O comunicado lembra que "a Lei eleitoral exige isonomia e veda que qualquer candidato tenha tratamento privilegiado nas concessionárias de rádio e TV". "Requer-se, na presente apresentação, a concessão de liminar, para que seja ordenado às empresas representadas para, a partir da presente data, confiram a devida cobertura da campanha presidencial da Coligação O povo Feliz de Novo, por meio de sua agenda oficial, e do próprio candidato Lula, devendo ser conferido tratamento isonômico entre as atividades destes e as dos outros candidatos ao mesmo cargo, com inserções em mesmo horário e com a mesma duração", diz o recurso.

[Via Brasil 247]

Publicado em Política

A Federação Única dos Petroleiros (FUP) foi criada em 1994, fruto da evolução histórica do movimento sindical petroleiro no Brasil, desde a criação da Petrobrás, em 1953. É uma entidade autônoma, independente do Estado, dos patrões e dos partidos políticos e com forte inserção em suas bases.