Atrasos, cortes de rendição e distribuição de combustíveis a preços justos marcam as primeiras semanas do movimento grevista

[Da imprensa do Sindipetro Unificado SP]

Troca na presidência da Petrobrás, investigações da Comissão de Valores Mobiliários (CVM) envolvendo operações financeiras suspeitas, demissão do gerente executivo de Recursos Humanos por insider trading e aprovação da venda da Refinaria Landulpho Alves (Rlam) pelo Conselho de Administração. Além de todas essas notícias envolvendo a maior estatal do país, o Brasil ainda assumiu o primeiro lugar do mundo no número de mortes por covid-19 no mês de março.

Justamente por esse cenário, a greve dos petroleiros, iniciada no dia 5 de março, tem particularidades que respondem a esse colapso político, econômico e sanitário do país – e, dialeticamente, da Petrobrás. Diferentemente da paralisação de fevereiro do ano passado, as últimas quatro semanas indicam que a atual movimentação da categoria será longa e crescente. Esse é o ponto de vista do diretor da Federação Única dos Petroleiros (FUP), Arthur Bob Ragusa.

“Nós estamos fazendo história por estarmos resistindo nessa briga que é contra uma empresa e um governo gerenciados de maneira suicida, principalmente em relação à pandemia. Nas bases pelo Brasil, as greves já foram ou estão sendo aprovadas em assembleias, com movimentos diários. Com a notícia da venda da Rlam, sabemos que é necessário subir progressivamente o tom, e a fragilização da direção da Petrobrás abre caminho para isso. Temos que fazer isso com muita inteligência e sagacidade, porque essa é uma disputa de médio e longo prazo”, opina Ragusa. 

 A greve foi aprovada, primeiramente, em quatro estados do país – Amazonas, Bahia, Espírito Santo e São Paulo. Posteriormente, assembleias em outros estados também confirmaram, muito mais do que uma greve nos moldes como é popularmente conhecida, um movimento grevista.

Apesar de convergirem no repúdio ao sistemático processo de privatização em curso na Petrobrás, cada um dos sindicatos filiados à FUP tem construído suas próprias pautas locais. A partir delas, as bases têm realizado atrasos e cortes de rendição – quando trabalhadores deixam de comparecer a um turno de trabalho como protesto. Até o momento, ocorreram sete cortes de rendição na Refinaria Landulpho Alves (Rlam), seis na Usina do Xisto (SIX), três na Refinaria de Paulínia (Replan), dois na Refinaria Gabriel Passos (Regap) e um na Refinaria de Capuava (Recap). 

Leia também: Entenda o cálculo utilizado pela Petrobrás para definir os preços dos combustíveis

Além disso, os sindicatos têm intensificado as campanhas de distribuição ou venda subsidiada de combustíveis a preços justos, com o objetivo de denunciar o preço de paridade de importação (PPI), que vincula os preços dos combustíveis praticados nas refinarias às variações do dólar e do barril internacional de petróleo.

“Para todos os que estão preocupados com a continuidade do nosso movimento, com a nossa resistência e capacidade de mobilização, é necessário dizer que, por hora, nós estamos fazendo história. As mobilizações são diárias, não apenas nas unidades da Petrobrás, mas com toda a população por meio das vendas e distribuições de combustíveis a preço justo”, aponta Ragusa. 

De uma maneira geral, a empresa tem adotado uma prática antissindical, como se tornou prática na gestão do economista Roberto Castello Branco. Além de não responder às pautas de reivindicações enviadas pelos sindicatos, algumas gerências têm praticado assédio moral contra os trabalhadores que aderem ao movimento.

Leia também: Petrobrás demite gerente por usar informações internas para lucrar com venda de ações

Exemplos desse modus operandi foram praticados na Refinaria Abreu e Lima (RNEST), com advertência aos trabalhadores que participaram do “Lockdown pela Vida”, e na Refinaria de Paulínia (Replan), com constrangimento individual de petroleiros que aderiram aos cortes de rendição e protocolos autoritários que incluem barrar o uso dos banheiros durante as assembleias.

Petroleiros tem intensificado o debate com a população por meio de vendas e distribuições de combustíveis a preço justo (Foto: Eric Gonçalves/Sindipetro-SP)

Entretanto, a demissão do até então gerente executivo de Recursos Humanos, Cláudio Costa, por descumprir estatuto interno da companhia e ter especulado no mercado financeiro a partir de informações sigilosas, incluindo denúncias contra Castello Branco, pode ser a brecha para a categoria pressionar por mudanças. Essa é a opinião do diretor do Sindicato Unificado dos Petroleiros do Estado de São Paulo (Sindipetro-SP), Gustavo Marsaioli.

O plano da atual diretoria é vender 8 das 13 refinarias da Petrobrás (Arte: Sindipetro-SP)

“Existe um cenário de total deterioração do setor de Recursos Humanos e, por isso, nós precisamos aumentar a pressão pelas nossas pautas regionais. Até o momento, com o Cláudio Costa, existia uma determinação clara repassada a todas as gerências que era não negociar. Com a sua saída, por utilização de informações internas para lucrar com ações na bolsa de valores, abre-se uma oportunidade para reforçarmos a pressão”, opina Marsaioli.   

Além disso, algumas unidades iniciaram paradas de manutenção – que consiste na paralisação de determinados setores para a realização de obras –, o que atraiu centenas de trabalhadores terceirizados e, consequentemente, fez explodir os números de trabalhadores contaminados. Foi o que ocorreu na Rlam, na região metropolitana de Salvador (BA), e na Refinaria Gabriel Passos (Regap), na região metropolitana de Belo Horizonte (MG).

Até o momento, de acordo com o Boletim de Monitoramento do Ministério de Minas e Energia, já foram já foram contaminados 5.895 trabalhadores por coronavírus, de um efetivo total de 46.416. Destes, 19 faleceram em decorrência da covid-19.

Mesmo com todos esses obstáculos, a mobilização segue ganhando mais adesões de unidades e trabalhadores pelo país. Confira abaixo o quadro nacional de mobilizações:

Bahia

Na Bahia, os petroleiros completaram 27 dias em greve com diferentes tipos de mobilizações, com o objetivo principal de denunciar a venda da Refinaria Landulpho Alves (Rlam) ao fundo Mubadala, dos Emirados Árabes – de acordo com o Instituto de Estudos Estratégicos do Petróleo (Ineep), a negociação custou metade do seu valor real. Para o Sindicato dos Petroleiros da Bahia (Sindipetro-BA), a venda da Rlam acarretará grandes prejuízos para economia do estado, sobretudo aos consumidores que pagarão preços ainda mais altos pelos combustíveis e pelo gás de cozinha. Uma extensa pauta de reivindicações foi enviada à Petrobrás, mas ainda não houve resposta da direção da estatal. Confira a pauta completa de reivindicações aqui.

São Paulo

Em São Paulo, petroleiros iniciaram as mobilizações em 5 de março com atrasos de duas horas realizados nas refinarias de Paulínia (Replan) e Capuava (Recap), localizadas nos municípios paulistas de Paulínia e Mauá, respectivamente, além dos terminais da Transpetro em Barueri, Guararema e São Caetano. Ao longo do mês, entre as atividades de greve também ocorreram ações de distribuição de combustíveis a preço justo para a população. Também ocorreram três cortes de rendição na Replan e um na Recap ao longo deste último mês.

Segundo o Sindicato Unificado dos Petroleiros do Estado de São Paulo (Sindipetro-SP), os trabalhadores reivindicam a reposição de pessoal, pagamento de homologações e outros descontos indevidos, garantia de direitos previstos em acordo coletivo e um plano de segurança operacional, devido ao número crescente de acidentes. O Sindicato denuncia ainda que a direção da empresa começou a adotar medidas para minar qualquer outro movimento semelhante à greve de fevereiro do ano passado. Para isso, iniciou um processo de terceirização de setores e cargos essenciais, o que fragiliza os vínculos de trabalho e, consequentemente, o poder de mobilização da categoria.

Espírito Santo

No Espírito Santo, os petroleiros também iniciaram a greve no dia 5 de março. Em diversas ações realizadas ao longo do mês, denunciaram o descumprimento dos protocolos de segurança contra a covid-19 pela direção da Petrobrás, o que colocou em risco a saúde dos trabalhadores. Segundo o Sindicato dos Petroleiros do Espírito Santo (Sindipetro-ES), a greve também tem o objetivo de manifestar repúdio ao desrespeito da legislação trabalhista promovido pela direção da estatal, com as demissões e a exposição dos trabalhadores ao acúmulo de função. O sindicato também denuncia surtos de covid-19 nas plataformas do estado.  

Paraná

No estado do Paraná, a greve dos petroleiros se concentra na Usina do Xisto (SIX), localizada em São Mateus do Sul. Lá, os trabalhadores estão completando o sexto dia de protesto nesta quarta-feira (31). Eles reivindicam principalmente melhores condições de trabalho e garantia de direitos – caso se confirme a privatização da unidade. Segundo o Sindicato dos Petroleiros do Paraná e Santa Catarina (Sindipetro PR/SC), desde o início do movimento, a postura da empresa é de negar qualquer tipo de diálogo. A Petrobrás também tem impedido o ingresso dos trabalhadores para garantir a manutenção dos serviços essenciais durante a greve – o que tem ocasionado a suspensão das atividades na unidade que gera o Gás Liquefeito de Petróleo (GLP), popularmente conhecido como gás de cozinha.

Pernambuco

Em Pernambuco, a greve ainda não foi iniciada, apesar de já ter sido aprovada em assembleia pela categoria. Mesmo assim, houve um atraso no início das operações da Refinaria Abreu e Lima (RNEST), em 5 de março. Além disso, na última quarta-feira (24), os trabalhadores participaram do “Lockdown em Defesa da Vida e dos Direitos”, movimento nacional convocado pelas Centrais Sindicais, quando pararam um dos turnos da refinaria, sendo alvos de advertências por parte da gerência. O Sindicato dos Trabalhadores da Indústria do Petróleo de Pernambuco e da Paraíba (Sindipetro PE/PB) denuncia que o episódio configura uso de práticas antissindicais e assédio moral da Petrobrás e afirma que já acionou seu departamento jurídico para reparar os danos causados às vítimas.

Minas Gerais

Em Minas Gerais, os trabalhadores decidiram suspender a greve na última segunda-feira (22), após a Petrobrás apresentar uma proposta de abertura de diálogo. A resposta da estatal veio após mobilização da categoria, concentrada na Refinaria Gabriel Passos (Regap), e do posicionamento do Ministério Público do Trabalho (MPT) sobre o surto de covid-19 na unidade. Durante todo o mês de março, o Sindicato dos Petroleiros de Minas Gerais (Sindipetro-MG) denunciou o crescimento dos casos da doença na refinaria e reivindicou uma resposta da empresa.

Rio de Janeiro

No Rio de Janeiro, trabalhadores da Refinaria Duque de Caxias (Reduc) realizaram atividades de solidariedade durante o mês como parte das ações que integram a greve nacional da categoria. Entre elas, houve a distribuição de botijões de gás a preço justo, como forma de conscientização da população. As ações foram realizadas em parceria entre o Sindicato dos Petroleiros do Norte Fluminense (Sindipetro-NF) e Sindicato dos Petroleiros de Duque de Caxias (Sindipetro Caxias). Na última quinta-feira (25), os petroleiros enviaram um documento ao Ministério Público do Trabalho (MPT) solicitando o adiamento da parada de manutenção da unidade – que reúne mais trabalhadores no local. Nele, também reivindicam máscaras e equipamentos de proteção contra a covid-19. 

Amazonas

No Amazonas, desde 5 de março, petroleiros têm se mobilizado nas atividades de greve. Como principal ação realizada nesse período, os trabalhadores organizaram a distribuição de combustíveis a preço justo para taxistas e mototaxistas. A atividade foi realizada a partir de uma parceria entre o Sindicato dos Petroleiros do Amazonas (Sindipetro-AM), o Sindicato dos Taxistas do Amazonas (Sintax-AM) e o Sindicato dos Profissionais de Mototáxi de Manaus (Sindmoto). Além disso, os trabalhadores têm realizado atrasos e cortes de rendição na Refinaria Isaac Sabbá (Reman).

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Coordenador geral da FUP defende que Ministério Público Federal (MPF) apure o processo de venda da refinaria. O preço cobrado pela Petrobrás, de US$ 1,65 bilhão, foi questionado até mesmo por agentes do mercado

“Infelizmente, a venda da Refinaria Landulpho Alves (RLAM) é mais um crime cometido contra o Brasil, a economia da região Nordeste e da Bahia. Estamos lutando para barrar essa privatização, feita de forma açodada, através de um processo viciado, nebuloso, desde o começo", afirma o coordenador geral da FUP, Deyvid Bacelar, que defende a necessidade de intervenção do Ministério Público Federal (MPF) para apurar o processo de venda da refinaria pela metade do preço.

A RLAM, a segunda maior refinaria do país, foi vendida ao Fundo Mubadala, de Abu Dhabi, por US$ 1,65 bilhão, abaixo do valor de mercado. O baixo preço, construído sem transparência, foi questionado por BTG Pactual, XP Investimentos e Instituto de Estudos Estratégicos de Petróleo, Gás Natural e Biocombustíveis (Ineep).

A FUP também cobra posicionamento dos órgãos reguladores contra a venda de um ativo reconhecidamente aquém do preço projetado pelo mercado. Pelos cálculos do Ineep, o valor do negócio é 50% abaixo do de mercado; ou 30% menor, segundo avaliações dos bancos privados de investimento.

Bacelar mostrou-se indignado com a reunião de ontem (24/03) do Conselho de Administração da Petrobrás, convocada pela diretoria executiva da empresa, em meio ao término do mandato do presidente Roberto Castello Branco, para pressionar os conselheiros pela aprovação da venda da refinaria, a preço aviltado. 

"Estão tentando ‘passar a boiada’ no momento mais crítico da pandemia de covid-19, que superou a marca de 300 mil vidas perdidas de brasileiros e brasileiras", afirma o coordenador da FUP, lembrando que o Tribunal de Contas da União (TCU) ainda não deu parecer final sobre a operação. Depende dos ministros do TCU aprovarem a venda da Rlam. "O que houve foi uma decisão apenas do Conselho de Administração da Petrobrás. O TCU e a Controladoria Geral da União (CGU) têm uma série de ressalvas em relação à venda da refinaria a preço vil", explica.


Leia também: No momento mais crítico da pandemia, CA da Petrobrás aprova venda suspeita da RLAM


 

REAÇÃO PARLAMENTAR

A reação contra a venda tempestiva da RLAM ganhou corpo também no Congresso Nacional. Os senadores Jean Paul Prates (PT-RN) e Jaques Wagner (PT-BA) enviaram ofícios a autoridades do Tribunal de Contas da União (TCU), do Conselho Administrativo de Defesa Econômica (Cade) e da Comissão de Valores Mobliários (CVM), bem como ao presidente da Petrobrás, Roberto Castello Branco.

Nos documentos, os parlamentares consideram que a alienação da RLAM ao Fundo Mubadala, no presente contexto, “representa um evento contrário ao interesse público, que possivelmente implicará não apenas em prejuízo ao erário, como desvalorização da empresa e prejuízo ao mercado brasileiro de óleo, em geral”.

Acrescentam que “a proposta de alienação do ativo com pressa e preços incomuns ensejarão escrutínio redobrado não só das instituições de controle (TCU e Cade), bem como das instâncias judiciais cabíveis e dos reguladores de mercado com vistas a assegurar o atendimento do interesse público, na forma da lei, bem como as respectivas responsabilidades administrativas, civis e penais, conforme necessário”.

No ofício ao presidente da Petrobrás, o senador Jean Paul Prates recomendou a Roberto Castello Branco que não desse anuência à proposta. “O afogadilho não pode prejudicar o desenvolvimento do mercado, nem deveria nos levar a deslocar o debate público do que seria a real prioridade do momento: estancar as mais de três mil mortes diárias de vítimas brasileiras do coronavírus, cuja pandemia nos atinge em seu pior momento até agora”, afirmou o senador.

[Imprensa da FUP]

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No dia em que o Brasil ultrapassou a trágica marca de 300 mil vidas perdidas na pandemia da Covid-19, com o sistema de saúde e hospitalar em colapso e o povo mergulhado na maior crise econômica e social das últimas décadas, o Conselho de Administração da Petrobrás comete um crime de lesa pátria ao autorizar a venda da Refinaria Landulpho Alves (Rlam) pela metade do preço. A refinaria está sendo privatizada em um processo repleto de irregularidades, em meio à pressão do presidente demitido, Roberto Castello Branco, que está com o mandato encerrado e só continua no comando da empresa, enquanto aguarda a posse do seu substituto.  

Estamos diante de um crime contra a Petrobrás e contra o Brasil, cometido ao apagar das luzes de uma gestão que está deixando a empresa. Um crime que atinge mortalmente o estado da Bahia, que sempre teve na Rlam o seu principal instrumento de industrialização e desenvolvimento econômico. 

A FUP e seus sindicatos denunciam desde o início os interesses escusos que giram em torno da privatização da refinaria, cujo processo de venda foi acelerado a toque de caixa em plena pandemia da Covid-19, sem qualquer transparência, enquanto o povo brasileiro lutava para sobreviver. Não por acaso, a negociação da Rlam com o fundo de investimentos Mubadala, do Emirados Árabes, foi fechada por um preço muito abaixo do valor mercado.

Cálculos feitos pelo Instituto de Estudos Estratégicos de Petróleo, Gás Natural e Biocombustíveis (Ineep) apontam que o preço aceito pela gestão da Petrobrás, US$ 1,65 bilhão, equivale a metade do valor real da refinaria, que está estimado entre US$ 3 bilhões e US$ 4 bilhões. O valor da venda também foi questionado pelos bancos BTG Pactual e pela XP Investimentos.

Em documento que a gestão da Petrobrás enviou aos conselheiros na semana passada, e que a Agência Estado teve acesso, a diretoria admite que o valor oferecido pelo Mubadala "é inferior à faixa média de referência calculada por ela, antes da pandemia", como noticiou a agência na terça-feira, 23.

A reportagem evidencia que Castello Branco apressou a venda da Rlam, mesmo a preço de banana, na tentativa de consolidar o Preço de Paridade de Importação (PPI) como política de reajuste dos derivados: "sem vender refinaria, vai ser difícil manter os preços dos combustíveis alinhados aos do mercado internacional", destacou a Agência Estado, citando o documento que a diretoria da empresa enviou aos conselheiros.

A luta para barrar a venda da Rlam não terminou. A FUP e seus sindicatos continuarão buscando em todas as instâncias a reversão desse processo escuso e imoral. Medidas jurídicas já estão sendo tomadas para responsabilizar a gestão da Petrobrás pelos prejuízo impostos pela venda da refinaria. Mais do que nunca, é fundamental a unidade e adesão da categoria às mobilizações que estão sendo feitas para denunciar e estancar a privatização da empresa.

“Precisamos transformar toda a tristeza que sentimos neste momento em indignação para revertermos não só a venda da Rlam, como também as privatizações da BR Distribuidora, dos campos de petróleo em terra e em mar, da Liquigas, das malhas de gasoduto, dos parques de energia renovável, de tudo que está sendo destruído pela gestão Castello Branco, com a anuência do governo Bolsonaro”, afirma o coordenador geral da FUP, Deyvid Bacelar.  

Defender a Rlam é defender a soberania nacional

Símbolo da industrialização e do desenvolvimento da Bahia, a Rlam é responsável por 25% do ICMS do estado. Entrou em operação há 70 anos, impulsionando o desenvolvimento do primeiro complexo petroquímico planejado do país e maior complexo industrial do hemisfério Sul: o Polo Petroquímico de Camaçari. A refinaria produz 31 tipos de derivados de petróleo.

Com capacidade de processamento de 333.000 barris de óleo por dia, a Rlam está sendo vendida junto com os terminais operados pela Transpetro (Candeias, Itabuna, Jequié e Madre de Deus), além de 669 km de dutos que integram a rede da refinaria, incluindo oleodutos que ligam a unidade ao Terminal Madre de Deus, ao Complexo Petroquímico de Camaçari e aos Terminais de Jequié e Itabuna.

Além de GLP (gás de cozinha), gasolina, diesel e lubrificantes, a refinaria é a única produtora nacional de food grade, uma parafina de teor alimentício, utilizada para fabricação de chocolates, chicletes, entre outros, e de n-parafinas, derivado utilizado como matéria-prima na produção de detergentes biodegradáveis.

A planta se destaca também na produção de óleo combustível marítimo (bunker) de baixo teor de enxofre, produto que ganhou peso nas exportações da Petrobrás nos últimos anos, sobretudo após a pandemia.

[Federação Única dos Petroleiros]

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Nesta quarta-feira, 24, quando os petroleiros completam 20 dias de greve e mobilizações regionais por segurança nas unidades do Sistema Petrobrás, a categoria aderiu ao chamado da FUP em vários estados, e não foi trabalhar presencialmente ou retornou para casa, em resposta às mobilizações feitas pelos sindicatos nas portas da unidades operacionais da empresa. O "Lockdown em Defesa Da Vida e dos Direitos", chamado pelas centrais sindicais e movimentos sociais foi realizado nas principais bases da FUP, fortalecendo a luta por segurança e contra as privatizações.

O movimento acontece no mesmo dia em que a gestão Castello Branco tenta emplacar a venda da Refinaria Landulpho Alves pela metade do preço, pressionando os integrantes do Conselho de Administração para votar favorável à privatização da unidade a preço de banana (saiba mais aqui). 


Leia também: Enquanto petroleiros morrem de Covid, diretoria da Petrobrás prioriza venda da Rlam pela metade do preço


O Sindipetro Bahia protestou contra a manobra da diretoria da Petrobrás, que ocorre às vésperas da substituição dos gestores. Veja abaixo o vídeo do coordenador geral da FUP, Deyvid Bacelar, nesa manhã, na porta da Rlam, onde os trabalhadores próprios e terceirizados retornaram para casa, atendendo ao lockdown da classe trabalhadora. 

Na Replan, base do Sindipetro Unificado SP, os ônibus também chegaram vazios à unidade, com adesão em massa ao lockdonw pela vida. Veja o vídeo: 

No Norte Fluminense, o Siundipetro realizou um ato pela manhã no Aeroporto do Farol de São Tomé, em Campos, denunciando as contaminações por surtos nas plataformas e refinarias da Petrobrás, que já mataram dezenas de trabalhadores. Durante o ato, os petroleiros também protestaram contra as 3 mil mortes diárias no Brasil em função da pandemia que avança sem controle diante da negligência do governo Bolsonaro. Veja o vídeo abaixo, onde o diretor da FUP e do Sindipetro-NF, Rafael Crespo, fala das cobranças que o sindicato tem feito pela testagem de todos os trabalhadores no desembarque das plataformas, para evitar que o vírus circule e que leve a doença para casa: 

No Terminal Aquaviário de Suape, em Pernambuco, os trabalhadores participam desde a noite de ontem das mobilizações convocadas pelo Sindipetro-PE/PB, fazendo atrasos na troca de turnos. Hoje pela manhã, os atrasos continuaram e os trabalhadores também aderiram ao lockdown: 

A FUP e seus sindicatos também estão mobilizando a categoria petroleira para que fortaleça o lockdown da classe trabalhadora nas redes sociais, divulgando as hastags: 
 
 
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[Da imprensa da FUP]
 

 

Esta quarta-feira, 24, é dia de lockdown da classe trabalhadora. De que lado você, petroleiro e petroleira, estará? Na luta pela vida ou ao lado da necrogestão?, questiona a FUP, em editorial 

Leia a íntegra:

Enquanto os trabalhadores do Sistema Petrobrás estão sendo contaminados e mortos pela Covid-19 por conta da negligência e ingerência da empresa, a atual diretoria, que deveria estar preocupada em salvar vidas, corre contra o tempo para aumentar os lucros dos acionistas privados. A FUP tomou conhecimento pela imprensa de que Roberto Castello Branco, às vésperas de se desligar da presidência, está pressionando o Conselho de Administração da empresa a aprovar a qualquer custo a venda da Refinaria Landulpho Alves (Rlam), negociada pela metade do preço. A notícia foi divulgada no final da tarde desta terça-feira, 23, pela Agência Estado.

E daí que quatro trabalhadores da Regap morreram nas últimos 48 horas por culpa de gestores que insistiram em manter as paradas de manutenção, abarrotando a refinaria com 2.200 trabalhadores a mais? E daí que cerca de 300 petroleiros se contaminaram na Regap e na Rlam nas últimas semanas? E daí que centenas de trabalhadores offshore estão entregues à própria sorte em meio aos surtos de Covid que se alastram pelas plataformas?

O que vale para a diretoria da Petrobrás é vender a empresa a preço de banana e garantir os compromissos assumidos com os acionistas privados e o mercado. A reportagem da Agência Estado mostra a pressão que está sendo feita sobre os integrantes do CA para que aprovem nesta quarta-feira, 24, a privatização da Rlam. Ao apagar das luzes da gestão Castello Branco, a única coisa que interessa à empresa é tentar consolidar o Preço de Paridade de Importação (PPI) como política de reajuste dos derivados. Em documento obtido pela reportagem, está claro que a diretoria usa o PPI para tentar justificar perante os acionistas o preço da Rlam abaixo do mercado: "sem vender refinaria, vai ser difícil manter os preços dos combustíveis alinhados aos do mercado internacional".

É essa mesma diretoria, em qualquer compromisso com os interesses nacionais, que atua na contramão das medidas de contenção da pandemia da Covid-19, fazendo multiplicar a contaminação nas unidades operacionais. É a mesma diretoria que se recusa a tomar as medidas de prevenção cobradas pela FUP e pelos sindicatos, como suspensão da paradas de manutenção que lotam as refinarias com mais de 2 mil trabalhadores, a testagem em massa de todos os petroleiros, próprios e terceirizados, o cumprimento dos protocolos recomendados pelos órgãos de saúde e de fiscalização, a emissão de CATs para os casos de Covid, entre outras.

Segundo o último boletim de monitoramento da Covid-19 divulgado pelo Ministério de Minas e Energia (22/03), a semana começou com 5.684 petroleiros contaminados, o que representa 12,2% do total de trabalhadores próprios da empresa. O número de infectados vem aumentando há seis semanas consecutivas. Esses dados, no entanto, por mais assustadores que sejam, não refletem a realidade, pois a Petrobrás omite, desde o início da pandemia, a divulgação dos casos de Covid entre os trabalhadores terceirizados, que são os mais expostos à contaminação.

A gestão Castello Branco tem as mãos manchadas de sangue, mas, e daí? O que interessa é garantir a produção a qualquer custo, não importa que o preço seja a vida do trabalhador. O que interessa é vender refinaria pela metade do preço e cumprir as metas de privatização. O que interessa é sacrificar a população com preços abusivos do gás de cozinha e dos combustíveis e agradar o mercado.

Esta quarta-feira, 24, é dia de lockdown da classe trabalhadora. De que lado você, petroleiro e petroleira, estará? Na luta pela vida ou ao lado da necrogestão? 

Federação Única dos Petroleiros

Após explosão dos casos de Covid em unidades da empresa, movimento permanece em outros quatro estados e vai receber adesão dos trabalhadores da SIX, no Paraná. FUP e sindicatos filiados vão aderir ao “Lockdown em Defesa da Vida e dos Direitos”, convocado pelas centrais sindicais para esta quarta (24/3)

[Da assessoria de comunicação da FUP] 

Trabalhadores e trabalhadoras da Refinaria Gabriel Passos (Regap), em Betim (MG), decidiram, na noite dessa segunda-feira (22/3), suspender temporariamente a greve sanitária iniciada na unidade. A decisão foi tomada após a Petrobrás se comprometer, via ofício, a atender parte da demanda da categoria em relação a medidas para evitar o aumento do contágio por Covid-19 na refinaria, que registrou mais de 220 contaminados, sendo 84 trabalhadores de um mesmo setor, com 13 internações hospitalares e quatro pessoas intubadas. O aumento da infecção coincidiu com o início da parada de manutenção na Regap, que ampliou a circulação de pessoas na planta para cerca de 2,2 mil diariamente. 

De acordo com Alexandre Finamori, coordenador do Sindicato dos Petroleiros de Minas Gerais (Sindipetro-MG), filiado à Federação Única dos Petroleiros (FUP), a Petrobrás atendeu parte dos pedidos dos trabalhadores em relação à redução de efeito em atividades não essenciais. Por isso, os petroleiros decidiram retomar suas atividades e voltar à mesa de negociação com a gerência geral da Regap, a fim de verificar a efetividade das ações da empresa no combate à pandemia no ambiente de trabalho. 

“A Petrobrás se comprometeu em reduzir imediatamente o número de trabalhadores na refinaria. A redução será escalonada e, até o dia 31 de março, haverá 70 por cento de redução do efetivo, segundo a empresa", afirmou Finamori. 

Há 19 dias, petroleiros da Bahia, Amazonas, Espírito Santo e das bases do Sindipetro Unificado de São Paulo estão promovendo greves regionais. As principais reivindicações da mobilização tratam da precarização das condições de trabalho e o aumento dos riscos de acidentes, e também o crescimento vertiginoso de casos de Covid nas unidades marítimas e terrestres da empresa. Na sexta (26/3), a greve vai receber a adesão dos trabalhadores da Unidade de Xisto (SIX), no Paraná. 

COVID AVANÇA EM TERRA E NO MAR

Não é apenas na Regap que a situação da Covid é alarmante e onde o Sindipetro-MG registrou a morte de quatro trabalhadores terceirizados. Na Bahia, a Refinaria Landulpho Alves (RLAM) teve cerca de 80 trabalhadores próprios e terceirizados contaminados, segundo levantamento do Sindipetro-Bahia, e dois deles morreram num intervalo de uma semana. Nesse domingo (21/3), o Sindipetro-Bahia recebeu a notícia da morte de uma trabalhadora terceirizada de Taquipe, um campo de produção terrestre da Petrobrás na Bahia. 

Na Bacia de Campos, o Sindipetro-Norte Fluminense vem registrando uma explosão de surtos em plataformas da Petrobrás. Nesta semana, foram registrados casos na P-48, que opera no campo de Caratinga, com dez trabalhadores sendo desembarcados até o momento. No fim da semana passada, um surto na P-38, unidade do campo de Marlim Sul que estoca o petróleo produzido na área, obrigou a Petrobrás a interromper temporariamente a produção na área. 

Segundo o mais recente boletim de monitoramento da Covid-19 divulgado pelo Ministério de Minas e Energia na segunda (22/03), a Petrobrás totalizava 5.684 petroleiros contaminados, o que representa 12,2% do total de trabalhadores próprios da empresa. O número de infectados vem aumentando há seis semanas consecutivas. Esses dados, no entanto, embora assustadores, não refletem a realidade, pois a Petrobrás omite, desde o início da pandemia, a divulgação dos casos de Covid entre os trabalhadores terceirizados, que são os mais expostos à contaminação. 

Pelo boletim do MME, por exemplo, consta que 17 petroleiros perderam a vida para a Covid, quando a FUP tem informações de que esse número é pelo menos três vezes maior, se considerado os óbitos entre trabalhadores terceirizados. 

FUP E SINDICATOS CONVOCAM PARA O LOCKDOWN PELA VIDA

Após um ano de pandemia, o Brasil se transformou no epicentro do coronavírus, com o maior número de mortes por dia em todo o mundo. Este processo não se deu da noite para o dia, vem sendo construído por meses pelo governo federal, que desde o início da maior crise sanitária do século não trabalhou para que a pandemia fosse controlada. Pelo contrário, o atual presidente do país fez uma série de declarações minimizando a gravidade da situação, além de estimular o uso de medicamentos comprovadamente ineficazes no tratamentos da Covid-19, que inclusive vem agravando o quadro clínico de alguns pacientes, que já precisaram de transplante de fígado, por causa do uso das medicações indicadas pelo presidente da República. Hoje, o Brasil é considerado uma ameaça à saúde pública global, pela Organização Mundial de Saúde (OMS). 

Por este e outros motivos, como o fim do auxílio emergencial de R$ 600,00; as centrais sindicais e frentes estão convocando a classe trabalhadora a parar nesta quarta (24/3). O movimento é chamado DE "Lockdown em Defesa Da Vida e dos Direitos" e terá adesão da categoria petroleira. 

O objetivo da mobilização é reivindicar a segurança de trabalhadoras e trabalhadores e suas famílias e chamar atenção da sociedade para exigir do governo o devido cuidado com a pandemia e a vacinação da população.

Segundo o Sindipetro-NF, a situação na plataforma da Bacia de Campos é crítica, não apenas pelo risco sanitário, mas por questões de segurança, já que a plataforma está trabalhando com equipe incompleta de operadores por causa do desembarque de infectados

[Da assessoria de comunicação do Sindipetro NF]

Mais um surto de contaminação pela covid-19 foi registrado em plataformas de petróleo da Petrobrás. Desta vez, na P-48, no campo de Caratinga, na Bacia de Campos (RJ), onde, nesta semana, em apenas dois dias, foram confirmados oito casos de infectados pelo coronavírus. Com isso, sobe para dez o número de trabalhadores que testaram positivo para a doença na unidade e foram desembarcados.

“A situação é crítica, por questões sanitária e de segurança”, afirma Alexandre Oliveira Vieira, diretor de Saúde e Meio Ambiente do Sindicato dos Petroleiros do Norte Fluminense (Sindipetro-NF), filiado à Federação Única dos Petroleiros (FUP). Vieira se refere ao fato de que, entre os petroleiros contaminados, estão técnicos de equipes consideradas chave para a operação de plataformas, como mestre de cabotagem, coordenador de embarcação e de produção. “A P-48 está trabalhando com equipe incompleta de operadores”, ressalta.

Segundo dados da Agência Nacional do Petróleo (ANP), em apenas oito dias, de 15 a 22 de março, foram contabilizados 248 casos de covid-19 em unidades marítimas. Esses números, porém, não incluem a P-48, cujos números deverão entrar nas estatísticas oficiais somente amanhã (24/3), pois o manual de notificação da ANP prevê até 24 horas para atualização de casos.

CASOS DE COVID NA PETROBRÁS EXPLODEM

O Boletim de Monitoramento da covid-19 de número 49, publicado no site do Ministério das Minas e Energia (MME) nessa segunda-feira (22/3), mostra que, até ontem, o número de casos confirmados entre trabalhadores da Petrobrás passou de 258 para 294, com 17 pessoas hospitalizadas  e também 17 mortes. Foi a sexta semana consecutiva de crescimento no número de casos registrado pelo MME.

O total de trabalhadores da Petrobrás recuperados somam 5.356. Assim, a semana começou com total de 5.684 trabalhadores contaminados com a covid-19, representando 12,2% do total de trabalhadores da empresa.

 

Publicado em Sistema Petrobrás

Sindicatos comunicam cinco óbitos nas últimas 72 horas: quatro na Regap (MG) e um em Taquipe (BA)

Em meio às greves regionais que mobilizam há 19 dias os petroleiros e petroleiras em defesa da vida, a FUP faz um chamado à categoria para que participe do lockdown convocado pelas centrais sindicais para esta quarta-feira, 24. Só nas últimas 72 horas, os sindicatos da Bahia e de Minas Gerais informaram que cinco trabalhadores terceirizados perderam a vida em decorrência da irresponsabilidade da gestão da Petrobrás, que vem atuando na contramão das medidas de contenção da pandemia da Covid-19, fazendo multiplicar a contaminação nas unidades operacionais da empresa, como a federação vem denunciando desde o ano passado. 

A orientação da FUP é para que TODOS os trabalhadores do Sistema Petrobrás, próprios e terceirizados, permaneçam em casa ao longo desta quarta-feira. Os que estão em trabalho presencial não devem comparecer às unidades e os que estão em trabalho remoto, a FUP recomenda que participem das atividades e protestos virtuais, em defesa da vida, da vacinação em massa, dos empregos, do auxílio emergencial de R$ 600 reais para desempregados e informais.

O Brasil se aproxima da trágica marca de 300 mil vítimas fatais da Covid-19. São mais de dois mil mortos por dia, com o sistema de saúde em colapso e menos de 6% da população vacinada. Uma tragédia que poderia ser evitada com medidas responsáveis, mas o que vemos há mais de um ano são omissão, crueldade e desdém por parte do governo federal.

No Sistema Petrobrás, não é diferente. A gestão da empresa se recusa a tomar as medidas cobradas pela FUP e pelos sindicatos, como suspensão da paradas de manutenção que lotam as refinarias com mais de 2 mil trabalhadores, a testagem em massa de todos os petroleiros, próprios e terceirizados, o cumprimento dos protocolos recomendados pelos órgãos de saúde e de fiscalização. O resultado dessa política negacionista é a multiplicação de surtos de Covid nas plataformas e nas refinarias.

Segundo o último boletim de monitoramento da Covid-19 divulgado pelo Ministério de Minas e Energia (22/03), a semana começou com 5.684 petroleiros contaminados, o que representa 12,2% do total de trabalhadores próprios da empresa. O número de infectados vem aumentando há seis semanas consecutivas. Esses dados, no entanto, por mais assustadores que sejam, não refletem a realidade, pois a Petrobrás omite, desde o início da pandemia, a divulgação dos casos de Covid entre os trabalhadores terceirizados, que são os mais expostos à contaminação.

Pelo boletim do MME, por exemplo, consta que 17 petroleiros perderam a vida para a Covid, quando a FUP tem informações de que esse número é pelo menos três vezes maior, se considerado os óbitos entre trabalhadores terceirizados. No último domingo, 21, perdemos Gilsi Vasconcelos Fernandez, trabalhadora terceirizada da empresa Telsan, que atuava em Taquipe, área de produção terrestre da Bahia. Foi a terceira morte por Covid em unidades da empresa no estado em apenas três semanas. Na Rlam, o sindicato vem denunciando o avanço da contaminação, com mais de 90 trabalhadores infectados ao longo de março, o que resultou na morte de dois operadores mortos no espaço de uma semana.

Na Regap, já são mais de 200 trabalhadores infectados e 12 internados. Segundo informações obtidas pelo Sindipetro MG, quatro trabalhadores terceirizados que atuavam na refinaria faleceram nestes últimos dias, devido à irresponsabilidade da gestão da Petrobrás, que insistiu em manter a parada de manutenção da unidade, aglomerando mais de 2 mil trabalhadores em situação de risco. O sindicato está buscando mais informações. Segundo a entidade, três dos quatro trabalhadores que perderam a vida em decorrência da Covid integravam as equipes da parada de manutenção. Dois dos trabalhadores mortos eram contratados da Gramo e os outros dois, da Estrutural e da Sulfur.

Ontem, quando os petroleiros da Regap iniciaram a Greve pela Vida, cobrando a suspensão das paradas de manutenção e condições seguras, o coordenador do Sindipetro, Alexandre Finamori, denunciou a situação na refinaria: 

Nas plataformas da Petrobrás, a situação também se agrava com o aumento de surtos da Covid. Em apenas um dia desta última semana, segundo dados da ANP, foram confirmados 83 novos casos de trabalhadores contaminados na última semana em atividades offshore do país.

Para estancar essa sangria, é fundamental a adesão em massa da categoria petroleira às mobilizações que estão sendo convocadas pelos sindicatos, como o lockdown desta quarta-feira, 24. Não saia de casa, não pegue os ônibus fretados para as unidades operacionais, não compareça ao seu local de trabalho. Diga não à irresponsabilidade criminosa dos gestores da Petrobrás e do governo Bolsonaro e diga sim à vida, à vacina, à segurança.

Greve petroleira avança

A segurança é um dos eixos das greves regionais nas bases da FUP, que denunciam há 19 dias os impactos das privatizações no Sistema Petrobrás, como a precarização das condições de trabalho, os riscos de acidentes e o avanço da Covid-19 nas instalações da empresa. As greves mobilizam a categoria nas unidades da Bahia, do Amazonas, do Espírito Santo, do Unificado de São Paulo e de Minas Gerais. Na Regap, a força da mobilização fez a gerência suspender parte dos serviços não essenciais da refinaria e adiar as paradas de manutenção que estavam previstas para acontecer nos próximos dias. Ainda esta semana, a luta ganhará o reforço dos trabalhadores da Usina do Xisto do Paraná (SIX), que aprovaram o início da greve na sexta-feira, 26.

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Aprovação da greve na Usina de Xisto (SIX) do Paraná fortalece movimentos regionais que completam nesta terça 19 dias. As greves no Sistema Petrobrás, que começaram no dia 05 de março nas unidades da Bahia, Amazonas, Espírito Santo e São Paulo, ganharam na segunda, 22, a adesão dos petroleiros mineiros e avança com a entrada dos trabalhadores da SIX no movimento

[Da imprensa do Sindipetro PR/SC]

Após uma série de seis sessões de assembleia, realizadas entre os dias 18 e 22 de março, os petroleiros da Usina do Xisto (SIX), em São Mateus do Sul-PR, decidiram que irão entrar em greve por tempo indeterminado a partir da próxima sexta-feira (26).  

A deliberação veio após várias tentativas por parte do Sindicato de negociar a pauta de reivindicação apresentada pelos trabalhadores.   

O Sindipetro PR e SC protocolou, em 18/02, a pauta junto à gerência geral da SIX com demandas relacionadas às condições de trabalho e garantia de direitos, caso ocorra a privatização da unidade. Dentre as reivindicações há pedidos de adoção de várias medidas de segurança dos trabalhadores, instalações e comunidades do entorno da SIX. 

De lá para cá, por diversas vezes o Sindicato tentou abrir uma mesa de negociação, mas a empresa negou todas, sem justificativa razoável. A entidade chegou a convidar os gestores locais para uma reunião de videoconferência na última terça-feira (16). No entanto, em ofício no dia anterior, apenas informou que  não compareceriam. 

Diante disso, o Sindicato submeteu o impasse à avaliação dos trabalhadores em assembleia. 91% dos participantes foram favoráveis à greve. Apenas 9% se abstiveram e não houve registro de um voto sequer contra o movimento. Sinal da unidade e indignação coletiva dos petroleiros da Usina do Xisto.

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Serviços preliminares da parada de manutenção continuam e expõem trabalhadores ao risco de contaminação pelo coronavírus.

[Da imprensa do Sindipetro PR/SC]

No último sábado (13), o Sindipetro Paraná e Santa Catarina recebeu um ofício da Repar no qual era comunicada a postergação da parada de manutenção para 12 de abril, em atendimento à reivindicação da entidade. 

O Sindicato considera a realização de um processo que inclui cerca de dois mil trabalhadores a mais na rotina da refinaria, em pleno ápice da pandemia do coronavírus no Brasil, um absurdo. Tanto que exigiu a suspensão da parada à Repar e denunciou aos órgãos oficiais, como as secretarias de saúde municipal de Araucária e do Paraná, Ministério Público Estadual (MPE) e Ministério Público do Trabalho (MPT-PR). 

O problema parecia resolvido, apenas parecia. Ao longo da semana não pararam de chegar denúncias de aglomerações na Repar ao Sindipetro. A constatação é de que os serviços de pré-parada foram mantidos, mesmo diante do cenário de colapso das redes pública e privada de saúde por conta do agravamento da crise sanitária.   

O Sindipetro novamente tentou cobrar a suspensão dessas atividades aos gestores, mas recebeu somente respostas evasivas. Dessa forma, a medida imediata a ser tomada legalmente é adicionar essas informações às denúncias junto aos órgãos competentes. Em caso de a refinaria se tornar um foco de contaminação, acaso as aglomerações continuem, os gestores devem ser responsabilizados criminalmente por suas atitudes.  

Regap é exemplo ruim

A gestão da Repar trilha o mesmo caminho da catástrofe que ocorre na Regap, em Minas Gerais. Por lá, também cerca de dois mil trabalhadores de outras regiões foram realizar serviços da parada de manutenção em plena pandemia. O resultado foi a criação de um foco de contaminação pelo novo coronavírus. De acordo com as informações do Sindipetro/MG, mais de 200 trabalhadores testaram positivo para Covid-19 somente neste mês, sendo que mais de dez, entre próprios e terceirizados, estão internados. 

Cabe salientar que a gerência de SMS que responde pela refinaria de Minas Gerais é a mesma da Repar. 

Denúncias

Qualquer situação de risco de contaminação deve ser comunicada imediatamente ao Sindicato, tais como aglomerações em oficinas, containers, refeitórios, transporte e alojamento, principalmente no período de serviços de pré-parada, de preferência com registros. As denúncias devem ser feitas através do e-mail Este endereço de email está sendo protegido de spambots. Você precisa do JavaScript ativado para vê-lo. ou do telefone (41) 3332-4554. Se preferir, trate o assunto diretamente com os dirigentes sindicais nos locais de trabalho.

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A Federação Única dos Petroleiros (FUP) foi criada em 1994, fruto da evolução histórica do movimento sindical petroleiro no Brasil, desde a criação da Petrobrás, em 1953. É uma entidade autônoma, independente do Estado, dos patrões e dos partidos políticos e com forte inserção em suas bases.