No último dia 20, os dirigentes do Sindipetro NF foram informados por diversos petroleiros sobre um naufrágio ocorrido na Bacia de Campos, próximo à P-31, no Campo de Albacora.

O navio Carmen, de propriedade da empresa OceanPact Serviços Maritimos, saiu de Niterói no dia 15/11 e realizava serviços de oceanografia, vindo a afundar hoje às 04:50h, aproximadamente. Os 18 tripulantes foram resgatados com vida, sendo um trabalhador resgatado pelo navio OP Coral, a caminho do Porto do Açu e os demais trabalhadores resgatados pelo navio SeaCor, a caminho do Rio de Janeiro.

O SindipetroNF cobrou à Petrobrás o devido suporte aos trabalhadores resgatados além de exigir o cumprimento do ACT com a participação do sindicato na comissão de investigação de acidentes. Estamos a disposição dos trabalhadores envolvidos no acidente para todo o apoio necessário através do email Este endereço de email está sendo protegido de spambots. Você precisa do JavaScript ativado para vê-lo.

“A falta de fiscalização em algumas embarcações contratadas pela Petrobrás assim como a precarização das equipes de fiscais a bordo acende um alerta para a necessidade de fortalecimento das equipes de fiscalização “in loco””, ressaltou o diretor de saúde e segurança do SindipetroNF, Alexandre Vieira.

Agradecemos a cada petroleiro e petroleira que atuou no resgate dos trabalhadores, demonstrando a importância da união da categoria petroleira e do alto preparo que cada um de nós tem para atuar em situações adversas.

[Com informações do Sindipetro-NF]

Publicado em Sistema Petrobrás

Bombeiros civis contratados, sem treinamento adequado, serão responsáveis por comandar equipes de combate às emergências em refinarias de petróleo precarizadas

[Da imprensa do Sindipetro-PR/SC]

O desprezo à vida virou regra para os gestores da Petrobrás. Vale tudo, absolutamente tudo, para deixar as refinarias sucateadas e, portanto, mais suscetíveis à privatização. 

O que está para acontecer nos setores de Segurança, Meio Ambiente e Saúde (SMS) das unidades colocadas à venda revelam a profunda irresponsabilidade daqueles que estão no comando da maior empresa da América Latina. 

Refinarias de petróleo são locais de altíssimo risco para se trabalhar, pois processam milhões de litros de produtos inflamáveis por dia. Por óbvio, as equipes de empregados responsáveis por atuar em situações de emergência devem ter amplo conhecimento da área e treinamento adequado. Entretanto, a atual gestão da Petrobrás não pensa dessa forma. 

Ao longo dos seus 43 anos de atividade, a Repar passou por várias ocorrências emergenciais que só não tomaram proporções maiores devido à atuação em conjunto da uma equipe experiente de segurança com os integrantes da EOR (Estrutura Organizacional de Resposta). O setor de segurança e a equipe de combate às emergências sempre foram formados por trabalhadores do efetivo próprio, e necessitam de melhores condições de treinamento e efetivo para que possam ser consideradas adequadas, mas ocorre justamente o inverso com o desmonte da SMS. 

Agora, com o processo de sucateamento pelo qual a unidade passa (o mesmo ocorre com a Usina do Xisto – SIX), a fim de facilitar sua venda, tudo mudou. Segurança industrial virou coisa supérflua na cabeça dos gestores, uma vez que resolveram terceirizar o setor para reduzir a folha de pagamento. Substituem, sem nenhum pudor, empregados com muitos anos de experiência por pessoas que passam apenas por um treinamento relâmpago. 

A Repar tem capacidade instalada para processar 33 mil m³ de petróleo por dia, em uma área física total de 10 milhões de m². Para isso, conta com cinco técnicos de segurança (TS) próprios por turno. Parece pouco, não é? Não para os gestores. O plano de terceirização do setor de segurança reduz para dois o número de TS’s próprios por período (1 supervisor e 1 subordinado) e indica a contratação de três bombeiros civis. 

O Sindipetro PR e SC questionou a gestão da Repar sobre os riscos de terceirizar um setor tão importante para a segurança dos trabalhadores, da comunidade do entorno e dos equipamentos, mas só obteve respostas evasivas. Um processo atabalhoado, feito às pressas e sem respostas adequadas sobre temas cruciais, como plano de treinamento, futuro dos técnicos do setor e a segurança da refinaria. 

Cabe ainda ressaltar que o Sindicato há tempos demonstra publicamente a preocupação com a redução do efetivo de trabalhadores da Repar. Desde 2017, quando foi implantada unilateralmente a metodologia de O&M (Organização e Método) na refinaria, o número de empregados próprios foi diminuído em 40%. Naquela época, um levantamento feito pelo Sindipetro junto aos empregados da Repar já apontava efetivo insuficiente. 

Um dossiê que trata do efetivo da Repar foi apresentado na forma de denúncia junto ao Ministério Público do Trabalho (MPT) e ainda está em trâmite. 

A terceirização da segurança somada à drástica redução do efetivo não aponta para outra direção senão a de um acidente de grandes proporções sem a resposta emergencial adequada. 

Em 2000, um acidente ampliado na Repar causou o vazamento de 4 milhões de litros de petróleo nos rios Barigui e Iguaçu. Naquela época a segurança também era negligenciada e aconteceu a tragédia. Custou muito caro para os cofres e também para a imagem da empresa o atendimento e reparo daquele acidente. As ações judiciais ainda estão em andamento somam mais de R$ 1 Bilhão em multas e ressarcimentos. Parece que os gestores não aprenderam nada com aquele triste episódio e também não sabem fazer as contas de quanto custará um acidente de grande proporção. O risco das pessoas é imenso. O Sindicato continuará com as denúncias sobre todo esse descaso e torce muito para que nada grave aconteça. 

Equipe de Combate às Emergências

Outro ponto de conflito entre a gestão da Repar e o Sindipetro PR e SC é a composição da equipe de combate às emergências. Por muito tempo a empresa bateu na tecla de que a participação dos empregados no grupo de brigadistas é obrigatória. O Sindicato, por sua vez, aponta que tal determinação não está prevista em contrato de trabalho, portanto a posição da companhia não se sustenta. 

Para além desse debate, é plausível lembrar que em situação de emergência a equipe será liderada pelo motorista da viatura. Na nova realidade, a valer a partir de novembro ou dezembro, o chefe da equipe será o bombeiro civil terceirizado, sem treinamento adequado e sem amplo conhecimento da área. A pergunta que fica é “ficarão tranquilos os componentes da equipe sob tal subordinação?” 

Com todo respeito aos bombeiros civis, o treinamento insuficiente para atuar em área industrial tão perigosa é alarmante. Durante exercício realizado na Repar nesta semana, um caminhão ficou pelo caminho. Vidas estarão em risco se isso acontecer em situação de atendimento à emergência.

Refinaria do Paraná opera com número insuficiente de trabalhadores. Gestão local reduz gradativamente o efetivo e não faz reposição. Situação está propícia para um acidente de grandes proporções

[Da imprensa do Sindipetro PR e SC]  

A preocupação com a segurança assola trabalhadores da Refinaria Presidente Getúlio Vargas (Repar), em Araucária-PR. Antes de 2017 já existia a apreensão de que a operação da unidade estava com o efetivo de petroleiros abaixo do mínimo necessário, o que levou o Sindipetro PR e SC a oferecer denúncia ao Ministério Público do Trabalho (MPT) e ajuizar uma ação contra a empresa que ainda tramita na Justiça do Trabalho. Mas a redução de pessoal é cada vez maior e, claro, a situação de insegurança hoje também aumentou. 

Foi em 2017 que a gestão da Repar aplicou o estudo de O&M (Organização & Método), que resultou na diminuição imediata de aproximadamente 20% dos postos de trabalhos operacionais. A metodologia do modelo, que é bastante questionado por especialistas da área de segurança do trabalho, foi utilizada pela direção da Repar para adequar o efetivo à redução de funcionários desligados da empresa por conta do PIDV (Plano de Incentivo à Demissão Voluntária), sob a desculpa gerencial de “otimização dos recursos humanos da companhia”. 

Antes de 2017, o número do efetivo na operação da Repar era de 480 trabalhadores e, em 2020, caiu para cerca de 300 – uma redução de 40%. O número exato não é disponibilizado para o Sindicato, pois a partir de 2016 a gestão da refinaria deixou de apresentar os relatórios mensais de movimentação de pessoal. A situação fica mais crônica por conta das 50 saídas de operadores previstas para acontecer até o final deste ano. 

A atual condição da Unidade de Destilação e Hidrotratamento (U2100) é um exemplo da irresponsabilidade dos gestores locais. Antes do O&M o número de operadores no local era sete, após a empresa estabeleceu unilateralmente que seriam cinco por turno, mas no último feriado haviam apenas três trabalhadores, o que, segundo empregados da área, é recorrente. Isso é inacreditável! Não se trata de uma padaria, com todo respeito aos padeiros, mas sim de uma refinaria de petróleo, com suas inúmeras complexidades e riscos. 

Cabe lembrar que a U2100 foi palco de um dos maiores acidentes da refinaria. Em 2013, um grave incêndio causou prejuízos significativos às instalações e a parada de produção da Repar por semanas. 

A gestão da Repar “passa a boiada” no quesito insegurança. Descumpre constantemente seu próprio O&M, em total menosprezo à vida dos trabalhadores. Os funcionários admitem que, na hipótese de emergência, há risco de acontecer um acidente ampliado. 

A Repar vive atualmente em condições similares àquelas do ano 2000, quando foram derramados 4 milhões de litros de óleo cru nos rios Barigui e Iguaçu. A empresa culpabilizou trabalhadores, mas a mentira não colou na opinião pública. Agora, em 2020, a Repar novamente é uma bomba-relógio prestes a explodir. 

Os gestores devem ser responsabilizados pela exposição dos empregados ao perigo no trabalho. O Sindicato vai continuar a fornecer dados sobre o efetivo da Repar na denúncia que tramita no MPT, a fim de subsidiar uma nova ação judicial. Se um acidente ocorrer, a culpa não cairá sobre os ombros dos trabalhadores. Ainda dá tempo de evitar uma tragédia, mas depende da vontade da direção da Repar e da Petrobrás.

Quinta, 08 Outubro 2020 18:05

Helicóptero tem pane em P-43

Na quarta, 7, um helicóptero S-92 matrícula PR OHF teve uma pane na P-43, a denúncia chegou ao Sindipetro-NF hoje. Trabalhadores contam que uma aleta direcionadora da exaustão da turbina soltou durante o pouso no helideck da plataforma, mas não atingiu ninguém. A aeronave ficou na plataforma até que a chegada da equipe de manutenção vinda de P-48.

Segundo relatos, a equipe fez o reparo e aguardava para dar uma nova partida no motor. Com a aeronave em condições de voo, só a tripulação voltará a bordo desse helicóptero e nova aeronave irá buscar a tripulação que está para desembarcar.

O Sindipetro-NF entrou em contato com a empresa que informou estar em reunião com o fabricante e a empresa aérea para entender as causas e que uma equipe subiu a bordo da P-43 para analisar o problema in loco. Segundo a Petrobras, antes de todas as outras aeronaves de mesmo modelo decolarem pós esse acontecimento, foram verificadas a mesma peça que se soltou e, como não encontraram problemas, liberaram para operar.

Por volta das 13 h, a Petrobrás informou também que a aeronave que teve o problema passou por manutenção e já retornou para o aeroporto somente com a tripulação. O fabricante informou que não houve outros casos correlatos, mas que vai avaliar a revisão da periodicidade de checagem da peça

O NF  cobrou a necessidade de manutenção das aeronaves que fazem o transporte de passageiros na Bacia de Campos no sentido de preservar vidas.

[Via Sindipetro-NF]

Publicado em SINDIPETRO-NF

A plataforma de P-12 apresentou nos últimos 14 dias um surto de casos de COVID-19 a bordo da unidade. Quinze trabalhadores tiveram suspeita de contaminação, sendo que seis apresentaram o resultado de testagem positivo para Covid-19. Sete pessoas ainda aguardam os resultados do exame, duas delas já apresentaram sintomas.

No dia 10 de agosto, dez trabalhadores desembarcaram normalmente na troca de turma e nenhum deles apresentava sintomas. Só que em casa três trabalhadores apresentaram sintomas, dois com resultado positivo para Covid-19 e 1 aguardando resultado de testagem.

Uma reivindicação dos trabalhadores é que seja feita testagem também no desembarque, para que os trabalhadores não levem o vírus para casa. Existem evidências suficientes do perigo da transmissão por assintomáticos, só que a empresa insiste em agir só nos casos quem que a pessoas apresente sintomas.

Em reunião de CIPA, realizada no dia 11 de agosto, os cipistas solicitaram a redução do POB (número de pessoas a bordo) da plataforma.  O POB normal da plataforma que estava sem produzir era de 60 pessoas. Segundo relatos dos trabalhadores, com as atividades de desmobilização feita às pressas, esse número subiu para 79 e no entendimento dos trabalhadores, o máximo deveria ser de 62 pessoas na unidade.

Outro pedido da CIPA foi o embarque de uma empresa para a testagem de todos a bordo. Essa solicitação foi encaminhada à EOR, que informou que não é o protocolo que está sendo aplicado e que faz o monitoramento adequado da força de trabalho quanto a condição de saúde e sintomas da Covid-19. Entretanto, diante do grande número de casos, uma empresa está embarcando hoje, 17, para a testagem de todos, o que só comprova a demora da Petrobrás agir em tempos de pandemia.

Há uma denúncia grave de que trabalhadores que tiveram COVID estão sendo demitidos após receber alta. Isso está provocando constrangimento entre a categoria na hora de relatar que está com sintomas e muitos nem relatam com medo de perder seus empregos. Por isso a necessidade do cumprimento da decisão do Supremo Tribunal Federal (STF) que determina a emissão de CAT para os trabalhadores contaminados. Isso já foi solicitado a gestão que não respondeu.

Como mais um agravante da situação de P-12, a empresa afastou, em menos de uma semana, o cipista que fez fortes cobranças durante a reunião de Cipa, contrariando a orientação da própria Petrobrás sobre a necessidade de manter os trabalhadores a bordo por 21 dias, para diminuir a movimentação do pessoal.  Para a diretoria do sindicato ficou clara a intenção de afastar o cipista da unidade, porque cobrava posições mais firmes em relação ao combate da pandemia.

O Sindipetro-NF tem pressionado as autoridades ligadas à Operação Ouro Negro para que tomem atitudes concretas exigindo das empresas de petróleo ações para enfrentamento à pandemia do novo coronavírus.

Além disso, entre março e junho passados, o Sindipetro-NF enviou 18 ofícios, à gestão da Petrobrás e a instâncias do poder público, para cobrar ações de prevenção à Covid-19. Na maioria dos casos não houve resposta e as medidas, quando adotadas, foram muito lentas. 

Plataforma leiloada

A P-12 é uma das plataformas que foi leiloada e ainda está ancorada, então a Petrobrás está correndo para entregar a unidade, porque o custo de todo o processo de retirar a plataforma deve passar de R$ 100 mil por dia.

[Da imprensa do Sindipetro-NF]

Após seguidas denúncias do Sindipetro/MG sobre os riscos da redução do número mínimo, na última quinta-feira (6), foi registrada ocorrência de alta gravidade na Unidade de Hidrotratamento de Diesel (HDT). O acontecimento escancarou o alto potencial de tragédia quando se opera com menos trabalhadores que o necessário.

 Antes da redução do número mínimo, eram seis operadores no painel e outros seis na área. Após a redução, ficaram somente quatro no painel.

Na emergência da semana passada, durante uma ocorrência operacional de parada das unidades de produção de hidrogênio, um operador da área (gasolina) foi chamado para operar no painel do Diesel 1, que naquele momento contava com mais um operador em treinamento.

Ou seja, além dos quatro trabalhadores previstos no número mínimo, havia mais um em treinamento e outro foi convocado às pressas para ajudar na emergência.

Além de deixar a área desprotegida, ao subir com um operador para o painel, a ocorrência revelou que a redução não atende as exigências de segurança, deixando evidente que o número mínimo ideal de operadores na HDT é seis. Para piorar a situação, as unidades são muito diferentes entre si e os operadores tem conhecimentos diferentes.

Denúncia

Em julho deste ano, o Sindipetro/MG recebeu denúncias feitas pela categoria relatando que a Regap insiste em operar, de forma recorrente, com número de trabalhadores abaixo do mínimo estabelecido.

Em setores como HDT e Unidade de Destilação de Petróleo (DH) houve a redução do número mínimo. Já no setor  de Craqueamento Catalítico Fluidizad0 (CCF) oficialmente não houve redução do número mínimo, mesmo assim as equipes trabalham frequentemente abaixo do número mínimo de segurança.

Alto potencial de risco       

A redução do número mínimo coloca em risco a operação das unidades operacionais da Refinaria, que envolvem grandes riscos e cenários de acidentes que podem ocasionar tragédias.

O pior cenário de tragédia envolve o Craqueamento Catalítico Fluidizado (CCF), também conhecido como Secra. Uma falha nesse setor pode gerar uma devastação que extrapola a Refinaria, chegado até o bairro Riacho das Pedras em Contagem.

Só o vazamento da mistura de gás combustível e sulfeto de hidrogênio (H2S) na HDT, pode resultar em uma nuvem tóxica fatal. A contaminação pode atingir um raio de 850 metros, afetando grande parte da força de trabalho e comunidades no entorno da refinaria, como é o caso dos bairros Petrovale, Petrolina e Cascata, em Ibirité.

Tragédia no Líbano

Com alto potencial de destruição, tragédias desse tipo devastam comunidades inteiras. Na semana anterior, o mundo inteiro acompanhou a repercussão da megaexplosão no porto de Beirute, Líbano. Foram quase 200 mortos, mais de 100 desaparecidos, 6 mil feridos e uma cratera de 43 metros de profundidade, além de altos níveis de poluição liberados na atmosfera.

Diante desse cenário, o Sindicato alerta para o alto potencial de tragédia em caso de falhas na operação da Regap. Por isso, o Sindipetro/MG exige que a gerência da Refinaria aplique o número mínimo seguro.

De acordo com o coordenador Alexandre Finamori, “a economia em postos de trabalho é insignificante perto do risco que correm tanto a força de trabalho quando a comunidade vizinha”, afirma o coordenador.


> Leia também:  A relação do Sistema de Consequências da Petrobrás e a explosão em Beirute


[Da imprensa do Sindipetro-MG]

[Da imprensa do Sindipetro-NF]

Acontece na manhã desta quinta, 13, uma reunião com representantes da Operação Ouro Negro e do Sindipetro-NF para debater as recomendações encaminhadas às empresas de petróleo para enfrentamento à pandemia do Coronavírus. Os diretores do sindicato, Alexandre Vieira e Raimundo Telles, e o médico do trabalho, Dr. Ricardo Garcia Duarte.

No dia 19 de março, os órgãos federais, agências e autarquias que integram a Operação Ouro Negro, que fiscaliza as atividades offshore da indústria do petróleo, emitiu ontem uma série de recomendações às empresas do setor sobre o enfrentamento à pandemia do coronavírus. Algumas das medidas recomendadas coincidem com as cobradas pelo Sindipetro-NF à Petrobrás e outras empresas.

A Operação Ouro Negro é integrada pelo Ministério Público do Trabalho (MPT), pela Marinha do Brasil, pelo Ministério da Economia, pela Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa), pelo Instituto Brasileiro de Meio Ambiente e dos Recursos Naturais Renováveis (Ibama) e pela Agência Nacional do Petróleo, Gás Natural e Biocombustíveis (ANP).

[Do site da deputada Mônica Francisco]

A presidente da Comissão de Trabalho da Assembleia Legislativa do Estado do Rio de Janeiro (Alerj), deputada Mônica Francisco (Psol) anunciou que vai realizar vistorias e diligências nas bases da Petrobras e pedir que a companhia cumpra medidas de biossegurança com os seus funcionários. A medida foi anunciada nesta terça-feira (11/08), durante audiência pública para debater as condições de trabalho e saúde das petroleiras e petroleiros, quando representantes dos sindicatos da categoria afirmam que a empresa estaria omitindo dados sobre número de contaminados pela covid-19. Eles também disseram que a testagem é feita de forma incorreta e que funcionários contaminados continuam trabalhando. A companhia não enviou representante à audiência.

A deputada Mônica Francisco reforçou a necessidade do Parlamento Fluminense conhecer a situação desses trabalhadores. “Já enviei requerimentos de informação a Petrobras para saber o número de contaminados e de óbitos na empresa. Também enviei à Secretaria de Estado de Saúde para saber sobre a atuação da empresa neste momento de pandemia”, disse. A parlamentar lamentou a ausência de algum responsável da Petrobras na audiência. “Foram convidados, mas não compareceram”.

A deputada Enfermeira Rejane (PCdoB), que preside a Comissão de Defesa dos Diretos da Mulher, também vai participar das vistorias e constatar as condições sanitárias das mulheres que trabalham na companhia. “A Petrobras tem um apreço muito forte pelos acionistas, pelo lucro, mas não pode colocar isso na frente da vida dos seus funcionários”, destacou.

De acordo com a diretora do Sindicato dos Petroleiros do Ri de Janeiro (Sindipetro-RJ), Natália Russo, a Petrobras está subnotificando os números de contaminados e descumprindo os protocolos de saúde emitidos pela Organização Mundial da Saúde (OMS). “Estamos tendo que entrar com ação na Justiça para ter acesso aos dados sobre a saúde do trabalhador. Conseguimos uma vitória na Justiça, mas a forma como a empresa manda os dados ainda é deficiente. Seguem não nos dizendo o que acontece e onde acontece”, reclamou.

Natália reiterou que só na área do Complexo Petroquímico do Rio de Janeiro, no Comperj, no período de dez dias, cinco pessoas morreram. “Hoje, tem quatro mil trabalhadores dos mais diversos municípios que entram em um ônibus e vão a um local que é uma aglomeração natural. Refeitórios, ferramentas, vestiários e banheiro são compartilhados. O número de pessoas trabalhando precisa ser reduzido. Não é serviço essencial, é uma obra que poderia ser parada. É muito grave que a Petrobras esteja negligenciando a vida dessas pessoas. Contaminados estão voltando a trabalhar depois de passarem apenas sete dias isolados”, disse.

O diretor do Sindipetro Caxias, Luciano Leite, relatou que a busca pelo número de contaminados e mortos está sendo feita diretamente com os trabalhadores. “Já são quatro perdas por conta da covid-19 e mais de 580 contaminados e a empresa esconde. A empresa está fazendo o jogo do vale tudo para cumprir as metas em detrimento das vidas. O teste PCR que deveria ser utilizado não está sendo”, reclamou.

Coordenador Geral do Sindicato dos Petroleiros do Norte Fluminense, Tezeu Bezerra, disse que a Petrobras vai no mesmo caminho do Governo Federal e não faz testagem em massa. Ele criticou ainda a mudança nas escalas de trabalho. “Trabalhadores tiveram suas escalas alteradas de forma impositiva. Os embarcados que passavam 14 dias agora passam 21 na embarcação. Isso é muito prejudicial e exaustivo. Queremos que volte o regime 14 por 14 para os trabalhadores e que eles tenham todo o cuidado que merecem”, reforçou. Segundo Bezerra, a situação é extrema.

O assessor de saúde do Sindpetro-NF, Ricardo Garcia, afirmou que os números são preocupantes. “Hoje temos a interiorização da doença e a reincidência de alguns casos. A equipe se recusa a colocar as informações necessárias sob a desculpa de se manter a privacidade das pessoas. Temos hoje gestores que não se comunicam e protocolos que não são seguidos. Os problemas de saúde mental já estão aparecendo”, concluiu.

A pesquisadora da Escola Nacional de Saúde Pública Sérgio Arouca (Ensp) da Fundação Oswaldo Cruz (Fiocruz), Liliane Reis Teixeira, reforçou a fala de Garcia. “O aumento da jornada de trabalho do pessoal embarcado e em terra, além do cansaço e fadiga, ainda abala a saúde mental desses trabalhadores. A saúde mental será o grande problema da população pós-covid. Isso pode trazer acidentes de trabalho e ambientais”, pontuou. Liliane defendeu ainda ações voltadas para os profissionais terceirizados da Petrobras. “Eles estão a mercê de regras de empresas e muitos as acatam para manter seus empregos”.

O Representante da Superintendência Regional do Trabalho e Emprego no Estado do Rio de Janeiro /SRT-Rj, Eduardo Medeiros disse que tem trabalhado em cima das reclamações que estão chegando. O contato para quem quer denunciar é pelo whatsapp (21) 969284771 ou pelo e-mail: Este endereço de email está sendo protegido de spambots. Você precisa do JavaScript ativado para vê-lo..

ENCAMINHAMENTOS DESTA AUDIÊNCIA PÚBLICA

A Comissão de Trabalho, Legislação Social e Seguridade Social (CTRAB) da ALERJ realizará diligências e vistorias nas bases da Petrobras e da KERUI MÉTODO CONSTRUÇÃO E MONTAGEM S.A. (empresa responsável pelo complexo do COMPERJ), com o objetivo de averiguar a situação de trabalho e saúde dos petroleiros e petroleiras e trabalhadores do COMPERJ, e cobrar que as empresas cumpram as medidas de biossegurança. Essas ações serão construídas em parceria com as Comissões de Saúde e da Mulher, da ALERJ

Em parceria com a Comissão de Trabalho da Câmara Federal, serão envidados esforços no sentido de que a Petrobras e a KERUI divulguem os dados de contaminação e óbito ocorridos entre funcionários das empresas, em suas dependências e de terceirizadas, assim como em decorrência de atividades laborativas, que tenham relação com a pandemia de Covid-19;

A mesma articulação será necessária para que Petrobras realize testes do tipo PCR nos trabalhadores em suas residências;

Também em parceria com a Câmara Federal, a CTRAB da Alerj contribuirá na articulação com a Petrobras, buscando o retorno das escalas de 14/21 para as de 14/14 para os trabalhadores;

A CTRAB construirá, em articulação com a 1ª Região da PRT/MPT e com a Comissão de Trabalho da Câmara Federal, reuniões bilaterais entre entidades sindicais e as Secretarias de Estado de Saúde e de Trabalho, de forma a construção de estratégias de monitoramento e de planos de contingência para lidar com contaminação por Covid-19, em espaços de trabalho da Petrobras e da KERUI;

A CTRAB assume o compromisso de enviar requerimentos à Petrobras e à KERUI, Secretaria de Estado de Saúde e às Secretarias Municipais de Saúde dos seguintes municípios: Rio Bonito, Cachoeiras de Macacu, Rio das Ostras, Macaé, Campos, Itaboraí, Duque de Caxias e da Capital, Rio de Janeiro. Nesse requerimento, serão solicitadas informações sobre contágio e medida sde contenção à disseminação da doença junto a empregados diretos e terceirizados. Esses requerimentos reiterarão  as informações já solicitadas por ofício à Secretaria de Saúde;

Todas as informações levantadas serão compartilhadas com sindicatos e órgãos públicos, com destaque à 1ª Região da PRT/MPT e à Comissão de Trabalho da Câmara Federal, além da Superintendência Regional do Trabalho e Emprego no Estado do Rio de Janeiro /SRT-RJ.

[Via imprensa do Sindipetro-PR/SC, com edição da FUP]

A recente explosão em Beirute, capital do Líbano, chocou o mundo. A proporção do acidente fez com que as imagens viralizassem. Mais de 150 pessoas morreram após cerca de 2.750 toneladas de nitrato de amônio, um material altamente explosivo, pegar fogo. O primeiro-ministro do país, Hassan Diab, disse que o produto era armazenado em um depósito perto do porto há seis anos “sem medidas preventivas”. O resultado desse descaso, além dos óbitos, são os inúmeros protestos pelo país. 

E prevenção é a palavra-chave quando se trabalha com produtos que podem colocar a sociedade em risco. É o que deveria acontecer, por exemplo, nas unidades do Sistema Petrobras, cujos trabalhadores estão constantemente expostos aos riscos de acidentes e de adoecimento por exposição a agentes químicos extremamente perigosos, como é o caso do benzeno. Porém, mesmo sabendo da sua responsabilidade com a segurança da unidade, a atual gestão da empresa substitui o ato de prevenir pelo de punir. 

É o que acontece na Repar, em Araucária (PR), e em várias outras refinarias da Petrobrás. Hoje, a gerência da unidade executa ordens punitivas contra a categoria sem que uma equipe multidisciplinar composta por representante da CIPA, sindicato e SMS faça uma fiscalização adequada. As gerências que mais punem trabalhadores são a TE, UT e SMS. 

Somado a isso, há um clima de terror entre os trabalhadores, pois eles são levados a não cooperar plenamente com as investigações por medo de retaliação. 

Para o sindicato o Sistema de Consequência faz com que muitos petroleiros não denunciem problemas. “A empresa perde uma excelente oportunidade de aprender com os erros ao levar os trabalhadores a não relatar os pequenos incidentes e acidentes. Desse jeito começarão a aparecer acidentes que não poderão ser escondidos por serem mais graves”, explica Luciano Zanetti, dirigente do Sindipetro PR e SC. 

O sindicato reitera que há risco de acidente ampliado na Repar, pois cresce gradativamente a demanda de trabalho à medida que o número de funcionários é reduzido. A consequência disso é um aumento do desgaste físico e mental. 

Além disso, o Sindipetro PR e SC orienta todas e todos que de alguma forma se sentem prejudicados pelo Sistema de Consequência, a procurar um dirigente sindical mais próximo ou entrar em contato com a entidade através dos canais de denúncia: Este endereço de email está sendo protegido de spambots. Você precisa do JavaScript ativado para vê-lo. ou pelo telefone (41) 3332-4554, o anonimato é garantido e o caso encaminhado para análise jurídica, se necessário. 

Histórico 

A partir de 2016, através de um programa chamado Compromisso com a Vida, a Petrobrás estruturou algumas ferramentas de gestão para auxiliar a tomada de decisões em relação a ocorrências, possibilitando aplicar o programa de Reconhecimento dos Empregados e o Regime Disciplinar. 

Documentos que estruturam estes Programas mostram que as punições seriam aplicadas nos casos em que se comprovasse a culpa, por parte do empregado. Porém, a realidade não reflete essa premissa. Trabalhadores foram punidos com advertências, ou até mesmo suspensão, mesmo antes das Comissões de Investigação de Acidentes concluírem seus trabalhos.

[Foto: Agência Reuters] 

Publicado em Sistema Petrobrás

O Sindipetro-NF continua a receber várias denúncias dos trabalhadores sobre escalas exaustivas neste período de pandemia da covid-19. Na semana passada, a entidade recebeu informações de que nas atividades das gerências de Operações Submarinas — de mergulho e instalação de oleodutos e gasodutos — estão sendo praticadas escalas de 28 dias de folga por 28 dias de trabalho a bordo para o pessoal da Petrobrás.

Para os petroleiros de empresas privadas a situação é ainda mais grave. Antes da pandemia já atuavam na escala desumana do 14×14, e agora piorou: estão à disposição da empresa por 35 dias (9 em hotel confinado fazendo quarentena, e 26 embarcados), com 21 dias de folga. Há também relato sobre empresa que pratica 39 dias de trabalho por 19 de folga.

O sindicato cobrou da Petrobrás o fim dessas escalas que aumentam muito o risco de acidentes e mortes, especialmente nesta área de atuação.

“Essas atividades são muito perigosas, que trabalham com cargas e movimentações pesadas. E os acidentes nessas atividades são em geral graves. No mergulho tivemos dois dos últimos três óbitos recentes nas áreas operacionais”, afirma o coordenador do Departamento de Saúde do Sindipetro-NF, Alexandre Vieira.

A Petrobrás ainda não respondeu ao sindicato sobre as escalas exaustivas e o risco a que está expondo os trabalhadores da empresa e do setor petróleo.

Denuncie

O Sindipetro-NF orienta a categoria a manter a entidade informada sobre as condições de saúde, segurança e habitabilidade. É garantido o sigilo sobre a identidade do denunciante. Informações podem ser enviadas para Este endereço de email está sendo protegido de spambots. Você precisa do JavaScript ativado para vê-lo. ou relatadas diretamente pelos celulares da diretoria (aqui).

[Via Sindipetro-NF]

Publicado em SINDIPETRO-NF
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A Federação Única dos Petroleiros (FUP) foi criada em 1994, fruto da evolução histórica do movimento sindical petroleiro no Brasil, desde a criação da Petrobrás, em 1953. É uma entidade autônoma, independente do Estado, dos patrões e dos partidos políticos e com forte inserção em suas bases.