O levantamento da CUT-Dieese revela que a Lava Jato fez o Brasil perder R$ 172,2 bilhões em investimentos e destruiu 4,4 milhões de empregos. O setor mais afetado foi a construção civil, que perdeu 1,1 milhão de postos de trabalho

[Da redação da CUT]

“Nosso objetivo é garantir a criação de instrumentos e leis para impedir que a destruição causada pela Lava Jato se repita no Brasil”. A afirmação é do presidente nacional da CUT, Sérgio Nobre, e revela a importância do estudo inédito da Central, elaborado pelo Dieese, sobre os estragos provocados na economia pela operação de Curitiba, deflagrada em 2014 e dissolvida em fevereiro deste ano.

Nesta terça-feira (16), às 14h, Sérgio Nobre apresentará o estudo, ao movimento sindical e à mídia, em evento virtual ao vivo nas redes sociais e canal de Youtube da CUT nacional. A live, que seria feita na semana passada, foi adiada por causa da coletiva do ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva, que teve suas condenações anuladas pelo ministro do Supremo Tribunal Federal (STF) Edson Fachin e, assim, voltou a ser elegível. Lula falou sobre o estudo durante seu pronunciamento na quarta-feira (10) 

Edson Rimonatto

O levantamento da CUT-DIEESE revela que a Lava Jato fez o Brasil perder R$ 172,2 bilhões em investimentos e destruiu 4,4 milhões de empregos. O setor mais afetado foi a construção civil, que perdeu 1,1 milhão de postos de trabalho. A destruição no mercado de trabalho foi tão extensa que atingiu até categorias de setores fora das cadeias produtivas mais atingidas (construção e petróleo), como a educação privada, com 106,5 mil vagas perdidas.

Os R$ 172,2 bilhões que deixaram de ser investidos no País equivalem a 40 vezes os R$ 4,3 bilhões que a Lava Jato informa, segundo o Ministério Público Federal, ter recuperado aos cofres públicos.

Mostra também que, além de cair como uma bomba sobre a construção civil, a Lava

Jato provocou crise sem precedentes no setor de petróleo e gás, fragilizando a

Petrobras, um dos principais indutores de investimentos no país.

Lava Jato colocou 4,4 milhões de brasileiros no desemprego e tirou 172,2 bilhões da economia
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O estrago causado pela Lava Jato vai além. Segundo o estudo, em consequência dos R$ 172,2 bilhões de investimentos a menos na economia, os cofres públicos deixaram de arrecadar R$ 47,4 bilhões em impostos, sendo R$ 20,3 bilhões em contribuições sobre a folha de salários. A perda em relação à massa salarial foi de R$ 85,8 bilhões. Toda destruição somada, levou ao aprofundamento da crise econômica e a um tombo ainda maior do PIB. Caso os R$ 172,2 bilhões tivessem sido investidos na economia haveria um acréscimo positivo de 3,6% no PIB do período, que foi negativo.

Para chegar a esses números, o estudo consumiu mais de um ano de pesquisas e análises de contratos, documentos oficiais, relatórios, monitoramento de publicações na mídia e modelamento econométrico, tendo como referência a matriz-insumo-produto. O levantamento utilizou dados oficiais e nacionais de 67 setores da economia. A integra do estudo será publicada em livro a ser lançado no final de abril.

Desde o início

Segundo Sérgio Nobre, estudo foi realizado porque a maior central sindical do país, por defender o emprego, tinha de apurar o impacto da Lava Jato no mercado de trabalho e na economia. “Desde o início da Operação, lá em 2014, alertamos que a Lava Jato tinha que se concentrar em investigar as denúncias e punir os culpados, sem, com isso, destruir as empresas e, consequentemente, os empregos e a economia”.

A CUT apoia a investigação de casos de corrupção e a punição das responsáveis, mas por conta dos métodos erráticos e sob suspeição de ilegalidade usados pelo comando da Lava Jato, potencializada pela utilização indevida de holofotes na mídia, os danos à classe trabalhadora e à economia foram enormes e poderiam ter sido evitados, segundo o presidente nacional da CUT.

“Em vez de fazer seu papel de investigar, comprovar e punir os responsáveis pela corrupção, a Operação destruiu empresas e empregos ao politizar, partidarizar, agir de forma seletiva e se desviar dos rumos e objetivos das investigações”.

Com isso, a Lava Jato destruiu a imagem das empresas investigadas que, em consequência, quebraram, perderam investimentos e demitiram, gerando efeito dominó nas cadeias produtivas, em especial a da construção civil e a do petróleo e gás. No caso da Petrobras, a Operação serviu também de argumento para a mudança no seu modelo de gestão, que está levando à sua venda fatiada e à ameaça de privatização.

“Por causa da Operação Lava Jato, construtoras e empresas que desenvolviam alta tecnologia e já estavam em processo de internacionalização, realizando obras ao redor do mundo, gerando empregos, foram paralisadas. Isso é um crime”, diz Sérgio Nobre.

O estudo será entregue pela CUT nas mãos dos presidentes da Câmara dos Deputados e do Senado, de entidades nacionais e internacionais e de organizações representativas da sociedade. “Nosso objetivo é criar instrumentos e leis para impedir que essa destruição causada pela Lava Jato nunca mais se repita no Brasil”, afirma Sérgio Nobre.

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Violência marcou mobilização dos bancários no Distrito Federal, nesta quarta-feira (10), durante paralisação nacional contra desmonte do Banco do Brasil

[Da redação do Brasil de Fato]

Um grupo de cerca de 200 trabalhadores do Banco do Brasil que protestavam pacificamente durante a paralisação nacional desta quarta-feira (10) foi agredido com gás de pimenta e golpes de cassetete pela Polícia Militar (PM) em Brasília (DF). Não há informações sobre feridos até o momento.

As agressões ocorreram por volta das 10 horas da manhã no edifício Sede 1, na garagem do setor bancário sul, onde se concentram as operações de monitoramento remoto do banco. Esse é um dos pontos onde se concentram as mobilizações desta quarta contra a reestruturação e o desmonte do banco na capital federal – outro grupo realiza atividades na tesouraria do Banco do Brasil.

"Fomos violentamente reprimidos pela Polícia Militar, em um descompromisso com qualquer código de honra e ética", relata Kleytton Morais, presidente do Sindicato dos Bancários de Brasília. "A gente está em um processo de negociação e mediação com o banco, mas a tenente-coronel, ignorando tudo isso, passou por cima do movimento de forma irresponsável, atacando com gás de pimenta e cassetetes".

Morais ressalta que, no momento das agressões, os grevistas estavam em fase final de negociação com o banco para definir a equipe que trabalharia na contingência ao longo do dia.

"Nós já havíamos feito uma composição, e nove trabalhadores entrariam para a contingência. O banco havia até destacado quais eram esses trabalhadores, mas a PM de forma irracional falou: 'Quem são vocês para fazer negociação?'. Foi um ato de truculência e sem mandado judicial, porque não tinha nenhuma autoridade para fazer isso", afirma o presidente do sindicato. "O movimento é pacífico, não tinha bate-boca, absolutamente nada."

O Banco do Brasil, assim como os Correios e o sistema Eletrobrás, é uma das instituições que está na lista de privatizações do governo Jair Bolsonaro (ex-PSL).

Brasil de Fato entrou em contato com a Polícia Militar do Distrito Federal para questionar os motivos da repressão aos trabalhadores. A matéria será atualizada assim que houver retorno por parte da assessoria de comunicação.

A partir do dia 22, devem ser encerradas 361 unidades, sendo 112 agências. Outras 243 agências devem ser rebaixadas à categoria de postos de atendimento. Cerca de 5,4 mil funcionários já aderiram ao Plano de Demissão Voluntária (PDV), e o Sindicato dos Bancários de Brasília estima que ao menos 10 mil pessoas já perderam 40% da renda com o processo de reestruturação.

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Trabalhadores cruzaram os braços nas agências de Norte a Sul do país. Adesão entre os caixas do banco atingiu cerca de 80% da categoria, que será a mais afetada com as demissões anunciadas pelo comando do BB

[Da imprensa da Contraf/CUT]

Nesta sexta-feira (29), agências, postos de atendimento, escritórios e outras unidades do Banco do Brasil pararam suas atividades contra o plano de reestruturação da direção da instituição. O movimento alcançou todo o país, em um sinal da rejeição por parte dos funcionários do plano de restruturação da direção do banco, que prevê 5 mil demissões e fechamento de centenas de agências, postos e escritórios do BB.

A paralisação ocorreu tanto nas capitais e grandes cidades, como em municípios do interior. Logo pela manhã foram registradas paralisações em cidades como Lagoa Santa (MG), Catanduva (SP), Divinópolis (MG), Passo Fundo (RS), Rolante (RS), Parobé (RS), Igrejinha (RS), Campina Grande (PB), Blumenau (SC), Rio Grande (RS), Macaé (RJ), Dourados (MS), Umuarama (PR), Assis Chateaubriand (PR), Cruzeiro do Oeste (PR), Campos de Goytacazes (RJ), Paranavaí (PR), Taubaté (SP), Olinda (PE), Paulista (PE), Igarassu (PE), Arcoverde (PE), Gravatá PE), Vitória de Santo Antão (PE), Apucarana (PR), Borborema (SP). Uberaba (MG), Mogi das Cruzes (SP) e Juiz de Fora (MG), Assis (SP), Cândido Mota (SP), Paraguaçu Paulista (SP) e Palmital (SP), Alta Floresta (MT), Sinop (MT), Sorriso (MT), Lucas do Rio Verde (MT), Pontes e Lacerda MT).

“A paralisação no dia de hoje foi muito boa. Muitos bancários entenderam a importância de cruzar os braços. Não foi uma paralisação contra o nosso trabalho, mas para cobrar respeito e dignidade por parte da direção do Banco do Brasil”, explicou o coordenador nacional da Comissão de Empresa dos Funcionários do Banco do Brasil (CEBB), João Fukunaga. Além da paralisação, houve também um tuitaço com a hashtag #MeuBBvalemais.

Negociação

Na semana que vem, será avaliada a mobilização e sua continuidade, caso a direção do Banco do Brasil se recuse a dialogar com seus funcionários sobre eventuais mudanças no banco. “A Comissão de Empresa vai se reunir na próxima semana, junto com o Comando Nacional, para avaliarmos como foram os atos no Brasil inteiro. Vamos montar um novo calendário de lutas caso o banco não nos chamar para a negociação. Não descartamos a possibilidade de greve dos funcionários do Banco do Brasil”, afirmou o coordenador da CEBB.

Para ver as fotos da paralisação desta sexta-feira, clique aqui.

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Para presidente da IndustriALL-Brasil é fundamental envolver os trabalhadores no debate de uma política industrial. Ex-diretor técnico do Dieese defende política com foco no emprego

[Da redação da CUT]

O fechamento da Ford no Brasil, anunciado recentemente e que acaba com mais de 119 mil postos de trabalho e diminui a arrecadação em mais R$ 3 bilhões, no país, fortaleceu a importância do debate de uma política industrial para o desenvolvimento do país, com tecnologia e geração de emprego.

Os trabalhadores da indústria querem que o governo de Jair Bolsonaro (ex-PSL) comece a debater, conjuntamente, saídas para evitar outros fechamentos de fábricas, desemprego e a piora, ainda mais, da economia.

Além da montadora norte- americana só no ano passado 5,5 mil fábricas encerraram suas atividades. Nos últimos cinco anos (2015 a 2020), quase 17 estabelecimentos industriais fecharam definitivamente suas portas por dia, segundo um levantamento da Confederação Nacional do Comércio de Bens, Serviços e Turismo (CNC) feito com exclusividade para o Estadão/Broadcast.

O presidente da IndustriALL-Brasil, Aroaldo Oliveira da Silva, conta que as empresas ao planejar onde irão produzir e se instalar, levam em consideração o crescimento no setor e a política industrial do país.  Por isso que é fundamental que o governo federal em conjunto com todos os atores da indústria, inclusive trabalhadores, dialoguem e achem juntos uma saída para o país se desenvolver de forma mais justa.

“Além da crise econômica que assombra o país, que começou antes mesmo da pandemia, estamos no meio de uma revolução industrial com novos elementos da tecnologia. O mundo todo está discutindo estas mudanças e o Brasil nem começou. A pauta dos trabalhadores da indústria no Brasil é que o governo comece a discutir uma apolítica industrial com tecnologia e emprego e que envolva os trabalhadores no debate, não só os empresários”, afirma Aroaldo.

Para ele, o país precisa de uma política industrial que tenha crédito, pesquisa, desenvolvimento, inovação, tecnologia, reconversão industrial e a nacionalização de componentes, peças e máquinas porque o país importa muito. O ideal, é que esta política nacional priorize emprego, trabalho de qualidade e renda e que seja uma proposta que contemple todo o setor.

“Temos várias pautas e discussões que podemos levantar com o governo federal, mas que não se mostra interessado e nem importa com a indústria e nem com o trabalhador e os empregos. Ele acabou com o ministério da indústria e do trabalho logo quando assumiu o poder e isso mostra que estes pontos não são prioridades para ele, mas sem governo não há política industrial. Queremos participar do processo de debate para que possamos contribuir com a economia e com os postos de trabalho”, ressalta o dirigente.

O ex-diretor técnico do Dieese e assessor técnico do Fórum das Centrais Sindicais, Clemente Ganz Lúcio, diz  que sem uma política que tenha no centro o emprego e a produção nacional o país regride cada vez mais para ser uma colônia e dependente. Segundo ele, para sair desta condição e avançar é preciso estratégia para economia girar.

“É preciso ter estratégia e construir uma agenda que inclua as várias dimensões do desenvolvimento. A inovação tecnológica amplia empregos nas áreas de serviços e no próprio emprego público, da educação, saúde e segurança. E a geração de empregos e renda melhora a capacidade de consumo e sustenta o crescimento econômico, que é fundamental para o país se tornar competitivo no setor”, diz.

Fim de política de incentivo do governo Dilma impacta negativamente nos empregos

A partir de 2012, o país contava com uma política industrial chamada “Inovar- Auto”, que incentivava as empresas a produzirem e gerarem empregos no Brasil. Criado por Dilma Roussef (PT), o Inovar-Auto, conseguiu fazer a frota brasileira aumentar sua eficiência em 15,4%, acima da meta de 12%, segundo dados Associação Brasileira de Engenharia Automotiva (AEA).

Pelo Inovar Auto foi possível também impulsionar a nacionalização da produção. Ao todo foram oito fábricas inauguradas, ao custo de aproximadamente R$ 14 bilhões: Chery em Jacareí (SP); FCA em Goiana (PE); Nissan em Resende (RJ); BMW em Araquari (SC); Jaguar Land Rover em Itatiaia (RJ); Hyundai-Caoa em Anápolis (GO); Mercedes-Benz em Iracemápolis (SP) e  Audi em São José dos Pinhais (PR)

Depois do golpe em 2016 começou o desmantelamento desta política e seu fim foi decretado em dezembro de 2017 por Michel Temer (MDB-SP). E desde 2018, o país está órfão de uma política industrial que dê conta das diversas frentes que necessita o setor, mesmo com o Rota 2030 instalado no país em fevereiro daquele ano.

O Rota 2030 não garante postos de trabalho, não estimula a geração de novos empregos e ainda fala de automatização das linhas sem nenhuma contrapartida ou negociação com os trabalhadores. Além disso, Diferente do Inovar Auto, o Rota 2030 não prevê nada sobre política de conteúdo local, que é o que garante empregos no Brasil, e ainda dá tratamento igual tanto para as montadoras que produzem no País quanto para as que importam tudo. Segundo trabalhadores da indústria, foi a partir daí que houve uma invasão de importados e os retrocessos no setor começaram.

Reforma tributária

O fechamento da Ford no Brasil também foi o gancho para que empresários e economistas neoliberais intensificassem o debate sobre uma reforma tributária. Tanto Aroaldo quanto Clemente acham importante uma reforma tributária, mas não a reforma tributária dos empresários. É preciso uma reforma tributária menos desigual, aponta eles.

Aroaldo disse que o Brasil precisa urgente de uma reforma tributária progressiva e que não tributa o consumo e o serviço para pobre pagar mais e que desonera o patrimônio deixando os ricos fora da tributação.

“Deixar na mão dos empresários discutir esta reforma vai persistir a lógica de onerar a vida do trabalhador e desonerar os ricos, persistindo assim todos os problemas. E não é isso que precisamos. A tributação tem que progressiva que reduza as desigualdades, quem ganha mais tem que pagar mais e não quem ganha menos pagar a conta maior”, disse.

Incentivos fiscais importantes

Segundo estimativa da Associação Nacional dos Fabricantes de Veículos Automotores, a Anfavea,entre 2012 e 2018, o setor recebeu investimentos de cerca de R$ 76 bilhões.

Estudo da subseção do Departamento Intersindical de Estatística e Estudos Socioeconômicos (Dieese) no Sindicato dos Metalúrgicos do ABC (SMABC) mostra que o número de trabalhadores nas montadoras saiu de 78,4 mil, em 2002, para 121,6 mil em dezembro de 2014. Entre 2003 e 2014, a produção saltou de 1,6 milhão de veículos para 3,1 milhões.

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Análise do Dieese mostra que o Brasil deve perder R$ 3 bilhões ao ano e 119 mil postos de trabalho diretos e indiretos com o fechamento das três unidades da montadora norte-americana

[Da redação da CUT | Foto: Ford/divulgação]

O fim da Ford no Brasil com o fechamento das três unidades instaladas nos estados da Bahia, Ceará e São Paulo, trará perdas bilionárias tanto ao país, como aos trabalhadores e trabalhadoras da montadora norte-americana, avalia o Departamento Intersindical de Estatísticas e Estudos Socioeconômicos (Dieese). A Ford anunciou que manterá apenas a sede administrativa da América do Sul no Brasil, o Centro de Desenvolvimento de Produto e o Campo de Provas.

De acordo com a análise do órgão, considerando as 5.000 demissões na Ford, haverá uma perda potencial de 118.864 mil postos de trabalho diretos e indiretos, com uma perda de massa salarial de R$ 2,5 bilhões aos trabalhadores. Já a queda de arrecadação de tributos e contribuições ficará na ordem de R$ 3 bilhões ao ano.

Atualmente a Ford possui 4.604 mil trabalhadores diretos na unidade de Camaçari, 830 na unidade de Taubaté (SP) e 470 trabalhadores da fábrica dos jipes Troller em Horizonte (CE). O número total de trabalhadores diretos é de 6.171, sendo que 5.000 serão demitidos. 

Contrariando o discurso de Jair Bolsonaro (ex-PSL) que “denunciou ” que a Ford queria incentivos fiscais para permanecer no país, estudo do Dieese aponta que de a cada R$ 1,00 gasto na indústria automobilística, é acrescido  R$ 1,40 no ‘ valor adicionado’ da economia.

Fim da Ford, fim de uma era

O encerramento da produção imediatamente em Camaçari  (BA) e Taubaté (SP), mantendo-se apenas a fabricação de peças por alguns meses para garantir disponibilidade dos estoques de pós-venda – as vendas dos automóveis da marca Ford no Brasil (EcoSport, Ka e T4) será encerrada assim que terminar os estoques; e a operação da fábrica da Troller em Horizonte (CE) no quarto trimestre de 2021, representa o fim de uma era na indústria automobilística no país.

A Ford foi a primeira indústria automobilística a ter operações no Brasil, em 1919. Em 1921 inaugura sua primeira fábrica no bairro do Bom Retiro, na capital de São Paulo.

Em 1980, a empresa era a maior empregadora entre as montadoras, com 21.800 trabalhadores e uma produção nacional de 165.500 unidades/anos. Em 1990 somou 17.578 trabalhadores, e em 1999, 9.153.

Em 2020 licenciou 139.897 veículos, sendo 119. 454 automóveis; 19.864 comerciais leves e  579 caminhões, o que representou 6,8% do total de veículos licenciados no Brasil no ano passado. Deste total, 84% foram produzidos  no Brasil (consultoria Bright). Em 1998, a Ford detinha 7,9% da produção nacional.

O setor automotivo chegou a ter 159.648 trabalhadores diretamente vinculados às montadoras, sendo 137.775 na produção de autoveículos e 21.873 em máquinas agrícolas e material rodoviário, em outubro de 2013 (nível mais alto desde janeiro de 1983, conforme informações disponíveis na ANFAVEA). Em dezembro de 2020 registrou 120.538 trabalhadores diretos (-24,5%), sendo104.428 na produção de autoveículos e 17.740 na produção de máquinas agrícolas e material rodoviário, ao comparar com o dado de outubro de 2013.

Leia a íntegra da análise do Dieese aqui

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A mobilização será virtual e nas unidades do BB. Objetivo é falar sobre os impactos negativos do plano do governo de Bolsonaro e dialogar com clientes e a população. Greves e paralisações não estão descartadas

[Da CUT]

Um ato nacional de “esquenta” para a luta dos trabalhadores e trabalhadoras do Banco do Brasil (BB) contra a reestruturação anunciada pela estatal nesta semana, que fechará 361 unidades, entre agências e postos de atendimento, e demitirá cerca de 5 mil pessoas no país, em plena pandemia, está marcado para esta sexta-feira (15). Paralisações e greves não estão descartadas.

Vestida de preto, a categoria vai protestar para demonstrar o descontentamento com esta medida do presidente Jair Bolsonaro ( ex-PSL) e o ministro da Economia, o banqueiro Paulo Guedes. A ideia é que este seja o primeiro passo da luta contra a reestruturação, informam  sindicatos da Contraf-CUT. Outro ato já está sendo articulado no dia 21 ( quinta) para pressionar o banco a rever sua posição.

“É um esquenta para as mobilizações, porque ao fechar as agências e diminuir trabalhadores,  a população ficará mal assistida e o país tem menos chance de ter um desenvolvimento real. Fora o fim do papel social do banco. E ainda vai começar a favorecer os mais privilegiados e parar de atender as micro e pequenas empresas, o agricultor e o trabalhador e passo a virar um espaço elitizado”, diz o diretor do Sindicato dos Bancários do ABC, Otoni Pedro de Lima, e  trabalhador do Banco do Brasil.

Atos pelo Brasil

Como a categoria é nacional e em cada canto deste país tem uma realidade diferente, cada sindicato está organizando sua atividade. No ABC, vai ter intervenção em algumas agências, com paralisações parciais e reuniões nos locais de trabalho. Os trabalhadores e as trabalhadores que estão em home office, poderão contribuir com o tuitaço, que também acontece nesta sexta, a partir das 11h com a hashtag #MeuBBvalemais.

“A mobilização contra a reestruturação não tem dia para acabar, serão plenárias digitais e reuniões permanentes por agência, por cargo. Os bancários estão se mobilizando no mundo digital. A organização no local de trabalho agora também tem nos grupos de Whatsapp e Telegram e em rede nacional. É importante que estejamos unidos neste momento para manifestar nossa indignação”, afirma Otoni.

A manifestação está sendo organizada pela Comissão de Empresa dos Funcionários do Banco do Brasil (CEBB), pela Confederação Nacional dos Trabalhadores do Ramo Financeiro (Contraf-CUT), federações e sindicatos.

BB trai seu trabalhador  

Mesmo com crescimento no lucro líquido e na receita de tarifas, 2016 a 2019, o banco fez uma reestruturação de quadros, de 2016 até o terceiro trimestre de 2020. O número de funcionários caiu de 109.864 para 92.106, uma redução relativa de 16%. No mesmo período, o número de agências foi reduzido de 5.428 para 4.370, uma redução de 19%.

Além disso, excluiu funções e criou uma relação com alguns trabalhadores com formato de um contrato intermitente. O caixa, por exemplo, deixou de existir no BB e se alguém precise ocupar esta função em algum momento o banco paga por tempo de trabalho. “E a tendência é que isso se repita em outras funções”, diz Otoni.

De acordo com ele, a categoria está se sentindo traída por ter sido considerada essencial na pandemia, trabalhou correndo risco de vida e está vendo a reestruturação como um pagamento injusto pelo esforço. Os bancários e bancárias estão mobilizados porque estão apreensivos com o que pode acontecer com eles. Mesmo quem não foi impactado ainda, está junto na luta.    

 “A gente sabe que o desmonte que estão fazendo no BB é um projeto para a privatização. Bolsonaro e Guedes trabalham para os banqueiros e não querem que tenha um BB no país para atrapalhar os lucros dos amigos. Precisamos conversar com a população para que entendam os prejuízos e venham lutar com a gente”, critica o dirigente.

Serviço:

Tuitaço: hashtag: #MeuBBvalemais

A partir das 11h

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Depois da Ford e Forever 21, agora é a vez da General Mills, que produz a linha de alimentos Yoki. A empresa dos EUA anunciou o fechamento de sua fábrica no Rio Grande do Sul. A General Mills, com sede em Minnesota, é uma das 10 maiores empresas de alimentos do mundo

[Do Brasil 247 | Imagem: Fábrica da Yoki/Divulgação]

Após as empresas estadunidenses Ford e Forever 21 anunciarem o fechamento de suas fábricas e lojas no Brasil, a General Mills, responsável pela marca Yoki, anunciou na segunda (11) que vai encerrar as atividades na fábrica da cidade de Nova Prata, na serra gaúcha, demitindo 300 funcionários.

A empresa, em nota, disse que o processo faz parte de um “plano de reestruturação em parte das suas operações no país” e que “ajustes fazem parte de uma estratégia que prevê acelerar o crescimento dos negócios da empresa no Brasil”, informou o portal CNN Brasil. 

Segundo a reportagem, a produção de pipoca ficará concentrada somente na fábrica da cidade de Pouso Alegre, no interior de Minas Gerais.

A rede Forever 21, ícone da fast fashion (moda rápida) no mundo, está fechando 11 de suas lojas no Brasil. Conhecida pela venda de roupas a preço baixo, a rede sofreu diversas acusações de uso de trabalho escravo ao longo dos anos. Já a montadora Ford também anunciou na segunda-feira (11) que encerrará a produção de veículos no Brasil em 2021, o que levará mais de cinco mil brasileiros à fila de desemprego. 

 

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O Sindipetro Bahia se solidariza com os trabalhadores e trabalhadoras da Ford, de todo o Brasil, que começaram o ano de 2021 com a péssima notícia da perda de seus empregos. Estendemos nossa solidariedade ao Sindicato dos Metalúrgicos da Bahia, Ceará e São Paulo, estados que perderão postos de trabalho e receitas como ICMS e ISS, com a saída da montadora.

De acordo com o anúncio da Ford serão fechadas imediatamente as fábricas de Camaçari, na Bahia, onde 3 mil trabalhadores serão demitidos, e a de Taubaté, em São Paulo, que resultará na demissão de 700 trabalhadores. A unidade de Horizonte, no Ceará, permanecerá em atividade até o 4º trimestre de 2021. A operação da fábrica de São Bernardo do Campo (SP) já havia sido encerrada há um ano e meio.

Com a saída da Ford do país, segundo a própria montadora, cerca de 5 mil trabalhadores ficarão desempregados, o que vai agravar a crise econômica no Brasil, que já tem 14 milhões de desempregados.

É preocupante o que vem acontecendo no Brasil, pois a cada saída de uma grande empresa do país, a cada falta de investimento, há um enorme impacto social, que leva a um efeito dominó com inúmeras perdas.

O fechamento da Ford, além de gerar as demissões dos trabalhadores próprios e terceirizados da multinacional estadunidense atinge toda uma cadeia produtiva a exemplo das empresas que fornecem peças e produtos para a montadora como as que fabricam peças e acessórios e também aquelas que fabricam pneus – só em Camaçari existem duas que se instalaram na cidade atraidas pela chegada da Ford: a Continental e a Bridgestone.

Como vão ficar essas empresas? Vão manter a produção? Provavelmente não porque não terão mais para quem entregar o seu produto final. O fechamento da empresa também afetará as revendedoras de veículos Ford e os cegonheiros (que realizam o transporte dos veículos vendidos). Esses profissionais – cerca de 400 na Bahia – vieram para o estado e montaram suas estruturas para atender a Ford.

É um impacto gigantesco para a economia da Bahia e de Camaçari, que vai aprofundar a crise no Brasil, pois haverá também queda do IPI, além da perda de postos de trabalho, ICMS e ISS. Infelizmente, não há saída a curto ou médio prazo. A falta de uma política econômica concreta e clara está prejudicando o Brasil. A ineficiência das medidas do governo federal como as reformas trabalhista e da previdência, a aprovação da lei da terceirização e o teto de gastos, que não impediram as demissões nem geraram empregos como prometido, são a prova de que o Brasil está no caminho errado.

No Brasil de Bolsonaro as empresas não têm segurança para continuar produzindo. Além da Ford, a Sony já anunciou que ainda esse ano vai embora do Brasil. A empresa de produtos alimentícios Yoki também informou o fechamento de uma de suas fábricas no Rio Grande do Sul, demitindo cerca de 300 trabalhadores. O pior é que com o desmonte e privatização do Sistema Petrobrás a crise irá se aprofundar ainda mais.

É urgente a unificação das lutas de todas as categorias em defesa dos empregos e da geração de novos postos de trabalho para atender aos desempregados. Precisamos construir a unidade da classe trabalhadora contra o desgoverno Bolsonaro.

Diretoria do Sindipetro Bahia

Publicado em SINDIPETRO-BA

Presidente da Confederação Nacional dos Metalúrgicos (CNM-CUT), Paulo Cayres, diz que o Brasil perde 5 mil empregos diretos e até 50 mil indiretos com a saída da Ford do Brasil

[Da Rede Brasil Atual | Foto: Sindicato dos Metalúrgicos de Camaçari]

Para o presidente da Confederação Nacional dos Metalúrgicos (CNM-CUT), Paulo Cayres, o anúncio da saída da Ford do país é sinal do desgoverno comandado pelo presidente Jair Bolsonaro. “É uma notícia lamentável para o país.” Além disso, ele afirma que a montadora rompeu acordos com a categoria, após ter recebido R$ 20 bilhões em isenções fiscais nas últimas duas décadas.

“A lógica desse governo é destruir empregos e direitos”, disse Cayres, em entrevista ao Jornal Brasil Atual, nesta terça-feira (12). “A Ford, que é capitalista, vai na mesma linha”, criticou.

“Diziam que haveria melhores empregos com as reformas trabalhista e da Previdência, após o impeachment de Dilma. O que estamos percebendo é que nada disso resolveu”, acrescentou o sindicalista.

Nesta segunda-feira (11), a montadora norte-americana anunciou que está deixando o Brasil, depois de um século de atividades. Com isso, 5 mil trabalhadores serão demitidos com o fechamento das fábricas de Camaçari (BA), Taubaté (SP) e Horizonte (CE). No entanto, cerca de 35 a 50 mil postos de trabalho indiretos também devem ser fechados com a saída da montadora, segundo o sindicalista.

Cayres também criticou o governo, que acabou com sobretaxas e cotas de importação para montadoras que não tivessem fábricas no Brasil. Com isso, a Ford continuará tendo vantagens ao importar para o Brasil veículos produzidos na Argentina e no Uruguai.

Ele destacou que em 2019, a Ford já havia encerrado as atividades da fábrica de São Bernardo do Campo. Isso demonstra que os problemas enfrentados pela empresa antecedem a queda nas vendas em função da pandemia. “Mas já havia a crise instalada pela lógica de como esse governo atua”, frisou o líder sindical, sobre o que chama de “desgoverno” de Bolsonaro frente ao caso da Ford.

Boicote

A CNM, a CUT e a Força Sindical devem realizar reunião para avaliar as respostas a serem tomadas para tentar preservar os direitos dos trabalhadores. Além disso, Cayres afirmou que os metalúrgicos devem lançar uma campanha de boicote aos veículos da montadora norte-americana.

“Tenho um carro Ford. Mas, diante dessa situação, vou vendê-lo. Vou comprar um veículo de uma marca que respeite os sindicatos e os trabalhadores do nosso país. Não podemos aceitar que a empresa vire as costas para o país, mas continue vendendo seus produtos”.

Veja a íntegra da entrevista: 

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A conta da venda dos campos da Petrobrás no RN só aumenta. Nesta quinta, 3 de dezembro, um grupo de trabalhadores desempregados de Mossoró procurou a direção do SINDIPETRO-RN para fazer uma denúncia.

Os companheiros foram recebidos pelo diretor da FUP e secretário-geral do SINDIPETRO-RN, Pedro Lúcio, e relataram que as novas empresas que estão operando os campos de Riacho da Forquilha, Fazenda Belém e Macau estão contratando profissionais de outros Estados para operação dos campos potiguares, desprezando a mão de obra local.

“Essa decisão é uma afronta ao que foi debatido nas dezenas audiências públicas em que a empresas privadas participaram e se comprometeram com o Governo do Estado em contratar 80% dos trabalhadores do RN, o que pela denúncia da categoria não está sendo cumprido”, explica o dirigente.

O dirigente relatou que vai solicitar a lista total dos trabalhadores diretos e terceirizados, bem como as cidades de origem deles. A data de contratação dos profissionais também será solicitada, bem como as informações da campanha de perfuração da empresa no Estado.

Além dessa medida, a categoria já se prontificou em procurar junto com o sindicato maneiras de evitar a substituição por profissionais de fora. Entre as alternativas apresentadas está o dialogo com as empresas privadas e representantes do poder público: vereadores, prefeitos, deputados e o Governo do Estado.

A reunião no sindicato também contou com a participação do vereador eleito de Mossoró, Cabo Tony Fernandes, que se comprometeu em fazer a mediação do tema com o prefeito eleito, Allysson Bezerra e com a Câmara Municipal.

Histórico: até outubro de 2019 a Petrobras mantinha em média 750 pessoas nos campos que foram vendidos em Riacho da Forquilha, Fazenda Belém e Macau. Hoje às novas empresas privadas contrataram em torno de 400 profissionais, entre eles trabalhadores da Bahia.

[Da imprensa do Sindipetro-RN]

Publicado em SINDIPETRO-RN
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