O julgamento do pedido de habeas corpus feito pela defesa do ex-presidente Lula, sob o argumento de que o ex-juiz Sergio Moro agiu com parcialidade e motivação política, está previsto para ocorrer nesta terça-feira (4), a partir das 14h, pela Segunda Turma do Supremo Tribunal Federal (STF).

Juristas que acompanham e estudam o processo envolvendo o ex-presidente Lula acreditam que, embora do ponto de vista jurídico o pedido de habeas corpus tenha fundamento, uma vez que Sergio Moro aceitou o pedido para assumir o Ministério da Justiça no governo do presidente eleito Jair Bolsonaro e escancarou o viés político de suas decisões contra o ex-presidente, o fato de o STF agir politicamente e ditar, ultimamente, os rumos do país, pode fazer os ministros da Corte decidir pela não liberdade do ex-presidente.

“Moro confessou que, ao longo da campanha de Jair Bolsonaro, ele já pensava em ser ministro. Mas o problema é que não estamos vivendo uma situação muito favorável em razão das decisões políticas que o STF tem tomado”, diz o ex-ministro da Justiça, Eugênio Aragão.

O professor de Direito Penal da Escola Paulista de Direito, Fernando Hideo Lacerda, acredita que o país passa por um momento político excepcional. Segundo ele, em qualquer país do mundo que se preserve a Constituição, as decisões de Sérgio Moro e sua indicação para o ministério de Bolsonaro seriam um escândalo sem precedentes.

“Moro divulgou áudios de uma presidenta, condenou um ex-presidente sem provas, vazou áudios da delação de Palocci às vésperas da eleição com o intuito claro de prejudicar a campanha presidencial do PT, acelerou e desacelerou o julgamento de Lula de acordo com os interesses eleitorais”, lembra.

O jurista lembra ainda que o atual presidente do STF, Dias Tofolli, nomeou como seu assessor especial o general Fernando Azevedo e Silva, que logo depois foi indicado por Bolsonaro para ser Ministro da Defesa.

“As instituições estão totalmente dominadas, se venderam a interesses particulares. Moro é, no mínimo, suspeito. Porém, há o risco de que os ministros possam não respeitar a Constituição mais uma vez”.

A expectativa um pouco mais otimista é de William Santos, da Frente Brasileira de Juristas pela Democracia e presidente da Comissão de Direitos Humanos da OAB/MG. Ele acredita que Lula poderá ter a sua liberdade decretada integralmente ou poderá cumprir a pena em prisão domiciliar, embora o próprio ex-presidente seja resistente à ideia por querer provar sua inocência até o final.

“Em um cenário mais otimista, existem duas possibilidades: os ministros podem acatar o HC integralmente e libertar Lula, ou podem discutir se é liberdade plena ou progressão de regime, o que pode implicar em prisão domiciliar, com restrição de locomoção. E isso independentemente de o Lula querer ou não”, explica William, que concorda com a avaliação de que a atuação de Moro foi evidentemente política ao condenar monocraticamente o ex-presidente.

“Temos visto Moro agir com parcialidade e isso ficou evidente quando ele renunciou ao cargo de juiz e falou já na condição de Ministro da Justiça", diz o jurista, que, apesar de estar otimista, reconhece que o Poder Judiciário foi afetado pela atual conjuntura política do país.

“A separação dos poderes é essencial na doutrina, nas teorias, mas nossa realidade é diferente. E isso ficou ainda mais claro quando vimos o sistema virar as costas a uma Comissão de Direitos Humanos da Organização das Nações Unidas que pedia a liberdade de Lula, embora o Brasil tenha assinado um tratado internacional em que se sujeita a sanções e regras do direito internacional da ONU”, lamenta o jurista.

Vagner Freitas pede que injustiça contra Lula seja reparada   

O presidente nacional da CUT, Vagner Freitas, em entrevista a TV Brasil 247, disse que gostaria de ver Lula em casa, com sua família, seus netos, como deveria ser desde o início do processo que levou o ex-presidente a ser mantido como preso político na sede da Superintendência da Polícia Federal, em Curitiba.

“Não vou fazer nenhuma análise jurídica porque não sou advogado, sou bancário, mas quero muito que essa injustiça enorme com Lula fosse só um pouquinho reparada nesta terça. Que ele possa cumprir a pena em casa para que possamos finalmente provar a sua inocência”, disse Vagner.

“Sabemos que eles querem acabar com o mito Lula, com a maior liderança popular viva do país, porque Lula é a cara do povo brasileiro”.

Os ministros da Segunda Turma

A Segunda Turma da Corte é composta pelo relator Edson Fachin e os ministros Gilmar Mendes, Celso de Mello, Cármen Lúcia e Ricardo Lewandowski.

O pedido de liberdade de Lula se baseia na suspeição do ex-juiz Sérgio Moro. A defesa alega que Moro agiu politicamente e com parcialidade no julgamento do ex-presidente Lula e que a suspeição foi confirmada após o ex-juiz ter aceitado o convite do presidente eleito Jair Bolsonaro para ser ministro da Justiça no novo governo.

[Via CUT]

Publicado em Política

Marinete da Silva e Antonio Francisco da Silva Neto, pais da vereadora do PSOL assassinada no Rio de Janeiro, Marielle Franco, visitam a Vigília Lula Livre nesta terça-feira (4). Os dois passarão a tarde e o início da noite em Curitiba, em especial para participar da inauguração do Centro de Formação e Cultura Marielle Vive, que homenageia a filha do casal.

O ato de inauguração do Centro de Formação será às 17h. Antes disso, os pais da vereadora participam de outras agendas na Vigília, como do “boa tarde” ao presidente Lula, de uma roda de conversa e do plantio de duas mudas de araucária – em homenagem a Marielle e a Anderson Gomes, motorista assassinado junto com a vereadora. (Confira a programação completa abaixo)

Formação e cultura

O Centro de Formação e Cultura Marielle Vive integra o conjunto de locais que compõem a vigília permanente pela liberdade de Lula. O novo espaço fica a cerca de 100 metros da Superintendência da Polícia Federal (PF), onde o ex-presidente é preso político há 151 dias.

Um muro interno de aproximadamente 30 metros servirá como uma exposição a céu aberto. Ainda em fase de conclusão, a obra traz retratos realistas de teóricos e lideranças mundiais da esquerda, como Karl Marx, Rosa Luxemburgo, Fidel Castro, Hugo Chávez e a própria Marielle Franco. O trabalho é feito por um jovem artista do Movimento dos Trabalhadores Rurais Sem Terra (MST).

O espaço abriga um salão para formações e exibição de filmes, com capacidade para 150 pessoas. Além de jardim, viveiro de mudas e minhocário, a cozinha comunitária da vigília também funciona no local. Ali são preparados café da manhã, almoço e jantar para as pessoas vindas de outras cidades para participar das atividades nos arredores da PF.

A preparação e reforma do espaço durou cerca de 70 dias, resultado de trabalho voluntário e de doações. O Centro de Formação é resultado da articulação entre o conjunto de entidade sindicais e movimentos que mantêm a Vigília Lula Livre há cinco meses, entre elas o próprio Partido dos Trabalhadores, o Sindicato dos Metalúrgicos do ABC Paulista, o Movimento dos Trabalhadores Rurais Sem Terra, a Central Única dos Trabalhadores (CUT-PR), a Via Campesina, a Federação Única dos Petroleiros (FUP), os Sindicatos dos Petroleiros e dos Petroquímicos (Sindipetro e Sindiquímica), movimentos populares, mídias alternativas, entre outros.

Local: O Centro de Formação e Cultura Marielle Vive fica na Rua Guilherme Matter, 362, bairro Santa Cândida.

Programação completa

14h30 – “Boa Tarde, presidente Lula” – com a presença dos pais da Mariele Franco, Marinete da Silva e Antonio Francisco da Silva Neto, e da cantora Brinsam N’tchala.

15h – Plantio de duas mudas de pinheiro, representando Marielle Franco e Anderson Gomes – “Tentaram nos enterrar, mas não sabiam que éramos semente”.

15h40 – Roda de conversa “A impunidade contra os lutadores do povo – indignação transformada em resistência”, com os pais da lutadora Marielle Franco, Marinete da Silva e Antonio Francisco da Silva Neto.

17h – Ato de inauguração do Centro de Formação e Cultura Marielle Vive.

18h – Leitura dramática do texto “Ordens de Cima”, de Pedro Carrano, com Susi Monte-Serrat, João Bello e Carlinhos do MST.

[Via Revista Fórum]

Publicado em Movimentos Sociais

No 22º dia de greve de fome, a Frente Brasil Popular convocou a militância para uma mobilização nestas terça (21) e quarta-feira (22), em frente ao Supremo Tribunal Federal (STF), em apoio aos ativistas que estão sem se alimentar desde o dia 31 de julho.

Os manifestantes exigem que seja cumprida a determinação do Comitê de Direitos Humanos da Organização das Nações Unidas (ONU) de que o Estado Brasileiro garanta a Lula os direitos políticos e de participação nas eleições presidenciais deste ano.

Eles acusam o Poder Judiciário de violar a Constituição e impedir o povo de escolher pelo voto, soberanamente, nas eleições deste ano, o próximo Presidente da República.

A Greve de Fome por Justiça exige, ainda, que o STF paute as Ações Declaratórias de Constitucionalidade (ADCs) 43 e 44, que tratam da prisão após condenação em segunda instância, como é o caso do ex-presidente Lula, mantido preso político na sede da Superintendência da Polícia Federal, em Curitiba (PR), desde o dia 7 de abril.

Lula foi condenado pelo juiz Sérgio Moro no caso do tríplex do Guarujá, sem crime nem provas de qualquer ato ilegal. O que foi comprovado é que o apartamento não pertence ao ex-presidente e, sim, a construtora OAS. Mesmo assim, o Tribunal Regional Federal da 4ª Região (TRF4) confirmou a decisão de Moro.

Os grevistas querem que Lula responda o processo em liberdade até o caso ser decidido na última instância da Justiça. Eles acusam o Poder Judiciário de violar a Constituição e impedir o povo de escolher pelo voto, soberanamente, nas eleições deste ano, o próximo Presidente da República.

Fé na luta

No ato religioso realizado nesta segunda, com o estado de saúde delicado por conta da desnutrição, os ativistas acompanharam sentados, com velas nas mãos, as mensagens de alguns representantes de diferentes religiões.

Rafaela Alves, uma das manifestantes, chegou a declarar que morreria feliz por lutar até os últimos dias.

"Ai daqueles que promovem a fome, que tiram direitos dos trabalhadores", afirmou.

Rafaela mandou uma mensagem para aqueles que fazem julgamentos injustos e ignoram a vontade do povo.

“Na minha cabeça, Jesus diz ‘ai daqueles que promovem a fome, que tiram direitos dos trabalhadores, que se atrevem a tirar a vida de seus irmãos, que não se comprometem com o sonho das gerações, que simplesmente vivem em torno de seus interesses e passam por cima de tudo e todos’”.

Laudo médico sobre os riscos à saúde

Há três semanas ingerindo apenas água e soro, os sete ativistas já apresentam sintomas, como dores musculares, cefaleia, queda da pressão arterial e da temperatura corporal, além de desidratação e hipoglicemia. Eles estão usando camas hospitalares para repousar e se deslocando em cadeiras de rodas.

Um dos médicos responsáveis pelo acompanhamento dos ativistas, Ronald Wolff, que já acompanhou outras três greves de fome, disse que o período prolongado sem alimentação acarreta riscos severos e imprevisíveis para os sete e orientou o grupo a interromper o protesto.

Apesar dos conselhos, os grevistas reafirmaram que seguirão até “as últimas consequências”. Todos são unânimes em apontar que a responsabilidade pelo agravamento da saúde de cada um deles é dos ministros do STF.

Em entrevista a Rádio Brasil Atual, o médico disse que o quadro de saúde dos ativistas é bastante grave e que ele e sua equipe estão se preparando para a interrupção da greve de quem precisar.

"Não vamos permitir que qualquer um deles seja exposto a um risco, sequelas permanentes ou a um perigo real de morte”.

Manifesto

No primeiro dia da greve de fome, os ativistas pediram audiências aos 11 ministros do Supremo. Até o momento, foram atendidos pela presidente, ministra Carmen Lúcia, que ouviu um dos grevistas; pelo ministro Ricardo Lewandowski, que recebeu todos os ativitas, e pelos funcionários do ministro Gilmar Mendes. Aguardam para os próximos dias a possibilidade de audiências com os demais.

Os grevistas

Frei Sérgio Görgen, 62 anos, gaúcho, dirigente do Movimento dos Pequenos Agricultores (MPA), diz que os ministros do STF precisam voltar a ter algum tipo de conexão com a população brasileira.

Rafaela Alves se manifesta por meio de versos: “A situação está extrema / Para onde vai a nação? / Com epidemias, desemprego / Sem saúde, educação / Políticas Sociais extintas / Resta abandono destruição. / Contra negros, jovens, mulheres / A violência só alimenta / Os preços desenfreados / O povo já não aguenta / A mídia segue mentindo / Nossas redes a enfrenta”.

Completando 68 anos em meio à Greve de Fome, Gegê Gonzaga, paraibano radicado em São Paulo, representa a Central dos Movimentos Populares (CMP), tem uma vida inteira dedicada à luta social. Segu8ndo ele, “a resposta precisa começar de baixo pra cima e não de cima para baixo, somente assim o pobre, o trabalhador, o negro, o indígena, o camponês vão ter espaço de representação”.

Já a avó-coragem, Zonália Santos, 48 anos, assentada da reforma agrária em Rondônia, não hesitou em deixar a rotina junto dos filhos e netos para agregar a força e a garra da mulher sem-terra na greve de fome. “Nós não estamos aqui nos manifestando apenas pelo direito do presidente Lula em ter um julgamento justo, nós estamos manifestando nossa contrariedade com a volta da fome, da miséria da exploração”.

O pernambucano Jaime Amorim, 58 anos, dirigente do MST e da Via Campesina, diz que o ato reafirma sua opção política e coloca em destaque denúncias que têm sido ignoradas pelo Poder Judiciário, que tem se mostrado subserviente ao grande capital.

“Passar fome nesta greve é uma opção militante, colocamos nossas vidas aqui para que se possa evitar que milhões de brasileiros e brasileiras passem fome por não ter comida na mesa, passem fome por não ter opção”, afirmou.
Também militante do MST, Vilmar Pacífico, 60 anos, veio do Paraná, falou sobre a indignação de um povo que enfrenta diariamente a pressão e a agressão por parte das forças do estado. “A justiça deveria servir ao povo, deveria ser o lugar onde pudéssemos nos socorrer, mas a verdade que temos observado a cada dia é que ela também está se prestando ao serviço do capital e virando as costas para aqueles a quem deveria cuidar”.

Já Leonardo Soares, 22 anos, do Levante Popular da Juventude, que aderiu à luta em 6 de agosto, diz que “essa greve de fome tem a função de fomentar a participação e a organização do povo”. Segundo ele, a luta que os ativistas empreendem é por uma causa justa, que aglutina o povo e propõe a organização como ferramenta principal na disputa que se configura no atual processo.

[Via CUT, com informações de Adilvane Spezia, da MPA e Rede Soberania; e Equipe de Comunicação da Greve de Fome]

Publicado em Movimentos Sociais
Quinta, 16 Agosto 2018 15:56

Petroleiros com Lula

Os petroleiros mais uma vez fizeram história, protagonizando um momento único no País: o registro coletivo da candidatura de Luiz Inácio Lula da Silva à Presidência do Brasil. A coligação “’O Povo Feliz de Novo”, que reúne PT, PCdoB e PROS em torno da candidatura de Lula e Fernando Haddad, foi registrada na quarta-feira (15), no Tribunal Superior Eleitoral (TSE), com o respaldo de cerca de 50 mil manifestantes que ocuparam Brasília para defender a inocência do ex-presidente e seu direito de disputar a eleição.  

“Entendemos que só um projeto popular e democrático, focado nos interesses do povo e na soberania nacional, pode mudar o destino do Brasil”, afirmou Simão Zanardi, coordenador da FUP, destacando que a eleição de outubro definirá os rumos da Petrobrás. “Ou vamos cair de vez no entreguismo e nas privatizações ou retornaremos para a soberania e a democracia”, alertou.

Cerca de 300 petroleiros participaram da mobilização em Brasília, com caravanas e representações de vários estados do país. Os trabalhadores se somaram à Marcha Lula Livre, que saiu do Estádio Mané Garrincha em direção ao TSE, cortando o Eixo Monumental.

Pela primeira vez na história do país, uma candidatura foi registrada coletivamente, com o respaldo de milhares de brasileiros e brasileiras. Ao lado da deputada federal Manuela D’Ávila (PCdoB), que integra a coligação “O Povo Feliz de Novo”, o ex-prefeito de São Paulo e ex-ministro da Educação, Fernando Haddad, ressaltou a singularidade e importância do ato político. “O registro da candidatura de Lula à presidência da República não é um ato de desobediência à lei e sim um ato de obediência ao povo e à Constituição Federal", afirmou.

Preso político desde 07 de abril na sede da Polícia Federal, em Curitiba, o ex-presidente lidera todas as pesquisas eleitorais. A última consulta feita pelo Vox Populi, entre os dias 18 e 20 de julho, revela que as intenções de voto em Lula aumentaram para 41% contra 39% registrado em maio. Já a soma de todos os outros adversários alcançou 29%.

“Vamos nos espalhar pelo Brasil para, nas ruas, no trabalho, nas redes sociais, mas, principalmente, olhando nos olhos das pessoas para lembrar que esse país um dia já foi feliz e que os mais pobres estavam contemplados no orçamento da União como investimento, e não como despesa”, conclamou Lula em carta à militância, que foi lida por Haddad durante a manifestação em frente ao TSE.

“Vamos dialogar com aqueles que viram que o Brasil saiu do rumo, estão sem esperança, mas sabem que o país precisa resolver o seu destino nas urnas, não em golpes ou no tapetão. Lembrar que com democracia, com nosso trabalho, o Brasil vai voltar a ser feliz”, ressaltou o ex-presidente, lembrando aos manifestantes que enquanto ele estiver preso, “cada um de vocês será a minha perna e a minha voz. Vamos retomar a esperança, a soberania e a alegria desse nosso grande país”, afirmou em um trecho da carta.

[FUP]

 

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Publicado em Política

Na última quarta-feira (08), foi concluído o processo eleitoral para a nova diretoria do Sindiquímica Paraná. Com participação de 80% dos associados, a chapa única Lula Livre foi eleita por unanimidade pelos trabalhadores.

O diretor do Sindiquímica, Gerson Castellano, ressalta que, apesar desta ser a quinta eleição consecutiva com chapa única, os trabalhadores não abrem mão da eleição, pois defendem incondicionalmente o processo democrático de escolha dos seus representantes. “Refutamos qualquer outra forma de referendo, seja por aclamação ou indicação que faça perpetuar as direções, sem eleições diretas”, ressaltou. Outro ponto destacado por Castellano é o nome da chapa “Lula Livre”, que reflete o total apoio da categoria ao ex-presidente Lula. “A categoria sabe a importância dessa bandeira, tanto que compareceu em massa à votação e elegeu a chapa por unanimidade”, afirmou.

A posse da nova diretoria do Sindiquímica Paraná será realizada no dia 14 de setembro e o mandato tem início no dia seguinte com o novo coordenador geral, Santiago da Silva Santos, à frente da entidade. Castellano destaca a importância da renovação, com grande participação dos jovens na direção e rodízio dos trabalhadores na Coordenação do sindicato. Ele lamenta a baixa participação feminina no quadro de associados, o que se reflete na diretoria da entidade. “Hoje temos apenas três petroquímicas filiadas. Sabemos que essa falta de aproximação com o sindicato se deve muito ao assédio que elas sofrem dentro da empresa, mas estamos trabalhando para mudar esse quadro”, afirmou.

A FUP parabeniza cada um dos petroquímicos e petroquímicas que priorizaram a luta e participaram da eleição, respeitando e fortalecendo a democracia sindical. Desde que teve início o processo eleitoral para renovação das diretorias dos sindicatos petroleiros, a categoria vem referendando nas urnas as chapas apoiadas pela FUP, o que comprova a importância de sindicatos atuantes, classistas e comprometidos com a defesa da soberania, da democracia e das conquistas da classe trabalhadora.

[FUP]

Publicado em Trabalho
Em defesa da democracia e da soberania nacional

Esta é uma semana decisiva que influenciará diretamente nos rumos políticos do país. O registro da candidatura de Luiz Inácio Lula da Silva à Presidência da República será feita nesta quarta-feira (15), no Tribunal Superior Eleitoral (TSE), em Brasília, com o respaldo de milhares de brasileiros, entre eles os petroleiros. A FUP e seus sindicatos se somarão às centenas de caravanas de movimentos sindicais e sociais que saíram de vários estados em direção à capital federal para defender a inocência de Lula e garantir o seu direito de disputar democraticamente a eleição. 

Encarcerado como preso político há mais de 120 dias na sede da Polícia Federal, em Curitiba, o ex-presidente lidera todas as pesquisas eleitorais. A última consulta feita pelo Vox Populi, entre os dias 18 e 20 de julho, revela que as intenções de voto em Lula aumentaram para 41% contra 39% registrado em maio. Já a soma de todos os outros adversários alcançou 29%.

Lula é o candidato do povo e o único capaz de recuperar o país dos estragos feitos pelos golpistas. Por isso, ele é mantido preso, sem provas, pelos setores que apoiam o golpe, enquanto manifestações populares e do campo da esquerda eclodem dentro e fora do Brasil por sua liberdade.

Os petroleiros, que foram uma das primeiras categorias a alertar para o golpe que estava sendo gestado desde 2014, com os reiterados ataques contra a Petrobrás e o Pré-Sal, sabem que somente a retomada do projeto popular democrático liderado por Lula poderá barrar e reverter os processos de privatizações e de desmonte das políticas sociais e desenvolvimentistas.

Plenária da FUP aprovou apoio a Lula

Por unanimidade, a VII Plenária Nacional da FUP, realizada entre os dias 01 e 05 de agosto, deliberou pela massiva participação dos petroleiros na manifestação desta quarta-feira (15) em Brasília e apontou que uma das lutas centrais da categoria deve ser a eleição de Lula e de um congresso representativo dos trabalhadores.

Por Lula livre e presidente, seguiremos na luta para que o Brasil volte a ser feliz de novo.

Leia também: 

Marcha Nacional Lula Livre chega a Brasília
Petroleiros prestam apoio a militantes que estão em greve de fome por justiça e liberdade para Lula

 

[FUP]

Publicado em Movimentos Sociais

A Marcha Nacional Lula Livre, com mais de 5 mil integrantes do Movimento dos Trabalhadores Rurais Sem Terra (MST) e de outros movimentos da Via Campesina, teve início sábado (11) e está cada mais perto de Brasília, onde, na quarta-feira (15), os militantes vão acompanhar o registro da candidatura do ex-presidente Lula a Presidência da República.

A Marcha faz parte do calendário de lutas pela libertação de Lula, mantido preso político desde 7 de abril, na sede da Superintendência da Polícia Federal em, Curitiba; e também em defesa dos direitos da classe trabalhadora do campo e da cidade, e pela manutenção das políticas públicas, principalmente nas áreas de educação e saúde, as mais afetadas pelo congelamento dos gastos determinado pelo golpista e ilegítimo de Michel Temer (MDB-SP).

Os militantes partiram de três pontos diferentes – Formosa (GO), Luziânia (GO) e Engenho das Lages (DF) – e cada uma das colunas vai percorrer entre 50km e 90 km, com paradas em cidades no trajeto para conversas com a população local. A Coluna Prestes, que saiu de Luziânia e conta com militantes do Sul e do Sudeste; a Coluna Tereza de Benguela partiu do Engenho das Lajes com trabalhadores das regiões Norte e Centro-Oeste; e a Coluna Ligas Camponesas, formada por militantes de oito estados do Nordeste saiu de Formosa.

A partir desta segunda-feira (13), quanto mais próximos da capital federal estiverem, os militantes esperam ter mais interação com a população, o que é “muito importante porque a gente entra em um processo de diálogo mais intenso com a sociedade — vamos pegar uma parte da cidade mais populosa, uma parte mais densa da marcha”, diz o integrante da direção nacional do MST, Marco Barato. Além disso, diz o dirigente, hoje os organizadores iniciam a preparação para outro momento importante da Marcha Lula Livre, que é o encontro das três colunas nesta terça-feira (14).

"Estamos passando por um momento crítico em que há uma prisão arbitrária do presidente Lula, há mais de cento e vinte dias. Estamos imersos em uma crise política e nos aproximando das eleições presidenciais e a Marcha é um momento para dialogar com a população brasileira sobre o que está acontecendo no nosso país", analisa Ceres Hadich, da direção nacional do MST no Paraná.

Segundo os organizadores, a marcha chega a Brasília na quarta-feira (15).

Nobel da Paz acompanha a marcha

O ganhador do Prêmio Nobel da Paz e ativista pelos Direitos Humanos, Adolfo Pérez Esquivel, está acompanhando a marcha desde a manha desta segunda e afirma que está presente na mobilização em solidariedade ao povo do Brasil e pela liberdade de Lula.

"Temos que ter em conta que esta política, que tentam retirá-lo das eleições, está sendo replicada em todo o continente Latino Americano, como em Honduras e Paraguai, por exemplo. A extrema-direita está avançando na dominação dos povos. Por isso gritamos "Lula Livre", e que o povo brasileiro decida quem tem que governá-lo".

"A Marcha Nacional Lula Livre é uma forma de demonstrar que o povo tem sua força, sua organização e seu projeto”, explica Antônia Ivoneide, também da direção do MST. “E esse projeto enxerga em Lula a possibilidade real de reverter as maldades que o Golpe de 2016 trouxe para o povo pobre: fome, desemprego, ataques à saúde e educação, aumento da violência e entrega das riquezas nacionais”. 

[Com informações do MST, CUT e Rede Brasil Atual]

Publicado em Movimentos Sociais

Dia do Basta dos metalúrgicos paulistas, nesta sexta-feira (10), começou com diversas paralisações em fábricas. A principal mobilização, no ABC Paulista, começou ainda na madrugada, na Mercedes-Benz. O objetivo é denunciar a perda de direitos e protestar contra o desemprego, o preço do combustível e a prisão do ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva.

Além das paralisações pela manhã, houve distribuição de boletins sobre as razões dos protestos nas fábricas da base, que abrange também Diadema. Em seguida, o sindicato organizou caravana para o ato das centrais em frente à Fiesp, na Avenida Paulista.

O presidente do Sindicato dos Metalúrgicos do ABC, Wagner Santana, o Wagnão, observou que as manifestações de são "contra todos os ataques que a classe trabalhadora está sofrendo, na defesa de um mundo mais solidário em que os trabalhadores tenham empregos com carteira assinada, condições de trabalho, saúde e educação públicas", disse.

Já o presidente da Confederação Nacional dos Metalúrgicos da CUT (CNM-CUT), Paulo Cayres, lembrou que para reverter os retrocessos a luta também será nas eleições deste ano. "O nosso papel é alertar os trabalhadores sobre os riscos dos ataques que estamos sofrendo e a necessidade de ampliar a luta, com esforço e garra, para reverter a situação e retomar o crescimento econômico do país", afirmou.

Secretário-geral Aroaldo Oliveira da Silva fala na Avenida Paulista

 

Em São José dos Campos, região do Vale do Paraíba, o sindicato local promoveu protestos em dez fábricas. Em duas delas, a JC Hitachi e Prolind, decidiram parar por duas horas.

Os metalúrgicos da Embraer, Gerdau, Panasonic, Heatcraft, Parker Filtros, MWL, APS e Chery também aderiram às assembleias. Na Chery, em Jacareí, Parker Filtros, em São José dos Campos, e MWL, em Caçapava, houve atraso de uma hora na entrada dos trabalhadores da produção. 

"Os metalúrgicos estão mostrando toda sua indignação contra o descaso deste governo, que protege patrões e penaliza os trabalhadores. Nas assembleias, ficou claro que teremos de ir à luta para impedir que aquela corja de Brasília continue atacando nossos direitos. Exigimos a revogação da reforma trabalhista e o arquivamento da reforma da Previdência”, afirmou o presidente do Sindicato, Weller Gonçalves.

[Via Rede Brasil Atual]

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Trabalhadores de diversas categorias profissionais protestaram na manhã desta sexta-feira (10) em frente à sede da Federação das Indústrias do Estado de São Paulo (FIESP), na Avenida Paulista, contra a destruição dos direitos sociais e trabalhistas, pelo restabelecimento da democracia no país e em defesa da candidatura do ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva às eleições de outubro. "Lula é o candidato do povo e não é o (juiz federal Sérgio) Moro nem o (poder) Judiciário que vão decidir a eleição deste ano", afirmou o presidente da CUT, Vagner Freitas. O Dia do Basta está sendo organizado pelas centrais sindicais e frentes Povo Sem Medo e Brasil Popular, com manifestações e paralisações em cidades do país ao longo da sexta-feira.

Para Freitas, as eleições deste ano serão as mais importantes para os trabalhadores nos últimos anos. "Essa é a eleição das nossas vidas. Nada vai adiantar fechar acordos trabalhistas agora, porque, se eles ganharem, vai estar ratificado o golpe e vão retirar todos os direitos conquistados. Precisamos eleger um Congresso compromissado com o povo trabalhador. E a vitória definitiva passa pela eleição de Lula", discursou. 

O Dia do Basta reúne ações contra os principais problemas que afetam a população atualmente. O desalento, o desemprego, os salários baixos, a destruição dos direitos trabalhistas, o preço do gás de cozinha tão alto que muitas voltaram a cozinhar em fogões a lenha. E também contra a política de privatização do presidente Michel Temer (MDB-SP), que colocou à venda o patrimônio nacional.

O presidente da CUT ressaltou que o próximo governo deve revogar a reforma trabalhista, taxar as grandes fortunas e os lucros, impedir a reforma da previdência e trabalhar pelo desenvolvimento econômico do país, "que é o verdadeiro gerador de empregos". "Escolhemos este local como um símbolo, porque a Fiesp patrocinou o golpe. Os empresários financiaram o golpe com o objetivo de retirar direitos dos trabalhadores. Vamos fazer rico pagar imposto. Não adianta só tirar pobre da miséria, tem de tirar dinheiro dos ricos", disse.

O presidente da Força Sindical, Miguel Torres, afirmou que a ideia das mobilizações de hoje também é expor a agenda dos trabalhadores para o próximo presidente. "Essa é a nossa agenda básica para o próximo governo. Estamos levando a todos os candidatos. Não dá mais para aguentar o desemprego, as péssimas condições de trabalho, a deterioração da qualidade de vida, o alto custo dos produtos básicos", afirmou. Para ele, os defensores da reforma trabalhista iludiram a população dizendo que geraria mais empregos, mas o resultado é mais desemprego e péssimas condições de trabalho.

O presidente da Central dos Trabalhadores e Trabalhadoras do Brasil, Adilson Araújo, cotado para ser vice de Manuela D’Ávila antes da retirada de candidatura dela para ser vice de Fernando Haddad (PT), em caso de cassação do registro de Lula, exaltou a união em torno do ex-presidente.

"Hoje, 75% da população reconhece que a vida piorou desde o impeachment da ex-presidenta Dilma Rousseff. São milhões de desempregados e desamparados. Famílias que já tiveram melhores condições de vida, que puderam viajar e estudar, sem recurso para comprar um gás. É possível romper esse ciclo neoliberal em busca de um país mais igualitário com a união dos trabalhadores", afirmou Araújo.

Presidente da União Geral dos Trabalhadores (UGT), Ricardo Patah disse que o povo brasileiro está sendo devastado pelo golpismo do governo Temer, "mas Lula está livre na mente da população". "Mesmo preso ele é líder. E por que? Porque fez muito por esse país e tirou milhões da miséria", afirmou. 

A ação na Avenida Paulista foi pacífica e terminou com uma marcha até a sede da Petrobras, na mesma região. Durante todo o ato, um grupo de policiais protegeu o sapo inflável que fica na sede da Fiesp, representando a recusa a aumento de impostos.

Ainda em São Paulo, os metalúrgicos do ABC iniciam as mobilizações às 5h, com uma assembleia no pátio da Mercedes-BenzBancários fecharam agências e servidores públicos, químicos, petroleiros e eletricitários também realizaram paralisações. No interior do estado e na Grande São Paulo, os trabalhadores dos transportes, ligados a sindicatos paralisaram as atividades da zero hora até às 8h da manhã. Os petroleiros de São Paulo atrasaram de turnos.

[Via Rede Brasil Atual]

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"Que Lula há muito tempo deixou de ser homem e se tornou uma instituição é consenso à direita e à esquerda. O que está em jogo, em disputa, é o significado da instituição, o que ela representa.

Lula é o maior corrupto da história do Brasil ou a principal liderança popular que esse país já teve?

A disputa está ai. No atual estado da situação não sobrou muito espaço para meio termo. Ou é uma coisa ou é a outra. Cada um que escolha seu lado.

Na condição de instituição, todo gesto de Lula tem dimensão simbólica, é lido e interpretado por todos, por detratores e admiradores. Lula pega o microfone e o país paralisa em frente à TV. Os admiradores choram. Os jornalistas a serviço da mídia hegemônica silenciam. Ninguém fica indiferente a uma instituição desse tamanho.

Lula sabe perfeitamente que está sendo observado, conhece muito bem o tamanho que tem e explora com extrema habilidade sua capacidade de fabricar símbolos.

Aqui neste ensaio, trato de uma parte muito pequena da biografia de Lula, mas que talvez seja, na perspectiva simbólica, a mais importante. Talvez seja até mais importante os oito anos de seu governo.

Falo das 34 horas em que Lula esteve no sindicato dos metalúrgicos, sob os olhares do mundo, construindo a narrativa de seu próprio martírio.

Não falo em “resistência”, pois desde a condenação no Tribunal da Quarta Região, em 24 de janeiro, que o destino de Lula já estava selado. Os advogados cumpriram sua função, recorrendo a todos as instâncias e tentando um habeas corpus, mas todos já sabiam que Lula seria preso.

Por isso, seria ingênuo dizer que o que aconteceu em São Bernardo do Campo foi um ato de resistência. Lula é um político experiente demais para resistir em causa perdida.

Alguns companheiros e companheiras, no auge da emoção, tentaram usar a força. Lula fugiu da custódia dos trabalhadores e se entregou à Polícia Federal, pois sabe que contra o braço armado do Estado ninguém pode. Lula sabe que aqueles que ali estavam eram trabalhadores e trabalhadoras, pais e mães de família. Não eram soldados. Não eram guerrilheiros. A resistência não era possível.

Lula sabe que seria impossível sustentar aquela mobilização durante muito tempo e por isso não resistiu. Mas daí a se entregar resignado como boi manso para o abate a distância é grande, muito grande.

Penso mesmo que Lula fez mais que resistir, já que a resistência seria quixotesca, irresponsável. Lula pautou a própria prisão, saiu da posição de simples condenado pela justiça para se tornar o dono da narrativa. Lula foi sujeito do próprio encarceramento, deu um nó nas forças do golpe neoliberal.

Muitos achavam que Lula deveria ter fugido para uma embaixada amiga e de lá partido para o exílio no exterior. Confesso que também pensei assim. Mas Lula é muito mais inteligente que todos nós juntos.

Lula sabe que já viveu muito, sabe que não lhe sobra muito tempo de vida. O que resta agora é a consolidação da biografia, o retorno às origens, seu renascimento como ícone da esquerda brasileira, imagem que ficou um tanto maculada pelos oito anos em que governou o Brasil.

É que no capitalismo não existem governos de esquerda. Governo de esquerda só com revolução e Lula nunca foi revolucionário, nunca prometeu uma revolução.

Todo governo legitimado pelas instituições burguesas será sempre burguês. No máximo, no melhor dos cenários, será um governo de centro sensível às demandas populares. O lulismo foi exatamente isso: uma prática de governo de centro sensível às necessidades dos mais pobres. O lulismo transformou o Brasil pra melhor, com todos os seus limites, com todas as suas contradições.

Mas para encerrar a vida em grande estilo carece de algo mais. Era necessária a canonização política. E só a esquerda canoniza líderes políticos. A direita é dura, cinza, sem poesia.

O golpe neoliberal conseguiu reconciliar Lula com as esquerdas, o que há poucos anos parecia algo impossível de acontecer.

É que pra ser canonizado pelas esquerdas nada melhor que ser perseguido pelo poder judiciário, habitat histórico das elites da terra. Basta lançar no google os sobrenomes da maioria dos nossos juízes, procuradores e desembargadores e veremos os berços de jacarandá que embalaram os primeiros sonhos dos nossos magistrados.

É claro que Lula não planejou a perseguição. É óbvio que ele não queria ser perseguido. Se pudesse escolher, estaria tendo um final de vida mais tranquilo, talvez afastado da política doméstica e atuando nas Nações Unidas. Mas já que a vida deu o limão, por que não espremer, misturar com açúcar, cachaça, mexer bem e mandar pra dentro?

Lula fez exatamente isso: uma caipirinha com os limões azedos que seus adversários togados lhe deram.

Primeiro, ele fez questão de esgotar todos os mecanismos legais. A sentença de Moro, os votos dos desembargadores, os votos dos Ministros da Suprema Corte não são palavras ao vento. São “peças”, para falar em bom juridiquês, que ficarão arquivadas e disponíveis para a consulta, para análise.

Imaginem só, leitor e leitora, os historiadores que no futuro, afastados da histeria e das disputas que hoje turvam nossos sentidos, examinarão a sentença de Sérgio Moro, verão que o juiz não foi capaz de determinar em quais “atos de ofício” Lula teria beneficiado a OS para fazer por merecer o tal Triplex do Guarujá.

É como se Moro estivesse falando: "não sei como fez, mas que fez, ah fez".

E o voto dos desembargadores do TRF 4, atravessados de juízos de valor, quase sem relar no mérito da sentença?

E o voto de Rosa Weber? Por Deus, o que foi aquele voto de Rosa Weber?

“Sei que estou votando errado, mas vou continuar votando errado só porque a maioria votou errado. Uma maioria que só vai votar porque eu vou votar errado também.”

Lula, ao se negar a fugir, obrigou cada um desses togados a deixar impressos na história os rastros da própria infâmia.

Uma vez decretada a prisão, o que fez Lula?

Deu um tiro no peito? Se entregou em São Paulo? Foi pra Curitiba? Fugiu?

Não!

Lula se aquartelou no sindicado mais simbólico da redemocratização brasileira, o sindicado que representa as expectativas que nos 1980 apontavam para um Brasil mais justo, mais solidário.

No apogeu da crise que significa o colapso do regime político fundado na redemocratização, Lula decidiu encenar o seu martírio onde tudo começou.

Naquele que talvez seja o último grande ato de sua vida pública, Lula voltou às origens.

Protegido pela massa de trabalhadores, Lula não cumpriu o cronograma estipulado por Sérgio Moro. Cercado por uma multidão, o Presidente operário transformou o sindicato dos metalúrgicos numa embaixada trabalhista.

A Polícia Federal, o braço armado do governo golpista, disse que não usaria a força. A Polícia Federal sabia que o povo resistiria, que sem negociação não tiraria Lula do sindicado sem deixar uma trilha de sangue.

Lula negociou e, nos limites dados por sua posição de condenado pela justiça, venceu e humilhou a instituições ocupadas pelo golpe neoliberal.

Lula não estava foragido. O mundo inteiro sabia onde ele estava e mesmo assim o Estado brasileiro não foi capaz de prendê-lo no prazo determinado pela justiça golpista. Durante um pouco mais de 30 horas, Lula foi um exilado dentro do Brasil, como se São Bernardo do Campo fosse um República independente, uma república governada pelos trabalhadores.

Lula fez de uma missa em homenagem a Dona Marisa Letícia um ato político e aqui temos mais um lance simbólico do Presidente operário: restabeleceu as pontes entre a esquerda brasileira e a Igreja Católica, aliança que tão importante nos anos 1970, quando sob as bênçãos da Teologia da Libertação foi fundado o Partido dos Trabalhadores.

No palanque, junto com o Padre, estavam Lula e as futuras lideranças da esquerda brasileira. Lula dividiu seu butim em vida, tomou pra si esse ato mórbido, ao abençoar Boulos, Manuela e Fernando Haddad.

Lula unificou em vida a esquerda brasileira. Não só unificou, mas pautou, apresentou o programa, cantou o caminho das pedras.

Lula deixou claro que o povo mais pobre precisa comer melhor, precisa consumir, viajar de avião, estudar na universidade. Lula, o operário que durante a vida inteira foi humilhado por não ter diploma de ensino superior, foi o professor de milhões de brasileiros que sonham com um país melhor.

É como se Lula estivesse dizendo: “num país como o Brasil, a obrigação mais urgente da esquerda é transformar o Estado burguês em agente provedor de direitos sociais”.

Lula discursou durante uma hora em rede nacional, se defendeu das acusações. Não foi uma defesa para a justiça, mas sim para o tribunal moral da nação. Não foi um discurso para o presente. Foi um discurso para a história.

Não, meus amigos, acuado pelas forças do atraso, Lula não deu um tiro no próprio peito.

Lula mandou trazer cerveja e carne e fez um churrasco com seus companheiros e companheiras. Foi carregado pelos seus iguais, foi tocado, beijado. Saliva, suor, pele.

Lula não deu um tiro no próprio peito.

Getúlio é gigante, sem dúvida, mas também era herdeiro das oligarquias. Lula é o único trabalhador que, vindo da base da sociedade, conseguiu governar e transformar o Brasil. Lula já é maior que Getúlio.

Diferente de Getúlio, Lula entrou pra história sem precisar sair da vida."

 

por Rodrigo Perez Oliveira, historiador e professor da UFBA

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