Direito este que muitos confundem como sendo de uma categoria – a dos jornalistas – quando, na verdade, é um direito do povo de receber informações variadas para fazer seus juízos de valores e tomar suas decisões, através do voto.

Na realidade, porém, é um direito boicotado por aqueles que sempre se posicionaram, ao menos teoricamente, contra a censura. A começar pelos meios de comunicação de uma forma em geral, os chamados grandes conglomerados da imprensa tradicional. Tal como ninguém menos do que Janio de Freitas registrou na sua coluna de domingo (16/02) na Folha de S.Paulo, ao lembrar que quem fala de censura dos livros deveria também falar da greve dos petroleiros.

Há 17 dias mais de 20 mil petroleiros estão de braços cruzados. Paralisaram as operações em cerca de 120 unidades da Petrobras espalhadas por todo o território nacional – no domingo os trabalhadores do longínquo campo de Urucu, na selva amazônica, aderiram à greve. Mas a chamada grande imprensa praticamente ignora o movimento.

Quando fala a respeito é apenas para dar voz à empresa ou mostrar as reações contrárias ao movimento, sem qualquer senso crítico. Tal como a esdrúxula decisão do ministro Dias Toffoli do dia 12/02 – Toffoli sufoca petroleiros com multas e greve só de 10%. Nela, com uma canetada, o presidente do Supremo Tribunal Federal, a quem cabe fazer respeitar a Constituição, ao mesmo tempo enterrou o direito de greve ao determinar o trabalho de 90% da categoria assim como ameaçou o direito sindical, ao convalidar multas que inviabilizam economicamente as entidades representantes dos trabalhadores.

Na sociedade democrática é admissível que donos de meios de comunicação tenham seu lado como empresários e apoiem, por mais injustas que possam parecer, políticas liberais na economia brasileira. Como fez O Globo nesta segunda-feira, que mesmo sem noticiar o movimento grevista a seus leitores, apresenta um editorial classificando a greve como movimento político da Federação Única dos Petroleiros – FUP.

Omite apenas que diversas “bases” da Petrobras onde os sindicatos pertencem à Federação Nacional dos Petroleiros – FNP, entidade politicamente divergente da FUP, também já aderiram à paralisação.

Também se deve aceitar, democraticamente, que parte da categoria dos jornalistas já não empunhe, como outrora, bandeiras como a do “Petróleo É Nosso” desfraldadas no passado pela Associação Brasileira de Imprensa – ABI, contando, inclusive, com o apoio de donos de jornais, seus antigos sócios.

Há, porém, um compromisso maior, que vem sendo desrespeitado pela chamada grande mídia. A de fornecer a seus leitores/telespectadores informações variadas, que lhes permitam refletir sobre o que ocorre na sociedade brasileira. Não basta dizer como O Globo fez que se trata de greve política. Afinal, todas acabam o sendo por serem em protesto a medidas adotadas pelos donos da empresa em desfavor de seus empregados.

É preciso que a mídia atue na sua função de promover um amplo debate. No caso, por exemplo, na discussão a respeito da política de preços que está sendo praticada nos derivados de petróleo, desde o governo Temer. Uma política que, nas explicações dos petroleiros e não apenas deles, desdenha a nossa capacidade de produzir tais derivados, deixando nossas refinarias ociosas. Optam pela exportação do óleo cru para depois importarmos os derivados que deixamos de produzir.

Em consequência, ficamos à mercê dos preços internacionais e todos nós pagamos mais caros pelo derivado consumido – incluindo aí o gás de cozinha que passou a ser produto supérfluo para muitas famílias. Sem falar no desemprego gerado com a ociosidade nas unidades da Petrobras.

Aliás, O Globo e toda a grande imprensa desdenharam, inclusive, o desafio feito pela própria FNP ao governo de Jair Bolsonaro, quando o presidente fez galhofa prometendo cortar imposto dos derivados caso os estados cortassem o ICMS. Desafio divulgado por blogues, como o JornalGGN – Confira a carta dos petroleiros – Federação Nacional dos Petroleiros. Nele, a FNP reafirma o que outros dizem e a grande mídia ignora:

“(…) a verdadeira causa do aumento do preço dos combustíveis não está aí, já que a carga tributária em essência continuou a mesma nos últimos anos e está dentro da média mundial. O que mudou, portanto, foi a política de preços da Petrobras que passou a seguir a referência de um preço que nada tem a ver com os custos da Petrobras, mas que facilita a concorrência de empresas estrangeiras no mercado brasileiro e encarece o combustível para os que mais precisam“.

Deveria caber à mídia, independentemente da ideologia de seus donos, o debate aberto sobre todas estas questões. Explicar como petroleiros podem, como mostra o vídeo abaixo, vender botijões de gás a um preço bem menor (R$ 35,00) do atual valor cobrado nos revendedores. Porém, sequer a iniciativa de colocação destes botijões a preço mais em conta é noticiada. Escondem o fato, em vez de debatê-lo, até mesmo para, se for o caso, se demonstrar a inviabilidade disso.

Houve época em que os jornais cariocas cobriam greve de petroleiro na porta da Refinaria Duque de Caxias. Fiz isso, quando repórter do Jornal do Brasil, no final dos anos 80. Lá encontrava sempre minha colega Heloisa Vilela, atualmente trabalhando em Nova Iorque pela TV Record, fazendo a cobertura pelo O Globo. Hoje, provavelmente, repórteres nem saberão o que vem a ser Reduc.

Ignoram até mesmo o acampamento instalado na porta do edifício sede da estatal, na Avenida Chile, no centro nervoso do Rio, onde estão em vigília empregados e familiares da Fábrica de Fertilizantes de Araucária, subsidiária da estatal que está sendo fechada, causando a demissão de mil trabalhadores da empresa e terceirizados. Tudo para não falarem do movimento da greve e do apoio que ele vem tendo.

Movimento que nesta segunda-feira (17/02) recebeu a adesão de caminhoneiros no Porto de Santos onde desde a madrugada não entram os caminhões carregados. Aparentemente, sem a necessidade dos piquetes que foram proibidos pela Justiça.

O que deverá aumentar ainda mais a dificuldade de funcionamento do porto, que já vinha sofrendo problemas no reabastecimento dos navios ali atracados, tal como divulgou no domingo A Tribuna – Falta de combustível para navios, causa prejuízos e atrasos no Porto de Santos.

Resta saber até quando este silêncio que a mídia se impõe, deixando de cumprir seu papel social, irá perdurar. Nesta terça-feira (18/02) está prevista uma grande mobilização, não apenas dos petroleiros, no centro do Rio de Janeiro. Mais de mil trabalhadores em greve em outras cidades estão sendo esperados a partir das 16h00, em uma concentração na porta do edifício sede da empresa.

Paralelamente, aguarda-se nesta semana o resultado das negociações que os presidentes da Câmara Federal, Rodrigo Maia, e do Senado, Davi Alcolumbre, se comprometeram junto a petroleiros, deputados e senadores da oposição a fazer para abrirem um cabal de negociação com a estatal e o governo. Nada disso, porém, tem sido noticiado pela grande mídia, que no seu silêncio, deixa de cumprir seu papel. Não por outro motivo que está perdendo prestígio.

 

 

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site Manchetômetro, que acompanha a cobertura feita por veículos da mídia tradicional de temas relacionados a política e economia, mostra que os três principais jornais do país apresentam comportamento distinto quando o assunto é o escândalo do vazamento de conversas entre o juiz Sergio Moro e procuradores da Operação Lava Jato. De acordo com o monitoramento do sétimo dia do caso, no domingo (16), a Folha de S.Paulo é quem se dedica mais ao tema, com o maior número de textos sobre a chamada Vaza Jato: foram 10 na edição de ontem, dos quais cinco críticos a Sergio Moro.

O jornal O Estado de S. Paulo, após ter pedido em editorial a renúncia de Sergio Moro do cargo de ministro da Justiça e Segurança Pública, segue agora com uma “cobertura tímida do caso, com apenas seis textos novos”. De acordo com o Manchetômetro, o tom é “levemente favorável a Moro”. A mudança de postura do Estadão começou a se dar no terceiro dia da cobertura, segundo o site.

“Se no primeiro dia da cobertura houve espaço para apontar críticas ao conteúdo das conversas e outras vozes, como a defesa de Lula, do segundo para o terceiro dia (o Estadão) deu lugar à narrativa de uma conspiração criminosa contra o Ministério Público e a Operação Lava Jato. Passou a ganhar espaço a desqualificação do material, seja pelo método de obtenção de seu conteúdo seja pela alegação de risco de inautenticidade. O jornal dá ampla voz aos membros da operação focando no acesso e divulgação das mensagens, enquanto se exime de explorar as questões éticas, legais e políticas relativas ao comportamento de Moro, dos procuradores da Lava Jato e de ministros do Supremo, citados nas conversas.” O jornal chegou a publicar entrevista de Moro ao repórter Fausto Macedo, um dos profissionais de imprensa habituados a antecipar notícias relacionadas à Lava Jato, mesmo sob segredo de Justiça.

O jornal O Globo manteve a mesma linha, de defesa de Moro e dos integrantes da Lava Jato. “A cobertura de O Globocontinua a martelar a questão da segurança de dados, agora inclusive na manchete da edição de domingo. Dos 7 textos que citam a Vaza Jato, cinco discutem diretamente a questão do hacking.” Segundo o Manchetômetro, o periódico da família Marinho “reafirma sua posição de defesa de Moro e da Lava Jato, como se o caso demandasse posicionamento político antes que profissionalismo jornalístico. Estão presentes novamente em sua cobertura o enquadramento do vazamento de dados combinado ao argumento de nulidade de provas”.

O Manchetômetro também analisou a cobertura feita pelo principal noticiário televisivo do grupo Globo, o Jornal Nacional, até sexta-feira (14). A tônica da cobertura é similar à do veículo impresso, mas com alcance muito maior. “Se no primeiro dia da cobertura houve espaço para apontar críticas ao conteúdo das conversas e outras vozes, como a defesa de Lula, do segundo para o terceiro dia deu lugar à narrativa de uma conspiração criminosa contra o Ministério Público e a Operação Lava Jato. Passou a ganhar espaço a desqualificação do material, seja pelo método de obtenção de seu conteúdo seja pela alegação de risco de inautenticidade. O jornal dá ampla voz aos membros da operação focando no acesso e divulgação das mensagens, enquanto se exime de explorar as questões éticas, legais e políticas relativas ao comportamento de Moro, dos procuradores da Lava Jato e de ministros do Supremo, citados nas conversas.”

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[Via Rede Brasil Atual]

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O Centro de Estudos da Mídia Alternativa Barão de Itararé, ou somente o Barão de Itararé, é uma entidade que nasceu para capitanear a luta por uma comunicação mais democrática no Brasil. Seu universo é a chamada mídia alternativa ou as tantas que costumamos visitar diariamente em tantas conformações, mídia comunitária, popular, colaborativa, independente, social. O Barão de Itararé tem por missão fortalecer tais setores de comunicação, que são excluídos diuturnamente pela mídia hegemônica e grandes conglomerados.

Em 2018, o Barão de Itararé cravou a marca de 8 anos de luta. E agora conta com o apoio de todos para emplacar mais um ano. Na sede, o constante compartilhamento de ideias, debates e reuniões em que se analisa a situação do Brasil. Nesses 8 anos, um mesmo endereço e a firme disposição de acompanhar a luta e as conquistas da mídia alternativa. 

Nesses anos, centenas de atividades tiveram lugar no Barão de Itararé: seminários, debates, coletivas de imprensa e cursos. Por lá passaram nomes como os do ex-presidente do Uruguai, Pepe Mujica, do linguista e filósofo norte-americano Noam Chomsky, do relator para a liberdade de expressão da Comissão Interamericana de Direitos Humanos da OEA, Edson Lanza, e de inúmeros intelectuais, artistas, economistas, lideranças sociais, entre os quais: Bresser Pereira, Luiz Gonzaga Belluzo, Laura Carvalho, Celso Amorim, Samuel Pinheiro Guimarães, Tico Santa Cruz, Sérgio Mamberti, Fernando Haddad, Jessé de Souza, Manuela D’Ávila, Roberto Requião, Luciana Santos, Jandira Feghali, Wadih Damous, Dilma Rousseff, Eugênio Aragão, Sérgio Gabrielli, Emiliano José, e muitos mais.

Barão é a casa dos jornalistas, blogueiros e comunicadores. Todos juntos na luta por uma comunicação mais democrática. É também a casa do movimento social e de entidades de classe.

E é de suma importância que não feche, que prossiga firme. Daí conta com sua colaboração e apoio. O link abaixo leva ao site do Catarse, onde, se quiser, poderá contribuir para mais um ano de luta. A contribuição irá custear o aluguel, condomínio, limpeza e luz por um ano.

Acesse aqui.

[Via GGN]

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A defesa do ex-presidente Lula entrou com recurso junto ao Tribunal Superior Eleitoral (TSE) para tentar garantir que a Rede Globo e as demais emissoras de televisão tenham isonomia na cobertura das campanhas eleitorais, dedicando a Lula o mesmo tratamento dos demais candidatos à presidência.

O recurso reúne material que demonstra que as emissoras têm escondido deliberadamente a campanha de Lula e de seu vice e porta-voz, Fernando Haddad. Segundo levantamento realizado por juristas, referente a telejornais que foram ao ar entre 20 e 24 de agosto, o Jornal Nacional dedicou exatos 21 segundos à coligação de Lula, e ainda para apenas comunicar que não cobriria a agenda do petista, por ele estar preso, no dia 20 de agosto.

Em texto publicado no site do ex-presidente, a equipe de campanha informa que, no mesmo período, o Jornal Nacional dedicou 5 minutos (um minuto por dia) para cobrir as campanhas de Marina Silva (Rede), Ciro Gomes (PDT) e Geraldo Alckmin (PSDB); 4 minutos para Jair Bolsonaro (pois o candidato não teve agenda pública no dia 20) e 1 minuto para Álvaro Dias (Podemos), que está em um longínquo sexto lugar nas pesquisas de intenção de voto. A Rede Record e o SBT tampouco cobriram a campanha da coligação de Lula em seus telejornais.

O comunicado lembra que "a Lei eleitoral exige isonomia e veda que qualquer candidato tenha tratamento privilegiado nas concessionárias de rádio e TV". "Requer-se, na presente apresentação, a concessão de liminar, para que seja ordenado às empresas representadas para, a partir da presente data, confiram a devida cobertura da campanha presidencial da Coligação O povo Feliz de Novo, por meio de sua agenda oficial, e do próprio candidato Lula, devendo ser conferido tratamento isonômico entre as atividades destes e as dos outros candidatos ao mesmo cargo, com inserções em mesmo horário e com a mesma duração", diz o recurso.

[Via Brasil 247]

Publicado em Política

A Federação Única dos Petroleiros (FUP) foi criada em 1994, fruto da evolução histórica do movimento sindical petroleiro no Brasil, desde a criação da Petrobrás, em 1953. É uma entidade autônoma, independente do Estado, dos patrões e dos partidos políticos e com forte inserção em suas bases.

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