A estimativa do mercado financeiro para o crescimento da economia este ano continua em queda. De acordo com o boletim Focus, pesquisa semanal do Banco Central (BC) com instituições financeiras, a projeção para a expansão do Produto Interno Bruto (PIB), que é a soma de todos os bens e serviços produzidos no país, foi reduzida de 0,82% para 0,81%. Essa foi a 20ª redução consecutiva este ano.

Para 2020, a expectativa é que a economia tenha crescimento maior, de 2,10%, mas na semana passada, a estimativa era de 2,20%. A previsão para 2021 e 2022 permanece em 2,50%.

Enquanto isso, o governo de Jair Bolsonaro (PSL) trata de interesses pessoais, como a indicação do filho número zero 3, Eduardo Bolsonaro, para a embaixada dos Estados Unidos, defende o trabalho infantil, fala que a taxa de preservação ambiental cobrada em Fernando de Noronha “é um roubo” e pretende revê-la e garante que a aprovação de medidas com a reforma da Previdência é a salvação do país.

Medidas para a geração de emprego e renda, até agora, sete meses depois da posse, nem Bolsonaro nem o ministro da Economia, Paulo Guedes, apresentaram qualquer esboço apesar de mais de 13 milhões de trabalhadores e trabalhadoras amargarem o desemprego há vários meses. 

Inflação

A estimativa de inflação, calculada pelo Índice Nacional de Preços ao Consumidor Amplo (IPCA), subiu de 3,80% para 3,82% este ano. A meta de inflação de 2019, definida pelo Conselho Monetário Nacional (CMN), é 4,25%, com intervalo de tolerância entre 2,75% e 5,75%.

A projeção do mercado financeiro para a inflação em 2020 é 3,90%. A meta para o próximo ano é 4%, com intervalo de tolerância de 1,5 ponto percentual para cima ou para baixo.

Para 2021, o centro da meta de inflação é 3,75% e para 2022, 3,5%, também com intervalos de tolerância de 1,5 ponto percentual. A previsão do mercado financeiro para a inflação em 2021 e 2022 permanece em 3,75%.

Taxa básica de juros

Para alcançar a meta de inflação, o BC usa como principal instrumento a taxa básica de juros, a Selic, mantida em 6,5% ao ano pelo Comitê de Política Monetária (Copom).

Ao final de 2019, as instituições financeiras esperam que a Selic esteja em 5,50% ao ano, mesma projeção da semana passada. Para o fim de 2020, a expectativa é que a taxa básica baixe para 6% ao ano e, no fim de 2021 e 2022, chegue a 7% e 7,5% ao ano, respectivamente. 

Quando o Copom reduz a Selic, a tendência é que o crédito fique mais barato, com incentivo à produção e ao consumo, reduzindo o controle da inflação e estimulando a atividade econômica. Quando o comitê aumenta a Selic, a finalidade é conter a demanda aquecida, e isso causa reflexos nos preços porque os juros mais altos encarecem o crédito e estimulam a poupança.

A manutenção da Selic indica que o Copom considera as alterações anteriores suficientes para chegar à meta de inflação.

[CUT com informações da Agência Brasil]

Publicado em Economia

A indústria da construção demitiu mais de 93 mil trabalhadores e fechou 564 empresas entre 2016 e 2017, depois do golpe que destituiu a presidenta Dilma Rousseff. No mesmo período, o valor gerado pelas incorporações, obras e/ou serviços caiu 9,6%, recuando para R$ 280 bilhões, em termos nominais, de acordo com dados da Pesquisa Anual da Indústria da Construção (Paic), divulgada nesta quarta-feira (29), pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE).

“O cenário de baixo crescimento, instabilidade econômica e incertezas institucionais tem desestimulado os investimentos, e o setor [de construção] perdeu dinamismo nos últimos anos”, analisa a gerente de Pesquisas Estruturais e Especiais do IBGE, Fernanda Vilhena.

E os resultados do Produto Interno Bruto (PIB) de 2017 mostram que o item investimento medido pela formação bruta de capital fixo, apresentou uma queda de 2,5%, sendo que a construção civil é o componente de maior peso do indicador.

A gerente de pesquisas do IBGE destaca como exemplos da redução dos investimentos, os desembolsos em infraestrutura do Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES), que, apesar do ligeiro aumento nominal em 2017, tiveram fortes retrações em 2015 e 2016; e o crédito imobiliário que também apresentou queda intensa entre 2016 e 2017, com redução no número de unidades financiadas.

Boa parte dessa retração, explicou Fernanda, se refletiu no segmento de infraestrutura, que perdeu participação no valor das incorporações, obras e/ou serviços ao longo dos últimos anos. Por outro lado, a construção de edifícios ganhou representatividade. De 2008 a 2017, a participação do segmento de infraestrutura caiu de 47,4% para 32,2%, enquanto a da construção de edifícios cresceu de 37,2% para 45,8%.

IBGE

De acordo com Fernanda, esses números vêm acompanhados da diminuição da participação do setor público como cliente na geração do valor de obras. “De 2008 para 2017, a participação do setor público caiu para a indústria como um todo, mas principalmente no setor de infraestrutura, que é muito dependente do investimento público”.

IBGE

Pessoal ocupado na construção é o menor desde 2008

Em relação ao emprego, a indústria da construção empregava, em 2017, cerca de 1,9 milhão de pessoas, mostrando uma queda de 4,7% em relação a 2016. Este é o menor contingente de ocupados desde 2008, quando havia cerca de 1,8 milhão de pessoas ocupadas no setor da construção.

Todos os segmentos tiveram queda na média de pessoal ocupado. Porém, o segmento que mais perdeu participação entre 2008 e 2017 foi também o de obras de infraestrutura, que tinha o maior porte médio e a maior média salarial.

“Em participação no emprego, o segmento de infraestrutura foi superado pelos serviços especializados, que são empresas menores, de serviços de acabamento, pintura, encanamento, caracterizados por pagarem salários mais baixos. Ou seja, os empregos que ganharam participação foram justamente os associados aos salários mais baixos, mudando o perfil do emprego na construção”, conclui Fernanda.

Cai média de trabalhadores por empresa

Ainda de acordo com a Paic, em dez anos, a média de ocupação (número de trabalhadores por empresas) da indústria da construção civil brasileira foi reduzida pela metade depois de uma mudança estrutural no setor – obras de infraestrutura cederam lugar para a construção de edifícios.

Entre 2007 e 2017, a média de trabalhadores empregados por empresa caiu de 30  para 15, apesar do número de empresas da construção civil ter aumentado de 52,9 mil para 126,3 mil.

IBGE

 

[Via CUT]

Publicado em Trabalho

A Revista Fórum, junto com especialistas, levantou 100 ações dos primeiros 100 dias do governo Bolsonaro que revelam o desmonte do Estado brasileiro em 10 áreas primordiais. Veja abaixo o resumo do levantamento e clique nas chamadas para ler a íntegra das medidas tomadas por Jair Bolsonaro e sua equipe. 

Da política de perseguição ideológica a opositores à implementação à toque de caixa de medidas ultra-liberais na área econômica, Bolsonaro impõe uma série de medidas que esfacelam o Estado democrático de Direito e afeta sobretudo a população mais carente e minorias representativas (que compreendem a maioria populacional), como negros, indígenas, LGBTs, entre outros.

Desta forma, as políticas econômicas neoliberais tratoradas por Paulo Guedes – diante da ignorância confessa de Bolsonaro no assunto – realizam o desmonte das ações de desenvolvimento social, privilegiando os agentes do sistema financeiro e colocando em marcha a implantação de políticas privatistas, em clara submissão aos interesses hegemônicos de Donald Trump.

Veja a lista das 100 medidas em cada área e acesse cada uma das reportagens com os detalhes (clique nas chamadas):

Desenvolvimento Social

1) “Redução” do Salário Mínimo e fim da valorização
2) Fim do ministério do Desenvolvimento Social
3) Extinção das secretarias da Agricultura Familiar e Desenvolvimento Agrário
4) Extinção do Consea
5) Retirada da Caixa do conselho curador do FGTS
6) Novo Pacto Federativo: fim da vinculação de recursos da União
7) Preconceito contra o Bolsa Família
8) Minha Casa Minha Vida em risco
9) Reforma da Previdência: fim do modelo de sociedade pactuado em 1988
10) Carteira de trabalho verde e amarela: menos direitos ainda

Economia

11) Aposentadoria cada vez mais distante
12) Política monetária e financeira
13) Política Fiscal
14) Entrega do Pré-Sal
15) Carteira Verde e Amarela
16) Perseguição a sindicatos
17) Extinção do Ministério do Trabalho
18) Venda de Imóveis
19) Conselho Nacional de Segurança Alimentar e Nutricional
20) Privatização de bancos públicos 

Justiça e Segurança Pública

21) Decreto que facilita posse de armas
22) Prisão em Segunda Instância
23) Excludente de ilicitude, a autorização para a polícia matar
24) “Plea Bargain”
25) Realização de audiências por videoconferência
26) Infiltração de agente policial em organizações criminosas
27) Alterar o conceito de organização criminosa
28) Introdução do “informante do bem” ou do “whistleblower”
29) Coleta de DNA de condenados
30) Endurecimento de pena

Saúde

31) Menos Médicos
32) Retrocessos na Saúde Mental
33) Perda da certificação contra o sarampo
34) Brasil na ONU contra a Saúde da Mulher
35) Problemas no Farmácia Popular
36) Moralismo aumenta vulnerabilidade entre adolescentes
37) Desmonte no combate a Aids
38) Suspeita por tráfico de influência
39) Fim de gastos mínimos com Saúde?
40) “Dinheiro suficiente” 

Educação

41) PNLD
42) Hino Nacional
43) Militarização de escolas
44) Revogação do CAQi-CAQ
45) Abandono do PNE
46) “Brasileiro é ladrão”
47) “Elite intelectual”
48) Enem
49) Perseguição política
50) Escolha de Abraham Weintraub

Meio Ambiente

51) Menos fiscalização
52) Clima
53) Raposa no galinheiro
54) Paralisação de projetos
55) Sem participação social
56) Fundo da Amazônia
57) Mais veneno
58) Caça com cão
59) Ameaça a garantias
60) Avanço de transgênicos e mineração 

Agricultura

61) Extinção da SEAD
62) Explosão na liberação dos agrotóxicos e renovação do Convênio 100/97 (isenção fiscal agrotóxicos)
63) Paralisação da reforma agrária e nomeação do Nabhan Garcia
64) Envio do SFB ao MAPA e subordinação da agenda ambiental à agrícola
65) Criminalização dos movimentos e violência no campo
66) Promessas de arrendamento de áreas indígenas
67) Aposentadoria rural
68) Insegurança jurídica – revisão dos atos anteriores
69) Terras indígenas no MAPA
70) Extinção do Consea

Política indigenista

71) Transferência da Funai para o Ministério da Mulher, da Família e dos Direitos Humanos
72) Entrega das pastas da Demarcação e licenciamento ambiental para o ruralistas (MAPA – Ministério da Agricultura, Pecuária e Abastecimento)
73) Extinção da Secretaria de Educação Continuada, Alfabetização, Diversidade e Inclusão (SECADI/MEC)
74) Extinção do Consea (Conselho Nacional de Segurança Alimentar e Nutricional)
75) Aumento dos conflitos territoriais devido ao discurso que afirma “não haverá um centímetro de terra demarcada”
76) Negociação e entrega da Amazônia a interesses e corporações nacionais e internacionais
77) Facilitação de posse de arma e incentivando o uso no campo
78) Determinação de municipalizar a saúde indígena, acabando com a Secretaria Especial de Saúde Indígena (Sesai)
79) Exploração e empreendimentos que impactam diretamente as terras indígenas com consequências irreversíveis para o meio ambiente, a cultura e modo de vida dos povos indígenas
80) Estabelecimento de novo marco legal 

População LGBTI

81) Aumento da discriminação e violência verbal e física contra LGBTIs
82) Cessam as políticas de promoção da diversidade na educação
83) Fim da diretriz de promoção e defesa dos direitos da população LGBTI
84) Fim das campanhas específicas de prevenção às IST/Aids
85) Ataque às liberdades individuais e a diversidade: “meninas vestem rosa”, meninos vestem azul”
86) Guerra contra a chamada “ideologia de gênero”
87) Desconstrução do Estado laico: “o Estado é laico, mas esta ministra é terrivelmente cristã”, diz Damares Alves
88) Esvaziamento dos espaços de participação social
89) Legitimação da violência contra LGBTI
90) Retirada de direitos e discriminação

Cultura

91) Extinção do Ministério
92) Facada no Sistema S
93) Orçamento
94) A farsa das medidas de contenção econômica
95) Lei Rouanet
96) Petrobrás Cultural
97) Vitrine Petrobras
98) Caixa Cultural
99) Biógrafo de Frota na Secretaria do Audiovisual
100) O fim do pensamento crítico no governo

[Via Revista Forum]

 

Publicado em Política

A taxa de desemprego em 2018 foi recorde em 13 capitais brasileiras, considerando a média anual, informou nesta sexta-feira (22) o IBGE, que apurou alta também em oito regiões metropolitanas. Isso em um ano em que o índice não subiu nacionalmente. "Percebe-se que o problema é mais forte nos grandes centros urbanos, acompanhando as maiores concentrações da população", analisou o coordenador de Trabalho e Rendimento do instituto, Cimar Azeredo.

Três dos quatro estados da região Sudeste estão entre os recordistas: São Paulo (14,2%), Rio de Janeiro (12,6%) e Vitória (12,5%). "Metade das capitais do Norte e dois terços das do Nordeste estão nessa situação", diz o IBGE.

Segundo a Pesquisa Nacional por Amostra de Domicílios (Pnad) Contínua, as taxas variaram de 6,5% (Florianópolis) a 18,2% (Macapá). A média nacional foi de 12,3% no ano passado.

O técnico comenta que mesmos nos locais onde houve certa redução do desemprego entre 2017 e 2018, a situação não melhorou no longo prazo. "Observamos que nenhuma capital ou região metropolitana teve redução na desocupação entre 2014 e 2018. Ao contrário, há aumentos bastante expressivos no período."

Outro problema apontado por Azeredo refere-se à informalidade, já que o emprego com carteira assinada caiu em quase todo o país. "Isso revela a qualidade do emprego sendo gerado nos últimos anos. Com a redução da carteira de trabalho e o aumento da informalidade, a contribuição para a Previdência também cai, o que cria problemas mais à frente", lembra.

Considerando as 27 unidades da federação, a taxa de desemprego caiu em 18. As maiores médias foram registradas em Amapá (20,2%), Alagoas (17%), Pernambuco (16,7%) e Sergipe (16,6%). As menores, em Santa Catarina (6,4%), Mato Grosso do Sul (7,¨%) e Mato Grosso (7,9%).

A chamada subutilização da força de trabalho – pessoas que poderiam trabalhar mais, mas não conseguiram – foi de 24,4%, o que corresponde a 27,4 milhões. Esse índice vai a 40,4% no Piauí, a 39,6% na Bahia e a 38,6% no Maranhão, caindo para 10,9% em Santa Catarina e a 15,1% em Mato Grosso e no Rio Grande do Sul.

Segundo a pesquisa, o país teve 4,73 milhões de desalentados em 2018, ante 4,17 milhões no ano anterior. A Bahia tinha 820 mil e o Maranhão, 492 mil.

[Via Rede Brasil Atual]

Publicado em Economia

Após cinco anos da primeira ação da operação Lava Jato, em março de 2014, o país ainda sente seus impactos na economia e ainda não se recuperou do desmonte do setor industrial do país.

O advogado Walfrido Warde Jr., autor do livro “O espetáculo da corrupção”, pontua que a Lava Jato instalou um novo paradigma de combate à corrupção, baseado na repressão, mas que não conseguiu agir nas causas do problema.

“Esse novo modelo traz uma revolução na detecção e na punição da corrupção, mas ao mesmo tempo pouca solução para empresas envolvidas. Ou seja, elas demoraram para virar a página e muitas delas ainda não viraram. E, de fato, isso causou um problema para a economia do país”.

Warde afirma que, embora a recessão econômica tenha outros fatores, a operação Lava Jato foi responsável pelo desmantelamento de praticamente todo o setor de infraestrutura do país. Nos primeiros três anos de operação, foram mais de 2,5 milhões de demissões ligadas ao paralisação de obras de empresas alvos da operação ou as que mantinham contratos com elas.

Em dezembro de 2013, por exemplo, a Petrobras tinha mais de 446 mil funcionários. Três anos depois, a estatal do ramo petrolífero contava com pouco mais de 186 mil – uma redução de 58%.

No setor privado, uma das empresas mais afetadas foi a Engevix. Entre 2013 e 2016, a  companhia demitiu 85% de seu quadro funcional. Em dezembro de 2013, ela empregava 17 mil pessoas. Três anos depois, tinha apenas 3 mil funcionários. 

O Sindicato Nacional da Indústria da Construção e Reparação Naval e Offshore (Sinaval), afirma que, em 2018, houve uma redução de 5 mil empregos em estaleiros na comparação com o ano anterior. 

Este número representa uma queda de 64% em comparação a dezembro de 2014, pico da atividade no país, quando 42 estaleiros nacionais empregavam 84 mil trabalhadores. Hoje, o número é de apenas 25 mil. O setor ganhou fôlego com o início da exploração do petróleo da camada pré-sal, em 2010. 

Os cortes no setor continuam. A expectativa da entidade é que esse número seja reduzido ainda mais, para cerca de 6 mil pessoas até 2020. O sindicato relaciona a perda de postos de trabalhos à falta de investimentos na Petrobras.

A passos lentos

O ritmo de recuperação da indústria segue lento. A produção industrial cresceu 1,1% em 2018, de acordo com o Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE). Já a Confederação Nacional da Indústria (CNI) mostrou que o faturamento do setor industrial em 2018 teve crescimento de 4,1% no acumulado de janeiro a dezembro, em comparação ao mesmo período de 2017. 

Esses índices de crescimento da produção industrial brasileira são pequenos e, inclusive, desacelerou. Em 2017, a produção industrial cresceu 2,6%, após três anos de recuos consecutivos. O que não recupera o período em que acumulou uma perda de 16,7%, entre 2014 e 2016. 

A taxa média de desocupação no país caiu de 12,7% em 2017 para 12,3% em 2018, depois de quedas consecutivas desde 2015. Mas a informalidade tem batido recordes e está no patamar mais alto da da série histórica iniciada em 2012 pelo IBGE. O número de empregados sem carteira assinada no setor privado, excluídos domésticos, chegou a 11,2 milhões. 

O presidente da Confederação Nacional dos Metalúrgicos (CNM-CUT), Paulo Cayres, afirma que a operação evidenciou seu caráter de perseguição política, com a prisão do ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva, em abril de 2017, e a indicação de Sérgio Moro como ministro da Justiça. Segundo ele, a operação se mostrou como fraude. 

“É um absurdo. Você tem que punir CPF e não o CNPJ. Você não pode atacar as empresas, você teria que atacar o cara que é corrupto”. 

Perspectivas 

Cayres destaca que o desmantelamento da indústria nacional, principalmente em relação às estatais, entra em uma nova etapa com a eleição de Jair Bolsonaro (PSL). 

“Nem os empresários que apoiaram o governo Bolsonaro têm perspectivas para a indústria. Ele não tem plano nenhum. Plano zero de pensar na indústria. O plano dele é privatizar tudo. Ou seja, entregar nossas indústrias, como já fizeram com a Embraer, estão fazendo com a Petrobras”, argumenta. 

Na mesma linha, Walfrido Warde Jr. acrescenta que ainda é cedo para falar em recuperação industrial e o rumo da política econômica do Brasil no governo de Jair Bolsonaro (PSL). 

“Nós temos mensagens que são contraditórias nesse governo. Nós temos tendências liberais em alguns personagens, mas temos também tendências nacionalistas e protetivas em outros”, diz. “Me parece concreto que nós não teremos um modelo liberal tradicional. O ministro Paulo Guedes parece ter planejado inúmeras atuações no estado e na economia. Temos que esperar um pouco para saber o que vai acontecer. Quais serão as políticas macroeconômicas adotadas por esse governo”. 

O advogado não identifica a superação de um modelo repressivo de combate à corrupção para um modelo que combate as causas. Ele ainda afirma que a organização empresarial concentrado, da maneira como é hoje, intensifica o problema. 

“Não há uma base acionária pulverizada, tradicionalmente, por de trás das empresas brasileiras. E isso torna muito mais difícil, diante de um problema de corrupção, resolver o problema separando o controlador, o administrador, de um lado; e a empresa de outro para tentar punir responsáveis sem destruir valor, empregos e a atividade empresarial de um modo geral. Eu acho que nós não conseguimos superar esse segundo problema”, avalia. 


Leia também:

:: Obra parada, trabalhador demitido: quem paga a conta da Lava Jato são os mais pobres ::

:: É possível combater a corrupção sem destruir a economia? ::

[Via Jornal Brasil de Fato]

Publicado em Economia

Brasil possui 64 milhões de pessoas negativadas, com o nome "sujo". Milhões de pequenas e médias empresas também estão endividadas. O sistema financeiro tira das famílias e das empresas o equivalente a 16% do Produto Interno Bruto (PIB). Segundo o economista Ladislau Dowbor, enquanto na Europa o máximo cobrado do consumidor, nas compras a prazo, é 13% ao ano, no Brasil a média está em 129%.

Com empresas paralisadas e famílias endividadas, consequentemente os impostos arrecadados sobre consumo e produção caem violentamente. "E quebra o Estado, pois famílias, empresas, além do próprio Estado, são os motores da economia".

Só de juros sobre a dívida pública, o Estado brasileiro paga 6% do PIB, cerca de R$ 370 bilhões, considerando o PIB brasileiro, hoje, em R$ 6,3 trilhões. "Esse dinheiro, que deveria servir para infraestrutura e políticas sociais – em saúde e educação ou investimento público no desenvolvimento –, se transforma apenas em fluxo de juros", diz.

"Assim, nossos impostos são desviados dos investimentos para os lucros do sistema bancário. Juntando 6% de impostos que vão para a divida pública, mais o 16% tirados das famílias e das empresas, são 22% só de juros, sem reduzir o estoque da dívida. Nenhuma economia pode funcionar assim."

Dowbor lembra que o Brasil ainda tem o deletério problema da evasão fiscal, que somava R$ 570 bilhões em 2016, o equivalente a 9,1% do PIB, segundo estimativa do Sindicato Nacional de Procuradores da Fazenda Nacional (Sinprofaz).

Como se os dados acima não bastassem, o sistema tributário regressivo (quem tem menos paga proporcionalmente mais), em vez de corrigir, agrava as injustiças e a incapacidade crescente do Estado investir. 

Esses são alguns dos tópicos abordados pelo economista no debate "O Brasil e o capital improdutivo - Conversa com Ladislau Dowbor", na livraria Tapera Taperá, no centro de São Paulo, a partir do livro de sua autoria A era do capital improdutivo. A obra, de acordo com ele, é escrita em linguagem que o leitor comum possa entender.

Para ele, a luz no fim do túnel que aponta para a superação desse sistema no qual "os bancos praticam a agiotagem legal" é evidente, embora de difícil implementação. "É preciso taxar os capitais improdutivos, fazer a reforma tributária, reduzir as taxas de juros para pessoas físicas (nos crediários, cheque especial e no rotativo do cartão), reduzir os juros sobre pessoa jurídica", defende. "No mundo, as taxas de juros pra pessoa física estão na faixa de 4 a 6% ao ano. Aqui, é isso por mês."

Em seu livro, Dowbor lembra que nos dois governos do ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva e no primeiro de Dilma Rousseff, a base popular de consumo foi fortemente incentivada, com políticas como os programas de distribuição de renda (Bolsa Família, por exemplo), elevação do salário mínimo e outras.

Na época, o chamado "círculo virtuoso" era baseado em uma dinâmica de crescimento que, por sua vez permitia financiar as próprias políticas sociais. Mas a partir de 2013 esse processo entrou em crise. "A realidade é que os bancos e outros intermediários financeiros demoraram pouco para aprender a drenar o aumento da capacidade de compra do andar de baixo da economia, esterilizando em grande parte o processo redistributivo e a dinâmica de crescimento", escreve Dowbor no livro.

Segundo ele, "trata-se da esterilização dos recursos do país pelo sistema de intermediação financeira, que drena em volumes impressionantes recursos que deveriam servir ao fomento produtivo".

Leia trecho de A era do capital improdutivo, de Ladislau Dowbor.

"Não à toa a publicidade dos agentes financeiros é tão repleta de imagens de ternura e segurança. Uma moça sorridente, velhinhas que brincam com o seu celular, uma mãe com crianças ou bebê: tudo para implicar tranquilidade e segurança. No entanto, poucos setores de atividade são tão truculentos nos seus impactos, como se vê nos milhões de americanos que perderam as suas casas, gregos que perderam as suas poupanças ou a massa de brasileiros do andar de baixo que se veem enforcados sem sequer entender o mecanismo que os priva dos recursos. Os sistemas dominantes de informação não ajudam (...)

"Por toda parte no Brasil vemos sofisticados sistemas de informação qualificados de "impostômetros". Isto repercute com força nas emoções da população, que se sente esmagada pelos impostos e esquece dos juros. E sequer entende que os próprios impostos são tão elevados porque são em grande parte transferidos para os bancos."

[Via Rede Brasil Atual]

Publicado em Economia

Artigo de Marcio Pochmann*, publicado na Rede Brasil Atual

O país que Bolsonaro assumiu em 2019 detém apenas 85% da produção manufatureira registrada em 2013, quando o peso da indústria de transformação no PIB era a metade da registrada em 1985, o primeiro ano da retomada democrática. O corte atual dos ministérios da Indústria e do Trabalho, símbolos do exitoso ciclo da industrialização nacional iniciado na década de 1930, enuncia perspectiva econômica ao largo da produção manufatureira.

Isso porque o mercado interno, pressuposto básico de sustentação do inédito crescimento do Brasil desde 1930, perde dinamismo frente às diversas ações indicadas pelo governo Bolsonaro para enxugar o conjunto do gasto das famílias dependentes do trabalho.

A redução no valor do salário mínimo em 8 reais pode significar cerca de R$ 5 bilhões a menos na massa de rendimentos do trabalho deste ano, assim como o possível esvaziamento do sistema "S" tornaria ainda mais frágil a qualificação de quem depende de sua força de trabalho para viver. Isso sem comentar a deforma da previdência social e as nefastas heranças de Temer, com a "reforma" trabalhista e a terceirização geral.

A irracionalidade da política macroeconômica levada às últimas consequências pelo ultraneoliberalismo do governo Bolsonaro aponta para a possibilidade de retorno da vocação primário-exportadora, quase aos moldes da vigente durante a República Velha (1889-1930).

Naquela época, o Brasil possuía somente 35% da população adulta alfabetizada e mais de dois terços da população residindo no meio rural, que praticava, na maioria das vezes, agricultura de subsistência e criação de gado.

Nas poucas cidades, com algum grau de modernidade, a dependência ao investimento externo na infraestrutura (iluminação, telefonia, transporte urbano, água e esgoto) era inegável. Somente em bairros com poder econômico havia infraestrutura, como para proprietários rurais e cafeicultores que residiam em mansões e palacetes rodeados de uma massa de serviçais que desconhecia legislação social e trabalhista (salário mínimo, jornada de trabalho, férias, descanso semanal remunerado e outras conquistas somente após 1930).

Sem o dinamismo do mercado interno, a economia de cem anos atrás dependia da especialização das exportações de produtos primários, como o café. Um produto de baixa escala de investimento e assentado no baixo custo imposto à mão de obra excedente que vivia na miséria e sem organização sindical, nem Justiça do Trabalho.

Como a oferta da produção de café era elástica no Brasil, o contraste com a inelasticidade da demanda externa dos países ricos importadores de café gerava excedente crescente do produto. O resultado era a tendência de queda no preço internacional do café, uma vez que se desconhecia qualquer modalidade de controle sobre a comercialização do produto.

Pela política liberal dos governos da República Velha (aqueles que dizem não haver "almoço grátis"), o interesse dos cafeicultores era atendido por ações de valorização do preço que implicavam tomar empréstimos externos pelo Estado para financiar a formação e a sustentação de estoques do café excedente no mercado.

Com as divisas obtidas pelo comércio externo de produtos primários, o Estado deveria pagar o serviço da dívida externa, assim como o custo das importações, em geral de produtos industriais de consumo das classes de alta renda provenientes dos países compradores do café brasileiro. Além de brutal transferência de renda interna para o exterior, o país convivia com crises não triviais do Balanço de Pagamentos.

No Brasil de hoje, com quase 210 milhões de habitantes, sendo mais de 85% da população residindo nas cidades, o retorno da vocação primário-exportadora impõe terapia brutal e perversa de choque por conta do governo Bolsonaro para comprimir a sociedade urbana de 2019 na rural de 1900.

Dificilmente isso será possível transcorrer no regime democrático diante do considerável sofrimento humano e da regressão socioeconômica que se espera, jamais vista no país.

* Professor do Instituto de Economia e pesquisador do Centro de Estudos Sindicais e de Economia do Trabalho (Cesit), ambos da Universidade Estadual de Campinas (Unicamp)

Publicado em Economia

A Federação Única dos Petroleiros (FUP) foi criada em 1994, fruto da evolução histórica do movimento sindical petroleiro no Brasil, desde a criação da Petrobrás, em 1953. É uma entidade autônoma, independente do Estado, dos patrões e dos partidos políticos e com forte inserção em suas bases.

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