Enquanto municípios da Região Metropolitana do Rio de Janeiro decretam lockdown, a Refinaria Duque de Caxias inicia parada de manutenção da unidade de destilação, mais que dobrando o número de trabalhadores em suas dependências

[Comunicado à imprensa]

O Sindicato dos Petroleiros de Duque de Caxias (Sindipetro-Caxias), filiado à Federação Única dos Petroleiros (FUP), enviou documento à Justiça do Trabalho e ao Ministério Público do Trabalho (MPT) solicitando o adiamento da parada de manutenção da unidade U-1210 (destilação) na Refinaria Duque de Caxias (Reduc) – a maior unidade operacional da refinaria –, bem como máscaras N95 para os trabalhadores, além de equipamentos de segurança que diminuam o risco de os profissionais contraírem a covid-19. Desde março de 2020, a refinaria contabiliza mais de 1.800 pessoas contaminadas pelo coronavírus, entre trabalhadores próprios e terceirizados, com quatro mortes por decorrência da doença. Neste momento, há nove trabalhadores internados.

 A parada de manutenção na Reduc começou no dia 10 de março, aumentando significadamente o número de trabalhadores nas dependências da unidade. Na pandemia, a refinaria funcionava com aproximadamente 500 trabalhadores próprios e mais 1.300 terceirizados. Com esta parada de manutenção, aumentará em mais 3 mil terceirizados em seu pico para manutenção, além dos demais mencionados, elevando substancialmente a circulação de pessoas dentro da refinaria, colocando os profissionais em risco neste momento de pandemia. Hoje, o Brasil passa de 3 mil mortes por dia. Diversos estados e municípios do país estão entrando em lockdown, porque o sistema de saúde entrou em colapso. A ideia do lockdown é, além de fazer o vírus parar de circular, desafogar os hospitais. Há filas de espera em CTIs do Rio de Janeiro e, em alguns locais do país, já faltam insumos até para intubar o paciente, caso necessário.

 A Refinaria Gabriel Passos (Regap), em Betim (MG), vem sofrendo um surto de covid-19, com mais de 220 trabalhadores contaminados só neste mês, 84 deles de um mesmo setor. Até este momento, são 13 empregados internados por complicações da doença. A Refinaria Landulpho Alves (Rlam), na Bahia, sofre com o mesmo problema e, em apenas uma semana, perdeu dois trabalhadores por complicações da covid-19.

 “A Petrobrás manter esta parada de manutenção neste grave momento da pandemia demonstra descaso com a vida de seus trabalhadores e trabalhadoras. Desde janeiro estamos alertando a empresa dos riscos desta parada acontecer neste momento, inclusive enviamos documento solicitando o adiamento, mas não obtivemos resposta da Petrobrás”, explicou Luciano Santos, diretor do Sindipetro Caxias.

Sindicatos comunicam cinco óbitos nas últimas 72 horas: quatro na Regap (MG) e um em Taquipe (BA)

Em meio às greves regionais que mobilizam há 19 dias os petroleiros e petroleiras em defesa da vida, a FUP faz um chamado à categoria para que participe do lockdown convocado pelas centrais sindicais para esta quarta-feira, 24. Só nas últimas 72 horas, os sindicatos da Bahia e de Minas Gerais informaram que cinco trabalhadores terceirizados perderam a vida em decorrência da irresponsabilidade da gestão da Petrobrás, que vem atuando na contramão das medidas de contenção da pandemia da Covid-19, fazendo multiplicar a contaminação nas unidades operacionais da empresa, como a federação vem denunciando desde o ano passado. 

A orientação da FUP é para que TODOS os trabalhadores do Sistema Petrobrás, próprios e terceirizados, permaneçam em casa ao longo desta quarta-feira. Os que estão em trabalho presencial não devem comparecer às unidades e os que estão em trabalho remoto, a FUP recomenda que participem das atividades e protestos virtuais, em defesa da vida, da vacinação em massa, dos empregos, do auxílio emergencial de R$ 600 reais para desempregados e informais.

O Brasil se aproxima da trágica marca de 300 mil vítimas fatais da Covid-19. São mais de dois mil mortos por dia, com o sistema de saúde em colapso e menos de 6% da população vacinada. Uma tragédia que poderia ser evitada com medidas responsáveis, mas o que vemos há mais de um ano são omissão, crueldade e desdém por parte do governo federal.

No Sistema Petrobrás, não é diferente. A gestão da empresa se recusa a tomar as medidas cobradas pela FUP e pelos sindicatos, como suspensão da paradas de manutenção que lotam as refinarias com mais de 2 mil trabalhadores, a testagem em massa de todos os petroleiros, próprios e terceirizados, o cumprimento dos protocolos recomendados pelos órgãos de saúde e de fiscalização. O resultado dessa política negacionista é a multiplicação de surtos de Covid nas plataformas e nas refinarias.

Segundo o último boletim de monitoramento da Covid-19 divulgado pelo Ministério de Minas e Energia (22/03), a semana começou com 5.684 petroleiros contaminados, o que representa 12,2% do total de trabalhadores próprios da empresa. O número de infectados vem aumentando há seis semanas consecutivas. Esses dados, no entanto, por mais assustadores que sejam, não refletem a realidade, pois a Petrobrás omite, desde o início da pandemia, a divulgação dos casos de Covid entre os trabalhadores terceirizados, que são os mais expostos à contaminação.

Pelo boletim do MME, por exemplo, consta que 17 petroleiros perderam a vida para a Covid, quando a FUP tem informações de que esse número é pelo menos três vezes maior, se considerado os óbitos entre trabalhadores terceirizados. No último domingo, 21, perdemos Gilsi Vasconcelos Fernandez, trabalhadora terceirizada da empresa Telsan, que atuava em Taquipe, área de produção terrestre da Bahia. Foi a terceira morte por Covid em unidades da empresa no estado em apenas três semanas. Na Rlam, o sindicato vem denunciando o avanço da contaminação, com mais de 90 trabalhadores infectados ao longo de março, o que resultou na morte de dois operadores mortos no espaço de uma semana.

Na Regap, já são mais de 200 trabalhadores infectados e 12 internados. Segundo informações obtidas pelo Sindipetro MG, quatro trabalhadores terceirizados que atuavam na refinaria faleceram nestes últimos dias, devido à irresponsabilidade da gestão da Petrobrás, que insistiu em manter a parada de manutenção da unidade, aglomerando mais de 2 mil trabalhadores em situação de risco. O sindicato está buscando mais informações. Segundo a entidade, três dos quatro trabalhadores que perderam a vida em decorrência da Covid integravam as equipes da parada de manutenção. Dois dos trabalhadores mortos eram contratados da Gramo e os outros dois, da Estrutural e da Sulfur.

Ontem, quando os petroleiros da Regap iniciaram a Greve pela Vida, cobrando a suspensão das paradas de manutenção e condições seguras, o coordenador do Sindipetro, Alexandre Finamori, denunciou a situação na refinaria: 

Nas plataformas da Petrobrás, a situação também se agrava com o aumento de surtos da Covid. Em apenas um dia desta última semana, segundo dados da ANP, foram confirmados 83 novos casos de trabalhadores contaminados na última semana em atividades offshore do país.

Para estancar essa sangria, é fundamental a adesão em massa da categoria petroleira às mobilizações que estão sendo convocadas pelos sindicatos, como o lockdown desta quarta-feira, 24. Não saia de casa, não pegue os ônibus fretados para as unidades operacionais, não compareça ao seu local de trabalho. Diga não à irresponsabilidade criminosa dos gestores da Petrobrás e do governo Bolsonaro e diga sim à vida, à vacina, à segurança.

Greve petroleira avança

A segurança é um dos eixos das greves regionais nas bases da FUP, que denunciam há 19 dias os impactos das privatizações no Sistema Petrobrás, como a precarização das condições de trabalho, os riscos de acidentes e o avanço da Covid-19 nas instalações da empresa. As greves mobilizam a categoria nas unidades da Bahia, do Amazonas, do Espírito Santo, do Unificado de São Paulo e de Minas Gerais. Na Regap, a força da mobilização fez a gerência suspender parte dos serviços não essenciais da refinaria e adiar as paradas de manutenção que estavam previstas para acontecer nos próximos dias. Ainda esta semana, a luta ganhará o reforço dos trabalhadores da Usina do Xisto do Paraná (SIX), que aprovaram o início da greve na sexta-feira, 26.

Publicado em Sistema Petrobrás

Aprovação da greve na Usina de Xisto (SIX) do Paraná fortalece movimentos regionais que completam nesta terça 19 dias. As greves no Sistema Petrobrás, que começaram no dia 05 de março nas unidades da Bahia, Amazonas, Espírito Santo e São Paulo, ganharam na segunda, 22, a adesão dos petroleiros mineiros e avança com a entrada dos trabalhadores da SIX no movimento

[Da imprensa do Sindipetro PR/SC]

Após uma série de seis sessões de assembleia, realizadas entre os dias 18 e 22 de março, os petroleiros da Usina do Xisto (SIX), em São Mateus do Sul-PR, decidiram que irão entrar em greve por tempo indeterminado a partir da próxima sexta-feira (26).  

A deliberação veio após várias tentativas por parte do Sindicato de negociar a pauta de reivindicação apresentada pelos trabalhadores.   

O Sindipetro PR e SC protocolou, em 18/02, a pauta junto à gerência geral da SIX com demandas relacionadas às condições de trabalho e garantia de direitos, caso ocorra a privatização da unidade. Dentre as reivindicações há pedidos de adoção de várias medidas de segurança dos trabalhadores, instalações e comunidades do entorno da SIX. 

De lá para cá, por diversas vezes o Sindicato tentou abrir uma mesa de negociação, mas a empresa negou todas, sem justificativa razoável. A entidade chegou a convidar os gestores locais para uma reunião de videoconferência na última terça-feira (16). No entanto, em ofício no dia anterior, apenas informou que  não compareceriam. 

Diante disso, o Sindicato submeteu o impasse à avaliação dos trabalhadores em assembleia. 91% dos participantes foram favoráveis à greve. Apenas 9% se abstiveram e não houve registro de um voto sequer contra o movimento. Sinal da unidade e indignação coletiva dos petroleiros da Usina do Xisto.

Publicado em Sistema Petrobrás

Maior incidência da doença vem ocorrendo em plataformas offshore: em apenas um dia, foram registrados 83 casos em instalações marítimas. Sindipetro-NF recorre ao MPT para que a Petrobrás esclareça avanço da covid nas unidades

[Da ssessoria de comunicação da FUP]

O Sindicato dos Petroleiros do Norte Fluminense (SIndipetro-NF), filiado à Federação Única dos Petroleiros (FUP), entrou com requerimento no Ministério Público do Trabalho (MPT) para que a Petrobrás seja notificada e preste esclarecimentos sobre o avanço da covid-19 em unidades de Exploração e Produção (E&P) da empresa. Em apenas um dia nesta semana, foram confirmados 83 novos casos em atividades offshore do país (Petrobrás e outras operadoras), segundo dados da Agência Nacional do Petróleo, Gás Natural e Biocombustíveis (ANP).

O surto mais recente foi registrado na plataforma P-38, no campo de Marlim Sul, na Bacia de Campos. A unidade está operando parcialmente, depois que trabalhadores foram testados positivo nesta semana. “A plataforma suspendeu os trabalhos no convés desde quarta-feira (17/3) depois do almoço, quando os resultados saíram”, informou o coordenador do Departamento de Saúde e Meio Ambiente do Sindipetro-NF, Alexandre de Oliveira Vieira, com base em informações recebidas de trabalhadores da unidade.

Desde o início da pandemia, a ANP registra um total de 4.743 casos de covid confirmados nas áreas de E&P. Desses, 3.392 acessaram as instalações, de acordo com o painel dinâmico da agência reguladora. Do total de 67 plataformas de petróleo em operação no país, 56 são da Petrobrás (83%).

Em meio ao crescimento do número de pessoas contaminadas, a Petrobrás suspendeu as reuniões da Estrutura Organizacional de Resposta (EOR), orientada para a gestão da crise sanitária, com os sindicatos. O último encontro ocorreu no dia 24 de fevereiro, afirma Vieira.

Na Petrobrás como um todo, os casos confirmados de covid são ainda maiores. Atingiram cerca de 5,5 mil pessoas do começo da pandemia até o último dia 15, o que representa 11% do contingente de empregados próprios da empresa. Os dados fazem parte do boletim de monitoramento Covid 19 do Ministério de Minas e Energia (MME). Do total de contaminados, de acordo com o último boletim, 5.203 se recuperaram, 258 permanecem doentes e em quarentena, sendo 17 hospitalizados, e 17 morreram.

Segundo Vieira, as atividades offshore, concentradas na região Sudeste, registram grande incidência de casos de covid. As operações da Petrobrás nas bacias de Campos e Santos movimentam cerca de 40 mil pessoas por mês. Mesmo as plataformas operando atualmente com 70% da capacidade, em média, é grande o trânsito de trabalhadores.

As últimas denúncias recebidas pela FUP de casos de contaminação em unidades offshore envolvem, além da P-38, a P-43, P-63, P-25 e P-35, todas na Bacia de Campos, de acordo com o requerimento do Sindipetro-NF ao MPT.


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O Sinttel-Rio (Sindicato dos Trabalhadores em Telecomunicações) informou hoje a morte, na noite de ontem, do operador de rádio Alcyr Lorena, que atuava na plataforma P-53, na Bacia de Campos. O trabalhador é mais uma vítima da covid-19 entre profissionais que atuam em instalações da Petrobrás.

“É com tristeza que o Sinttel-Rio recebe a notícia do falecimento de Alcyr Lorena, operador de rádio GMDSS, plataforma P-53 Bacia de Campos, terceirizado da Petrobras, empregado da empresa Green World, que tem os trabalhadores e trabalhadoras representados pelo nosso Sindicato”, disse a entidade (aqui).

Natural de Niterói, Alcyr morava em Nova Friburgo e tinha passagem por diversas empresas do setor de telecomunicações. Além de operador de rádio, o trabalhador formou-se em Administração de Empresas pela Universidade Candido Mendes. Sua idade não foi informada.

O Sindipetro-NF tem denunciado o avanço da covid-19 em várias áreas da companhia, especialmente em plataformas, em razão da negligência da empresa no cumprimento de medidas de prevenção.

Em luto por mais esta perda, o NF manifesta as suas condolências aos familiares, amigos e colegas de trabalho de Alcyr Lorena. Presente!

[Da imprensa do Sindipetro NF]

Cinco plataformas apresentaram casos de Covid-19 no mês de março

[Comunicado do Sindipetro NF à imprensa]

Devido a um aumento brusco no número de casos de Covid-19 nas plataformas da Bacia de Campos, o Sindipetro-NF encaminhou uma denúncia ao Ministério Público do Trabalho solicitando que a Petrobrás seja notificada e esclareça o motivo do surto da doença no mês de março e apresente todas as medidas por tomadas em relação ao isolamento e testagem dos trabalhadores.

Em apenas um dia nesta semana, foram confirmados 83 novos casos em atividades offshore do país (Petrobrás e outras operadoras), segundo dados da Agência Nacional do Petróleo, Gás Natural e Biocombustíveis (ANP).

Além disso, o Sindipetro-NF recebeu denúncia de casos em cinco plataformas, P-25, P-35. P-38, P-43 e P-63. O caso mais grave e recente aconteceu em P-38, que no dia 11 de março confirmou dois trabalhadores com sintomas da doença e dois dias depois desembarcou sete trabalhadores, sendo seis confirmados após a testagem a bordo.

E no dia 15, apresentou vários novos casos que chegaram a lotar a enfermaria. A estimativa total é que até a última quarta, 17, aconteceram 19 desembarques. “A plataforma suspendeu os trabalhos no convés desde quarta-feira (17/3) depois do almoço, quando os resultados saíram”, informou o coordenador do Departamento de Saúde e Meio Ambiente do Sindipetro-NF, Alexandre de Oliveira Vieira, com base em informações recebidas de trabalhadores da unidade.

Em P-43, cerca de 20 pessoas desembarcaram entre elas, casos confirmados e pessoas que tiveram contato com elas. Segundo denúncias não houve qualquer tipo de isolamento ou distanciamento, e dias depois os profissionais de saúde detectaram mais dois casos de pessoas contaminadas. As pessoas que tiveram contato com os contaminados não foram afastadas da unidade e nem isolados e trabalho na plataforma seguiu normalmente, apesar dos inúmeros indícios de que o vírus mantinha a sua disseminação entre a equipe.

Em P-63, o sindicato recebeu denúncia que a unidade estava com seis suspeitos de contaminação pela doença. Em P-25, sete suspeitos desembarcaram entre os dias 12 e 13 de março e em P-35 no dia 14 de março, quatro pessoas desembarcaram e entre elas uma suspeita.

Testagem

No documento encaminhado ao Ministério Público o Sindipetro-NF questiona novamente a forma de testagem que vem sendo feita no pré-embarque dos trabalhadores. O Diretor do Departamento de Saúde do Sindipetro-NF, Alexandre Vieira, reforça a necessidade de uma nova testagem a bordo para a investigação da possibilidade de falsos negativos, o que vem sendo subestimado, pela gestão da Petrobrás, e na visão de Vieira tem provocado a disseminação da Covid-19 e colocado em risco a vida dos trabalhadores.

Retestagem

O Sindipetro-NF também solicitou que o MPT solicite à Petrobrás que estabeleça um protocolo de retestagem de todos os trabalhadores a bordo das unidades offshore, de 3 a 7 dias após a sua chegada nas unidades, informe a relação entre o trabalho a bordo e a contaminação pelo Covid-19 e reduza o número de pessoas a bordo durante a pandemia.

Dados nacionais

Desde o início da pandemia, a ANP registra um total de 4.743 casos de covid confirmados nas áreas de E&P. Desses, 3.392 acessaram as instalações, de acordo com o painel dinâmico da agência reguladora. Do total de 67 plataformas de petróleo em operação no país, 56 são da Petrobrás (83%).

“Das 67 plataformas em operação no país, 56 são da Petrobras, então, dos 4.743 casos acumulados podemos sem medo de errar, dizer que 3.964 casos ocorrem em unidades da Petrobras, já que ela detém 83% das plataformas em operação”  – afirma Vieira, que critica a suspensão das reuniões da Estrutura Organizacional de Resposta (EOR), orientada para a gestão da crise sanitária, com os sindicatos.


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Gestão da Petrobrás ignora surtos de Covid-19, que já contaminaram mais de 200 petroleiros só no mês de março, 84 deles de um mesmo setor da refinaria

[Da imprensa do Sindipetro MG]

O Sindicato dos Petroleiros de Minas Gerais (Sindipetro/MG) comunicou nesta sexta-feira, 19/03, a gerência geral da Refinaria Gabriel Passos (Regap) sobre a realização de greve por tempo indeterminado a partir da próxima segunda-feira, dia 22.

O objetivo do movimento é defender a vida e os direitos da categoria, pauta que ganhou ainda mais importância diante dos aumentos de mortes por Covid-19 e o descaso da empresa em respeitar as medidas de segurança para conter a contaminação dentro da unidade.

Além disso, a pauta retoma as reivindicações da greve que teria início no dia 28 de fevereiro, mas foi suspensa devido a sinalização de negociação por parte da empresa. No entanto, como a negociação não progrediu por falta de interesse da empresa, a categoria irá dar continuidade ao chamado de greve.


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Abaixo, veja a pauta de reinvindicações completa:

1-  Recomposição de efetivo;

2 – Retorno ao número mínimo anterior ao O&M;

3 – Manutenção das atividades executadas por trabalhadores próprios – Fim da terceirização das atribuições e tarefas inerentes aos cargos do quadro de trabalhadores próprios da Petrobrás;

4 – Minuta da tabela de turno;

5 – Não alteração de THM durante parada de manutenção;

6 – Realização de periódicos durante a jornada de trabalho;

7- Anulação das punições aplicadas à trabalhadores em razão a participação da greve de fevereiro de 2020;

8 – Regulamentação do teletrabalho;

9 – Reembolso das horas indevidamente descontadas em janeiro 2021 em descumprimento do acordo realizado no TST decorrente da greve de fevereiro de 2020;

10 – Falta de medidas adequadas de prevenção ao novo coronavírus em razão da aglomeração excessiva de trabalhadores próprios/terceirizados agravados pelas paradas de manutenção;

11 – Interrupção e estorno das cobranças abusivas realizada na AMS.

 

O Sindipetro-NF continua a receber relatos dramáticos de petroleiros e petroleiras da Bacia de Campos sobre a falta de profissionais marítimos nas plataformas. Desde o último dia 13, quando terminou o contrato com a empresa Lighthouse, a nova empresa, Infotec, não conseguiu repor toda a mão de obra necessária de mestres de cabotagem, oficiais de náutica e de marinheiros.

Ontem, relatos sobre a P-09 mostravam que, de cinco profissionais da área que a unidade costuma ter a bordo, apenas dois estavam em atividade. Em outro relato, sobre uma outra unidade, o trabalhador compartilhou com o sindicato um apelo de uma chefia da Petrobrás a um marítimo que já rescindiu o contrato, pedindo orientações sobre como proceder em uma manobra.

Com o fim do contrato, 157 marítimos desembarcaram de 22 plataformas da Petrobrás na Bacia de Campos. Esse efetivo não foi reposto completamente ainda. Nos casos de reposição, também há muitas denúncias de que vários dos novos profissionais não possuem as qualificações necessárias para os postos.

Um dos motivos desse caos na prestação de serviço dos marítimos é o rebaixamento das condições salariais e de benefícios feito pela nova empresa. A Infotec não conseguiu manter grande parte da força de trabalho anterior e, no mercado, não conseguiu atrair todos os profissionais necessários em razão das condições desfavoráveis que oferece.

[Da imprensa do Sindipetro NF]

Publicado em Sistema Petrobrás

O Sindipetro-NF recebeu denúncia que ontem, 18, houve problema na área de comunicação do tráfego aéreo na área de Albacora e por isso muitos vôos foram transferidos enquanto a TIC – Tecnologia de Informação e Comunicação resolvia problema.

Os passageiros acabaram ficando no aeroporto do Farol de São Tomé aguardando uma solução da empresa. A diretoria do sindicato chegou a entrar em contato com a equipe do Compartilhado para verificar o motivo pelo qual temos passageiros aguardaram por horas transporte e hotel.E foi informada que conseguiu vagas para todos em Farol de São Tomé e que haverá alimentação disponível no hotel.

O NF questiona o fato da empresa não estra preparada para problemas desse tipo em plena pandemia, quando as pessoas não podem ficar aglomeradas correndo risco de contaminação. O sindicato alerta para que nos próximos eventos as empresas sejam mais ágeis no cuidado com a vida de seus trabalhadores e trabalhadoras.

[Da imprensa do Sindipetro NF]

Reportagem publicada pelo jornal Estado de São Paulo no domingo, 14, relembra o acidente que resultou há 20 anos no afundamento da maior plataforma submersível do mundo, a P-36, causando a morte de 11 petroleiros e traumas psicológicos nos outros 175 trabalhadores que estavam há bordo

Leia a íntegra da reportagem de Denise Luna e Fernanda Nunes:

Vinte anos após o naufrágio da plataforma de petróleo P-36 da Petrobras, no campo de Roncador, na bacia de Campos, as famílias que foram impactadas pela tragédia ainda sofrem com a lembrança do acidente que matou 11 trabalhadores, dos quais apenas dois tiveram os corpos encontrados. A plataforma afundou cinco dias depois de sofrer duas explosões, na madrugada do dia 15 de março de 2001, por um problema no fechamento de uma válvula, segundo relatório da Agência Nacional do Petróleo, Gás Natural e Biocombustíveis (ANP), causado por "não conformidades quanto a procedimentos operacionais, de manutenção e de projeto".

O trauma permanece até hoje, diz Walisson Antônio dos Santos, na época com 14 anos, que foi tirado da sala de aula sem saber o que estava acontecendo. “Só falaram para eu ir para casa”, conta entre lágrimas, apesar de duas décadas já terem passado. Hoje trabalhando com informática e morando em São Paulo, o filho de Laerson Antônio dos Santos, um dos nove corpos não encontrados, guarda um “santinho” feito pela mãe com a foto do pai. Na memória, Santos guarda os pés de moleque com guaraná que tomava de café da manhã com o pai em Aracaju, Sergipe, nos dias que passava com a família.

“Minha mãe entrou em depressão profunda, perdeu 30 quilos em menos de 15 dias, não conseguia comer, ficava no quarto, trancada, triste, sofrendo, e eu que tive um dia chegar para ela que eu precisava de alguém para poder me sustentar, e só então ela começou a se reerguer, mas até hoje ela sofre muito”, lamenta.

Ele lembra a agonia de aguardar notícias sobre o pai nos cinco dias que se seguiram à explosão. “Toda manhã a gente tinha esperança, mas toda noite a gente começava a chorar, porque paravam as buscas”, recorda. Na manhã do dia 20, acordou com a tia gritando “afundou, afundou”, e a família perdeu a esperança de rever o pai. Para ele, doeu muito a tentativa de salvar a plataforma no meio daquela tragédia, e se questionava se o petróleo valia mais do que a vida do seu pai.

“A gente recebeu indenização sim, demorou muito, mas recebeu. Eles (Petrobras) pagaram escola, faculdade e plano médico até os meus 23 anos. Eu fiz faculdade, me formei , mas eu não queria nada disso, eu queria que meu pai me visse formado”, afirma.

De acordo com a Petrobras, toda assistência foi prestada às famílias dos empregados, com o acompanhamento de assistentes sociais, pagamento de indenização às famílias, além do pagamento integral de mensalidades escolares dos filhos, despesas com tratamento psicoterápico para dependentes e para os empregados envolvidos diretamente no acidente. Além disso, manteve o plano de saúde para os pais dos empregados falecidos, entre outras ações de reparação.

Esposa de um colega de Laerson, Sergio Santos Sousa, ambos da brigada de incêndio da Petrobras, a viúva Helena Alves Santos Sousa, foi uma das únicas a enterrar o marido, e até hoje sofre, principalmente por causa do filho, hoje com 23 anos. “Ele esses dias mesmo me disse que estava esquecendo a fisionomia do pai. Ele embarcou no dia seguinte do aniversário de três anos dele”, relembra. Ela conta que estava ao telefone com Sérgio quando ele escutou um barulho e desligou para ver o que era. “Ele disse que ia ver e depois me ligava, amanheci no sofá esperando”, conta.

Todo dia 15 de março Helena vai ao evento promovido pela Federação Única dos Petroleiros (Fup) em Macaé, onde é realizado uma ato simbólico com a participação também de funcionários da ativa. Este ano o ato será online, por causa da pandemia. “Esse ato ajuda não só a nós, como a todos os funcionários na ativa a lutar por melhores condições de trabalho”, avalia.

Testemunha da explosão dos tanques, o então técnico de operação da P-36 Evanildo Souza e Silva conta que, até hoje, é assombrado pelas “imagens dantescas” do acidente. Por um acaso, sobreviveu. No momento em que explodiu o segundo tanque, ele estava na sala de operação, na parte superior da embarcação, para pegar um rádio e se comunicar com o pessoal em terra.

Silva fez parte do grupo de apenas 28 embarcados que permaneceu na plataforma em busca de sobreviventes. Ele deixou o local apenas quando a unidade começou a adernar, sem conseguir resgatar qualquer colega de trabalho. “A cena que a gente viu é chocante. Não dava para reconhecer nossos companheiros. Algumas viúvas me ligavam atrás de alguma informação e eu tinha que contar algo diferente. Amanhecia o dia e eu não dormia. Nunca mais fui a uma festa”, diz.

Por responder pela operação de um dos tanques que explodiu, o técnico foi apontado como um dos responsáveis pelo acidente em processo judicial. Foi absolvido por falta de provas, mas, segundo ele, ainda tenta na Justiça ser indenizado pelas perdas com a tragédia. Hoje, está aposentado e recebe remuneração do fundo de pensão da estatal, a Petros.

A viúva Luzineide Lima participou por 16 anos consecutivos dos atos da Fup do dia 15 de março. Todas as vezes em que assistia petroleiros chegando das plataformas revivia a dor da espera pelo marido. Neste ano, vai passar a data isolada, por conta da pandemia. “Vou rezar em casa, no meu cantinho”, informa ela.

Como ela, Alice Andrade, cunhada de uma das vítimas, diz que a irmã, Marilena Souza tem conseguido tocar a vida adiante por conta da religião. Elas foram juntas à Macaé (RJ) em busca de informações, acompanhadas de um pastor, no dia seguinte ao acidente. Deixaram a cidade dois dias depois. “Quando a plataforma afundou, a gente não estava mais lá. Foi uma forma de diminuir o sofrimento”, afirma.

[Do jornal O Estado de São Paulo | Imagem: Antônio Gaudério/Folhapress - 16/03/2001]

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A Federação Única dos Petroleiros (FUP) foi criada em 1994, fruto da evolução histórica do movimento sindical petroleiro no Brasil, desde a criação da Petrobrás, em 1953. É uma entidade autônoma, independente do Estado, dos patrões e dos partidos políticos e com forte inserção em suas bases.