Plebiscito realizado domingo teve a aprovação de 78% dos chilenos para a instalação de Assembleia Constituinte com membros exclusivos e paridade de gênero

[Com informações de Opera Mundi e TeleSur]

Os chilenos aprovaram neste domingo (25), com votação substancial, a criação de uma Assembleia Constituinte para redigir uma nova Carta Magna para o país, a fim de substituir a atualmente em vigor – feita ainda na ditadura de Augusto Pinochet, em 1980. De acordo a TeleSur, 78% dos chilenos decidiram em plebiscito aprovar a nova Constituição no país. Esta era uma das principais reivindicações dos protestos que tomaram conta do país no ano passado.

Além disso, os membros da constituinte serão 100% exclusivos, sem a participação de atuais detentores de cargos eletivos, e com paridade de gênero – metade de homens, metade de mulheres.

O presidente do Chile, Sebastán Piñera, fez um pronunciamento à nação na noite deste domingo e afirmou que os chilenos escolheram “a opção de uma assembleia constituinte”, confirmando a vitória da opção ‘aprovo’ no plebiscito.

O discurso foi feito ainda com apenas 36,3% dos votos apurados, mas a tendência já era irreversível.

Já desde antes do pronunciamento do presidente, milhares de chilenos já haviam ido às ruas em locais como Santiago, Valparaíso e Punta Arenas para celebrar a aprovação da Constituinte. O Palácio de la Moneda, sede do governo, foi iluminado com as cores da bandeira do país.

Cerca de 13 milhões de pessoas com direito a voto estavam aptas a ir às urnas para escolher o destino do país – o voto no Chile é facultativo.

Como foi a votação

No processo em que os chilenos aprovaram a Constituinte, cada eleitor recebeu duas cédulas. A primeira cédula tinha a seguinte pergunta: “Você quer uma nova Constituição?”. As opções de resposta eram “Aprovo” (que significava estar de acordo com que se inicie um novo processo constitucional) e “Rechaço” (que significava manter vigente a atual constituição).

A segunda cédula, por sua vez, fazia a seguinte pergunta: “Que tipo de órgão deveria elaborar a Nova Constituição?”. Neste caso, as alternativas eram  “Convenção Constitucional” (onde 100% dos integrantes devem ser pessoas sem cargo público eletivo vigente) e “Convenção Mista” (onde 50% dos integrantes também devem ser pessoas sem cargo público eletivo vigente, enquanto os outros 50%, 77 ou 78 membros, seriam deputados e senadores com mandato vigente atualmente).

O que está em jogo

A atual Constituição é a décima da história do Chile e a terceira mais longeva. Foi imposta em 1980 pelo ditador Augusto Pinochet – portanto, completou 40 anos de vigência neste 2020.

Vale recordar que, mesmo antes da Constituição de 1980, todas as constituições chilenas foram escritas pelos chamados “grupos de notáveis”. O Chile nunca teve uma assembleia constituinte e jamais uma mulher participou da elaboração das leis fundamentais do país.

Ao final do regime, em 1990, houve um processo de transição no país que não incluiu uma nova constituinte, mas sim uma série de reformas à constituição atual. Outra reforma constitucional aconteceu na primeira metade da década de 2000, durante o governo de Ricardo Lagos (2000-2006). Contudo, nenhuma delas alterou os alicerces do modelo de sociedade construído pelos Chicago Boys ­­– grupo de economistas formado na Universidade de Chicago que liderou a economia nos anos Pinochet –, que fazem do Chile berço e símbolo do neoliberalismo até hoje.

Esse neoliberalismo raiz foi o principal alvo de indignação da revolta social iniciada em outubro de 2019. Depois de um mês de manifestações diárias em todo o país, algumas com mais de 2 milhões de pessoas nas ruas, vários dias de toque de exército nas ruas com toque de recolher incluído e o presidente Sebastián Piñera escondido no Palácio de La Moneda, surgiu a primeira mudança concreta: uma reunião de emergência no Congresso levou os presidentes de quase todos os partidos a realizarem o que chamaram de “Acordo de Paz”, cujo principal aspecto foi a aceitação de todos em realizar um plebiscito constitucional, que é este que aconteceu neste domingo.

Inicialmente, o plebiscito deveria acontecer no dia 26 de abril, mas a pandemia do novo coronavírus – que teve seus primeiros casos no Chile na primeira semana de março – obrigaram um adiamento por 6 meses.

 

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Luis Arce, candidato apoiado por Evo Morales, vence eleição na Bolívia no primeiro turno, indica pesquisa de boca de urna. Vitória foi reconhecida pelo opositor, o neoliberal, Carlos Mesa

[Com informações de Diálogos do Sul | Foto: Ronaldo Schemidt/AFP]

"Recuperamos a democracia e a esperança". Essas foram as primeiras palavras do candidato do Movimento ao Socialismo (MAS), Luís Arce Catacora, após a divulgação da contagem rápida com 95% do padrão eleitoral, realizado pela empresa Unitel.

De acordo com os dados, o candidato, apoiado pelo ex-presidente Evo Morales, venceu as eleições realizadas neste domingo (18) já no primeiro turno. Os dados não são oficiais, mas uma pesquisa de boca de urna.

De acordo com o levantamento, Luís Arce obteve 52,4%; Carlos Mesa, 31,5% e Fernando Camacho, 14,1%.

O ex-presidente neoliberal da Bolívia, Carlos Mesa, reconheceu nesta segunda-feira (19) a derrota para Luis Arce. "A diferença entre o primeiro candidato e nós é ampla", afirmou Mesa, em vídeo divulgado pela jornalista Natália Urban, em sua conta no Twitter.

Desde a Casa do MAS em La Paz, ao lado de apoiadores, Arce saudou os bolivianos e destacou a jornada pacífica realizada no país.

"Vamos governar para todos os bolivianos, vamos construir um governo de unidade nacional", ressaltou antes de destacar seu compromisso com a retomada do desenvolvimento econômico do país.

Jeanine Añez, que se autoproclamou presidenta do país no ano passado, após o golpe de Estado contra Evo Morales também reconheceu o resultado eleitoral e a tendência demonstrada pela pesquisa de boca de urna.

"Ainda não temos a contagem oficial, mas pelos dados com que contamos, o sr. Arce e o sr. Choquehuanca ganharam a eleição. Felicito aos ganhadores e lhes peço governar pensando na Bolívia e na democracia".

A demora na divulgação da pesquisa de boca de urna, que historicamente é difundida a partir do fechamento dos centros de votação, gerou indignação em todos os setores do país.

Mais cedo, em conferência de imprensa, o ex-presidente Evo Morales reafirmou a vitória do MAS e pediu que as entidades do país reconheçam o resultado da votação.

De acordo com a lei eleitoral boliviana, para vencer em um primeiro turno, é preciso ter 50% mais 1 dos votos ou ter 40% mais um e abrir dez pontos percentuais em relação ao segundo colocado.


Confira a íntegra do comunicado de Arce


Quem é o novo presidente da Bolívia?

Luis Alberto Arce Catacora é economista, natural de La Paz graduado pela Universidade Mayor de San Andrés e foi ministro de Economia e Finanças durante 13 anos. Ele é considerado um dos responsáveis pelo chamado “milagre econômico”, quando a Bolívia foi o país que mais cresceu na América Latina durante quatro anos consecutivos.

Em 2018, o país sul-americano registrou um aumento de 4,7% do Produto Interno Bruto (PIB), batendo um recorde de US$ 40,8 bilhões, enquanto a média de crescimento mundial foi de 3,2% e regional 1,7%, segundo a Comissão Econômica para América Latina e Caribe (Cepal). A pobreza foi reduzida de 60% para 37%, de acordo com dados oficiais.

Entre 2017 e 2019, Arce esteve licenciado por 18 meses do cargo, devido a um tratamento de câncer no rim, que realizou no Brasil. 

O governo de Evo Morales nacionalizou o gás natural em 2006. A Bolívia é o país com a maior reserva de lítio do mundo. Sob o comando de Arce, o país estava fabricando veículos elétricos, com baterias produzidas por bolivianos em parceria com uma empresa alemã. Por isso, ele tem repetido que o golpe no país foi para tomar conta do lítio.

Gás e lítio foram combustíveis do golpe de 2019

Em artigo publicado no jornal Brasil de Fato, o ex-presidente da Petrobrás, José Sérgio Gabrielli, atualmente pesquisador do INEEP, ressalta que o golpe na Bolívia, que impediu que Evo Morales assumisse o seu novo mandato em 2019, não ocorreu no auge de uma crise econômica. "Ao contrário, a economia boliviana vinha crescendo e o principal contrato de fornecimento de gás natural do país com o Brasil estava em finais de negociações". Leia abaixo os principais trechos, da análise de Gabrielli, cuja íntegra pode ser acessada aqui.

O Gasbol transporta gás natural da Bolívia para o Brasil e os novos gasodutos construídos para a Argentina colocavam desafios para o setor de hidrocarbonetos do país, que vinha também aumentando a utilização interna do gás, tanto para o consumo doméstico, como para sua industrialização e geração de energia elétrica. O grande entrave era a queda dos investimentos que reduziu o volume de adições de novas reservas, colocando dúvidas sobre a capacidade da Bolívia atender aos diversos usos do energético. 

Várias disputas internas ocorreram no governo Evo Morales sobre as políticas a serem adotadas pela YPFB, estatal boliviana, que viveu uma grande descontinuidade administrativa, com inúmeras mudanças de diretorias. Um dos temas mais recorrentes era o grau de estatização que o país deveria buscar, em relação as empresas internacionais que atuavam no país, incluindo a Petrobras, além da Repsol, Shell, BP e PDVSA. A questão chave era a decisão de investimento tanto exploratório, como de completação e gestão contínua da produção, que permaneciam nas mãos das empresas internacionais, mas que também não seria possível de ser bancada financeiramente pelo orçamento estatal. As negociações ocorriam e os destinos do governo se associavam aos destinos do gás natural. 

Nos últimos anos, uma nova perspectiva se abriu com as possibilidades de grandes reservas do mineral raro lítio na Bolívia, onde se encontram as suas maiores reservas do mundo. O lítio é um mineral chave nas baterias para armazenamento de energia, indispensáveis para a expansão do uso e fabricação de veículos elétricos, assim como para a expansão das energias renováveis, mas intermitentes, como a eólica e solar.  

O governo Morales criou a Yacimentos de Litio Boliviano (YLB) e o governo golpista mudou, em dois meses, três vezes a sua diretoria. Uma semana antes de sair do governo, Evo, pressionado por lideranças locais de Potosi, rompeu uma aliança com uma empresa alemã para industrializar o hidróxido de lítio, usado nas baterias. Os habitantes da região de Uyuni querem mais contrapartidas para os habitantes locais na exploração de suas reservas do mineral. De acordo com a legislação boliviana a exploração do lítio é um monopólio estatal, só se permitindo a presença estrangeira na sua industrialização. Há controvérsias sobre se o hidróxido do lítio configura uma industrialização ou é apenas uma melhoria do produto extrativista, nesse case devendo ser um monopólio do estado. 

Para complicar a situação geopolítica atual da exploração do lítio, várias empresas chinesas já demonstraram interesses em participar dos empreendimentos, assim como a empresa Tesla, maior produtor mundial de veículos elétricos, explicitamente assumiu sua participação no golpe que derrubou o governo, assim como expressa seu interesse em ter presença no setor.

 

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[Da imprensa da CUT]

A história da Central Única dos Trabalhadores (CUT), a maior central sindical da América Latina e a quinta maior do mundo, entra em uma nova fase, um novo ciclo, nesta sexta-feira, 28 de agosto, data em que completa 37 anos de existência.

Fundada em 1983, em plena ditadura militar, a CUT ajudou a escrever a história da redemocratização do Brasil e da luta pela emancipação da classe trabalhadora brasileira.

Ao longo desses 37 anos, a Central foi fundamental para a elaboração de importantes políticas de proteção aos trabalhadores. Entre elas, a lei que garantiu direitos às empregadas domésticas, a regulamentação de jornadas de trabalho, além do fortalecimento do setor público, da agricultura familiar e da elaboração e implantação da política de valorização do salário mínimo, durante o governo de Luiz Inácio Lula da Silva (PT) e, mais recentemente o pagamento do auxílio emergencial de R$ 600,00 que Jair Bolsonaro (ex-PSL), a princípio queria pagar apenas R$ 200,00.

Agora, os desafios impostos pelos novos tempos, de ataque sistemático às conquistas dos trabalhadores, remetem as lutas da CUT e do movimento sindical ao início da trajetória da Central.

O presidente da entidade, Sérgio Nobre, afirma que, 37 anos depois, a CUT se depara com a mesma pauta da época em foi fundada: a luta pela democracia.

“A CUT nasceu lutando pela democracia e hoje temos um governo autoritário que defende a ditadura, ataca e suprime as liberdades e quer destruir o movimento sindical e todas as formas de defesa dos direitos da classe trabalhadora”, afirma.

Sérgio diz ainda que a CUT, portanto, é “mais atual do que nunca”, porque reforça seu papel de defesa da democracia e dos trabalhadores, que hoje precisam ser protegidos para não perderem o que foi conquistado com esforço, suor, e a luta incansável do movimento sindical ao longo desses anos.

O dirigente ressalta que a realidade em 2020 apresenta uma difícil batalha para os trabalhadores: a retirada de direitos, os ataques às políticas de proteção social, que têm sido constantes desde o golpe de 2016 contra a ex-presidenta Dilma Rousseff (PT) ,e  que vem se aprofundando durante o governo de Jair Bolsonaro, e a chamada ‘modernização’ do mercado de trabalho, que nada mais é do que precarização.

CEDOC/ CUTCEDOC/ CUT
Lula na fundação da Comissão Nacional Pró-CUT, dois anos antes, em 1981.

Desafio maior: proteger trabalhadores nas novas formas de contratação

O presidente da CUT ressalta que os novos métodos de exploração da mão de obra, aliados à utilização das novas tecnologias no trabalho, não são nada modernos e, neste cenário, a CUT tem como desafio principal organizar, representar e proteger esses trabalhadores para que o Brasil “não viva um retrocesso de cem anos”.

Nobre critica as novas formas de contratação e a informalidade, impostas pelo capitalismo, que estão jogando os trabalhadores cada vez mais para um cenário de precarização das relações trabalhistas.

A ‘uberização’ do trabalho, representada, em especial, por motoristas e entregadores de aplicativos, tem sido a forma de sobrevivência de muitos trabalhadores que, por causa da crise econômica aprofundada pela falta de uma política econômica com geração de emprego e renda, não conseguem trabalho formal, com garantia de direitos.

“Não podemos ir pelo caminho de que o moderno é não  ter direito algum, não ter férias, nem 13° salário. Isto é exploração para enriquecer os patrões.  escravidão”, diz Nobre, reforçando que “moderno é garantir direitos” , e este é fio condutor da luta da CUT em todos os tempos.

Ainda, segundo Sérgio Nobre, esses são os desafios principais daqui em diante.  “O governo atual quer impor menos direitos, como é o caso da Carteira Verde e Amarela, com argumento de gerar empregos, ignorando que os trabalhadores, ao longo da vida adoecem, sofrem acidentes e têm que ter um amparo social”, diz ele.  

Nossa luta é uma luta civilizatória. A CUT está aberta a debater qualquer forma de contratação desde que haja direitos, proteção, segurança contra o desemprego e aposentadoria decente para o trabalhador que não tiver mais idade para trabalhar
- Sérgio Nobre

Para a secretária-geral da CUT, Carmen Foro, “mais que nunca, a luta de classes é gigante, e que a ideologia capitalista joga os trabalhadores ao individualismo”. Ela diz que esse individualismo, conhecido no mercado de trabalho como “empreendedorismo”, nada mais é do que deixar o trabalhador à mercê da própria sorte, sem nenhum amparo.

“Vivemos um momento de muito individualismo, que transforma trabalhadores como os entregadores por aplicativo, em novos escravos da sociedade”, diz.

Um trabalhador da Uber, dia e de noite no volante para poder sobreviver, sem direito a nada, pode, se ficar doente amanhã, não ter o que comer no outro dia
- Carmen Foro
CEDOC/ CUTCEDOC/ CUT
1º Conclat em 1983 -Fundação da CUT

 Novo ciclo de exploração

Carmen Foro reforça que a nova fase do capitalismo é “agressiva como nunca se viu e nos impõe uma reformulação”.

Para ela, esse é um dos momentos mais bárbaros do sistema capitalista e a pandemia do novo coronavírus (Covid 19) faz com que a situação se agrave, já que existe um novo ciclo de exploração, expropriação de recursos naturais e, principalmente, um acúmulo de riquezas. Esses são, segundo ela, outros desafios para continuar a defesa dos trabalhadores, diante de uma luta de classes que se aprofunda.

“O mundo mudou e a CUT está se reinventado para o próximo período, por conta de todas as mudanças. O novo comportamento do capital e as novas tecnologias, por enquanto, estão a favor do capitalismo e elas precisam estar, na verdade, a favor dos trabalhadores”, diz Carmen Foro.

Apesar dos ataques feitos nos últimos anos, Carmen diz que, que há muito o quê celebrar nesses 37 anos de história da CUT, o que dá forças para a luta do próximo período.

“Nunca vivemos um momento como esse e, por isso temos que lutar, nos organizar e reafirmar o papel dos sindicatos que já existem há mais de cem anos e sempre serão necessários e fundamentais para a classe trabalhadora”, afirma a secretária-geral da CUT. 

Importância da CUT

Para o vice-presidente da CUT, Vagner Freitas, a Central continua sendo essencial “ e mais ainda” do que já foi para os trabalhadores e trabalhadoras do Brasil, neste momento.

“Estamos vivendo uma fase em que uma nova realidade existe e temos novas formas de organização no mundo do trabalho, com maior informalidade e a luta da CUT é para manter direitos”, diz Vagner Freitas.

O trabalho, segundo ele, está sendo reinventado por consequência das novas tecnologias e das investidas contra os direitos dos trabalhadores e que a CUT é essencial para a “recontratação dos direitos dos novos trabalhadores que surgem e dos trabalhadores que já existiam anteriormente e que terão agora suas plataformas modificadas”

Ele explica que haverá “um novo professor, um novo metalúrgico, um novo químico, um  novo bancário e haverá outras categorias que surgirão por conta dessa renovação tecnológica”.

Mas reforça que “vai continuar existindo trabalhadores de um lado e empregadores de outro”. E, por isso, ele diz, é necessária a presença dos sindicatos para a representação. “E isso é papel dos sindicatos da CUT, que são sindicatos fortes, combativos e de transformação da sociedade”.

Para Vagner Freitas, a CUT é a soma da força de seus sindicatos, por isso, “nos 37 anos da Central, o grande parabenizado é o sindicato de base, que constrói e mantém a CUT no dia a dia”.  

Golpe de 2016

O movimento sindical vem sofrendo ataques desde o golpe de 2016 que derrubou o governo popular, legitimamente eleito, de Dilma Rousseff e alçou ao poder a elite voltada apenas a defender os interesses do capital.

Sérgio Nobre, presidente da CUT, afirma que, em todos os governos autoritários, os primeiros a serem atacados são os trabalhadores e seus representantes. “Em uma ditadura há a prisão, a intervenção de sindicatos e organizações representativas, o fim dos direitos e da liberdade”, diz.

Um dos principais ataques ao movimento sindical foi a reforma Trabalhista, que fez as relações de trabalho retrocederem ao patamar de 70 anos atrás e atacou o financiamento das entidades com o fim do imposto sindical.

Vagner Freitas, que à época do golpe era presidente da CUT, afirma que o Brasil passou por uma tragédia com o golpe, seguido da prisão injusta de Lula. “Sabíamos que, na verdade, o ataque era contra os trabalhadores, contra a democracia brasileira. Sempre dissemos isso e hoje estamos vendo é figuras como o ex-ministro da Justiça de Bolsonaro e ex-juiz, Sérgio Moro, ser desmascarado em sua atuação, que claramente teve o objetivo de tirar Lula da disputa na eleição presidencial de 2018”, lembra o vice-presidente da CUT.

“Falávamos naquela época que não era pura e simplesmente uma defesa de um partido político, ou de um presidente. Era uma defesa dos trabalhadores, dos sindicatos, porque no fim daquilo, os sindicatos seriam atacados e o trabalhador não teria um instrumento de luta para se defender. Por isso, a luta que nós fizemos e continuamos fazendo até agora”. 

Fundação da CUT

O ano de 1983 foi decisivo na história do movimento sindical brasileiro. Desde o começo da década, a classe trabalhadora estava mobilizada para que suas reivindicações fossem atendidas e lutava por liberdade, pelo fim da ditadura militar. A repressão já não conseguia impedir que a classe trabalhadora se organizasse.

Foi assim que entre 26 e 28 de agosto de 1983, trabalhadores e trabalhadoras urbanos e rurais, vindos de todas as regiões do Brasil, promoveram o Congresso Nacional da Classe Trabalhadora, um encontro que mudaria a trajetória da luta sindical no país. O  primeiro presidente a ser eleito foi o metalúrgico, Jair Meneguelli. 

O Congresso, na cidade de São Bernardo do Campo, em São Paulo, reuniu 5.059 delegados e delegadas de 912 entidades sindicais, centenas de observadores e apoiadores, convidados internacionais e representantes da sociedade.

A presença massiva mostrava que os trabalhadores e as trabalhadoras haviam atendido ao chamado de fundar a sua central sindical. No dia em 28 de agosto de 1983, foi fundada a CUT - Central Única dos Trabalhadores, entidade que, no seu nascimento, representava 12 milhões de trabalhadores e trabalhadoras da cidade e do campo.

A CUT nasceu forte e reconhecida pelo movimento sindical internacional. Em poucos anos se tornaria numa das maiores centrais sindicais do mundo e uma das entidades mais representativas da sociedade civil brasileira. 

[*Matéria editada por Rosely Rocha]

Publicado em Movimentos Sociais

[Do portal da CUT]

A greve geral de 21 de julho de 1983, que completa 37 anos nesta terça-feira (21), foi considerada importante para a história da classe trabalhadora brasileira e um marco no sindicalismo brasileiro pelo tamanho, pela forma que foi organizada e pela época em que foi realizada, em plena ditadura militar, que durou de 1º de abril de 1964 até 15 de março de 1985.

'Fora Daqui o FMI' foi o grito que ecoou nas ruas daquela paralisação de 24 horas que aconteceu em diversas capitais em resposta a política econômica aplicada pela ditadura militar do governo do general Joao Batista Figueiredo.

 Subordinado ao Fundo Monetário Internacional (FMI), o então presidente da República jogou o ônus da crise nas costas do trabalhador e da trabalhadora, com uma série de decretos que mudaram as regras para a política salarial aumentando o arrocho salarial, vencimentos abaixo da inflação e menos investimentos na área social. A elevação do desemprego e do custo de vida foram as consequências imediatas da política econômica do general.

MEMORIAL DA DEMOCRACIAMemorial da Democracia
Cartaz da convocação da greve

A greve geral de 1983 mobilizou mais de dois milhões de trabalhadores e trabalhadoras diretamente e impactou outras mais 40 milhões de pessoas e foi o caminho encontrado pelo conjunto de mais de cem entidades sindicais para a luta em defesa dos direitos da classe trabalhadora. Porém, não foi uma mobilização que surgiu de um dia para o outro e nem foi convocada por uma única, grande e fenomenal liderança.

A greve geral de 1983 aconteceu porque foi protagonizada pela classe trabalhadora e uma das principais conquistas foi a criação da Central Única dos Trabalhadores (CUT), fundada em 28 de agosto, um mês após a paralisação.

A análise foi unânime entre os entrevistados pelo PortalCUT para falar sobre a greve. Um petroleiro, um historiador e uma arquiteta, que, de formas diferentes, participaram daquele momento.

Para Clara Ant, que fazia parte da Comissão pró-CUT, a união de diversas categorias, os anos de ditadura militar, as sucessivas ondas de lutas por melhores condições de trabalho, como as greves dos metalúrgicos no ABC ainda no final de 1979, a greve dos petroleiros, dias antes da greve geral, a luta pela anistia, o processo de construção do movimento por Diretas Já e mobilização para a criação da Central que aconteciam no período ajudaram a construir a greve geral de 1983.

MEMORIAL DA DEMOCRACIAMemorial da Democracia
Protesto na av. Rio Branco, centro do Rio de Janeiro, contra o endurecimento do arrocho salarial

“A retomada do movimento sindical e da busca por uma unificação das categorias se dava naquele período de luta. A 1º Conferência Nacional da Classe Trabalhadora [a Conclat] em 1981, que criou a comissão para construir a CUT, representou um passo gigante para classe trabalhadora durante o século XX inteiro, mas o estopim para a paralisação do dia 21 foi a greve dos petroleiros, que aconteceu dias antes, num momento de ruptura da ditadura em que uma categoria forte e muito organizada enfrentou a proibição de fazer o enfrentamento”, afirmou Clara, uma das fundadoras da CUT, se referindo Lei nº 4.330, conhecida como Lei Antigreve, vigente na época.

Em 5 de julho de 1983, os petroleiros da Refinaria Paulínia (Replan), no interior de São Paulo, davam início a uma greve que durou sete dias e teve adesão também dos trabalhadores da Refinaria Landulpho Alves (Rlam), na Bahia. Um movimento essencialmente político contra a ditadura e que estourou com um decreto de Figueiredo para cortar direitos dos trabalhadores de estatais e reduzir efetivos. A repressão policial foi violenta, inclusive dentro dos locais de trabalho. Sindicatos foram fechados, diretorias cassadas e teve até lista de demissões.


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SINDIPETROSindipetro
Mobilização da greve dos petroleiros

Segundo o petroleiro aposentado, Wagner Lima, a mobilização estava forte assim como a repressão e naquele momento a imprensa quase não noticiava o lado da categoria e ainda os chamavam de baderneiros para confundir a opinião pública e os familiares. Para ele, mesmo não sendo noticiada pela grande imprensa, a greve foi um divisor de águas na história da classe trabalhadora.

Wagner conta a greve foi articulada com os mais de 12 sindicatos da categoria que tinham na época, mas nem todos foram mobilizados e isso mostrou de fato a força e o compromisso dos sindicatos de luta com o trabalhador. E que foi a partir daqueles dias de paralisação que se deu, além da greve de 1983, uma evolução do processo negocial e da organização. 

Tribuna Metalúrgica

 TRIBUNA METALÚRGICA

“A gente tinha deito a discussão coletiva e houve um compromisso na plenária de dirigentes sindicais que iniciaríamos a greve e quando a coisa pegou só ficaram os Sindpetros [Sindicatos dos Petroleiros] de Paulínia e Campinas e da Bahia e isso o foi um choque. Toda pelegada, que se dizia pró-CUT afinou no momento mais importante e isso nos mostrou que de CUTistas não tinham nada. Mas mesmo assim, permanecemos em protesto por uma semana, com apoio de diversos trabalhadores, inclusive dos bancários de São Paulo, e vimos estourar logo depois a greve geral”, afirmou Wagner, que naquela época se tornou dirigente sindical.  

Diversos setores da sociedade, estudantes, partidos de esquerda, Ordem dos Advogados do Brasil (OAB), Associação Brasileira de Imprensa (ABI), entre outros, se solidarizaram com os trabalhadores, manifestando-se publicamente contra o decreto. Várias bases de petroleiros aderiram ao estado de greve no  Rio Grande do Sul, Pará, Minas Gerais, Cubatão e Duque de Caxias. Os metalúrgicos do ABC também se solidarizam com a luta no IV Congresso da categoria e nos dias 7 e 8 os trabalhadores e trabalhadoras começaram também com passeatas, paralisações e mobilizações contra o governo e a ditadura do país.  

“Os trabalhadores e seus movimentos tiveram relevância naquele processo da redemocratização e muita luta e a construção dessa memória coletiva mostra que a classe trabalhadora é sujeito de transformação social. E a CUT é prova disso”, afirma o historiador e coordenador do Cedoc da CUT, Antonio Marques, o Toninho, se referindo às reivindicações de 1983 que depois foram conquistadas, como o salário-desemprego e a redução da jornada de trabalho.

Tribuna Metalúrgica

TRIBUNA METALÚRGICA

No editorial da Tribuna Metalúrgica edição 69, que foi veiculada entre os meses de agosto e setembro de 1983, o então presidente do Sindicato dos Metalúrgicos do ABC, Jair Meneghelli, disse que a greve do dia 21 de julho foi a mais importante manifestação dos trabalhadores depois de quase 20 anos de ditadura militar. E que apesar de não ter atingido todo o território nacional, conquistou a adesão de importantes setores e categorias nos principais centros urbanos do país e ensinou-nos inúmeras lições.

Segundo ele, os trabalhadores demonstraram com seus protestos, que não aceitam pagar pela crise criada pelos patrões e pelo governo, como também não aceitam abrir mão de seus direitos e reivindicações para aderir aos chamamentos de uma “conciliação nacional” ou de um “pacto social”, conforme querem as classes dominantes para manter o sistema de exploração e opressão.

Jair disse também que a greve provou que apesar de todo o boicote da imprensa, a classe trabalhadora está mais preparada e mais disposta a enfrentar, na luta, a política econômica do governo, mas que também era urgente uma renovação sindical.

O dirigente finalizou o texto dizendo que uma nova mobilização da classe trabalhadora seria decidida no próximo Conclat que aconteceria em agosto, quando foi fundada a CUT.

“Se erramos na greve do dia 21, foi por não termos dado um prazo para tais negociações e nem ter marcado a data da nova greve geral, que certamente seria muito mais ampla do que a última. Mas essa deverá ser uma decisão do Conclat, que esperamos possa corresponder a todas as esperanças e expectativas da classe trabalhadora”, disse o sindicalista.

Meneghelli coordenou dias depois, no dia 28 de agosto de 1983, a Direção Nacional Colegiada no Conclat que reuniu mais de 5 mil delegados, representando 12 milhões de trabalhadores da cidade e do campo em São Bernardo do Campo. A CUT foi fundada, tendo como principais eixos de luta pelo fim da ditadura, a revogação da Lei de Segurança Nacional e a garantia de liberdade e autonomia sindical.

Para saber mais

O livro “Nasce a CUT” de autoria historiador e coordenador do Cedoc da CUT, Antonio Marques, o Toninho, conta mais detalhes das lutas da classe trabalhadora daquele período e também da criação da CUT.

No site “memorial da democracia” tem uma linha do tempo que conta os 21 anos de resistência e luta também tem mais informações sobre a luta da classe trabalhadora.

 

Publicado em Trabalho

Em 05 de julho de 1983, os petroleiros da Refinaria de Paulínia (Replan/SP) iniciaram uma das mais importantes greves da categoria, que logo em seguida teve a adesão dos trabalhadores da Refinaria Landulpho Alves (Rlam/BA). Foram sete dias de enfretamento, em um movimento essencialmente político contra a ditadura, cujo estopim foi um decreto do general João Batista Figueiredo, para cortar direitos dos trabalhadores de estatais e reduzir efetivos.

Os militares ocuparam as refinarias, fizeram intervenções nos sindicatos, cassaram seus dirigentes e demitiram 358 petroleiros. Dez dias depois, em 21 de julho de 1983, cerca de três milhões de trabalhadores das mais diversas categorias cruzaram os braços na primeira greve geral da ditadura militar.

Em agosto do mesmo ano, a CUT foi fundada, tendo como principais eixos de luta o fim da ditadura, a revogação da Lei de Segurança Nacional e a garantia de liberdade e autonomia sindical. 

Conheça a história da greve de 1983

Uma das primeiras greves no período da Ditadura Militar a ser assumida pelos trabalhadores como essencialmente política, a moblização dos petroleiros em julho de 1983 representou um novo marco na história recente do movimento sindical brasileiro. A categoria desafiou a Lei de Segurança Nacional, parando a produção na Refinaria Landulfo Alves (RLAM), em Mataripe (BA) e na Refinaria Planalto (REPLAN), em Campinas (SP). Era o estopim para a primeira greve geral no Brasil, decretada após o golpe militar de 1964, e que parou o país no dia 21 de julho de 1983, abrindo caminho para a criação da Central Única dos Trabalhadores (CUT).

O cenário econômico em 1983 era favorável à série de mudanças políticas que estavam por acontecer. A crise econômica do governo Figueiredo fervilhava. Atendendo às determinações do FMI, o governo aumentava os juros para conter a inflação e cortava despesas, chegando ao ponto de baixar em maio o Decreto-Lei 2.025, que extingüia todos os benefícios dos empregados das empresas estatais. A reação dos trabalhadores foi imediata. No dia 16 de junho, 35 entidades sindicais e associações de funcionários públicos, incluindo os petroleiros da RLAM, aprovam o estado de greve, em protesto contra o decreto. Diversos setores da sociedade estudantes, partidos de esquerda, OAB, ABI, entre outros se solidarizaram com os trabalhadores, manifestando-se publicamente contra o decreto. Várias bases de petroleiros aderem ao estado de greve Campinas, Rio Grande do Sul, Pará, Minas Gerais, Cubatão e Duque de Caxias.

O governo recuou, mas no dia 29 de junho, o general João Batista Fiqueiredo, assinou um novo decreto, o 2.036, atacando diretamente os direitos dos funcionários das estatais acabou com o abono de férias, as promoções, os auxílios alimentação e transporte, o salário adicional anual e a participação nos lucros, só para citar alguns. Menos de uma semana depois, em 05 de julho, os trabalhadores do turno da noite da REPLAN entram em greve, desafiando a truculência do regime militar. A pauta de reivindicações era essencialmente política contra o arrocho salarial, à manipulação do INPC, o Decreto-Lei 2.036, o entreguismo governamental e o acordo com o FMI. No dia 07 de julho, interventores, acompanhados de agentes da Políca Federal, invadem o sindicato de Campinas, cassando os seus dirigentes.

A reação dos trabalhadores não tardou, com a greve se alastrando e atingindo a RLAM. Os metalúrgicos, químicos e trabalhadores em transporte do ABC paulista também param. Na Refinaria do Vale do Paraíba (REVAP), o movimento já estava prestes a ser deflagrado, mas a polícia agiu rápido, frustando a ação dos grevistas. O governo intervem nos sindicatos dos metalúrgicos em São Bernardo do Campo e Diadema e no sindicato dos petroleiros em Mataripe (BA).

O Exército entra de prontidão no ABC e, no dia 9 de junho, 153 trabalhadores foram demitidos em Paulínia e 205 em Mataripe. Diante de tamanha repressão, a unidade dos trabalhadores começa a ser enfraquecida. No dia 11 de julho, os metalúrgicos e os petroleiros suspendem a greve. Se por um lado os trabalhadores não tiveram naquele momento as suas reivindicações atendidas, por outro deram o passo decisivo para impulsionar a primeira greve geral da ditadura militar, no dia 21 de julho. Em 28 de agosto, os trabalhadores criavam a Central Única dos Trabalhadores. Nascia alí um sindicalismo autêntico e combativo, que mudaria para sempre as relações trabalhistas travadas no Brasil até então.

Esquecer a história é esquecer quem somos

Esquecer a história é esquecer quem somos, assim como celebrar a história é lembrar como chegamos aqui. A greve de 83 é um dos momentos mais importantes do sindicalismo brasileiro, é um registro de coragem que nos inspira até hoje. Os companheiros e companheiras que se colocaram a frente de todos aqueles riscos, são heróis e heroínas dos nossos tempos.

Cada petroleiro e petroleira deve carregar no peito com orgulho e coragem pertencer a categoria que, em plena ditadura militar, cruzou os braços para lutar contra o arrocho salarial, a manipulação do INPC, o Decreto-lei nº 2.036 e contra o acordo com o FMI.

Nossos companheiros e companheiras da RLAM (BA) e da REPLAN (SP) desafiaram a lei de segurança nacional, iniciando um movimento que acabou por ser a centelha da primeira greve geral do país, desde o golpe de 64, greve que acabou por abrir caminho para a criação da Central Única dos Trabalhadores.

Que nossa história nunca se perca! Que tenhamos sempre a união dos companheiros e companheiras de 83, porque defender a Petrobrás é defender o Brasil!

[Da imprensa da FUP e do Sindipetro-BA]

Publicado em Trabalho

A Central Única dos Trabalhadores (CUT) repudia as manifestações neofascistas realizadas neste domingo (19), que atentaram contra as conquistas democráticas e a saúde do povo brasileiro, rompendo com o isolamento social imprescindível para a contenção da pandemia do novo coronavírus (Covid-19).

A participação ativa do presidente Jair Bolsonaro na manifestação em frente à sede do comando geral do Exército em Brasília, viola a Constituição Brasileira, incitando manifestantes a atacarem as instituições da República, em meio a faixas que pregavam a volta da ditadura, do AI-5, o fechamento do Congresso Nacional e do Supremo Tribunal Federal, constitui crime de responsabilidade passível de afastamento do cargo. Além disso, mais uma vez evidencia a corresponsabilidade de Bolsonaro pelas contaminações e mortes advindas da quebra do isolamento insuflado e promovido por ele.

O pronunciamento de Bolsonaro, de caráter golpista, autoritário e subserviente aos interesses do capital internacional, num tom de clara beligerância, está longe de ser considerado fruto de sua desmedida ignorância, irresponsabilidade ou incapacidade. Ao contrário, evidencia o pensamento de quem nunca escondeu seu desprezo pela democracia e suas instituições.

O compromisso de Bolsonaro com o poder econômico e o grande empresariado está acima de tudo, até mesmo da vida da população que ele teria a obrigação de proteger.

A maior expressão do seu descompromisso com a vida do povo brasileiro, além do flagrante desrespeito às normas da OMS no combate à pandemia são as reiteradas medidas tomadas pelo governo para retirar direitos dos trabalhadores e trabalhadoras, como a MP 905, que caducou nesta segunda. Tanto esta MP como outras medidas de Bolsonaro já aprovadas têm como objetivo reduzir a renda da população em até 30% e fazer dobrar o número de desempregados no país nos próximos meses, trazendo mais e mais sofrimento para a classe trabalhadora.

A pandemia da Covid-19 se abate sobre um Brasil que já estava em crise, fruto da ampliação da desigualdade social, da dependência externa e do “estado de exceção”, como resultado da aplicação do programa dos golpistas. A pandemia agrava a crise econômica, a crise social e política e nos coloca diante da necessidade de apresentar, não apenas políticas emergenciais, mas também uma saída política: o conjunto das forças democráticas e dos setores populares deve dar uma resposta à altura e impor um fim ao governo Bolsonaro.

Cobramos das instituições agredidas uma reação à altura das violações de Bolsonaro, em especial do Congresso Nacional e do Supremo Tribunal Federal. É preciso ações concretas e legais que mudem o curso da trajetória autoritária traçada pelo ocupante do Palácio do Planalto.

A defesa consequente da soberania e da democracia depende da mobilização massiva da classe trabalhadora, em toda a sua diversidade, pela defesa dos direitos – que vêm sendo ampla e sistematicamente atacados e destruídos pelo programa ultraneoliberal daqueles que colocaram Bolsonaro na Presidência da República. 

A CUT reafirma o seu compromisso com a democracia, as liberdades democráticas e o estado democrático de direito, porque a classe trabalhadora é sempre a maior vítima dos regimes autoritários.

Para redobrar os esforços para dar fim ao governo Bolsonaro e barrar o golpe que está em curso, a CUT faz um chamado à unidade das centrais sindicais, de todos os movimentos sociais e populares, organizações políticas e personalidades comprometidas com a defesa da soberania, da democracia e dos direitos do povo brasileiro.

Continuaremos mobilizados e lutando para que a democracia tenha cada vez mais o papel de emponderar a classe trabalhadora, reduzir as desigualdades sociais e econômicas do nosso povo e para a tarefa histórica urgente e incontornável de derrotar esse governo antes que ele acabe com o país, intensificando unidade, organizando e mobilizando a luta pelo Fora Bolsonaro.

Fora Bolsonaro!

Fora Presidente da Morte

Executiva Nacional da CUT

Publicado em Política

 O longa brasileiro Democracia em Vertigem, disponível desde 19 de junho no catálogo da plataforma de streaming Netflix, está entre os finalistas na categoria de Melhor Documentário do Oscar 2020. O filme concorre com American FactoryThe CaveHoneyland e For Sama.

O documentário da cineasta Petra Costa narra os eventos que transformaram o panorama político do Brasil desde o golpe contra a então presidenta Dilma Rousseff (PT), em 2016, culminando, em 2018, com a eleição de Jair Bolsonaro (PSL) à presidência da República.

Petra imprime sua visão pessoal deste período à obra, combinando relatos do passado político e industrial de sua família e falas de lideranças antigas e atuais — entre elas, os ex-presidentes Dilma Rousseff e Luiz Inácio Lula da Silva, que aparecem em cenas de bastidores.

O filme foi bem recepcionado em eventos em todo o mundo. Após sua estreia no Festival de Sundance (leia no site do festival, em inglês), nos Estados Unidos, o jornal The New York Times teceu elogios. “Um documentário absolutamente vital (…) Petra usa seu filme para explicar a história complicada do Brasil e avisar que mesmo uma democracia aparentemente estável e próspera pode cair no caos em instantes”, disse o crítico Noel Murray.

A revista Variety também havia posicionado o filme em uma lista de “10 documentaristas para assistir em 2019”. O portal norte-americano Indie Wire foi mais incisivo: “Uma visão assustadoramente pessoal sobre o início de uma ditadura de extrema-direita”.

À época de sua estreia na Netflix, o filme comoveu espectadores. “Fiquei muito emocionado. Chorei pouco, não como ela”, disse o músico Caetano Veloso, que assistiu em sua casa, ao lado da apresentadora e atriz Mônica Iozzi. “É difícil não chorar nada. Tem a perspectiva dela e a histórica, tem os pais dela. A série de coisas é muito nítida a feição dessa história”, completou Caetano.

O ex-deputado Jean Wyllys (Psol-RJ) também falou em suas redes sociais sobre o documentário no período de sua estreia. “É impressionante como a Petra conseguiu traçar um elo entre nosso passado recente e nosso passado mais distante. E mostrar o que restou do passado distante de mais infeccioso, a ponto de infectar nossa democracia. Petra se implica na história, conta uma história que é dela e também nossa. Eu, envolvido nos fatos, ao vê-los de fora do país, me doeu muito”, disse.

Assista ao treiler do documetário, que está disponível na plataforma Netflix: 

[Via Rede Brasil Atual]

Publicado em Movimentos Sociais
Segunda, 11 Novembro 2019 14:37

Medo a Lula é medo da Democracia

Por Marcelo Zero, sociólogo, especialista em Relações Internacionais

Steve Bannon, o líder da ultradireita mundial deu a senha: Lula é a grande liderança da “esquerda globalista” e provocará “grande perturbação”.

Por aqui, os meios de comunicação já se perfilaram e começam a criminalizar Lula livre.

A tese é de um tal ridículo que provoca espanto, mesmo levando em consideração os padrões de indigência mental da nossa grande imprensa. Segundo ela, Lula solto vai radicalizar a política brasileira e contribuir para definhar o “centro político”. Equiparam, assim, Lula a Bolsonaro. Acredite, se quiser.

Nada mais grotesco e equivocado. As diferenças entre os dois são abissais. 

Em primeiro lugar, Lula é um autêntico democrata. Alguém que construiu sua carreira política na luta pela redemocratização do Brasil. Alguém que foi preso durante a ditadura militar simplesmente por liderar greves por melhores salários. Alguém que participou de todas as lutas libertárias do Brasil. 

Já Bolsonaro é um fascista assumido. Alguém que sempre defendeu ditaduras. Alguém que sempre elogiou torturadores. Alguém que sempre pregou a eliminação física de adversários.

Em segundo lugar, Lula fez um governo muito moderado de conciliação nacional. Tirou dezenas de milhões de pessoas da miséria, diminuiu bastante a desigualdade, aumentou as oportunidades para os historicamente excluídos, mas não prejudicou os interesses das elites tradicionais. Ao contrário, em seu governo, os empresários, principalmente aqueles que produziam para o mercado interno, lucraram muito, pois houve aumento exponencial do consumo, com a dinamização do mercado de massa. Lula, um mestre da negociação, tornou-se admirado em todo o mundo justamente por sua capacidade de conciliar democraticamente interesses diversos. 

Já Bolsonaro faz um governo de confrontação constante, baseado num feroz discurso de ódio. Não negocia e não procura conciliar, apenas ataca. Ataca até mesmo antigos aliados. Ao contrário de Lula, que fez um governo para todos, faz um governo para poucos.  Beneficia o grande capital, nacional e estrangeiro, e ataca barbaramente os direitos e os interesses das classes mais baixas. Busca incansavelmente o bem-estar da sua família e de alguns aliados e dedica-se a perseguir, de forma implacável, quem julga serem seus inimigos. Bolsonaro não é apenas uma personalidade fascistoide, é um fascistoide tosco e primitivo, com uma visão de mundo provinciana e miliciana. 

Assim sendo, equiparar os dois, identificando-os como polos opostos de um mesmo fenômeno político é de uma má-fé intelectual inacreditável. É, mutatis mutandis, algo semelhante a comparar Nelson Mandela com Hendrik Verwoerd, o criador do apartheid. 

Essa má-fé talvez provenha do fato de que o chamado “centro político” (ou boa parte dele) é aliado do bolsonarismo. Bolsonaro, um medíocre deputado do baixo clero, jamais teria chegado ao poder sem o apoio decisivo desse “centro político”, composto pela imprensa e pelos partidos tradicionais do centro e da direita, que apoiaram o golpe de Estado de 2016, a prisão sem provas de Lula e promoveram ferozmente o discurso de ódio contra o PT e a esquerda em geral. 

A característica principal das oligarquias brasileiras e latino-americanas de um modo geral é sua falta de compromisso real com a democracia e sua incapacidade de conviver com processos significativos de distribuição de renda, de combate à pobreza, e de ascensão social e política das camadas da população historicamente excluídas dos benefícios do desenvolvimento. 

No Brasil, como agora na Bolívia, por exemplo, governos que ampliam a democracia real, ampliam oportunidades e direitos, e permitem a ascensão dos historicamente excluídos provocam uma paura extrema nas oligarquias acostumadas, no máximo, a uma democracia restrita e excludente, que não ameace seus interesses de classe ou seu domínio tradicional sobre o sistema político.

Sempre houve aqui uma espécie de demofobia, o medo à perda de controle político das grandes massas pauperizadas. Perón, Getúlio (em seu segundo governo), João Goulart, Chávez, Correa, Lugo, Kirchner, Evo Morales etc. provocaram esse medo e esse ódio, sem nunca terem chegado sequer a se aproximar do socialismo, muito menos do comunismo. 

Lula, embora de perfil bastante moderado e conciliador, também. 

O medo a Lula não se justifica, portanto, por seu suposto perfil “radical” ou por um papel político disruptivo e violento, como é inegavelmente o de Bolsonaro e o de Steve Bannon. 

O medo e o ódio a Lula proveem de um medo à democracia real e inclusiva. Do medo da perda de privilégios. Do medo da perda de controle do sistema político. Do medo de cidadãos pobres críticos e atuantes. Da ansiedade em promover políticas neoliberais que assegurem e ampliem interesses de classe em tempos de crise. Do medo a revoltas populares, como a que acontece no Chile.

Bolsonaro e parte do “centro” político têm em comum o fato de quererem uma democracia restrita, controlável, sem processos de alargamento de direitos e de ascensão política e social das grandes massas. Caso isso acontecesse de novo, se uniriam para promover golpes, ainda que digitais e dissimulados. 

São eles os radicais, os violentos. Creio que foi Max Horkheimer que afirmou que o fascismo é a “verdade” do capitalismo. O capitalismo sem disfarces ideológicos. Bolsonaro, em toda a sua crueza tosca e autoritária, é a “verdade” das nossas oligarquias tradicionais e das classes médias conservadoras. Constrange, intimida, mas, por enquanto, cumpre o papel de defensor dos interesses das oligarquias nacionais e do capital internacional. 

Ambos, a ultradireita e o “centro” (ou parte dele) têm medo de Lula. Não por ser violento e radical, mas por representar a possibilidade de real ascensão econômica, social e política das grandes massas.

Assim, o medo e o ódio a Lula é o medo e o ódio à democracia real e substantiva. É, sobretudo, medo e ódio ao povo. 

[Via Brasil 247 |Foto: Paulo Neves/FUP]

Publicado em Política
Segunda, 11 Novembro 2019 12:52

CUT condena golpe de Estado na Bolívia

A CUT Brasil denuncia e expressa seu repúdio ao golpe de Estado contra o mandato do legítimo presidente da Bolívia, Evo Morales, neste 10 de novembro de 2019.

Desde as eleições presidenciais realizadas no último mês de outubro, as forças de oposição bolivianas desencadearam atos de violência, invasão, pilhagem e queima de casas, além da humilhação de autoridades democraticamente eleitas, sequestros e ameaças físicas aos seus familiares – incluindo o incêndio da casa da irmã do presidente e a invasão da própria casa de Morales – para forçar sua renúncia, o do seu vice-presidente Álvaro García-Linera e de inúmeras lideranças do partido do presidente, o MAS, Movimento para o Socialismo.

As recomendações da Organização dos Estados Americanos (OEA) para uma nova eleição e também pela renovação completa dos órgãos eleitorais e a possibilidade de novas candidaturas foram integralmente aceitas pelo presidente Morales. No entanto, a oposição optou pela intransigência e a ruptura democrática.

Particularmente graves foram os comportamentos ​​das forças policiais – que promoveram um verdadeiro motim – e, finalmente, a “sugestão de renúncia”, feita em rede nacional pelo chefe das Forças Armadas. O golpe tem um caráter notadamente reacionário, ultraneoliberal e de submissão aos interesses estadunidenses, além de nítidos traços de fundamentalismo religioso e de racismo contra os povos indígenas da Bolívia.   

Não podemos deixar de denunciar a atitude cúmplice da OEA, que, apesar do respeito diplomático dispensado pelo governo boliviano, nunca deixou de agir em favor do discurso da oposição, favorecendo o caos político e a deslegitimação dos poderes constitucionais. Dessa forma, a OEA e seu secretário-geral, Luis Almagro, reforça ainda mais seu papel da mais absoluta submissão ao governo estadunidense de Donald Trump. 

Além da atuação da OEA, a pressa com que governos da região, como os do Brasil de Jair Bolsonaro e o da Argentina de Maurício Macri, comemoram de maneira cínica o golpe – inclusive, tentando negar que a remoção de Evo Morales tenha sido realizada de maneira flagrantemente inconstitucional e sob a ameaça das baionetas do exército – são cristalinas em demostrar que os compromissos das elites e da direita latino-americana com a democracia são meramente instrumentais. Na realidade, as elites latino-americanas não sabem conviver com a democracia e com a inclusão social e política dos mais pobres.

Vale ressaltar que esta ruptura da ordem democrática da Bolívia ocorre num contexto de diversos levantes populares contra governos conservadores em toda a América Latina – além da vitória eleitoral de Alberto Fernández na Argentina. Ao contrário dos recentes golpes em Honduras, Paraguai e Brasil, que pelo tentavam simular um ambiente de respeito à ordem constitucional, o golpe de Estado na Bolívia, repete o modelo dos sangrentos golpes de Estado das décadas de 1960 e 1970.

Alertamos que se o golpe de Estado na Bolívia não sofrer o mais absoluto repúdio da comunidade internacional, os golpes militares serão aceitos e internalizados pelos demais governos reacionários da nossa região.

O colapso institucional na Bolívia é inaceitável. Manifestamos nossa solidariedade ao povo boliviano e ao presidente Evo Morales. Apoiamos às mobilizações de resistência do povo boliviano e exigimos o pleno respeito aos direitos humanos, à vida e à integridade do presidente, sua equipe de governo, seus familiares, bem como a de todo o povo boliviano.

Conclamamos os governos democráticos do mundo, os sindicatos, movimentos sociais e partidos políticos a não abandonar o povo boliviano e repudiar de maneira enérgica e efetiva o golpe no Estado Plurinacional da Bolívia.

Acompanhe a cobertura da Rede de TV Telesur: 

São Paulo, 11 de novembro de 2019

Sérgio Nobre                                  

Presidente da CUT Brasil                  

Carmen Foro

Secretária-Geral da CUT Brasil

Antonio Lisboa

Secretário de Relações Internacionais da CUT Brasil

[Foto: Daniel Walker/AFP]

Publicado em Política

Neste 7 de setembro, Dia da Independência do Brasil, os trabalhadores e as trabalhadoras do país, unidos e  engajados com milhares de movimentos sociais, vão fortalecer o grito por direitos e pela soberania, que estão sendo destruídos pelo governo de Jair Bolsonaro (PSL).

A classe trabalhadora, convocada pela CUT e outras centrais, vai se juntar as mobilizações do 25º Grito dos Excluídos “Vida em primeiro lugar! Este sistema não vale: Lutamos por justiça, direitos e liberdade” que acontece em mais de 130 cidades e em todos os estados. [Confira no mapa interativo no final da matéria os locais dos atos marcados].

“Um sistema que entrega o patrimônio público, as estatais, os bancos, a Embraer, o Pré-sal, a Amazônia e o sonho do povo de ter um país com soberania não serve para a classe trabalhadora”, afirma o Secretário-Geral da CUT, Sergio Nobre.

Para o dirigente lutar pela soberania e direitos no Dia da Independência do país é muito simbólico e fundamental ara denunciar este governo que bate continência para a bandeira americana e destrói a vida dos que vivem no país.

“Nunca foi tão escandalosa a subordinação do Brasil como agora com um presidente que bate continência para a bandeira americana e representa a subordinação aos interesses dos Estados Unidos e isso não é bom para nenhum brasileiro, principalmente os excluídos de emprego, de diretos e das riquezas deste país”, ressalta Sergio.

Na avaliação dele, o Brasil tem que ser inserido na globalização de forma autônoma, com desenvolvimento social e econômico justo e, para isso, é preciso continuar na luta tanto no dia 7 quanto no dia 20, dia nacional de luta.

“Os sindicatos filiados a CUT e a esquerda brasileira precisam ir para as ruas no dia 7 para mostrarmos que o Brasil é uma grande nação independente e também para preparar e fortalecer a mobilização nacional em defesa da educação, do patrimônio público, da Amazônia e do emprego no dia 20 de setembro, também em todo pais”, concluiu o Secretário-Geral da CUT, Sergio Nobre.

25º Grito dos Excluídos e a reforma da Previdência

Com o objetivo de defender a vida em primeiro lugar, o Grito dos Excluídos está em sua 25º edição e anuncia a esperança de um mundo melhor e promove ações de denúncias dos males causados por este modelo econômico. O Grito alerta para insustentabilidade deste sistema: “Este sistema não vale! Lutamos por justiça, direitos e liberdade”.

Daiane Hohn da coordenação nacional do Grito dos Excluídos falou sobre os 25 anos da articulação do Grito em defesa da classe oprimida e pontuou a construção desta edição na coletiva de imprensa da atividade, na sede da CNBB em São Paulo, na tarde desta terça-feira (3).

 "Começamos o ano com um crime, reincidente, em Brumadinho, e agora vemos as queimadas na Amazônia. São nove meses passando por notícias que comprovam que este sistema não vale e por isso convidamos toda a população a dar um grito de independência por democracia, soberania, contra a retirada de direitos e pelo direito à vida", afirma Daiane.

Na coletiva de imprensa do Grito o professor do Instituto de Economia da Universidade Estadual de Campinas (Unicamp) Eduardo Fagnani criticou o sistema que não serve e afirmou que é um sistema que promove a morte e não a vida. Além disso, o professor também disse que o Grito pode ser mais um espaço para a mobilização contra a reforma da Previdência, porque é uma medida que vai excluir milhares de pessoas ao direito de ter acesso a uma  aposentaria digna.

 “A PEC 006 da previdência quando veio do governo era pior que o texto de hoje e com luta dos trabalhadores foi possível retirar o aumento gradativo da idade mínima relacionada com a expectativa de vida para conseguir o benefício, tirou também o cancelamento dos reajustes da aposentadoria pelo salário mínimo, os trabalhadores rurais iam ter uma aposentadoria igual aos urbanos e também foi retirado”, informou o professor, que complementou: “Ainda dá tempo de virar o jogo e só com uma forte mobilização e com a forte atuação do movimento sindical será possível barrar esta proposta”.

Fagnani disse que este governo ainda não desistiu de desconstitucionalizar a Previdência com lei ordinária, um jeito mais fácil de conseguir tirar direitos.

“Apesar das retiradas de alguns pontos do texto, a reforma ainda é excludente e este governo não desistiu de lançar a capitalização. E é por isso que temos que continuar a pressão no Congresso Nacional, onde os senadores moram e chamar audiências públicas para ouvir o que as pessoas estão fazendo sobre o tema. O jogo não acabou e ainda tem como evitar esta tragédia no Senado”, concluiu o professor.

Veja o mapa interativo das mobilizações neste 7 de setembro

[Via CUT]

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A Federação Única dos Petroleiros (FUP) foi criada em 1994, fruto da evolução histórica do movimento sindical petroleiro no Brasil, desde a criação da Petrobrás, em 1953. É uma entidade autônoma, independente do Estado, dos patrões e dos partidos políticos e com forte inserção em suas bases.

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