Segunda, 11 Março 2019 16:02

Somos Rosas ou Cactos?

Por Priscila Costa Patricio, diretora da FUP e do Sindipetro Espírito Santo, integrante do Coletivo Nacional de Mulheres Petroleiras da FUP

Às vezes, a vida nos coloca no meio de um dilema. A consciência questiona e você terá que decidir.

Ser mulher no Brasil - mais especificamente no estado do Espirito Santo, mais ainda, trabalhadora de uma empresa majoritariamente masculina, ou mais: militante e sindicalista - é um grande desafio. Muitas vezes, você vai ser sentir lisonjeada e capaz, mas em pouco tempo alguém vai tentar te fazer acreditar que não: “você é uma fraca! E aqui não é o seu lugar.”

Qual é o meu lugar? Será que ele existe? Penso que todas e todos queremos um lugar que nos seja aconchegante, com respeito e reconhecimento - e se tiver um pouco de afeto, até melhor. Este seria o local ideal. Mas ele nunca existiu.

Quando na idade média as camponesas tinham suas vidas definidas pela decisão de seus pais e seus maridos, e viviam uma vida tipo “bela, recatada e do lar”, elas não “precisavam” saber ler, escrever ou administrar negócios, mesmo tendo interesse e capacidade para isso. Muitas viveram a vida contrariadas, com sonhos frustrados. Por isso, e outras tantas coisas, se sentiam escravizadas pelo patriarcado.

Foram milhares as mulheres escravizadas por homens que abusavam sexualmente delas... Imagina se isso era felicidade?! Esses mesmos homens, em sua maioria tinham esposas. Será que elas eram livres de verdade? Você consegue pensar como foi a vida das primeiras mulheres homossexuais que se assumiram? Se hoje, em pleno 2019, alguns casais LGBTI não podem sequer se abraçar na área de lazer de um condomínio (testemunhei isso esta semana), imagina em 1900? Eram muitas denominadas “loucas”, loucas por uma vida autônoma!

O tempo passou, algumas dessas mulheres enfrentaram e não aceitaram opressão, muitas, por isso, acabaram queimadas vivas, como Joana D’arc. Outras foram tachadas de “bruxas” e tiveram o mesmo destino. Na China, durante a Guerra Sino-Japonesa, muitas mulheres foram estupradas até a morte. Quantas de nós somos descendentes de “Índias pegas no laço”? Nesse mesmo período, outras milhares de mulheres estavam relativamente seguras, cuidando de seus filhos, tendo maridos que as amavam, bordando e tricotando, enfrentando outros desafios menos arriscados para suas vidas. Contudo, nem a vida dessas mulheres, que de certa forma aceitavam o destino, era fácil. As condições de partos e saúde sempre foram arriscadas também. Milhares morreram dando à luz.

E hoje nos entregam ROSAS pelo Dia Internacional da Mulher...

Eu, como bióloga, gosto muito de plantas. Sei que as rosas são delicadas e é preciso ter muito cuidado e técnica para cuidar delas. São arbustos sensíveis, nem muita água, nem muito sol, nem muito adubo... Tem que ser bom jardineiro para conseguir fazer uma roseira florescer com rosas perfeitas e perfumadas. Isso não me parece nem um pouco com as mulheres!

Estava pensando que na verdade somos todas CACTOS. Você pode achar um cacto feio, mas o que vemos no cacto é exatamente o que as mulheres têm desenvolvido ao longo dos séculos: mecanismos de defesa e resistência à adversidade.

O que é aquele corpo suculento, senão uma forma de reservar água para os longos períodos sem chuvas? O que são os espinhos, senão um mecanismo de defender-se de inimigos e ao mesmo tempo se adaptar a aridez, pois as suas folhas não durariam nada, se fossem como a de todos os homens (ops, todas as plantas) que recebem um vento mais suave. Por dentro, um mecanismo de captação de água e fotossíntese totalmente diferenciado, para ter a eficiência, tendo em vista que a vida não é fácil.

Mas os cactos não ficam ali parados achando que o mundo vai acabar: eles brotam! Se reproduzem facilmente, se você corta um cacto e o faz ferir, ele se transforma em dois! Se você tenta mata-lo fatiando seus braços, ele se recupera e se multiplica. Formam moitas cheias para se defender. Não somos nós isso?

Quando uma de nós é atacada, não nos multiplicamos e resistimos?

E crescemos.  Nossas carreiras são consolidadas, mas o reconhecimento vem devagar. Assim como os cactos, crescemos poucos centímetros por ano. É fato que os salários das mulheres ainda são menores do que os dos homens na média nacional. É fato que somos “desescolhidas” para cargos de chefia muitas vezes. É fato que uma mulher precisa se esforçar o triplo para ser reconhecida num ambiente de trabalho, e ainda o faz driblando os assédios, morais e sexuais, que são uma constante.

Esta história tá parecida demais, não é mesmo?

E ela continua. Pois os cactos demoram, mas florescem.  E quando florescem, não tem para ninguém. Nem rosas, cravos, margaridas, orquídeas, lírios ou antúrios... Nenhuma dessas plantas consegue competir com a beleza das flores de cactos. São majestosas, coloridas, perfumadas, muitas vezes pomposas e irresistíveis... E o são para atrair o que ao cacto faz bem. Elas crescem acima dos espinhos para dizer: ”eu me desarmo porque confio em você”. E ali, os animais as rodeiam e polinizam, e a natureza continua, agora alimentada pelo doce néctar de uma flor da resistência.

Mais tarde ele dará frutos coloridos e ricos em sementes. Do meio da aridez virá a alegria e novas formas de vida. A esperança do caminho. A revolução. Acho que sou cacto. Nenhuma adversidade me fará desistir de meu caminho e minha missão.

Publicado em Cidadania

Na sexta-feira, 8 de março, milhares de brasileiras saíram às ruas para celebrar o Dia Internacional de Luta das Mulheres. Sob o lema “Pela vida das mulheres, somos todas Marielle”, elas tomaram as ruas do país para protestar contra o desmonte da Previdência, o aumento no número de feminicídios e os retrocessos do governo Bolsonaro (PSL), além de celebrar o legado da militante e vereadora Marielle Franco. Assassinada no Rio de Janeiro (RJ) em 14 de março de 2018, a vereadora tornou-se uma inspiração para trabalhadoras que lutam contra injustiças em todo o país. Até hoje o crime continua impune.

Em São Paulo, mais de 80 mil mulheres coloriram a Avenida Paulista neste Dia Internacional da Mulher para protestar, principalmente, contra a reforma de Previdência proposta pelo governo de Jair Bolsonaro (PSL).

“Mulheres contra Bolsonaro, vivas por Marielle, em defesa da previdência, da democracia e dos direitos” foi o mote do ato unificado de vários movimentos sociais, feministas, de mulheres da CUT e demais centrais, partidos políticos e milhares que se juntaram à luta.

O vão livre do MASP, ponto de concentração da manifestação, ficou pequeno em poucas horas e as milhares de pessoas que participavam do ato ocuparam as duas vias da Paulista e depois caminharam até a Praça Roosevelt, no centro da cidade.

No Rio de Janeiro, a concentração do ato foi na Candelária, de onde mais de 50 mil pessoas saíram em passeata até a Cinelândia.

Bruna Silva, mãe de Marcos Vinícius, de 14 anos, morto pela polícia em um operação na Maré, também estavam presentes no ato do Rio. “Estou aqui em nome do meu povo favelado, para dizer que a gente tem vez, tem voz, e temos lugar”, disse Bruna.

A viúva de Marielle, Mônica Benício, enalteceu o legado da companheira e explicou por que participa das manifestações de 8 de março. “Estamos aqui pela vida e pela liberdade de todas as mulheres, pelo direito de exercer o livre acesso ao nosso corpo da forma como nós quisermos”, disse.

Na Bahia, duzentas militantes do Movimentos dos Trabalhadores Rurais Sem Terra (MST) e do Movimento pela Soberania Popular na Mineração (MAM) ocuparam uma unidade da mineradora australiana Mirabela Nickel em Ipiaú, para protestar contra o modelo predatório de exploração de níquel. As mulheres também denunciaram os riscos de contaminação do Rio de Contas, que abastece a região e fica a menos de 1 km de uma barragem de rejeitos da empresa.

Em Salvador, mais de 64 instituições que lutam pelos direitos das mulheres participaram do ato religioso e da marcha que saiu da Praça da Sé, no Centro Histórico de Salvador (BA), em direção ao bairro do Campo Grande, com participação de Manuela D'Ávila.

O cortejo contou com uma homenagem a Marielle Franco, representada em uma bandeira gigante com fundo amarelo e o rosto da militante carioca. 

Na Esquina Democrática, na capital gaúcha, o ato reuniu centenas de manifestantes e recebeu o nome de “Ato pela Vida das Mulheres Trabalhadoras”.

Foram feitas críticas à retirada de direitos da reforma da Previdência e ao feminicídio. As agricultoras, em grande número no ato, protestaram contra os ataques do governo Jair Bolsonaro que tenta criminalizar o MST (Movimento dos Trabalhadores Sem Terra) e propõe regras para dificultar a aposentadoria no campo.

Houve atos em Belo Horizonte, Fortaleza, Recife, Curitiba, Vitória, Manaus, Natal, Florianópolis e em diversas outras capitais e cidades do país.

Lula envia carta às mulheres brasileiras

Mantido como preso político desde abril do ano passado em Curitiba, o ex-presidente Lula enviou, nesta sexta-feira (8), Dia Internacional da Mulher, uma carta às mulheres brasileiras.

A mensagem foi lida na Vigília Lula Livre, em frente a superintendência da Polícia Federal, por Neudicleia de Oliveira, integrante do Movimento dos Atingidos por Barragens (MAB). Ela visitou o petista junto com o ex-prefeito Fernando Haddad.
 
“Oito de março é dia de lembrar a luta das mulheres que vivem um movimento de luta diária”, escreveu Lula na mensagem.

De acordo com Haddad, o ex-presidente segue determinado em provar sua inocência e destacou a preocupação de Lula com as declarações sobre democracia feitas esta semana por Bolsonaro.

“Ele participou de todo o processo de redemocratização do país e o recado é o seguinte: democracia quem garante é o povo, que é de onde emana todo o poder segundo a nossa Constituição. Então se a gente quiser defender os nossos direitos, nossa mobilização se torna mais necessária do que nunca, no momento em que esses direitos estão sendo ameaçados”, afirmou.

Confira, a íntegra da carta de Lula às mulheres: 

Oito de março é dia de lembrar a luta das mulheres que vivem um movimento de luta diária. Desde o momento em que vêm ao mundo. Dia de marcar posição frente aqueles, que hoje no poder, tentam deslegitimar a luta de quem tem como ideal a igualdade de direitos.

Falamos de igualdade e do próprio direito à vida das mulheres que lutam para existir.

 De onde me encontro, sigo em resistência pela construção da sociedade que sonhamos juntos, de um Brasil com oportunidades iguais para todos e todas.

Um abraço

 Luís Inácio Lula da Silva
 
[FOTOS: FUP, Mídia Ninja, Jornalistas Livres | Texto a partir de informações do Brasil de Fato, CUT e Rede Brasil Atual]
 
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As mulheres voltam às ruas nesta sexta-feira (8) em ao menos 22 cidades brasileiras para celebrar o Dia Internacional da Mulher. Depois das manifestações do #Elenão que reverberaram por todo mundo contra o discurso do ódio e o sexismo representados pela candidatura de Jair Bolsonaro(PSL), a edição deste ano alerta para as ameaças de retrocessos com o atual governo.

A proposta de "reforma" da Previdência, o aumento da militarização, a criminalização dos movimentos sociais, a política de "entreguismo" dos recursos naturais que afeta a soberania nacional são alguns dos pontos pautados por movimentos e pela Marcha Mundial das Mulheres. As manifestações também vão protestar contra o machismo, a violência de gênero, a desigualdade, o racismo e o preconceito contra pessoas LGBTs.

assassinato da vereadora Marielle Franco (Psol-RJ), caso ainda sem solução quase um ano após o crime, será destaque na marcha que acontece em Fortaleza (CE) sob a bandeira "Somos todas Marielles".

Na cidade de São Paulo, a partir das 16h, no Masp, e em Campinas, às 16h, no Largo do Rosário, os atos têm como lema "Mulheres contra Bolsonaro! Vivas por Marielle, em Defesa da Previdência, por Democracia e Direitos". A mesma bandeira de luta ganha espaço também nas cidades de Natal, Mossoró e Parelhas, no Rio Grande do Norte.

Em Salvador (BA), Curitiba (PR), Juiz de Fora (MG) e em Brasília (DF), o destaque é a luta por vida, liberdade, justiça e direitos. O movimento em defesa do aborto legal e seguro e por uma educação não sexista e libertadora ganha voz na marcha em Porto Alegre (RS).

O recente crime da Vale, em Brumadinho (MG) é alvo no protesto de Belo Horizonte (MG) que destaca "O lucro não Vale a vida" chamando a atenção para o passivo ambiental deixado no estado pela ganância das mineradoras. Na Paraíba e em Pernambuco, as mulheres reforçam a luta contra o avanço dos interesses conservadores e neoliberais com o mote "Democracia, Reforma da Previdência e perda de direitos".

Reconhecimento e homenagens

A Assembleia Legislativa de São Paulo (Alesp) realiza no dia 11 de março, a partir da 9h30, uma sessão solene para homenagear o trabalho e a resistência de mulheres com a Medalha Theodosina Ribeiro 2019, iniciativa realizada desde 2012 pela deputada Leci Brandão (PCdoB-SP), em referência à primeira vereadora negra da Câmara Municipal de São Paulo.

Na edição desse ano, em que 18 personalidades serão premiadas, 14 delas são mulheres negras. Todas reconhecidas pelo trabalho e ações que "empoderam, impactam e influenciam decisivamente a vida de pessoas pertencentes a grupos vulneráveis da sociedade".

A presidenta e regente do Bloco Afro Ilú Obá de Min, percussionista e arte educadora, Beth Beli; a filósofa e escritora Djamila Ribeiro; a rapper, cantora e ativista da Luta Antirracista Bia Ferreira e a liderança do Movimento de Moradia Maria Helena são algumas das homenageadas. 

Confira os locais da marcha:

 

São Paulo

São Paulo

Local: Masp, na Avenida Paulista

Horário: às 16h

Campinas

Local: Largo do Rosário

Horário: às 16h30

 

Rio de Janeiro

Rio de Janeiro

Local: Candelária, no Centro

Horário: às 17h

 

Rio Grande do Norte

Mossoró

Local: INSS, no Bairro Aeroporto, com percurso até o centro da cidade

Horário: às 8h

 Natal

Local: INSS, na Rua Apodi, com caminhada até a Praça dos 3 Poderes

Horário: às 15h

 Parelhas

Local: Cooperativa

Horário: às 7h

 

Alagoas

 

Maceió

Local: Praça Deodoro

Horário: às 9h

 

Pernambuco

Recife

Local: Praça do Derby

Horário: às 14h

 Garanhuns

Data: 9 de março

Local: Largo do Colunata

Horário: às 9h

 Caruaru

Data: 14 de março

Local: em frente ao INSS

Horário: às 8h

 

Rio Grande do Sul

Porto Alegre

Local: Esquina democrática e Feira de Economia Solidária o dia inteiro no Largo Glicênio Peres

Horário: às 18h

 Livramento

Local: Marcha Binacional, na Praça General Osório

Horário: às 8h30
+ mateada, oficinas e atividades culturais das 10h às 17h30 no Parque Internacional

 Rio Grande

Local: Coreto da Praça Tamandaré

Horário: às 16h

 Santa Maria

Local: na Praça Saldanha Marinho

Horário: às 16h intervenções culturais e às 18h ato

 São Leopoldo

Local: Câmara de Vereadores, na Rua Independência, 66

Horário: às 16h

 Caxias do Sul

Local: INSS, às 9h30 e caminhada até a Praça Dante, às 10h30 com atos pela tarde

Minas Gerais

Belo Horizonte

Local: Praça Raul Soares

Horário: às 17h

 Juiz de Fora

Local: Parque Halfeld

Horário: às 18h

 Simonesia

Local: Praça Getúlio Vargas, no Centro

Horário: às 16h

 

Ceará

Fortaleza

Local: Praça da Justiça, Murilo Borges

Horário: às 16h

 

Paraíba

Patos

Local: Concha Acústica

Horário: às 7h30

 

Pará

Belém

Local: Mercado de São Brás

Horário: às 8h30 

 

[Via Rede Brasil Atual, com informações da Marcha Mundial das Mulheres ]

Publicado em Movimentos Sociais
Sexta, 01 Março 2019 18:23

Diálogo com as mulheres

Por Conceição de Maria, diretora de Formação do Sindipetro Norte Fluminense e integrante do Coletivo Nacional de Mulheres Petroleiras da FUP

Na década de 70, mulheres foram as ruas para lutar pelos seus direitos, ingressar no trabalho produtivo , influenciar na economia  como geração de trabalho e renda e  com salário,  porque até então a ela cabia  o serviço de “cuidadora do lar” que assumia responsabilidades familiares,  trabalho que acontecia nas casas em que não havia remuneração.

O resultado desses avanços faz com que no período de 1992 a 2009, o percentual de famílias chefiadas por mulheres passem de 21,9% para 35,2%.

As mulheres passaram a compartilhar o mercado de trabalho com os homens mas não houve uma redistribuição de tarefas e responsabilidades no tocante as atividades domésticas e de cuidados, seja da criança, seja do idoso.

Além de março ser o mês para refletir as lutas e os avanços dos direitos para as mulheres, pensemos no dia 21  ,  Dia Internacional de Luta pela Eliminação da Discriminação Racial, que inclui  também o pensar das condições da mulher negra no Brasil, mulheres que desde o século IX , se tornaram presentes  como  ambulantes, trabalhando em pequenas quitandas, como quituteiras  e que  foram elas  que se assumiram o papel de  domésticas no novo século.

O trabalho doméstico no Brasil ainda tem cor, os espaços sociais ainda tem cor e as mulheres negras convivem em uma sociedade que precisa reconhecer o racismo para ter acesso às políticas públicas.

A mulher negra da atualidade ameniza a dor para que a nova geração não experimente que ela viveu, e como nos diz Conceição Evaristo em seu poema Vozes Mulheres,  A voz de minha, bisavó, ecoou criança, nos porões do navio....A voz da minha filha....será....eco-liberdade.

Publicado em Cidadania

Você acha normal a mulher receber 77% do salário pago aos homens? É justo mulheres trabalharem mais horas do que os homens? Segundo o Estudo de Gênero, publicado em 2018 pelo IBGE, as mulheres brasileiras trabalham, em média, três horas por semana a mais do que os homens, mas recebem, em média, 76,5% do rendimento deles. 

Como você se sente ao saber que 13 mulheres são assassinadas diariamente no nosso país, vítimas de feminicídio? Os dados são do Atlas da Violência 2018, organizado pelo IPEA, que revela que o número de assassinatos de mulheres no Brasil aumentou 6,4% em dez anos.

Se essas informações te causam indignação, você provavelmente entende a importância da luta pela igualdade de direitos entre mulheres e homens. O nome disso é feminismo. Um movimento que há mais de um século vem garantindo conquistas importantes para a sociedade.

Não faz muito tempo, as mulheres precisavam de autorização do marido ou do pai para trabalhar e até para ter uma conta bancária individual. Isso acontecia no Brasil até 1962. Foram as lutas feministas que deram autonomia e liberdade às mulheres.

Por que, então, o feminismo atrai tanta polêmica e preconceito? “O feminismo pretende realizar uma mudança de cultura, inclusive na forma como o poder é exercido em nossa sociedade. Por isso, é alvo de calúnias e difamações”, explica Anacélie Azevedo, Secretária Geral do Sindipetro-PR/SC e técnica de laboratório na Repar.


Leia também:

Onde estaríamos sem o feminismo?  

[FUP | Edição Especial Dia Internacional das Mulheres]

Publicado em Cidadania

A luta das mulheres por igualdade de direitos muitas vezes é desqualificada, principalmente no ambiente corporativo, onde o feminismo ainda é tratado como vitimismo e mi-mi-mi. Não é raro ouvir frases do tipo “feminismo é coisa de mulher que tem raiva dos homens”,  “pra quê feminismo se homens e mulheres são tratados da mesma forma?”, “quem é competente não precisa de feminismo”, “feminismo é um plano de dominação e vingança das mulheres”...

Por mais absurdas e preconceituosas que sejam, esse tipo de declaração encontra eco em uma sociedade onde o machismo ainda permeia as relações sociais e familiares. No Sistema Petrobrás não é diferente. As trabalhadoras representam pouco mais de 16% dos quadros da empresa e apenas 18% dos cargos de liderança são ocupados por mulheres.

Muitas petroleiras são vítimas de assédio e convivem diariamente com colegas de trabalho que defendem abertamente posicionamentos machistas. Na rede de comunicação interna da empresa, são comuns comentários jocosos, criticando e desqualificando programas e projetos relacionados aos direitos das mulheres e ao público LGBT.

Desde 2006, a Petrobrás tem o selo de Pró-Equidade de Gênero e Raça, criado pelas Nações Unidas e, há quase dez anos, adotou os Princípios de Empoderamento das Mulheres que fazem parte do Pacto Global da ONU.  Mas, apesar dessas importantes iniciativas corporativas, as mulheres ainda enfrentam muitas dificuldades no trabalho. “O machismo está presente em várias decisões dos gestores, como, por exemplo, a intransigência em relação às faltas ou atrasos das petroleiras que acompanharam os filhos em emergências médicas. Quem mais sofre com isso são as mães que estão solteiras. A maioria dos colegas homens não compreende a situação, especialmente quando têm uma esposa que cuida disso por eles”, destaca Priscila Patrício, técnica química de petróleo na Transpetro e diretora da FUP.

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Os coletivos de mulheres estão organizando as diversas mobilizações que agitarão o país, logo após o carnaval, no 08 de março, Dia Internacional da Mulher.

Mais uma vez, o combate à violência e a defesa de direitos estão entre os eixos principais das manifestações, que neste ano abrem o calendário de lutas contra a reforma da previdência. As mobilizações do Oito de Março também denunciarão os ataques do governo Bolsonaro contra a classe trabalhadora, cuja agenda de retrocessos atinge em cheio as mulheres. 

Nas principais cidades e capitais do Brasil, haverá manifestações e protestos, logo após o carnaval. Nas semanas seguintes, a luta continua com atos unificados chamados pelas centrais sindicais contra a reforma da previdência.

As centrais sindicais já unificaram a luta contra a reforma da previdência, convocando mobilizações em todo o país para o dia 22 de março.

O Coletivo Nacional de Mulheres Petroleiras estará presente. Fiquem de olho nas agendas regionais.

Oito de março não é uma data comercial

Para muitos, o 8 de Março é apenas um dia para dar flores e homenagear as mulheres. Mas, diferentemente de outras datas comemorativas, esta não foi criada pelo comércio. Sua origem é operária e socialista.  É uma data de luta, com diversas mobilizações ao redor do mundo, por igualdade de direitos.

Uma luta que remonta ao início do século 20, quando operárias dos Estados Unidos e da Europa realizaram inúmeras greves e mobilizações por condições dignas de trabalho e pelo direito ao voto. Os movimentos impulsionaram a 1ª Conferência Internacional de Mulheres Socialistas, realizada em 1907, com a presença de importantes intelectuais marxistas da época, como Alexandra Kollontai, Clara Zetkin e Rosa Luxemburgo, que defenderam a unidade internacional em torno da luta pelo voto feminino.

Um incêndio, em março de 1911, causado por condições desumanas de trabalho a que eram submetidas as mulheres de uma fábrica têxtil em Nova Iorque, matou 125 operárias, entre 13 e 23 anos, e 21 homens, a maioria judeus. Várias mobilizações de mulheres por condições dignas de trabalho e direito ao voto eclodiram ao redor do mundo.

Em 08 de março de 1917 (27 de fevereiro no calendário russo), uma greve das tecelãs de São Petersburgo tornou-se o estopim da Revolução Russa. As internacionais socialistas transformaram a data em símbolo das lutas feministas. A partir de 1922, o Dia Internacional das Mulheres passou a ser celebrado oficialmente neste dia. Em 1975, a ONU reconheceu 8 de março como Dia Internacional da Mulher.

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A Federação Única dos Petroleiros (FUP) foi criada em 1994, fruto da evolução histórica do movimento sindical petroleiro no Brasil, desde a criação da Petrobrás, em 1953. É uma entidade autônoma, independente do Estado, dos patrões e dos partidos políticos e com forte inserção em suas bases.

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