Enquanto o medo tomou conta dos trabalhadores da Plataforma P-58, os gerentes da Petrobras se escondem atrás de um pseudo “protocolo” e colocam vidas em risco.

O Sindpetro-ES tem informações, que cinco trabalhadores, entre próprios e terceirizados, testaram positivo para Covid-19 e nenhuma medida foi tomada no sentido de testar quem teve contato ou, no mínimo, uma orientação para quem está desembarcando.

Um completo absurdo!

Trabalhadores sendo tratados como descartáveis pela empresa, colocando em perigo, inclusive, as famílias desses trabalhadores, que sem orientação ou testagem, podem levar a doença para dentro de casa. Devido a negligência e omissão dos gerentes, a plataforma está se transformando em um verdadeiro covidário.

O Sindipetro-ES não se esconde atrás de “protocolo” e disponibiliza testagem e hospedagem para os trabalhadores que estão desembarcando. Além disso, todas as medidas judiciais serão tomadas contra os gerentes, que estão fazendo uma verdadeira Roleta Russa com a vida desses trabalhadores.

Exigimos que a empresa tenha o mínimo de respeito com os trabalhadores, transparência na divulgação dos contaminados, testagem de todos que estão a bordo e desinfecção Total da Plataforma.

Se algo mais grave ocorrer com algum desses trabalhadores, as gerências responderão por crime. Essa doença não é apenas uma gripezinha, passamos de mais de 40 mil mortos no Brasil.

A Petrobras precisa ter responsabilidade com seus trabalhadores.

Nós do Sindipetro não brincamos de roleta russa e acreditamos que a saúde não tem preço, por isso não vamos esperar a boa vontade da empresa.

Não mediremos esforços financeiros para proteger os trabalhadores e suas famílias.


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[Via Sindipetro-ES]

A união entre o Movimento dos Trabalhadores Rurais Sem Terra (MST) e o Sindicato dos Petroleiros do Paraná e Santa Catarina (Sindipetro-PR/SC) resultou na doação de 15 toneladas de alimentos e 520 cargas de gás de cozinha em Curitiba, na manhã deste sábado (13). As ações chegaram a cerca de 700 famílias da vila Portelinha, do Santa Quitéria; da comunidade 23 de agosto, do Osternak; do Sabará, na Cidade Industrial; e da Vila Santos Andrade, do Campo Comprido. 

Arroz, feijão, mandioca, legumes, frutas e hortaliças fizeram parte da cesta com quase 22 quilos cada pessoa pode levar para casa. Os alimentos vieram direto das roças e hortas das 370 famílias da comunidade rural Maila Sabrina, localizada em Ortigueira, região norte do Paraná. Cerca de 700 também foram produzidos pela comunidade em mutirão. O acampamento tem 17 anos e luta pela efetivação da reforma agrária na área. Além de produção farta e diversificada, a comunidade tem escola, igrejas, unidade de saúde, espaço comunitário para beneficiamento de alimento, lazer e esporte. 

Para Roberto Baggio, da direção nacional do MST, a iniciativa unitária entre os trabalhadores do campo e da cidade “fortalece a solidariedade do nosso povo para seguir nas lutas pela frente, para evitar as mortes e cuidar para que ninguém adoeça e morra”. Com a ação deste sábado, acampamento e assentamento do MST chegaram à marca de 183 toneladas de alimentos saudáveis doados. Além de comida na mesa de todos, ele aponta a urgência em cobrar do Estado a garantia de renda para todas as famílias e ampliação do SUS. 

O dirigente vê nas ações solidárias o combustível para a resistência neste tempos de crise estrutural. “Que a cultura da solidariedade se espalhe no Brasil inteiro, com um alimento que vitaliza as pessoas e um gás que aquece e estimula nos próximos meses uma grande rebelião nacional e popular para afastar imediatamente o Bolsonaro do poder, para que possamos reconstruir um Brasil solidário, humano e com mais justiça social”, garante.  

Além de buscar a superação da fome, garantido o alimento in natura e o gás para a preparação, Alexandro Guilherme, presidente do Sindicato dos Petroleiros, explica que a iniciativa cobra preços justo para o gás de cozinha. Apesar de ser essencial para a garantia do direito à alimentação, no último dia 25 maio a Petrobras anunciou um reajuste de 5% no preço do item.
Na capital do Paraná, o botijão de 13 quilos de gás custa entre R$ 60 e R$ 80. “Por que nós, que produzimos e refinamos o petróleo aqui no país, somos obrigados a pagar tão caro nos combustíveis e gás de cozinha?”, questiona Guilherme. 

As cargas de gás doadas tiveram grande participação dos petroleiros trabalhadores da Refinaria Getúlio Vargas (Repar), de Araucária, de onde sai o produto. “A nossa solidariedade é de classe, dos trabalhadores que hoje, no meio da pandemia e da crise econômica, mantém alguma renda, uma produção, e que hoje ajudam pessoas que perderam a sua renda. É uma comunhão da classe operária unida. Quem pode ajuda quem não pode”. 

Para chegar realmente às famílias mais afetadas pela crise, a ação foi organizada com conjunto com as associações de moradores das comunidades, além da Escola de Samba Embaixadores da Alegria, do Coletivo Alicerce, de integrantes da Batalha do Parigot, da Rede de Solidariedade e do Movimento de Organização de Base.

Luta por terra, no campo e na cidade
Jocelda de Oliveira, integrante da coordenação da comunidade Maila Sabrina, de Ortigueira, explica como é possível um acampamento rural doar tanta quantidade e variedade de alimentos: “Cada família dá um pouco do que tem, da produção que tem para o sustento, porque entende a necessidade de ajudar o próximo”. 

Entre as centenas de camponeses doadores de alimentos está Marli Fernandes da Silva Rosa, que também fez parte do mutirão que produziu os pães. Ela mora na comunidade desde o início da ocupação, há 17 anos. “Com palavras não sei nem descrever. Eu gosto muito daqui. Aqui é meu pedacinho de céu. Quando eu morava na cidade eu não tinha a liberdade que eu tenho aqui, não tinha a paz e o sucesso que a gente tem aqui, a convivência com as pessoas”. 

Mesmo sendo uma comunidade consolidada e o lar de milhares de pessoas, Maila Sabrina sofre constantes ameaças de despejo. Situação parecida com a vivida por famílias que recebem as doações neste sábado. Arildo Ribeiro Taborda, conhecido como Dido, é presidente da Associação de Moradores da Vila Portelinha. A ocupação urbana é formada por 320 famílias, grande parte com a renda vinda do trabalho com coleta de materiais recicláveis. Entre as principais lutas está o direito à moradia. 

“A nossa luta também é por regularização fundiária. Estamos aqui há mais de 10 anos e a gente sofre porque não temos água, não temos luz pra todo mundo”, conta. A gente se mobiliza luta cada dia pela terra da gente, que somos famílias carentes. Hoje a luta é mais difícil por causa dos nossos governantes que não ajudam a classe pobre”, avalia Dido. 

Em um cenário de descaso do poder público, o apoio recebido neste sábado chegou em boa hora. O gás da casa de Maria Dolores de Paula acabou a pouco mais de uma semana. Desde então, ela cozinha o alimento para as 8 pessoas moradoras da casa usando fogão à lenha. Para conseguir a madeira, recolhe na própria comunidade e ganha dos vizinhos. 

A renda familiar diminuiu desde o início da pandemia da covid-19. Maria é empregada em uma empresa terceirizada, faz serviço de limpeza e teve o vale-alimentação cortado. “Era pra gente escolher, ou ficava com o vale-alimentação, ou ficava com o emprego”, relata.

No meio da rotina de trabalho e ajuda no cuidado dos 6 netos que vivem com ela, Maria destina tempo para usar seus conhecimentos de costura para fazer máscaras de tecido. “No horário que eu chego [do trabalho] eu faço máscaras pra doar pra comunidade. O pouco que a gente pode, vai se ajudando. Meu sonho sempre foi de poder ajudar o próximo. Eu gostaria de ter mais pra poder ajudar, mas que Deus dê força pra nós continuar lutando”.  

Dido vê na ação deste sábado um passo importante para firmar a união entre trabalhadores do campo e da cidade para a luta por melhores condições de vida, e frisa o papel dos assentamentos e acampamentos para garantir alimento para a cidade. “Temos que agradecer os nossos grandes amigos do MST, que estão na luta todo o dia, por plantar comida e trazer pra cidade. Nossos governantes têm que ver que o MST planta e distribui pra cidade”.

[Via Sindipetro-PR | Fotos: Giorgia Prates / Brasil de Fato Paraná]

Empresas terceirizadas contratadas pelo Sistema Petrobras estão demitindo funcionários que pertencem ao grupo de risco de contaminação da covid-19. A denúncia está sendo feita em diversas bases da empresa. Ao invés de garantir que essas pessoas estejam em casa, cumprindo a quarentena de forma protegida, a gestão Castello Branco está assistindo passivamente às demissões em massa.

As empresas contratadas fazem o que bem entendem com seus trabalhadores, colocam em risco os que estão em atividade e demitem os que atuam em unidades que tiveram atividades reduzidas ou hibernadas e nada acontece, apesar das inúmeras denúncias e cobranças da FUP.

A postura das empresas é de total desrespeito a direitos constitucionais, como a dignidade da pessoa humana, valorização do trabalho, direito à saúde e direito ao meio ambiente do trabalho. Ferem também os direitos infraconstitucionais, como os que são garantidos pelo Código Civil, que aponta o abuso de direito, assim como a vedação à prática discriminatória, prevista na Lei 9.029/95. Além disso, há também o desrespeito ao Estatuto do Idoso, que veda esse tipo de dispensa.

As denúncias chegam de pelo menos três bases da companhia: Regap, Reduc e em plataformas da Bacia de Campos.

Em Minas Gerais, só na última sexta-feira, 15 de maio, uma empresa que atua dentro da Refinaria Gabriel Passos (REGAP) demitiu dez dos seus 80 funcionários. Todos os dez demitidos foram caracterizados como grupo de risco. Esta não foi a primeira denúncia a chegar ao Sindipetro MG, que já registra em torno de 15 casos, desde que a pandemia teve início.

Segundo o diretor Alexandre Finamori, o Sindipetro MG, mesmo não tendo a representação legal desses trabalhadores, já procurou o Ministério Público do Trabalho e denunciou a situação a parlamentares do estado.

Na Reduc, o Sindipetro Caxias denuncia a empresa Niplan Engenharia por ter demitido quatro trabalhadores do grupo de risco. O diretor do sindicato, Luciano Santos, lembra que neste momento de pandemia é fundamental haver solidariedade e chama atenção da gestão da Petrobras, pois a responsabilidade da companhia deve se estender aos trabalhadores terceirizados.

Vários relatos idênticos chegaram ao Sindipetro NF, que, apesar de não representar a totalidade da categoria de trabalhadores terceirizados, ainda assim, no dia 18 de março, protocolou pedido junto à Petrobras para que esses trabalhadores não fossem demitidos, mas não recebeu resposta. A empresa Elfe Engenharia já demitiu cerca de mil trabalhadores.

Para Tezeu Bezerra, coordenador geral do Sindipetro NF, os trabalhadores da Petrobras e de empresas terceirizadas pelo Sistema estão diante de uma gestão bolsonarista, que só dá importância aos números para beneficiar acionistas e atender ao mercado, mas afirma que a categoria não desistirá da luta pela garantia dos direitos adquiridos.

Numa tentativa de frear essas ações via Congresso Nacional, a FUP contatou o deputado Enio Verri, do PT do Paraná, que afirmou já haver projetos aprovados no congresso, mas que o presidente não implementa e que provavelmente os deve vetar. “Aguardamos a volta dos projetos para o congresso nacional e derrubaremos o veto da presidência”, completou.

Enquanto pessoas do grupo de risco de empresas contratadas estão sendo demitidas, Castello Branco se esquiva de responsabilidade, o que caracteriza mais um atentado contra os trabalhadores, contra as orientações da OMS e das entidades sindicais.

Ao contrário das fake news que dissemina, sua gestão esá, sim, demitindo em massa.

[FUP]

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A Federação Única dos Petroleiros (FUP) foi criada em 1994, fruto da evolução histórica do movimento sindical petroleiro no Brasil, desde a criação da Petrobrás, em 1953. É uma entidade autônoma, independente do Estado, dos patrões e dos partidos políticos e com forte inserção em suas bases.

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