A mobilização será virtual e nas unidades do BB. Objetivo é falar sobre os impactos negativos do plano do governo de Bolsonaro e dialogar com clientes e a população. Greves e paralisações não estão descartadas

[Da CUT]

Um ato nacional de “esquenta” para a luta dos trabalhadores e trabalhadoras do Banco do Brasil (BB) contra a reestruturação anunciada pela estatal nesta semana, que fechará 361 unidades, entre agências e postos de atendimento, e demitirá cerca de 5 mil pessoas no país, em plena pandemia, está marcado para esta sexta-feira (15). Paralisações e greves não estão descartadas.

Vestida de preto, a categoria vai protestar para demonstrar o descontentamento com esta medida do presidente Jair Bolsonaro ( ex-PSL) e o ministro da Economia, o banqueiro Paulo Guedes. A ideia é que este seja o primeiro passo da luta contra a reestruturação, informam  sindicatos da Contraf-CUT. Outro ato já está sendo articulado no dia 21 ( quinta) para pressionar o banco a rever sua posição.

“É um esquenta para as mobilizações, porque ao fechar as agências e diminuir trabalhadores,  a população ficará mal assistida e o país tem menos chance de ter um desenvolvimento real. Fora o fim do papel social do banco. E ainda vai começar a favorecer os mais privilegiados e parar de atender as micro e pequenas empresas, o agricultor e o trabalhador e passo a virar um espaço elitizado”, diz o diretor do Sindicato dos Bancários do ABC, Otoni Pedro de Lima, e  trabalhador do Banco do Brasil.

Atos pelo Brasil

Como a categoria é nacional e em cada canto deste país tem uma realidade diferente, cada sindicato está organizando sua atividade. No ABC, vai ter intervenção em algumas agências, com paralisações parciais e reuniões nos locais de trabalho. Os trabalhadores e as trabalhadores que estão em home office, poderão contribuir com o tuitaço, que também acontece nesta sexta, a partir das 11h com a hashtag #MeuBBvalemais.

“A mobilização contra a reestruturação não tem dia para acabar, serão plenárias digitais e reuniões permanentes por agência, por cargo. Os bancários estão se mobilizando no mundo digital. A organização no local de trabalho agora também tem nos grupos de Whatsapp e Telegram e em rede nacional. É importante que estejamos unidos neste momento para manifestar nossa indignação”, afirma Otoni.

A manifestação está sendo organizada pela Comissão de Empresa dos Funcionários do Banco do Brasil (CEBB), pela Confederação Nacional dos Trabalhadores do Ramo Financeiro (Contraf-CUT), federações e sindicatos.

BB trai seu trabalhador  

Mesmo com crescimento no lucro líquido e na receita de tarifas, 2016 a 2019, o banco fez uma reestruturação de quadros, de 2016 até o terceiro trimestre de 2020. O número de funcionários caiu de 109.864 para 92.106, uma redução relativa de 16%. No mesmo período, o número de agências foi reduzido de 5.428 para 4.370, uma redução de 19%.

Além disso, excluiu funções e criou uma relação com alguns trabalhadores com formato de um contrato intermitente. O caixa, por exemplo, deixou de existir no BB e se alguém precise ocupar esta função em algum momento o banco paga por tempo de trabalho. “E a tendência é que isso se repita em outras funções”, diz Otoni.

De acordo com ele, a categoria está se sentindo traída por ter sido considerada essencial na pandemia, trabalhou correndo risco de vida e está vendo a reestruturação como um pagamento injusto pelo esforço. Os bancários e bancárias estão mobilizados porque estão apreensivos com o que pode acontecer com eles. Mesmo quem não foi impactado ainda, está junto na luta.    

 “A gente sabe que o desmonte que estão fazendo no BB é um projeto para a privatização. Bolsonaro e Guedes trabalham para os banqueiros e não querem que tenha um BB no país para atrapalhar os lucros dos amigos. Precisamos conversar com a população para que entendam os prejuízos e venham lutar com a gente”, critica o dirigente.

Serviço:

Tuitaço: hashtag: #MeuBBvalemais

A partir das 11h

Publicado em Movimentos Sociais

Depois da Ford e Forever 21, agora é a vez da General Mills, que produz a linha de alimentos Yoki. A empresa dos EUA anunciou o fechamento de sua fábrica no Rio Grande do Sul. A General Mills, com sede em Minnesota, é uma das 10 maiores empresas de alimentos do mundo

[Do Brasil 247 | Imagem: Fábrica da Yoki/Divulgação]

Após as empresas estadunidenses Ford e Forever 21 anunciarem o fechamento de suas fábricas e lojas no Brasil, a General Mills, responsável pela marca Yoki, anunciou na segunda (11) que vai encerrar as atividades na fábrica da cidade de Nova Prata, na serra gaúcha, demitindo 300 funcionários.

A empresa, em nota, disse que o processo faz parte de um “plano de reestruturação em parte das suas operações no país” e que “ajustes fazem parte de uma estratégia que prevê acelerar o crescimento dos negócios da empresa no Brasil”, informou o portal CNN Brasil. 

Segundo a reportagem, a produção de pipoca ficará concentrada somente na fábrica da cidade de Pouso Alegre, no interior de Minas Gerais.

A rede Forever 21, ícone da fast fashion (moda rápida) no mundo, está fechando 11 de suas lojas no Brasil. Conhecida pela venda de roupas a preço baixo, a rede sofreu diversas acusações de uso de trabalho escravo ao longo dos anos. Já a montadora Ford também anunciou na segunda-feira (11) que encerrará a produção de veículos no Brasil em 2021, o que levará mais de cinco mil brasileiros à fila de desemprego. 

 

Publicado em Economia

O Sindipetro Bahia se solidariza com os trabalhadores e trabalhadoras da Ford, de todo o Brasil, que começaram o ano de 2021 com a péssima notícia da perda de seus empregos. Estendemos nossa solidariedade ao Sindicato dos Metalúrgicos da Bahia, Ceará e São Paulo, estados que perderão postos de trabalho e receitas como ICMS e ISS, com a saída da montadora.

De acordo com o anúncio da Ford serão fechadas imediatamente as fábricas de Camaçari, na Bahia, onde 3 mil trabalhadores serão demitidos, e a de Taubaté, em São Paulo, que resultará na demissão de 700 trabalhadores. A unidade de Horizonte, no Ceará, permanecerá em atividade até o 4º trimestre de 2021. A operação da fábrica de São Bernardo do Campo (SP) já havia sido encerrada há um ano e meio.

Com a saída da Ford do país, segundo a própria montadora, cerca de 5 mil trabalhadores ficarão desempregados, o que vai agravar a crise econômica no Brasil, que já tem 14 milhões de desempregados.

É preocupante o que vem acontecendo no Brasil, pois a cada saída de uma grande empresa do país, a cada falta de investimento, há um enorme impacto social, que leva a um efeito dominó com inúmeras perdas.

O fechamento da Ford, além de gerar as demissões dos trabalhadores próprios e terceirizados da multinacional estadunidense atinge toda uma cadeia produtiva a exemplo das empresas que fornecem peças e produtos para a montadora como as que fabricam peças e acessórios e também aquelas que fabricam pneus – só em Camaçari existem duas que se instalaram na cidade atraidas pela chegada da Ford: a Continental e a Bridgestone.

Como vão ficar essas empresas? Vão manter a produção? Provavelmente não porque não terão mais para quem entregar o seu produto final. O fechamento da empresa também afetará as revendedoras de veículos Ford e os cegonheiros (que realizam o transporte dos veículos vendidos). Esses profissionais – cerca de 400 na Bahia – vieram para o estado e montaram suas estruturas para atender a Ford.

É um impacto gigantesco para a economia da Bahia e de Camaçari, que vai aprofundar a crise no Brasil, pois haverá também queda do IPI, além da perda de postos de trabalho, ICMS e ISS. Infelizmente, não há saída a curto ou médio prazo. A falta de uma política econômica concreta e clara está prejudicando o Brasil. A ineficiência das medidas do governo federal como as reformas trabalhista e da previdência, a aprovação da lei da terceirização e o teto de gastos, que não impediram as demissões nem geraram empregos como prometido, são a prova de que o Brasil está no caminho errado.

No Brasil de Bolsonaro as empresas não têm segurança para continuar produzindo. Além da Ford, a Sony já anunciou que ainda esse ano vai embora do Brasil. A empresa de produtos alimentícios Yoki também informou o fechamento de uma de suas fábricas no Rio Grande do Sul, demitindo cerca de 300 trabalhadores. O pior é que com o desmonte e privatização do Sistema Petrobrás a crise irá se aprofundar ainda mais.

É urgente a unificação das lutas de todas as categorias em defesa dos empregos e da geração de novos postos de trabalho para atender aos desempregados. Precisamos construir a unidade da classe trabalhadora contra o desgoverno Bolsonaro.

Diretoria do Sindipetro Bahia

Publicado em SINDIPETRO-BA

Presidente da Confederação Nacional dos Metalúrgicos (CNM-CUT), Paulo Cayres, diz que o Brasil perde 5 mil empregos diretos e até 50 mil indiretos com a saída da Ford do Brasil

[Da Rede Brasil Atual | Foto: Sindicato dos Metalúrgicos de Camaçari]

Para o presidente da Confederação Nacional dos Metalúrgicos (CNM-CUT), Paulo Cayres, o anúncio da saída da Ford do país é sinal do desgoverno comandado pelo presidente Jair Bolsonaro. “É uma notícia lamentável para o país.” Além disso, ele afirma que a montadora rompeu acordos com a categoria, após ter recebido R$ 20 bilhões em isenções fiscais nas últimas duas décadas.

“A lógica desse governo é destruir empregos e direitos”, disse Cayres, em entrevista ao Jornal Brasil Atual, nesta terça-feira (12). “A Ford, que é capitalista, vai na mesma linha”, criticou.

“Diziam que haveria melhores empregos com as reformas trabalhista e da Previdência, após o impeachment de Dilma. O que estamos percebendo é que nada disso resolveu”, acrescentou o sindicalista.

Nesta segunda-feira (11), a montadora norte-americana anunciou que está deixando o Brasil, depois de um século de atividades. Com isso, 5 mil trabalhadores serão demitidos com o fechamento das fábricas de Camaçari (BA), Taubaté (SP) e Horizonte (CE). No entanto, cerca de 35 a 50 mil postos de trabalho indiretos também devem ser fechados com a saída da montadora, segundo o sindicalista.

Cayres também criticou o governo, que acabou com sobretaxas e cotas de importação para montadoras que não tivessem fábricas no Brasil. Com isso, a Ford continuará tendo vantagens ao importar para o Brasil veículos produzidos na Argentina e no Uruguai.

Ele destacou que em 2019, a Ford já havia encerrado as atividades da fábrica de São Bernardo do Campo. Isso demonstra que os problemas enfrentados pela empresa antecedem a queda nas vendas em função da pandemia. “Mas já havia a crise instalada pela lógica de como esse governo atua”, frisou o líder sindical, sobre o que chama de “desgoverno” de Bolsonaro frente ao caso da Ford.

Boicote

A CNM, a CUT e a Força Sindical devem realizar reunião para avaliar as respostas a serem tomadas para tentar preservar os direitos dos trabalhadores. Além disso, Cayres afirmou que os metalúrgicos devem lançar uma campanha de boicote aos veículos da montadora norte-americana.

“Tenho um carro Ford. Mas, diante dessa situação, vou vendê-lo. Vou comprar um veículo de uma marca que respeite os sindicatos e os trabalhadores do nosso país. Não podemos aceitar que a empresa vire as costas para o país, mas continue vendendo seus produtos”.

Veja a íntegra da entrevista: 

Publicado em Economia

A conta da venda dos campos da Petrobrás no RN só aumenta. Nesta quinta, 3 de dezembro, um grupo de trabalhadores desempregados de Mossoró procurou a direção do SINDIPETRO-RN para fazer uma denúncia.

Os companheiros foram recebidos pelo diretor da FUP e secretário-geral do SINDIPETRO-RN, Pedro Lúcio, e relataram que as novas empresas que estão operando os campos de Riacho da Forquilha, Fazenda Belém e Macau estão contratando profissionais de outros Estados para operação dos campos potiguares, desprezando a mão de obra local.

“Essa decisão é uma afronta ao que foi debatido nas dezenas audiências públicas em que a empresas privadas participaram e se comprometeram com o Governo do Estado em contratar 80% dos trabalhadores do RN, o que pela denúncia da categoria não está sendo cumprido”, explica o dirigente.

O dirigente relatou que vai solicitar a lista total dos trabalhadores diretos e terceirizados, bem como as cidades de origem deles. A data de contratação dos profissionais também será solicitada, bem como as informações da campanha de perfuração da empresa no Estado.

Além dessa medida, a categoria já se prontificou em procurar junto com o sindicato maneiras de evitar a substituição por profissionais de fora. Entre as alternativas apresentadas está o dialogo com as empresas privadas e representantes do poder público: vereadores, prefeitos, deputados e o Governo do Estado.

A reunião no sindicato também contou com a participação do vereador eleito de Mossoró, Cabo Tony Fernandes, que se comprometeu em fazer a mediação do tema com o prefeito eleito, Allysson Bezerra e com a Câmara Municipal.

Histórico: até outubro de 2019 a Petrobras mantinha em média 750 pessoas nos campos que foram vendidos em Riacho da Forquilha, Fazenda Belém e Macau. Hoje às novas empresas privadas contrataram em torno de 400 profissionais, entre eles trabalhadores da Bahia.

[Da imprensa do Sindipetro-RN]

Publicado em SINDIPETRO-RN

Os trabalhadores da Bureau Veritas (BV) ganharam de presente de Natal a sua demissão.  Isso porque a Petrobrás adiantou o fim do contrato da BV exatamente para o dia 25/12. O Sindipetro-NF fi informado que todos já estão de aviso prévio.

A contradição é que a atual gestão Bolsonarista da Petrobrás usa o discurso de que está fazendo de tudo para que as pessoas fiquem bem durante a pandemia.

A diretoria do Sindipetro-NF repudia mais essa atitude da empresa que coloca pessoas na rua, ao invés de manter seus empregos em tempos tão difíceis para as pessoas e para o país.

Demissões em julho

No início de julho o Sindipetro-NF noticiou uma outra demissão por conta da desmobilização de um contrato que envolvia 430 trabalhadores de nível técnico, em regimes onshore e offshore.

[Da imprensa do Sindipetro-NF]

Publicado em Setor Privado
Quarta, 25 Novembro 2020 16:29

Caixa lucra com demissões de empregados

[Do Reconta aí]

Durante a live de divulgação dos resultados do terceiro trimestre da Caixa, o presidente do Banco Público, Pedro Guimarães, se gabou da economia que vem fazendo com os gastos internos. O seu quadro de funcionários vem sendo enxugado e, com isso, as pessoas que seguem trabalhando ficam sobrecarregadas.

Recentemente, o Banco Público encerrou um novo Programa de Desligamento Voluntário (PDV) com o objetivo de atingir cerca de 7,2 mil empregados. No entanto, somente 2,3 mil bancários aderiram ao programa.

De acordo com Rita Serrano, representante dos empregados no Conselho de Administração da Caixa, o déficit de empregados no Banco Público era de 17 mil. Com o PDV, esse número ultrapassa 19 mil.

“Se para o Banco isso é uma economia, para os trabalhadores isso é uma perda em saúde, qualidade de vida e em trabalho. Qualidade de vida inclusive para a própria família que está ao redor desse empregado”, alerta Rita.

Só nos próximos dois meses serão devolvidos 100 imóveis. “Nós ainda temos 178 prédios, entre próprios e que nós alugamos. Já devolvemos 50 e vamos devolver mais 100”, explica Guimarães.

Lucro na pandemia

A Caixa divulgou nesta quarta-feira (25) os resultados do terceiro trimestre de 2020. O lucro líquido ajustado foi de R$ 2,6 bilhões, um aumento de 1,7% em relação ao segundo trimestre do ano. Até o mês de setembro, o lucro do Banco Público alcançou R$ 8,3 bilhões.

Os resultados mostram o importante papel social da Caixa. O Banco Público foi o responsável pelo pagamento do auxílio emergencial, saque emergencial do FGTS, abono salarial e do Benefício Emergencial de Preservação do Emprego e da Renda (BEm).

Só com o auxílio emergencial, a Caixa atendeu 67,8 milhões de brasileiros beneficiados. Já com o FGTS emergencial foram 60 milhões de pessoas beneficiadas.

Para o pagamento de tantos brasileiros, o Banco Público usou o aplicativo Caixa Tem. Mesmo com todos os problemas que a plataforma apresenta desde o lançamento do auxílio emergencial, ela atingiu um recorde de mais de 105 milhões de contas poupanças sociais digitais gratuitas abertas. Além disso, foi importante para a inclusão financeira de milhares de pessoas.

Empregados da Caixa e a pandemia

Guimarães fala em economia, mas o País passa por uma pandemia e a Caixa é estratégica para atender a população brasileira. O Banco Público é responsável pelo pagamento do auxílio emergencial, saque emergencial do FGTS, abono salarial e do Benefício Emergencial de Preservação do Emprego e da Renda (BEm).

Dessa forma, agências estão abrindo nos fins de semana e os empregados da linha de frente estão extremamente sobrecarregados. “Quem fica está trabalhando duas, três vezes mais. Mesmo quem ficou em home office teve sua jornada de trabalho triplicada”, diz Rita.

Além de trabalhar muito mais, os bancários estão se arriscando para atender grande parte da população brasileira.

De acordo com a Caixa, mais de 2,5 milhões de máscaras e mais de 36,5 mil protetores faciais de acrílico foram distribuídos para os empregados e colaboradores. Além disso, o Banco Público diz estar disponibilizando testagem de covid-19 para todos os empregados.

No entanto, não está claro como essa testagem vem acontecendo. A Confederação Nacional dos Trabalhadores do Ramo Financeiro (Contraf/CUT) precisou enviar um ofício para a direção do Banco solicitando informações sobre o programa de testagem realizado no mês de outubro.

“Queremos que a direção da Caixa apresente os dados gerais obtidos por intermédio deste programa de testagem”, explica a secretária da Cultura da Contraf-CUT e coordenadora da Comissão Executiva dos Empregados da Caixa (CEE/ Caixa), Fabiana Uehara Proscholdt.

Segundo ela, com o número de testes realizados, a quantidade de casos positivos verificados e a eventual realização de mapeamento por regiões é possível analisar a assertividade dos protocolos preventivos existentes e a possibilidade da adoção de novas medidas.

Publicado em Economia

Bancários reagem às demissões com ações na Justiça e campanhas nas redes. As demissões foram intensificadas nos meses de junho (1.363 demissões), julho (1.634) e agosto (1.841), apesar do compromisso público assumido pelos bancos de não demitir durante a pandemia

[Com informações da Contraf e do jornal Valor]

Apesar do acordo de não demissão durante a pandemia do novo coronavírus (Covid-19) firmado em março, os grandes bancos já dispensaram mais de 12 mil trabalhadores este ano. Os bancários e as bancárias reagem à quebra do acordo com campanhas nas redes sociais, tuitaços, manifestações em frente às agências e também entrando com ações na Justiça para exigir reintegração aos postos de trabalho.  

E a Justiça do Trabalho, segundo reportagem de Adriana Aguiar no jornal Valor Econômico,  tem concedido liminares favoráveis à reintegração de bancários demitidos durante a pandemia com base justamente no acordo firmado pelos  três maiores bancos privados do país.

No início da pandemia, foi feito um longo e duro processo de negociação entre o Comando Nacional dos Bancários, que representa e luta pelos direitos dos trabalhadores e trabalhadoras, e a Federação Nacional dos Bancos (Fenaban), o sindicato patronal que representa os interesses dos bancos, para garantir os empregos e segurança nos locais de trabalho.

Na época, os representantes das instituições financeiras garantiram que não haveria demissões durante a pandemia, que agravou a crise econômica do país e desde o início vem provocando desemprego em massa no país, mas não demorou muito e quebraram o acordo.

“O desemprego já estava alto em março. Cobramos [o compromisso de não demitir] e os grandes bancos se comprometeram”, relata a presidenta da Confederação Nacional dos Trabalhadores do Ramo Financeiro (Contraf-CUT), Juvandia Moreira.

De acordo com a dirigente, a negociação cobrou o fornecimento de equipamentos de proteção individual “e também a suspensão das demissões porque o mais importante era garantir o emprego”.

“Eles [os representantes da Fenaban] falaram que era um compromisso de mesa e que não queriam se comprometer com data. Mas, o acordo era de não demitir na pandemia. A pandemia não acabou e o compromisso está colocado”, ressaltou a presidenta da Contraf-CUT, que também é a coordenadora do Comando Nacional dos Bancários.

O primeiro banco a puxar a fila das demissões foi o Santander, que não esperou muito e começou a demitir ainda no primeiro semestre. O Itaú passou a demitir funcionários já no segundo semestre, o mesmo acontecendo com o Banco Mercantil do Brasil. A mais recente adesão à lista dos descumpridores do acordo foi a do Bradesco, que combinou uma campanha publicitária para alardear que estava se preparando para o futuro, mas adotou um ritmo de demissões que tem se acelerado nas últimas semanas.

De acordo com um levantamento realizado pela Contraf-CUT, somente o Santander teria demitido 1,1 mil funcionários desde o mês de junho. Já o Itaú Unibanco teria demitido outros 130 trabalhadores desde o início de setembro. O Bradesco teria desligado outros 566 bancários somente em outubro.

A presidente da Contraf, Juvandia Moreira, afirma que o volume de demissões pode ser ainda maior, uma vez que nem todas são homologadas são feitas pelos sindicatos desde que a reforma trabalhista entrou em vigor. A reforma desobrigou as empresas a fazerem as homologações nos sindicatos, que chevagam os dados e davam garantias de que os trabalhadores iam receber realmente tudo que tinham direito.

Desemprego no setor bancário

O Cadastro Geral de Empregados e Desempregados (Caged) do Ministério da Economia mostra que os bancos já demitiram 12.794 bancários e bancárias e contrataram 11.405 contratações, o que significa que  1.389 postos de trabalho foram fechados.

O levantamento revela ainda que as instituições aumentaram o ritmo dos desligamentos nos meses de junho (1.363 demissões), julho (1.634) e agosto (1.841).

Campanha contra as demissões

A Confederação Nacional dos Trabalhadores do Ramo Financeiro (Contraf-CUT) e o movimento sindical bancário em todo o país se uniram para fazer uma campanha contra as demissões, denunciando a quebra do compromisso assumido pela Fenaban de não demitir.

Desde o início do mês estão sendo realizadas manifestações de protestos em frente a agências bancárias, tuitaços para denunciar à população a quebra de compromisso dos bancos e outras ações nas redes sociais.

Justiça

De acordo com reportagem do jornal Valor Econômico, publicada nesta quinta-feira (22), a Justiça trabalhista também tem sido o caminho de centenas de bancários demitidos apesar do acordo.

Nas ações contra as demissões durante a pandemia eles pedem a reintegração aos seus postos de trabalho alegando que foi assinado um acordo e que os três maiores bancos privados do país estão descumprindo o compromisso firmado.

Segundo a reportagem, neste ano foram distribuídos 11.087 processos trabalhistas contendo os termos pandemia e reintegração. Deste total, 417 foram contra o Santander, 283 contra o Bradesco e outras 177 contra o Itaú Unibanco.

Ouvida pela reportagem, a advogada Cristina Stamato, do Stamato, do Saboya & Rocha Advogados Associados, ressalta que os processos pela reintegração dos trabalhadores estão lastreados no compromisso assumido pelos três maiores bancos privados do país, em reunião com a Fenaban, de que não seriam realizados cortes de pessoal durante a pandemia. “Apesar de não estar em acordo coletivo, foi assumido não só nos meios de comunicação, como nos informes aos acionistas, o que gera uma obrigação com os funcionários”, disse.

Cristina, que atua junto ao Sindicato dos Empregados em Estabelecimentos Bancários de Nova Friburgo e o de Niterói e Região, diz ter ajuizado 32 ações de reintegração de trabalhadores, tendo obtido liminares favoráveis em seis e negativas em sete. Ela afirma que vai recorrer. Uma outra alegação é que os bancos registraram lucros mesmo durante a crise. 

“De acordo com levantamento do Valor Data, com base nas demonstrações financeiras das instituições, o Itaú Unibanco teve lucro líquido de R$ 8,1 bilhões no 1º semestre de 2020. Uma queda de 41,6% do lucro obtido no mesmo período de 2019 (R$ 13,9 bilhões). O Bradesco registrou R$ 7,6 bilhões, uma queda de 40%, em relação ao 1º semestre do ano passado (R$ 12,7 bilhões), e o Santander teve R$ 6 bilhões de lucro, ante os R$ 7,1 bilhões no primeiro semestre de 2019, queda de 15,9 %”, diz a reportagem.

A Federação Brasileira de Bancos (Febraban), porém, diz que o volume de ações entre janeiro e setembro é 47,42%  inferior ao apontado no mesmo período de  2019 e que a judicialização trabalhista do setor é a menor já registrada. Ainda segundo a entidade, as ações de reintegração estão dentro da normalidade.

A Embraer anunciou nesta quinta-feira (3) a demissão de 900 trabalhadores que estavam em licença remunerada. O corte em massa acontece um dia após o encerramento do programa de demissão voluntária (PDV) da companhia, que teve 1.600 adesões em todo o país.

Em nota, o Sindicato dos Metalúrgicos de São José dos Campos diz que as demissões foram feitas sem qualquer negociação com a entidade, o que viola o acordo de preservação de emprego assinado em 9 de abril, durante o período de calamidade pública provocado pela pandemia do coronavírus.

O sindicato convocou uma assembleia com todos os demitidos, às 14h30, na portaria da matriz, na Avenida Faria Lima, em São José dos Campos-SP), nesta quinta.

Os metalúrgicos afirmam ainda que nem PDV foi negociado, pois a empresa apenas apresentou o programa, sem aceitar alternativas. É o terceiro PDV aberto pela empresa em menos de dois meses.

Má gestão

Em abril, a companhia aeronáutica norte-americana Boeing anunciou que rescindiu acordo de US$ 4,2 bilhões para adquirir a divisão de aviões comerciais da Embraer.

Para especialistas, a situação atual da companhia exige a busca por recursos para que possa integrar novamente os seus segmentos. Entretanto, dependerá de uma nova orientação da direção da empresa, como um plano para ser reestatizada.

De acordo com o sindicato, a Embraer tenta justificar o PDV colocando a culpa na pandemia, mas estudos mostram que as dificuldades financeiras foram provocadas pela má gestão do Conselho Administrativo na negociação com a Boeing. 

“É um crime o que a Embraer está fazendo com esses trabalhadores. Enquanto mantém altos executivos com salários milionários, demite 2.500 pais e mães de família que dependem de seus empregos para sobreviver. Não aceitaremos essa medida. Vamos buscar todas as formas de luta para reverter as demissões”, afirma o diretor do Sindicato, Herbert Claros.

[Da Rede Brasil Atual]

Publicado em Trabalho

[Do portal da CUT]

A CUT e demais centrais sindicais realizam na próxima sexta-feira, dia 7 de agosto, o Dia Nacional de Luta em Defesa da Vida e dos Empregos. A data deverá ser marcada por paralisações de 100 minutos nos locais de trabalho como protesto pela morte de 100 mil brasileiros e brasileiras, vítimas do novo coronavírus (Covid-19), número que deverá atingido ainda esta semana, se o país mantiver o patamar de mais mil vidas perdidas diariamente. Além do protesto contra as mortes, haverá outras manifestações (veja abaixo), articuladas entre as centrais e as frentes Brasil Popular e Povo sem Medo.

A defesa da vida só se consegue com o presidente Jair Bolsonaro (ex-PSL), que menosprezou a pandemia e ignorou as medidas de prevenção recomendadas pelas autoridades da área da saúde, como o uso de máscaras e o isolamento social, fora do poder.

A afirmação é da Secretária- Geral da CUT, Carmen Foro. Para ela, essas 100 mil mortes poderiam ter sido evitadas, mas a falta de uma coordenação nacional para combater a pandemia e a pressa do governo e de parte do empresariado em reabrir a economia estão levando a um genocídio da população brasileira.

“Precisamos dizer em alto e bom som que não sairemos desta crise com Bolsonaro no poder. É fundamental denunciarmos as 100 mil mortes e principalmente pedirmos providências contra este governo que aprofunda a crise por irresponsabilidade, por não ter tomado medidas sanitárias e econômicas adequadas ao enfrentamento da pandemia”, diz Carmen.

O governo não toma providências necessárias contra a pandemia e ainda transfere aos governadores e prefeitos o custo de suas ações, incluindo o desmonte da saúde pública, complementa a secretária de Mobilização e Movimentos Sociais da CUT Nacional, Janeslei Albuquerque.

“Bolsonaro é a morte. Ele já fez o cálculo político do quanto custaria milhões de mortes e percebeu que não vai pagar por isso. Se morrerem um milhão de pessoas e 10 familiares e amigos de cada morto se indignar, ainda assim serão apenas 10 milhões de pessoas que não conseguirão colocar outro candidato num segundo turno eleitoral, e este cálculo ele já fez, como bem disse o articulista do jornal Folha de São Paulo, Celso Rocha de Barros”, diz Janeslei.

A tragédia que se abate no país também atinge, além da centena de milhares de vidas perdidas, a classe trabalhadora, a soberania nacional e a democracia, já que o governo Bolsonaro vem sistematicamente entregando as riquezas brasileiras ao capital externo, promovendo processos de privatização com graves prejuízos à Nação, retirando direitos dos trabalhadores, sem gerar emprego e renda e, por isso, o lema do dia 7 é também em defesa dos empregos.

“O dia de luta vai marcar politicamente a importância da pressão sobre este governo frente ao crescimento do desemprego que já atinge 12,4 milhões de pessoas, e também para dizer não ao desmonte do patrimônio público e as privatizações“, defende Carmen Foro.

E este alto índice de desemprego e o aprofundamento da crise econômica têm sido utilizados por Bolsonaro como desculpas para retirar ainda mais direitos dos trabalhadores e, pior fazer com que a população se volte contra as medidas de isolamento social, avalia Janeslei.

 “Bolsonaro manobra para que as pessoas achem normal voltar ao trabalho, mesmo sem direito algum, para fazer reformas que só interessam ao capital internacional”, diz a dirigente.

Para ela, Bolsonaro é calculista e já deixou claro que não é patriota porque  vem sistematicamente destruindo a soberania nacional, entregando nossas riquezas a empresas e governos estrangeiros num patamar nunca visto desde o período colonial, como reza a cartilha do ministro da Economia, o banqueiro Paulo Guedes.

“Essa é a ideia que o presidente tem do Brasil. Sua única preocupação é proteger sua família das denúncias de envolvimento com a milícia. Mas, enquanto Guedes, articulado com o sistema financeiro, defende os interesses internacionais, Bolsonaro continua no poder alimentado também pelo gabinete de ódio que espalha fake news, deturpando os ideais de democracia, à medida em que as pessoas agem influenciadas por uma campanha de mentiras que orientou suas decisões na última eleição. Isto é sequestrar a soberania popular”, avalia Janeslei.

O 7 de agosto é dia de recuperar a democracia e salvar vidas porque Bolsonaro significa um governo de genocídio.

Os representantes das entidades e movimentos sociais, bem como as centrais sindicais, definiram alguns desafios políticos e organizativos, para potencializar a Campanha ‘Fora, Bolsonaro’ com as seguintes bandeiras:

- Repudiar a iniciativa de prefeitos e governadores que já planejam e até fixaram data para retorno presencial dos alunos às aulas;

- Exigir das autoridades os equipamentos de proteção individual e coletivo para os trabalhadores das categorias essenciais, em especial os da área de saúde;

- Lutar pela manutenção do auxílio emergencial de R$ 600,00, no mínimo, até 31 de dezembro de 2020;

- Ampliar as parcelas do seguro desemprego;

-Liberar crédito para as micro e pequenas empresas;

- Fortalecer o Sistema Único de Saúde (SUS);

- Agir para que o Congresso Nacional derrube os vetos presidenciais que impedem a garantia dos direitos conquistados pelos trabalhadores e trabalhadoras e seus sindicatos, por meio da ultratividade, dos acordos e convenções coletivas de trabalho.

Em comunicado às Estaduais, ramos da CUT e sindicatos, Carmen Foro e Janeslei Albuquerque, após reuniões de articulação com o Fórum das Centrais, orientam, em nome da direção CUTista, além da paralisação de 100 minutos nos locais de trabalho, a realização de ações simbólicas nas principais cidades do Brasil denunciando a política genocida de Bolsonaro frente à pandemia.

Entre as sugestões estão a instalação de cruzes brancas em locais de grande circulação de pessoas ou em pontos turísticos das cidades, circundando uma faixa (da cor preta) com a inscrição Fora Bolsonaro (em branco).

Realizar ações nas ruas com a identidade visual da campanha como colagem de lambe, “adesivaços”, faixas em viadutos e circular com carro de som nas comunidades. Todos esses materiais estão disponíveis em um kit mídia no site da Campanha (https://www.campanhaforabolsonaro.com.br/)

Organizar carreatas pelas principais avenidas com carros identificados com a campanha Fora Bolsonaro, conduzidos por um carro de som. Todas as ações acima devem respeitar os cuidados sanitários e de distanciamento social.

Estimular que todas as pessoas coloquem um pano preto nas janelas de suas casas como simbologia de adesão à campanha e, por fim, participar e divulgar o tuitaço que será realizado às 11 horas do dia 07 de agosto.

Publicado em Trabalho
Página 1 de 8

A Federação Única dos Petroleiros (FUP) foi criada em 1994, fruto da evolução histórica do movimento sindical petroleiro no Brasil, desde a criação da Petrobrás, em 1953. É uma entidade autônoma, independente do Estado, dos patrões e dos partidos políticos e com forte inserção em suas bases.