O Sindipetro-NF consolidou na noite de domingo os resultados parciais das assembleias da região que avaliam os indicativos da entidade sobre a Campanha Reivindicatória realizadas até o momento.

Nesta terça-feira, 15, o sindicato realiza pela manhã no Ginásio Juquinha, em Macaé, a assembleia com os trabalhadores das bases administrativas de Imbetiba, Imboassica, Edinc, Barra do Furado e Administrativo e Grupo D de Cabiunas. A entrada no ginásio será feita das 7h às 10h.

Em assembleias em todos os aeroportos, com troca de turma, petroleiros e petroleiras do Norte Fluminense puderam escolher com liberdade se aceitam ou não a proposta da mediação do TST e, apesar de todo o terrorismo da empresa e do TST, aprovando também o início da greve para o dia 26/10.

Durante as assembleias, muitos trabalhadores e trabalhadoras, em razão do assédio e do terror da Petrobrás, manifestaram preocupação com a possibilidade de encerramento das garantias dos direitos previstos no ACT. No entendimento da assessoria jurídica do Sindipetro-NF e da FUP, a Petrobrás não pode reduzir direitos de modo unilateral.

Importante ressaltar que a categoria petroleira já votou em outras rodadas de votação a continuidade da negociação, porém a intransigência da Petrobrás faz com que seja necessária uma grande greve para demonstrar a insatisfação perante a retirada de direitos.

Assembleias continuam durante a semana

Além dos aeroportos, onde até dia 17/10 ocorrerão assembleias, os grupos de turno de Cabiunas e bases administrativas terão uma semana intensa.

Nesta segunda, 14, as assembleias começam às 7h* e continuam às 15h*, com os trabalhadores do grupo C e B de Cabiunas, respectivamente.

Na terça, 15, uma grande assembleia com petroleiros e petroleiras das bases de Imbetiba, Imboassica, Edinc, Barra do Furado, além do HA e Grupo D de Cabiunas, terá início às 7h (com fechamento dos portões às 10h) no ginásio do Juquinha.

Já no dia 16, a categoria de Campos e região poderá participar da assembleia na sede do Sindicato em Campos às 10h, e às 23h* o grupo A de Cabiunas.

No dia 17, último dia de votação, às 7h*, o grupo E de Cabiunas fechará o calendário de assembleias.

*Para garantir a segurança e o conforto dos trabalhadores dos grupos de turno, as assembleias serão realizadas na sede do sindicato, em Macaé.

Confira o resultado parcial:

  A favor Contra Abstenção
01 – Rejeição da proposta apresentada pelo TST no dia 19/09. 95,17% 2,90% 1,93%
02 – Aprovação dos itens encaminhados ao TST, em 26/09, como melhoria à proposta do Tribunal. 97,83% 0,72% 1,45%
03 – Condicionar a assinatura da eventual aprovação das propostas às assinaturas dos acordos coletivos de trabalho das subsidiárias e da Araucária Nitrogenados. 94,69% 0,48% 4,83%
04 – Caso não ocorra negociação, greve a partir do zero hora do dia 26/10. 86,32% 4,25% 9,43%

[Via Sindipetro-NF \ Foto: Arquivo NF ]

Publicado em Sistema Petrobrás

por Iderley Colombini e Cloviomar Cararine

A Petrobrás informou nessa quarta-feira, 28 de novembro de 2018, que assinou com a petroleira anglo-francesa Perenco, contratos para a cessão da participação total nos campos de Pargo, Carapeba e Vermelho, o chamado Polo Nordeste, localizados na Bacia de Campos, em águas rasas na costa do estado do Rio de Janeiro. Na mesma ocasião, anunciou o acordo com a 3R Petroleum para a cessão da participação total em 34 campos de produção terrestre na Bacia Potiguar. O anuncio (teaser) pela Petrobrás dessa venda da totalidade de seus direitos de exploração, desenvolvimento e produção nesse conjunto de campos foi feita em 28 de julho de 2017. A venda dos campos de Pargo, Carapeba e Vermelho representa mais uma etapa da política de privatização da Petrobras que se iniciou com a gestão do Governo Temer em 2016.

O campo de Pargo foi descoberto em 1975 e os campos de Carapeba e Vermelho em 1982 e sua produção inicia-se em 1988, momento em que a Petrobrás exercia o monopólio na exploração de petróleo no país. Em 1998, na chamada Rodada Zero, essas concessões foram outorgadas à Petrobras, quando passou a operar no regime de concessão. O sistema de produção desses campos é integrado e consiste em sete plataformas do tipo jaqueta fixa, que é exportada através da plataforma de Garoupa (PGP1), seguindo através de oleoduto para o continente até o terminal de Cabiúnas. As sete plataformas em operação nesses campos possuem diretamente nas suas operações cerca de 280 funcionários da Petrobrás. Assim, a primeira preocupação está no destino destes trabalhadores, irão para outras unidades da Petrobrás ou continuarão trabalhando nestas unidades em regime de contrato?

Além disso, estes três campos foram vendidos no valor de US$ 370 milhões (cerca de R$ 1,4 bilhões). Apesar do valor aparentemente alto, se torna irrisório se comparado com o potencial dos três campos. Segundo estimativas com base em dados fornecidos pela ANP, as reservas atuais (outubro de 2018) dos campos de Pargo, Carabepa e Vermelho são de 1,5 bilhões de barris de petróleo e 6,7 bilhões de metros cúbicos de gás natural. Para se ter uma ideia da magnitude dos recursos que ainda serão gerados nestes campos, se considerarmos o preço do barril em outubro de 2018, equivaleriam a R$ 441 bilhões. Montante 440 vezes maior que o arrecadado pela Petrobrás com a venda e obviamente, valores que justificam o interesse da empresa europeia.

Chama atenção ainda que o descaso da Petrobrás com os campos maduros da Bacia de Campos não se deve apenas a essa privatização, como se fosse um fato isolado, pois há tempos vem diminuindo investimentos na região, tanto em relação a redução do número de trabalhadores, quanto com a manutenção de maquinas-equipamentos e com os investimentos secundários nos campos. Por serem campos maduros, sua produção depende desses investimentos, que possibilitam a manutenção da produção.

Quando acompanhamos a produção destes 3 campos somados, de 2015 a meados de 2016, esteve na média de 19 mil barris por dia. A partir de julho de 2016, após implantação das novas políticas pelo então presidente da empresa, Pedro Parente, a produção dos três campos diminui de forma drástica, caindo para cerca de 11 mil barris por dia. Considerando os preços do barril de petróleo nos seus respectivos meses de extração e uma produção constante de 18 mil barris, o valor não produzido pela Petrobrás, nesses três campos, em pouco mais de dois anos, foi de R$ 1,18 bilhões, muito próximo do valor que conseguiu vendendo os campos. Esta é mais uma demonstração dos efeitos perversos para a Petrobrás (e, como empresa estatal, para o povo brasileiro) da decisão equivocada de reduzir investimentos na Bacia de Campos, assim como a venda de ativos da empresa.

A privatização dos campos maduros brasileiros para as empresas estrangeiras, apenas representa o triste desfecho de uma política de descaso e entrega do patrimônio público do país, trazendo muitas perdas materiais e incertezas quanto a capacidade produtiva. Infelizmente as políticas executadas pelo próximo governo parece irem no mesmo sentido, de recolocar o Brasil na sua trajetória de subdesenvolvimento.

 

 Economista DIEESE, Subseção Sindipetro NF

 Economista DIEESE, Subseção FUP

Publicado em Petróleo

A Federação Única dos Petroleiros (FUP) foi criada em 1994, fruto da evolução histórica do movimento sindical petroleiro no Brasil, desde a criação da Petrobrás, em 1953. É uma entidade autônoma, independente do Estado, dos patrões e dos partidos políticos e com forte inserção em suas bases.

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