A gestão da Transpetro, maior empresa de transporte e logística de combustíveis do país e subsidiária da Petrobrás, se nega a debater com os trabalhadores um adicional para quem atua na malha de dutos, ignorando cláusula do Acordo Coletivo de Trabalho.

Na reunião ocorrida hoje (14/09) entre representantes da Federação Única dos Petroleiros, seus sindicatos filiados e a gestão da Transpetro, duas coisas ficaram claras: a primeira, a absoluta disposição de diálogo do movimento sindical e a segunda, a nula disposição da empresa. Marcada após insistência da FUP, a reunião não resultou em nenhum avanço. A Federação apresentou uma proposta, como insumo para o debate, elaborada pelo Sindipetro Caxias, que busca garantir o adicional para trabalhadores e trabalhadores técnicos que atuam nas áreas de manutenção, inspeção, faixa de duto e SMS nas malhas de dutos de hidrocarbonetos líquidos ou gasosos. A resposta da gestão da empresa foi negativa, e a disposição ao diálogo, por enquanto nula.

CONDIÇÕES DE TRABALHO

O adicional é um direito conquistado pela organização sindical que beneficia trabalhadores e trabalhadoras expostos a atividades perigosas, e é garantido pelo Ministério do Trabalho. A discussão de ampliar o adicional do gás para a faixa de dutos começou em 2017, e de lá para cá, a FUP tem conseguido avançar em algumas conquistas, consagradas pelo Acordo Coletivo de trabalho, 

O Acordo Coletivo de Trabalho 2020-2022, assinado entre a Transpetro, a FUP e seus sindicatos filiados garante em uma de suas cláusulas, que a empresa se compromete a “desenvolver estudo em conjunto com as entidades sindicais, e entabular negociação visando a conversão do Adicional de gasodutos em Adicional Técnico de dutos”. Na reunião ocorrida nesta terça-feira, a empresa ignorou essa cláusula. 

A venda de gasodutos iniciada pela empresa a mando do governo Bolsonaro reativou o debate. A gestão quer utilizar esse argumento para eliminar o adicional, porém as condições de trabalho permanecem inalteradas para quem trabalha na malha. 

AMEAÇA VELADA 

A posição da empresa era esperada pelos trabalhadores, já que alinhada ao desmonte promovido no Sistema Petrobrás desde o golpe de 2016: “A empresa alega que ela tem que ser competitiva no mercado, mas na real o que há é um desmonte de todo o sistema Petrobrás e a negação dos direitos trabalhistas faz parte desse processo”, afirma Paulo Sérgio Cardoso, da direção da FUP.

O diretor explica ainda: “Eles querem passar a ideia de que a Transpetro vai quebrar se a gente lutar por nossos direitos. Porém, cada vez aumentam mais os lucros”. Para Cardoso, “o suposto ‘enxugamento’ não está servindo para a Transpetro ser mais competitiva e sim para repassar mais dividendos para a Petrobrás, que por sua vez distribui dividendos recordes aos acionistas, enquanto sangra o povo brasileiro com os constantes aumentos nos preços dos combustíveis. 

PRIORIDADES

Os balanços da própria empresa desmentem essa ameaça velada e reforçam os argumentos da FUP e seus sindicatos.  A Transpetro tem apresentado bons resultados financeiros nos últimos anos. Em 2019 a empresa teve R$610 milhões de lucro líquido e em 2020 fechou em R$1,3 bilhões, o maior lucro da empresa em toda a sua história. Nos primeiros seis meses de 2021, os resultados continuam bem positivos, com lucro líquido de R$801 milhões.

O problema não é então o lucro e sim as prioridades da gestão. Em 2020, com o maior lucro da história, percebe-se uma redução da participação dos trabalhadores nessas riquezas e um aumento do pagamento de dividendos aos acionistas, neste caso a Petrobrás holding. Neste ano, as despesas com pessoal da Transpetro (salários e remunerações variáveis) tiveram uma redução de 7% frente ao ano anterior. 

Os dados da própria Transpetro são muito claros: com lucro recorde, cada vez repassa mais riqueza aos acionistas e cada vez menos a seus trabalhadores. A FUP e seus sindicatos filiados estão avaliando internamente quais serão os próximos passos nesta negociação.

[Da Comunicação da FUP]

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Em negociação iniciada no dia 16 de agosto com a Transpetro, a diretoria do Sindipetro Duque de Caxias deu início à construção de um novo adicional, específico para os trabalhadores que atuam nos dutos e seus agregados extramuros

[Da imprensa do Sindipetro Duque de Caxias]

Os trabalhadores e as trabalhadoras da Transpetro das áreas de manutenção, inspeção, faixa de duto e SMS que realizam atividades ao longo do trecho, nos dutos de hidrocarbonetos líquidos ou gasosos e nas estações de bombeamento da nossa regional podem ter a seguinte certeza: QUEM LUTA, CONQUISTA!

Foi com esse espírito que os diretores do Sindipetro Caxias, Paulo Cardoso, Davi Lessa e Guilherme Hruby, se reuniram com a Transpetro para iniciar a construção de um novo adicional como alternativa para a redação do adicional de gasodutos.

Sabemos que os gasodutos foram CRIMINOSAMENTE vendidos para um fundo especulador e que não vão mais trazer desenvolvimento para o Brasil e seus cidadãos, além de passarem a ser operados pela NTS.

Nessa reunião inicial, os diretores defenderam com argumentos factuais e dados robustos a criação de um novo adicional que remunere a condição de trabalho dos técnicos que realizam atividades de manutenção de equipamentos, de faixa, de inspeção e de SMS fora dos terminais e unidades de produção.

O Sindicato reforçou que os técnicos que laboram fora dos terminais têm suas condições de higiene, de alimentação, de segurança e de vida social modificadas e até mesmo prejudicadas.

A empresa reconheceu que, nas muitas situações de emergência ou de parada operacional, os técnicos são os primeiros profissionais a chegarem ao local e iniciar a mitigação da emergência ou restabelecimento da continuidade operacional.

Esse papel de apoio à operação, além de estar à disposição da companhia para os atendimentos, requerem compromisso e abnegação do tempo das atividades particulares e, por tanto, uma compensação financeira que remunere os trabalhadores pelo seu esforço e capacitação.

A Transpetro, através da gerência de RTS, não apresentou nenhuma alternativa para o adicional, mas se colocou como ouvinte das questões apresentadas.

O sindicato irá enviar uma minuta de acordo que foi construído pelos trabalhadores da base e agendará uma nova reunião com a empresa para saber qual o caminho que iremos trilhar.

Porém, já temos a certeza que a participação e o engajamento de todos nesta jornada de luta vão pavimentar a construção de nossos direitos! Fique atento às mídias do sindicato e as notícias em nossos boletins.

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Já foram registrados nove acidentes na refinaria fluminense neste ano, dois deles num mesmo dia de julho. Por problemas de segurança, desde 2019 Reduc não consegue obter certificação definitiva do IBP

[Da assessoria de comunicação da FUP | Foto: César Duarte/Agência Petrobras]

Com sete acidentes em diferentes unidades no primeiro semestre e outros dois ocorridos num mesmo dia de julho (veja relação no fim deste texto), a Refinaria Duque de Caxias (Reduc), em Duque de Caxias (RJ), recebeu nesta terça-feira (27/7) uma equipe do Instituto Brasileiro do Petróleo (IBP), responsável pela auditoria do Serviço Próprio de Inspeção de Equipamentos (SPIE), que fornece certificação de segurança a unidades da Petrobrás. A visita foi acompanhada por dirigentes do Sindicato dos Petroleiros de Duque de Caxias (Sindipetro-Caxias), filiado à Federação Única dos Petroleiros (FUP), que denuncia a falta de manutenção preventiva e o baixo efetivo de pessoal na refinaria, o que coloca em risco não apenas a segurança operacional da Reduc, mas também a integridade física e mental de seus trabalhadores, com jornadas extras e sobrecarga de trabalho.

No dia 12 de julho, um incêndio na U-1250 (UFCC – Unidade de Craqueamento Catalítico Fluido) foi provocado por vazamento de combustível em uma linha de aço carbono furada. No mesmo dia, a unidade de lubrificantes (U-1520) foi reparada de improviso, com a utilização de chaves de válvulas (foto abaixo) como travas de segurança para a parada de bombas.

Estas e outras irregularidades foram denunciadas ao Ministério Público do Trabalho (MPT), ao Centro de Referência de Saúde do Trabalhador (Cerest) e à Delegacia Regional do Trabalho (DRT) pelo Sindipetro-Caxias, que cobra da gestão da Petrobrás a abertura de investigações, com a participação de representantes do sindicato. Entretanto, a companhia ignorou os pedidos e não fez qualquer alteração na rotina de manutenção preventiva e na escala de pessoal.

A auditoria do IBP vem sendo feita desde 2016, quando um grave acidente provocou a morte de um trabalhador da Reduc, conta o coordenador do Sindipetro-Caxias, Luciano Santos. Segundo o dirigente sindical, a entidade constatou diversas irregularidades na época. E desde 2019, o instituto não concede a certificação definitiva de segurança à Reduc.

“No final de 2019, a Reduc obteve a certificação, mas de forma cautelar. Desde então, a refinaria vive numa ‘corda bamba’ de permanecer ou não com esse certificado de segurança, por conta de diversas irregularidades. Um exemplo ocorreu em 2020, quando um incêndio na U-1210 quase matou dois trabalhadores. Fizemos a denúncia, e em vez de investigar o problema, a gestão da Petrobrás me puniu com 10 dias de suspensão por ter levado a informação à imprensa”, explica Santos. 

SOBRA TRABALHO, FALTA PESSOAL E MANUTENÇÃO

O Sindipetro-Caxias verificou que os trabalhadores do turno, por vezes, trabalham 24 horas seguidas – o dobro das 12 horas por turno determinadas pelo Acordo Coletivo de Trabalho (ACT), fechado com a Petrobrás em setembro de 2020 –, devido à falta de profissionais para a rendição. Além disso, a Reduc tem operado com efetivo abaixo do número mínimo de empregados necessário à segurança das unidades industriais.

Mesmo sem acordo prévio com o sindicato, a gestão da Petrobrás impôs um novo modelo de atuação, reduzindo o contingente de mão de obra. O padrão, denominado Organizações e Métodos (O&M), foi implementado em junho de 2017, sob a alegação de que o número mínimo de trabalhadores em cada unidade operacional estaria superdimensionado e a refinaria teria tecnologia que “supre a presença humana”.

Os setores mais atingidos pelo baixo efetivo são os de combustível, transferência e estocagem de lubrificante e combustível (TE/MC), lubrificantes e parafinas, energia, água e efluentes, saúde ocupacional e segurança industrial (SMS/SI).

O fato é que, desde que o O&M foi implantado, aumentaram as emergências operacionais na Reduc. Além do baixo efetivo, o Sindipetro-Caxias aponta a precarização da mão de obra qualificada.

Santos afirma que se tornou prática da gestão da empresa acobertar acidentes, que somente são conhecidos por denúncias anônimas dos trabalhadores ao sindicato.

"A insegurança é resultado da cultura de maximização do lucro aplicada pela atual gestão da Petrobrás, com reduções de investimentos na manutenção e no efetivo da companhia, acabando com a mão de obra qualificada em importantes setores das fábricas, como nas áreas operacionais, de manutenção e de apoio. A saúde e a vida dos trabalhadores estão em jogo, e o sindicato permanecerá denunciando e mobilizando a categoria por mais segurança no chão de fábrica.”

A redução do efetivo e suas consequências para a segurança da refinaria e dos trabalhadores são objeto de ações judiciais movidas pelo Sindipetro-Caxias. 

A SEQUÊNCIA DE RISCOS E ACIDENTES NA REDUC NO 1º SEMESTRE DE 2021

15 de março – Vazamento de vapor de alta pressão multidirecional na parcializadora do compressor C-5302, da U-1530 (desparafinação do óleo). O acidente impõe riscos de vida para o operador, que tem de estar próximo do equipamento. Na ocasião, a gestão da empresa providenciou uma instalação improvisada de andaimes e tapumes para impedir a projeção do escape de vapor de alta pressão de quem se aproximasse do compressor.

A manutenção do equipamento foi realizada somente no final de junho, em função de ação judicial movida pelo Sindipetro-Caxias.

1° de abril – Vazamento de vapor na turbina do compressor C-450001, da HDS (hidrodessulfurização), provocando ruído enorme, de mais de 100 decibéis. O compressor, localizado em frente à casa de controle, está há mais de dois anos sem manutenção.

15 de abril – Vazamento do tanque de armazenamento de solvente (MIBC) TQ-6303, da U-1630 (desoleificação da parafina). A gestão operacional manteve o tanque em funcionamento, mesmo com um furo localizado numa altura de cerca de 5 metros (correspondente a 50% da capacidade de armazenamento do tanque).

9 de maio – Na U-1640 (hidrogenação de parafinas), alguns medidores indicam anormalidade no forno (H-6401), com possível obstrução e riscos de rompimento de tubulações e explosões. Iminentes riscos já vinham sendo denunciados desde março de 2021.

16 de junho – A U-2200 (setor TM - Termelétrica) parou em emergência à noite, por falta de água de caldeira (SG-2002), o que paralisou também diversas outras unidades por falta de energia elétrica. Além disso, houve emissão de fumaça preta, devido à queima incompleta nos flares (tochas), que fazem parte do sistema de segurança da Reduc.

O padrão O&M reduziu de quatro para apenas dois o total de trabalhadores na U-2200, cujo painel controla a complexa geração de energia elétrica e vapor em seis caldeiras da refinaria.

21de junho – Incêndio na U-1250 (Unidade de Fracionamento e Craqueamento Catalítico), por vazamento de produto a 250°C em uma linha de 3”, que furou.

26 de junho – Ocorrência de fogo em bomba de diesel pesado, na U-1710 (destilação atmosférica/vácuo no setor de lubrificantes). Apesar da dificuldade pelo número insuficiente de pessoal, os trabalhadores do setor conseguiram atuar no corte de carga ao equipamento com a ajuda de técnicos de segurança industrial e da brigada no combate ao incêndio, todos empregados próprios da empresa.

Em sentença procedente, juíza determina que Petrobras e Petros não aumentem a margem consignável de desconto da AMS, retornando inclusive, imediatamente, para o patamar de 13% sob pena de multa.

Em fevereiro/2020 de forma totalmente abusiva, a Petrobras e Petros aumentaram o documento do Plano de Saúde dos aposentados e pensionista de 13% para 30%. Contudo, tal comportamento contraria o acordo coletivo firmado, uma vez que as empresa não respeitaram as regras pactuadas.

Diversas foram as reclamações dos usuários questionando tal comportamento, porém, não conseguimos resolver administrativamente.

O departamento jurídico ingressou com ação judicial e a sentença de primeira instancia com tutela antecipada foi proferida a favor dos trabalhadores determinando ao retorno a 13% para fins de desconto do AMS, sendo seu cumprimento imediato. Determinando ainda a devolução dos valores descontados a maior.

Assim sendo, o sindicato solicita a seus associados que acompanhem as informações nos boletins do sindicato. Ressaltando que primeiro será cumprida a suspensão da cobrança a maior, ficando a devolução dos valores descontados para outro momento, por isso a importância de acompanhar em seus contracheques a cumprimento da decisão judicial.

[Do Sindipetro Duque de Caxias]

Publicado em Sistema Petrobrás

Sindipetro Caxias ganha a ação de não desconto dos dias de greve de fevereiro/2020 nas férias para os empregados da Petrobrás.

Além de determinar a devolução dos valores descontados a juíza deferiu ainda tutela antecipada para o caso de algum empregado que ainda não tenha tirado férias, impedido assim a empresa de efetuar tal desconto.

Leia o trecho da decisão:

“Por todo o exposto, deve o Poder Judiciário rechaçar tal conduta patronal de desprezo ao cumprimento estrito do ajuste, não se admitindo interpretação extensiva indubitavelmente favorável à reclamada em flagrante detrimento aos interesses de seus trabalhadores.
Procede o pedido para que a acionada se abstenha de efetuar desconto dos dias de férias, ou em rescisão contratual, em decorrência da greve realizada de 01/02/2020 a 20/02/2020, a todos os seus empregados no âmbito de atuação do Sindicato Autor em Duque de Caxias, bem como para que proceda à devolução de eventuais valores descontados nas férias dos empregados em rescisão contratual, no prazo de 30 dias do trânsito em julgado, sob pena de devolução do valor em dobro, devendo, ainda, regularizar o depósito referente ao FGTS sobre a parcela. O valor devido deverá ter como base de apuração a mesma remuneração adotada para o pagamento dos demais dias de férias pagos na oportunidade.

DEFIRO a tutela de urgência para determinar que a reclamada se abstenha de efetuar desconto dos dias de ferias, ou em rescisão contratual, em decorrência da greve realizada de 01/02/2020 a 20/02/2020, a todos os seus empregados no âmbito de atuação do Sindicato Autor em Duque de Caxias, sob pena de multa diária de R$ R$2.000,00, por empregado prejudicado.”

[Da imprensa do Sindipetro Duque de Caxias]

Publicado em Greve 2020

A direção do Sindipetro Duque de Caxias, junto com o SITICOMMM (Sindicato dos Trabalhadores da Construção Civil) e a prefeitura de Duque de Caxias, garantiu a 1.000 petroleiros e petroleiras da Refinaria Duque de Caxias (Reduc) a imunização contra a Covid-19 com a dose única da vacina Janssen, da Johnson & Johnson.

A vacinação começou nesta sexta-feira, 09, e está sendo realizada na entrada da Reduc, onde encontra-se o posto montado pela Secretaria Municipal de Saúde. Estão sendo imunizados trabalhadores com idades entre 39 a 45 anos, que não tenham tido sintomas do coronavírus nos últimos 15 dias.

Importante lembrar que ainda estamos em uma pandemia e que o uso das máscaras PFF2 e N-95 é obrigatório. 

O coordenador da FUP, Deyvid Bacelar, esteve na refinaria acompanhando a imunização, e ressaltou a importância da mobilização do Sindipetro. Veja abaixo:

[Com informações da imprensa do Sindipetro Caxias]

Publicado em Sistema Petrobrás

FUP e Sindipetros NF e Duque de Caxias subsidiaram gás de cozinha para moradores de Bangu e Padre Miguel, que pagaram 50 reais pelo botijão, metade do preço cobrado na região. Foram distribuídos 350 botijões, na sétima ação este ano do movimento Petroleiro Solidário no Rio de Janeiro. GLP aumentou 6% na última terça e já acumula alta de 37,9% nas refinarias da Petrobrás desde janeiro

[Da assessoria de comunicação da FUP | Fotos: Daniela Decorso]

Em nova ação da campanha “Combustíveis a Preço Justo”, a Federação Única dos Petroleiros (FUP) e os Sindicatos dos Petroleiros do Norte Fluminense (Sindipetro-NF) e de Duque de Caxias (Sindipetro-Caxias) ofertaram 350 botijões de gás de cozinha de 13 quilos a R$ 50 para moradores do conjunto habitacional Dom Jaime Câmara, entre Padre Miguel e Bangu, na Zona Oeste do Rio de Janeiro. O valor é metade dos cerca de R$ 100 que vêm sendo cobrado pelo produto em revendas da região.

A oferta de gás a preço justo é um alívio para o bolso dos consumidores, sobretudo para os mais pobres, que vêm sentindo bastante os efeitos da política de reajustes dos combustíveis da Petrobrás. Na última terça-feira (6/7), a companhia aumentou em 6% o valor do gás de cozinha em suas refinarias – o sexto aumento somente em 2021. Com isso, o produto já acumula alta de 37,9% desde 1º de janeiro. Enquanto isso, o Índice de Preços ao Consumidor Amplo (IPCA) atingiu 3,7% de janeiro a junho, como divulgou nesta quinta (8/7) o Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE). Ou seja, o gás de cozinha nas refinarias já aumentou 10 vezes a inflação oficial do país.

Segundo o economista Cloviomar Cararine, da seção FUP do Departamento Intersindical de Estatística e Estudos Socioeconômicos (Dieese), o gás de botijão já acumula alta de 16,05% na revenda nos primeiros seis meses do ano, e de 24,25% em 12 meses. Enquanto isso, o IPCA atingiu 8,35% nos últimos 12 meses.

Além do benefício financeiro, a campanha “Combustíveis a Preço Justo” visa dialogar com a população sobre os prejuízos da política de reajustes dos combustíveis baseada no Preço de Paridade de Importação (PPI), adotada pela Petrobrás desde outubro de 2016, que considera o preço do petróleo no mercado internacional e a cotação do dólar. Essa política impacta não apenas o valor dos derivados de petróleo, como gás de cozinha, óleo diesel e gasolina, mas também os preços dos alimentos, transportes e demais itens, num efeito cascata com forte impacto sobre a inflação.

O coordenador geral da FUP, Deyvid Bacelar, esteve na ação desta manhã e lembrou que os reajustes quase mensais promovidos pela gestão da Petrobrás nos preços do botijão de gás estão fazendo com que a população mais pobre não tenha como pagar pelo produto. E a pandemia de Covid-19 vem tornando a situação ainda mais desesperadora.



“Com desemprego recorde, sem trabalho por causa da pandemia e com um auxílio emergencial pífio, de 150 reais por mês, como alguém pode pagar 80, 100, até 130 reais em algumas regiões do país, por um botijão de gás? É cada vez mais difícil. Tem gente usando lenha e até álcool para cozinhar. Esta semana um homem morreu em Goiânia após cozinhar com álcool, por não ter dinheiro para o gás. E o pior: esses reajustes que a gestão da Petrobrás vem aplicando não apenas no gás de cozinha, mas também no óleo diesel e na gasolina podem ser evitados. Basta a empresa parar de usar somente a cotação do petróleo e do dólar e considerar também os custos nacionais de produção. Afinal, 90% dos derivados de petróleo que a gente consome são produzidos no Brasil, em refinarias da Petrobrás. E a empresa utiliza majoritariamente petróleo nacional, que ela mesma produz aqui”, afima Bacelar.

Diretor do Sindipetro-NF, Alessandro Trindade, reforça que a ação desta quinta, assim como outras realizadas pela FUP e seus sindicatos em todo o país, é também uma forma de se solidarizar com a população nesta grave crise socioeconômica. Mas, infelizmente, essa solidariedade custou seu emprego: a gestão da Petrobrás demitiu Trindade por justa causa por ele levar doações para os refugiados da Ocupação 1º de Maio, em Itaguaí, região metropolitana do Rio. Cerca de 400 famílias ocuparam parte de um terreno da petroleira naquela cidade, e a reintegração de posse foi feita com violência pela Polícia Militar na semana passada. “Neste momento, a solidariedade é fundamental. A FUP e seus sindicatos entendem que, em meio à pandemia, são necessárias ações solidárias e contra a política implementada pelo governo Bolsonaro, que reduziu o auxílio emergencial para 150 reais, tornando inviável a comprar do gás de cozinha. Mal dá para comprar comida", destaca o petroleiro.

“Sou viúva, meu apartamento está caindo aos pedaços, quando chove molha tudo dentro. Sou cuidadora de idosos, tenho diploma, mas estou desempregada agora, tô passando uma fase muito ruim. Na minha família também tem muita gente desempregada, o pessoal tá vivendo de ‘bico’. Um ajuda o outro, mas é muito ruim. Estou há dois anos sem fazer um preventivo. O povo está às traças. Fui arrumar dinheiro emprestado para comprar o botijão, porque não tinha. Já é um alívio, ajuda bastante o gás a esse preço”, declarou Rosemari Carvalho da Silva, 65 anos, uma das beneficiadas pela ação solidária dos petroleiros.

“Moro com a minha avó, mas às vezes minha tia vai lá para casa com os filhos dela. O gás a esse preço, a 50 reais, vai nos ajudar muito, por aí o gás tá 90, 100. Bolsonaro falou que o gás ia ficar barato, e olha quanto tá custando hoje... Eu tô desempregada desde janeiro. Um emprego ia ajudar, mas minha carteira (de trabalho) só tem uma assinatura, e de um mês. Bolsonaro não tá dando emprego, o que eu vou fazer com um mês de carteira assinada? Tá tudo caro, os alimentos estão caros, o gás... com esses 50 reais que a gente economiza aqui já dá pra comprar outra coisa”, ressaltou Ingrid Cordeiro, 21 anos.

SOBRE AS AÇÕES DA CAMPANHA “COMBUSTÍVEL A PREÇO JUSTO”

O objetivo principal da campanha é conscientizar a população sobre como a política de preços adotada pela Petrobrás desde outubro de 2016, baseada no Preço de Paridade de Importação (PPI), afeta diretamente a vida de todos. A consequência do aumento dos combustíveis pode ser sentida em outros setores, como o de alimentos. E impacta diretamente toda a cadeia produtiva, pressionando a inflação.

Os preços justos de gasolina, diesel e gás de cozinha ofertados nas ações foram definidos a partir de estudos elaborados por técnicos e economistas, levando em consideração os preços e custos da Petrobrás e a garantia de lucratividade de empresas produtoras, distribuidoras e revendedores. O que prova que o consumidor não precisa e não deve pagar essa conta.

A FUP e seus sindicatos alertam que, enquanto o PPI estiver no centro da política de reajustes da Petrobrás para os derivados do petróleo, os preços dos combustíveis vão subir com frequência para o consumidor final.

A forma de cálculo adotada no governo Temer, em outubro de 2016, faz com que os preços do mercado interno acompanhem as cotações do petróleo no mercado internacional, as oscilações do dólar e as importações de derivados. Este cenário deve piorar se a privatização das refinarias da Petrobrás se concretizar, fazendo disparar os preços já elevados dos derivados de petróleo.

A campanha “Combustível a Preço Justo” foi iniciada em fevereiro de 2020 em diversas cidades do país, durante a histórica greve dos petroleiros, que durou 20 dias – a maior desde 1995. Em 2021, A FUP e seus sindicatos já promoveram ações da campanha em 1º de fevereiro, em apoio à greve dos caminhoneiros, em março, em parceria com a Central Única dos Trabalhadores (CUT) e o Movimento dos Atingidos por Barragens (MAB), e também em abril e maio.

Os trabalhadores associados ao Sindipetro Duque de Caxias efrentam nos próximos dias um processo eleitoral que será decisivo para a categoria. A FUP e seus sindicatos apoiam a Chapa 1:  Luta e Resistência, que traz em sua composição companheiros e companheiras de luta que nunca se omitiram ou fugiram à responsabilidade de exercer o papel de lideranças ativas, na defesa dos direitos da categoria petroleira, da soberania nacional e da democracia. 

A FUP e a atual direção do Sindipetro Caxias tentaram construir a unidade neste momento tão grave que os trabalhadores atravessam, com a Petrobrás no olho do furacão, mas a oposição continua apostando no divisionismo. "Nem mesmo a repressão do governo FHC, com as Forças Armadas ocupando as refinarias e intervindo nos sindicatos, foram capaz de deter o crescimento da luta, que culminou com a eleição de Lula para a Presidência da República, em 2002. Para esta eleição sindical, buscamos unidade com a oposição. Tentamos convergir dentro das nossas diferenças em prol da categoria petroleira. Infelizmente eles pregam uma coisa e fazem outra. O sectarismo impediu a criação de uma chapa unitária. Nós sabemos quem é o inimigo. Ele é Bolsonaro. Seguiremos com o trabalho que todos conhecem tão bem", afirmou o sindicato, em manifesto divulgado à categoria.

Fazemos, portanto, um chamado aos petroleiros e petroleiras de Duque de Caxias a participarem deste processo eleitoral, acompanhando e divulgando os materiais de campanha da Chapa 1, que pode ser acessado nas redes sociais abaixo:

Facebook:
https://www.facebook.com/lutaeresistenciacaxias

Instagram:
https://www.instagram.com/lutaeresistenciacaxias/

Eleição será de 28 a 31 de março

Na quinta-feira, 18, terminou o prazo de registro das chapas que concorrem à eleição da nova diretoria. Duas chapas foram inscritas. A Chapa 1, apoiada pela FUP, pela CUT e pelos sindicatos do campo fupista, tem à frente o atual secretário geral do Sindipetro, Luciano Leite Santos.

Conforme o calendário, a Comissão Eleitoral tem até o dia 21 de março para realizar a conferência da documentação entregue pelas duas chapas. Caso haja qualquer discordância com as exigências estatutárias, a chapa será impugnada.

A chapa impugnada deverá apresentar recurso até o dia 23 de março, sendo analisado pela CE até o dia 24 de março.

O período de votação ocorre entre os dias 28 e 31 de março, conforme calendário.

Os documentos relativos a eleição podem ser acessados em: http://sindipetrocaxias.org.br/eleicao-sindipetro-caxias-trienio-2021-2024/

Leia abaixo o boletim da Chapa 1:

O sindicato tá ON, a oposição tá OFF

Brecht tem razão, em tempos estranhos e sombrios temos que explicar e defender o óbvio. Mas tudo bem, é o papel do sindicato e da sua direção informar e esclarecer as trabalhadoras e os trabalhadores sobre os caminhos que são trilhados para que a instituição defenda os nossos direitos e para que a categoria se engaje na luta pela vida, por saúde e por benefícios. Então vamos lá!

Nesse estranho e tenebroso tempo em que o vírus da COVID-19 vai matar 300 mil brasileiros muito em breve, o povo brasileiro e, em especial, a classe trabalhadora, precisa reafirmar frente aos governos genocida e aos barões do mercado que a vida é um valor inegociável! Parece óbvio? Pois é, mesmo o sendo, precisamos reafirmar esse valor dentro das nossas fábricas. E por que? Sigamosos fatos e será possível evidenciar a razão.

As petroleiras e petroleiros da REDUC confiaram e permanecem seguindo os encaminhamentos e as direções que são apontadas dela atual diretoria e, por esta razão, estão acumulando resultados positivos e garantias que muitos outros colegas em diversas unidades não obtém.

Foi a atual direção que, com responsabilidade e estratégia coletiva, engajou a categoria na 2º maior greve nacional em fevereiro de 2020 à lutar por direitos e a defender os empregos; foi essa mesma direção que desde o início do golpe de 2016 tem afirmado que o discurso do ódio e o ataque do fascismo produziria perdas de diretos trabalhistas e desemprego, foi também a responsável por realizar diversas ações jurídicas que garantiram aos trabalhadores da base do Sindipetro Caxias a preservação dos seus salários e a manutenção dos benefícios durante a pandemia. Os registros nos boletins e nas mídias socias do sindicato atestam que o bom e valoroso trabalho dessa direção gerou e ainda vai gerar muitos resultados positivos e proteções para os trabalhadores da REDUC, do TECAM, da UTEGLB e da ECOMP de Arapeí.

Tá, mas isso não é óbvio? É. Mas um grupo de pessoas ligadas à FNP e a grupos partidários que apoiaram o golpe contra a classe trabalhadora ainda fomentam a retórica do ódio e espalham mentiras e boatos que geram descontentamento e dúvidas nos trabalhadores, mesmo que a informação oficial no site apresente justamente o contrário. Essas recorrentes atitudes irresponsáveis e levianas comprovam que a falta de um projeto para dirigir e organizar a categoria na base de Caxias se materializam em mensagens confusas e com conteúdo falso.