Operação foi forjada para desmontar a indústria petrolífera nacional. Não por acaso, tiraram da Petrobrás a exclusividade na operação do pré-sal e estão privatizando a empresa. Estudo do Dieese reforça denúncias que a FUP vem fazendo há sete anos, ao mensurar que, somente no setor petrolífero, o pais deixou de receber cerca de R$ 104,3 bilhões em investimentos durante esse período, o que contribuiu para o aprofundamento da crise econômica

[Da redação da CUT]

Uma das funções da Operação Lava Jato, comandada pelo ex-juiz Sérgio Moro, do Paraná, foi destruir a Petrobras, a maior empresa estatal brasileira, para atender a interesses estrangeiros sobre o petróleo brasileiro e isso contribuiu muito para a destruição da economia do país.

O caos econômico vivido pelo Brasil nos dias de hoje, portanto, é, em parte, herança da operação Lava Jato, encerrada em fevereiro deste ano. Esta é uma das conclusões do estudo “Implicações Econômicas Intersetoriais da Operação Lava Jato”, realizado pelo Dieese, a pedido da CUT.

A principal consequência da operação, que focou nos CNPF e não nos CPF, para o setor de petróleo e gás foi uma mudança no perfil da empresa, que antes de perder os investimentos que recebia, trilhava o caminho do desenvolvimento, da tecnologia, para impulsionar o crescimento econômico do país, por meio de sua cadeia de produção.

“A Petrobras, assim como o setor de construção civil, foi dizimada pela Laja Jato”, diz o presidente da CUT, Sérgio Nobre, se referindo aos cortes bruscos dos recursos aplicados, um dos efeitos da operação.

A estatal, então, passou a ser apenas uma empresa de prospecção de petróleo, favorecendo seus acionistas, se tornando um negócio para gerar lucro aos rentistas e deixou ter um papel social para o país.

“Caminhávamos para ter uma empresa integrada, ter soberania nacional na produção, ter uma política em que os investimentos alavancavam outros setores nacionais a partir da política de conteúdo nacional. E tudo ficou comprometido”, diz Adriana Marcolino, técnica da subseção do Dieese da CUT Nacional.

De acordo com ela, mudar as diretrizes e a direção dos investimentos na Petrobras foi um ambiente criado a partir de interesses internacionais e isso gerou os impactos negativos sentidos até hoje, como o preço alto dos combustíveis, que explodiram depois do golpe – o litro da gasolina é vendido por até R$ 8,20 em algumas regiões do país.  

“Tudo de positivo que os investimentos na Petrobras poderiam gerar, inclusive em outros setores, foi cortado e a estatal se tornou uma empresa baseada na extração, sem estratégias para o desenvolvimento e dirigida à privatização”, afirma Adriana.

Desde a descoberta do Pré-Sal, durante o governo Lula, o presidente que mais investiu na Petrobras na história do Brasil, ano após ano, o país aumentava o montante de investimentos na estatal. Pulou de cerca de US$ 8 bilhões em 2006 para US$ 48 bilhões em 2014, ano em que começaram as investigações da operação e a paralisação das atividades de várias empresas de vários setores, em especial da construção civil e na Petrobras, alvo principal da operação.

Por causa do espetáculo promovido por Moro e pelos procuradores do Ministério Público, mais interessados em holofotes do que no real combate à corrupção, começava  a destruição do que a Petrobras representava ao Brasil. Com isso, toda a cadeia produtiva sofreu duramente por causa das ações midiáticas da 'República de Curitiba'.

Em 2017, os investimentos já haviam caído para cerca de R$ 13 bilhões e no ano passado, o número fechou no mesmo patamar de 15 anos atrás – US$ 8 bilhões.

Somente no setor petrolífero o pais deixou de receber cerca de R$ 104,3 bilhões em investimentos durante o período. Se somado ao setor de construção civil (67,8 bilhões), o total de investimentos não realizados no país chega a R$ 172,2 bilhões.

Adriana Marcolino explica que esse valor poderia ter gerado um incremento de 3,6% no Produto Interno Bruto (PIB) entre 2014 a 2017 e “possivelmente em 2018, já teríamos compensando a queda do PIB em 2015 e 2016, o que teria ajudado a superar a recessão”.

“O que a gente vive hoje é reflexo da Lava Jato e a falta de investimentos na Petrobras. Teríamos chegada nessa crise 2020 em um cenário de problemas econômicos e sociais menores”.

E os efeitos recaem também sobre outros setores. A Petrobras demanda insumos, recursos, serviços e produtos de outros segmentos da economia, que sentiram o impacto. “Se a Petrobras tem sua capacidade reduzida, outros setores deixam de prestar serviços a ela”, diz Adriana Marcolino.

Ela cita como exemplo a construção civil, setor em que pela paralisação de grandes obras como as do Programa de Aceleração do Crescimento (PAC), houve uma quebradeira generalizada. “Outras empresas, contratadas, terceirizadas, também tiveram contratos cancelados e não receberam pagamentos por causa da investigação”, explica Adriana.

Providências

O estudo elaborado pelo Dieese tem como objetivo denunciar à sociedade o tamanho do estrago feito pela Lava Jato e subsidiar o debate sobre os interesses políticos por trás da operação.

O presidente da CUT, Sérgio Nobre, ao citar a destruição da Petrobras pela operação, questiona o porquê de não ter havido um controle das movimentações financeiras da estatal, já que para isso há métodos de eficientes pelo sistema financeiro.

“A gente pensava: como é que alguém consegue movimentar bilhões de um lado para outro, como diz a operação, e não tem banco envolvido?”

O presidente da CUT afirma que o ex-juiz Sérgio Moro disse na época que investigar o sistema financeiro implicaria em um risco de uma “crise sistêmica”, com efeitos colaterais em toda a economia, um cuidado que, de acordo com ele, não houve no caso da Petrobras.

E isso, diz, “no mínimo merece uma investigação porque ninguém, em lugar nenhum do mundo, destrói uma empresa como a Petrobras, sem servir a interesses econômicos estrangeiros, ou de multinacionais”.

“No capitalismo é assim. Quando você destrói um setor inteiro como esse, alguém ocupa”, pontua Sérgio Nobre.


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Lava Jato retirou 4,4 milhões de empregos e R$ 47 bilhões em impostos, aponta estudo Dieese/CUT


 

Publicado em Sistema Petrobrás

O coordenador geral da FUP, Deyvid Bacelar, participou nesta quinta-feira, 18, de audiência em Brasília com o presidente da Câmara dos Deputados Federais, Arthur Lira (PP/AL), que contou também com a participação dos presidentes da CUT, Sérgio Nobre, da IndustriAll Brasil, Aroaldo de Oliveira, e da Força Sindical, Miguel Torres. Articulada pela liderança do PT, a reunião teve como objetivo discutir propostas para recuperar a indústria nacional e estancar a privatização do Sistema Petrobrás e as perdas geradas pela operação Lava Jato.

Os dirigentes sindicais apresentaram ao presidente da Câmara estudo do Dieese que denuncia os estragos feitos pela Lava Jato na economia do Brasil, ao destruir a indústria nacional e acabar com milhões de empregos. O estudo revela que a operação resultou na perda de 4,4 milhões de empregos e R$ 172,2 bilhões de investimentos para o país. Por conta disso, o PIB deixou de crescer 3,6% entre 2014 e 2017, a economia perdeu R$ 85,8 bilhões somente em massa salarial e o Estado deixou de arrecadar R$ 47,4 bilhões em impostos.

A audiência contou com a participação dos deputados Bohn Gass (PT/RS), Vicentinho (PT/SP), Reginaldo Lopes (PT/MG) e Marcelo Ramos (PL/AM), vice-presidente da Câmara. Os parlamentares, junto com as lideranças sindicais, sugeriram a Arthur Lira a criação de um grupo de trabalho específico para discutir medidas para retomar o crescimento da indústria nacional, para geração de empregos e proteção dos postos de trabalho e direitos da classe trabalhadora. “A geração de emprego é a grande pauta da classe trabalhadora e mostramos para o presidente da Câmara que a Petrobrás está sendo fatiada e privatizada, assim como as demais estatais brasileiras. É urgente que o país discuta o fim das privatizações. Todos os momentos em que o Brasil teve crescimento econômico foi com planejamento do Estado, com investimentos públicos e puxado pelas empresas estatais”, afirmou o presidente da CUT, Sérgio Nobre.

Os sindicalistas também apresentaram ao presidente da Câmara o documento intitulado “A Petrobras é do Brasil”, que reforça a urgência de medidas para recuperar o papel econômico e social que a empresa sempre teve no Brasil, desde sua criação. “A Petrobrás foi e ainda é o principal instrumento de fomento à industrialização do Brasil nos últimos 70 anos. Porém, nos últimos anos a empresa foi capturada pelo capital financeiro que vem impondo na empresa a lógica do lucro no curto prazo em detrimento do longo prazo e do papel de alicerce do desenvolvimento do país. Precisamos resgatá-la e trazê-la para o controle real do Estado Brasileiro novamente. A empresa precisa voltar a investir, voltar a gerar as centenas de milhares de empregos diretos e indiretos, voltar a fomentar o desenvolvimento com inclusão social no país”, destaca o documento, assinado pelo coordenador da FUP, Deyvid Bacelar, e pelo presidente da CUT, Sérgio Nobre.

O documento elenca algumas das propostas do movimento sindical para fortalecimento da Petrobrás:

Interromper a venda das refinarias e mudar a política de preços

O tema dos preços dos derivados é central e uma nova política é necessária. Nos últimos anos, os preços dos derivados estão subindo muito acima do aumento da inflação e da renda do brasileiro, o está fomentando uma reação popular contrária à Petrobrás e ao governo. O governo pode perder o controle! As refinarias não estão trabalhando em carga máxima. Em 2020, ficaram em 77% de sua capacidade de produção. A Petrobrás tem optado por reduzir a carga, exportar petróleo cru e importar derivados. As refinarias podem ajudar na redução dos preços, aumentando a produção. Temos que retomar os investimentos no aumento da capacidade do refino também. O segundo trem da RNEST é fundamental. Mas é preciso, também, mudar a política de preços e levar em consideração outros fatores além da paridade de importação, como os custos de produção, por exemplo. Isso é possível e não traz prejuízos para a Petrobrás.

Retomar investimentos no Brasil e a política de conteúdo local

A Petrobrás precisa voltar a investir no Brasil. Os investimentos da empresa em 2020 foram os mais baixos dos últimos 20 anos, 50% abaixo do realizado em 2016, que já era bem abaixo dos anos anteriores. Estes investimentos geram empregos e renda e desenvolvimento. Precisamos retomar os índices de conteúdo local, que caíram de 55%, em média, para 25%.

Fortalecer a integração do Sistema Petrobrás

Não pode vender mais ativos, a empresa precisa ser integrada para sofrer menos impactos com a flutuação do preço do barril e do dólar. A escolha por ter uma Petrobrás atuando em vários setores, integrada, tinha a ver com sua capacidade de superar gargalos em vários setores na cadeia de óleo e gás e reduzir riscos. A Petrobras integrada e atuando em todas as regiões gera mais lucro para os acionistas e induz o desenvolvimento do país.

Restabelecer o diálogo com os trabalhadores

A gestão da empresa precisa dialogar mais com os trabalhadores e movimento sindical. Precisa de um canal de diálogo para não voltarmos a conviver com movimentos grevistas. As mudanças no mundo do trabalho requerem negociações difíceis, mas abertas entre as partes.

Acesse aqui a íntegra do documento apresentado ao presidente da Câmara, deputado Arthur Lira

Publicado em Movimentos Sociais

O levantamento da CUT-Dieese revela que a Lava Jato fez o Brasil perder R$ 172,2 bilhões em investimentos e destruiu 4,4 milhões de empregos. O setor mais afetado foi a construção civil, que perdeu 1,1 milhão de postos de trabalho

[Da redação da CUT]

“Nosso objetivo é garantir a criação de instrumentos e leis para impedir que a destruição causada pela Lava Jato se repita no Brasil”. A afirmação é do presidente nacional da CUT, Sérgio Nobre, e revela a importância do estudo inédito da Central, elaborado pelo Dieese, sobre os estragos provocados na economia pela operação de Curitiba, deflagrada em 2014 e dissolvida em fevereiro deste ano.

Nesta terça-feira (16), às 14h, Sérgio Nobre apresentará o estudo, ao movimento sindical e à mídia, em evento virtual ao vivo nas redes sociais e canal de Youtube da CUT nacional. A live, que seria feita na semana passada, foi adiada por causa da coletiva do ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva, que teve suas condenações anuladas pelo ministro do Supremo Tribunal Federal (STF) Edson Fachin e, assim, voltou a ser elegível. Lula falou sobre o estudo durante seu pronunciamento na quarta-feira (10) 

Edson Rimonatto

O levantamento da CUT-DIEESE revela que a Lava Jato fez o Brasil perder R$ 172,2 bilhões em investimentos e destruiu 4,4 milhões de empregos. O setor mais afetado foi a construção civil, que perdeu 1,1 milhão de postos de trabalho. A destruição no mercado de trabalho foi tão extensa que atingiu até categorias de setores fora das cadeias produtivas mais atingidas (construção e petróleo), como a educação privada, com 106,5 mil vagas perdidas.

Os R$ 172,2 bilhões que deixaram de ser investidos no País equivalem a 40 vezes os R$ 4,3 bilhões que a Lava Jato informa, segundo o Ministério Público Federal, ter recuperado aos cofres públicos.

Mostra também que, além de cair como uma bomba sobre a construção civil, a Lava

Jato provocou crise sem precedentes no setor de petróleo e gás, fragilizando a

Petrobras, um dos principais indutores de investimentos no país.

Lava Jato colocou 4,4 milhões de brasileiros no desemprego e tirou 172,2 bilhões da economia
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O estrago causado pela Lava Jato vai além. Segundo o estudo, em consequência dos R$ 172,2 bilhões de investimentos a menos na economia, os cofres públicos deixaram de arrecadar R$ 47,4 bilhões em impostos, sendo R$ 20,3 bilhões em contribuições sobre a folha de salários. A perda em relação à massa salarial foi de R$ 85,8 bilhões. Toda destruição somada, levou ao aprofundamento da crise econômica e a um tombo ainda maior do PIB. Caso os R$ 172,2 bilhões tivessem sido investidos na economia haveria um acréscimo positivo de 3,6% no PIB do período, que foi negativo.

Para chegar a esses números, o estudo consumiu mais de um ano de pesquisas e análises de contratos, documentos oficiais, relatórios, monitoramento de publicações na mídia e modelamento econométrico, tendo como referência a matriz-insumo-produto. O levantamento utilizou dados oficiais e nacionais de 67 setores da economia. A integra do estudo será publicada em livro a ser lançado no final de abril.

Desde o início

Segundo Sérgio Nobre, estudo foi realizado porque a maior central sindical do país, por defender o emprego, tinha de apurar o impacto da Lava Jato no mercado de trabalho e na economia. “Desde o início da Operação, lá em 2014, alertamos que a Lava Jato tinha que se concentrar em investigar as denúncias e punir os culpados, sem, com isso, destruir as empresas e, consequentemente, os empregos e a economia”.

A CUT apoia a investigação de casos de corrupção e a punição das responsáveis, mas por conta dos métodos erráticos e sob suspeição de ilegalidade usados pelo comando da Lava Jato, potencializada pela utilização indevida de holofotes na mídia, os danos à classe trabalhadora e à economia foram enormes e poderiam ter sido evitados, segundo o presidente nacional da CUT.

“Em vez de fazer seu papel de investigar, comprovar e punir os responsáveis pela corrupção, a Operação destruiu empresas e empregos ao politizar, partidarizar, agir de forma seletiva e se desviar dos rumos e objetivos das investigações”.

Com isso, a Lava Jato destruiu a imagem das empresas investigadas que, em consequência, quebraram, perderam investimentos e demitiram, gerando efeito dominó nas cadeias produtivas, em especial a da construção civil e a do petróleo e gás. No caso da Petrobras, a Operação serviu também de argumento para a mudança no seu modelo de gestão, que está levando à sua venda fatiada e à ameaça de privatização.

“Por causa da Operação Lava Jato, construtoras e empresas que desenvolviam alta tecnologia e já estavam em processo de internacionalização, realizando obras ao redor do mundo, gerando empregos, foram paralisadas. Isso é um crime”, diz Sérgio Nobre.

O estudo será entregue pela CUT nas mãos dos presidentes da Câmara dos Deputados e do Senado, de entidades nacionais e internacionais e de organizações representativas da sociedade. “Nosso objetivo é criar instrumentos e leis para impedir que essa destruição causada pela Lava Jato nunca mais se repita no Brasil”, afirma Sérgio Nobre.

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Além dos empregos, o Brasil perdeu R$ 172 bilhões em investimentos com a Lava Jato. Esses dados constam de estudo elaborado pelo Dieese a pedido da CUT

[Da Rede Brasil Atual |Foto: Marcelo Camargo/Abr]

A Operação Lava Jato, desde que surgiu em 2014, provocou o fechamento de 4,4 milhões de empregos no país. Além disso, o Brasil perdeu R$ 172 bilhões em investimentos. Esses dados constam de estudo elaborado pelo Dieese a pedido da CUT.

Segundo coluna da jornalista Mônica Bergamo na Folha de S.Paulo, o valor que deixou de ser investido “equivale a 40 vezes os R$ 4,3 bilhões que o Ministério Público Federal diz ter recuperado com a operação. Com isso, os cofres públicos deixaram de arrecadar R$ 47,4 bilhões em impostos, sendo R$ 20,3 bilhões em contribuições sobre a folha de salários”.

A pesquisa diz que o setor mais atingido foi o da construção civil, que perdeu 1,1 milhão de postos de trabalho.

A CUT fará o lançamento formal da pesquisa nesta terça-feira (9), às 14h, em entrevista on-line com o presidente nacional da entidade, Sérgio Nobre.

Esse trabalho que denuncia o ataque da Lava Jato a empregos e investimentos é o primeiro estudo feito com base em dados e documentos oficiais sobre o impacto desastroso da operação no mercado de trabalho e na economia. O levantamento, feito pelo Dieese a pedido da Central, consumiu um ano de pesquisas.

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Em nova manifestação ao Supremo Tribunal Federal, partido pede a reabertura da Fafen-PR, que poderia produzir oxigênio e está desativada desde janeiro de 2020. No pedido, o partido também questiona documentos da Advocacia-Geral da União entregues ao STF que contém informações contraditórias, não apresenta plano para controle da crise sanitária e não adota medidas para o abastecimento de oxigênio na capital amazonense

[Da Agência PT de Notícia]

PT protocolou uma nova manifestação no STF nesta quarta-feira (20), onde pede a reabertura da Fábrica de Fertilizantes Nitrogenados do Paraná – Fafen-PR, que pertence à Petrobras e que poderia estar produzindo oxigênio para atender às necessidades do país, mas segue fechada desde janeiro de 2020. Nesta semana, mais pessoas morreram no interior do Amazonas do Pará por falta de oxigênio.

Na nova manifestação à ADPF 756,  o PT pede que o Supremo volte a intimar a Presidência da República para que informe as causas da falha no abastecimento de oxigênio em Manaus e que tome, de fato, todas as providências possíveis para garantir o abastecimento de oxigênio aos hospitais de todo o país, entre elas, a reabertura da Fábrica de Fertilizantes Nitrogenados do Paraná – Fafen-PR.


> Leia também: Fechada há um ano pelo governo Bolsonaro, Fafen-PR poderia produzir 30 mil metros cúbicos de oxigênio por hora


O ministro do STF, Ricardo Lewandowski ordenou que a União apresentasse plano detalhado sobre as medidas a serem adotadas com relação à situação de Manaus. O ministro considerou as informações prestadas pela AGU e as notícias de colapso no sistema de saúde de diversos outros estados e municípios para cobrar medidas do governo federal.

Segundo os advogados do PT, conforme  apurado pelos documentos apresentados no processo pela Advocacia-Geral da União, houve claro descumprimento da decisão liminar por parte do Governo Federal. Além de apresentar informações contraditórias, o material enviado não apresenta plano estratégico e não adota as medidas necessárias e possíveis para o abastecimento de oxigênio na capital amazonense.

Para o PT, o governo Bolsonaro deveria estar oferecendo, pelo menos, 51,8 mil m³ de oxigênio à capital, diariamente, entretanto, entre os dias 12 e 19 de janeiro ofereceu, em média, apenas 11,5 mil m³. Na terça-feira à noite, chegaram quatro caminhões vindos da Venezuela com oxigênio doado pelo governo de Nicolás Maduro. Também chegaram em Manaus cilindros com oxigênio oferecidos pela Embaixada da China.

Veja a integra da ação

Para presidente da IndustriALL-Brasil é fundamental envolver os trabalhadores no debate de uma política industrial. Ex-diretor técnico do Dieese defende política com foco no emprego

[Da redação da CUT]

O fechamento da Ford no Brasil, anunciado recentemente e que acaba com mais de 119 mil postos de trabalho e diminui a arrecadação em mais R$ 3 bilhões, no país, fortaleceu a importância do debate de uma política industrial para o desenvolvimento do país, com tecnologia e geração de emprego.

Os trabalhadores da indústria querem que o governo de Jair Bolsonaro (ex-PSL) comece a debater, conjuntamente, saídas para evitar outros fechamentos de fábricas, desemprego e a piora, ainda mais, da economia.

Além da montadora norte- americana só no ano passado 5,5 mil fábricas encerraram suas atividades. Nos últimos cinco anos (2015 a 2020), quase 17 estabelecimentos industriais fecharam definitivamente suas portas por dia, segundo um levantamento da Confederação Nacional do Comércio de Bens, Serviços e Turismo (CNC) feito com exclusividade para o Estadão/Broadcast.

O presidente da IndustriALL-Brasil, Aroaldo Oliveira da Silva, conta que as empresas ao planejar onde irão produzir e se instalar, levam em consideração o crescimento no setor e a política industrial do país.  Por isso que é fundamental que o governo federal em conjunto com todos os atores da indústria, inclusive trabalhadores, dialoguem e achem juntos uma saída para o país se desenvolver de forma mais justa.

“Além da crise econômica que assombra o país, que começou antes mesmo da pandemia, estamos no meio de uma revolução industrial com novos elementos da tecnologia. O mundo todo está discutindo estas mudanças e o Brasil nem começou. A pauta dos trabalhadores da indústria no Brasil é que o governo comece a discutir uma apolítica industrial com tecnologia e emprego e que envolva os trabalhadores no debate, não só os empresários”, afirma Aroaldo.

Para ele, o país precisa de uma política industrial que tenha crédito, pesquisa, desenvolvimento, inovação, tecnologia, reconversão industrial e a nacionalização de componentes, peças e máquinas porque o país importa muito. O ideal, é que esta política nacional priorize emprego, trabalho de qualidade e renda e que seja uma proposta que contemple todo o setor.

“Temos várias pautas e discussões que podemos levantar com o governo federal, mas que não se mostra interessado e nem importa com a indústria e nem com o trabalhador e os empregos. Ele acabou com o ministério da indústria e do trabalho logo quando assumiu o poder e isso mostra que estes pontos não são prioridades para ele, mas sem governo não há política industrial. Queremos participar do processo de debate para que possamos contribuir com a economia e com os postos de trabalho”, ressalta o dirigente.

O ex-diretor técnico do Dieese e assessor técnico do Fórum das Centrais Sindicais, Clemente Ganz Lúcio, diz  que sem uma política que tenha no centro o emprego e a produção nacional o país regride cada vez mais para ser uma colônia e dependente. Segundo ele, para sair desta condição e avançar é preciso estratégia para economia girar.

“É preciso ter estratégia e construir uma agenda que inclua as várias dimensões do desenvolvimento. A inovação tecnológica amplia empregos nas áreas de serviços e no próprio emprego público, da educação, saúde e segurança. E a geração de empregos e renda melhora a capacidade de consumo e sustenta o crescimento econômico, que é fundamental para o país se tornar competitivo no setor”, diz.

Fim de política de incentivo do governo Dilma impacta negativamente nos empregos

A partir de 2012, o país contava com uma política industrial chamada “Inovar- Auto”, que incentivava as empresas a produzirem e gerarem empregos no Brasil. Criado por Dilma Roussef (PT), o Inovar-Auto, conseguiu fazer a frota brasileira aumentar sua eficiência em 15,4%, acima da meta de 12%, segundo dados Associação Brasileira de Engenharia Automotiva (AEA).

Pelo Inovar Auto foi possível também impulsionar a nacionalização da produção. Ao todo foram oito fábricas inauguradas, ao custo de aproximadamente R$ 14 bilhões: Chery em Jacareí (SP); FCA em Goiana (PE); Nissan em Resende (RJ); BMW em Araquari (SC); Jaguar Land Rover em Itatiaia (RJ); Hyundai-Caoa em Anápolis (GO); Mercedes-Benz em Iracemápolis (SP) e  Audi em São José dos Pinhais (PR)

Depois do golpe em 2016 começou o desmantelamento desta política e seu fim foi decretado em dezembro de 2017 por Michel Temer (MDB-SP). E desde 2018, o país está órfão de uma política industrial que dê conta das diversas frentes que necessita o setor, mesmo com o Rota 2030 instalado no país em fevereiro daquele ano.

O Rota 2030 não garante postos de trabalho, não estimula a geração de novos empregos e ainda fala de automatização das linhas sem nenhuma contrapartida ou negociação com os trabalhadores. Além disso, Diferente do Inovar Auto, o Rota 2030 não prevê nada sobre política de conteúdo local, que é o que garante empregos no Brasil, e ainda dá tratamento igual tanto para as montadoras que produzem no País quanto para as que importam tudo. Segundo trabalhadores da indústria, foi a partir daí que houve uma invasão de importados e os retrocessos no setor começaram.

Reforma tributária

O fechamento da Ford no Brasil também foi o gancho para que empresários e economistas neoliberais intensificassem o debate sobre uma reforma tributária. Tanto Aroaldo quanto Clemente acham importante uma reforma tributária, mas não a reforma tributária dos empresários. É preciso uma reforma tributária menos desigual, aponta eles.

Aroaldo disse que o Brasil precisa urgente de uma reforma tributária progressiva e que não tributa o consumo e o serviço para pobre pagar mais e que desonera o patrimônio deixando os ricos fora da tributação.

“Deixar na mão dos empresários discutir esta reforma vai persistir a lógica de onerar a vida do trabalhador e desonerar os ricos, persistindo assim todos os problemas. E não é isso que precisamos. A tributação tem que progressiva que reduza as desigualdades, quem ganha mais tem que pagar mais e não quem ganha menos pagar a conta maior”, disse.

Incentivos fiscais importantes

Segundo estimativa da Associação Nacional dos Fabricantes de Veículos Automotores, a Anfavea,entre 2012 e 2018, o setor recebeu investimentos de cerca de R$ 76 bilhões.

Estudo da subseção do Departamento Intersindical de Estatística e Estudos Socioeconômicos (Dieese) no Sindicato dos Metalúrgicos do ABC (SMABC) mostra que o número de trabalhadores nas montadoras saiu de 78,4 mil, em 2002, para 121,6 mil em dezembro de 2014. Entre 2003 e 2014, a produção saltou de 1,6 milhão de veículos para 3,1 milhões.

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Análise do Dieese mostra que o Brasil deve perder R$ 3 bilhões ao ano e 119 mil postos de trabalho diretos e indiretos com o fechamento das três unidades da montadora norte-americana

[Da redação da CUT | Foto: Ford/divulgação]

O fim da Ford no Brasil com o fechamento das três unidades instaladas nos estados da Bahia, Ceará e São Paulo, trará perdas bilionárias tanto ao país, como aos trabalhadores e trabalhadoras da montadora norte-americana, avalia o Departamento Intersindical de Estatísticas e Estudos Socioeconômicos (Dieese). A Ford anunciou que manterá apenas a sede administrativa da América do Sul no Brasil, o Centro de Desenvolvimento de Produto e o Campo de Provas.

De acordo com a análise do órgão, considerando as 5.000 demissões na Ford, haverá uma perda potencial de 118.864 mil postos de trabalho diretos e indiretos, com uma perda de massa salarial de R$ 2,5 bilhões aos trabalhadores. Já a queda de arrecadação de tributos e contribuições ficará na ordem de R$ 3 bilhões ao ano.

Atualmente a Ford possui 4.604 mil trabalhadores diretos na unidade de Camaçari, 830 na unidade de Taubaté (SP) e 470 trabalhadores da fábrica dos jipes Troller em Horizonte (CE). O número total de trabalhadores diretos é de 6.171, sendo que 5.000 serão demitidos. 

Contrariando o discurso de Jair Bolsonaro (ex-PSL) que “denunciou ” que a Ford queria incentivos fiscais para permanecer no país, estudo do Dieese aponta que de a cada R$ 1,00 gasto na indústria automobilística, é acrescido  R$ 1,40 no ‘ valor adicionado’ da economia.

Fim da Ford, fim de uma era

O encerramento da produção imediatamente em Camaçari  (BA) e Taubaté (SP), mantendo-se apenas a fabricação de peças por alguns meses para garantir disponibilidade dos estoques de pós-venda – as vendas dos automóveis da marca Ford no Brasil (EcoSport, Ka e T4) será encerrada assim que terminar os estoques; e a operação da fábrica da Troller em Horizonte (CE) no quarto trimestre de 2021, representa o fim de uma era na indústria automobilística no país.

A Ford foi a primeira indústria automobilística a ter operações no Brasil, em 1919. Em 1921 inaugura sua primeira fábrica no bairro do Bom Retiro, na capital de São Paulo.

Em 1980, a empresa era a maior empregadora entre as montadoras, com 21.800 trabalhadores e uma produção nacional de 165.500 unidades/anos. Em 1990 somou 17.578 trabalhadores, e em 1999, 9.153.

Em 2020 licenciou 139.897 veículos, sendo 119. 454 automóveis; 19.864 comerciais leves e  579 caminhões, o que representou 6,8% do total de veículos licenciados no Brasil no ano passado. Deste total, 84% foram produzidos  no Brasil (consultoria Bright). Em 1998, a Ford detinha 7,9% da produção nacional.

O setor automotivo chegou a ter 159.648 trabalhadores diretamente vinculados às montadoras, sendo 137.775 na produção de autoveículos e 21.873 em máquinas agrícolas e material rodoviário, em outubro de 2013 (nível mais alto desde janeiro de 1983, conforme informações disponíveis na ANFAVEA). Em dezembro de 2020 registrou 120.538 trabalhadores diretos (-24,5%), sendo104.428 na produção de autoveículos e 17.740 na produção de máquinas agrícolas e material rodoviário, ao comparar com o dado de outubro de 2013.

Leia a íntegra da análise do Dieese aqui

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Segunda, 18 Janeiro 2021 13:07

Por que a Petrobras é estratégica?

Sem a Petrobras não haveria campos do pré-sal, refinarias, infraestrutura e logística de gás dentre tantas outras frentes do setor energético, sem a petrolífera brasileira o que há é desindustrialização, apagões em regiões do país, preços proibitivos de combustíveis e gás, por isso se trata de uma empresa estratégica, afirmam os pesquisadores do INEEP, em artigo publicado no Le Monde Diplomatique.

Por William Nozaki e Rodrigo Leão, oordenadores-técnicos do Instituto de Estudos Estratégicos de Petróleo, Gás e Biocombustíveis (INEEP) 

É preciso perguntar para os críticos das estatais porque consideram a Petrobras uma empresa passível de ser desnacionalizada e descapitalizada. Duvide, leitor, da palavra privatização toda vez que seu interlocutor a usar como panaceia para os problemas da estrutura produtiva e social no Brasil. No início deste século, os Estados Unidos ascenderam à posição de poder global assentando sua hegemonia sobre o tripé: armas, dólar e petróleo. O ouro negro é um produto estratégico para qualquer economia, imagine, para a maior de todas. Prova disso é que o arranjo econômico-institucional norte-americano para a gestão petrolífera nunca foi matéria exclusiva das autoridades energéticas e regulatórias, sempre foi tema do aparato de defesa e política externa, conformando uma conturbação entre estratégias nacionais e interesses empresariais.

A ascensão do shale gas americano, por exemplo, teve uma profunda conexão com o governo americano que adotou uma série de medidas não só apoiando as empresas privadas, mas formulando programas específicos para o desenvolvimento de novas formas de energia desde os anos 1970. Com a criação do Departamento de Energia dos Estados Unidos (Departament of Energy – DOE) no final daquela década, que surgiu com o objetivo de centralizar o planejamento e promover a autossuficiência energética americana. Desde então houve um significativo crescimento das inovações e investimentos no setor de energia. Junto à criação do DOE, o Ato de Segurança Energética (em 1980) lançou medidas e programas de incentivos à eficiência e conservação energética, além de combustíveis alternativos. Nesse período, foram desenvolvidas 139 novas fontes de energia alternativas ou não convencionais, dentre elas o shale gas.

No Brasil, a construção da Petrobras foi resultado da convergência de interesses de forças sociais, políticas, econômicas, civis e militares que desaguaram na campanha “O petróleo é nosso” (em 1953). Quem conhece a história da indústria no Brasil sabe que, em um primeiro momento, a assessoria econômica de Getúlio Vargas propôs a criação de uma empresa petrolífera formada por capital privado. No entanto, ao contrário do que aconteceu, por exemplo, nos EUA, nessas plagas não tivemos nenhum J. D. Rockefeller verde-amarelo disposto a desbravar uma frente com riscos elevados e retornos incertos.

Sendo assim, se impôs a necessidade de formação de uma empresa estatal. Mais ainda, ao contrário do que ocorreu em outros países do Oriente Médio, onde a presença de petróleo se sabia certa, e, portanto, a consolidação da atividade de exploração e produção (E&P) era mais segura, no Brasil o desafio primeiro passou pela busca de autossuficiência em derivados e refinados, para só depois o país se lançar diante de atividades de E&P absolutamente incertas. Esse risco foi assumido pelo Estado e por uma empresa estatal, com o apoio de trabalhadores e de uma sociedade vibrante, prova disso é que nessa mesma época pulsavam movimentos pela educação popular e pela saúde pública, hoje infelizmente esquecidos pela memória curto-prazista de liberais provincianos.

A Petrobras não foi criada apenas por ousadia do poder público, mas também por timidez da iniciativa privada. Aqueles que hoje reivindicam a privatização da Petrobras demandam os retornos da concorrência depois que o mercado já foi constituído, difícil mesmo é assumir os riscos empresariais quando o mercado ainda está em constituição. Se o empresariado brasileiro se constrangeu diante das atividades de prospecção de petróleo em terra, é impensável que tivesse o ímpeto de se lançar no desbravamento da descoberta de petróleo no mar, área em que a petrolífera brasileira encontrou sua vocação, desde o início da produção na Bacia de Campos (em 1977) até as descobertas em águas ultra-profundas do pré-sal (em 2007).

E isso não é uma especificidade do caso brasileiro: (i) porque quase 90% das reservas mundiais estão nas mãos de governos ou de estatais, que são também, responsáveis por grande parte da produção mundial e por suas descobertas; (ii) porque as áreas promissoras de exploração estão sob controle das estatais; (iii) porque as grandes reservas se localizam em países onde as estatais desempenham papel fundamental.

Infelizmente a visão subalterna sobre o Brasil produziu uma elite econômica e intelectual sempre disposta a culpar o povo pelas mazelas do país e sempre disponível para absolver os grupos dominantes de sua responsabilidade, tudo bem regado a uma idealização da história norte-americana e um profundo desconhecimento da história brasileira. O desenvolvimento econômico, industrial, científico e tecnológico, tanto lá quanto cá, contou com o apoio e o investimento estatal, seja por meio, por exemplo, das compras públicas no caso do complexo militar-econômico dos EUA, seja por meio de políticas de conteúdo local na estrutura empresarial-industrial do Brasil.

No entanto, há ainda em pleno século XXI quem queira enquadrar a economia brasileira dentro de uma ideia frágil de patrimonialismo, como se a mistura entre as esferas pública e privada fosse uma singularidade brasileira e não uma característica da economia de mercado em geral. Apenas para ficarmos no período mais recente, nos EUA o Departamento de Estado dos governos Bush e Trump foi ocupado por figuras ligadas à indústria petrolífera, Condoleezaa Rice oriunda da Chevron e Rex Tillerson ligado à ExxonMobbil utilizaram os seus cargos públicos para arbitrar em favor de interesses petrolíferos privados inúmeras vezes, o mesmo se deu com o próprio vice-presidente Dick Cheney que utilizou sua influência para beneficiar empresas como a Halliburton, para não mencionar as diversas revelações de lobby, corrupção e tráfico de influência que vieram à lume com as divulgações feitas por Julian Assange ou Edward Snowden.

A despeito de todas as evidências há no Brasil quem insista em tratar a relação entre indústria petrolífera e corrupção como uma especificidade local. A questão não é o patrimonialismo, o problema “é o liberalismo, estúpido!” que se deixa seduzir pela falsa livre-concorrência dos países centrais e se curva de cócoras para a criminalização da política industrial e para o desmonte da indústria nacional em países periféricos.

Sem a Petrobras não haveria campos do pré-sal, refinarias, infraestrutura e logística de gás dentre tantas outras frentes do setor energético, sem a petrolífera brasileira o que há é desindustrialização, apagões em regiões do país, preços proibitivos de combustíveis e gás, por isso se trata de uma empresa estratégica. Nem a quebra do monopólio da petrolífera brasileira em 1997 serviu para que empresas privadas fizessem investimentos novos nos montantes exigidos por um país com as dimensões do Brasil. O que os apologetas da privatização desejam não é a livre-competição, mas sim o desmonte da petrolífera brasileira para que possam construir seus oligopólios privados.

Se aos olhos dos neoliberais a Petrobras parece sofrer de gigantismo talvez isso digo menos sobre o tamanho da empresa brasileira e mais sobre o nanismo de setores que insistem em tratar o país não como Nação, mas como negócio.


William Nozaki é coordenador-técnico do Instituto de Estudos Estratégicos de Petróleo, Gás e Biocombustíveis (INEEP), professor da Fundação Escola de Sociologia e Política de São Paulo (FESPSP).

Rodrigo Leão é coordenador-técnico do Instituto de Estudos Estratégicos de Petróleo, Gás e Biocombustíveis (INEEP), pesquisador do Núcleo de Estudos Conjunturais da Universidade Federal da Bahia (UFBA).

Publicado em Petrobrás Fica

Artigo do Instituto de Estudos Estratégicos de Petróleo, Gás Natural e Biocombustíveis Zé Eduardo Dutra (Ineep) publicado no site Observa BR analisa perspectivas da indústria 4.0 no mundo e os desafios para o Brasil atual

Leia a íntegra e confira no final do texto os autores do artigo:

A economia internacional passa por um momento de reativação da centralidade da agenda de política industrial e de ciência e tecnologia. 

A ascensão da Indústria 4.0 tem intensificado a convergência de tecnologias digitais, físicas e biológicas. Essa mudança estrutural tem se observado ao longo dos últimos anos, com o avanço da automação por sistemas ciber-físicos, da comunicação máquina a máquina, da inteligência artificial, da análise de big data, da computação em nuvem, da realidade virtual e aumentada, da internet das coisas e dos serviços, do desenvolvimento de novos materiais, das tecnologias de baixo carbono e dos avanços nos processos de edição genômica. 


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O papel do Estado reativando as políticas industrial e de ciência, tecnologia e inovação tem sido fundamental nessa trajetória: todos os países industriais desenvolvidos têm adotado estratégias de longo prazo, baseadas em incentivos à P&D, subvenções e uso do poder de compra governamental. Em 2020, a pandemia acelerou ainda mais esse processo, medidas emergenciais de enfrentamento à Covid-19 trouxeram à tona propostas de reindustrialização e reconversão industrial, além de medidas estruturais para a construção de uma nova indústria capaz de desbravar os horizontes disruptivos. 

No Brasil, o atraso nesse percurso é flagrante. A industrialização brasileira não foi capaz de constituir por completo os vínculos intersetoriais com os ramos mais intensivos em tecnologia, nem tampouco formou os segmentos mais avançados da indústria de bens de capital, concentrando-se em bens intermediários e bens de consumo duráveis e não-duráveis. Os saltos inovadores, quando ocorreram, foram protagonizados e induzidos pelo financiamento de longo-prazo de bancos públicos e pelo investimento tecnológico de empresas estatais contando com o apoio dos instrumentos institucionais de governança de CT&I. 

Entretanto, no mais das vezes, foram obstaculizados por políticas macroeconômicas restritivas do ponto de vista monetário, cambial e fiscal, aumentando os riscos e inviabilizando o funding necessário para a expansão industrial. 

No período mais recente, a sobreposição disfuncional de regras fiscais rígidas, o desmonte do Estado e a desestatização das empresas estatais tem tornado esse cenário ainda mais dramático. A participação do Brasil na produção industrial mundial caiu para 1,19% em 2019, nesse mesmo ano o peso da indústria no PIB foi de apenas cerca de 10,4%. Em abril de 2020, mês em que teve início o isolamento social, a atividade industrial sofreu queda de 23,3% no faturamento das empresas, e mesmo com a recuperação recente ainda não se retornou aos patamares anteriores à crise. 

É urgente vencermos o movimento obscurantista e subserviente que invade o país, através da valorização da produção de conhecimento nacional, é preciso investimento contínuo na formação de mão de obra qualificada em todas as regiões do território nacional. O Brasil precisa recompor seu parque industrial aumentando a densidade tecnológica e a complexidade da matriz já existente, e, simultaneamente, deve avançar em direção ao desenvolvimento de um novo paradigma tecnológico que faça face aos desafios nacionais e internacionais garantindo uma inserção autônoma e soberana do país. 

Entre 2003 e 2016, implantamos um novo padrão de relação entre o Estado e sociedade, marcado pela orientação estratégica de inclusão social e desconcentração da renda, com vigoroso crescimento do produto e emprego. As frentes de expansão potencial acionadas permitiram fomentar mudanças na estrutura produtiva com competitividade e na estrutura social com distribuição, através de: (1) investimentos em recursos naturais (energia, hidrocarbonetos, agropecuária); (2) investimentos em infraestrutura econômica (logística, transporte, telecomunicações), (3) investimentos em infraestrutura social (saneamento, habitação, mobilidade urbana); (4) investimentos voltados ao mercado interno de consumo de massa de bens e serviços; (5) investimentos em reindustrialização na fronteira tecnológica (bens de capital, fármacos e microeletrônica, defesa e aeroespacial). 

Nesse sentido, vale ressaltar, dois vetores de demanda induzida são especialmente relevantes: o primeiro, orientado por “missões”, com a demanda de bens industriais e serviços das cadeias produtivas sendo orientada por investimentos em infraestrutura econômica, social e urbana, estimulando o desenvolvimento regional; o segundo, orientado pelas potencialidades das grandes empresas públicas e das compras governamentais, propiciando a superação de gargalos tecnológicos e promovendo inovações em setores portadores de futuro. 

No caso do primeiro vetor, os gargalos tecnológicos relevantes para o país deveriam ser priorizados pelos instrumentos institucionais de governança de CT&I já estabelecidos e maturados. Os candidatos naturais são aqueles relacionados ao sistema de saúde (como vacinas contra Covid-19, dengue e produção de equipamentos hospitalares), o sistema urbano-industrial (como veículos híbridos, com etanol e elétrico e sua rede urbana de serviços digitais), o sistema de exploração sustentável (como sequenciamento de genomas para a bioindústria e sistemas integrados de manejo lavoura-pecuária-floresta para a utilização sustentável do “arco desmatado” do Cerrado e da Amazônia Legal), além de cadeias de distribuição (baseadas em IA e 5G) e governo digital (com a digitalização do setor público brasileiro). Os polos industriais e tecnológicos emergentes merecem fomento e reforço competitivo, por meio da valorização da P&D e infraestrutura mais eficientes, inclusive as novas infraestruturas digitais. 

No caso do segundo vetor, são fundamentais as potencialidades de programas âncoras de compras públicas e investimentos estatais com elevado empuxe para as cadeias produtivas locais, mediante a revitalização dos investimentos da Petrobras acompanhado do desenvolvimento de sua cadeia de fornecedores, com mudanças regulatórias e a identificação de subsetores estratégicos que possam ser estimulados de modo a favorecer a apropriação da renda petroleira por interesses nacionais. É também fundamental a reativação da Política de Desenvolvimento Produtivo do Complexo Industrial da Saúde, dada a capacidade do poder de compra do SUS, bem como a reorganização da Base Industrial de Defesa, especialmente através das compras de alta complexidade tecnológica (como cybersistemas, caças e submarinos de propulsão nuclear). 

A incorporação de novas tecnologias digitais da indústria 4.0 (IoT, IA, Big Data, robótica etc.) é especialmente relevante para a transformação do atual parque industrial, em grande parte baseado no padrão tecnológico do século XX. 

Tais frentes convergem para a construção de um grande processo de transformação econômica e industrial orientados pela transição digital, pela transição energética e pela transição ecológica, articulando desenvolvimento produtivo, social e ambiental. 

Os desafios de uma nova indústria não podem ser enfrentados por uma proposta de política industrial baseada na oferta tradicional de incentivos fiscais e creditícios. Com exceção dos incentivos à P&D, que têm sido preservados nos países desenvolvidos, o caminho alternativo passa pela concentração de esforços em demandas reais da sociedade e do governo e pela coordenação estatal orientada para a desobstrução de gargalos, o que no caso do Brasil pode ser viabilizado com a recomposição e rearticulação das capacidades estatais a partir de instituições como BNDES, FINEP, Petrobras, Embrapa, Embrapii e do reforço a formação de recursos humanos através da Capes e CNPq, entre outros. 

Para a construção dessa nova indústria são fundamentais instrumentos como conteúdo local, compras governamentais, crédito direcionado, investimentos públicos, financiamento de clusters e start-ups, além de outras políticas industriais, comerciais, de CT&I e de desenvolvimento regional, compondo um complexo que impõe a necessidade de atuação do Estado e coordenação do governo central. 

A política do atual governo ao bloquear esse conjunto de políticas e instrumentos nos afoga no passado distante e impede o país de voar em direção ao futuro. Quando se implementam políticas corretas, a economia brasileira responde com forte expansão do investimento e do consumo, e pode ser reorientada a um novo estilo de desenvolvimento, com saltos tecnológicas na estrutura produtiva e avanços distributivos na estrutura social.


Autores:

José Sérgio Gabrielli é professor da Faculdade de Economia da UFBA, foi presidente da Petrobras (2005-2012) e é pesquisador do Ineep.

Luciano Coutinho é professor do Instituto de Economia da Unicamp, foi presidente do BNDES (2007-2016).

Luiz Antonio Elias é pesquisador do Instituto Nacional de Propriedade Industrial, foi secretário-executivo do MCTI (2007-2014).

Mauro Borges Lemos é professor da Faculdade de Ciências Econômicas da UFMG, foi ministro do MDIC (2014-2015); e

William Nozaki é professor da Escola de Sociologia e Política de São Paulo (FESPSP) e é diretor-técnico do INEEP. 

[Artigo publicado originalmente pelo Observa BR]

Publicado em Economia

Depois da Ford e Forever 21, agora é a vez da General Mills, que produz a linha de alimentos Yoki. A empresa dos EUA anunciou o fechamento de sua fábrica no Rio Grande do Sul. A General Mills, com sede em Minnesota, é uma das 10 maiores empresas de alimentos do mundo

[Do Brasil 247 | Imagem: Fábrica da Yoki/Divulgação]

Após as empresas estadunidenses Ford e Forever 21 anunciarem o fechamento de suas fábricas e lojas no Brasil, a General Mills, responsável pela marca Yoki, anunciou na segunda (11) que vai encerrar as atividades na fábrica da cidade de Nova Prata, na serra gaúcha, demitindo 300 funcionários.

A empresa, em nota, disse que o processo faz parte de um “plano de reestruturação em parte das suas operações no país” e que “ajustes fazem parte de uma estratégia que prevê acelerar o crescimento dos negócios da empresa no Brasil”, informou o portal CNN Brasil. 

Segundo a reportagem, a produção de pipoca ficará concentrada somente na fábrica da cidade de Pouso Alegre, no interior de Minas Gerais.

A rede Forever 21, ícone da fast fashion (moda rápida) no mundo, está fechando 11 de suas lojas no Brasil. Conhecida pela venda de roupas a preço baixo, a rede sofreu diversas acusações de uso de trabalho escravo ao longo dos anos. Já a montadora Ford também anunciou na segunda-feira (11) que encerrará a produção de veículos no Brasil em 2021, o que levará mais de cinco mil brasileiros à fila de desemprego. 

 

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A Federação Única dos Petroleiros (FUP) foi criada em 1994, fruto da evolução histórica do movimento sindical petroleiro no Brasil, desde a criação da Petrobrás, em 1953. É uma entidade autônoma, independente do Estado, dos patrões e dos partidos políticos e com forte inserção em suas bases.