Das 17 refinarias em funcionamento no Brasil, 13 são da Petrobras e têm capacidade instalada de refino diária de 2,4 milhões de barris. Entretanto, apenas 70% da capacidade dessas refinarias foram utilizadas durante o ano passado. Isso se explica por uma mudança, ocorrida em 2017, na política de preços que a Petrobras vinha praticando anteriormente.

Essa decisão obrigou o país a importar por volta de 280 mil barris diariamente para suprir o consumo interno, que variou em torno de 2 milhões de barris diários no ano passado. Além disso, a Petrobras também atrelou o preço dos derivados vendidos nas refinarias aos valores cobrados internacionalmente.

Segundo o economista do Instituto de Estudos Estratégicos de Petróleo, Gás Natural e Biocombustíveis Zé Eduardo Dutra (INEEP), Rodrigo Leão, os resultados dessas decisões foram os aumentos nos preços dos combustíveis, que chegaram a ser diários em alguns períodos desde 2016, e a perda de espaço da Petrobras no mercado consumidor brasileiro de refino.

“É como se a Havaianas chegasse para a Ipanema e falasse: ‘olha, eu tenho praticamente todo o mercado, mas eu não quero, toma aqui metade pra você’. É isso [o que a Petrobras está fazendo]. ‘Eu não quero ganhar de você, eu quero que a gente concorra. No frigir dos ovos, a Petrobras está abrindo mão de mercado. Ou seja, a Petrobras tomou a decisão de se tornar uma empresa menor”, opina Leão.

Riscos da privatização

Em maio deste ano, a direção da Petrobras anunciou que pretende vender oito refinarias até 2021. A expectativa é que o anúncio ao mercado e as negociações comecem ainda neste ano e se estenda para 2020, até a conclusão da venda em 2021.

“O atual presidente da Petrobras, Roberto Castello Branco, está mentindo para a sociedade brasileira quando diz que se privatizar as refinarias vai baratear o preço para o consumidor. Isso é uma mentira. Antes da mudança da gestão em 2016, a Petrobras tinha um compromisso social, hoje não, quer atender aos interesses dos acionistas. O resultado é que o preço dos derivados não param de aumentar e se concluírem a venda das refinarias vai aumentar ainda mais”, explica o coordenador geral da Federação Única dos Petroleiros (FUP), José Maria Rangel.

Desenvolvimento regional

A primeira refinaria do país foi criada três anos antes do surgimento da estatal do setor, a Petrobras. Inaugurada em setembro de 1950, a Refinaria Landulpho Alves (RLAM) está localizada no Recôncavo Baiano e abriu caminho para a construção de outros parques de refino nos anos posteriores. De acordo com o economista do Departamento Intersindical de Estatística e Estudos Socioeconômicos (Dieese), Cloviomar Caranine, os locais de construção das refinarias foram planejados estrategicamente ao longo do território nacional durante as décadas de 60 e 70.

“As refinarias estão espalhadas pelo Brasil, de sul ao norte, sempre no litoral e onde estão os centros urbanos. E isso não foi realizado à toa. Ou seja, foi pensado com o objetivo de criar um modelo de desenvolvimento regional e visando a autossuficiência”, recorda Caranine.

 

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Publicado em Sistema Petrobrás

Enquanto na cidade de Jordão, no interior do Acre, a população está pagando R$ 7,00 pelo litro da gasolina, a Agência Nacional do Petróleo, do Gás Natural e dos Biocombustíveis (ANP) informa à imprensa que o preço médio da gasolina praticado nos postos do país ficou praticamente estável na semana terminada no dia 4 de maio – subiu de R$ 4,504 para R$ 4,505, diz a entidade.

Inacreditavelmente, a servidora pública Andreia Oliveira afirmou para um jornal local que, apesar do valor da gasolina ser muito acima da média nacional, ‘ainda não é de assustar’. Motivo: na pequena cidade, a população já pagou até R$ 10 pelo litro do combustível.

“Por enquanto, a população acha caro, mas já ficou pior. Aqui já chegou a ficar a R$ 10. Então, agora não tem tanta reclamação”.

De acordo com o Portal Jurua em Tempo, no município que tem pouco mais de 8 mil habitantes e tem o rio como principal via de acesso, a população tem um dos maiores custos de vida do país.

Primeiro porque eles levam até 12 dias de viagem de barco para ir a outra cidade pagando o maior preço pelo litro de gasolina do país. E como os custos com o transporte de produtos da cidade vizinha de Taracuacá são repassados para os preços dos produtos, a população é prejudicada duas vezes.

E nos períodos de estiagem a situação piora ainda mais, diz o prefeito de Jordão, Elson Farias. Ele explica que quando cai o nível da água do Rio Tarauacá, que liga a cidade a outros municípios do Acre, todos os preços sobem mais ainda. Por isso, mesmo com a gasolina a R$ 7,00, a população ainda acha o preço razoável.

Para o prefeito, o ideal seria ter uma política diferenciada para esses municípios isolados. “Mas, enquanto não tiver, a gente vai continuar sofrendo com isso”.

Política de preços da Petrobras

O governo de Jair Bolsonaro (PSL) manteve a política nacional de preços da Petrobras de reajustar os combustíveis de acordo com a variação cambial e da oscilação do barril de petróleo no mercado internacional adotada em julho de 2017 pelo governo do ilegítimo Michel Temer (MDB).

Os reajustes, tanto da gasolina quanto do diesel e do gás de cozinhas têm pesado no bolso da classe trabalhadora, especialmente no Acre que tem a gasolina mais cara do país.

Em Rio Branco, capital do Acre, o consumidor paga mais de R$ 5,00 por um litro de gasolina há mais de seis meses. E em cidades como Cruzeiro do Sul estão pagando R$ 5,580 no litro da gasolina.

O impacto dessa política está afetando toda a população, inclusive a que não tem carro em todo o estado, diz o vice-presidente da CUT-AC, Edmar Batista Tonely, lamentando, assim como o prefeito de Jordão, a falta de uma política diferenciada de preços de combustíveis para a Região.

"Os absurdos aumentos nos preços dos combustíveis são repassados para os preços dos transportes públicos e de cargas que, por sua vez, repassam para os preços dos produtos consumidos pela população, da cesta básica ao vestuário, e no fim das contas é o povo quem paga o preço da política implementada pela Petrobras, o que não é nada justo. O queda no poder de compra afeta ainda mais quem vive em regiões mais distantes".

Gasolina sobe mais do que a inflação

De julho de 2017 até agora, a gasolina aumentou 56,97% nas refinarias da Petrobras enquanto a inflação do período acumulou 7,14%, segundo dados da subseção do Dieese da Federação Única dos Petroleiros (FUP). Já a variação do preço do diesel, que atinge diretamente os caminhoneiros, que ameaçam parar novamente assim como fizeram em maio de 2018, foi de 50,14% no mesmo período.

O coordenador geral da Federação Única dos Petroleiros, José Maria Rangel, diz que não há perspectivas de queda no preço dos combustíveis se a Petrobras insistir em manter a atual política de preços que penaliza o consumidor final.

“Não há expectativa de que o preço do barril de petróleo terá queda no próximo período. Portanto, se aumenta lá fora, há repique aqui dentro e quem paga são os brasileiros”, explica Rangel, lembrando que a crise no país vizinho, a Venezuela, uma das maiores produtoras de petróleo do mundo, inevitavelmente impactará no valor internacional do petróleo. “E sabemos que o preço dos derivados tem uma influência grande nos resultados econômicos, pois afetam toda a cadeia produtiva”.

[Via CUT]

Publicado em Petróleo

O debate do reajuste do valor do diesel esconde uma maldade, que é a real intenção deste governo, a venda de todas as refinarias da Petrobrás. E a consequência dessa perversidade está em quem vai pagar por uma gasolina e gás de cozinha mais caros: o trabalhador.

Basta analisar a tabela acima para entender que o grande problema está na atual política dos preços dos combustíveis. A variação nestes últimos 3 meses é maior do que foi durante um ano todo, e que também foi alta.

Quem está à frente da gestão da Petrobrás, está deixando o mercado promover um ataque especulativo contra os brasileiros. Pois, gerencia a empresa como se ela fosse privada e empresa privada só tem um único objetivo: o lucro.

E para quem vai o lucro? Para os acionistas. E quem paga por isso? A população, que vai pagar caro pelo combustível e pelo gás de cozinha. Fato inadmissível se minimamente pensarmos que vivemos no país que tem o Pré-Sal.

Toda esta situação pode piorar se conseguirem concretizar o projeto da alta administração da Petrobrás, que é privatizar as refinarias brasileiras.

A FUP e seus Sindicatos alertam para este problema há bastante tempo, foram os primeiros a denunciar o equívoco da atual política dos preços dos combustíveis, sempre avisando que quem pagaria a conta seria a população quando fosse abastecer seus carros ou comer.

Diga não à Venda das Refinarias, Privatizar Faz Mal ao Brasil

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Sábado, 13 Abril 2019 11:30

Entenda a real intenção do governo

O debate do reajuste do valor do diesel esconde uma maldade, que é a real intenção deste governo, a venda de todas as refinarias da Petrobras.

Assista ao vídeo do coordenador geral da FUP, José Maria Rangel

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A Federação Única dos Petroleiros (FUP) foi criada em 1994, fruto da evolução histórica do movimento sindical petroleiro no Brasil, desde a criação da Petrobrás, em 1953. É uma entidade autônoma, independente do Estado, dos patrões e dos partidos políticos e com forte inserção em suas bases.

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