Por Henrique Jager e Rafael Rodrigues da Costa Para o portal GGN

A empresa brasileira perdeu quase metade de seu valor na primeira semana da crise, enquanto na maioria das empresas a redução ficou entre 20% e 35%. O que justifica uma performance tão pior da Petrobras?

Em meio a uma crise que começou ainda antes da pandemia do novo coronavírus, o preço internacional do petróleo já vinha caindo desde meados de 2019. A percepção do mercado era de que a oferta mundial estava crescendo mais do que a demanda. O surto de coronavírus, que começou na China, e a guerra de preços iniciada com a disputa entre Arábia Saudita e Rússia piorou em muito um cenário que já era ruim. As notícias são péssimas para todas as grandes petrolíferas, mas em especial para a Petrobras. A empresa brasileira quase metade de seu valor em uma semana, enquanto na maioria das empresas a redução ficou entre 20% e 35%. A grande questão que se coloca nesse cenário de queda generalizada é: o que justifica a Petróleo Brasileiro S.A. cair quase 20 pontos percentuais a mais que seus pares?

A queda no preço internacional obviamente tem seu impacto. A título de exemplo, entre os dias 1º de janeiro e 5 de março deste ano – antes da crise russo-árabe – o preço do barril tipo Brent apresentou uma queda de 26,44%. Eram os impactos da redução do consumo internacional, principalmente nos países asiáticos (primeiros a serem afetados pela pandemia do coronavírus). Em um único dia, a segunda feira passada, dia 9, a cotação do barril tipo Brent derreteu 24,1%, consequência da queda do consumo internacional somada ao fracasso nas tratativas para um acordo de controle de produção entre os principais países exportadores de petróleo (Opec+). A ideia, que não foi para frente, era diminuir a produção para segurar os preços. Uma disputa entre os dois maiores exportados de petróleo do mundo, Arábia-Saudita e Rússia, fez eclodir um conflito que deve continuar no curto/médio prazo.

Apesar das grandes oscilações nos dias seguintes, o preço do Brent encerrou a semana com uma desvalorização de 23,8%, indicando que a redução do valor responde a outros fatores, para além da crise russo-árabe, e pode perdurar por algum tempo.

Esse cenário de patamar mais baixo do preço afetou grande parte das empresas de petróleo no mundo. Ao longo da semana, as ações dessas empresas caíram vertiginosamente, entre 20,0% e 48,2, conforme exposto na tabela abaixo, com exceção da estatal chinesa Sinopec.

Veja tabela de variação da Ação/ADR na Bolsa de Nova York no Mês de Março do 2020.

Esses dados permitem duas conclusões importantes. Primeiro, as empresas com maior atuação no segmento downstream (refino, petroquímica e distribuição) têm maior capacidade de reagir a grandes oscilações do preço do petróleo. E, segundo, a Petrobras teve uma perda de valor de mercado significativamente maior que os demais players do setor.

Sobre o primeiro aspecto, um exemplo é a chinesa Sinopec, que embora atue no segmento de exploração e produção (E&P), tem uma presença maior no downstream. Ela viu o valor de suas ações ficarem num patamar estável (crescimento de 0,8%) entre os dias 6 e 13 de março. Além disso, entre as empresas que perderam valor, a Exxon teve a menor queda de preço de suas ações no dia 9 de março (12,2%). Não por acaso, entre as grandes operadoras analisadas, a americana é a que possui o maior parque de refino, capaz de processar cerca de 5 milhões de barris de petróleo por dia.

Sobre o segundo aspecto – a capacidade de reagir às oscilações – o exemplo é justamente a Petrobras, que perdeu quase metade de seu valor em uma semana. Ao mesmo tempo, a maioria de suas concorrentes viu uma redução entre 20% e 35%. Como explicar essa desvalorização de quase 20 pontos percentuais a mais na Petrobras?

Como destacado pela produção do Instituto de Estudos Estratégicos de Petróleo, Gás Natural e Biocombustíveis (Ineep), a estratégia de concentrar praticamente toda a energia da empresa no segmento de E&P – mais especificamente na província do pré-sal – com fins de exportação de petróleo bruto, adotada pela Petrobras nos últimos anos teve um papel importante. Dentro dessa estratégia, está claro que a Petrobras terá – no médio prazo – uma capacidade muito menor de resistir às oscilações de preços do barril do petróleo por conta da privatização e saída de várias atividades de downstream (refino, distribuição e petroquímica, por exemplo), bem como de outras formas de energia (elétrica e eólica).

Cabe apontar que as demais empresas listadas na tabela acima e a maior parte das demais grandes petrolíferas do mundo caminham em sentido inverso, aumentando sua resiliência às flutuações do preço do petróleo, por meio da diversificação. As operadoras europeias, por exemplo, embora tenham reduzido sua atuação no segmento de refino fora de seu país sede, têm avançado a passos largos no desenvolvimento de novas fontes energéticas.

Por fim, e talvez um dos mais importantes fatores que explicam a maior oscilação da Petrobras, é a percepção por parte do investidor de que a empresa vem flexibilizando as normas de governança corporativa adotadas, principalmente a partir de 2015. Destaque ao esvaziamento do Conselho de Administração (CA) e de suas estruturas de apoio, além do enfraquecimento das instâncias superiores, como o próprio CA e a Assembleia de Acionistas, que estão ocorrendo a passos largos. Um exemplo desse processo foi a última Assembleia de Acionistas, realizada dia 4 de março de 2020, que deliberou sobre a retirada do poder do CA na indicação dos cargos de Gerente Executivo (equivalente à função de diretoria nas empresas que possuem vice-presidentes) e sobre o processo de escolha dos Conselheiros de Administração Independentes. Ambas as medidas aprovadas sofreram forte oposição dos acionistas minoritários. Há que se destacar que estas medidas de governança foram implantadas quando o atual presidente da Petrobras era membro do CA, com seu total apoio.

Um bom exemplo de uma das consequências destas decisões é um fato largamente anunciado pela imprensa no ano passado. Logo nos primeiros meses do ano de 2019, um amigo do presidente Bolsonaro foi indicado pelo presidente da Petrobras para ocupar o cargo de gerente

Executivo de Segurança Institucional. Após a análise do Comitê de Pessoas e Remuneração, vinculado ao CA, ficou evidente que o indicado não tinha as qualificações exigidas para o cargo e o Conselho de Administração vetou sua posse. Posteriormente, ele foi incorporado ao grupo de mais de 20 assessores que compõem a equipe particular do atual presidente da empresa. Não fosse a prerrogativa que o CA tinha de homologar a indicação dos Gerentes Executivos, um trabalhador sem as qualificações necessárias estaria ocupando um cargo estratégico. Agora, nada impede que a direção da Petrobras de posse ao amigo do presidente.

Como destacado acima, a queda no preço do barril de petróleo vem afetando bastante o valor de mercado das petrolíferas. Mas entre as grandes empresas de petróleo listadas na bolsa de valores a Petrobras foi a que mais perdeu valor. Para além do preço do barril, a estratégia de focar os negócios da companhia na exploração/produção de petróleo bruto com a finalidade de exportação, a revisão da estrutura de governança adotada a partir de 2015 e as sucessivas crises políticas observadas no país nos últimos tempos são fatores que ajudam a entender a aversão que o investidor vem mostrando pela empresa nos últimos tempos.

Artigo publicado originalmente em https://jornalggn.com.br/a-grande-crise/erros-da-administracao-fazem-da-petrobras-campea-em-desvalorizacao-por-jagger-e-costa/

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Em meio à grave crise política, social e econômica que atinge o povo brasileiro, a taxa de desemprego subiu e já alcança 13,1 milhões de pessoas, segundo pesquisa do IBGE, divulgada nesta sexta-feira, 29.

No último trimestre pesquisado, de dezembro de 2018 a fevereiro de 2019, cerca de 900 mil brasileiros perderam o emprego, o que fez o total de desempregados saltar de 12,2 milhões para 13,1 milhões. Ou seja, a taxa de desemprego aumentou 12,4% nesse período. 

O país também amarga um índice gigantesco de trabalhadores subutilizados, ou seja, os que desistiram de tentar uma vaga depois de muito procurar ou que continuam tentando, mas não conseguem, pois não há oportunidades no mercado de trabalho. São 27,9 milhões de brasileiros nesta situação, um número recorde desde o início da série histórica da Pnad Contínua do IBGE, iniciada em 2012. 

O país tem 11,1 milhões de trabalhadores sem carteira assinada, 23,8 milhões trabalhando por conta própria e 33 milhões com emprego formal (registrados em carteira). 

Para o presidente da CUT, Vagner Freitas, os dados comprovam que arrocho salarial e retirada de direitos não geram emprego e renda como tanto o ex-presidente, o ilegítimo Michel Temer (MDB) quanto o atual, Jair Bolsonaro (PSL), querem fazer os brasileiros acreditarem.

“Temer garantiu que a reforma Trabalhista geraria 8 milhões de empregos em dois anos, a equipe econômica de Bolsonaro disse que a reforma da Previdência pode gerar outros milhões de empregos. Não é verdade. As  reformas só beneficiam empresários e banqueiros. Para o trabalhador resta o desemprego, o desalento, a falta de perspectivas”, alertou o sindicalista.

 

Dados do trimestre de dezembro de 2018 a fevereiro de 2019:

- Desemprego cresceu para 12,4%, ou seja, são 13,1 milhões de trabalhadores sem emprego

- Taxa de subutilização da força de trabalho (24,6%) é recorde

- Número de desalentados (4,9 milhões de pessoas) é o maior da série do IBGE

- População fora da força de trabalho é recorde: 65,7 milhões de pessoas

- População ocupada ficou em 92,1 milhões de pessoas

- Empregados com carteira assinada somaram 33 milhões; e sem carteira, 11,1 milhões

- Trabalhadores por conta própria são 23,8 milhões

Confira aqui os gráficos do IBGE.

[FUP, com informações do IBGE e da CUT]

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A Assembleia Internacional dos Povos (AIP) foi inaugurada no domingo (24/02) na capital venezuelana, Caracas, com a participação de mais de 400 delegados de 85 países diferentes. Organizado por movimentos populares de todos os continentes, o evento ocorre em meio à tentativa frustrada de golpe contra o presidente eleito Nicolás Maduro pelo opositor Juan Guaidó, com apoio de países como Estados Unidos e Brasil.

Stedile esclareceu os objetivos da articulação em torno da AIP, que envolve organizações de mais de 130 países de todo o mundo. “Aprendemos, com o intercâmbio que fizemos para construir esse processo internacional, que compartilhamos sonhos com todos os que estão aqui. Precisamos construir unidade através de uma reforma programática, e o estamos fazendo muito bem. Todas as formas nas quais o povo se organiza são importantes, seja associações, movimentos, partidos, sindicatos, igrejas”, ressaltou o dirigente brasileiro. 

A mesa de abertura teve a participação de João Pedro Stedile, dirigente do Movimento dos Trabalhadores Rurais Sem Terra (MST) e da Via Campesina Internacional, e da prefeita de Caracas, Érika Farías, além do diretor do Instituto Tricontinental, Vijay Prashad, e da representante do projeto Educação Popular dos Estados Unidos, Claudia de la Cruz. 

Stedile esclareceu os objetivos da articulação em torno da AIP, que envolve organizações de mais de 130 países de todo o mundo. “Aprendemos, com o intercâmbio que fizemos para construir esse processo internacional, que compartilhamos sonhos com todos os que estão aqui. Precisamos construir unidade através de uma reforma programática, e o estamos fazendo muito bem. Todas as formas nas quais o povo se organiza são importantes, seja associações, movimentos, partidos, sindicatos, igrejas”, ressaltou o dirigente brasileiro. 

O avanço dos governos de direita e extrema direita na América Latina e no mundo são o prncipal foco dos debates da Assembleia Internacional dos Povos. 

Uma mesa de discussão será destinada a discutir especificamente a atual situação política e econômica na Venezuela e a resistência à ofensiva que começou em 2015 – quando foram realizadas eleições para os 167 deputados e deputadas da Assembleia Nacional venezuelana. Na ocasião, a oposição ao governo Maduro conquistou ampla maioria, e por somente quatro deputados não conseguiu a maioria qualificada de dois terços dos postos, necessária para a aprovação de emendas constitucionais. Ainda assim, com a Assembleia sob controle dos partidos de oposição, quatro deputados não eleitos foram empossados, o que gerou a imediata reação do Judiciário, que suspendeu algumas das atribuições do Legislativo.

Por conta dessa decisão judicial, em 2017, grupos opositores tomaram as ruas do país e promoveram ataques violentos contra pessoas e edifícios públicos – as ações ficaram conhecidas como “guarimbas”. Diante desse cenário, o governo venezuelano convocou uma mesa de diálogo, realizada na capital da República Dominicana, Santo Domingo. 

Embora o governo venezuelano tenha atendido a quase todas as reivindicações dos grupos opositores, estes decidiram abandonar a mesa de diálogo, sob protestos dos mediadores – entre eles, o ex-primeiro-ministro espanhol, José Luiz Rodríguez Zapatero. Maduro, então, convocou a eleição para uma Assembleia Nacional Constituinte, com o objetivo de renovar os poderes do país e frear a onda de violência. 

A eleição para a Assembleia Constituinte foi realizada no dia 30 de julho de 2017. No dia 20 de maio do ano seguinte, foi realizada a eleição para presidente da República. Embora muitos setores da oposição tenham decidido voluntariamente não participar do pleito e convocado à abstenção, a eleição teve a participação de 46% do eleitorado, resultando vitorioso o presidente Maduro com 67,84% dos votos, que renovou o mandato por mais seis anos. 

Insatisfeitos com o resultado, países governados pela direita, principalmente a gestão de Donald Trump, nos Estados Unidos, decidiram intensificar as pressões sobre a Venezuela por meio de bloqueios de bens e divisas no exterior, provocando uma crise econômica sem precedentes no país. No dia 10 de janeiro de 2019, o deputado da Assembleia Nacional, Juan Guaidó, se autoproclamou presidente interino do país, desconhecendo o processo eleitoral que elegeu Nicolás Maduro. 

A legitimidade de Guaidó foi reconhecida por governos de direita em uma ação articulada por Trump em janeiro. As Forças Armadas, bem como os máximos representantes do Judiciário da Venezuela, reconhecem a autoridade de Nicolás Maduro como presidente legítimo, eleito pelo voto popular.

Os dirigentes da FUP, Cibele Vieira e Alexandre Finamori, acompanharam de perto as mobilizações do povo venezuelano e seguem participando da Assembleia dos Povos, que prossegue até quarta, 27. Veja o vídeo com o depoimento de Cibele:


Povo venezuelano resiste

O fim de semana foi marcado por tensões na fronteira da Venezuela com a Colômbia, onde manifestantes contrários ao governo bolivariano tentaram forçar a entrada de “ajuda humanitária” dos Estados Unidos em território venezuelano. O governo de Nicolás Maduro acusa a ação de ser uma tentativa de infiltrar um “cavalo de troia” no país para abrir caminho a uma intervenção militar. Após horas de conflito, o plano de Guaidó de furar o bloqueio venezuelano fracassou.

"Todos contribuíram, desde as mulheres que ontem no combate foram, em meio ao palco do conflito, levar água com limão para nossos soldados [para ajudá-los a enfrentar o calor seco da região], até as mulheres e homens que resistiram a mais de 15 horas de enfrentamentos, de ataques paramilitares, de ameaças”, afirmou o representante do governo nacional no estado venezuelano de Táchira, Freddy Bernal.

Ele se refere aos 1.500 civis venezuelanos que se uniram aos agentes militares na fronteira com a Colômbia para evitar que opositores de Maduro furassem o bloqueio e entrassem no país com uma suposta ajuda humanitária vinda dos Estados Unidos. Segundo o governo colombiano, o carregamento incluía 90 toneladas de alimentos.

A subserviência do governo Bolsonaro

Em entrevista ao jornal Valor nesta terça-feiram 26, o ex-chanceler e ex-ministro da Defesa Celso Amorim faz uma análise multilateral da crise na Venezuela e do comportamento dos principais atores externos. Segundo ele, "os militares (...) veem com muita restrição a maneira como o Itamaraty está agindo" e "graças a eles, o Brasil não se precipitou nesse conflito". Amorin critica os Estados Unidos por utilizar a doação de "ajuda humanitária" como pretexto para desencadear uma ação militar intervencionista contra o país sul-americano. "Tudo vinha sendo feito para colocar uma eventual ação armada sob a capa de intervenção humanitária, que poderia dar alguma legitimidade à intervenção", explica.  "Hoje no Itamaraty o conceito não é mais o de soberania frente aos Estados Unidos, ou frente à China. É a soberania frente aos organismos multinacionais, o que é a mesma visão dos Estados Unidos. Você pode entender que o país mais poderoso do mundo não queira amarras, mas não é o caso do Brasil. Não pode atacar o sistema multilateral como ataca", critica o ex-chanceler. Leia a íntegra da entrevista.

Já o o jornalista Gilvandro Silva, em artigo no Brasil 247, afirmou que "além de não ter dado em absolutamente nada, em termos práticos, o papel do Brasil na tentativa de intervenção americana na Venezuela está sendo um fiasco do ponto de vista político". "A participação desnecessária e sem sentido, além de subserviente, expõe, mais uma vez, o Brasil a um vexame planetário. O mundo inteiro está nos vendo como um país ajoelhado e nu diante dos Estados Unidos, único interessado nessa patifaria que se comete contra um país que elegeu o seu governo de forma legítima. Um país cujo pecado é ser potencialmente rico em razão de suas reservas milionárias de petróleo, alvo único da ira de Donald Trump e seus miquinhos amestrados brasileiros e colombianos", afirmou.

"Não é preciso ser defensor do governo de Nicolás Maduro para repudiar, com veemência, a intromissão absurda e criminosa dos governos dos Estados Unidos, da Colômbia e do Brasil nos assuntos internos da Venezuela", declarou também o cientista político Aldo Fornazieli. "A farsa da ajuda humanitária ficou desnudada. Tratava-se de um ardil, de uma emboscada, para promover um golpe interno por meio de uma ação externa, visando derrubar o governo venezuelano e instalar um governo ilegítimo e golpista de Juan Guaidó", destacou.

[Com informações da Opera Mundi , do Brasil de Fato, do Brasil 247  e do Valor]

Publicado em Movimentos Sociais

Pesquisa qualitativa realizada pela Fundação Perseu Abramo, divulgada nesta segunda-feira (25), mostra que, para a maioria dos trabalhadores e trabalhadoras, o que a mídia e o governo definem, e exaltam, como “empreendedorismo” dos brasileiros é, na verdade, uma luta desesperada e diária pela sobrevivência, muito distante do mito de “liberdade” e de “trajetória de sucesso”. Os entrevistados também disseram que, depois do golpe de 2016, a vida piorou. Na época, além de entrarem na unviersidade, não tinham medo do desemprego.

O estudo, realizado no segundo semestre de 2018, revisitou 16 anos de trajetória laboral de 31 trabalhadores e trabalhadoras da construção civil, motoboys, vendedores ambulantes, manicures e trabalhadoras domésticas de diferentes regiões do Brasil.

Os resultados demonstram que não é a experiência e o aprendizado que necessariamente trarão melhoria das condições de vida para quem não têm vínculos empregatícios formais.

“A instabilidade permanente vira uma forma de vida para esses trabalhadores que estão na informalidade”, comenta Ludmila Costhek Abílio, coordenadora da pesquisa, doutora em Ciências Sociais pela Unicamp, onde trabalha como pesquisadora no Centro de Estudos Sindicais e Ciências do Trabalho (Cesit). 

O levantamento realizado pela Fundação Perseu Abramo também identificou os impactos das novas tecnologias na vida dessas pessoas, o surgimento de novas formas de associativismo em alguns desses setores e o aprofundamento da solidão em outros.

A queda do padrão de rendimentos e o aumento das horas dedicadas ao trabalho depois do golpe de 2016 é outro resultado da pesquisa. Essa tendência de maior esforço e menores resultados deve se ampliar a partir da chamada reforma Trabalhista, que institucionaliza a precarização do trabalho, legalizando-o, e também se for aprovada a reforma da Previdência proposta pelo atual governo, vista por analistas como um estímulo à informalidade.

Vida piorou depois do golpe de 2016

Nos governos dos ex-presidentes Lula e Dilma Rousseff, deposta dois anos depois de ter sido legitimamente eleita por mais de 52 milhões de brasileiros, os entrevistados disseram que tinham uma vida melhor, mais oportunidades para entrar na faculdade e comprar a casa própria e que não tinham medo do desemprego.

Nesse período, o Brasil chegou ao pleno emprego. Quando Lula assumiu em 2003, o país registrava taxa de 10,5% de desemprego. Quando terminou o segundo mandato de Lula, em 2010, a taxa era de 5,3%. Em 2014, final do primeiro mandato de Dilma, a taxa tinha caído para 4,3%.

Domésticas e manicures relataram que suas vidas mudaram durante os governos dos ex-presidentes Lula e Dilma. Falaram sobre a entrada delas ou dos filhos em universidades públicas federais ou em particulares por meio do ProUni; conquista da casa própria via financiamento ou Minha Casa Minha Vida; além do aumento do poder de compra. Nos governos do PT não tinham medo de perder o emprego. A situação começou a mudar após o golpe, com estagnação do mercado de trabalho.

Dois ambulantes entrevistados viram melhora nos negócios apesar da crise. Segundo eles, o desemprego e a piora na renda fizeram com que aumentasse o número de “sacoleiros”, seus principais clientes na madrugada. Os outros todos estão com grandes dificuldades financeiras.

No caso dos mototaxi/motoboy, a crise é evidente em todas as entrevistas e, segundo eles, a piora do mercado se dá tanto pela crise quanto pela atuação mais agressiva dos aplicativos.

Condições de trabalho

Sobre as condições de trabalho, a pesquisa constatou que não melhorou significativamente na última década. As domésticas e manicures, por exemplo, relataram ter melhorado suas condições de trabalho, seja diminuindo, quase que involuntariamente a jornada.

No caso das domésticas, ainda que às custas da formalidade, seja com melhores acessos a clientes, e até a conquista do negócio próprio no caso das manicures. Já os ambulantes relataram que o trabalho segue exaustivo e por muitas vezes degradante. Houve momentos de aumento de faturamento e consequentemente da renda, mas sempre com jornadas de mais de 10 horas por dia e nenhum grau de seguridade social.

> Leia aqui a íntegra da pesquisa.

[Via CUT]

Publicado em Trabalho

O governo do argentino Mauricio Macri, que assumiu com uma agenda neoliberal prometendo baixar a inflação e aquecer a economia do País, deve anunciar nesta segunda-feira (3) mais um pacote de medidas de ajuste econômico.

A taxa de inflação deve passar dos 30% até dezembro. Com a última corrida cambial - na última semana, o peso perdeu 25% de seu valor em relação ao dólar norte-americano- já tem economistas prevendo que a taxa de inflação será ainda maior este ano.

Em um ano, o peso argentino perdeu 104% em relação ao dólar norte-americano, que na Argentina funciona como termômetro da economia. Quando a moeda dos Estados Unidos sobe, os preços na Argentina acompanham, gerando um ciclo inflacionário vicioso. E como os salários ficam atrasados, cai o poder de compra e cresce a pobreza – algo que o próprio presidente já admitiu que vai ocorrer.

Segundo a imprensa local, entre as medidas está a eliminação de dez a 12 ministerios, entre eles Ciência e Tecnologia, Cultura, Energia e Agroindústria, que acaba de despedir 548 trabalhadores e trabalhadoras.

Neste domingo (2), Macri se reuniu com os principais assessores para definir as mudanças. Nesta terça-feira, a Argentina inicia a renegociação do acordo fechado com o Fundo Monetário Internacional (FMI) em junho. O acordo precisa ser revisto em função da nova crise cambial.

O governo argentino também reconheceu que o país está a caminho da recessão, com uma retração de 1% do Produto Interno Bruto (PIB) em 2018. A decisão, na semana passada, de elevar a taxa de juros para 60%, só piorou o quadro recessivo. É a mais alta do mundo (quase dez vezes maior que a brasileira, de 6,5%). Ainda assim, e apesar do empréstimo de US$ 50 bilhões do FMI (o maior da história do país), o dólar parou de subir somente depois da intervenção do Banco Central, que vendeu reservas – o que , segundo especialistas, é uma situação insustentável a longo prazo e difícil de administrar às vésperas de ano eleitoral.

Pesquisas realizadas mostraram que seis em cada dez argentinos desconfiavam da capacidade do FMI em resolver os problemas do país. “Já passamos por isso várias vezes e a história é sempre a mesma: o FMI pede ajuste, o governo faz às custas do trabalhador, entramos em recessão e acabamos dando o calote”, disse o aposentado Adrian Vasquez, de 76 anos. Ele conta que um dos filhos acaba de perder o emprego e o outro teve o salário reduzido pela metade.

A agenda de arrocho em cima dos trabalhadores, como a proposta de reforma na aposentadoria que levou milhares de argentinos as ruas em maio deste ano, não melhorou a economia do país e, hoje, um dos problemas de Mauricio Macri é se cacifar para garantir a reeleição em 2019. Os números e o que eles significam na piora da qualidade de vida trabalhadores e trabalhadoras são os principais obstáculos para os planos do presidente argentino.

O orçamento de 2018 previa uma inflação de 15,7%. Hoje, já se fala em 32%. Quanto ao dólar, que deveria se estabilizar em torno dos 19 pesos, já rompeu a barreira dos 32. Estimativas otimistas para um PIB de 3,2% não se confirmaram e o produto interno bruto do país cairá pelo menos 1%.

[Via CUT]

Publicado em Economia

A Federação Única dos Petroleiros (FUP) foi criada em 1994, fruto da evolução histórica do movimento sindical petroleiro no Brasil, desde a criação da Petrobrás, em 1953. É uma entidade autônoma, independente do Estado, dos patrões e dos partidos políticos e com forte inserção em suas bases.

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