Para presidente da IndustriALL-Brasil é fundamental envolver os trabalhadores no debate de uma política industrial. Ex-diretor técnico do Dieese defende política com foco no emprego

[Da redação da CUT]

O fechamento da Ford no Brasil, anunciado recentemente e que acaba com mais de 119 mil postos de trabalho e diminui a arrecadação em mais R$ 3 bilhões, no país, fortaleceu a importância do debate de uma política industrial para o desenvolvimento do país, com tecnologia e geração de emprego.

Os trabalhadores da indústria querem que o governo de Jair Bolsonaro (ex-PSL) comece a debater, conjuntamente, saídas para evitar outros fechamentos de fábricas, desemprego e a piora, ainda mais, da economia.

Além da montadora norte- americana só no ano passado 5,5 mil fábricas encerraram suas atividades. Nos últimos cinco anos (2015 a 2020), quase 17 estabelecimentos industriais fecharam definitivamente suas portas por dia, segundo um levantamento da Confederação Nacional do Comércio de Bens, Serviços e Turismo (CNC) feito com exclusividade para o Estadão/Broadcast.

O presidente da IndustriALL-Brasil, Aroaldo Oliveira da Silva, conta que as empresas ao planejar onde irão produzir e se instalar, levam em consideração o crescimento no setor e a política industrial do país.  Por isso que é fundamental que o governo federal em conjunto com todos os atores da indústria, inclusive trabalhadores, dialoguem e achem juntos uma saída para o país se desenvolver de forma mais justa.

“Além da crise econômica que assombra o país, que começou antes mesmo da pandemia, estamos no meio de uma revolução industrial com novos elementos da tecnologia. O mundo todo está discutindo estas mudanças e o Brasil nem começou. A pauta dos trabalhadores da indústria no Brasil é que o governo comece a discutir uma apolítica industrial com tecnologia e emprego e que envolva os trabalhadores no debate, não só os empresários”, afirma Aroaldo.

Para ele, o país precisa de uma política industrial que tenha crédito, pesquisa, desenvolvimento, inovação, tecnologia, reconversão industrial e a nacionalização de componentes, peças e máquinas porque o país importa muito. O ideal, é que esta política nacional priorize emprego, trabalho de qualidade e renda e que seja uma proposta que contemple todo o setor.

“Temos várias pautas e discussões que podemos levantar com o governo federal, mas que não se mostra interessado e nem importa com a indústria e nem com o trabalhador e os empregos. Ele acabou com o ministério da indústria e do trabalho logo quando assumiu o poder e isso mostra que estes pontos não são prioridades para ele, mas sem governo não há política industrial. Queremos participar do processo de debate para que possamos contribuir com a economia e com os postos de trabalho”, ressalta o dirigente.

O ex-diretor técnico do Dieese e assessor técnico do Fórum das Centrais Sindicais, Clemente Ganz Lúcio, diz  que sem uma política que tenha no centro o emprego e a produção nacional o país regride cada vez mais para ser uma colônia e dependente. Segundo ele, para sair desta condição e avançar é preciso estratégia para economia girar.

“É preciso ter estratégia e construir uma agenda que inclua as várias dimensões do desenvolvimento. A inovação tecnológica amplia empregos nas áreas de serviços e no próprio emprego público, da educação, saúde e segurança. E a geração de empregos e renda melhora a capacidade de consumo e sustenta o crescimento econômico, que é fundamental para o país se tornar competitivo no setor”, diz.

Fim de política de incentivo do governo Dilma impacta negativamente nos empregos

A partir de 2012, o país contava com uma política industrial chamada “Inovar- Auto”, que incentivava as empresas a produzirem e gerarem empregos no Brasil. Criado por Dilma Roussef (PT), o Inovar-Auto, conseguiu fazer a frota brasileira aumentar sua eficiência em 15,4%, acima da meta de 12%, segundo dados Associação Brasileira de Engenharia Automotiva (AEA).

Pelo Inovar Auto foi possível também impulsionar a nacionalização da produção. Ao todo foram oito fábricas inauguradas, ao custo de aproximadamente R$ 14 bilhões: Chery em Jacareí (SP); FCA em Goiana (PE); Nissan em Resende (RJ); BMW em Araquari (SC); Jaguar Land Rover em Itatiaia (RJ); Hyundai-Caoa em Anápolis (GO); Mercedes-Benz em Iracemápolis (SP) e  Audi em São José dos Pinhais (PR)

Depois do golpe em 2016 começou o desmantelamento desta política e seu fim foi decretado em dezembro de 2017 por Michel Temer (MDB-SP). E desde 2018, o país está órfão de uma política industrial que dê conta das diversas frentes que necessita o setor, mesmo com o Rota 2030 instalado no país em fevereiro daquele ano.

O Rota 2030 não garante postos de trabalho, não estimula a geração de novos empregos e ainda fala de automatização das linhas sem nenhuma contrapartida ou negociação com os trabalhadores. Além disso, Diferente do Inovar Auto, o Rota 2030 não prevê nada sobre política de conteúdo local, que é o que garante empregos no Brasil, e ainda dá tratamento igual tanto para as montadoras que produzem no País quanto para as que importam tudo. Segundo trabalhadores da indústria, foi a partir daí que houve uma invasão de importados e os retrocessos no setor começaram.

Reforma tributária

O fechamento da Ford no Brasil também foi o gancho para que empresários e economistas neoliberais intensificassem o debate sobre uma reforma tributária. Tanto Aroaldo quanto Clemente acham importante uma reforma tributária, mas não a reforma tributária dos empresários. É preciso uma reforma tributária menos desigual, aponta eles.

Aroaldo disse que o Brasil precisa urgente de uma reforma tributária progressiva e que não tributa o consumo e o serviço para pobre pagar mais e que desonera o patrimônio deixando os ricos fora da tributação.

“Deixar na mão dos empresários discutir esta reforma vai persistir a lógica de onerar a vida do trabalhador e desonerar os ricos, persistindo assim todos os problemas. E não é isso que precisamos. A tributação tem que progressiva que reduza as desigualdades, quem ganha mais tem que pagar mais e não quem ganha menos pagar a conta maior”, disse.

Incentivos fiscais importantes

Segundo estimativa da Associação Nacional dos Fabricantes de Veículos Automotores, a Anfavea,entre 2012 e 2018, o setor recebeu investimentos de cerca de R$ 76 bilhões.

Estudo da subseção do Departamento Intersindical de Estatística e Estudos Socioeconômicos (Dieese) no Sindicato dos Metalúrgicos do ABC (SMABC) mostra que o número de trabalhadores nas montadoras saiu de 78,4 mil, em 2002, para 121,6 mil em dezembro de 2014. Entre 2003 e 2014, a produção saltou de 1,6 milhão de veículos para 3,1 milhões.

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Análise do Dieese mostra que o Brasil deve perder R$ 3 bilhões ao ano e 119 mil postos de trabalho diretos e indiretos com o fechamento das três unidades da montadora norte-americana

[Da redação da CUT | Foto: Ford/divulgação]

O fim da Ford no Brasil com o fechamento das três unidades instaladas nos estados da Bahia, Ceará e São Paulo, trará perdas bilionárias tanto ao país, como aos trabalhadores e trabalhadoras da montadora norte-americana, avalia o Departamento Intersindical de Estatísticas e Estudos Socioeconômicos (Dieese). A Ford anunciou que manterá apenas a sede administrativa da América do Sul no Brasil, o Centro de Desenvolvimento de Produto e o Campo de Provas.

De acordo com a análise do órgão, considerando as 5.000 demissões na Ford, haverá uma perda potencial de 118.864 mil postos de trabalho diretos e indiretos, com uma perda de massa salarial de R$ 2,5 bilhões aos trabalhadores. Já a queda de arrecadação de tributos e contribuições ficará na ordem de R$ 3 bilhões ao ano.

Atualmente a Ford possui 4.604 mil trabalhadores diretos na unidade de Camaçari, 830 na unidade de Taubaté (SP) e 470 trabalhadores da fábrica dos jipes Troller em Horizonte (CE). O número total de trabalhadores diretos é de 6.171, sendo que 5.000 serão demitidos. 

Contrariando o discurso de Jair Bolsonaro (ex-PSL) que “denunciou ” que a Ford queria incentivos fiscais para permanecer no país, estudo do Dieese aponta que de a cada R$ 1,00 gasto na indústria automobilística, é acrescido  R$ 1,40 no ‘ valor adicionado’ da economia.

Fim da Ford, fim de uma era

O encerramento da produção imediatamente em Camaçari  (BA) e Taubaté (SP), mantendo-se apenas a fabricação de peças por alguns meses para garantir disponibilidade dos estoques de pós-venda – as vendas dos automóveis da marca Ford no Brasil (EcoSport, Ka e T4) será encerrada assim que terminar os estoques; e a operação da fábrica da Troller em Horizonte (CE) no quarto trimestre de 2021, representa o fim de uma era na indústria automobilística no país.

A Ford foi a primeira indústria automobilística a ter operações no Brasil, em 1919. Em 1921 inaugura sua primeira fábrica no bairro do Bom Retiro, na capital de São Paulo.

Em 1980, a empresa era a maior empregadora entre as montadoras, com 21.800 trabalhadores e uma produção nacional de 165.500 unidades/anos. Em 1990 somou 17.578 trabalhadores, e em 1999, 9.153.

Em 2020 licenciou 139.897 veículos, sendo 119. 454 automóveis; 19.864 comerciais leves e  579 caminhões, o que representou 6,8% do total de veículos licenciados no Brasil no ano passado. Deste total, 84% foram produzidos  no Brasil (consultoria Bright). Em 1998, a Ford detinha 7,9% da produção nacional.

O setor automotivo chegou a ter 159.648 trabalhadores diretamente vinculados às montadoras, sendo 137.775 na produção de autoveículos e 21.873 em máquinas agrícolas e material rodoviário, em outubro de 2013 (nível mais alto desde janeiro de 1983, conforme informações disponíveis na ANFAVEA). Em dezembro de 2020 registrou 120.538 trabalhadores diretos (-24,5%), sendo104.428 na produção de autoveículos e 17.740 na produção de máquinas agrícolas e material rodoviário, ao comparar com o dado de outubro de 2013.

Leia a íntegra da análise do Dieese aqui

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Em nota, a IndustriAll Brasil, a CUT e a Força Sindical - entidades que representam a maioria dos sindicatos de metalúrgicos no Brasil - afirmam que fechamento da Ford deixa rastro de desemprego no país sem indústria, sem emprego, sem governo e sem futuro. “Reverter esse descaminho é mais do que urgente”, ressalta a nota

[Do site da CUT]

Na tarde desta terça-feira (12), a IndustriALL-Brasil, os metalúrgicos da CUT e da Força Sindical divulgaram uma nota pública sobre o fechamento das três plantas da Ford no país. Segundo as entidades, a Ford fugiu do Brasil sem rumo e de Bolsonaro.

No documento, os presidentes das entidades afirmam que a ação da empresa global é consequência da completa ausência de um projeto de retomada da economia brasileira, que contemple a reindustrialização do país. E ressalta que é incontestável a desconfiança interna e internacional e o descrédito quanto aos rumos da economia brasileira com este governo que aí está, porque não se toma uma decisão empresarial como essa sem considerar a total incapacidade do governo Bolsonaro.

“A Ford "foge" do Brasil deixando um rastro de desemprego e desamparo, após ter se valido durante muitos anos de benefícios e isenções tributárias dos regimes automotivos vigentes desde 2001, e que definiram a instalação da empresa em Camaçari, bem como a permanência das suas atividades no Ceará”, diz trecho da nota.  

Leia a íntegra:

Ford foge do Brasil e de Bolsonaro e deixa rastro de desemprego

BRASIL SEM RUMO, SEM INDÚSTRIA, SEM EMPREGO, SEM GOVERNO, SEM FUTURO

O anúncio de fechamento de todas as fábricas da Ford no Brasil (a planta de SBC já havia sido fechada, em 2019) confirma as piores previsões e avisos do movimento sindical sobre os rumos da economia nacional.

Novamente de forma unilateral, a Ford informa que irá encerrar suas atividades no país, com o fechamento das plantas de Camaçari-BA, Taubaté-SP e Horizonte-CE.  A ação da empresa global é consequência da completa ausência de um projeto de retomada da economia brasileira, que contemple a reindustrialização do país.

O governo despreparado e inepto de Bolsonaro e Guedes finge ignorar a importância da indústria como motor do desenvolvimento nacional, não apresenta qualquer estratégia para a atuação da indústria no Brasil e condena o país a uma rota de desindustrialização e desinvestimento, como vínhamos alertando há tempos. Não só alertamos como fizemos propostas, como o Inovar-Auto.

É incontestável a desconfiança interna e internacional e o descrédito quanto aos rumos da economia brasileira com este governo que aí está; não se toma uma decisão empresarial como essa sem considerar a total incapacidade do governo Bolsonaro.

No momento em que a indústria automobilística global passa por uma das mais intensas ondas de transformação, orientada pela eletrificação e pela conectividade, assistimos à criminosa omissão, e até boicote do subserviente governo brasileiro à indústria, com consequências nefastas para a classe trabalhadora, ante um presidente incapaz de conduzir qualquer diálogo sobre a inserção do país no cenário que se configura rapidamente.

A Ford "foge" do Brasil deixando um rastro de desemprego e desamparo, após ter se valido durante muitos anos de benefícios e isenções tributárias dos regimes automotivos vigentes desde 2001, e que definiram a instalação da empresa em Camaçari, bem como a permanência das suas atividades no Ceará.

A decisão da empresa significa cerca de 50 mil empregos na cadeia produtiva em torno das três plantas desativadas, mas a ausência de compromisso e respeito aos trabalhadores e à sociedade por parte da Ford não é surpresa.

A tragédia é ainda evidentemente maior considerando o conjunto de plantas fechadas, ou com anúncio de fechamento desde 2019, e o impacto sobre os diferentes setores da indústria brasileira, que rebaixam nossa posição econômica no cenário global de forma acelerada e dramática.

O desgoverno afunda ainda mais nossa população no roteiro de precarização, desemprego, desalento e pobreza. O desastre na condução da economia se casa e se completa, tragicamente, com a crise sanitária.

Reverter esse descaminho é mais do que urgente. É nossa luta.

Toda solidariedade aos trabalhadores/as e famílias afetados.

Estamos juntos nessa luta!!!!!!!!

Aroaldo Oliveira da Silva, presidente da INDUSTRIALL Brasil

Paulo Cayres, presidente da CNM-CUT - Confederação Nacional dos Metalúrgicos da CUT

Miguel Torres, presidente da CNTM-Confederação Nacional dos Trabalhadores Metalúrgicos da Força Sindical

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O Sindipetro Bahia se solidariza com os trabalhadores e trabalhadoras da Ford, de todo o Brasil, que começaram o ano de 2021 com a péssima notícia da perda de seus empregos. Estendemos nossa solidariedade ao Sindicato dos Metalúrgicos da Bahia, Ceará e São Paulo, estados que perderão postos de trabalho e receitas como ICMS e ISS, com a saída da montadora.

De acordo com o anúncio da Ford serão fechadas imediatamente as fábricas de Camaçari, na Bahia, onde 3 mil trabalhadores serão demitidos, e a de Taubaté, em São Paulo, que resultará na demissão de 700 trabalhadores. A unidade de Horizonte, no Ceará, permanecerá em atividade até o 4º trimestre de 2021. A operação da fábrica de São Bernardo do Campo (SP) já havia sido encerrada há um ano e meio.

Com a saída da Ford do país, segundo a própria montadora, cerca de 5 mil trabalhadores ficarão desempregados, o que vai agravar a crise econômica no Brasil, que já tem 14 milhões de desempregados.

É preocupante o que vem acontecendo no Brasil, pois a cada saída de uma grande empresa do país, a cada falta de investimento, há um enorme impacto social, que leva a um efeito dominó com inúmeras perdas.

O fechamento da Ford, além de gerar as demissões dos trabalhadores próprios e terceirizados da multinacional estadunidense atinge toda uma cadeia produtiva a exemplo das empresas que fornecem peças e produtos para a montadora como as que fabricam peças e acessórios e também aquelas que fabricam pneus – só em Camaçari existem duas que se instalaram na cidade atraidas pela chegada da Ford: a Continental e a Bridgestone.

Como vão ficar essas empresas? Vão manter a produção? Provavelmente não porque não terão mais para quem entregar o seu produto final. O fechamento da empresa também afetará as revendedoras de veículos Ford e os cegonheiros (que realizam o transporte dos veículos vendidos). Esses profissionais – cerca de 400 na Bahia – vieram para o estado e montaram suas estruturas para atender a Ford.

É um impacto gigantesco para a economia da Bahia e de Camaçari, que vai aprofundar a crise no Brasil, pois haverá também queda do IPI, além da perda de postos de trabalho, ICMS e ISS. Infelizmente, não há saída a curto ou médio prazo. A falta de uma política econômica concreta e clara está prejudicando o Brasil. A ineficiência das medidas do governo federal como as reformas trabalhista e da previdência, a aprovação da lei da terceirização e o teto de gastos, que não impediram as demissões nem geraram empregos como prometido, são a prova de que o Brasil está no caminho errado.

No Brasil de Bolsonaro as empresas não têm segurança para continuar produzindo. Além da Ford, a Sony já anunciou que ainda esse ano vai embora do Brasil. A empresa de produtos alimentícios Yoki também informou o fechamento de uma de suas fábricas no Rio Grande do Sul, demitindo cerca de 300 trabalhadores. O pior é que com o desmonte e privatização do Sistema Petrobrás a crise irá se aprofundar ainda mais.

É urgente a unificação das lutas de todas as categorias em defesa dos empregos e da geração de novos postos de trabalho para atender aos desempregados. Precisamos construir a unidade da classe trabalhadora contra o desgoverno Bolsonaro.

Diretoria do Sindipetro Bahia

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Presidente da Confederação Nacional dos Metalúrgicos (CNM-CUT), Paulo Cayres, diz que o Brasil perde 5 mil empregos diretos e até 50 mil indiretos com a saída da Ford do Brasil

[Da Rede Brasil Atual | Foto: Sindicato dos Metalúrgicos de Camaçari]

Para o presidente da Confederação Nacional dos Metalúrgicos (CNM-CUT), Paulo Cayres, o anúncio da saída da Ford do país é sinal do desgoverno comandado pelo presidente Jair Bolsonaro. “É uma notícia lamentável para o país.” Além disso, ele afirma que a montadora rompeu acordos com a categoria, após ter recebido R$ 20 bilhões em isenções fiscais nas últimas duas décadas.

“A lógica desse governo é destruir empregos e direitos”, disse Cayres, em entrevista ao Jornal Brasil Atual, nesta terça-feira (12). “A Ford, que é capitalista, vai na mesma linha”, criticou.

“Diziam que haveria melhores empregos com as reformas trabalhista e da Previdência, após o impeachment de Dilma. O que estamos percebendo é que nada disso resolveu”, acrescentou o sindicalista.

Nesta segunda-feira (11), a montadora norte-americana anunciou que está deixando o Brasil, depois de um século de atividades. Com isso, 5 mil trabalhadores serão demitidos com o fechamento das fábricas de Camaçari (BA), Taubaté (SP) e Horizonte (CE). No entanto, cerca de 35 a 50 mil postos de trabalho indiretos também devem ser fechados com a saída da montadora, segundo o sindicalista.

Cayres também criticou o governo, que acabou com sobretaxas e cotas de importação para montadoras que não tivessem fábricas no Brasil. Com isso, a Ford continuará tendo vantagens ao importar para o Brasil veículos produzidos na Argentina e no Uruguai.

Ele destacou que em 2019, a Ford já havia encerrado as atividades da fábrica de São Bernardo do Campo. Isso demonstra que os problemas enfrentados pela empresa antecedem a queda nas vendas em função da pandemia. “Mas já havia a crise instalada pela lógica de como esse governo atua”, frisou o líder sindical, sobre o que chama de “desgoverno” de Bolsonaro frente ao caso da Ford.

Boicote

A CNM, a CUT e a Força Sindical devem realizar reunião para avaliar as respostas a serem tomadas para tentar preservar os direitos dos trabalhadores. Além disso, Cayres afirmou que os metalúrgicos devem lançar uma campanha de boicote aos veículos da montadora norte-americana.

“Tenho um carro Ford. Mas, diante dessa situação, vou vendê-lo. Vou comprar um veículo de uma marca que respeite os sindicatos e os trabalhadores do nosso país. Não podemos aceitar que a empresa vire as costas para o país, mas continue vendendo seus produtos”.

Veja a íntegra da entrevista: 

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A Federação Única dos Petroleiros (FUP) foi criada em 1994, fruto da evolução histórica do movimento sindical petroleiro no Brasil, desde a criação da Petrobrás, em 1953. É uma entidade autônoma, independente do Estado, dos patrões e dos partidos políticos e com forte inserção em suas bases.