Ato denunciou a política de entrega do patrimônio público pelo governo Bolsonaro. Diretoria da refinaria quis intimidar trabalhadores acionando a PM e desviando ônibus de trabalhadores para participarem do ato

[Da redação da CUT |Foto: Roosevelt Cássio/Sindipetro-SJC]

A luta contra a entrega das refinarias brasileiras à iniciativa privada reuniu sindicatos de petroleiros de diferentes regiões do país na manhã desta quinta-feira (26), em frente à Refinaria Henrique Lage (Revap), em São José dos Campos, no Vale do Paraíba, interior de São Paulo. 

Foi o segundo ato unificado contra a privatização e contra o avanço das terceirizações no sistema Petrobras. Um outro ato já havia sido realizado em Paulínia, na Replan.

Além dos trabalhadores da Revap, engrossaram o ato representantes dos sindicatos Unificado de SP, do litoral paulista e de São José dos Campos e Região, além de Minas Gerais, Paraná e Santa Catarina e da Federação Única dos Petroleiros (FUP), ligada à CUT, e da FNP (Federação Nacional dos Petroleiros).

Secretário de Comunicação da CUT, o petroleiro Roni Barbosa participou do ato denunciando a política de Jair Bolsonaro (ex-PSL) e seu ministro da Economia, Paulo Guedes, de destruição do patrimônio público brasileiro em benefício da iniciativa privada.

“Paulo Guedes, mancomunado com a gestão bolsonarista da Petrobras está tá entregando um patrimônio que não é deles, é um patrimônio do povo brasileiro”, disse o dirigente sobre as refinarias da Petrobras, mas que também vale para todas as outras estatais estratégicas para o desenvolvimento do Brasil, como a Eletrobras e os Correios.

“Precisamos reagir. Trabalhadores e trabalhadoras têm que reagir. E a população brasileira tem que vir conosco nessa luta em defesa do nosso patrimônio”, conclamou Roni Barbosa, ressaltando que a venda das refinarias prejudica o Brasil e os brasileiros, que já estão sofrendo com os sucessivos aumentos nos preços dos combustíveis, problema que pode piorar.  

Ação sindical

A manifestação de trabalhadores ocorre em um momento em que outra unidade da companhia, a Refinaria Isaac Sabá (Reman), em Manaus, foi entregue à Atem’s Distribuidora de Petróleo, por US$ 189,5 milhões, valor que, segundo Roni Barbosa, representa apenas dois meses de faturamento da unidade.

Leia mais: FUP afirma que venda da Reman é mais um crime contra a população e o país

A Reman foi a segunda refinaria privatizada este ano. Em março, foi vendida a Refinaria Landulpho Alves (Rlam), da Bahia, para a Mubadala Capital, por US$ 1,65 bilhão.

Durante o ato da manhã desta quarta-feira, os sindicalistas ainda alertaram para a tentativa de opressão tanto da gestão da refinaria como da Policia Militar (PM) de SP, que enviou ao local de cinco viaturas e 20 policiais para, como costumam dizer as forças de segurança, ”manter a ordem pública”, ainda que em um movimento pacífico.

“Todo esse aparato da PM foi usado para acompanhar uma mera assembleia, com atraso na entrada dos trabalhadores. Isso demonstra o medo, o pavor que a gestão da empresa tem do poder de organização, mobilização e luta dos seus trabalhadores”, disse Roni Barbosa.

Ele afirma que essa situação deve servir como estímulo para que nas próximas paralisações e mobilizações, cada trabalhador convide seus colegas a aderirem

“Daqui pra frente, na próxima paralisação, cada um de nós tem que trazer mais três, mais quatro, mais cinco e quando estiverem todos aqui na frente da refinaria, não tem tropa de choque que tire os trabalhadores ou que os obrigue a trabalhar”, afirmou o dirigente.

Além de acionar a Polícia Militar, a diretoria da refinaria desviou a entrada dos ônibus com trabalhadores, em uma tentativa de prejudicar a realização do ato, que foi anunciado com antecedência, e assim impedir a atuação sindical para chamar esses trabalhadores a aderir aoo movimento.

Manifestações já estão sendo marcadas para os próximos dias, em outras unidades como a Refinaria Presidente Bernardes (RPBC), em Cubatão, e a Refinaria de Capuava (Recap), em Mauá, ambas no estado de São Paulo.

Publicado em Sistema Petrobrás

Desde o início de 2020, todo o acervo de livros, documentos, fotografias e cartazes está sendo catalogado e organizado pelo Sindipetro SP com o objetivo de preservar a memória sindical

[Por Josuel Rodrigues*, do Sindipetro Unificado SP]

No início de 2020, começamos um trabalho fundamental visando o resgate e a conservação da memória de todos os arquivos do nosso sindicato – registros fundamentais das lutas social e sindical brasileira, protagonizadas pela categoria petroleira. Os arquivos fazem referência, principalmente, à organização dos trabalhadores da Refinaria de Paulínia (Replan) – a maior do Sistema Petrobrás e responsável pela produção de 20% dos derivados de petróleo do país.

São diversos os tipos de registros históricos que puderam ser constatados ao longo deste um ano e meio de trabalho: greves, assembleias, mobilizações e confraternizações. Todas essas memórias estão eternizadas em documentos que retratam a história do próprio sindicato como um sujeito coletivo de trabalhadores organizados que, de forma continuada, gestão após gestão, continua defendendo a Petrobrás e o patrimônio do povo brasileiro.

Considerando a variedade de suportes, descreveremos aqui parte do material higienizado e organizado até o presente momento. Primeiramente, é importante destacar uma vasta coleção de periódicos, que compreende desde jornais e revistas produzidos pelo nosso próprio sindicato, até publicações de outros sindicatos. Também possuímos um rico acervo da indústria do petróleo, como uma coleção de revistas e boletins publicados pela própria Petrobrás. Esta hemeroteca poderá ser consultada a fins de pesquisas que envolvam a história da imprensa em geral e, mais especificamente, operária.

Dentre os registros de campanhas realizadas pelos petroleiros e petroleiras, identificamos uma coleção de cartazes, panfletos, adesivos e folders. O acervo também contém materiais de aliados e parceiros de nossa categoria, com destaque aos produzidos pela Central Única dos Trabalhadores (CUT) e Federação Única dos Petroleiros (FUP). São diversos os registros de encontros, fóruns, congressos e conferências que contaram com a presença de representantes do nosso sindicato.

Registro da greve de 1995, que faz parte do acervo fotográfico do centro de documentação e memória (Foto: Arquivo Sindipetro-SP)

O conjunto de livros apresenta, até então, mais de sete centenas de títulos catalogados, uma biblioteca especializada em política e mundo do trabalho. Atualmente, as obras já podem ser acessadas por pesquisadores e pelo público em geral, mediante agendamento prévio.

Já a coleção virtual de fotos possui uma extensa documentação que retrata a luta petroleira desde os embates contra a ditadura militar, como em 1983, passando pelas históricas greves de 1990, 1995 e as mais recentes, das quais temos tanto orgulho de ter protagonizado.

Articulado à comunicação do sindicato, nosso objetivo é construir futuramente ambientes de exposição presencial e virtual de parte deste material. Para o centro de memória físico, que ficará na sede do Sindipetro-SP em Campinas (SP), a ideia é fazer uma inauguração oficial a partir do momento que tivermos condições sanitárias.

Esperamos que nosso centro de memória e documentação seja um espaço de conhecimento, guardando os registros de nossa luta – que é constante –, fortalecendo a identidade de nossa categoria, qualificando e estimulando a produção intelectual e a reprodução desse estoque de história viva.

*Josuel Rodrigues é o responsável pela recuperação e organização dos arquivos do Sindipetro-SP.

Publicado em Movimentos Sociais

Encontro interestadual tem como objetivo definir pautas estratégicas a serem apresentadas na Plenária Nacional da FUP

[Da imprensa do Sindipetro Unificado SP]

Entre os dias 8, 9 e 10 de julho, o Sindicato Unificado dos Petroleiros do Estado de São Paulo (Sindipetro-SP), em mais uma parceria com o Sindicato dos Trabalhadores da Indústria do Petróleo de Pernambuco e Paraíba (Sindipetro–PE/PB), realizará Congresso online  para discutir as diretrizes da categoria e propostas para o próximo Acordo Coletivo de Trabalho (ACT) a serem apresentadas na IX Plenária Nacional da Federação Única dos Petroleiros.

Devido à pandemia de covid-19, pelo segundo ano consecutivo o Congresso Estadual de São Paulo, Pernambuco e Paraíba será realizado inteiramente online. Os trabalhadores da ativa e aposentados que quiserem acompanhar e participar dos debates deverão se inscrever clicando aqui. Só poderão participar das discussões os petroleiros que estiverem devidamente cadastrados.

O encontro será transmitido via Meets e o link para acesso à sala será disponibilizado 30 minutos antes do inicio de cada conferência. Para acessar, o trabalhador (a) devera clicar no link recebido, preencher o campo solicitado com o nome completo e pedir para participar, após o procedimento só será necessário aguardar o moderador.

IX Plena FUP

O encontro também terá como objetivo definir os delegados e delegadas das chapas que representarão os sindicatos no IX Plena FUP. O Sindipetro-SP possui 08 vagas e as chapas devem se atentar a proporcionalidade de gênero com pelo menos 17% das ocupações destinadas à petroleiras.

As chapas interessadas em participar da delegação deverão se inscrever no Congresso até dia 07 de julho, às 12h, pelo e-mail Este endereço de email está sendo protegido de spambots. Você precisa do JavaScript ativado para vê-lo., enviando nome, matrícula, empresa e local de trabalho dos participantes do grupo.

Vale lembrar que, para participar da discussão sobre a pauta de reivindicações, é necessário ter acompanhado os debates anteriores mas, caso o participante não consiga assistir a todas as mesas, será disponibilizado, após o encerramento do Congresso, um link com a gravação de todo o encontro. Para ter acesso aos vídeos, é necessário estar inscrito com e-mail dos provedores Gmail, Outlook ou Hotmail.

Confira a programação completa:

Quinta-Feira (08/07) – Abertura

17h – Abertura do Congresso

18h – Debate sobre conjuntura com Humberto Costa, médico, jornalista e Senador de Pernambuco pelo Partido dos Trabalhadores (PT).

Sexta-Feira (09/07) – Painel sobre petróleo

17h – Debate sobre setor petrolífero com os pesquisadores e economistas Henrique Jäger, do Instituto de Estudos Estratégicos de Petróleo, Gás Natural e Biocombustíveis (Ineep), e Cloviomar Cararine, do Departamento Intersindical de Estatística e Estudos Socioeconômicos (Dieese).

Sábado (10/07) – Pautas de Reivindicação e eleição

9h às 12h – Debate sobre formas de negociação e representação sindical com trabalhadores do Sindicato dos Químicos e do Sindicato dos Bancários.

14h às 17h – Votação e aprovação dos temas discutidos nos grupos de trabalho

17h30 – Eleição de delegados (as) para a IX Plena FUP e encerramento

Pai de gêmeos prematuros, trabalhador da maior refinaria da Petrobrás receberá indenização equivalente ao período de 120 dias de afastamento após ação do Sindipetro Unificado SP

[Da imprensa do Sindipetro SP | Foto: EBC]

No início deste mês, mais especificamente no dia 7 de junho, a 9ª Câmara do Tribunal Regional do Trabalho da 15ª Região manteve a condenação da Petrobrás ao pagamento de indenização a um operador da Refinaria de Paulínia (Replan) – a maior do país – referente à licença-paternidade, que foi equiparada ao mesmo período da licença-maternidade.

A decisão ratifica o julgamento da 2ª Vara de Trabalho de Paulínia (SP), ocorrido em janeiro deste ano, que deferiu ação encabeçada pela assessoria jurídica do Sindicato Unificado dos Petroleiros do Estado de São Paulo (Sindipetro-SP).

Estou exposto ao risco de pegar covid-19, mesmo com os cuidados recomendados – colegas meus de trabalho, sob as mesmas condições, também pegaram

JOSÉ, OPERADOR NA REPLAN

Os gêmeos prematuros, nascidos com 32 semanas e 2 dias de gestação, ainda estavam sob cuidados da Unidade Intensiva de Saúde (UTI) Neonatal quando José* e sua companheira decidiram ingressar com o processo, no dia 29 de junho.

“Eu e minha esposa decidimos entrar com esta ação por vários motivos. Primeiramente, a pandemia, porque toda vez que eu vou trabalhar estou exposto ao risco de pegar covid-19, mesmo com os cuidados recomendados – colegas meus de trabalho, sob as mesmas condições, também pegaram”, recorda.

Com uma jornada de 12 horas, que inclui alta periculosidade, José foi obrigado a retornar ao trabalho após 20 dias do nascimento de seus filhos – 15 dias a mais do que é previsto na Consolidação das Leis do Trabalho (CLT), devido ao Acordo Coletivo de Trabalho (ACT) específico da categoria.

Sou filho de pais divorciados e minha mãe trabalhou muito, muito duro para conciliar emprego com o meu cuidado

JOSÉ, OPERADOR NA REPLAN

Nesse período, a companheira ainda necessitava realizar oito visitas diárias ao hospital, intercaladas a cada três horas, para poder amamentar os filhos sob cuidados intensivos. Mesmo assim, a primeira decisão da Justiça, proferida pelo juiz Renato Clemente Pereira, no dia 2 de julho, negou o pedido de prorrogação da licença-paternidade para o mesmo prazo concedido à licença-maternidade.

“Sou filho de pais divorciados e minha mãe trabalhou muito, muito duro para conciliar emprego com o meu cuidado. Não quero que nós passemos pela mesma situação, prometi para mim mesmo que com meus filhos seria diferente”, afirma José, ao rememorar porque decidiu recorrer da sentença.

Vitória justa, mas tardia

Em janeiro deste ano, entretanto, a juíza Cláudia Cunha Marchetti reviu a decisão anterior e deferiu o pedido do petroleiro, por entender que “a igualdade buscada pela Constituição é material que não se apoia tão somente tratar os iguais como iguais, mas também, sobretudo, tratar os desiguais como desiguais na medida em que se desigualam”.

A magistrada se baseou no artigo 8º da CLT, segundo o qual as autoridades administrativas “na falta de disposições legais ou contratuais, decidirão, conforme o caso, pela jurisprudência, por analogia, por equidade e outros princípios e normas gerais de direito”.

A paternidade de gêmeos prematuros e em tempos de pandemia, não pode ser considerada uma paternidade normal, o que justifica um tratamento diferenciado

TRECHO DA SENTENÇA DA JUÍZA DO TRABALHO CLÁUDIA CUNHA MARCHETTI

Além disso, utilizou-se dos artigos 226 e 227 da Constituição Federal, que garantem a proteção especial do Estado à família e à criança e prevê como dever da família, da sociedade e do Estado assegurar à criança o direito à vida, à saúde e à convivência familiar, respectivamente.

“Conforme analisado acima, a paternidade de gêmeos prematuros e em tempos de pandemia, não pode ser considerada uma paternidade normal, o que justifica um tratamento diferenciado ao autor em relação aos demais empregados da reclamada que se tornaram pais, como forma de equalização das condições desiguais, não havendo se falar, deste modo, em violação do princípio da isonomia como sustenta a reclamada, mas na sua efetiva aplicação”, justifica a sentença.

Além disso, a juíza afirmou que a decisão levou em consideração o risco da função desempenhada pelo operador: “O autor executa função de alto risco não só para si, mas como para a coletividade, o que justifica a concessão de tratamento diferenciado ao mesmo, não apenas em razão do princípio da isonomia, mas, também, como forma de assegurar o interesse coletivo em razão do aumento do risco de acidentes por erro humano, considerando o desgaste físico e emocional decorrentes dos cuidados com os bebês”.

O autor executa função de alto risco não só para si, mas como para a coletividade, o que justifica a concessão de tratamento diferenciado ao mesmo

TRECHO DA SENTENÇA DA JUÍZA DO TRABALHO CLÁUDIA CUNHA MARCHETTI

A decisão foi ratificada no início deste mês pelo juiz relator Renato Henry Santanna, do TRT-15, que apenas descontou os 20 dias de licença que José já havia tirado logo após o nascimento dos filhos. “A situação excepcional enfrentada pelo empregado, durante o período crítico da pandemia do coronavírus, decorrente do nascimento prematuro de gêmeos – circunstância que demanda cuidados médicos extraordinários e acompanhamento de mais de uma pessoa, […] enseja a adoção, pelo empregador, de uma conduta empresarial compatível com a função social do contrato, observado o dever de assistência do genitor na salvaguarda da saúde dos recém-nascidos e de sua esposa […]”.

Por isso, José receberá o valor de R$ 15 mil de indenização referente aos 100 dias que “perdeu” ao lado dos filhos. “Reitero que seria muito mais seguro para nós se não precisássemos disto, se a empresa me desse um tempo maior de licença remunerada”, opina.

Paternidade ativa

Em depoimento à Justiça, a médica pediatra que acompanha os bebês de José defendeu que o direito à equiparação da licença-paternidade à licença-maternidade deveria ser estendida a todos os pais de gêmeos prematuros como uma política pública, medida que defende na Sociedade Brasileira de Pediatria.

Enxergo que se eu cumpro o meu papel de pai – que, para mim, só difere do papel de mãe porque eu não dei à luz nem posso dar de mamar – minha esposa tem mais tempo para cuidar de si mesma

JOSÉ, OPERADOR NA REPLAN

Visão semelhante possui José, que também espera que a decisão possa beneficiar outros trabalhadores: “As leis brasileiras estão muito defasadas nesse contexto, e precisam ser remodeladas para o nosso contexto atual. Espero que isto possa beneficiar outros pais que se disponham a cumprir seu papel, pois sei que têm muitos em situação até pior do que a minha. Creio que seja assim que fazemos mudanças na sociedade, um passo de cada vez”.

Além disso, José destaca a importância da paternidade, tanto para diminuir a desigualdade de gênero, como também para o desenvolvimento dos filhos: “Hoje em dia, o capitalismo cobra muita coisa da gente – e da mulher, cobra-se ainda mais. Por isso, enxergo que se eu cumpro o meu papel de pai – que, para mim, só difere do papel de mãe porque eu não dei à luz nem posso dar de mamar – minha esposa tem mais tempo para cuidar de si mesma. A presença do pai é muito importante no desenvolvimento das crianças, eu me motivo a cuidar deles porque é minha responsabilidade e alegria. São duas pequenas vidas que precisam de mim também”.

*José é um nome fictício criado para preservar o sigilo da fonte. 

Com o recente anúncio de desmobilização de todo o Edifício Consolação, que deixará 135 funcionários sem escolhas em meio a pandemia, o Sindicato realizou setorial para discutir a garantia de direitos para esses trabalhadores

[Da imprensa do Sindipetro Unificado SP]

Sob a justificativa de cortes de gastos na Petrobrás, foi anunciada na última semana a desmobilização do Edifício Consolação (Edicon), na cidade de São Paulo, que coloca em jogo a vida de 135 petroleiros que precisarão ser remanejados para outras unidades da companhia ou aderir a algum programa de demissão voluntária.

Em setorial realizada pelo Sindicato Unificado dos Petroleiros de São Paulo (Unificado-SP), na última sexta-feira (26), a categoria levantou, pontos para o avanço na luta pela garantia de direitos dos trabalhadores recém desmobilizados e à mercê das decisões da estatal.

O documento oficial divulgado pela empresa anuncia que os petroleiros do Edicon serão transferidos para outras unidades da companhia até o dia 1º de julho deste ano. Contudo, o questionamento levantado na discussão com a categoria indaga sobre o prazo de 60 dias para aviso sobre a mudança do empregado, visto que, com as restrições impostas pela fase emergencial da pandemia, fica difícil a locomoção e a procura por moradias em novas cidades.

Leia também: Sem negociação ou aviso prévio, Petrobrás desmobilizará Edicon

Para lidar com o problema, a reivindicação dos trabalhadores é de que o prazo de 60 dias só comece a contar após a convocação da Petrobrás para realização das atividades presenciais.

“Se os trabalhadores estão em trabalho remoto integral, porque não é recomendável a circulação de pessoas, não é plausível impor a esses mesmos trabalhadores que se exponham procurando novas residências. Para viabilizar é possível manter essas pessoas em teletrabalho integral nesse período se for necessário”, argumentou a diretora do Sindipetro-SP, Cibele Vieira.  

Auxílio transferência, Mobiliza e acolhimento

Outro ponto levantado na discussão foi a diferença no valor do auxílio transferência – que é maior para os funcionários gratificados. O sindicato questiona a razão de tal conduta, visto que o custo pessoal e familiar da mudança não segue a lógica da vida individual de cada trabalhador e roga para que seja estabelecido um valor único para todos os petroleiros.

O Unificado-SP defende ainda priorizar os trabalhadores desmobilizados do edifício paulistano no Mobiliza – programa criado pela empresa para intermediar as transferências e facilitar a mobilidade dos funcionários para outras unidades do Sistema Petrobrás.

Já para quem necessitar buscar o serviço de acolhimento que é prestado pela Petrobrás para o remanejamento do trabalhador, o Unificado-SP orienta aos petroleiros que tenham problemas com as novas lotações e a necessidade de alguma adequação por conta da mudança, entrarem em contato com o diretor Tiago Franco Teixeira, pela plataforma do Teams, para que cada caso seja acompanhado individualmente.

Atrasos, cortes de rendição e distribuição de combustíveis a preços justos marcam as primeiras semanas do movimento grevista

[Da imprensa do Sindipetro Unificado SP]

Troca na presidência da Petrobrás, investigações da Comissão de Valores Mobiliários (CVM) envolvendo operações financeiras suspeitas, demissão do gerente executivo de Recursos Humanos por insider trading e aprovação da venda da Refinaria Landulpho Alves (Rlam) pelo Conselho de Administração. Além de todas essas notícias envolvendo a maior estatal do país, o Brasil ainda assumiu o primeiro lugar do mundo no número de mortes por covid-19 no mês de março.

Justamente por esse cenário, a greve dos petroleiros, iniciada no dia 5 de março, tem particularidades que respondem a esse colapso político, econômico e sanitário do país – e, dialeticamente, da Petrobrás. Diferentemente da paralisação de fevereiro do ano passado, as últimas quatro semanas indicam que a atual movimentação da categoria será longa e crescente. Esse é o ponto de vista do diretor da Federação Única dos Petroleiros (FUP), Arthur Bob Ragusa.

“Nós estamos fazendo história por estarmos resistindo nessa briga que é contra uma empresa e um governo gerenciados de maneira suicida, principalmente em relação à pandemia. Nas bases pelo Brasil, as greves já foram ou estão sendo aprovadas em assembleias, com movimentos diários. Com a notícia da venda da Rlam, sabemos que é necessário subir progressivamente o tom, e a fragilização da direção da Petrobrás abre caminho para isso. Temos que fazer isso com muita inteligência e sagacidade, porque essa é uma disputa de médio e longo prazo”, opina Ragusa. 

 A greve foi aprovada, primeiramente, em quatro estados do país – Amazonas, Bahia, Espírito Santo e São Paulo. Posteriormente, assembleias em outros estados também confirmaram, muito mais do que uma greve nos moldes como é popularmente conhecida, um movimento grevista.

Apesar de convergirem no repúdio ao sistemático processo de privatização em curso na Petrobrás, cada um dos sindicatos filiados à FUP tem construído suas próprias pautas locais. A partir delas, as bases têm realizado atrasos e cortes de rendição – quando trabalhadores deixam de comparecer a um turno de trabalho como protesto. Até o momento, ocorreram sete cortes de rendição na Refinaria Landulpho Alves (Rlam), seis na Usina do Xisto (SIX), três na Refinaria de Paulínia (Replan), dois na Refinaria Gabriel Passos (Regap) e um na Refinaria de Capuava (Recap). 

Leia também: Entenda o cálculo utilizado pela Petrobrás para definir os preços dos combustíveis

Além disso, os sindicatos têm intensificado as campanhas de distribuição ou venda subsidiada de combustíveis a preços justos, com o objetivo de denunciar o preço de paridade de importação (PPI), que vincula os preços dos combustíveis praticados nas refinarias às variações do dólar e do barril internacional de petróleo.

“Para todos os que estão preocupados com a continuidade do nosso movimento, com a nossa resistência e capacidade de mobilização, é necessário dizer que, por hora, nós estamos fazendo história. As mobilizações são diárias, não apenas nas unidades da Petrobrás, mas com toda a população por meio das vendas e distribuições de combustíveis a preço justo”, aponta Ragusa. 

De uma maneira geral, a empresa tem adotado uma prática antissindical, como se tornou prática na gestão do economista Roberto Castello Branco. Além de não responder às pautas de reivindicações enviadas pelos sindicatos, algumas gerências têm praticado assédio moral contra os trabalhadores que aderem ao movimento.

Leia também: Petrobrás demite gerente por usar informações internas para lucrar com venda de ações

Exemplos desse modus operandi foram praticados na Refinaria Abreu e Lima (RNEST), com advertência aos trabalhadores que participaram do “Lockdown pela Vida”, e na Refinaria de Paulínia (Replan), com constrangimento individual de petroleiros que aderiram aos cortes de rendição e protocolos autoritários que incluem barrar o uso dos banheiros durante as assembleias.

Petroleiros tem intensificado o debate com a população por meio de vendas e distribuições de combustíveis a preço justo (Foto: Eric Gonçalves/Sindipetro-SP)

Entretanto, a demissão do até então gerente executivo de Recursos Humanos, Cláudio Costa, por descumprir estatuto interno da companhia e ter especulado no mercado financeiro a partir de informações sigilosas, incluindo denúncias contra Castello Branco, pode ser a brecha para a categoria pressionar por mudanças. Essa é a opinião do diretor do Sindicato Unificado dos Petroleiros do Estado de São Paulo (Sindipetro-SP), Gustavo Marsaioli.

O plano da atual diretoria é vender 8 das 13 refinarias da Petrobrás (Arte: Sindipetro-SP)

“Existe um cenário de total deterioração do setor de Recursos Humanos e, por isso, nós precisamos aumentar a pressão pelas nossas pautas regionais. Até o momento, com o Cláudio Costa, existia uma determinação clara repassada a todas as gerências que era não negociar. Com a sua saída, por utilização de informações internas para lucrar com ações na bolsa de valores, abre-se uma oportunidade para reforçarmos a pressão”, opina Marsaioli.   

Além disso, algumas unidades iniciaram paradas de manutenção – que consiste na paralisação de determinados setores para a realização de obras –, o que atraiu centenas de trabalhadores terceirizados e, consequentemente, fez explodir os números de trabalhadores contaminados. Foi o que ocorreu na Rlam, na região metropolitana de Salvador (BA), e na Refinaria Gabriel Passos (Regap), na região metropolitana de Belo Horizonte (MG).

Até o momento, de acordo com o Boletim de Monitoramento do Ministério de Minas e Energia, já foram já foram contaminados 5.895 trabalhadores por coronavírus, de um efetivo total de 46.416. Destes, 19 faleceram em decorrência da covid-19.

Mesmo com todos esses obstáculos, a mobilização segue ganhando mais adesões de unidades e trabalhadores pelo país. Confira abaixo o quadro nacional de mobilizações:

Bahia

Na Bahia, os petroleiros completaram 27 dias em greve com diferentes tipos de mobilizações, com o objetivo principal de denunciar a venda da Refinaria Landulpho Alves (Rlam) ao fundo Mubadala, dos Emirados Árabes – de acordo com o Instituto de Estudos Estratégicos do Petróleo (Ineep), a negociação custou metade do seu valor real. Para o Sindicato dos Petroleiros da Bahia (Sindipetro-BA), a venda da Rlam acarretará grandes prejuízos para economia do estado, sobretudo aos consumidores que pagarão preços ainda mais altos pelos combustíveis e pelo gás de cozinha. Uma extensa pauta de reivindicações foi enviada à Petrobrás, mas ainda não houve resposta da direção da estatal. Confira a pauta completa de reivindicações aqui.

São Paulo

Em São Paulo, petroleiros iniciaram as mobilizações em 5 de março com atrasos de duas horas realizados nas refinarias de Paulínia (Replan) e Capuava (Recap), localizadas nos municípios paulistas de Paulínia e Mauá, respectivamente, além dos terminais da Transpetro em Barueri, Guararema e São Caetano. Ao longo do mês, entre as atividades de greve também ocorreram ações de distribuição de combustíveis a preço justo para a população. Também ocorreram três cortes de rendição na Replan e um na Recap ao longo deste último mês.

Segundo o Sindicato Unificado dos Petroleiros do Estado de São Paulo (Sindipetro-SP), os trabalhadores reivindicam a reposição de pessoal, pagamento de homologações e outros descontos indevidos, garantia de direitos previstos em acordo coletivo e um plano de segurança operacional, devido ao número crescente de acidentes. O Sindicato denuncia ainda que a direção da empresa começou a adotar medidas para minar qualquer outro movimento semelhante à greve de fevereiro do ano passado. Para isso, iniciou um processo de terceirização de setores e cargos essenciais, o que fragiliza os vínculos de trabalho e, consequentemente, o poder de mobilização da categoria.

Espírito Santo

No Espírito Santo, os petroleiros também iniciaram a greve no dia 5 de março. Em diversas ações realizadas ao longo do mês, denunciaram o descumprimento dos protocolos de segurança contra a covid-19 pela direção da Petrobrás, o que colocou em risco a saúde dos trabalhadores. Segundo o Sindicato dos Petroleiros do Espírito Santo (Sindipetro-ES), a greve também tem o objetivo de manifestar repúdio ao desrespeito da legislação trabalhista promovido pela direção da estatal, com as demissões e a exposição dos trabalhadores ao acúmulo de função. O sindicato também denuncia surtos de covid-19 nas plataformas do estado.  

Paraná

No estado do Paraná, a greve dos petroleiros se concentra na Usina do Xisto (SIX), localizada em São Mateus do Sul. Lá, os trabalhadores estão completando o sexto dia de protesto nesta quarta-feira (31). Eles reivindicam principalmente melhores condições de trabalho e garantia de direitos – caso se confirme a privatização da unidade. Segundo o Sindicato dos Petroleiros do Paraná e Santa Catarina (Sindipetro PR/SC), desde o início do movimento, a postura da empresa é de negar qualquer tipo de diálogo. A Petrobrás também tem impedido o ingresso dos trabalhadores para garantir a manutenção dos serviços essenciais durante a greve – o que tem ocasionado a suspensão das atividades na unidade que gera o Gás Liquefeito de Petróleo (GLP), popularmente conhecido como gás de cozinha.

Pernambuco

Em Pernambuco, a greve ainda não foi iniciada, apesar de já ter sido aprovada em assembleia pela categoria. Mesmo assim, houve um atraso no início das operações da Refinaria Abreu e Lima (RNEST), em 5 de março. Além disso, na última quarta-feira (24), os trabalhadores participaram do “Lockdown em Defesa da Vida e dos Direitos”, movimento nacional convocado pelas Centrais Sindicais, quando pararam um dos turnos da refinaria, sendo alvos de advertências por parte da gerência. O Sindicato dos Trabalhadores da Indústria do Petróleo de Pernambuco e da Paraíba (Sindipetro PE/PB) denuncia que o episódio configura uso de práticas antissindicais e assédio moral da Petrobrás e afirma que já acionou seu departamento jurídico para reparar os danos causados às vítimas.

Minas Gerais

Em Minas Gerais, os trabalhadores decidiram suspender a greve na última segunda-feira (22), após a Petrobrás apresentar uma proposta de abertura de diálogo. A resposta da estatal veio após mobilização da categoria, concentrada na Refinaria Gabriel Passos (Regap), e do posicionamento do Ministério Público do Trabalho (MPT) sobre o surto de covid-19 na unidade. Durante todo o mês de março, o Sindicato dos Petroleiros de Minas Gerais (Sindipetro-MG) denunciou o crescimento dos casos da doença na refinaria e reivindicou uma resposta da empresa.

Rio de Janeiro

No Rio de Janeiro, trabalhadores da Refinaria Duque de Caxias (Reduc) realizaram atividades de solidariedade durante o mês como parte das ações que integram a greve nacional da categoria. Entre elas, houve a distribuição de botijões de gás a preço justo, como forma de conscientização da população. As ações foram realizadas em parceria entre o Sindicato dos Petroleiros do Norte Fluminense (Sindipetro-NF) e Sindicato dos Petroleiros de Duque de Caxias (Sindipetro Caxias). Na última quinta-feira (25), os petroleiros enviaram um documento ao Ministério Público do Trabalho (MPT) solicitando o adiamento da parada de manutenção da unidade – que reúne mais trabalhadores no local. Nele, também reivindicam máscaras e equipamentos de proteção contra a covid-19. 

Amazonas

No Amazonas, desde 5 de março, petroleiros têm se mobilizado nas atividades de greve. Como principal ação realizada nesse período, os trabalhadores organizaram a distribuição de combustíveis a preço justo para taxistas e mototaxistas. A atividade foi realizada a partir de uma parceria entre o Sindicato dos Petroleiros do Amazonas (Sindipetro-AM), o Sindicato dos Taxistas do Amazonas (Sintax-AM) e o Sindicato dos Profissionais de Mototáxi de Manaus (Sindmoto). Além disso, os trabalhadores têm realizado atrasos e cortes de rendição na Refinaria Isaac Sabbá (Reman).

Publicado em Sistema Petrobrás

A pauta dos trabalhadores organizados no Sindipetro-SP inclui aumento da utilização das refinarias e a oferta de combustíveis a preços justos

[Da imprensa do Sindipetro Unificado SP]

Esta sexta-feira (5) amanheceu em clima de mobilização nas bases do Sindicato Unificado dos Petroleiros do Estado de São Paulo (Sindipetro-SP), com atrasos de duas horas realizados por trabalhadores das refinarias de Paulínia (Replan) e Capuava (Recap), localizadas nos municípios paulistas de Paulínia e Mauá, respectivamente.

O protesto pode ser considerado uma prévia da greve que já foi aprovada pela categoria em assembleias realizadas entre os dias 22 e 27 de fevereiro. Além das refinarias, também corroboraram a paralisação os petroleiros dos terminais da Transpetro, do Edifício Sede de Brasília (Esbras) e das usinas termelétricas Fernando Gasparian (UTE FEG) e Luís Carlos Prestes (UTE LCP).

Como determina a legislação que rege o direito de greve, o Sindipetro-SP enviou um comunicado de greve às gerências da Petrobrás e da Transpetro no dia 1 de março, informando as pautas locais de cada unidade.

As reivindicações incluem a reposição de trabalhadores, pagamento de homologações e outros descontos indevidos, garantia de direitos previstos em acordo coletivo e um plano de segurança operacional, devido ao número crescente de acidentes.

Apesar do envio das pautas detalhadas e especificadas por cada unidade, a Petrobrás enviou um documento no qual ignora todos os pleitos apresentados. Por outro lado, requisita uma reunião para negociar um contingente mínimo de empregados com o propósito de “garantir a prestação dos serviços indispensáveis ao atendimento das necessidades inadiáveis da comunidade”.

Como tréplica, a direção do Sindipetro-SP redigiu um novo texto, encaminhado na última quinta-feira (4), no qual aponta que a greve visa “o aumento da produção em nossas refinarias, a operação das fábricas com número suficiente e seguro de trabalhadores e a diminuição dos preços dos derivados. Tudo isso seguindo os melhores protocolos de saúde, higiene e segurança para a pandemia”.

Pelo fim do PPI

Nos últimos anos, o fator de utilização das refinarias (FUT) – que é porcentagem de produção em relação à capacidade total da unidade – tem caído progressivamente. Em 2013, por exemplo, o FUT era de 94%. Em janeiro deste ano, o FUT foi de apenas 74%.

“Quem não está cumprindo com ‘a prestação de serviços indispensáveis ao atendimento das necessidades inadiáveis da comunidade’ é a própria direção atual da Petrobrás, que tem subutilizado suas refinarias”, afirma o diretor do Sindipetro-SP, Arthur Bob Ragusa.

Essa diretriz de diminuir a produção de derivados tem ocasionado, por outro lado, o aumento da importação de combustíveis. Além disso, desde 2016, a Petrobrás passou a aplicar o preço de paridade de importação (PPI), que vincula os reajustes dos combustíveis às variações internacionais do barril do petróleo e da cotação do dólar.

“Devido ao PPI, apesar dos estoques nas refinarias e terminais estarem altos, a Petrobrás está perdendo mercado nacional para importadoras, aumentando exportação de derivados, enquanto a comunidade paga preços cada vez mais altos pelos combustíveis e gás de cozinha”, pontua o documento.

Publicado em Sistema Petrobrás

Comunicamos com muita tristeza o falecimentos do ex-coordenador da Federação Única dos Petroleiros, Antônio Aparecido Carrara, 63 anos, ocorrido neste domingo, 13/12, após uma dura batalha contra o câncer. Nós, funcionários e dirigentes da FUP, lamentamos profundamente a perda de um companheiro tão querido e manifestamos nossos sinceros sentimentos aos seus familiares e amigos, à esposa e aos cinco filhos que ele tanto amava: Mariana, Carol, Thiago, João e Antônio.

O velório e o sepultamento serão nesta segunda, 14, entre as 10h e 12h, no Memorial Garden, na cidade de Ourinhos (Estrada Fernando Antônio Paschoal, 1555), interior de São Paulo.

Carrara dedicou a maior parte da sua vida à luta contra as injustiças sociais, sempre se levantando contra todas as formas de opressão. Nos deixa um legado político e, principalmente, um legado de amor. Toninho, como muitos de nós o chamávamos, tinha a estranha mania de ter fé na vida. E não entendam isso como um simples trocadilho com a canção de Milton Nascimento. O fato é que ele cultivava otimismo e esperança em tudo o que fazia. Sempre brincalhão, nos brindava com seu sorriso largo e doce, mesmo nos momentos mais difíceis. Tinha uma delicadeza contagiante nas relações humanas, colocando-se no lugar do outro, sempre. Quanta falta já nos faz!

Se engana quem pensa que toda essa gentileza e generosidade o fragilizava nas lutas sindicais. Pelo contrário. A empatia era o que o potencializava como liderança. Por tudo isso, Carrara sempre foi muito querido e respeitado não só no meio sindical, como nas áreas da Petrobrás em que atuou, do chão da fábrica da Replan às gerências de Responsabilidade Social na Petrobrás Argentina e na Refinaria Abreu e Lima.

O legado sindical que ele nos deixa já faz parte da história da categoria petroleira, como as batalhas travadas contra o desmonte da Petrobrás no governo FHC e as lutas que reverteram as demissões arbitrárias de centenas de trabalhadores nos governos neoliberais.

Trajetória sindical é inspiração para as novas gerações

Antônio Carrara foi admitido na Petrobrás em 1979, como técnico de segurança da Replan, na região de Campinas, em São Paulo. Ingressou na luta sindical com a preocupação de defender melhores condições de trabalho, saúde e segurança para os petroleiros. Na FUP, participou de três mandatos: foi Secretário de Comunicação entre 2000 e 2002 e Coordenador Geral nas duas gestões seguintes (2002-2004 e 2004-2006). Na década de 90, atuou nas direções da CUT São Paulo e do Sindipetro Campinas, onde foi um dos principais articuladores do processo de unificação dos sindicatos do Estado de São Paulo, que resultou na fundação do Sindipetro Unificado SP, em agosto de 2002.

Nos três mandatos sindicais que exerceu na FUP, Carrara participou de algumas das lutas mais difíceis da categoria petroleira sob o governo neoliberal de Fernando Henrique Cardoso. Uma delas foi a denúncia do processo de sucateamento das unidades da Petrobrás e da intensa terceirização que desencadearam graves acidentes, como dois vazamentos de petróleo em um intervalo de apenas seis meses no ano de 2000. O resultado dessa tragédia foi o despejo de 1,3 milhão de litros de óleo na Baía de Guanabara (RJ) e mais 4 milhões de litros de petróleo nos rios Barigui e Iguaçu, no Paraná. No ano seguinte, em março de 2001, o Brasil e o mundo assistiram perplexos ao afundamento da plataforma P-36, que causou a morte de 11 trabalhadores.

A passagem de Antônio Carrara pela FUP ocorreu durante um período de desmonte acelerado do Sistema Petrobrás, que lembra os tempos atuais, mas foi estancado com a eleição de Lula, em 2002. Os ataques daquela época deixaram marcas profundas no país, como os primeiros leilões de concessão de campos de petróleo, após a quebra do monopólio da Petrobrás; o golpe que o então presidente da empresa, Henri Philippe Reichstul, tentou emplacar às vésperas do Natal de 2000, ao mudar na surdina o nome da estatal para Petrobrax; a entrega de 31,7% das ações da Petrobrás na Bolsa de Nova Iorque; a venda de 30% da Refap, entre tantas outras batalhas enfrentadas no governo de FHC e que desencadearam a histórica campanha Privatizar Faz Mal ao Brasil.

Após assumir a Coordenação da FUP, Carrara teve papel decisivo em uma das principais conquistas políticas da categoria petroleira, impulsionada pela nova correlação de forças que emergiu da urnas em 2002: a reintegração dos grevistas demitidos em 1994 e em 1995 e a anistia e o retorno ao Sistema Petrobrás de cerca de 1.200 trabalhadores da Interbrás, Petromisa, Petroflex e Nitriflex, subsidiárias extintas e privatizadas nos governos de Fernando Collor e Itamar Franco. Também foi durante a sua gestão que os petroleiros celebraram o primeiro Acordo Coletivo de Trabalho da Transpetro.

Carrara deixa ainda como legado e inspiração para as novas gerações de petroleiros dois projetos que ajudou a construir nos anos 2000, em parceria com a diretoria que assumiu a Petrobrás no primeiro governo Lula: o Memória dos Trabalhadores Petrobrás, que reconta a história da empresa através da narrativa dos trabalhadores e das lideranças sindicais, e o projeto MOVA Brasil, que alfabetizou mais de 200 mil jovens e adultos em 11 estados do país, entre 2003 e 2015.

Carrara combateu o bom combate, fazendo de sua existência, resistência.

Antônio Aparecido Carrara, presente. Hoje e sempre!

De seus amigos, funcionários e diretores da FUP

Publicado em Movimentos Sociais

Em edição especial do SindiPapo, ex-presidenta avaliou os motivos que culminaram no golpe de 2016, apontou interesses imperialistas na Petrobrás e reconheceu que país vive uma encruzilhada: “ir pra rua é ruim, não ir também é”   

Na última sexta-feira (12), dia dos namorados, milhares de pessoas puderam se reconectar com a ex-presidenta Dilma. Na 10ª edição do SindiPapo, live do Sindipetro Unificado dos Petroleiros do Estado de São Paulo (Sindipetro Unificado – SP) criada durante a pandemia de Covid-19, Dilma Rousseff (PT) discorreu ao vivo sobre diversos temas, como disputas geopolíticas em torno do petróleo e até dicas culturais para desfrutar na quarentena.

Apesar de avaliar como grave a atual situação política do país, Dilma foi enfática em acreditar na superação da crise. “O Brasil não pode se conformar com um governo menor que os brasileiros. Eu já sofri na carne a derrota, mas vi a capacidade do povo de se reconstruir”, afirmou. 

O bate-papo, mediado pelo jornalista Luiz Carvalho, também contou com a presença da diretora do Sindipetro Unificado e da Federação Única dos Petroleiros (FUP), Cibele Vieira. Foi justamente a sindicalista que iniciou o debate recordando os conflitos que a categoria teve durante o governo da ex-presidenta, apesar da admiração.

“Na divulgação desta live, nós aproveitamos o dia dos namorados e apontamos a saudade que estávamos da nossa ex-presidenta. Mas como todo relacionamento, nós tivemos pontos altos e baixos. A sua história com a nossa categoria pegou desde o auge da Petrobrás, com o descobrimento do pré-sal, até o momento que para nós foi muito marcado por muita tensão, o que é natural entre movimento sindical e governo”, explicou Cibele.

Antes de se tornar a primeira e única mulher a ocupar o cargo mais alto do Executivo, função que exerceu de 2011 a 2016, Dilma já havia chefiado o Ministério de Minas e Energia, de 2003 a 2005, e comandado o Conselho de Administração da Petrobrás, de 2003 a 2010. Nesse período, como aponta Cibele, a estatal viveu o auge da sua história e o início de uma política, de venda de ativos e diminuição do quadro de funcionários, que vigora até hoje.

Em 2006, a Petrobrás descobriu uma das maiores reservas de petróleo do mundo, o pré-sal. No ano seguinte, registrou o maior valor de mercado da sua história, de R$ 430 bilhões. Durante a gestão do Partido dos Trabalhadores no governo federal, de 2003 a 2015, a estatal investiu R$ 59 bilhões ao ano, valor 713% maior do que a média do governo de Fernando Henrique Cardoso (1994-2002) e 22% mais elevado que a média no pós-golpe, em 2016.

O número de trabalhadores também bateu recorde no seu governo. Em 2013, a empresa chegou a contar com 86 mil próprios 360 mil terceirizados. Em 2003, esse número era de 48 mil próprios e 123 mil terceirizados e, atualmente, se aproxima de 17 anos atrás somando 57 mil próprios e 103 mil terceirizados.

Todo esse crescimento, entretanto, não impediu que o governo levasse adiante uma iniciativa que causou um choque frontal com a categoria. “No leilão de Libra, eu acampei em frente ao Congresso para lutar contra. Agora, nós petroleiros fazemos uma leitura da história que nos ajuda a compreender um pouco melhor o que foram aqueles momentos”, ponderou Cibele.

No leilão de Libra, em 2013, a União ficou com 40% do óleo cru, além da indicação da Petrobrás como operadora única do campo. “A média no pós-golpe é de apenas 16% a quantidade de óleo cru destinada à União. No leilão de Libra, tinha um conteúdo local de 55%, que era a preocupação de gerar desenvolvimento nacional. Nos leilões pós-golpe, esse número caiu para 30%”, lamentou Cibele.

Nesse sentido, Dilma recordou o histórico do campo de Libra, localizado na Bacia de Campos, no pré-sal. “Você sabe a história de Libra? Libra havia sido concedida para a Shell, que perfurou e não achou petróleo. Libra é uma devolução. Só tem uma empresa que conhece como explorar petróleo na bacia do Atlântico. Quem é essa empresa?”, indagou. 

Em 2001, a empresa anglo-holandesa Shell perfurou um poço de Libra, não encontrou petróleo e, por isso, devolveu o que é considerada uma das maiores reservas nacionais. “Por que Libra era importante? Porque era importante mostrar que havia condições de explorar os campos do pré-sal no modelo de partilha. Ainda não mexeram na partilha, mas você pode ter certeza absoluta que esse é o objetivo, ou seja, privatizar [a Petrobrás] e acabar com a partilha. Eles querem dominar toda a poligonal que envolve o pré-sal”, explicou Dilma.

Dilma também rememorou a espionagem realizada pela Agência de Segurança Nacional dos Estados Unidos (NSA), em 2013, nos computadores da Petrobrás e da própria ex-presidenta. “Eu tenho clareza que naquele movimento que levou ao golpe, os grampos que foram feitos na Petrobrás e no meu gabinete tinham o objetivo geopolítico, de setores da administração dos Estados Unidos, de impedir que nós tivéssemos o controle soberano sobre o nosso próprio petróleo. E daí vieram todas as fake news”, avaliou.

Fake news e golpe

“Eu acredito que a Petrobrás, junto comigo e com o presidente Lula, foram os maiores alvos das fake news”, opina Dilma. Para a petista, os ataques por meio de notícias falsas surgiram muito antes da atual onda bolsonarista e por veículos que hoje denunciam a prática.

“A Globo, que dizia que o pré-sal era uma invenção esquizofrênica do PT, quando viu o interesse absoluto das majors sobre os campos de petróleo, descobre que o pré-sal existe, ‘passa bem, obrigado’, e corresponde atualmente a 55% da produção de petróleo do Brasil. É uma situação fantástica, se a gente pudesse dar um replay seria bom para ver como eles tratavam do pré-sal anteriormente”, recordou Dilma.

 

Além desses setores da mídia hegemônica, Dilma lembrou que a direita e centro-direita liberal, que hoje se colocam contra o governo de Jair Bolsonaro (sem partido), foram as responsáveis por colocá-lo no poder. “No Brasil, nós havíamos ganhado quatro eleições consecutivas, então o golpe de 2016 foi dado para cumprir algumas funções. Ele tem como base os partidos de direita e centro-direita, a Lava Jato, o mercado e a mídia. Eles deram o golpe para enquadrar o Brasil econômica, social e geopoliticamente. A Petrobrás está dentro tanto do geopoliticamente, quanto da questão econômica”, relacionou.

Para Dilma, devido a essa irresponsabilidade de setores da política tradicional, judiciário e mídia, o país vive hoje sob o risco de um governo que força o caminho para o autoritarismo. “O Bolsonaro tende para o autoritarismo? Este é o projeto dele. E ele faz isso através de aproximações sucessivas. Essa é expressão adotada pelo vice presidente Hamilton Mourão, que significa uma tática militar. Se você não tem condição de conseguir aquilo que te interessa, você faz a primeira tentativa, avança 100. Vai e faz um discurso propondo intervenção militar, por exemplo. Depois recua 50, mas com isso já avançou 50”, ilustrou.

Diante disso, a ex-presidenta considera essencial a criação de uma frente ampla, mas com definições estabelecidas sobre o atual governo. “Eu acho que devemos ter uma frente progressista e popular, com uma manifestação clara pela democracia. E, atualmente, ter uma manifestação clara pela democracia sem pedir o ‘fora Bolsonaro’ não é possível. Porque daí é o cúmulo da ineficácia, além de ser uma cara de pau absoluta”, opinou. 

Apesar da certeza em relação à necessidade de formar uma unidade no campo político, Dilma se mostra reticente sobre os protestos de rua que estão começando a ganhar fôlego, mesmo diante do risco de contágio do coronavírus. “Vivemos uma ‘escolha de Sofia’: ir pra rua é ruim, não ir também é”.

Dicas culturais

Apesar dos temas complexos, durante a conversa de cerca de uma hora e meia ainda sobrou tempo para Dilma indicar um livro e uma série que a estão ajudando passar por este momento de isolamento social.

Como leitura, a ex-presidenta sugeriu a obra “M, O Filho do Século”, a primeira de uma trilogia do italiano Antonio Scurati, lançada este ano no Brasil. A narrativa conta a história da ascensão do ditador Benito Mussolini ao poder na Itália, durante a Primeira Guerra Mundial, e a fundação posterior de um regime fascista.      

Já no campo do entretenimento, a ex-presidenta confessou que não conseguiria praticar os 45 minutos de exercícios diários em sua bicicleta ergométrica sem a série policial norte-americana The Mentalist (O Mentalista). Entretanto, mostra-se preocupada porque já está na última das sete temporadas. “Estou aberta para dicas novas séries”, brincou.

Confira abaixo a edição completa do SindiPapo: 

[Via Sindipetro Unificado de São Paulo]

 

Publicado em Política
Segunda, 14 Janeiro 2019 17:53

Replan e Recap sob ameaça de privatização

Não bastasse a estratégia equivocada da gestão da Petrobrás de vender 60% de quatro importantes refinarias no Sul e Nordeste do país, o Conselho Administrativo de Defesa Econômica (Cade) aparece, neste início de ano, com uma proposta ainda pior: a venda integral dessas unidades. O órgão reforça o aprofundamento do desmonte da estatal e recomenda ainda que sejam feitos desinvestimentos no setor de refino da região Sudeste, colocando sob ameaça a Refinaria de Paulínia (Replan) e a Refinaria de Capuava (Recap).

As propostas foram apresentadas pelo Grupo Técnico, formado por representantes do Cade e da ANP (Agência Nacional do Petróleo) para debater o mercado de combustíveis no Brasil. “Esses aconselhamentos absurdos nos deixam ainda mais preocupados e com a pulga atrás da orelha, porque nos parece óbvio que esses órgãos federais estão sendo usados politicamente para o projeto de desmanche da Petrobrás”, afirma o coordenador geral do Sindipetro Unificado-SP, Juliano Deptula.

Em seu discurso de posse, no dia 3 de janeiro, o novo presidente da Petrobrás Roberto Castello Branco, afirmou ser inconcebível o monopólio da estatal no refino e, em um vídeo exibido no canal interno da companhia, informou que a empresa vai avaliar a venda de algumas refinarias.

Para acabar com a “solidão na indústria do refino”, como referiu-se Castello Branco, o novo governo e a nova gestão da Petrobrás parecem focar a atenção no downstream (fase logística, do transporte dos produtos da refinaria até os pontos de consumo). A substituição dos diretores das áreas de Refino e Gás Natural e Estratégia, Jorge Celestino e Nelson Silva por Anelise Quintão Lara e Lauro Cotta, respectivamente, sinalizam a saída da Petrobrás desse segmento. A privatização da Liquigás, inclusive, apontam especialistas, deve voltar para a pauta da empresa.

“O presidente da Petrobrás é o único CEO do planeta interessado em abrir concorrência e reduzir o tamanho da empresa que ele comanda. Isso não parece lógico”, afirma o diretor do Sindicato Gustavo Marsaioli.

A venda das refinarias não vai reduzir o valor dos combustíveis e do gás de cozinha, e os brasileiros continuarão pagando caro por esses produtos, seguindo os preços internacionais. Para o Sindicato, o desmonte do refino vai inviabilizar a construção de novas refinarias no Brasil e aumentar as exportações de pré-sal e importações de combustíveis, derivados do petróleo e fertilizantes. “Quem sai lucrando com isso são as multinacionais e não o mercado brasileiro”, lamenta Marsaioli.

 Gestão de ‘insanidade’

Tirar o protagonismo da Petrobrás no refino é uma “insanidade”, afirma o diretor do Unificado e da FUP, João Antônio de Moraes. “Ele (Roberto Castello Branco) precisa ir para o manicômio. Como ele assume uma empresa e diz que quer diminui-la, abrindo mão do mercado que ela possui?", questiona.

Segundo Moraes, o setor é concentrado nas mãos de poucas empresas e, nesse cenário, é mais benéfico que o controle seja do país. "A sociedade não consome petróleo, mas seus derivados, portanto, a existência das refinarias é o mais importante para a população brasileira. Castello Branco assume a empresa para abrir espaço aos concorrentes", declara.

O dirigente sindical lembra ainda que o mercado de petróleo no Brasil está aberto desde 1997. "Qualquer empresa poderia se instalar e criar uma refinaria. Não é verdade que ao tirar a Petrobrás virá uma empresa privada, porque nenhuma quis entrar no mercado até agora", argumenta.

A onda de privatizações planejada pelo novo governo, de acordo com Moraes, pode agravar mais a crise no país, já que a Petrobrás foi fundamental no enfrentamento da recessão de 2008. "Durante os 60 anos da Petrobrás já tentaram entregar o nosso patrimônio, mas o povo precisa se organizar e não aceitar essa tragédia. Isso aumentaria o preço do combustível e traria dificuldades para o desenvolvimento da economia", conclui.

 [Por Alessandra Campos, do Sindipetro Unificado de São Paulo, com informações da FUP]

 

Publicado em Sistema Petrobrás
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A Federação Única dos Petroleiros (FUP) foi criada em 1994, fruto da evolução histórica do movimento sindical petroleiro no Brasil, desde a criação da Petrobrás, em 1953. É uma entidade autônoma, independente do Estado, dos patrões e dos partidos políticos e com forte inserção em suas bases.