O Dia Mundial do Meio Ambiente, comemorado no dia 5 de junho, foi instituído pela Organização das Nações Unidas (ONU), e tem como objetivo principal chamar a atenção de todas as esferas da população para os problemas ambientais e para a importância da preservação dos recursos naturais, que até então eram considerados, por muitos, inesgotáveis.

Nós da Federação Única dos Petroleiros representamos os trabalhadores da maior empresa de exploração de petróleo do país. E temos o compromisso de estar junto de nossos sindicatos filiados fiscalizando e cobrando aos gestores que tudo esteja em conformidade com as normas de segurança, tanto pela qualidade de vida dos trabalhadores quanto da sociedade.

Além dos malefícios das emissões de gases tóxicos derivado da queima de combustível fóssil, como é o caso do petróleo, qualquer tipo de acidentes pode ser um desastre ambiental. Causando danos que pode durar gerações. Como fomos surpreendidos no segundo semestre de 2019 com a chegada de grandes volumes de óleo nas praias nordestinas. Aos poucos esta grande catástrofe ambiental foi ganhando notoriedade da mídia mundial e local e muitos voluntários foram às praias na tentativa de minimizar os efeitos. Por outro lado, percebe-se muito improviso e lentidão das autoridades competentes, principalmente as de âmbito federal.

E não queremos esta herança para nenhum brasileiro, mas que nosso ouro negro traga benefícios para o país.

A energia baseada em combustíveis fósseis (petróleo e carvão) tem grande importância para as principais economias do mundo, entre elas a do Brasil. Essa fonte energética que lança elevadas quantidades de carbono na atmosfera, impulsiona uma série de atividades produtivas que também emitem gases nocivos ao planeta e consomem recursos naturais em escala muito maior do que poupam, apesar dos crescentes avanços tecnológicos.

A mudança na base energética – dos combustíveis fósseis para energias renováveis - é uma das ações almejadas no âmbito do acordo de Paris e dos Objetivos do Desenvolvimento Sustentável para 2030 (ONU, 2015).

Em meio à crise econômica, ambiental e social agravada pela pandemia, revelou-se a importância do Estado e das políticas públicas. Redescobriu-se que o trabalho continua sendo o elemento fundante da sociedade e que, a despeito de todos os avanços tecnológicos, sem trabalho não há produção. Redescobriu-se que é a renda do trabalho que dinamiza a economia e a faz girar. Redescobriu-se que as condições de trabalho precárias são prejudiciais à saúde individual e coletiva. Redescobriu-se que a desigualdade social é perversa. Redescobriu-se a importância do meio ambiente e que a interferência do homem sobre a natureza pode ter consequências desastrosas.

Transformar a base produtiva para uma economia mais limpa e com menos emissão de carbono poderia ser a essência dos programas de investimentos públicos e privados como alternativas de superação da crise decorrente da pandemia e da anemia da economia brasileira. Diante dos desafios colocados pela pandemia, alguns países começam a ensaiar movimentos de retomada de investimentos em suas próprias regiões.

A Petrobrás tinha uma atuação destacada nos cuidados com os acidentes no processo produtivo. Em 2013, chegou a implantar seu Plano de Vazamento Zero. Infelizmente está sendo desmontado na gestão atual. Se compararmos a atuação da Petrobrás e do governo brasileiro em outros eventos de grande impacto ambiental, como o caso da explosão da plataforma da BP, em 2010 no Golfo Americano, com grande vazamento de óleo chegando na Costa dos EUA. Na mesma semana do ocorrido, a Petrobrás já havia enviado ajuda para conter o vazamento, com equipe de 20 especialistas em meio ambiente e membros da Marinha, Força Aérea e Ministério do Meio Ambiente. Na época a Petrobrás chegou a propor a criação de órgão de monitoramento e de atuação global contra acidentes e vazamentos envolvendo todas as petroleiras do mundo.

Em 2019, quando solicitada pedido do IBAMA, a empresa apoiou com ações de resposta emergenciais na região nordeste do Brasil, num dos maiores eventos de danos ambientais da nossa história, apenas fornecendo equipamentos e materiais para as frentes operacionais (2 navios/embarcações para resposta ao derramamento de óleo, 2 aeronaves e 4.000 metros de barreiras de contenção de petróleo). Depois, ainda cobrou reembolso dos custos deste suporte.

Ainda no sentido de explicar as diferenças de atuação da Petrobrás em relação ao tratamento de acidentes ambientais, faz-se necessário observar algumas informações divulgadas pela empresa nos seus relatórios anuais. Iniciamos pelo volume de investimentos em SMS (Segurança, Meio Ambiente e Saúde), que em 2018 chegou a R$5,6 bilhões, montante similar ao realizado nos anos de 2013 e 2014. Se compararmos com 2015, ano que apresentou maior investimento, percebe-se uma redução de 19% no total de investimentos nesta área. Em 2019 a empresa não divulgou estes números.
Para além da redução dos investimentos em SMS, percebe-se uma redução nos recursos materiais disponíveis pela empresa para atuar em situações de vazamentos. Infelizmente as últimas informações disponíveis estão até 2015, dificultando um acompanhamento dos atuais números. Conseguimos dados de 2012 a 2015 e é possível perceber uma grande queda em todos os equipamentos e recursos disponíveis.
Nós da FUP iremos continuar cobrando dos gestores a responsabilidade socioambiental da Petrobrás, independente da política de sua gestão. Além de fazer nossa parte, como nossos sindicatos do nordeste que realizaram mutirões de limpeza nas praias atingidas pelo óleo.

DIEESE / FUP

Publicado em Sistema Petrobrás

A CUT vem a público manifestar seu profundo repúdio à fala do ministro do Meio Ambiente, Ricardo Salles, durante a reunião ministerial realizada no dia 22 de abril e liberada pelo ministro Celso de Mello, do Supremo Tribunal Federal (SFT) na sexta-feira (22). Salles disse que era preciso aproveitar a conjuntura da pandemia do novo coronavírus (Covid-19), que está atraindo todas as atenções da imprensa, para flexibilizar leis de proteção ambiental no país.

“É hora de passar a boiada”, foi exatamente essa a expressão utilizada por Salles ao se referir a 'oportunidade' que a maior crise sanitária da história oferecia ao governo mudar regras de proteção ambiental e da área da agricultura, evitando processos na Justiça, sem chamar atenção. No dia da reunião, em que pouco oun quase nada se discutiu a pandemia, o Brasil registrou 2.906 mortes e 45.757 novos casos da doença. Até esta segunda-feira (25), a Covid-19 já fez mais de 22.660 vítimas fatais e tem 363.211 casos confirmados.

E foi em meio a este cenário em que os olhos da população e da imprensa estão voltados para a crise sanitária e a tragédia de vidas interrompidas, que o ministro comemorou a possibilidade de flexibilizar ainda mais as políticas ambientais, que tem sido a linha estabelecida desde o início do governo de Jair Bolsonaro e já foi denunciada a nível nacional e internacional.

É inadmissível a postura de frieza adotada pelo ministro. Lembramos que Ricardo Salles tem sido um defensor ferrenho dos interesses do agronegócio, setor que no momento atual pressiona e se movimenta para aprovar o PL 2633

Todos os nossos esforços devem estar voltados para combater os ataques e retrocessos desse governo assassino, que além de ignorar a grave situação pela qual passa a humanidade, e em particular o povo brasileiro, tenta aniquilar o nosso futuro destruindo os nossos recursos naturais e entregando a nossa soberania em troca de mais lucros para os grandes do agronegócio e do sistema financeiro especulativo.

São Paulo, 25 de maio de 2020

Carmen Foro

Secretária-Geral da CUT

Daniel Gaio

Secretário do Meio Ambiente da CUT

Publicado em Política

A diretoria do Sindipetro-NF já está em contato com a gerência da Petrobrás para acompanhar as medidas que estão sendo tomadas sobre o vazamento de óleo registrado na Praia de Imbetiba, em Macaé, nesta quinta-feira (23).

A princípio o vazamento do derivado foi em pequenas proporções e já foi contido.

Uma amostra do material foi colhida para que seja analisada e comparada com amostras colhidas em embarcações, que atuam na área afetada. Mas, neste primeiro momento não foi constatado nenhum vazamento nas embarcações ancoradas no píer.

O Sindipetro-NF irá acompanhar não só a análise como também as ações preventivas e corretivas, que devem ser realizadas. Ressaltando que é necessária uma atuação no local, visando calcular os danos ambientais, que possam ter sido causados, principalmente, devido a presença constante de tartarugas naquela região.

“O Sindicato acompanhará de perto o caso. Afinal, um acidente ambiental é sempre muito perigoso. O que ficamos preocupados, como um todo, é que percebemos ao longo dos anos a precarização das condições de trabalho, da manutenção das plataformas e precisamos ficar sempre atentos para entender se esse vazamento é um produto da precarização de manutenção e evitar que novos casos ocorram”, frisou a diretora Rosângela Buzanelli.

[Via Sindipetro-NF]

Publicado em Petróleo

O adolescente Rayuan Feitosa Maia, de 14 anos, mora no assentamento Gabriela Monteiro, em Brazlândia (DF), há cerca de três anos. Convivendo diariamente com as maravilhas do cerrado, ele conta que o cenário é um respiro para quem vive na zona rural e trabalha na roça.

“É uma sensação boa. Você se sente livre, no seu espaço e conectado com a natureza. Me faz muito bem”, conta o adolescente, que ajuda a família nas plantações de milho, feijão, mandioca e hortaliças. “Tudo orgânico. Nada de adubo químico ou veneno”, ressalta, ao contar com orgulho que aguarda o crescimento de uma agrofloresta recentemente plantada.

Ao vislumbrar o futuro das novas gerações, Rayuan diz esperar que seja “um tempo mais saudável e com mais natureza”, trazendo novas perspectivas para aqueles que ainda não vieram ao mundo.

A experiência do jovem está em consonância com o plano nacional "Plantar Árvores, Produzir Alimentos Saudáveis", do Movimento dos Trabalhadores Rurais Sem Terra (MST), que prevê o plantio de mais de 100 milhões de novas árvores nos próximos dez anos no Brasil. O lançamento do plano no Distrito Federal, no último sábado (14), é parte de uma rodada de eventos estaduais que ocorrem desde o fim de novembro.

“Eu acho que vai ser uma coisa boa, que vai influenciar não só nós, das futuras gerações, como as pessoas que estão com a gente [hoje]. Fazendo isso, acho que a gente vai inspirar outras pessoas. Vai ser bom futuramente. Vai mudar muita coisa”, acredita Rayuan.

 

Militantes do MST em ação de plantio de mudas, durante o lançamento do plano "Plantar Árvores, Produzir Alimentos Saudáveis", no DF (Foto: Adonilton Souza)

 

A militante Bárbara Loureiro, da coordenação estadual do MST-DF, explica que a ideia é fazer um contraponto ao movimento de desmonte ambiental promovido pelo grande capital, cuja atividade predatória está intimamente relacionada à devastação das florestas.

“A reforma agrária sempre foi um projeto de enfrentamento à degradação do modelo do latifúndio, que sempre deixou terras degradadas a partir do monocultivo, mas também [de enfrentamento] aos elementos conjunturais de acirramento da crise estrutural do capital e de como ela tem avançado no sentido da privatização dos bens comuns”, aponta, citando a preocupação com o aumento do desmatamento no governo Bolsonaro.

Em outubro, por exemplo, houve um salto de 212% na devastação da Amazônia, principal foco do problema, segundo levantamento do Instituto do Homem e Meio Ambiente da Amazônia (Imazon).  

O agrônomo Gabriel Brigueti, coordenador do Setor de Produção do Centro de Formação Gabriela Monteiro, conta que o Distrito Federal tem vantagens que devem facilitar a implementação local do plano. Entre elas, está a curta distância dos assentamentos para a capital federal.  

“Estar próximo a uma cidade muito grande faz você ter mais acesso a vias comerciais, principalmente porque vai ter mais acesso a viveiro de mudas, sementes. Além disso, o DF é pequeno, então, você consegue fazer uma gestão maior de pessoas. Você consegue, em um curto espaço, garantir que uma grande massa trabalhe em determinada área”, explica, acrescentando que o MST terá a tarefa de articular pessoas e grupos em torno do projeto.  

Segundo o movimento, não há uma meta específica de reflorestamento para cada estado, mas o DF deve dar sua contribuição ao país com plantios de pequi, tamarindo, pitanga, jatobá, baru, entre outros cultivos típicos da região do cerrado.

O objetivo é recuperar áreas que foram devastadas, produzindo e comercializando os cultivos resultantes do reflorestamento. Os cerca de 25 assentamentos e 15 acampamentos do MST na região do DF e do entorno devem se envolver diretamente na execução do plano.

“Ao mesmo tempo em que vamos dialogar com a sociedade sobre o caminho insustentável que a humanidade está tomando, a gente vai também conseguir um retorno socioeconômico pras famílias que estarão envolvidas nesse processo de cultivo e comercialização”, explica o dirigente nacional do MST Marco Baratto.

[Via Brasil de Fato]

Publicado em Movimentos Sociais

A Bacia Potiguar, como é chamada a região de produção de petróleo no Rio Grande do Norte, vem sofrendo com um grande processo de desinvestimentos financeiros e venda de concessões, por parte do Governo Federal. Atualmente, a área abrange 84 campos de produção de gás e petróleo, sendo a maior em quantidade no país, porém, uma das menores em produção.

Segundo dados da Agência Nacional do Petróleo, Gás Natural e Biocombustíveis (ANP), em junho de 2019, a Bacia Potiguar teve um total de produção equivalente a 39.213 barris de petróleo por dia (bbl/d), cerca de 6% a menos do que a produção, no mesmo período, em 2018 (quando chegou a 41.528 bbl/d) e 21% a menos que em 2017 (quando chegou a 49.614 bbl/d).

Desde 2015, aproximadamente metade das concessões dos campos de petróleo foram vendidas pela Petrobras, sendo as últimas em Ponta do Mel e Redonda. Embora haja a expectativa, pelo Governo, de que a venda resulte em oportunidades de emprego e abertura do mercado, o coordenador geral do Sindicato dos Petroleiros do RN (Sindpetro), Ivis Rodrigo Corsino, aponta que tal avaliação é um erro pelo quanto que a Petrobras já impacta no RN.

“A redução da atividade da Petrobrás implica, hoje, numa redução entre empregos diretos e indiretos de, aproximadamente, 50 mil pessoas no estado. A atividade de produção e exploração de petróleo e gás existe em 16 municípios, mas 97 cidades recebem recursos da atividade de petróleo”, afirma.

Das 13 refinarias que a Petrobras possui no estado, o sindicalista aponta que a empresa está colocando oito à venda, “mais da metade da capacidade de sua produção”.

O Governo Federal justifica o movimento de saída da petroleira no estado com o argumento de fim de óleo no RN, mas o discurso não é aceito pelos técnicos da área .“É só a gente fazer um exercício lógico: se a atividade de exploração e produção de petróleo e de gás no RN, e no Nordeste como um todo, for realmente deficitária e que gera prejuízo, não atrairia interesse de nenhuma outra empresa”.

“Quando estávamos na casa dos 120 mil barris de petróleo/dia, nós chegamos a investir, anualmente, no RN, aproximadamente, R$ 1,9 bi. Hoje, nós temos divulgado pela Petrobras, nos últimos anos, entre investimento, manutenção e integridade das instalações, algo em torno de R$ 200 mi. É um oitavo do que a gente investia quando produzíamos duas vezes mais do que produzimos hoje. É uma realidade da atividade de petróleo, produção está ligada a investimento”, explica.

Riscos ambientais

Além dos riscos sociais e econômicos, Ivis Rodrigo chama atenção aos problemas ambientais gerados quando a Petrobras abre mão de seus poços e os concede a empresas sem tanta tecnologia e cuidado. “Pela condição econômica dessas empresas, elas não têm a condição de fazer o tratamento ambiental dessas áreas adequadamente, como a Petrobras faria”.

“A gente poderia citar esse fato de manchas de óleo em todo litoral do Nordeste. O óleo verificado aqui é de propriedade da Shell, uma grande empresa na atividade de petróleo, mas que não teve, nem tem, a mesma capacidade de responder a passivos ambientais. Imagine isso em uma proporção muito maior, com a 3R Petroleum, que comprou o campo de Macau, recentemente, e fica numa área extremamente sensível. Além disso, a 3R nunca operou atividade de produção de petróleo no Brasil, mas vai operar numa área de poços horizontais, ambientalmente sensível”, ressalta.

Com a saída da Petrobras de uma área, Rodholfo Vasconcelos, técnico de operações e integrante do Sindepetro, aponta que o arrasamento de poços também se torna um problema às outras empresas que estão adquirindo a concessão. Isso porque, ao finalizar a produção em uma área, os poços de petróleo devem ter uma série de procedimentos, e não simplesmente serem lacrados nem esquecidos. Como há materiais inflamáveis, explosivos e contaminantes, há grandes riscos de afetar o meio ambiente e as pessoas, caso cuidados não sejam adotados.

“As condicionantes ambientais e sociais que a Petrobras está obrigada a cumprir aos órgãos ambientais, como o Ibama e Idema, requer um corpo estrutural. Para atuar naquelas áreas, precisa fazer um zoneamento da região, identificar se existe fluxo de corrente nas águas marítimas, então é uma série de condições que essas empresas precisam ter para o cuidado necessário”, destaca.

[Via Brasil de Fato]
Publicado em SINDIPETRO-RN

Desde a madrugada do dia 22/10 que os moradores de Morro São Paulo, Garapuá, Boipeba e a prefeitura de Cairu convivem com a chegada do óleo que polui a costa nordestina e já é considerado o maior desastre ambiental da história do litoral brasileiro em termos de extensão.

Morro de São Paulo, localizado no município de Cairu, terceiro local mais procurado pelos turistas, na Bahia, é conhecido por suas belas praias, fauna, flora e mata atlântica abundantes, atraindo cerca de 200 mil turistas por ano.

O Secretário Especial de Administração de Morro de São Paulo, Fabiano Campos, conta que a prefeitura montou uma força tarefa para tentar conter o óleo.  “Todos os dias a gente limpa as praias. Todos trabalham unidos para manter nossas praias limpas: o poder público, a  Marinha, os Fuzileiros Navais, os pescadores, comerciantes, empresariado e a comunidade em geral que tem atuado como voluntários”. 

Técnicos da Petrobrás que estavam ajudando a coletar o óleo – a maioria vindos do Campo de Manati –  se retiraram do local sem maiores explicações, informou o secretário. “Só sabemos que eles receberam ordens para ir para Itacaré. O problema é que no dia seguinte que o pessoal saiu daqui começou a chegar grande quantidade de óleo em praias como Garapuá. Até hoje esperamos a volta da Petrobras. Estamos contando com a Marinha e Fuzileiros Navais ,Corpo de Bombeiros e voluntários na limpeza das praias de Morro de São Paulo.  Vamos continuar lutando com todas as forças, enquanto aguardamos uma resposta positiva dos órgãos competentes que podem nos ajudar nessa questão”.

Segundo o secretário, na ilha todos vivem do comércio proporcionado pelo turismo. “Então, esse desastre vai além dos danos ao meio ambiente, mexe com a economia do local, com a vida da comunidade”, enfatiza.

Exemplos que confirmam a fala do secretário não faltam.

Hugues Carrara, 43 anos, mora há 18 anos em Morro de São Paulo  e é dono de um hotel e de um restaurante. Ele diz que já sente o impacto negativo no seu negócio após a chegada do óleo à ilha. “Apesar de não ter havido ainda cancelamento de reservas, já estamos sentindo a diminuição da procura para o réveillon e para os meses de janeiro e fevereiro. Neste momento, o consumo do pescado no restaurante  também caiu, em pelo menos 50%”.

Nascido e criado na beira da praia, em Morro de São Paulo, Fernando Santos de Oliveira, 34 anos, é pescador desde criança.  Segundo ele a chegada do óleo causou um grande  impacto  na ilha  “porque aqui tudo gira em torno do turismo e o turista que chega  tem receio de consumir o pescado e, com isso, a gente também não tem como e nem para quem vender. Nem os restaurantes estão mais querendo comprar o produto da nossa pesca”. No entanto, Fernando diz que ainda não encontrou nenhum peixe com resíduo de óleo.

Doações

De acordo com a prefeitura de Cairu já foram removidas mais de 70 toneladas de óleo.  O material foi armazenado de acordo com as recomendações dos órgãos ambientais e aguarda as providências dos mesmos para retirada dos resíduos da ilha. Fabiano  enfatiza os gastos com os  EPIs. “É tudo muito rápido, o óleo chega e a gente corre para limpar, por isso a quantidade de EPIs precisa ser sempre reposta para estarmos preparados”.

Na terça-feira (5), a prefeitura recebeu a doação de EPIs do Sindipetro Bahia através dos diretores Gilson Sampaio (Morotó) e Francisco Ramos (Chicão), que foram até à ilha para se inteirar sobre a situação da comunidade local e oferecer a ajuda da entidade sindical e dos petroleiros. O Sindipetro doou botas, luvas, máscaras e macacões, que protegem e evitam que o voluntário entre em contato direto com o óleo, o que pode causar problemas de saúde.

O coordenador do Sindipetro Bahia, Jairo Batista, ressalta a importância da Petrobras nesse processo, “mesmo com a morosidade do governo federal, a Petrobras vem colocando sua estrutura à disposição para minimizar os impactos e limpar nossas praias. Fica a pergunta: uma empresa privada disponibilizaria estrutura,  empregados sem custo algum?  Esperamos que a Petrobras continue a desempenhar o seu papel de indutora do desenvolvimento econômico,  tecnológico e social, e  prossiga atuando com responsabilidade  ambiental”. 

Garapuá foi uma das mais atingidas

Garapuá é uma pequena vila de pescadores, localizada a leste da Ilha de Tinharé, logo após a Quinta Praia de Morro de São Paulo e tem cerca de mil habitantes. Desde que o óleo chegou à praia os moradores da pequena vila não têm sossego. “Quando esse óleo chegou aqui foi uma loucura. A gente viu face a face o que a gente não queria ver. Foi aquela correria. Pegamos luvas, peneiras e começamos a limpar, teve um bocado de voluntários”, conta o Presidente da Associação de Pescadores e donos de Barcos de Garapuá (APEGA), Antônio Carlos da Cruz Santos, 47 anos.

Os moradores conseguiram se organizar e com a ajuda e orientação do IBAMA, INEMA e Petrobrás estavam fazendo um “bom e rápido trabalho de contenção do óleo”, explica Antônio. Mas a situação, segundo ele, ficou insustentável após a decisão dos órgãos e da estatal de se retirarem do local. “Eles suspenderam o trabalho na praia e a ajuda que estavam dando. E a gente como fica? Ninguém pode trabalhar todos os dias de forma voluntária. As pessoas têm filhos para criar, para alimentar. Não temos como exigir isso delas”.

Além das praias, o óleo atingiu a área de mangue de Garapuá, o que segundo os moradores torna-se um problema ainda maior. “Só as marisqueiras sabem como andar dentro do mangue, como entrar e sair de lá sem se cortar nas ostras ou se perder. Mas elas precisam de orientação para fazer esse serviço”, revela José Carlos da Cruz Santos, o Zequinha, 52 anos, pescador, filho de marisqueira e dono de uma pousada no local.

“Encontramos uma grande quantidade de óleo nas raízes aéreas dos mangues. Fotografamos e enviamos para o INEMA, IBAMA e Petrobras. A orientação é para que a gente não entre no local. Mas enquanto isso a situação só piora. Se a ajuda demorar muito não sei o que será de nós”, fala, angustiada, a Presidente da Associação de Moradores e Amigos de Garapuã (Amaga), Jailma Rafael Santos, 34 anos.

Jailma tem outra grande preocupação. “Somos uma comunidade que vive da pesca, do turismo e da mariscagem. Tudo isso está nos afetando profundamente. Se o turista não vem, se não comprarem nosso pescado, nosso marisco. Como vamos sobreviver? Acreditamos que com ajuda, possivelmente, podemos conseguir resolver essa situação até a chegada do verão”.

[Via Sindipetro Bahia -Fotos- Milly Lima]

Publicado em SINDIPETRO-BA

Os impactos do maior derramamento de petróleo da história do país foram subestimados pelo governo brasileiro.

Além de demorar a agir e não seguir o protocolo para estas emergências, o governo neste ano reduziu o orçamento de órgãos que deveriam ter atuação fundamental na contenção do óleo. William Nozaki, diretor-técnico do Instituto de Estudos Estratégicos do Petróleo (Ineep) levou os dados em entrevista ao serviço em espanhol do Russia Today, canal internacional russo. 

"O governo parece ter subestimado o impacto que este evento poderia causar e tratou inicialmente como se fosse um vazamento ordinário. As Forças Armadas tiveram um bloqueio de 44%, somando um total de R$ 5,8 bilhões. No Ibama, o corte foi de 24%", explica. 

Nozaki detalhou ainda que apesar de o óleo cru ser matéria orgânica, ele pode ficar no mar por duas ou três décadas até ser reabsorvido pela natureza, e deixando danos para os seres vivos e para os biomas, daí a importância de se identificar rapidamente e retirar esse óleo dos oceanos.

Na última sexta-feria (1º), a Polícia Federal apontou um navio grego como responsável pelo derramamento de óleo que afetou as praias do Nordeste. Os responsáveis pela embarcação negam.

[Via INEEP | ]Foto: Carlos Ezequiel Vannoni/Agência Pixel Press/Folhapress]

 

Publicado em Petróleo

No dia que completa quatro anos do crime socioambiental das mineradoras Samarco, Vale e BHP Billiton, cerca de 200 atingidos por barragens nas bacias do rio Doce, do rio Paraopeba e do rio Jequitinhonha bloqueiam a MG 129-saída para Barão de Cocais- em Mariana na manhã desta terça-feira (5).

A insatisfação dos atingidos é na reparação dos danos causados pelo rompimento da barragem de Fundão feito pela empresa publicitária das mineradoras, Fundação Renova, que cumpre o papel de enrolar os atingidos, negar direitos e criar conflitos nas comunidades na bacia do Rio Doce.

Os atingidos questionam a volta da operação da mineradora Samarco, no momento que não existe a reparação socioambiental na bacia do rio Doce e no litoral do Espírito Santo. Há quase uma semana, a empresa obteve a Licença de Operação Corretiva (LOC), liberada pelo Conselho Estadual de Política Ambiental (Copam).

O Movimento dos Atingidos por Barragens (MAB) denuncia que a Fundação Renova tem a tarefa de enrolar os atingidos. Passados quatro anos, os atingidos estão longe de ver seus problemas resolvidos. São 362 famílias que não tiveram reassentamento coletivo e milhares de trabalhadores sem empregos. São pescadores, agricultores e comerciantes sem fonte de renda e não obtiveram nenhuma reparação.

Os atingidos pressionam para a contratação imediata das Assessorias Técnicas escolhidas pelas comunidades atingidas em dezembro de 2018 e homologadas em agosto de 2019. As Assessorias Técnicas são um importante instrumento técnico para subsidiar a luta na garantia dos direitos dos atingidos.

Os atingidos permanecem unidos e organizados na luta por direitos humanos em Minas Gerais e contra os crimes da mineração.  A atividade faz parte da Jornada de Lutas dos Atingidos- A Vale Destrói, o Povo Constrói- que tem como eixo a construção solidária de um lar para uma família atingida de Barra Longa.

Protesto em frente à sede da Vale

O MAB e o Levante Popular da Juventude também fizeram uma intervenção em frente a sede da Vale, no bairro de Botafogo, no Rio de Janeiro. A tarde novas intervenções com esquetes e panfletagens acontecerão no centro da cidade, no Boulevard da Carioca e na Praça XV.

A cada dia que passa, novos elementos surgem para comprovar a negligência e imprudência da Vale, e a leniência de órgãos públicos diante do poder econômico da empresa. O lucro dos acionistas sempre esteve à frente da proteção da vida e do meio ambiente ameaçado por seus empreendimentos.

[Via MAB]

Publicado em Movimentos Sociais

Enquanto o povo sofre as consequências do óleo derramado no litoral nordestino, o governo Bolsonaro quer entregar às multinacionais uma das maiores reservas de petróleo da atualidade.

Mais de 15 bilhões de barris de óleo do Pré-Sal que serão leiloados correm o risco de serem explorados de forma predatória, enquanto o governo comemora a possibilidade de receber bônus que não representam sequer 10% das perdas financeiras que o país amargará ao longo das próximas décadas.

As quatro áreas do Pré-Sal que serão licitadas estão localizadas na Bacia de Santos, em uma região que já havia sido negociada pela União com a Petrobrás em 2010, mas cuja produção excedente não estava coberta pelo contrato, a chamada “cessão onerosa”. Um dos blocos que serão leiloados é o de Búzios, considerado o maior campo de produção offshore do mundo, cujas reservas estimadas representam cerca de 70% de todo o petróleo produzido no país até hoje.

A desnacionalização das reservas brasileiras de petróleo terá consequências gravíssimas para a soberania, a economia dos estados e municípios e o meio ambiente.

Para impedir a concretização deste crime, a FUP e seus sindicatos ingressaram com ações na Justiça, cobrando a suspensão do mega leilão, marcado para quarta-feira (6), no Rio de Janeiro.

Uma das ações populares está em nome do coordenador da FUP, José Maria Rangel, que contesta os prejuízos do leilão e seus impactos ambientais. A ação foi ingressada no Distrito Federal contra o Ministério do Meio Ambiente, o IBAMA e a Agência Nacional de Petróleo (ANP). Ele denuncia a falta de uma avaliação correta dos impactos ambientais na Bacia de Santos.

Em outra ação popular, protocolada na Justiça Federal de São Paulo, representantes de sete sindicatos de petroleiros filiados à FUP - Unificado de São Paulo, do Rio Grande do Sul, do Paraná e Santa Catarina, de Minas Gerais, da Bahia, de Pernambuco e Paraíba e do Rio Grande do Norte- contestam a legalidade do leilão da cessão onerosa do Pré-Sal e seus prejuízos financeiros para o estado brasileiro.  

Segundo a ação, “a Lei 12.276 - Lei de Cessão Onerosa e Lei 12.351 - Marco do Pré-Sal não dispõem sobre licitações de blocos coincidentes com campos já declarados comerciais sob o regime de cessão onerosa e nem a possibilidade de acordo de coparticipação, como prevê o Edital do Leilão”.

Brasil perderá R$ 1,2 trilhão com a entrega da cessão onerosa

Em um estudo técnico de mais de 80 páginas, os ex-diretores da Petrobrás, Ildo Sauer e Guilherme Estrella, denunciam os prejuízos que o povo brasileiro terá com o mega leilão da cessão onerosa do Pré-Sal .

“Para o cenário mais provável de volume máximo dos campos e preço do petróleo de 60 dólares por barril, a perda da União seria da ordem de 300 bilhões de dólares ao longo dos 30 anos da operação dos campos, sendo que a maior parte destes recursos são gerados nos anos iniciais do desenvolvimento da produção”, destaca o estudo.  

Ou seja, o Brasil perderá o equivalente a 1,2 trilhão de reais, o que equivale a quase 20% do PIB de 2018.

“Nenhum dos países detentores de grandes reservas, com potencial impacto na Geopolítica do petróleo, quando os recursos naturais pertencem ao Estado, como no Brasil, promovem leilões deste tipo: ou exploram os recursos mediante empresa 100% estatal, ou outorgam contratos de prestação de serviços, quando necessário, como os propostos aqui em contraposição ao leilão”, alertam os ex-diretores da Petrobrás no documento.


Acesse aqui a íntegra do estudo técnico feito por Ildo Sauer e Guilherme Estrella


 

Publicado em Petróleo

Óleo nas praias do Nordeste. Fogo na Amazônia. Lama de mineradoras em Minas Gerais. Proliferação de agrotóxicos por todo o país. Ao comentar as “catástrofes” que em diferentes dimensões assolam o Brasil nos últimos tempos, o professor, escritor e sociólogo Jessé Souza explica que os cidadãos jamais serão suficientemente informados sobre as causas dessas tragédias pelos meios de comunicação convencionais. Para ele, a mídia comercial produz “informação aparente, aquela que informa sem esclarecer”, por isso é parte da desinformação.

Jessé Souza denuncia o capitalismo norte-americano como principal interessado no desmantelamento da capacidade dos Estados nacionais de exercer qualquer regulação e de intermediar o processo de desenvolvimento. O sociólogo cita o investimento de grandes magnatas do capitalismo em ações de comunicação como forma de propagar o ideário neoliberal conservador.

E menciona os irmãos Charles e David Koch (este morto em agosto) entre os grandes financiadores de grupos de direita pelo mundo, movidos justamente pelo interesse no desmonte do Estado. (Os irmãos Koch são apontados, por exemplo, como patrocinadores da movimentação midiática – sobretudo nas redes sociais – que inflamou os protestos de 2013 e deu origem ao clima que levaria ao impeachment da ex-presidenta Dilma Rousseff.)

O sociólogo, autor de A Classe Média no Espelho e de A Elite do Atraso, conta que está finalizando mais um livro. Ele afirma que o desprezo pelas questões ambientais, encorajado pelos governos de Donald Trump e de Jair Bolsonaro, são uma evidência de que a união do campo de resistência democrática nos dias de hoje deve necessariamente agregar a defesa da sustentabilidade, das liberdades civis e dos direitos sociais sociais.

Assista: 

Publicado em Petróleo
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A Federação Única dos Petroleiros (FUP) foi criada em 1994, fruto da evolução histórica do movimento sindical petroleiro no Brasil, desde a criação da Petrobrás, em 1953. É uma entidade autônoma, independente do Estado, dos patrões e dos partidos políticos e com forte inserção em suas bases.

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