Categoria reivindica o direito à vida dos trabalhadores expostos à contaminação pelo coronavírus e o cumprimento da lei e de regras sanitárias pela Petrobrás

Em ofício enviado à Petrobrás, o Sindicato dos Petroleiros do Norte Fluminense (Sindipetro-NF) , filiado à Federação Única dos Petroleiros (FUP), confirmou à empresa que a categoria aprovou a deflagração de greve por tempo indeterminado, a partir do zero hora desta terça, 4/5. O movimento da categoria se dá em defesa da vida dos trabalhadores que estão expostos à contaminação pelo coronavírus. Diversas plataformas de petróleo estão sofrendo com o surto da doença. Somente em abril foram mais de 500 petroleiros contaminados nas unidades marítimas, segundo dados da Agência Nacional do Petróleo, Gás Natural e Biocombustíveis (ANP). Na Petrobrás como um todo, foi registrada no mês passado a média semanal de 131 trabalhadores próprios infectados pela Covid-19, de acordo com levantamentos do Departamento de Estudos Intersindical de Estatística e Estudos Socioeconômicos (Dieese). Enquanto isso, a Petrobrás se nega a admitir surto da doença na empresa.

Os petroleiros se reuniram nesta segunda-feira para definir os próximos passos do movimento, ao mesmo tempo em que reiteram a necessidade de negociações entre empresa e sindicato, não podendo a paralisação constituir objeto de pressões sobre os trabalhadores. No requerimento à Petrobrás, o Sindipetro-NF exige que a empresa “cumpra a lei e providencie o desembarque de qualquer trabalhador que exceder 14 dias de trabalho confinado a bordo de suas unidades marítimas”.

Neste mais de um ano em ambiente de pandemia, durante o qual o Sindipetro-NF incessantemente buscou negociação coletiva a respeito, ficou nítido o desinteresse da Petrobrás pela construção de alternativas conjuntas para amenizar a contaminação de trabalhadores e seus familiares” diz o documento enviado à Petrobrás.

A greve, que já havia sido aprovada pela categoria, estava suspensa durante processo de negociação com a empresa, mediada pelo Ministério Público do Trabalho, por iniciativa do Sindicato. Diante da intransigência da Petrobrás, foi deliberado o início do movimento paredista.

A Petrobrás se nega a cumprir as leis e orientações sanitárias para impedir a contaminação nos seus locais de trabalho. A negligência da empresa coloca em risco também a vida dos trabalhadores que estão no entorno e de familiares.

Entre os motivos da greve pela vida estão a ilegalidade da escala de trabalho implementada pela Petrobrás, sem aprovação da categoria e indo contra o Acordo Coletivo de Trabalho. A categoria dos petroleiros defende a adoção de escala de no máximo 14 dias nas plataformas, como determina lei e acordo coletivo vigentes, testes de Covid-19 no meio e no fim da escala - atualmente a testagem é feita somente no embarque -, teste para pessoal que está em terra e cumprimento de todas as recomendações do MPT, como o uso de máscaras de proteção PFF2 para todos os trabalhadores.

Além da implementação ilegal da escala maior que 14 dias embarcado, a Petrobrás insiste em não emitir a Comunicação de Acidente de Trabalho (CAT), mesmo quando é evidente que os empregados foram contaminados dentro do seu ambiente de trabalho. A determinação da Petrobrás vai na contramão de recentes decisões que apontam nexo entre a infecção e a atividade profissional, o que pode caracterizar a contaminação pelo coronavírus como doença laboral.

O 54º Boletim de Monitoramento da Covid-19, divulgado pelo Ministério de Minas e Energia (MME) no dia 26/4, mostra que a Petrobrás já registrou 6.418 casos de contaminação pela doença – 13,8% dos 46.416 trabalhadores próprios do Sistema Petrobrás. No momento, segundo o boletim, há 192 casos confirmados e em quarentena, 47 hospitalizados, 6.153 recuperados e 26 mortes.

Esses números, porém, não refletem a realidade. Primeiro, porque não abrangem terceirizados. Maio de 2020 foi o último mês em que o MME mencionou os terceirizados em seus boletins semanais de monitoramento da Covid-19. À época, o ministério contabilizou 151,5 mil pessoas trabalhando para a Petrobrás, entre próprios e terceirizados. De acordo com cálculos da FUP, baseados em denúncias, somando próprios e terceirizados, já são mais de 80 mortos.

[Federação Única dos Petroleiros]

Publicado em Sistema Petrobrás

O Sindipetro-NF participou ontem de reunião com o subsecretário de Atenção Básica, Vigilância e Promoção da Saúde de Campos dos Goytacazes, Charbell Kury, e com a chefe da Vigilância Sanitária, Vera Cardoso de Melo, para tratar da realidade enfrentada pelos petroleiros e petroleiras de alto risco de contágio pelo novo coronavírus nas plataformas de Bacia de Campos e no Heliporto do Farol de São Thomé — instalações da Petrobrás no município.

A entidade foi representada pelo coordenador do Departamento de Saúde, Alexandre Vieira. De acordo com o sindicalista, o objetivo do encontro, solicitado pelo sindicato, foi reforçar a necessidade de testagem e buscar parceria no enfrentamento da pandemia junto à categoria petroleira. O diretor sindical lembrou o impacto sanitário das plataformas e demais unidades da Petrobrás em todo o país e, particularmente, em Campos.

O subsecretário de Vigilância, Charbell Kury, disse considerar ser importante a parceria de trabalho com o Sindipetro-NF no apoio à fiscalização das condições sanitárias das instalações petroleiras no município. O agente público lembrou a importância da testagem também nos trabalhadores que não apresentam sintomas de convid-19.

“Não é só paciente sintomático que deve ser testado, também o assintomático, porque ele transmite também. Nós sabemos que mais de 50% das transmissões são assintomáticas e isso é um grande perigo que temos que atacar para que possamos vencer essa doença”, disse o subsecretário.

Vera Cardoso de Melo destacou a importância da ampliação da testagem. De acordo com ela, “é necessário reforçar a questão da testagem à bordo, dos embarcados, e no pós-desembarque. Isso é muito importante porque, após o desembarque, nós não estamos conseguindo rastrear as pessoas. As pessoas, se estiverem positivas e assintomáticas, pegam simplesmente seus carros particulares ou seus ônibus e para outros estados e municípios”.

Ela também lembrou a importância de fazer cumprir as recomendações do Ministério Público do Trabalho sobre a prevenção à convid-19 entre os petroleiros e petroleiras, como tem defendido o sindicato. Entre as recomendações está justamente a ampliação da testagem.

[Foto e vídeo: Luciana Fonseca / Imprensa do NF]

Via Sindipetro NF

 

Publicado em SINDIPETRO-NF

Diante do desinteresse da Petrobrás em construir alternativas conjuntas com os sindicatos petroleiros para amenizar os efeitos da pandemia entre os trabalhadores e seus familiares, a diretoria do Sindipetro-NF convoca a categoria petroleira a realizar assembleias de 9 a 12 de abril para avaliar a realização de uma Greve pela Vida, em data a ser divulgada pelo NF.

Além desse indicativo, a categoria também vai apreciar nas assembleias a aprovação de escala no período da pandemia de 14×28 para todos os trabalhadores, rejeitando a escala imposta pela Petrobrás de 21 x 28 x 21 x 35; aprovação de contribuição assistencial de 2%, durante os meses de maio, junho, julho e agosto de 2021; e a manutenção do estado de Assembleia Permanente.

É importante ressaltar que a Contribuição Sindical será destinada para ajudar a Campanha Petroleiro Solidário de doação de cestas básicas às comunidades carentes, cobertura de despesas com materiais de proteção contra COVID-19 (como testes e máscaras) e para criar um fundo para eventuais coberturas, caso a categoria tenha perda salarial ao não embarcar para preservar a vida.

As assembleias serão no formato digital. Os trabalhadores e aposentados filiados ao Sindipetro-NF poderão exercer direito de voto, a partir das 17h do dia 9 de abril  às 17h do dia 12 de abril, através do Link que será disponibilizado na data.

Já os não filiados ao Sindipetro-NF devem seguir os procedimentos no edital abaixo. 

EDITAL DE CONVOCAÇÃO DE ASSEMBLEIA GERAL EXTRAORDINÁRIA 

PeIo presente, o Sindicato dos Petroleiros do Norte Fluminense – Sindipetro/NF – convoca os empregados, aposentados e da ativa, das estatais Petróleo Brasileiro S.A. – Petrobrás – e Petrobrás Transportes S.A. – Transpetro – lotados em sua base territorial, para Assembleia Geral Extraordinária, na qual, observando o quórum estatutário em 1ª chamada e com o quórum dos presentes em 2ª chamada.

Antes da apresentação dos pontos que serão deliberados na assembleia agora convocada, torna-se salutar esclarecer que, neste mais de um ano em um ambiente de pandemia, ficou nítido o desinteresse da Petrobrás pela construção de alternativas conjuntas com os representantes dos trabalhadores, para amenizar os efeitos da pandemia entre os trabalhadores e seus familiares.

São diversos os exemplos de solicitações do Sindipetro-NF, não atendidas pela Petrobrás, dos quais destacamos:

a) a recusa à divulgação de informações sobre a distribuição dos casos de COVID-19 entre trabalhadores próprios e terceirizados, por unidades operacionais e administrativas, regimes de trabalho e regiões, recusa que já tem quase um ano;

b) a recusa imotivada a aplicar os protocolos de testagem e sanitários sugeridos pelas entidades, pelo Ministério Público do Trabalho e pela Fundação Osvaldo Cruz, entidade de referência no combate ao coronavírus, protocolos que restaram ignorados parcial ou integralmente;

c) a continuidade da produção e de até mesmo atividades não essenciais (como emissão de permissões de trabalhos adiáveis), em condições inseguras por efetivos abaixo do mínimo necessário, priorizando o lucro em detrimento da vida dos trabalhadores; e

d) a implementação unilateral de uma escala de trabalho, extremamente danosa aos trabalhadores, ignorando proposta realizada pelos trabalhadores e atropelando o processo negocial, em busca tão somente da manutenção da produção, sem qualquer preocupação com a saúde e segurança dos trabalhadores próprios e/ou terceirizados.

Estes são apenas alguns exemplos da ausência de interesse da Petrobrás na construção de medidas negociadas que sejam capazes de reduzir os riscos de contaminação entre os trabalhadores.

Desta forma, torna-se necessária a deliberação sobre os seguintes indicativos do Sindipetro-NF:

l) Aprovação da greve pela vida, em data a ser divulgada pela diretoria do Sindipetro-NF;

lI) Aprovação de escala no período da pandemia de 14×28 para todos os trabalhadores, rejeitando a escala imposta pela Petrobrás de 21x28x21x35;

III) Aprovação de contribuição assistencial de 2%, durante os meses de maio, junho, julho e agosto de 2021; e

IV) Manutenção do estado de Assembleia permanente; 

MODALIDADES DE ASSEMBLEIA: 

DIGITAL

Dadas as condições excepcionais de restrição ao contato social, será realizada assembleia digital, nos termos abaixo. Para a mesma, já possuindo a entidade convocadora dados de seus associados, se faz necessário tratamento diferenciado de modo a possibilitar também a participação dos demais trabalhadores legalmente interessados, o que se fará nas seguintes condições:

A – Trabalhadores e Aposentados Filiados ao Sindipetro/NF – Poderão exercer direito de voto após preencher dados individuais da página a isto destinada na Internet;

B – Trabalhadores e Aposentados NÃO Filiados ao Sindipetro/NF – Deverão acessar o link de votação e realizar o voto em separado. Para a conferência dos dados, deverão dentro do prazo estabelecido no calendário enviar a documentação relacionada abaixo de forma digitalizada para o email Este endereço de email está sendo protegido de spambots. Você precisa do JavaScript ativado para vê-lo..

– documento de identificação e CPF;

– crachá Petrobrás/Transpetro (frente e verso), contracheque, ou FRE, para comprovação de que é empregado;

– ficha de qualificação totalmente preenchida (nome completo, matrícula, CPF, e-mail, telefone, cargo, função e lotação).

Calendário:

De 09/04/2021, às 17h, até 12/04/2021, às 17h – votação online* para filiados;

De 09/04/2021 às 17h, até 12/04/2021, às 17h – votação online* “em separado” para os não filiados e envio da documentação listada para o email: Este endereço de email está sendo protegido de spambots. Você precisa do JavaScript ativado para vê-lo.;

*Link será disponibilizado no site do Sindipetro-NF no horário informado no edital

[Imprensa do Sindipetro-NF]

Na data em que se comemora o Dia Mundial da Saúde, a diretoria do Sindipetro-NF alerta para a falta de cuidado das empresas com a saúde de seus trabalhadores e trabalhadoras, principalmente durante a pandemia, apesar das diversas tentativas do sindicato.

Esse mês completa um ano que, o Sindipetro-NF encaminhou para a Petrobrás e para as empresas do setor privado um ofício, sugerindo ações a serem tomadas durante o tempo de pandemia do COVID-19. No documento o sindicato alertava também sobre a necessidade de registrar através das CATs os casos existentes de COVID-19, encaminhando uma cópia ao sindicato, e pelas Fichas do Sistema de Informação de Agravos de Notificação – SINAN do Sistema Único de Saúde-SUS, que servem para a notificação obrigatória dos casos suspeitos e/ou confirmados de Covid-19, assim como para as questões decorrentes do trabalho.

Segundo levantamento do Departamento de Saúde do Sindipetro-NF, nenhuma empresa encaminhou CATs, dos casos de COVID-19, apesar da determinação do STF, desde que se consiga estabelecer o nexo causal ou seja,  na hipótese em que a doença seja proveniente de contaminação do empregado pelo vírus SARS-CoV-2 no exercício de sua atividade. Apesar de estarmos acompanhando diversos surtos nas plataformas, a última em P-54, e trabalhadores morrendo vítimas da doença, as empresas continuam não emitindo as CATs.

O que temos visto é uma recusa à divulgação de informações sobre a distribuição dos casos de COVID-19 entre trabalhadores próprios e terceirizados, por unidades operacionais e administrativas, regimes de trabalho e regiões. Deixando a categoria totalmente sem acesso a esses dados.

Testagem geral

Outra sugestão do Sindipetro-NF no documento foi da aplicação de testes diagnósticos (RT- PCR) em massa e com frequente e testagem para todos os trabalhadores, antes, durante e depois do embarque.  Com a finalidade de rastreamento dos portadores do COVID-19 (inclusive os assintomáticos).

Além disso, protocolos de testagem e sanitários sugeridos pelas entidades e referendados pelo Ministério Público do Trabalho e pela Fundação Osvaldo Cruz, entidade de referência no combate ao coronavírus, tem sido ignorados parcial ou integralmente pelas empresas.

Petrobrás. Tetra, Champion Technologies, Cetco, Falcão Bauer, Franks, Baker GE, Halliburton, Schlumberger, Superior, Expro e Oiltanking  foram as empresas que receberam ofício do sindicato.

“Para comprovar o descaso com a vida e agravar ainda mais o nível de cansaço e estresse entre os trabalhadores, a Petrobrás tenta implementar de forma unilateral uma escala de trabalho, extremamente danosa aos trabalhadores, ignorando proposta apresentada pelos pelos trabalhadores e atropelando o processo de negociação, em busca da manutenção da produção e do lucro, sem qualquer preocupação com a saúde e segurança dos trabalhadores próprios ou terceirizados” – alerta o Coordenador do Sindipetro-NF, Tezeu Bezerra.

[Da imprensa do Sindipetro NF]

O Sindipetro-NF participou no dia 01/04 de reunião com a gerência da UTGCab (Unidade de Tratamento de Gás de Cabiúnas). A entidade apresentou reivindicações para enfrentar o crescimento de casos de covid-19 entre os petroleiros e petroleiras da base.

De acordo com o diretor sindical Matheus  Nogueira, que participou da reunião, a entidade cobrou a adoção do teletrabalho para todos os trabalhadores e trabalhadoras que não tenham atividades essencialmente em área operacional.

Também foi reivindicada a suspensão das paradas de unidade, assim como cobradas as aplicações de testes RT-PCR para todos. Outra reivindicação é a de fornecimento de máscaras de qualidade, que atendam aos protocolos de saúde.

Setorial nesta terça

O sindicato está convocando para terça, 6, às 16h, reunião setorial com os petroleiros e petroleiras da base de Cabiúnas. O objetivo é detalhar as reivindicações pela proteção à saúde da categoria e os próximos passos das cobranças junto à gerência. A reunião será feita de modo online e precisará de inscrição prévia.

[Da imprensa do Sindipetro NF]

Maior incidência da doença vem ocorrendo em plataformas offshore: em apenas um dia, foram registrados 83 casos em instalações marítimas. Sindipetro-NF recorre ao MPT para que a Petrobrás esclareça avanço da covid nas unidades

[Da ssessoria de comunicação da FUP]

O Sindicato dos Petroleiros do Norte Fluminense (SIndipetro-NF), filiado à Federação Única dos Petroleiros (FUP), entrou com requerimento no Ministério Público do Trabalho (MPT) para que a Petrobrás seja notificada e preste esclarecimentos sobre o avanço da covid-19 em unidades de Exploração e Produção (E&P) da empresa. Em apenas um dia nesta semana, foram confirmados 83 novos casos em atividades offshore do país (Petrobrás e outras operadoras), segundo dados da Agência Nacional do Petróleo, Gás Natural e Biocombustíveis (ANP).

O surto mais recente foi registrado na plataforma P-38, no campo de Marlim Sul, na Bacia de Campos. A unidade está operando parcialmente, depois que trabalhadores foram testados positivo nesta semana. “A plataforma suspendeu os trabalhos no convés desde quarta-feira (17/3) depois do almoço, quando os resultados saíram”, informou o coordenador do Departamento de Saúde e Meio Ambiente do Sindipetro-NF, Alexandre de Oliveira Vieira, com base em informações recebidas de trabalhadores da unidade.

Desde o início da pandemia, a ANP registra um total de 4.743 casos de covid confirmados nas áreas de E&P. Desses, 3.392 acessaram as instalações, de acordo com o painel dinâmico da agência reguladora. Do total de 67 plataformas de petróleo em operação no país, 56 são da Petrobrás (83%).

Em meio ao crescimento do número de pessoas contaminadas, a Petrobrás suspendeu as reuniões da Estrutura Organizacional de Resposta (EOR), orientada para a gestão da crise sanitária, com os sindicatos. O último encontro ocorreu no dia 24 de fevereiro, afirma Vieira.

Na Petrobrás como um todo, os casos confirmados de covid são ainda maiores. Atingiram cerca de 5,5 mil pessoas do começo da pandemia até o último dia 15, o que representa 11% do contingente de empregados próprios da empresa. Os dados fazem parte do boletim de monitoramento Covid 19 do Ministério de Minas e Energia (MME). Do total de contaminados, de acordo com o último boletim, 5.203 se recuperaram, 258 permanecem doentes e em quarentena, sendo 17 hospitalizados, e 17 morreram.

Segundo Vieira, as atividades offshore, concentradas na região Sudeste, registram grande incidência de casos de covid. As operações da Petrobrás nas bacias de Campos e Santos movimentam cerca de 40 mil pessoas por mês. Mesmo as plataformas operando atualmente com 70% da capacidade, em média, é grande o trânsito de trabalhadores.

As últimas denúncias recebidas pela FUP de casos de contaminação em unidades offshore envolvem, além da P-38, a P-43, P-63, P-25 e P-35, todas na Bacia de Campos, de acordo com o requerimento do Sindipetro-NF ao MPT.


Leia também:

Covid-19 mata operador de rádio da P-53, na Bacia de Campos

Sindipetro-NF recorre ao MPT para notificar Petrobrás sobre novo surto de Covid-19 nas plataformas


 

Cinco plataformas apresentaram casos de Covid-19 no mês de março

[Comunicado do Sindipetro NF à imprensa]

Devido a um aumento brusco no número de casos de Covid-19 nas plataformas da Bacia de Campos, o Sindipetro-NF encaminhou uma denúncia ao Ministério Público do Trabalho solicitando que a Petrobrás seja notificada e esclareça o motivo do surto da doença no mês de março e apresente todas as medidas por tomadas em relação ao isolamento e testagem dos trabalhadores.

Em apenas um dia nesta semana, foram confirmados 83 novos casos em atividades offshore do país (Petrobrás e outras operadoras), segundo dados da Agência Nacional do Petróleo, Gás Natural e Biocombustíveis (ANP).

Além disso, o Sindipetro-NF recebeu denúncia de casos em cinco plataformas, P-25, P-35. P-38, P-43 e P-63. O caso mais grave e recente aconteceu em P-38, que no dia 11 de março confirmou dois trabalhadores com sintomas da doença e dois dias depois desembarcou sete trabalhadores, sendo seis confirmados após a testagem a bordo.

E no dia 15, apresentou vários novos casos que chegaram a lotar a enfermaria. A estimativa total é que até a última quarta, 17, aconteceram 19 desembarques. “A plataforma suspendeu os trabalhos no convés desde quarta-feira (17/3) depois do almoço, quando os resultados saíram”, informou o coordenador do Departamento de Saúde e Meio Ambiente do Sindipetro-NF, Alexandre de Oliveira Vieira, com base em informações recebidas de trabalhadores da unidade.

Em P-43, cerca de 20 pessoas desembarcaram entre elas, casos confirmados e pessoas que tiveram contato com elas. Segundo denúncias não houve qualquer tipo de isolamento ou distanciamento, e dias depois os profissionais de saúde detectaram mais dois casos de pessoas contaminadas. As pessoas que tiveram contato com os contaminados não foram afastadas da unidade e nem isolados e trabalho na plataforma seguiu normalmente, apesar dos inúmeros indícios de que o vírus mantinha a sua disseminação entre a equipe.

Em P-63, o sindicato recebeu denúncia que a unidade estava com seis suspeitos de contaminação pela doença. Em P-25, sete suspeitos desembarcaram entre os dias 12 e 13 de março e em P-35 no dia 14 de março, quatro pessoas desembarcaram e entre elas uma suspeita.

Testagem

No documento encaminhado ao Ministério Público o Sindipetro-NF questiona novamente a forma de testagem que vem sendo feita no pré-embarque dos trabalhadores. O Diretor do Departamento de Saúde do Sindipetro-NF, Alexandre Vieira, reforça a necessidade de uma nova testagem a bordo para a investigação da possibilidade de falsos negativos, o que vem sendo subestimado, pela gestão da Petrobrás, e na visão de Vieira tem provocado a disseminação da Covid-19 e colocado em risco a vida dos trabalhadores.

Retestagem

O Sindipetro-NF também solicitou que o MPT solicite à Petrobrás que estabeleça um protocolo de retestagem de todos os trabalhadores a bordo das unidades offshore, de 3 a 7 dias após a sua chegada nas unidades, informe a relação entre o trabalho a bordo e a contaminação pelo Covid-19 e reduza o número de pessoas a bordo durante a pandemia.

Dados nacionais

Desde o início da pandemia, a ANP registra um total de 4.743 casos de covid confirmados nas áreas de E&P. Desses, 3.392 acessaram as instalações, de acordo com o painel dinâmico da agência reguladora. Do total de 67 plataformas de petróleo em operação no país, 56 são da Petrobrás (83%).

“Das 67 plataformas em operação no país, 56 são da Petrobras, então, dos 4.743 casos acumulados podemos sem medo de errar, dizer que 3.964 casos ocorrem em unidades da Petrobras, já que ela detém 83% das plataformas em operação”  – afirma Vieira, que critica a suspensão das reuniões da Estrutura Organizacional de Resposta (EOR), orientada para a gestão da crise sanitária, com os sindicatos.


Leia também:

Surtos de Covid-19 aumentam nas plataformas da Petrobrás e P-38 já opera parcialmente

Covid-19 mata operador de rádio da P-53, na Bacia de Campos


 

O Sindipetro-NF (Sindicato dos Petroleiros do Norte Fluminense) promoveu, na manhã de hoje, ato no Heliporto do Farol de São Thomé, em Campos dos Goytacazes, para marcar a passagem dos 20 anos da tragédia da P-36. No dia 15 de março de 2001, uma explosão na unidade provocou as mortes de 11 petroleiros. Dias depois, toda a estrutura da então maior plataforma do mundo afundou.

Durante os 40 minutos do ato, os diretores Tezeu Bezerra e Gustavo Morete conscientizaram os petroleiros e petroleiras, que embarcavam e desembarcavam no local, sobre a necessidade de priorizar a segurança no trabalho. Eles denunciaram que as mudanças recentes na Petrobrás, com venda de ativos e aumento da terceirização, elevam os riscos de acidentes e mortes.

“Esse acidente trágico é marcado pela política que estava posta no momento, de redução de investimentos na empresa, e que infelizmente hoje é retomada”, afirma Tezeu, advertindo ainda para o fato de que hoje mesmo a Bacia de Campos vive a apreensão de manter 22 plataformas com precariedade de pessoal marítimo, em razão de uma mudança de contrato que reduziu salários e benefícios.

Além do ato no Heliporto do Farol, o Sindipetro-NF também marca a data com a realização, hoje (15), às 19h, de transmissão ao vivo nas redes sociais da entidade com o tema “P-36: O que mudou?”, para debater com a categoria petroleira e com a sociedade as conquistas na área de segurança do trabalho nestas duas décadas, assim como os problemas ainda enfrentados pelos trabalhadores.

Os 20 anos da P-36 também serão lembrados por meio de edição especial do Podcast da Rádio NF (www.radionf.org.br), que será publicado nesta terça-feira (16), com entrevistas exclusivas com diretores sindicais atuais e da época da tragédia, familiares das vítimas e um sobrevivente. Com grande força de testemunho, os depoimentos impressionam pela constatação de que o acidente poderia ter sido evitado, assim como ainda há muitos sinais de que uma nova tragédia pode acontecer a qualquer momento na Bacia de Campos.

Relembre a tragédia

No início da madrugada de 15 de março de 2001, a P-36, que operava no campo de Roncador, na Bacia de Campos, sofreu duas explosões em uma de suas colunas num intervalo de 20 minutos. A segunda explosão causou a morte dos 11 trabalhadores que integravam a brigada de incêndio da unidade: Adilson Almeida de Oliveira, Charles Roberto Oscar, Emanoel Portela Lima, Ernesto de Azevedo Couto, Geraldo Magela Gonçalves, Josevaldo Dias de Souza, Laerson Antônio dos Santos, Luciano Cardoso Souza, Mário Sérgio Matheus, Sérgio dos Santos Souza e Sérgio dos Santos Barbosa.

“Quando cheguei lá, os caras estavam mortos. Foi terrível”, diz sobrevivente da P-36 em Podcast especial da Rádio NF nos 20 anos da tragédia

O Sindipetro-NF acaba de disponibilizar uma edição especial do Podcast da Rádio NF com depoimentos fortes sobre a tragédia da P-36. Em um deles, um dos sobreviventes, o petroleiro Wagner Valon, fala sobre o resgate do corpo de um dos colegas de trabalho e afirma que a plataforma apresentava problemas frequentes antes das explosões de 15 de março de 2001. O acidente na unidade causou as mortes de 11 trabalhadores que integravam a brigada de emergência.

“De repente a gente ouviu um barulho e a plataforma sacudiu e em seguida os alarmes tocaram. Houve um deslocamento de ar e pessoal começou a correr. Eu fui até onde aconteceu o acidente. Quando cheguei lá, os caras estavam mortos. Foi terrível”, conta Valon.

O podcast também traz depoimentos emocionantes de Marilena Sousa (viúva de Josevaldo Sousa, um dos trabalhadores mortos na P-36), Sérgio Borges (diretor do Sindipetro-NF), Maria das Graças Alcântara (assistente social Sindipetro-NF), Antônio Carlos Rangel (representante sindical na comissão de investigação do acidente), José Maria Rangel (ex-coordenador geral do Sindipetro-NF e da FUP) e Tezeu Bezerra (coordenador geral do Sindipetro-NF).

“Havia muita cumplicidade entre a gente, nós conversávamos sobre tudo e por isso eu sabia muitas coisas sobre a P-36. Antes do último embarque ele soltou que doía o couro cabeludo de tanta tensão. Josivaldo disse que a plataforma precisava parar a produção para fazer reparos, mas a P-36 era a menina dos olhos da Petrobrás, então isso não iria acontecer. A P-36 ainda não estava pronta para funcionar”, conta Marilena.

O Podcast da Rádio NF chega à sua 89ª edição com publicações semanais. Nesta semana o conteúdo especial marca a passagem dos 20 anos da tragédia da P-36. Todas as edições podem ser acompanhadas em www.radionf.org.br.


Leia também:

Vinte anos após a tragédia da P-36, o que mudou? Participe da live do Sindipetro-NF

Reportagem do Estadão relembra drama das famílias das vítimas do naufrágio da P-36


[Da imprensa do Sindipetro-NF]

Publicado em Sistema Petrobrás

A bomba relógio não decepcionou. Funcionou perfeitamente. Como denunciado em 24 de fevereiro aqui no site do Sindipetro-NF, e alertado pelos sindicatos que representam mestres de cabotagem, oficiais de náutica e marinheiros desde 2020, as plataformas da Bacia de Campos estão, desde o fim de semana, expostas a grande vulnerabilidade em razão da falta destes profissionais. Em um dos casos mais graves, a P-15, não há neste momento nenhum profissional da área a bordo, com previsão de embarque apenas no início da tarde de hoje.

No último dia 13 terminou o contrato com a empresa Lighthouse, que presta serviço nestas funções, e todos e todas estão sendo desembarcados. A nova empresa, Infotec, demonstrou dificuldades em reunir toda mão de obra qualificada para fazer a reposição, e ainda está embarcando trabalhadores. De acordo com relatos dos petroleiros, muitos deles sem experiência na área de petróleo.

A categoria também denuncia que as condições rebaixadas de salários e benefícios oferecidas pela nova empresa está provocando a dificuldade de encontrar profissionais, que são altamente especializados. Os novos marinheiros estão embarcando com salários e benefícios menores do que os praticados no contrato que expirou no dia 13.

A situação é gravíssima, pois estes profissionais são essenciais para a manutenção da segurança das unidades. As normas determinam, inclusive, que toda a força de trabalho seja desembarcada e a produção paralisada em caso de ausência de marítimos a bordo. Por esta razão, o sindicato denunciou o caso à Marinha e ao Ministério Público do Trabalho.

Como denunciado pelo NF e demais entidades, 22 plataformas estão atingidas, envolvendo 115 vagas de mestres de cabotagem, oficiais de náutica e marinheiros. O sindicato continua atento ao problema, fazendo cobranças a Petrobrás e reforçando as denúncias junto aos órgãos fiscalizadores, em sintonia com os sindicatos que representam a categoria.


Leia também >Trabalhadores da Bacia de Campos lutam contra retirada de direitos e precarização nas plataformas


[Da imprensa do Sindipetro-NF]

Publicado em Sistema Petrobrás

O Sindipetro-NF vai fornecer alimentação aos petroleiros e petroleiras que chegam para quarentena pré-embarque em hotéis de Campos dos Goytacazes e de Macaé. Como publicado na última sexta, 5, a categoria denuncia que a gestão da companhia está orientando os hotéis a não fornecerem almoço no dia do check in.

O sindicato denuncia que, além de mesquinha para uma empresa do porte da Petrobrás, a medida prejudica a própria quarentena, na medida em que os trabalhadores e trabalhadoras precisam circular no entorno dos hotéis para comprar alimentação.

A diretoria do NF estará em contato com a categoria nos hotéis para monitorar a necessidade dos almoços e fazer o fornecimento. A entidade também cobra da companhia a solução definitiva para o problema.

É muito importante que todos os petroleiros e petroleiras mantenham o sindicato informado sobre as condições de saúde, habitabilidade e segurança, por meio de envio de e-mails para Este endereço de email está sendo protegido de spambots. Você precisa do JavaScript ativado para vê-lo.. O sigilo sobre a identidade do denunciante é mantido pelo NF.

[Da imprensa do Sindipetro-NF]

Publicado em SINDIPETRO-NF
Página 1 de 3

A Federação Única dos Petroleiros (FUP) foi criada em 1994, fruto da evolução histórica do movimento sindical petroleiro no Brasil, desde a criação da Petrobrás, em 1953. É uma entidade autônoma, independente do Estado, dos patrões e dos partidos políticos e com forte inserção em suas bases.