A Revista Fórum, junto com especialistas, levantou 100 ações dos primeiros 100 dias do governo Bolsonaro que revelam o desmonte do Estado brasileiro em 10 áreas primordiais. Veja abaixo o resumo do levantamento e clique nas chamadas para ler a íntegra das medidas tomadas por Jair Bolsonaro e sua equipe. 

Da política de perseguição ideológica a opositores à implementação à toque de caixa de medidas ultra-liberais na área econômica, Bolsonaro impõe uma série de medidas que esfacelam o Estado democrático de Direito e afeta sobretudo a população mais carente e minorias representativas (que compreendem a maioria populacional), como negros, indígenas, LGBTs, entre outros.

Desta forma, as políticas econômicas neoliberais tratoradas por Paulo Guedes – diante da ignorância confessa de Bolsonaro no assunto – realizam o desmonte das ações de desenvolvimento social, privilegiando os agentes do sistema financeiro e colocando em marcha a implantação de políticas privatistas, em clara submissão aos interesses hegemônicos de Donald Trump.

Veja a lista das 100 medidas em cada área e acesse cada uma das reportagens com os detalhes (clique nas chamadas):

Desenvolvimento Social

1) “Redução” do Salário Mínimo e fim da valorização
2) Fim do ministério do Desenvolvimento Social
3) Extinção das secretarias da Agricultura Familiar e Desenvolvimento Agrário
4) Extinção do Consea
5) Retirada da Caixa do conselho curador do FGTS
6) Novo Pacto Federativo: fim da vinculação de recursos da União
7) Preconceito contra o Bolsa Família
8) Minha Casa Minha Vida em risco
9) Reforma da Previdência: fim do modelo de sociedade pactuado em 1988
10) Carteira de trabalho verde e amarela: menos direitos ainda

Economia

11) Aposentadoria cada vez mais distante
12) Política monetária e financeira
13) Política Fiscal
14) Entrega do Pré-Sal
15) Carteira Verde e Amarela
16) Perseguição a sindicatos
17) Extinção do Ministério do Trabalho
18) Venda de Imóveis
19) Conselho Nacional de Segurança Alimentar e Nutricional
20) Privatização de bancos públicos 

Justiça e Segurança Pública

21) Decreto que facilita posse de armas
22) Prisão em Segunda Instância
23) Excludente de ilicitude, a autorização para a polícia matar
24) “Plea Bargain”
25) Realização de audiências por videoconferência
26) Infiltração de agente policial em organizações criminosas
27) Alterar o conceito de organização criminosa
28) Introdução do “informante do bem” ou do “whistleblower”
29) Coleta de DNA de condenados
30) Endurecimento de pena

Saúde

31) Menos Médicos
32) Retrocessos na Saúde Mental
33) Perda da certificação contra o sarampo
34) Brasil na ONU contra a Saúde da Mulher
35) Problemas no Farmácia Popular
36) Moralismo aumenta vulnerabilidade entre adolescentes
37) Desmonte no combate a Aids
38) Suspeita por tráfico de influência
39) Fim de gastos mínimos com Saúde?
40) “Dinheiro suficiente” 

Educação

41) PNLD
42) Hino Nacional
43) Militarização de escolas
44) Revogação do CAQi-CAQ
45) Abandono do PNE
46) “Brasileiro é ladrão”
47) “Elite intelectual”
48) Enem
49) Perseguição política
50) Escolha de Abraham Weintraub

Meio Ambiente

51) Menos fiscalização
52) Clima
53) Raposa no galinheiro
54) Paralisação de projetos
55) Sem participação social
56) Fundo da Amazônia
57) Mais veneno
58) Caça com cão
59) Ameaça a garantias
60) Avanço de transgênicos e mineração 

Agricultura

61) Extinção da SEAD
62) Explosão na liberação dos agrotóxicos e renovação do Convênio 100/97 (isenção fiscal agrotóxicos)
63) Paralisação da reforma agrária e nomeação do Nabhan Garcia
64) Envio do SFB ao MAPA e subordinação da agenda ambiental à agrícola
65) Criminalização dos movimentos e violência no campo
66) Promessas de arrendamento de áreas indígenas
67) Aposentadoria rural
68) Insegurança jurídica – revisão dos atos anteriores
69) Terras indígenas no MAPA
70) Extinção do Consea

Política indigenista

71) Transferência da Funai para o Ministério da Mulher, da Família e dos Direitos Humanos
72) Entrega das pastas da Demarcação e licenciamento ambiental para o ruralistas (MAPA – Ministério da Agricultura, Pecuária e Abastecimento)
73) Extinção da Secretaria de Educação Continuada, Alfabetização, Diversidade e Inclusão (SECADI/MEC)
74) Extinção do Consea (Conselho Nacional de Segurança Alimentar e Nutricional)
75) Aumento dos conflitos territoriais devido ao discurso que afirma “não haverá um centímetro de terra demarcada”
76) Negociação e entrega da Amazônia a interesses e corporações nacionais e internacionais
77) Facilitação de posse de arma e incentivando o uso no campo
78) Determinação de municipalizar a saúde indígena, acabando com a Secretaria Especial de Saúde Indígena (Sesai)
79) Exploração e empreendimentos que impactam diretamente as terras indígenas com consequências irreversíveis para o meio ambiente, a cultura e modo de vida dos povos indígenas
80) Estabelecimento de novo marco legal 

População LGBTI

81) Aumento da discriminação e violência verbal e física contra LGBTIs
82) Cessam as políticas de promoção da diversidade na educação
83) Fim da diretriz de promoção e defesa dos direitos da população LGBTI
84) Fim das campanhas específicas de prevenção às IST/Aids
85) Ataque às liberdades individuais e a diversidade: “meninas vestem rosa”, meninos vestem azul”
86) Guerra contra a chamada “ideologia de gênero”
87) Desconstrução do Estado laico: “o Estado é laico, mas esta ministra é terrivelmente cristã”, diz Damares Alves
88) Esvaziamento dos espaços de participação social
89) Legitimação da violência contra LGBTI
90) Retirada de direitos e discriminação

Cultura

91) Extinção do Ministério
92) Facada no Sistema S
93) Orçamento
94) A farsa das medidas de contenção econômica
95) Lei Rouanet
96) Petrobrás Cultural
97) Vitrine Petrobras
98) Caixa Cultural
99) Biógrafo de Frota na Secretaria do Audiovisual
100) O fim do pensamento crítico no governo

[Via Revista Forum]

 

Publicado em Política

O desempenho da economia brasileira nos próximos anos será desastroso, com uma média de 450 mil novos desempregados por ano e uma redução de um ponto no Produto Interno Bruto (PIB), caso seja aprovada a PEC da Previdência, defendida pelo governo de Jair Bolsonaro (PSL). É o que afirma o economista Marcelo Manzano, pesquisador do Centro de Estudos Sindicais de Economia do Trabalho (Cesit) da Unicamp.

Segundo ele, a premissa do governo de que a reforma da Previdência, como está posta, vai salvar a economia é uma "bobagem" e terá efeito inverso, aumentando o desemprego e a desigualdade social.

“Essa afirmação é fruto de uma perspectiva muito particular e equivocada da equipe econômica liberal do governo de que o que determina o nível de emprego numa sociedade é o custo da mão-de-obra. Se for mais baixo, haverá uma maior demanda por trabalhadores. Isso não é verdade, infelizmente, é uma falsa associação que é feita com outros mercados, como o mercado de bananas, tomates etc. O mercado de trabalho não funciona assim. Há uma relação técnica entre o número de trabalhadores empregados e a atividade econômica”, disse o economista.

Logo, as ofertas de emprego só aumentam quando há crescimento da atividade econômica nos mercados de produtos e serviços. A redução da massa salarial dos aposentados e pensionistas, por sua vez, vai estagnar ainda mais a atividade econômica no país.

“O que define o nível de emprego, em última instância, é a demanda, ora, o que o governo está fazendo com a reforma da Previdência é encolher a demanda. É tirar da economia aproximadamente R$ 100 bilhões por ano, que são transferidos regularmente para os trabalhadores de baixa renda que tem um efeito multiplicador muito forte e rápido na atividade econômica. O governo está tirando R$ 100 bilhões da economia imaginando que haverá emprego porque o custo está mais baixo. Isso é uma bobagem de uma teoria econômica ortodoxa. E o que sustenta a teoria é um viés ideológico da equipe econômica”, disse.

De acordo com a análise de Manzano, é possível estimar que a retirada anual de R$ 68,7 bilhões dos pagamentos do INSS deverá reduzir o PIB em cerca de 0,5% ao ano. Já os recursos poupados com os cortes dos benefícios assistenciais – que o governo estima em R$ 1 trilhão em dez anos – deverão retirar do PIB aproximadamente R$ 32 bilhões anuais, isto é, outros 0,5% nesse período.

Portanto, as mudanças devem reduzir em um ponto percentual a taxa de crescimento anual do PIB até 2029.  Consequentemente, nas projeções de Manzano, o mercado de trabalho brasileiro irá perder aproximadamente 450 mil ocupações por ano, na melhor das hipóteses, ou seja, 0,5% da população ocupada. Em dez anos, o número se aproxima de 5 milhões de vagas de emprego a menos. 

Brasil de Fato questionou o gabinete da Presidência da República e Secretaria da Previdência, órgão ligado ao Ministério da Economia, sobre os dados apresentados pelo economista Marcelo Manzano que desmentem a projeção do governo sobre os efeitos da reforma. 

A Secretaria da Previdência indicou um estudo do Adolfo Sachsida, da Secretaria de Política Econômica (SPE), com uma projeção de criação de 8 milhões de vagas e um aumento de R$ 5.800,00 na renda de cada brasileiroaté 2023, se a reforma for aprovada. 

"Uma família de quatro pessoas, com pai, mãe e dois filhos, terá em 2023 aproximadamente R$ 24 mil a mais graças à reforma. É claro que esse efeito se distribui de acordo com as classes de renda da população", disse o secretário da SPE, em entrevista para a agência de notícias do governo.

O economista da Unicamp rebateu as informações do secretári:. "O argumento do governo não tem o menor sentido. O cálculo do Sachsida é de um primitivismo espantoso. Ele apresenta as perdas do PIB per capita nos anos de recessão, que foi causada pelas barbeiragens da ortodoxia neoliberal que cortou gastos públicos quando a economia estava desacelerando. Seria cômico se não fosse trágico, uma enorme irresponsabilidade para com o país e a população mais pobre", disse Manzano.

[Via Brasil de Fato]

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Três meses após Jair Bolsonaro assumir o governo, o desânimo e a insatisfação tomaram conta dos brasileiros. De acordo com a pesquisa Vox populi, encomendada pela CUT, o percentual de brasileiros insatisfeitos com relação ao Brasil subiu de 46% para 70%, entre setembro do ano passado, antes da eleição,  e abril deste ano, após cem dias de mandato de Bolsonaro. 

Do total, 53% declararam estar insatisfeitos e 17% muito insatisfeitos. Outros 26% disseram que estão satisfeitos, somente 2% muito satisfeitos e 2% não souberam ou não quiseram responder.

A pesquisa utilizou uma amostra nacional com 1.985 entrevistas, aplicadas em 120 municípios do país.

Entre os entrevistados que se consideram anti-Bolsonaro, o percentual de insatisfação é maior do que a média geral: 55% estão insatisfeitos e 26% muito insatisfeitos, totalizando 81% de insatisfação com o Brasil.

A insatisfação com o Brasil é grande até entre os que se declararam apoiadores de Bolsonaro: 44% estão insatisfeitos e 10% muito insatisfeitos – 54% no total.

As piores medidas

Entre as propostas do governo mais reprovadas pela população estão a diminuição dos direitos trabalhistas, com 73% de reprovação; o fim do aumento real do salário mínimo, reprovado por 68% dos brasileiros; e a reforma da Previdência (65% são contra).

O acúmulo de notícias ruins na área econômica aumentou o medo de perder o emprego e também o de não conseguir se aposentar e, consequentemente, cresce a cada dia a insatisfação com o Brasil e com os rumos que o país está tomando, na avaliação do presidente da CUT, Vagner Freitas.

Ele se refere a notícias recentes como a sexta redução da estimativa de expansão do Produto Interno Bruto (PIB) – a soma de todos os bens e serviços produzidos no país – que caiu de 1,98% para 1,97% este ano; a queda no Índice de Confiança da Indústria, medido pela Fundação Getúlio Vargas (FGV), que recuou 1,8 ponto de fevereiro para março - indicador caiu para 97,2 pontos, em uma escala de zero a 200, o menor nível desde dezembro passado; e os recordes de desemprego – em fevereiro país tinha 13,1 milhões de trabalhadores.

“É impossível estar satisfeito com essa conjuntura, com a paralisia da economia. Alie a isso as propostas do governo Bolsonaro - todas tiram direitos sociais e trabalhistas da classe trabalhadora e beneficiam os empresários - e está criado o quadro de insatisfação".

“As pessoas estão perdendo as esperanças de uma recolocação, de um emprego decente, de uma vida melhor. Isso é o resultado dos cem dias de desgoverno Bolsonaro”, diz Vagner.

As chances da vida melhorar

Logo após as eleições, em outubro de 2018, 56% dos brasileiros acreditavam que suas vidas e a de suas famílias iriam melhorar. Após três meses de governo Bolsonaro, esse número despencou para 22%, revela a última rodada da pesquisa CUT/Vox Populi.

Os percentuais dos que tinham esperança de uma vida melhor despencaram também entre os pró-Bolsonaro após cem dias de governo. Apenas 44% ainda têm expectativas positivas – em outubro o índice era de 85%. Outros 7% acham que a vida vai piorar e 49% que vai ficar tudo como está.

Os anti-Bolsonaro estão ainda mais pessimistas. A vida piorou para 52% dos entrevistados; melhorou para 7% e ficou igual para 40%.

Apesar da piora na expectativa após três meses de gestão, os brasileiros ainda acham que tudo pode mudar até o fim do ano. Segundo a CUT-Vox, 55% acham que até o fim de 2019 as suas vidas e as de suas famílias vão melhorar; 18% aposta na piora; e 27% que vai ficar tudo igual.

Entre os anti-Bolsonaro, os percentuais são: 27% acreditam em melhora, 40% em piora e 33% acham que vai ficar tudo igual.

Entre os pró-Bolsonaro, as expectativas aumentam ainda mais: 82% acreditam que até o fim do ano a vida vai melhorar; 16% que vai ficar igual e apenas 3% que vai piorar.

Governo irrelevante

Um dado da pesquisa chamou a atenção do diretor-presidente da Vox Populi, Marcos Coimbra: cerca de 60% dos entrevistados não lembram nada do que Bolsonaro fez desde que assumiu o governo no dia 1º de janeiro, nem uma notícia.

E dos 40% que citaram algo, a maioria falou sobre a reforma da Previdência, que dificulta a concessão da aposentadoria e reduz o valor dos benefícios, e a liberação de armas.

Para Coimbra, as pessoas não estão se informando sobre como as medidas do governo, a falta de articulação política e as indefinições e brigas internas em áreas importantes como a Educação, afetam suas vidas. Estão bem longe do debate em redes sociais como o Twitter, avalia.

 

Acesse aqui a íntegra da pesquisa

[Com informações da CUT]

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A cinco dias de completar 100 dias de governo, as avaliações positivas da gestão de Jair Bolsonaro (PSL) caíram 15% e as negativas subiram 9%, segundo a sexta edição da pesquisa mensal XP/Ipespe, realizada entre os dias 1º e 3 de abril, divulgada nesta sexta-feira (5).

De acordo com a pesquisa, a aprovação do governo de Bolsonaro caiu de 40% para 35% desde que ele tomou posse em 1º de janeiro deste ano. 

Já a reprovação segue tendência oposta, de alta. Em fevereiro, ela era de 17%, passou a 24% em março. Em abril, atingiu 26%. Só o percentual dos que consideram o governo regular se manteve estável, em 32%, nesses três meses.

 

A pesquisa também mostra queda, de 54% para 50%, no grupo que espera que o restante do mandato de Bolsonaro seja ótimo e bom.

Já entre os que esperam que o resto de mandato seja ruim ou péssimo aumentou de 20% para 23%.

O mais mal avaliado desde 1995

Em apenas três meses de gestão, o presidente de extrema direita já ostenta o título de mais mal avaliado entre os que foram democraticamente eleitos pelos brasileiros desde 1995. Seus quatro antecessores (Dilma Rousseff, Luiz Inácio Lula da Silva, Fernando Henrique Cardoso e Fernando Collor de Melo) foram melhores avaliados pelos brasileiros quando tinham três meses de governo.

Só ganha de Temer, o golpista

Bolsonaro só ganha do ilegítimo e golpista Michel Temer (MDB), vice que traiu a presidenta Dilma Rousseff (PT), se aliou ao candidato que perdeu a eleição de 2014, Aécio Neves, a mídia e ao Judiciário e deu um golpe de estado para usurpar o posto de presidente da República.

Com três meses de governo, as avaliações de Temer eram: 77% de ruim e péssimo, contra 26% de Bolsonaro; e 4% de ótimo contra 35% de Bolsonaro.

Metodologia

A pesquisa divulgada pela XP Investimentos foi realizada pela empresa Ipespe. O levantamento, feito entre os dias 1º a 3 de abril, ouviu 1.000 pessoas em todo o país.

A margem de erro é de 3,2 pontos percentuais e as entrevistas foram feitas por telefone.

[Via CUT]

Publicado em Política

Contra o fechamento da Fábrica de Fertilizantes Nitrogenados da Bahia (Fafen-BA), os petroleiros e petroleiras realizarão um ato nesta segunda-feira (1º), a partir das 7h, na rua Eteno, 2198, no Polo Petroquímico de Camaçari.

O diretor da FUP e do Sindicato dos Petroleiros da Bahia (Sindipetro-BA), Deyvid Bacelar, acredita que a mobilização será maior do que a ocorrida no final de janeiro, quando 2 mil trabalhadores e trabalhadoras denunciaram os impactos que a decisão da Petrobras poderia causar.

Segundo Deyvid, além da demissão direta de 750 petroleiros, os trabalhadores e trabalhadoras de outras empresas do Polo Petroquímico também correm o risco de perder o emprego. “A Fafen tem um papel central para o funcionamento do Polo de Camaçari, pois é responsável por fornecer insumos para as diversas empresas que compõem a cadeia produtiva da região”.

É o caso da empresa Carbonor S.A, situada no Polo Petroquímico de Camaçari e única detentora de tecnologia de produção de bicarbonato de sódio para uso farmacêutico, em especial para hemodiálise.

De acordo com a Carbonor, para tornar viável a utilização de CO2 gasoso é necessária uma fonte próxima à unidade processadora. Por essa razão, as duas empresas - Fafen e Carbonor - estão localizadas no mesmo complexo industrial. A Carbonor utiliza dióxido de carbono (CO2) na forma gasosa recebido por tubo via da unidade da Fafen-BA.

Além da Carbonor, outras empresas, como Oxiteno, Acrinor, Proquigel, IPC do Nordeste, PVC, e White Martins, também podem ser prejudicadas com a decisão.

Por isso, segundo Deyvid, além dos petroleiros, diversos sindicatos que representam os trabalhadores e trabalhadoras de outras empresas do Polo Petroquímico também estão mobilizados contra o fechamento da Fafen.

“Até mesmo os sindicatos patronais, que representam as empresas, estão dialogado e trabalhando contra o fechamento. Muitos deputados, vereadores, a prefeitura e o governo do Estado também estão negociando e tentando evitar essa tragédia”. 

A Fafen

Fundada em 1971, a Fafen-BA se estabeleceu como responsável por produzir diversos produtos, entre eles a amônia, que é um derivado do gás natural, empregado na produção de outros bens como uréia, sulfato de amônio e nitrato de amônio que são fertilizantes nitrogenados.

Os insumos fabricados são utilizados na indústria de alimentos, produção de cosméticos, indústria farmacêutica, produtos de limpeza, alimentação de animais, fabricação de resinas sintéticas, plásticos, entre outros.

Se for fechada, a Petrobras deixará de ter o controle de uma produção de 3.100 toneladas por dia de fertilizantes, que passará para as mãos de empresas privadas. Também serão arrendados os terminais marítimos no Porto de Aratu (BA), com capacidade de armazenagem e carregamento de 50 mil toneladas dos produtos.

Os números representam 30% de toda a produção brasileira. O país é o quarto maior consumidor de fertilizantes do mundo e, hoje, importa mais de 75% do que utiliza.

“A saída da Petrobras do segmento de fertilizantes, além de comprometer a soberania alimentar, coloca o país na contramão de grandes nações agrícolas, cujos mercados de fertilizantes estão em expansão”, alerta o coordenador-geral do Sindipetro-BA.

“Além disso, deixará o Brasil refém da oscilação de preços no mercado internacional, o que pode encarecer o preço de diversos produtos”, conclui Deyvid.

[Via CUT]

Publicado em Sistema Petrobrás

Em meio à grave crise política, social e econômica que atinge o povo brasileiro, a taxa de desemprego subiu e já alcança 13,1 milhões de pessoas, segundo pesquisa do IBGE, divulgada nesta sexta-feira, 29.

No último trimestre pesquisado, de dezembro de 2018 a fevereiro de 2019, cerca de 900 mil brasileiros perderam o emprego, o que fez o total de desempregados saltar de 12,2 milhões para 13,1 milhões. Ou seja, a taxa de desemprego aumentou 12,4% nesse período. 

O país também amarga um índice gigantesco de trabalhadores subutilizados, ou seja, os que desistiram de tentar uma vaga depois de muito procurar ou que continuam tentando, mas não conseguem, pois não há oportunidades no mercado de trabalho. São 27,9 milhões de brasileiros nesta situação, um número recorde desde o início da série histórica da Pnad Contínua do IBGE, iniciada em 2012. 

O país tem 11,1 milhões de trabalhadores sem carteira assinada, 23,8 milhões trabalhando por conta própria e 33 milhões com emprego formal (registrados em carteira). 

Para o presidente da CUT, Vagner Freitas, os dados comprovam que arrocho salarial e retirada de direitos não geram emprego e renda como tanto o ex-presidente, o ilegítimo Michel Temer (MDB) quanto o atual, Jair Bolsonaro (PSL), querem fazer os brasileiros acreditarem.

“Temer garantiu que a reforma Trabalhista geraria 8 milhões de empregos em dois anos, a equipe econômica de Bolsonaro disse que a reforma da Previdência pode gerar outros milhões de empregos. Não é verdade. As  reformas só beneficiam empresários e banqueiros. Para o trabalhador resta o desemprego, o desalento, a falta de perspectivas”, alertou o sindicalista.

 

Dados do trimestre de dezembro de 2018 a fevereiro de 2019:

- Desemprego cresceu para 12,4%, ou seja, são 13,1 milhões de trabalhadores sem emprego

- Taxa de subutilização da força de trabalho (24,6%) é recorde

- Número de desalentados (4,9 milhões de pessoas) é o maior da série do IBGE

- População fora da força de trabalho é recorde: 65,7 milhões de pessoas

- População ocupada ficou em 92,1 milhões de pessoas

- Empregados com carteira assinada somaram 33 milhões; e sem carteira, 11,1 milhões

- Trabalhadores por conta própria são 23,8 milhões

Confira aqui os gráficos do IBGE.

[FUP, com informações do IBGE e da CUT]

Publicado em Economia

O rendimento médio do trabalho das mulheres na região metropolitana de São Paulo teve retração de 1,6% de 2017 para 2018, valendo R$ 11,08 por hora. O valor equivale a 86% do recebido pelos homens.  Essa relação era de 87% em 2017. 

Os dados fazem parte de pesquisa realizada pelo Departamento Intersindical de Estatística e Estudos Socioeconômicos (Dieese) e pela Fundação Sistema Estadual de Análise de Dados de São Paulo (Fundação Seade), divulgada nesta quinta-feira (28). O estudo analisa a presença das mulheres no mercado de trabalho da grande São Paulo.

Apesar da taxa de desemprego das mulheres na região metropolitana ter diminuído 1,6 ponto percentual, passando de 19,7%, em 2017, para 18,1%, em 2018, a participação feminina no mercado de trabalho paulistano caiu de 55,1%, em 2017, para 54,2%, no ano passado.

"Mais mulheres do que homens saíram do mercado de trabalho em 2018, principalmente aquelas com 25 a 59 anos de idade. Parte dos fatos que explicam essa retração envolve a espera por uma melhora mais consistente da economia para o (re)início da procura ativa por trabalho. O adiamento da entrada de jovens também vem sendo considerado como um dos principais fatores de desaceleração do ritmo de participação feminina no mercado de trabalho. A pesquisa mostra que a taxa de participação das jovens com 16 a 24 anos vem se retraindo no decorrer dos anos e, em 2018, permaneceu relativamente estável", destaca o estudo.

Arranjos familiares

O número médio de pessoas nas famílias da região metropolitana de São Paulo diminuiu de 3,2 para 2,9 indivíduos, considerando os biênios 2007-08 e 2017-18. Isso ocorreu principalmente, segundo a pesquisa, pela redução do número médio de filhos, que passou de 1,3 para 1 filho por família.

O arranjo familiar é avaliado nas análises de mercado de trabalho, especialmente quando envolve as mulheres, pois muitas vezes elas se dedicam as atividades domésticas ou as conciliam com o trabalho remunerado.

O estudo Dieese/Seade aponta ainda que os formatos clássicos de família (casal com filhos), que compunham 44,5% do total de famílias em 2007-08 e passou para 37,9% em 2017-18. Também diminuíram a participação dos arranjos que incluem outros parentes ou agregados (de 16,9% para 14,8%).

Outros tipos de arranjos, como o em que a pessoa mora sozinha e o que é constituído por casal sem filhos, aumentaram sua proporção para 16,2% cada um. Os chefes sem cônjuge com filhos – situação em que as mulheres são maioria – são 14,9%.

A chefia preponderante ainda é masculina, mas está em queda nos últimos dez anos. Por outro lado, a proporção de mulheres chefes no total de famílias cresceu de 27,5%, para 33,1%.

Acesse aqui a íntegra da pesquisa

[FUP]

Publicado em Trabalho

As taxas recordes de desemprego, que em 2018 atingiram 12,2 milhões de trabalhadores e trabalhadoras, segundo o IBGE, o aumento da informalidade, da terceirização e o achatamento da renda dos trabalhadores e trabalhadoras, em especial depois do golpe de 2016, contribuíram para aumentar a concentração de renda no Brasil.

No quarto trimestre de 2018, a desigualdade no país atingiu o maior patamar desde 2012, de acordo com dados divulgados nesta terça-feira (26) pela Fundação Getúlio Vargas (Ibre/FGV), que leva em consideração a renda domiciliar per capita.

A pesquisa mostra que o Índice Gini do rendimento domiciliar per capita (que mede a desigualdade de renda entre os domicílios) subiu para 1,7% no 4º trimestre de 2018, o maior em sete anos. Foram 16 trimestres consecutivos de aumento. O Índice de Gini é calculado de 0 a 1, e quanto mais próximo ao 1, maior a concentração de renda.

E a desigualdade vai aumentar mais ainda, alerta o Dieese. E a principal responsável por isso é a reforma Trabalhista do ilegítimo Michel Temer (MDB), que precarizou o mercado com a legalização de contratos de trabalho intermitente, tempo parcial e terceirização geral e irrestrita.

“A reforma Trabalhista contribuiu para o achatamento dos salários com esses contratos precários, em que o trabalhador ou tem remuneração média menor, como no caso dos terceirizados, ou nem sabe quanto vai receber no fim do mês, como no caso dos intermitentes”, afirma a técnica da subseção do Dieese da CUT, Adriana Marcolino.

Ela lembra ainda que outras medidas que vão contribuir para aumentar a desigualdade são o congelamento dos gastos públicos durante 20 anos, que vai impactar em especial áreas como saúde e educação porque vai reduzir investimentos públicos nessas áreas e também na a assistência.

“A falta desses serviços acaba acarretando em mais aumento da pobreza e da desigualdade e só garante uma coisa: os empregadores vão lucrar mais”, diz Adriana.  

O aumento da desigualdade

No quarto trimestre de 2018, o índice atingiu o maior patamar da série histórica iniciada no primeiro trimestre de 2012. Foi quando a Pesquisa Nacional por Amostra de Domicílios Contínua (Pnad Contínua) começou a ser apurada pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE).

O pesquisador do mercado de trabalho no Ibre/FGV, Daniel Duque, disse ao Estadão/Broadcast, que divulgou a pesquisa com exclusividade que entre as razões para a piora na desigualdade de renda estão a dificuldade de trabalhadores menos qualificados aumentarem seus rendimentos e a dinâmica de reajustes do salário mínimo. “Na crise, a probabilidade de estar empregado e ter renda maior depende mais de o trabalhador ter qualificação”.

Além disso, o salário mínimo não tem ganhos reais desde 2015”, enumerou Duque, autor do levantamento.

Assim como o Dieese, ele ressaltou que “houve também muita geração de ocupação informal, que tem menores salários. E há um desalento muito grande ainda”.

Embora, no ano passado, o número de pessoas trabalhando tenha aumentado, a subutilização da força de trabalho segue elevada, lembrou Thiago Xavier, analista da Tendências Consultoria Integrada. São considerados “subutilizados” os trabalhadores à procura de emprego, os que não procuram uma vaga por acreditar que não encontrariam emprego ou os que estão ocupados, mas trabalhando menos horas do que poderiam ou gostariam, ganhando menos por isso.

“Precisa ter uma reação do mercado de trabalho (para reduzir a desigualdade)”, defendeu Xavier. “Precisa de geração de vagas formais, com salário médio maior, jornadas de trabalho que não fiquem aquém do desejado.”

Para isso, acrescenta a técnica do Dieese, Adriana Marcolino, o governo e a iniciativa privada precisam investir. “O que gera emprego e renda é crescimento econômico e esse crescimento depende de investimentos públicos e privados que, consequentemente, aumentam o consumo”.   

“Sem investimentos em máquinas, ciência, tecnologia e educação o país não voltará a crescer, muito menos gerar emprego decente e renda e, portanto, não conseguirá tão cedo diminuir a desigualdade”.

“A retirada de direitos só aprofunda as desigualdades e cria novos problemas para o país ter um crescimento sustentável de longo prazo mais efetivo”, diz Adriana.

[Via CUT]

Publicado em Economia

Passados dois meses, o governo de Jair Bolsonaro é visto como bom ou ótimo por apenas 38,9% da população. É o resultado da pesquisa CNT/MDA divulgada nesta terça-feira 26, a primeira pesquisa desde a posse do militar.

 A série histórica das pesquisas CNT/MDA mostra que o desempenho de Bolsonaro é o pior de estreia de mandato desde 2003, quando Lula tomou posse pela primeira vez. Na primeira pesquisa da CNT/MDA sobre o governo do petista, em janeiro daquele ano, a aprovação foi 56,6%. No segundo governo, a popularidade na primeira pesquisa chegou a 49,5%.

Os primeiros meses de Dilma Rousseff foram considerados bons ou ótimos por 49,2% dos brasileiros. Consideraram regular por 37,1% e ruim ou péssimo por 9,3%. No segundo mandato – em meio a polarização política, recessão e o início da Lava Jato – o desempenho da petista despencou: em março de 2015, a popularidade caiu a 10,8% e os que consideravam o governo ruim ou péssimo chegaram a 64,8%.

Os que avaliaram o governo Bolsonaro como regular foram 29%, e 19% consideram a estreia do pesselista ruim ou péssima. Outros 13,15% não souberam opinar. Foram ouvidas 2.002 pessoas, entre os dias 21 e 23 de fevereiro. Na avaliação pessoal, Bolsonaro é aprovado por 57,5% dos brasileiros. 28,2% desaprovam e 14,3% não souberam opinar.

CartaCapital não considerou a primeira pesquisa do governo Temer, já que o emedebista já fazia parte do governo e não assumiu a presidência via processo eleitoral. Caso fosse considerado, seria o mais impopular: marcou apenas 10,8% na aprovação de estreia.

Também não pudemos incluir FHC, já que a série histórica da CNT/MDA não engloba os oito anos de mandato do tucano – a primeira pesquisa é de 1998, e o presidente tomou posse em 1995. Naquele fim de primeiro mandato, tinha 32% de aprovação.

Mais sobre a pesquisa aqui

[Via Carta Capital]

Publicado em Política

Pesquisa qualitativa realizada pela Fundação Perseu Abramo, divulgada nesta segunda-feira (25), mostra que, para a maioria dos trabalhadores e trabalhadoras, o que a mídia e o governo definem, e exaltam, como “empreendedorismo” dos brasileiros é, na verdade, uma luta desesperada e diária pela sobrevivência, muito distante do mito de “liberdade” e de “trajetória de sucesso”. Os entrevistados também disseram que, depois do golpe de 2016, a vida piorou. Na época, além de entrarem na unviersidade, não tinham medo do desemprego.

O estudo, realizado no segundo semestre de 2018, revisitou 16 anos de trajetória laboral de 31 trabalhadores e trabalhadoras da construção civil, motoboys, vendedores ambulantes, manicures e trabalhadoras domésticas de diferentes regiões do Brasil.

Os resultados demonstram que não é a experiência e o aprendizado que necessariamente trarão melhoria das condições de vida para quem não têm vínculos empregatícios formais.

“A instabilidade permanente vira uma forma de vida para esses trabalhadores que estão na informalidade”, comenta Ludmila Costhek Abílio, coordenadora da pesquisa, doutora em Ciências Sociais pela Unicamp, onde trabalha como pesquisadora no Centro de Estudos Sindicais e Ciências do Trabalho (Cesit). 

O levantamento realizado pela Fundação Perseu Abramo também identificou os impactos das novas tecnologias na vida dessas pessoas, o surgimento de novas formas de associativismo em alguns desses setores e o aprofundamento da solidão em outros.

A queda do padrão de rendimentos e o aumento das horas dedicadas ao trabalho depois do golpe de 2016 é outro resultado da pesquisa. Essa tendência de maior esforço e menores resultados deve se ampliar a partir da chamada reforma Trabalhista, que institucionaliza a precarização do trabalho, legalizando-o, e também se for aprovada a reforma da Previdência proposta pelo atual governo, vista por analistas como um estímulo à informalidade.

Vida piorou depois do golpe de 2016

Nos governos dos ex-presidentes Lula e Dilma Rousseff, deposta dois anos depois de ter sido legitimamente eleita por mais de 52 milhões de brasileiros, os entrevistados disseram que tinham uma vida melhor, mais oportunidades para entrar na faculdade e comprar a casa própria e que não tinham medo do desemprego.

Nesse período, o Brasil chegou ao pleno emprego. Quando Lula assumiu em 2003, o país registrava taxa de 10,5% de desemprego. Quando terminou o segundo mandato de Lula, em 2010, a taxa era de 5,3%. Em 2014, final do primeiro mandato de Dilma, a taxa tinha caído para 4,3%.

Domésticas e manicures relataram que suas vidas mudaram durante os governos dos ex-presidentes Lula e Dilma. Falaram sobre a entrada delas ou dos filhos em universidades públicas federais ou em particulares por meio do ProUni; conquista da casa própria via financiamento ou Minha Casa Minha Vida; além do aumento do poder de compra. Nos governos do PT não tinham medo de perder o emprego. A situação começou a mudar após o golpe, com estagnação do mercado de trabalho.

Dois ambulantes entrevistados viram melhora nos negócios apesar da crise. Segundo eles, o desemprego e a piora na renda fizeram com que aumentasse o número de “sacoleiros”, seus principais clientes na madrugada. Os outros todos estão com grandes dificuldades financeiras.

No caso dos mototaxi/motoboy, a crise é evidente em todas as entrevistas e, segundo eles, a piora do mercado se dá tanto pela crise quanto pela atuação mais agressiva dos aplicativos.

Condições de trabalho

Sobre as condições de trabalho, a pesquisa constatou que não melhorou significativamente na última década. As domésticas e manicures, por exemplo, relataram ter melhorado suas condições de trabalho, seja diminuindo, quase que involuntariamente a jornada.

No caso das domésticas, ainda que às custas da formalidade, seja com melhores acessos a clientes, e até a conquista do negócio próprio no caso das manicures. Já os ambulantes relataram que o trabalho segue exaustivo e por muitas vezes degradante. Houve momentos de aumento de faturamento e consequentemente da renda, mas sempre com jornadas de mais de 10 horas por dia e nenhum grau de seguridade social.

> Leia aqui a íntegra da pesquisa.

[Via CUT]

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