Confira a entrevista com Cibele Vieira, uma dos cinco trabalhadores que ocuparam o Edifício Sede da Petrobrás por 21 dias durante a greve dos petroleiros

Por Guilherme Weimann, do Sindipetro Unificado-SP

“Eu gosto é de estudar emoções, petróleo fui estudar depois”. E esse conhecimento de Cibele Vieira, 37 anos, realmente contribuiu nas relações que se estabeleceram a partir do dia 31 de janeiro em uma pequena sala do Edifício Sede da Petrobrás (Edise), localizado na Avenida República do Chile, na cidade do Rio de Janeiro (RJ).

Um dia antes de estourar a greve nacional dos petroleiros, considerada a maior dos últimos 25 anos, cinco diretores sindicais decidiram ocupar o lugar onde são tomadas as decisões da maior estatal do país. O objetivo era abrir um canal de negociação entre trabalhadores e a direção da empresa.

E a formação do grupo, denominado de Comissão Permanente de Negociação, não poderia ser mais representativa: os diretores da Federação Única dos Petroleiros (FUP) José Genivaldo da Silva, Deyvid Bacelar, Tadeu Porto e a própria Cibele Vieira; além de Ademir Jacinto, conhecido como Mãozinha, e dirigente do Sindiquímica-PR. 

Apesar de todas as pressões da direção da Petrobrás, que chegou a cortar por três dias a energia e a água da sala ocupada, os sindicalistas se mantiveram firmes e conseguiram estabelecer um diálogo interno e externo muito frutífero: “O pessoal mais experiente falava que era loucura, mas hoje cinco não são só cinco, porque é possível conversar pra fora”, relata Cibele.

Para a petroleira, que atualmente ocupa a Secretaria de Administração e Finanças da FUP, todas as pautas da greve, suspensa desde o dia 20 de fevereiro, convergem para uma questão mais profunda. Redução de efetivos, tabela de turno, fechamento da Fábrica de Fertilizantes Nitrogenados do Paraná (Fafen-PR), demissões em massa sem consulta aos sindicatos: todos esses elementos fazem parte da estratégia do governo para privatizar a Petrobrás.

Por isso, Cibele acredita que as mobilizações da categoria continuarão durante os próximos meses. “Mesmo quando a gente traz uma pauta corporativa, ela não é, de forma alguma, incoerente com a nossa disputa contra a privatização. No Brasil nada acontece antes do carnaval? Esse ano já começou diferente”, avalia. 

 

 

Confira abaixo a entrevista completa:

SINDIPETRO UNIFICADO-SP: Nos 20 dias de mobilização, muitos trabalhadores afirmaram que não gostam de fazer greve, mas a realizam como última alternativa. Qual a sua avaliação dessa greve, que é considerada a maior dos últimos 25 anos?

CIBELE: Eu acho que ninguém gosta, de fato, de fazer greve. Com greve você pode ter um desconto salarial, como a gente teve, e uma pressão enorme da empresa pra você voltar ao trabalho. Do outro lado, você tem a tensão dos próprios trabalhadores. Ou seja, a consciência de cada pessoa dizendo de qual lado ela deve estar. Porque na greve não existe meio termo. Às vezes, no dia a dia, é possível ficar em cima do muro, mas na greve não existe isso. 

É necessária a adesão de cada um por vontade própria, pela consciência de que a greve é justa. Só assim a pessoa consegue aguentar a pressão. Na categoria petroleira, a greve de 1995 é uma lembrança muito forte. O que os petroleiros passaram, com a pressão da opinião pública, vem à tona toda vez que a gente fala em greve. E a gente só faz greve quando se esgotam os caminhos de negociação. Eu tenho 17 anos de Petrobrás e nunca tinha visto, nem de perto, a adesão que essa greve teve. 

Como foi pra você ajudar a liderar a greve desde uma sala ocupada no Edifício Sede da Petrobrás?

A gente não pensava na dimensão que essa ocupação teria. A gente percebia que a greve viria com força. Por isso, tivemos a decisão de fazer essa ação, não por uma dificuldade em mobilizar a base, mas,  sim, por enxergar que esse movimento envolveria ainda mais a base. Não eram cinco, eram 20 mil pessoas representadas naquela sala. Isso deu a força que deu. Todo mundo dando ‘bom dia’ e ‘boa noite’ pra gente lá fora. Foi linda a vigília. Mas a gente não tinha a dimensão do simbolismo que isso se transformaria. O pessoal mais experiente falava que era loucura, mas hoje cinco não são só cinco, porque é possível conversar pra fora. E foi uma representatividade muito grande: um aposentado [José Genivaldo da Silva]; uma mulher [Cibele Vieira]; Deyvid [Bacelar] e Tadeu [Porto], homens negros; e Mãozinha [Ademir Jacinto], um branco, hétero, da Fafen.

Na greve, o tempo sofre uma distensão e, consequentemente, as relações são potencializadas. Tudo parece mais intenso. Como foi pra você conviver numa sala fechada com outros quatro companheiros durante 21 dias?

Foi incrível, cara. Não houve conflito entre nós no convívio lá dentro. A saída do Silva foi um momento bem difícil pra gente, realmente um baque porque era nossa referência mais experiente, o que trazia uma segurança pra todo mundo. Mas a gente entendeu que não tinha jeito, tinha que sair. Ele cumpriria um papel importante do lado de fora que, inclusive, estava precisando. Mas foi incrível. Mesmo tendo divergências de opiniões, o que é normal, em nenhum momento houve um acirramento entre nós cinco. Foi um convívio muito harmonioso. Começava a videoconferência e a conversa rolava no mesmo tom, tudo afinado. Todos os dias houve reunião nacional com todos os sindicatos, isso foi muito importante.

Pra gente, parece que foi muito menos de 20 dias. A gente não parava um segundo. Domingo às vezes era um dia complicado, porque a gente vinha de segunda à sexta sem parar, mal conseguia almoçar. Era muito telefone, entrevista, muita coisa o tempo todo. A gente não parava nem um segundo, literalmente. Quando a gente via o dia já tinha acabado. Mas quando chegava o final de semana dava uma abatida: ‘putz, mais um final de semana aqui’. Sábado era um dia que dava uma descansada e domingo às vezes era o dia que batia o cansaço de estar lá, porque reduzia o ritmo de entrevistas e conversas. Às vezes, a gente ouvia os bloquinhos de carnaval passando na avenida e falava: ‘caramba, a gente vai passar o carnaval aqui dentro’. Mas se precisasse, a gente passaria.


Ao mesmo tempo em que vocês não conseguiram acompanhar o dia a dia da greve de perto, estiveram em diálogo permanente com os petroleiros, inclusive realizaram uma videoconferência com os manifestantes durante o ato no Rio de Janeiro. Como foi a construção desse processo e como vocês receberam as manifestações de solidariedade vindas da rua?

O ato no Rio de Janeiro foi um capítulo à parte. Primeiro que foi o aniversário do Deyvid, que fez 40 anos justamente no dia do ato. Dei um jeito de puxar ele pra máquina de café, onde dava ouvir o pessoal da vigília, daí cantaram parabéns. Isso foi bem bonito. Depois, a gente não sabia que eles iam fazer aquilo [videoconferência] no ato. A gente estava naquela ansiedade de como estava o ato, recebendo fotos, mas não conseguia ver como estava realmente. De repente, a gente recebeu um link para participar de uma videoconferência. A gente ficava assim: ‘com quem será que a gente tá falando? É num celular, é num notebook?’. Quando a gente recebeu a foto no celular que nossa conversa estava sendo projetada no prédio foi uma surpresa. A gente não fazia ideia disso. Eram cinco representando 20 mil, foi muito bonito. 

Qual foi a origem desse processo de privatização da Petrobrás? Essa é a principal pauta em disputa?

Desde 2015, existe um processo de disputa pela privatização da Petrobrás. Todos as outras pautas giram em torno dessa. Ainda mais agora, com a gestão Castello Branco. Porque o Temer acelerou os leilões de petróleo, conseguiu realizar algumas vendas, mas o governo Bolsonaro, através da gestão Castello Branco, realmente veio pra cima do movimento sindical, pra cima da disputa da consciência dos trabalhadores. A gente vê nessa gestão o esvaziamento do espaço de negociação coletiva. Todo o tempo eles tentam colocar somente as alternativas individuais. E eles sabem que pra conseguirem fazer as vendas é necessário acabar com qualquer sentimento de empatia e coletividade. 

Isso a gente vê no próprio dia a dia, com exigência disciplinar muito ríspida, até em relação à corte de cabelo, barba, vestuário. Uma certa militarização dos costumes dentro das unidades. Essa postura também aconteceu na ditadura militar, não é novidade. Porque através do controle dos nossos ritos diários, você vai controlando a cabeça, a mente. Você vai passando um recado de quem manda e quem obedece. E isso está presente no dia a dia do petroleiro e petroleira. Não à toa que a greve veio com essa força. 

O judiciário considerou a greve ilegal, determinou a manutenção de 90% do efetivo da Petrobrás e aplicou multas severas aos sindicatos. Como os petroleiros enxergam esse processo de criminalização do direito à greve?

Foram três telegramas para a casa de cada trabalhador. Um deles como se os trabalhadores fossem réus. Ele não deveria receber nenhum telegrama, mas recebeu como forma de intimidação. Depois recebeu convocatória, e posteriormente advertência. Fora o contracheque zerado. É uma afronta ao direito à greve tudo isso que aconteceu. Foi uma greve contra a privatização da Petrobrás, tendo em torno o preço dos combustíveis, contra o desemprego, e pelo direito à greve. E, no fim, o direito à greve e à democracia foi o que realmente potencializou a mobilização. 

A gente partiu de um desrespeito completo do acordo coletivo, que prevê a discussão de qualquer demissão ou transferência em massa. Os trabalhadores da Fafen ficaram sabendo que estavam sendo mandados embora pela televisão. Eles estavam achando que o sindicato não tinha representatividade na base e poderiam nos tratar do jeito que quisessem. Mas a verdade é que o petroleiro e petroleira, mesmo aqueles que possam não gostar do sindicato por algum motivo, sabem da importância desse espaço.

Quais foram os principais pontos de negociação e qual a avaliação da FUP e dos sindicatos em relação aos pontos acordados?

O próprio Ives Gandra, que julgou a greve ilegal e permitiu que a Petrobrás zerasse os contracheques e realizasse contratação temporária de trabalhadores, foi quem mediou o acordo pra ser metade dos dias compensados e a outra metade descontados. Também aliviou consideravelmente as multas [dos sindicatos]. A gente vê que, na questão do direito à greve, houve uma conquista da pressão popular e da greve em si. Por isso, o saldo é muito positivo.

Na questão da tabela de turno também conseguimos sair com uma vitória. A empresa começaria a aplicar uma nova tabela de forma unilateral, a partir do dia 1º de fevereiro. A gente conseguiu que os trabalhadores agora levem uma tabela sugerida por eles mesmos.

Também conseguimos suspender a demissão da Fafen. Houve a readmissão de 144 trabalhadores, por meio de decisão do Tribunal Regional do Trabalho do Paraná, que já estavam demitidos. E foi a greve que influenciou a juíza a tomar essa decisão, com certeza. As demissões estão suspensas até o dia 6 de março.

Quando foi que você entrou na Petrobrás, em qual função, e posteriormente no sindicato?

Eu entrei na Petrobrás em novembro de 2002, e na faculdade em 2003, ou seja, praticamente ao mesmo tempo. O que eu fui aprendendo, através das Ciências Sociais, fui verificando na prática no movimento sindical. Entrei na Petrobrás como técnica de bens e serviços, mas fui caminhando para gestão de pessoas, até por conta desse perfil de gostar de entender relações entre pessoas. Paralelamente, fui me aproximando do sindicato. Quem me sindicalizou foi um pessoal de São Caetano, da própria base. Nessa época, a própria base cobrava que os outros se sindicalizassem. Mas demorou sete anos pra eu conseguir me convencer a entrar, de fato, no sindicato. Porque, na minha cabeça, eu ia seguir vida acadêmica. 

Quando eu estava na pós de sociopsicologia, queria transformar o meu Trabalho de Conclusão de Curso [TCC] em projeto de mestrado. que tinha a ver, inclusive, com saúde mental e ambiente de trabalho. O meu TCC foi sobre o amor. Eu gosto é de estudar emoções, petróleo fui estudar depois. Mas daí eu desencanei e falei: ‘Eu quero alguma coisa mais prática’. Porque a academia fica olhando sempre para o próprio umbigo. Foi aí que eu decidi não ir para o mestrado e entrar para o sindicato. E aí foi um boom

Em seis meses eu já estava na direção da Confederação Nacional do Ramo Químico [CNQ] como suplente. Em um ano eu estava liberada, e tive a oportunidade de fazer alguns intercâmbios. Fui pra Cuba e Alemanha, pra conhecer algumas formas de sindicalismo e de organização de base. Depois de três anos no sindicato, eu assumi a coordenação do Unificado [Sindipetro Unificado-SP], e fiquei três anos nesse cargo. Nessa época também entrei na CUT [Central Única dos Trabalhadores] de São Paulo, na Secretaria de Juventude. E, na última gestão da FUP [Federação Única dos Petroleiros], eu vim [ao Rio de Janeiro] assumir como Secretária de Administração e Finanças. E estou aí até hoje.

Durante a paralisação, a Dona Madá, sua mãe, recebeu a equipe de comunicação do Sindipetro e disse que “desde muito novinha a Cibele sempre foi muito altruísta, sempre colocou os outros em primeiro lugar e sempre liderou”. Como foi o processo para você se tornar uma liderança sindical? 

De fato, minha mãe foi um capítulo à parte nessa greve. Depois que ela deu essa entrevista no sindicato em São Paulo, ela veio para o Rio de Janeiro. Não aguentou ficar acompanhando de longe e veio pra cá. Fui lá recebê-la na catraca, recebi um abraço e muita energia. Enfim… Eu sempre tive essa questão de me preocupar com o outro. E, de fato, foi assim a vida toda. Agora o porquê eu não sei, mas sempre foi assim. 

Durante a adolescência eu já fazia algumas ações voluntárias. Participava de um grupo que realizava ações recreativas em creches, em lugares que abriga pessoas com deficiência física e em asilos. Esse foi o primeiro start.  Já no terceiro colegial, eu tive o primeiro contato com o Movimento dos Trabalhadores Rurais Sem Terra (MST). Sabia que tinha um acampamento e fomos lá pra dar recreação para as crianças. Além disso, minha irmã advogou para o Movimento dos Trabalhadores Sem Teto (MTST), quando eu nem sabia direito o que era. Daí as vezes eu ia com ela, quando tinha risco de despejo nas ocupações. Sempre tive essa relação forte com os movimentos sociais.

Quais são os próximos passos de mobilização dos petroleiros?

Redução de efetivos, tabela de turno, domesticação do dia a dia, fechamento da Fafen sem negociação das demissões: tudo isso está ligado com a privatização. Nossos assuntos corporativos estão totalmente relacionados com a pavimentação do caminho para privatizar a Petrobrás. Mesmo quando a gente traz uma pauta corporativa, ela não é, de forma alguma, incoerente com a nossa disputa contra a privatização. No Brasil nada acontece antes do carnaval? Esse ano já começou diferente.

É um ano no qual está anunciada a venda de oito refinarias. Por isso, a gente coloca como uma pauta central a Política de Preços de Paridade de Importação, porque isso é o que possibilita a venda das refinarias. Se a Petrobrás voltar a influenciar no preço de gás e combustível como ela fazia antes, as empresas privadas não têm como vir concorrer com ela. Então, a Petrobrás precisa encarecer o preço para a população. Ela não só cobra o preço internacional, como acrescenta os custos de importação. Olha que bizarrice. A empresa acrescenta custos que ela nem tem pra tornar o preço dela equivalente ao das importadoras. E quem paga por isso é a população brasileira. A gente sabe que isso está no cerne da disputa. 

Via Sindipetro Unificado de SP

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Após quase nove horas de negociação sob a intermediação do ministro do Tribunal Superior do Trabalho (TST), Ives Gandra, a Petrobras reiterou a demissão dos 396 empregados da Araucária Nitrogenados (Ansa), subsidiária da estatal no Paraná. Representantes da Federação Única dos Petroleiros (FUP) e do Sindicato dos Trabalhadores das Indústrias Químicas do Paraná (Sindiquímica-PR) propuseram que os funcionários fossem transferidos a outras unidades da estatal. Mas a empresa rejeitou a proposta.

A contrapartida apresentada pela Petrobras foram melhorias no pacote de benefícios, que inclui indenizações maiores e a manutenção dos planos de saúde e do apoio educacional por dois anos e não mais até a recolocação profissional do demitido. A indenização pode chegar a R$ 490 mil, dependendo do tempo de trabalho e da remuneração do empregado. Esse valor, no entanto, é válido apenas àqueles que se comprometerem a não recorrer à Justiça contra a empresa. Caso contrário, o valor máximo a ser pago é de R$ 210 mil.

Os trabalhadores terão até o dia 3 de março para se posicionarem sobre as propostas, em assembleias que serão promovidas pelos sindicatos. O conselho deliberativo da FUP vai se reunir na próxima segunda-feira para analisar o tema. E a direção da empresa terá que dar a palavra final até o dia 04. O mais provável é que os empregados aceitem a proposta, porque estão sem salários e sem perspectivas.

As demissões são consequência do fechamento da Ansa, anunciada pela Petrobras no dia 14 de janeiro. A companhia petroleira alega que a subsidiária acumulava prejuízos e, por isso, não poderia ser mantida. Na negociação sob a intermediação do ministro Gandra, argumentou também que os funcionários não podem ser aproveitados porque não são concursados.

Além dos 396 empregados diretos que devem ser demitidos, a FUP calcula que mais 600 indiretos vão ficar sem trabalho. A ata da reunião de hoje não faz menção aos indiretos.

Os petroleiros ficaram em greve por 20 dias neste mês, em reivindicação contra as demissões na Ansa e outros três pontos relativos a direitos trabalhistas da categoria. Na tentativa de dar fim ao impasse, o ministro Gandra propôs uma intermediação entre as partes, o que levou os sindicatos a suspenderem a paralisação no dia 20. No dia seguinte, aconteceu a primeira negociação, em Brasília, e houve algum consenso. Hoje voltaram a se encontrar e concordaram a discutir por mais um mês duas pautas ainda abertas.

"A mobilização precisa continuar, porque continuamos em mesa de negociação para conseguirmos manter os nossos direitos garantidos no acordo coletivo e evitar que a gestão da empresa descumpra aquilo que está acordado no ACT de 2019 e 2020", afirmou Deyvid Bacelar, diretor da FUP, em vídeo distribuído aos sindicatos filiados.

Via Agência Estado

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Em nova audiência realizada nesta quinta-feira (27/2) no Tribunal Superior do Trabalho (TST) e mediada pelo ministro Ives Gandra, representantes da Federação Única dos Petroleiros (FUP) e do Sindiquímica-PR receberam da Petrobrás novas propostas para os 1.000 trabalhadores da Fábrica de Fertilizantes Nitrogenados do Paraná (Fafen-PR), cujas demissões estão suspensas até 6 de março, por decisão do Tribunal Regional do Trabalho (TRT) da 9ª Região.

A empresa não aceitou realocar os petroleiros em outras unidades do Sistema Petrobrás, como proposto pela FUP e pelo Sindiquímica-PR, mas ampliou as vantagens rescisórias a serem dadas aos trabalhadores. Por isso, a partir da próxima segunda-feira (2/3), a FUP e os sindicatos afiliados vão se reunir para decidir se aceitam ou não as propostas feitas pela diretoria da Petrobrás.

A audiência desta quinta também definiu que os petroleiros e a diretoria da empresa deverão se reunir para tentar um acordo em 30 dias, no máximo, sobre outras reivindicações da categoria, como os interstícios (intervalos entre jornadas) e a localização dos relógios de ponto nas unidades da companhia para passagem de serviço em troca de turno. O acordo ou as bases para conciliação deverão ser levadas ao ministro Ives Gandra, em nova reunião de mediação.

“A mobilização da categoria precisa continuar, porque continuamos negociando as propostas. Somente assim vamos conseguir manter os direitos garantidos no Acordo Coletivo de Trabalho (ACT) fechado em novembro do ano passado com mediação do próprio TST”, frisou Deyvid Bacelar, diretor da FUP, ressaltando ainda que a greve da categoria, iniciada em 1º de fevereiro, não foi encerrada, mas sim está suspensa, enquanto as rodadas de negociação permanecem.

Trabalhadores da unidade permanecem em ocupação em frente à fábrica, que completou 38 dias hoje.

Propostas

As diretorias da Ansa/Fafen-PR e da Petrobrás levaram ao TST duas propostas para os trabalhadores da fábrica paranaense. Confirmando que as demissões vão ser efetivadas, os executivos apresentaram dois planos de desligamento dos petroleiros, ampliando as vantagens financeiras que foram inicialmente oferecidas em 14 de janeiro, quando a Petrobrás decidiu fechar a unidade.

No Plano A, destinado a quem aderir à quitação geral do contrato de trabalho – ou seja, sem direito a pleitear indenizações na Justiça –, a empresa vai oferecer indenização de 40% da remuneração por ano trabalhado, acrescida de uma remuneração, com garantia de valor mínimo de R$ 110 mil e máximo de R$ 490 mil, ou dez remunerações – o que for mais vantajoso financeiramente para o trabalhador. A empresa também se compromete a manter o plano de saúde dos trabalhadores e o benefício educacional por 24 meses, bem como disponibilizar uma empresa de realocação profissional, de cursos de aperfeiçoamento e de serviços de assistência social e psicológica. Também vão ser oferecidas 1.000 vagas em cursos profissionalizantes do Senai para os trabalhadores próprios e terceirizados. O plano ainda inclui verbas rescisórias legais.

O Plano B, para quem não aceitar a quitação geral do contrato de trabalho, também inclui indenização de 40% da remuneração por ano trabalhado, mas acrescido de apenas meia remuneração, com garantia de valor mínimo de R$ 60 mil e máximo de R$ 210 mil. Este plano também inclui as ofertas do Plano A quanto a plano de saúde e benefício educacional, realocação profissional, aperfeiçoamento, apoio social e psicológico, vagas em cursos do Senai e verbas rescisórias legais.

Reivindicações

A greve tem como pauta a suspensão imediata do programa de demissões de 1.000 funcionários da Fafen-PR, comunicado pela Petrobrás e iniciado em 14 de fevereiro – e posteriormente suspenso pelo TRT da 9ª Região. As demissões ferem a cláusula 26 do ACT, que determina que qualquer demissão em massa deve ser negociada previamente com os sindicatos, o que não ocorreu. Trabalhadores da Fafen-PR, que também aderiram à greve, ocupam pacificamente a entrada da fábrica há 38 dias.

Os petroleiros também reivindicam que a Petrobrás estabeleça todos os grupos de trabalho (GTs) determinados no ACT para negociar pontos que não foram consensuais entre a empresa e a categoria. Esses pontos envolvem a tabela de turno dos trabalhadores da Petrobrás; o banco de horas; o plano de saúde; e a participação nos lucros e resultados (PLR). Ainda que já tenha aberto alguns GTs, a empresa tem tomado decisões por conta própria, sem o devido diálogo com os sindicatos nesses ambientes, como determinado pelo ACT.

A Comissão de Negociação Permanente permaneceu em uma sala do Edise à espera de que a diretoria da Petrobrás sinalizasse com a abertura de um canal efetivo de diálogo sobre a paralisação das atividades da Ansa/Fafen-PR e as outras reivindicações. Entretanto, não houve nenhuma movimentação da companhia para iniciar negociações.

Federação Única dos Petroleiros

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Depois de uma primeira rodada no último dia 21, representantes da FUP e do Sindiquímica-PR voltam à negociação, hoje, com a Petrobrás, em mesa mediada pelo Tribunal Superior do Trabalho, em Brasília. A reunião acontece neste momento e estão em pauta o destino de centenas de empregos dos petroleiros da Fábrica de Fertilizantes Nitrogenados do Paraná (Fafen-PR), entre outras pautas petroleiras.

A categoria, que suspendeu a greve que já durava 20 dias, para viabilizar as negociações no TST, continua mobilizada em todo o país. Na própria Fafen, continua uma vigília que entra em seu 38º dia. No Norte Fluminense, diretores do Sindipetro-NF estiveram na manhã de hoje no Heliporto do Farol, em diálogo com os trabalhadores.

No último sábado, 22, o Conselho Deliberativo da FUP, que reúne representantes das direções da FUP e dos 13 sindicatos filiados, fizeram uma primeira avaliação do movimento de greve e da primeira reunião no TST. Ontem, os sindicalistas fizeram reunião preparatória para as negociações de hoje, no Tribunal.

“Ao contrário do que é dito na televisão, a luta dos petroleiros não acabou. A greve está suspensa enquanto durar a negociação, e não cancelada. Ainda há muito o que ser feito pela garantia dos empregos dos petroleiros da Araucária Nitrogenados (FAFEN-PR), que estão com as demissões suspensas até 6 de março”, alertou a FUP.

Uma das propostas do movimento sindical petroleiro, defendida pela FUP na mesa de negociações, é a transferência ou cessão dos trabalhadores da Fafen para outras unidades da Petrobrás. “Nada justifica as demissões de empregados de uma empresa 100% Petrobrás quando a falta de efetivo, muitas vezes denunciada pela FUP nas reuniões das comissões, tem colocado vidas em risco nas unidades operacionais diariamente”, argumentam os sindicalistas.

Também estão em negociação temas como tabela de turno 3×2, interstício total e mudança de local do relógio de ponto. A mesa poderá, ainda incluir a discussão sobre a PLR 2019. Uma nova reunião do Conselho Deliberativo da FUP acontece nesta sexta, 28, para avaliar o andamento das negociações e os próximos passos.

 Via Sindipetro NF

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A força da greve histórica dos petroleiros, que já havia garantido no TRT-PR a suspensão das demissões na Fábrica de Fertilizantes Nitrogenados (Fafen/PR), inclusive as 144 que foram efetivadas no último dia 14, conquistou nesta sexta-feira, 21, as principais reivindicações da categoria.

Em reunião com a Petrobrás, mediada pelo TST, a FUP garantiu a abertura de um canal de negociação com a Petrobrás e a Aruacária Nitrogenados (Ansa), envolvendo também o Sindiquímica-PR, para discutir o plano de hibernação da Fafen e o destino de seus trabalhadores.

Outras violações do Acordo Coletivo que vinham sendo feitas pela gestão da Petrobrás, através de imposições da tabela de turno 3 x 2, do fim do interstício total e da implantação de relógios de ponto nas áreas operacionais, também serão revisadas pela empresa.

Uma nova reunião, mediada pelo TST, será realizada na quinta-feira, 27, para dar sequência à negociação.

Além de garantir os principais pontos da pauta de reivindicações dos petroleiros, que levou a categoria à greve, a reunião desta sexta fez a gestão da Petrobrás negociar os dias parados e cancelar as mais de mil advertências aplicadas contra os grevistas. Essa é uma importante vitória contra a gestão autoritária de Castello Branco, que anunciou diversas retaliações contra os trabalhadores que aderiram ao movimento, como cancelar as férias e desimplantar os petroleiros das plataformas.

A mediação com o TST também reduziu em 95% o valor das multas de mais de R$ 50 milhões impostas às organizações sindicais. A cobrança será de R$ 2,475 milhões, valor a ser pago conforme a capacidade financeira de cada sindicato.

“Os petroleiros, em greve, obrigaram a Petrobrás a negociar e deixaram claro que a categoria seguirá na luta para defender nossos empregos e nossos direitos. Nada que temos foi dado. Cada conquista foi obtida na luta e será através das lutas que as manteremos”, afirma Alexandre Finamori, diretor da FUP.

Neste sábado, a FUP e seus sindicatos voltam a se reunir para avaliar os resultados da negociação e discutir os próximos passos do enfrentamento aos ataques da gestão Castello Branco contra os trabalhadores.

Principais pontos firmados pela Comissão de Negociação da FUP com a Petrobrás e TST:

Cumprimento da Cláusula 26 do Acordo Coletivo da Ansa, que garante discussão prévia com o sindicato sobre demissões em massa – FUP, Sindiquímica-PR e Petrobrás/Ansa terão reunião no dia 27 para discutir o plano de hibernação da Fafen-PR.

Suspensão da implantação unilateral das tabelas de turno de 3x2 – os sindicatos, junto com os trabalhadores, discutirão uma nova tabela de turno, que será submetida à categoria para aprovação em assembleias, e apresentada à gestão da Petrobrás. A empresa terá 25 dias para extinguir a tabela 3 x 2, sem impor aos trabalhadores condicionantes para quitação de passivos trabalhistas das antigas tabelas de turno.

Fim do interstício total e exigência dos trabalhadores chegarem na madrugada – FUP e Petrobras buscarão na mesa de negociação, no próximo dia 27, a solução dessa pendência.

Cartões de ponto para apuração da hora extra da troca de turno - a Petrobrás se comprometeu a discutir com a FUP na reunião dia 27 o posicionamento equivocado dos relógios de ponto nas áreas operacionais.

Punições e advertências durante a greve – advertências aplicadas pela Petrobrás serão canceladas e a empresa firmou compromisso de não aplicar punições contra os grevistas. As férias que haviam sido arbitrariamente canceladas pelos gestores serão mantidas ou reagendadas, em comum acordo com os trabalhadores.

Desconto dos dias de greve -  metade dos dias parados será compensada e outra metade, descontada. Os contracheques dos trabalhadores que foram zerados serão corrigidos pela empresa no dia 06 de março. Conforme acordado com o ministro do TST relator do dissídio, o desconto dos dias parados não terá reflexos sobre férias e 13º salário, pontos que serão ratificados na reunião do dia 27. 

[FUP]

 

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Em audiência de conciliação realizada nesta terça-feira (18), o Tribunal Regional do Trabalho da 9ª Região (TRT 9), em Curitiba, suspendeu as demissões em massa promovidas pela direção da Petrobrás na unidade Araucária Nitrogenados (Ansa/Fafen-PR).

A desembargadora Rosalie Michaele Bacila Batista considerou válida a posição do Sindiquímica-PR, que argumentou que a onda de demissões na empresa – podendo atingir até mil trabalhadores – viola o Acordo Coletivo de Trabalho (ACT) firmado com a Petrobrás.

A decisão da magistrada abrange inclusive os mais de 140 funcionários que já haviam recebido o aviso de demissão por carta (uma atitude extremamente desrespeitosa e desumana por parte da direção da unidade).

Os representantes da direção da Petrobrás mostraram-se irredutíveis da posição pelas demissões e chegaram a apresentar uma proposta, recusada pelo sindicato.

A audiência de mediação contou com mais de 100 pessoas — entre trabalhadores da Ansa/Fafen-PR, da Refinaria Getúlio Vargas (Repar) e familiares — no lado de dentro do Tribunal.

Do lado de fora, estavam mais trabalhadores da Petrobras e também de movimentos sociais apoiando a luta.

Próximos passos

A vitória audiência de mediação é um dos frutos da grande Greve Nacional do Petroleiros (a maior desde 1995). O anúncio de fechamento e de demissões da Ansa/Fafen-PR foi o marco inicial do movimento. Mais de 120 unidades da Petrobras em todo o Brasil estão paralisadas.

O Sindiquímica-PR e os demais sindicatos que integram o movimento irão debater os próximos passos junto à Federação Única dos Petroleiros.

[Sindiquímica-PR]

Publicado em SINDIQUÍMICA- PR

Certa vez, o poeta e dramaturgo alemão Bertolt Brecht escreveu que “há homens que lutam um dia e são bons, há outros que lutam um ano e são melhores, há os que lutam muitos anos e são muito bons. Mas há os que lutam toda a vida e esses são imprescindíveis”.

Difícil não lembrar deste poema diante do que os petroleiros de Santa Catarina fizeram no retorno da viagem a Curitiba, na madrugada desta sexta-feira (21), após participarem de uma assembleia histórica em território paranaense.

Cientes das dificuldades que os servidores municipais de Joinville estão enfrentando na Campanha Salarial 2020, na qual o prefeito se recusa a negociar sobre a renovação do Acordo Coletivo de Trabalho (ACT) da categoria, e por isso estão em greve, os petroleiros mais uma vez encamparam a luta da classe trabalhadora.

Desviaram o percurso, atracaram em frente à Prefeitura de Joinville e estão lá em solidariedade aos servidores que ocupam o local, diretoras e diretores do Sindicato dos Servidores Públicos Municipais de Joinville (Sinsej). A ação de luta foi inspirada na ocupação do Edise pela Comissão de Negociação da FUP. Isso é luta de classe!

[Sindipetro-PR/SC]

Publicado em Trabalho

Aos companheiros e companheiras do Norte Fluminense

Categoria pode se orgulhar da maior greve da sua história recente

A maior greve da história recente da categoria petroleira chegou a um momento decisivo, com conquistas em forma de abertura de negociações em torno de demissões que eram tratadas pela Petrobrás como irreversíveis, colocação do desmonte da empresa na agenda da opinião pública e aproximação da população para discutir o preço dos combustíveis.

A sabedoria, a experiência, a responsabilidade que sempre pautaram a atuação da FUP e seus sindicatos, que trazem o acúmulo de décadas de movimentos nos mais diferentes cenários, apontaram para necessidade de uma suspensão provisória no movimento, como forma de sinalizar ao TST (Tribunal Superior do Trabalho) a boa fé negocial que sempre mantivemos.

No início do movimento, o recado retumbante da força petroleira provocou uma reação autoritária e desproporcional da empresa, infelizmente endossada em larga medida por um dos ministros do TST, por meio de decisões monocráticas. Essa mesma força, no entanto, foi a que arrancou um encontro com esse mesmo ministro e uma decisão do TRT-PR pela suspensão das demissões até 6 de março.

Quem conseguiu essa abertura para negociações com a Petrobrás, mediadas pelo TST e acompanhadas pelo Ministério Público do Trabalho, foi cada um e cada uma que enfrentou assédios, coações, para que seja cumprido o Acordo Coletivo de Trabalho da categoria.

No Norte Fluminense, a greve se manteve, até o indicativo de suspensão provisória aprovado hoje, com adesão histórica. Foram 36 plataformas mobilizadas, de 39. Bases de terra movimentadas com concentrações e cortes de rendição em Cabiúnas. Tudo isso é evidência de que o movimento sindical petroleiro está vivo, mesmo neste tempo sombrio do País, e mostra-se como frente capaz de resistir ao assalto em curso ao patrimônio nacional, aos empregos e aos direitos.

Vamos seguir com serenidade e altivez, dando os passos certos em todas as instâncias que se abriram pela greve, certos de que esta energia gerada pelo movimento não se perderá, estará sempre na condição de fiadora e de anteparo para os muitos embates que continuaremos a ter. A greve está pronta para ser retomada a qualquer momento, se necessário.

Sabemos que a suspensão provisória da greve pode ter gerado em alguns uma sensação de frustração. Guerreiros sempre sabem que podem ir além. Mas tática, estratégia, também são instrumento da guerra e da política. Saibamos usá-los. Consciente e bem informada sobre cada passo dessa jornada que continua, a grande maioria, como mostraram as assembleias, entenderam o que, provisoriamente, pede o momento.

Sigamos juntos e fortes. Defender a Petrobrás é defender o Brasil.

Saudações combativas,
Diretoria do Sindipetro-NF
Macaé, 21 de fevereiro de 2020

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Com as assembleias concluídas em todas as bases do Sistema Petrobrás, os petroleiros retornam ao trabalho nesta sexta-feira, 21, após 20 dias de uma greve que já é considerada o mais importante movimento de resistência da classe trabalhadora brasileira nessas últimas duas décadas. De cabeça erguida, punho cerrado de quem seguirá na luta, do lado certo da história, petroleiros e petroleiras voltam a trabalhar, de olho nos próximos embates.

Durante a greve, a categoria conseguiu suspender as demissões na Fafen-PR, revertendo também as que já haviam sido aplicadas contra 144 trabalhadores. Além disso, a greve forçou a gestão da Petrobrás a negociar com a Comissão da FUP, que participa nesta sexta, 21, da primeira reunião com a empresa, com mediação do TST e acompanhamento do Ministério Público do Trabalho.

No sábado, a FUP e seus sindicatos voltam a se reunir para avaliar os resultados da negociação e discutir os próximos passos do enfrentamento aos ataques da gestão Castello Branco contra os trabalhadores. A greve está temporariamente suspensa e voltará a ser chamada, se não houver avanços no atendimento da pauta da categoria. A luta é contínua e permanente.

Petroleiros apontaram o caminho: luta e resistência

A greve dos petroleiros despertou um movimento de solidariedade em todo o país e também fora do Brasil, com apoio de centrais e confederações sindicais, inclusive internacionais; intelectuais estrangeiros, como o sociólogo português Boaventura de Sousa Santos; entidades da sociedade civil, juristas, partidos políticos das mais diversas matizes no campo progressista, estudantes, trabalhadores de várias categorias, movimentos sociais e organizações populares.  

Diversas manifestações públicas foram realizadas pelo país afora, em defesa da luta dos petroleiros. Ontem à noite, houve novos atos na Avenida Paulista, em São Paulo, em Belo Horizonte e no Rio de Janeiro, em frente à sede da Petrobrás, onde os dirigentes sindicais que integram a Comissão Permanente de Negociação da FUP foram recebidos por trabalhadores e movimentos sociais ao deixarem o prédio da empresa, onde permaneceram 21 dias, dentro de uma sala de reunião no andar do RH, buscando interlocução com a gestão.

“Para além da campanha de desinformação, fake news e mentiras propagadas para defender a política de privatização e entrega do patrimônio nacional pelo atual governo e seus apoiadores na grande imprensa, nos tribunais e no sistema político, a greve nacional dos petroleiros é um marco na nossa história, é uma greve a favor do Brasil e dos brasileiros. E será o caminhar dos acontecimentos relacionados à greve dos petroleiros que nos mostrará os caminhos de luta para garantir os nossos direitos e o nosso futuro enquanto país livre e soberano”, declarou o professor de direito da USP, Gilberto Bercovici, em artigo recente.

“Hoje os petroleiros estão no meio de um processo nacional. A greve dos petroleiros é a primeira grande vitória da classe trabalhadora desde 2016. Vocês conseguiram quebrar um pedaço do casco desse navio fascista, ditatorial, que se implantou no Brasil, abrindo uma brecha para conquistas futuras”, afirma Frei Sergio Gōrgen, do Movimento dos Pequenos Agricultores (MPA) e autor do livro ‘Nas trincheiras da Resistência Camponesa’.

“Essa luta dos petroleiros é muito maior do que propriamente uma luta dos petroleiros. Ela é uma síntese da aspiração de todo o povo brasileiro, porque os petroleiros estão defendendo a soberania nacional, estão defendendo uma empresa que é estratégica para o desenvolvimento do Brasil e tem sido demolida a interesses estrangeiros, especialmente dos Estados Unidos, é uma luta para que o nível de desemprego não aumente”, destaca Francisco Celso Calmon, coordenador do Fórum Memória, Verdade e Justiça do Espírito Santo.

[FUP]

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Após cruzarem os braços por 20 dias e arrancarem o compromisso de negociar com a Petrobrás o cancelamento da venda da Fábrica de Fertilizantes do Paraná (Fafen) e a demissão de mil trabalhadores, petroleiros de todo o país seguem em assembleias definindo pela suspensão provisória do movimento.

Ao menos até esta sexta-feira (21), quando a Comissão Permanente de negociação da Federação Única dos Petroleiros (FUP) sentará para dialogar no Tribunal Superior de Trabalho (TST) com representantes do Ministério Púbico.

Renira sente na pele e no bolso os efeitos da política da Petrobrás voltada ao mercado externo

Em São Paulo, na Avenida Paulista, a greve dá mostras de que foi capaz de unir movimentos de diversas trincheiras em defesa da democracia, do emprego e do patrimônio nacional, em um ato organizado pelas frentes Brasil Popular e Povo Sem Medo.

Aos 77 anos, Davina da Silva, vestida com um colete laranja da Petrobrás e um botom no peito com a imagem de Carlos Marighella, aponta que espera dos novos petroleiros o mesmo amor de quem já lutou pela classe trabalhadora em plena ditadura militar.

“Eu trabalhei no Edise (Edifício Sede da Petrobrás) e em São Paulo na área administrativa, uma área difícil que não faz greve, na época da ditadura, quando o sindicato ainda estava se reestruturando. E acredito que essa greve foi a maior até que a de 1995, aquela em que senti que a resistência do pessoal e a adesão foi maior, que havia maior comprometimento com a luta.Espero que essa nova geração se espelhe nos petroleiros antigos, que têm amor pela Petrobrás e que tenham a visão de que esse e um bem inegociável”, afirma.

Também uma lutadora com muitas histórias para contar, Renira do Nascimento, 54, pele negra e cabelos brancos, saiu da ocupação Nova Vitória, em Guarulhos, onde luta por moradia ao lado do Movimento dos Trabalhadores Sem Teto (MTST). Para ela, o apoio à greve é importante porque não se trata de uma reivindicação restrita à categoria.

Davina aponta que defender a Petrobrás é defender o Brasil

a“A luta é pelo nosso país, se a gente não brigar por ele, vamos perder tudo, olha quanta coisa que estamos perdendo e não vemos. Na época do Lula, comprávamos uma TV fininha, hoje em dia, a gente não sabe se compra arroz e feijão ou gás. O Bolsonaro não está olhando para nós”, criticou.

Batalha pedagógica

A avaliação do diretor de base do Sindicato Unificado dos Petroleiros de São Paulo (Sindipetro-SP) Tiago Franco é que a greve foi vitoriosa ao mostrar, ao mesmo tempo, que há caminhos para lutar contra quer destruir os direitos trabalhistas, ao mesmo tempo em que deixou claro a tragédia que pode ser a retomada de um processo de privatização em massa.

“Por um lado, com o acampamento no Edise e as paralisações em todo o país, demos um exemplo pedagógico de como se deve lutar. E, por outro, ao colocarmos na pauta a discussão sobre a elevação do preço dos combustíveis e do gás, atrelados a nova política de reajustes adotada pela empresa a partir do golpe contra a presidenta Dilma, mostramos como é ruim a gestão da Petrobrás estar prioritariamente voltada a interesses de mercado”, analisou.

Privatização que, conforme ressalta Liciane Andrioli, do Movimento dos Atingidos por Barragens, não leve em conta, nem de longe, os interesses da maior parte dos brasileiros.

“A Petrobrás produz e refina a maior parte do petróleo no Brasil, gera muita riqueza e estão querendo colocar essa riqueza nas mãos estrangeiras. Além de levar o que é nosso para outros países, a privatização ainda prioriza o lucro em prejuízo das vidas e do respeito ao meio ambiente”, falou.

[Via Sindipetro Unificado SP | Por Guilherme Weimann e Luiz Carvalho -Fotos de Guilherme Weiman]

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A Federação Única dos Petroleiros (FUP) foi criada em 1994, fruto da evolução histórica do movimento sindical petroleiro no Brasil, desde a criação da Petrobrás, em 1953. É uma entidade autônoma, independente do Estado, dos patrões e dos partidos políticos e com forte inserção em suas bases.

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