[Da imprensa do Sindipetro Bahia]

Com o objetivo de acolher os (as) petroleiros (as) e propor ações que possam abrandar os sentimentos de perda e desamparo diante do falecimento de um trabalhador da Rlam na manhã dessa terça-feira (22), representantes da FUP e do Sindipetro Bahia passaram boa parte do dia de ontem na Refinaria Landulpho Alves - Rlam.

O coordenador da FUP, Deyvid Bacelar, o coordenador do Sindipetro, Jairo Batista, e os diretores André Araújo, Jailton Andrade e Alberto Rosário, conversaram com os trabalhadores enquanto a Polícia Técnica realizava seu trabalho, apurando a causa da morte do companheiro, muito querido por todos.

Eles também participaram de uma reunião com o Gerente Geral, os gerentes de RH e de SMS, com a saúde ocupacional e com um psicólogo. Os representantes sindicais procuraram se informar sobre o processo de apuração do ocorrido e reafirmaram a necessidade de acompanhar de perto a investigação.

O Sindipetro cobrou apoio à família do trabalhador e foi atendido prontamente. A gerência da Rlam enviou uma equipe multidisciplinar, com médica, psicólogo e assistente social para prestar assistência à família.

A entidade sindical também colocou a sua assistência jurídica e o serviço social à disposição da família do companheiro, a quem se solidariza e deseja força e fé para atravessar esse momento de profunda dor.

O sindicato ainda fez algumas propostas, solicitando que fossem colocadas em prática de forma imediata. Veja algumas delas:

– Retomada dos atendimentos de psicólogos e assistentes sociais na Rlam, como havia antigamente, quando esses profissionais faziam parte do quadro do RH e Saúde Ocupacional da empresa, prestando um serviço valoroso e necessário aos funcionários.

– Ação mais incisiva nos próximos meses, disponibilizando um maior número de profissionais (psicólogos e assistentes sociais) para atender aos funcionários. Voluntários do CVV – Centro de Valorização da Vida- já se ofereceram para prestar seus serviços, amparando e ouvindo todos aqueles que queiram se desabafar.

O Sindicato também está trabalhando junto com autoridades em saúde para que os trabalhadores possam se cercar de todos os cuidados necessários em momentos difíceis e de tantas incertezas como o atual. Nesse sentido, o sindicato entrou em contato com o Cesat (Centro Estadual de Referência da Saúde do Trabalhador), que se colocou à disposição de todos os funcionários que queiram um atendimento especifico.

A entidade sindical procurou ainda o Ministério Público do Trabalho e a Superintendência Regional do Trabalho e Emprego, que vão acompanhar o ocorrido na Rlam.

Procure ajuda

O sentimento de medo, fracasso, angústia e até mesmo a pressão, humilhação e a depressão são comuns na vida de grande parte da população mundial. Mas há formas de lidar com essas questões e a mais importante delas é procurar ajuda.

Você trabalhador, colega de trabalho, de turma, amigo, também pode e deve ajudar, se identificar mudança no humor ou comportamento de outro colega, não hesite e solicite apoio de amigos, familiares e, avise ao sindicato, e com auxílio profissional também poderemos encaminhar e acompanhar,

As pessoas que precisam de ajuda podem recorrer, por exemplo, ao CVV, grupo de voluntários que oferecem apoio emocional gratuito. O CVV oferece ajuda por telefone, chat, e-mail e pessoalmente, além de realizar ações especiais em casos de eventos e catástrofes.

O atendimento é feito por telefone, através do número 188 (sem custos) ou pelo www.cvv.org.br via chat, e-mail ou carta.

Publicado em Sistema Petrobrás

A diretoria do Sindipetro Bahia tomou conhecimento do falecimento de um trabalhador direto da Refinaria Landulpho Alves, na manhã dessa terça-feira (22). A causa da morte, com indícios iniciais de suicídio, está sendo apurada pela Policia Técnica.

Em um momento tão triste como esse, o Sindipetro se solidariza e se coloca à disposição para ajudar no que for preciso, acolhendo a família e os colegas do trabalhador, que se encontram emocionalmente abalados. A entidade sindical disponibiliza os serviços da sua assessoria jurídica e da sua assistente social para auxiliar e orientar todos que necessitem de apoio nessa circunstância tão difícil.

Pedimos a todos e todas que cuidem de seus colegas, que tenham um olhar carinhoso e diferenciado para os que estão à sua volta. Em tempos difíceis, de instabilidade, doenças – psíquicas e físicas – pressões e retiradas de direitos, precisamos estar cada vez mais unidos.

Setembro Amarelo

Estamos no mês de setembro, onde a campanha “Setembro Amarelo” está sendo amplamente divulgada visando conscientizar as pessoas para  a importância da prevenção ao suicídio.

A campanha “Setembro Amarelo”, foi criada em 2015 pelo Centro de Valorização da Vida (CVV) juntamente com a Associação Brasileira de Psiquiatria (ABP) e o Conselho Federal de Medicina (CFM).

O CVV é um serviço voluntário e gratuito de prevenção do suicídio e presta apoio emocional a todas as pessoas que desejam conversar, com total sigilo, atendendo voluntária e gratuitamente todas as pessoas que querem e precisam conversar, sob total sigilo por telefone, email e chat 24 horas todos os dias.

O atendimento é feito por telefone, através do número 188 (sem custos) ou pelo www.cvv.org.br via chat, e-mail ou carta.

[Via Sindipetro Bahia]

Publicado em Sistema Petrobrás

[Da imprensa do Sindipetro-BA]

Emoção e gratidão. Esses dois sentimentos podem justificar o comportamento dos trabalhadores diretos e indiretos que participaram do ato em comemoração aos 70 anos da Refinaria Landulpho Alves, no município de São Francisco do Conde (Bahia), na manhã dessa quinta-feira (17), em frente à refinaria, primeira a integrar o Sistema Petrobrás e segunda do país em capacidade de processamento.

Nas falas da categoria e dos dirigentes sindicais, sobressaia o orgulho de trabalhar na Landulpho Alves e de ser funcionário ou funcionária da Petrobrás. Também havia revolta e apreensão, pois há possibilidade da Rlam ser vendida para um conglomerado internacional, o Mubadala Investment Company, que pertence ao governo da Arábia Saudita.

A história da refinaria também foi destaque em vários pronunciamentos. Palco de muitas mobilizações, lutas e greves, a Rlam e seus trabalhadores têm a resistência em seu DNA. Não é à toa que o trevo que dá acesso à essa unidade da Petrobrás foi batizado de Trevo da Resistência. 

O ato também foi uma forma de resgatar e festejar a história da Rlam, cuja operação, que teve início em 1950, possibilitou o desenvolvimento do primeiro complexo petroquímico planejado do país e maior complexo industrial do Hemisfério Sul, o Polo Petroquímico de Camaçari. Além de ter contribuído para o desenvolvimento tecnológico e geração de empregos e renda para a Bahia.

Muitos dirigentes sindicais de outras categorias compareceram ao ato a exemplo do Sitticcan, Sindalimentação e Sindicato dos Servidores Públicos de São Francisco do Conde. Também estava presente o vereador Val Peças (PSB), da cidade de Madre de Deus.

Ex-presidentes do Sindipetro Bahia foram convidados para participar da homenagem à Rlam. Germino Borges, que estava à frente da entidade sindical em 1983, ainda no período da ditadura militar, quando o Sindipetro sofreu intervenção, falou sobre a histórica greve de 83 e lembrou dos momentos de lutas e enfrentamentos que ocorreram, ressaltando a importância da Rlam para a geração de empregos e desenvolvimento regional e nacional.

O funcionário da Rlam e diretor do Sindipetro, Attila Barbosa, falou sobre a importância da unidade da categoria e da necessidade de fazer uma greve em defesa do Sistema Petrobrás e da soberania nacional. A também diretora do Sindipetro, Elizabete Sacramento, afirmou que “defender a Petrobras e a refinaria é lutar contra esse governo fascista para que tenhamos a possibilidade de retomarmos o desenvolvimento da Bahia e do Brasil, com geração de emprego, renda e uma melhor qualidade de vida”.

STF vai julgar se venda da Landulpho Alves é legal

O Coordenador Geral da FUP e diretor do Sindipetro Bahia, Deyvid Bacelar, que também é funcionário da Rlam, fez uma fala emocionada e ao mesmo tempo dura. Ele parabenizou a categoria, lembrando a história dos petroleiros e petroleiras e ressaltou a necessidade de intensificar a luta em defesa do Sistema Petrobrás, “que está sendo desmontado e vendido pelo governo Bolsonaro”.

Bacelar lembrou que a partir dessa sexta-feira (18), o Supremo Tribunal Federal deve julgar um pedido feito pelas mesas da Câmara dos Deputados e do Senado contra a venda das refinarias da estatal. Alegando desvio de finalidade, Senado e Câmara solicitam que o STF emita uma medida cautelar contra essas vendas. “Incorporada à Petrobrás, a Rlam faz parte do capital social da estatal, portanto, não sendo uma subsidiária não poderia ter sido colocada à venda pelo governo Bolsonaro, sem autorização do Congresso Nacional. Então, essa venda é ilegal”, afirmou.

O Coordenador Geral do Sindipetro Bahia, Jairo Batista, lembrou que a Rlam é o símbolo do inicio da industrialização da Bahia e do Brasil. Para ele, ”infelizmente, não há muito a comemorar, mas sim a lutar e resistir”. Batista falou da importância de intensificar as ações da campanha “A Petrobrás Fica”, que já conta com a adesão de diversos parlamentares, prefeitos e governadores e com o trabalho que vem sendo feito pela FUP, os Sindipetros e a Frente Parlamentar Mista em Defesa da Petrobrás, lançada oficialmente no início de agosto. “A nossa soberania tem de prevalecer. A privatização das refinarias e de outras unidades do Sistema Petrobrás trará um grande prejuízo à nação”.

Palmas para a Rlam

Ao final do ato, a categoria se reuniu em volta de um bolo de 2 metros de comprimento para cantar parabéns para a Rlam e também para todos aqueles que ao longo de 7 décadas, com comprometimento, se dedicaram para fazer com que a Rlam virasse sinônimo de excelência, sendo responsável por 25% do ICMS do estado da Bahia.

A Rlam nasceu antes mesmo da Petrobrás, cuja lei que levou à sua criação foi sancionada pelo presidente Getúlio Vargas em 03 de outubro de 1953, dando à Petróleo Brasileiro S.A as atribuições de pesquisa, exploração, refino, transporte e sistema de dutos.

Na Landulpho Alves, são refinados diariamente 31 tipos de produtos, das mais diversas formas. Além dos conhecidos GLP, gasolina, diesel e lubrificantes, a refinaria é a única produtora nacional de food grade, uma parafina de teor alimentício, utilizada para fabricação de chocolates, chicletes, entre outros, e de n-parafinas, derivado utilizado como matéria-prima na produção de detergentes biodegradáveis.

A planta se destaca também na produção de óleo combustível marítimo (bunker) de baixo teor de enxofre, produto que ganhou peso nas exportações da Petrobrás neste ano, sobretudo após a pandemia. De janeiro a julho, a Rlam produziu 749,5 mil toneladas do produto, 22% da produção brasileira desse combustível.

Com capacidade de processamento de 323.000 unidades de barris por dia, a Rlam foi colocada à venda junto com os seus terminais operados pela Transpetro (Candeias, Itabuna, Jequié e Madre de Deus), além de 669 km de dutos que integram a rede da refinaria, incluindo oleodutos que ligam a RLAM ao Terminal Madre de Deus, ao Complexo Petroquímico de Camaçari e aos Terminais de Jequié e Itabuna.

Para o Sindipetro Bahia e a FUP, a luta contra a venda das unidades do Sistema Petrobrás é prioridade e sempre esteve na pauta das entidades sindicais, que já tomaram diversas ações jurídicas e políticas para evitar que o governo Bolsonaro execute esse crime lesa pátria. As campanhas “Rlam 70 anos, História Luta e Resistência” e “Petrobrás Fica” continuam a todo vapor.

Publicado em SINDIPETRO-BA

No dia em que a Refinaria Landulpho Alves (RLAM) completa 70 anos, petroleiros promovem ato em celebração à data e lançam campanha mostrando à sociedade razões para que a Petrobrás não venda suas refinarias, às vésperas do início do julgamento no STF sobre a legalidade da operação

Na manhã desta quinta-feira (17/9), dia em que a Refinaria Landulpho Alves (RLAM), na Bahia, a primeira refinaria do Brasil, completa 70 anos, petroleiras e petroleiros realizaram o ato “RLAM 70 anos: história, luta e resistência” em frente à entrada principal da unidade, em São Francisco do Conde (BA), para celebrar a data. Simultaneamente, a Federação Única dos Petroleiros (FUP) e seus 13 sindicatos lançaram nas redes sociais a campanha “7 razões para a Petrobrás não vender refinarias”, para mostrar à população os riscos associados à privatização dessas unidades.

O ato na RLAM e a campanha nas redes sociais reforçam a campanha #PetrobrásFica, lançada no início de agosto pela Frente Parlamentar Mista em Defesa da Petrobrás. A movimentação ocorre às vésperas do início do julgamento, pelo Supremo Tribunal Federal (STF), do pedido das mesas do Senado Federal e do Congresso Nacional à corte para impedir que a empresa privatize oito refinarias sem autorização do Poder Legislativo. 

Além da RLAM, a gestão da Petrobrás anunciou a venda de Refap (RS), Repar (PR), SIX (PR), Regap (MG), RNEST (PE), RPCC (RN), Lubnor (CE) e Reman (AM). A RLAM está sendo negociada com o Fundo Mubadala, de Abu Dhabi, enquanto a Repar, segundo informações veiculadas na imprensa, teria atraído o interesse da Raízen, joint venture entre a anglo-holandesa Shell e a brasileira Cosan, e do grupo Ultrapar.

“A Constituição Federal é clara quanto à necessidade de autorização do Congresso Nacional para a venda de estatais. O que a atual gestão da Petrobrás e o governo estão fazendo é criar uma forma de burlar a exigência legal, criando subsidiárias para vender essas refinarias sem a aprovação do Legislativo”, explica o coordenador geral da FUP, Deyvid Bacelar.

CAMPANHA MOSTRA RAZÕES PARA NÃO VENDER REFINARIAS

Reforçando as mobilizações jurídica e política, a campanha “7 razões para a Petrobrás não vender suas refinarias”, lançada hoje pela FUP e seus sindicatos, vai levar para as redes sociais informações sobre o prejuízo que a privatização dessas unidades causaria à sociedade brasileira. Com dados baseados em estudos e pesquisas, a campanha mostra, de forma resumida, impactos sobre o bolso do consumidor, emprego e renda, além da perda de arrecadação dos cofres públicos.

“Queremos mostrar às pessoas que a Petrobrás está sendo privatizada ‘aos pedaços’ e que isso é ruim para a economia do Brasil e para as economias locais e regionais. E a população brasileira é contrária à privatização da Petrobrás, como mostram pesquisas de opinião. Por isso, esperamos que essas informações que estamos compartilhando mobilize a população a se unir a nós na campanha ‘PetrobrásFica’”, reforça Bacelar. 

7 RAZÕES PARA A PETROBRÁS NÃO VENDER REFINARIAS

1 - Vender refinarias não garante concorrência, nem preços de combustíveis mais baixos

No mercado brasileiro, uma refinaria não concorre com outra. Cada uma foi instalada em uma região para suprir os mercados locais. Se uma refinaria não concorre com a outra, quem comprar uma refinaria da Petrobrás não precisa se preocupar com concorrência. Vai poder colocar em seus produtos os preços que quiser. Vamos trocar o equilíbrio dos mercados por monopólios privados.

2 - Vender refinarias cria risco de desabastecimento

Quem comprar as refinarias vai poder decidir se vende no Brasil ou exporta sua produção. E vai decidir se produz combustíveis ou usa apenas as instalações de armazenagem. A própria ANP está preocupada com o risco de desabastecimento, porque não existe regulação no país para a situação de diversos agentes no refino.

3 - Vender refinarias pode reduzir a massa salarial dos trabalhadores

A Petrobrás investe mais nos trabalhadores e na geração local de empregos que empresas privadas. A venda das refinarias diminuirá empregos tanto nas unidades como entre fornecedores. Menos empregos, menos renda, menos poder de compra.

4 - Vender refinarias ameaça as economias locais

Se quem comprar a refinaria resolver produzir menos, ou não produzir, vai impactar a cadeia produtiva que gira em torno dessas refinarias. Pequenos e médios comerciantes, prestadores de serviços e outras atividades econômicas podem ser impactadas.

5 - Vender refinarias vai diminuir a arrecadação de estados e municípios

Se a empresa que comprar as refinarias usar petróleo importado haverá impacto na arrecadação de royalties de municípios que tem instalações para transportar o petróleo até as refinarias. Aqui, o risco diz respeito aos royalties de cidades que têm instalações de produção, já que no refino o pagamento de imposto é pela circulação dos derivados.

6 - Vender refinarias vai contra a vontade dos brasileiros, que não querem a privatização da Petrobrás

Pesquisa divulgada na última semana pela Exame apontou que 41% dos brasileiros são contrários à privatização da Petrobrás, ante 28% favoráveis. Esses dados se juntam às pesquisas do Datafolha e da Revista Fórum que mostraram a reprovação da população à venda da empresa.

7 - Vender refinarias vai impactar financeiramente a Petrobrás e reduzir os ganhos de seus acionistas

A privatização “aos pedaços” é prejudicial até mesmo para o acionista da Petrobrás, aquele que investiu suas economias em ações da empresa. Empresas “do poço de petróleo ao posto”, verticalizadas, têm mais valor no mercado. E a Petrobrás está virando uma exportadora de petróleo cru e deixando de agregar valor ao petróleo que ela produz. Com a pandemia de Covid-19, os prejuízos da Petrobrás foram minimizados com o aumento de sua exportação de óleos combustíveis, principalmente bunker para navios. E são as refinarias da empresa que fabricam esses produtos. A RLAM, da Bahia, é uma das maiores produtoras de bunker do país. Se for vendida, isso vai impactar as contas da própria Petrobrás.

FONTES: Instituto de Estudos Estratégicos de Petróleo, Gás Natural e Biocombustíveis (Ineep); Estudo: “Competitividade no mercado de gasolina e diesel no Brasil: uma nova era?” – Departamento de Engenharia Industrial, PUC-Rio; ANP está preocupada com abastecimento de gás de cozinha após venda de refinarias da Petrobrás” – Jornal Estado de SP, 24 de julho de 2020; “Pesquisas Exame/IDEIA (Agosto 2020), Revista Fórum (julho 2020), Datafolha (setembro 2019)

Publicado em Sistema Petrobrás

No dia 17 de setembro de 2020, a Refinaria Landulpho Alves (Rlam), localizada no município de São Francisco do Conde, na Bahia, completa 70 anos. Para comemorar essa data, a diretoria do Sindipetro Bahia realizará um ato, a partir das 7h dessa quinta-feira, em frente ao acesso principal à Rlam (próximo ao portão 3), utilizando máscaras e respeitando o distanciamento físico entre as pessoas devido à pandemia da Covid-19.

A homenagem à Rlam será feita através de seus trabalhadores e trabalhadoras que ao longo dessas 7 décadas ajudaram a construir essa que hoje é a segunda maior refinaria do país em capacidade de processamento.

Um bolo de 2 metros de comprimento está sendo confeccionado para marcar a data e cantar parabéns para a Rlam. Para o ato, foram convidadas diversas entidades sindicais, centrais de trabalhadores, a exemplo da CUT, assim como parlamentares e representantes de movimentos sociais e da juventude.

Há cerca de um mês, o Sindipetro lançou a campanha “Rlam 70 anos, História, Luta e Resistência” com atos e um plano de mídia, que incluiu anúncios em outdoors, rádios e sites de notícias. A mobilização dessa quinta-feira fecha o ciclo dessa comemoração e dá continuidade a outro ciclo, o da luta em defesa da Rlam, da Petrobrás e da soberania nacional.

Venda ilegal

Ao entrar em operação em 1950, a Rlam era um dos símbolos do sonho de um povo que buscava uma nação independente em energia.

A Refinaria de Mataripe – como é conhecida- nasceu antes mesmo da Petrobrás, cuja lei que levou à sua criação foi sancionada pelo presidente Getúlio Vargas em 03 de outubro de 1953, dando à Petróleo Brasileiro S.A as atribuições de pesquisa, exploração, refino, transporte e sistema de dutos.

Incorporada à Petrobras, a Rlam faz parte do capital social da estatal, portanto, não sendo uma subsidiária não poderia ter sido colocada à venda pelo governo Bolsonaro sem autorização do Congresso Nacional.

Mas após 70 anos de operação e contribuição efetiva para o crescimento e desenvolvimento industrial da Bahia, a Rlam está prestes a ser vendida para um conglomerado dos Emirados Árabes, mesmo de forma ilegal.

Portanto, a comemoração dos 70 anos da Rlam é também um grito de socorro e um convite para que a sociedade baiana se junte à luta em defesa dessa grande refinaria, cuja operação possibilitou o desenvolvimento do primeiro complexo petroquímico planejado do país e maior complexo industrial do Hemisfério Sul, o Polo Petroquímico de Camaçari. Além de ter contribuído para o desenvolvimento tecnológico, geração de empregos e renda para a Bahia.

Resistência

A Refinaria Landulpho Alves é também conhecida pela capacidade de luta de seus trabalhadores e trabalhadoras. A Rlam já foi palco de muitas mobilizações e greves como a realizada em 1983, em plena ditadura militar.

Na época, os petroleiros e petroleiras cruzaram os braços para lutar contra o arrocho salarial, a manipulação do INPC, o Decreto-lei nº 2.036 e contra o acordo com o FMI.

Desafiando a Lei de Segurança Nacional, do regime militar, o movimento dos petroleiros (Rlam e Replan) foi o ponto de partida da primeira greve geral do país desde o golpe de 1964, abrindo caminho para a criação da Central Única dos Trabalhadores.

Em razão da postura e capacidade de luta dos trabalhadores da Rlam, há um trevo no acesso principal à refinaria que foi batizado de Trevo da Resistência.

[Via Sindipetro Bahia]

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A Refinaria Landulpho Alves (RLAM) completa 70 anos em setembro. Primeira refinaria nacional, ela entrou em operação em 1950 impulsionada pela descoberta do petróleo na Bahia, a partir do 
Campo de Candeias, e pelo sonho de uma nação independente em energia.

Para comemorar o aniversário da Rlam, o Sindipetro Bahia lança nesta quarta-feira, 19, a campanha “Rlam 70 anos, História, Luta, e Resistência”, com uma série de atividades até a data do aniversário da refinaria, no dia 17 de setembro.

A Rlam nasceu antes mesmo da Petrobrás, cuja lei que levou à sua criação foi sancionada pelo presidente Getúlio Vargas em 03 de outubro de 1953, dando à  Petróleo Brasileiro S.A as atribuições de pesquisa, exploração, refino, transporte e sistema de dutos. 

Localizada no município de São Francisco do Conde, sua operação possibilitou o desenvolvimento do primeiro complexo petroquímico planejado do país e maior complexo industrial do Hemisfério Sul, o Polo Petroquímico de Camaçari. Além de ter contribuído para o desenvolvimento tecnológico, geração de empregos e renda para a Bahia, e, particularmente para São Francisco do Conde, que tem um dos maiores PIBs (renda per capta por habitante) do Brasil, devido à presença da Petrobras no município. 

Na Rlam, são refinados diariamente 31 tipos de produtos, das mais diversas formas. Além dos conhecidos GLP, gasolina, diesel e lubrificantes, a refinaria é a única produtora nacional de food grade, uma parafina de teor alimentício, utilizada para fabricação de chocolates, chicletes, entre outros, e de n-parafinas, derivado utilizado como matéria-prima na produção de detergentes biodegradáveis. 

Segunda maior refinaria do país em capacidade de processamento, a Rlam pode produzir 323.000 unidades de barris por dia. Em 2018, a refinaria foi responsável por 3,1% do Produto Interno Bruto (PIB) baiano e por 20% da arrecadação do Imposto sobre Circulação de Mercadorias e Serviços (ICMS) do estado. 

Ao longo desses 70 anos, a refinaria foi ampliada e recebeu bilhões de reais em investimentos, chegando a ser responsável pela produção de 30% da demanda do país e garantindo hoje o abastecimento da Bahia e outros estados do Nordeste. 

Mas a história tomou um rumo diferente. E no lugar de investir e garantir a capacidade de processamento do refino no Brasil, o governo Bolsonaro optou por uma política de desmonte e de entrega do capital nacional.  

Com o falso argumento da diminuição dos preços dos combustíveis e da estimulação à livre concorrência, o governo Bolsonaro, ignorando a decisão do Supremo Tribunal Federal (STF), que proibiu a venda de estatais sem licitação pública e aval do Congresso Nacional, colocou à venda a Rlam e junto com a refinaria os seus terminais operados pela Transpetro (Candeias, Itabuna, Jequié e Madre de Deus), além de 669 km de dutos que integram a rede da refinaria, incluindo oleodutos que ligam a refinaria ao Terminal Madre de Deus, ao Complexo Petroquímico de Camaçari e aos Terminais de Jequié e Itabuna. 

O provável comprador da Rlam, já em fase de negociação, é um conglomerado internacional, o Mubadala Investment Company. O fundo Mudabala pertence ao governo da Arábia Saudita que também controla a maior petroleira mundial, a Saudi Aranco em sociedade (50/50) com a Shell, tendo 3 refinarias no Golfo do México que hoje já fornecem mais de 200 mil barris/dia de combustíveis para o mercado brasileiro. 

O mais provável é que a Rlam passe a utilizar petróleo árabe, ao invés do da Petrobras, ou até que tenha suas atividades paralisadas passando a vender combustíveis importados, o que pode tornar ainda mais caros os preços dos derivados do petróleo, como o diesel, gasolina e gás de cozinha. 

A diretoria do Sindipetro Bahia e a categoria petroleira vêm encampando uma árdua luta em defesa da Rlam e de outras unidades da Petrobras, também colocadas à venda.  Uma delas está sendo feita através da campanha “Rlam 70 anos, História, Luta e Resistência”, lançada agora e que fecha o ciclo da Vigília Petroleira em Defesa da Petrobras e da Bahia, que percorreu todas as unidades da estatal no estado. 

No caminho que dá acesso à Rlam existe um trevo, batizado de Trevo da Resistência, em homenagem à resistência e luta dos petroleiros que já realizaram muitas greves e mobilizações em defesa da Petrobras. 

Ao comemorar os 70 anos da Refinaria Landulpho Alves, o Sindipetro Bahia faz um apelo à sociedade baiana e à classe política, independente de partido, para que também participem dessa luta e, assim como a categoria petroleira, sejam resistência. 

A Petrobrás nasceu na Bahia, gerando desenvolvimento, empregos e renda para esse estado. O povo baiano merece e precisa da Petrobras como uma empresa nacional e integrada, atuando, com responsabilidade social, do poço ao posto.

[Com informações da imprensa do Sindipetro-BA e do portal Bahia Notícias]

Publicado em Sistema Petrobrás

O Sindipetro Bahia deu início na última sexta-feira, 31/07, à “Vigília Itinerante em defesa da Petrobras e da Bahia”. O objetivo e chamar a atenção da população para a importância de uma empresa nacional, pública, integrada, atuando em todos os segmentos da indústria do petróleo, gás e energia.  

A vigília é também a reação da categoria petroleira ao desmonte e privatização predatória da estatal que ocorre em ritmo acelerado no governo de Bolsonaro, atingindo em cheio o Nordeste. 

Tendo como ponto de partida a cidade do Salvador, a vigília prossegurá até 19/08, passando por todas as cidades onde existem unidades do Sistema Petrobras.  

O diretor de licenciado, do Sindipetro Bahia, Radiovaldo Costa, esteve em Itabuna, nessa segunda-feira (3). Ele está...

Publicado por Sindipetro Bahia em Segunda-feira, 3 de agosto de 2020

O trajeto está sendo percorrido por diretores do Sindipetro em um ônibus adesivado com a logo da campanha e o slogan “Vigília Itinerante em defesa da Petrobras e da Bahia”. 

Leia a íntegra do manifesto dos petroleiros em defesa da Petrobrás:

A Bahia e os baianos merecem e precisam da geração de riqueza e renda proporcionada pela Petrobras

Foi nesse estado que em 1939 jorrou o petróleo pela primeira vez no Brasil, no bairro do Lobato, em Salvador. Foi aqui também que, em 1950, entrou em operação, na região de Mataripe, a primeira refinaria da Petrobras, a Refinaria Landulpho Alves (Rlam).  Em 1953, o então presidente Getúlio Vargas, cria a Petrobras, a partir de um forte clamor popular.  

Até 1965, a Bahia foi o único estado nacional a produzir petróleo. A partir da criação da Petrobras, o Brasil e, particularmente o Nordeste, viu nascer a geração de riqueza e o crescimento e desenvolvimento da economia local com o surgimento de outras indústrias ancoradas na produção do petróleo e seus derivados. 

A Bahia é o que é hoje, em grande parte, devido à Petrobras, que possibilitou, por exemplo, a criação do Polo Petroquímico de Camaçari – o mais integrado do hemisfério Sul, gerando empregos e arrecadação de impostos para o estado e diversos municípios. 

A Petrobras significa realizações de ações sociais, que beneficiam moradores dos 21 municípios, situados no entorno das unidades da estatal, que hoje emprega 3 mil trabalhadores diretos (concursados) e cerca de 10 mil terceirizados. Além da receita gerada com a compra de bens e serviços no nosso estado. 

A Petrobras significa cuidado com o meio ambiente, criação de milhares de empregos diretos e indiretos, geração de impostos como ISS, ICMS e royalties, investimento em tecnologia e garantia de soberania. A Petrobras sempre atuou dessa forma. A responsabilidade social faz parte do DNA da empresa, independente do governo. Uma cultura que, há anos, vem sendo colocada em prática pelos petroleiros e petroleiras, responsáveis diretos pelo sucesso da Petrobras. 

Mas desde a sua criação, a Petrobras é perseguida, pois fere interesses de nações e de grandes multinacionais. Ao longo de 66 anos foram muitas as tentativas de privatização da estatal, barradas por mobilizações, greves e campanhas grandiosas que tocaram o coração da população como a do “O Petróleo é Nosso”, no governo de Getúlio Vargas.

Agora, a estratégia para privatizar a empresa é outra - e mais cruel -, pois passa pelo desgaste da imagem da Petrobras e dos seus funcionários para que a população perca o interesse em defender a estatal. 

Indiscutivelmente, a Petrobras foi a empresa brasileira mais atacada nos últimos dois anos, seja com o fechamento e venda das suas unidades ou redução dos investimentos e do efetivo de trabalhadores próprios e terceirizados. 

A Bahia é um dos estados que mais vem sofrendo com a política da atual gestão da Petrobras. A transferência dos trabalhadores do Edifício Torre Pituba, onde funcionava a sede administrativa da estatal, em Salvador, para outros estados – cerca de 1.500 efetivos – foi um baque para a economia baiana, que perdeu cerca de R$ 80 milhões por mês, arrecadados através dos salários e benefícios desses empregados. Hoje, o Torre Pituba encontra-se fechado. 

A UO-BA (Unidade Operacional da Bahia), por exemplo, é um negócio de R$ 3,5 bilhões por ano. Essa Unidade para a Petrobras é pequena, mas para a Bahia é grande, gera aqui cerca de 4 mil empregos diretos e indiretos (trabalhadores terceirizados e próprios), somando isso à FAFEN, RLAM, Transpetro, Termoelétricas, Campos Terrestres, Petrobrás Biodiesel e outras unidades da empresa, é possível perceber que a Petrobras tem um tamanho colossal para o estado. 

Tirar esse negócio da Bahia, vender e paralisar as unidades é assustador, podendo também gerar prejuízos para a própria empresa. Afinal, vender durante uma crise econômica, onde há pouca circulação de dinheiro, é certeza de venda abaixo do preço real da mercadoria. 

Entendemos que nenhuma empresa privada, por maior que seja, terá a capacidade de investimento igual à da Petrobras e nem o interesse em realizar ações sociais tão importantes para a população de baixa renda. 

Ao longo desses quase 67 anos, foram muita luta e energia de vários segmentos, de lideranças políticas, sociais e sindicais para manter a Petrobras viva e eficiente, atendendo aquilo a que ela se propõe desde a sua origem, que é ser uma empresa pública, que dá retorno à sociedade brasileira. 

Temos certeza que a Petrobras é uma das empresas que mais podem contribuir para ajudar o povo brasileiro a superar a atual crise econômica e social. 

Não é hora de vender, mas de investir. É hora de somar, não de dividir. Por isso, convidamos você a fazer parte dessa luta. Lutamos para o que o povo brasileiro tenha o direito de ter uma empresa pública, integrada, e que tenha compromisso com o presente e o futuro da nossa nação. 

Chegou o momento de resgatar a nossa autoestima como povo soberano. Essa luta é sua também!

Sindicato dos Petroleiros da Bahia

Publicado em Sistema Petrobrás

Em virtude da Petrobras não ter respondido o ofício encaminhado no dia 28/07/2020 questionando se as tabelas encaminhadas pela base para o sindipetro Bahia seriam aceitas para implantação, caso sejam escolhidas em assembleia da categoria, estamos adiando as assembleias dos dias 29/07 e 01/8 para os dias 13/08 e 16/08, respectivamente.

Dando continuidade ao compromisso assumido pela direção do Sindipetro e a transparência com a qual estamos tratando esse assunto tão delicado e importante para a categoria segue a metodologia que será aplicada e o conteúdo das assembleias;

1- a deliberação nas assembleias será efetuada através de votação com cédulas ( voto escrito).
2- serão apreciados no pleito;
a) escolha entre as tabelas de 8 horas de turno ( serão apresentadas as tabelas já validadas pela empresa, inclusive a que já tem acordo assinado com a base da RPBC).
b) escolha das tabelas de turno de 12 horas propostas pela base.
c) alteração do regime de trabalho de 8 para 12 horas.

3- apuração do resultado e registro em ata por turma.

4- apuração final, somatória dos resultados por turma e divulgação para a categoria ao final da última assembleia.

Clique aqui para ler o ofício enviado pelo Sindipetro à Petrobrás

[Via Sindipetro Bahia]

Publicado em SINDIPETRO-BA

Não foi surpresa para nós a “nota pública” divulgada na quarta-feira (8) pela Federação das Indústrias do Estado da Bahia (FIEB) sobre a venda da Rlam pela atual direção entreguista da Petrobras, afinal a FIEB defende os interesses dos grandes empresários da Bahia.

Mas nós do Sindipetro Bahia, entidade que tem história e tradição, defendemos os interesses da categoria petroleira, do patrimônio público e do povo do nosso estado.

Por isso, estamos vindo à público repudiar o posicionamento da FIEB em relação à venda da Rlam e demais refinarias da Petrobras, demonstrando que a Federação das Indústrias do Estado da Bahia ao agir, exclusivamente, por interesse próprio e visando o lucro dos seus associados, falta com a verdade e prejudica a sociedade baiana e a Bahia. A seguir, respondemos a cada ponto colocado pela FIEB em sua nota pública:

I – Se a FIEB (Federação das Indústrias do Estado da Bahia) tivesse se informado um pouco mais saberia que a Refinaria Landulpho Alves (Rlam) não é uma Subsidiária ou Controlada da Petrobras. A refinaria faz parte do capital social da estatal, desde a sua fundação em 1953, quando foi incorporada à Petrobras, no governo de Getúlio Vargas. Se estivesse estudado um pouco mais as leis, a FIEB saberia que o Plenário do Supremo Tribunal Federal (STF) proibiu a venda de estatais sem licitação pública e aval do Congresso Nacional. Repetindo: a Rlam não é uma subsidiária da Petrobras e a sua venda descumpre a decisão do STF.

II – A FIEB é a favor da quebra de um “monopólio público” para implantar um monopólio privado, já que qualquer empresa que adquira a Rlam irá receber, de forma cativa, um mercado consumidor que envolve a Bahia, boa parte do Nordeste e ainda o Norte de Minas Gerais, onde aqueles que precisam de derivados de petróleo produzidos pela Rlam só terão essa empresa privada como única opção. Então, a realidade é que a FIEB é defensora de um monopólio privado que irá penalizar a sociedade baiana bem como o Nordeste e o Norte de Minas gerais, que vão passar a adquirir produtos mais caros, já que a iniciativa privada objetiva o lucro acima de tudo e, principalmente o retorno do investimento feito.

Em relação ao monopólio público citado pela FIEB. Causa estranheza que a Federação não saiba que o monopólio estatal do petróleo foi quebrado em 1997, no governo de FHC. Portanto, qualquer empresa privada está apta a construir uma refinaria onde quiser, inclusive na Bahia, e o que nos esperávamos é que nesses 23 anos, a FIEB, que representa o segmento privado empresarial do estado da Bahia, onde estão concentrados os empresários mais ricos do estado, nunca se mobilizou para atrair um único empresário no intuito de construir uma refinaria no estado, no entanto, defende que uma refinaria pública seja vendida aos empresários para proporcionar lucros elevados em detrimento dos interesses da sociedade baiana.

III – Mais uma vez a FIEB falta com a verdade. A Petrobras não está fazendo desenvestimento, a atual gestão da Petrobras está privatizando um patrimônio público que foi construído com o suor e a luta do nosso povo e dos trabalhadores. Construção essa que acabou por consolidar o Brasil nesse segmento tão estratégico e importante em todo o mundo em que poucos países dispõem de um parque de refino como esse que temos em nosso país. O Brasil é referência nesse setor graças à capacidade e ao conhecimento adquirido ao longo dos anos pelos trabalhadores da Petrobras que edificaram esse patrimônio em nome do povo e não para ser entregue a grupos de empresários que visam exclusivamente garantir rentabilidade e altos lucros, o que seguramente irá resultar em preços mais altos para o consumidor final.

IV – É interessante esse posicionamento da FIEB sobre o que é mais ou menos rentável para a Petrobras, toda essa preocupação com o desempenho econômico e financeiro da estatal. Interessante também que a FIEB defenda que a Petrobras fique em uma atividade mais rentável como o pré-sal e deixe uma atividade como o refino, que na visão da Federação é menos rentável. Mas ao mesmo tempo defende a venda das refinarias para a iniciativa privada. Ora, se não é rentável porque quer comprar? Por que quer ocupar o espaço de uma atividade que segundo eles não é interessante do ponto de vista econômico, financeiro ou da lucratividade? Mas do que lucrativa, a atividade de refino é estratégica. Por isso não pode estar nas mãos da iniciativa privada, inclusive para evitar que a sociedade seja explorada. A FIEB mente para a sociedade baiana e está atrás de lucro fácil para os empresários, lucro esse que nunca foi priorizado pela Petrobras que ao longo de anos soube equilibrar seus interesses para não prejudicar a sociedade, historicamente oferecendo aos consumidores produtos de qualidade a preços justos, com exceção dos períodos onde a gestão da estatal atrelou o preço dos derivados do petróleo ao mercado internacional, por orientação dos governos de Temer e Bolsonaro, governos esses apoiados pela FIEB.

V – A Petrobras nunca deixou de modernizar, ampliar e dar manutenção à Rlam a partir das suas equipes e profissionais e dos recursos da própria empresa, garantindo com isso geração de emprego e renda em todo o estado da Bahia, em especial na região onde se situa a Refinaria Landulpho Alves. Então, nunca precisamos do investimento de empresas privadas para garantir o abastecimento com produtos de qualidade em todo o estado baiano. A FIEB deixa em dúvida, inclusive, se realmente haverá investimento a partir da chegada de uma empresa que possa adquirir a Rlam. É importante que se diga que as equipes de trabalhadores da Rlam já existem, são compostas por trabalhadores concursados e das diversas empresas que prestam serviço à estatal e trabalham para manter os equipamentos funcionando 24 horas por dia, garantindo assim o abastecimento necessário das demandas da sociedade. Então, nós não precisamos de nenhuma empresa, seja ela nacional ou estrangeira, para que a Rlam continue fazendo o que faz há 70 anos.

Nós do Sindipetro Bahia e a categoria petroleira temos a certeza de que o melhor para o Brasil, para a Bahia, para o povo brasileiro e o baiano é uma empresa pública de petróleo, integrada, nacional, atuando nos diversos segmentos da indústria do petróleo, gerando emprego, renda, desenvolvendo tecnologia, atendendo às demandas e necessidades da sociedade, preservando o meio ambiente, se relacionando com a comunidade em seu entorno e contribuindo, como vem fazendo há 66 anos (a Petrobras) e há 70 anos (a Rlam), para o desenvolvimento do estado da Bahia e do Brasil a partir dos esforços e dedicação dos seus trabalhadores.

Salvador, 10 de julho de 2020

Diretoria do Sindipetro Bahia

Clique aqui para ler a nota pública da FIEB que está sendo respondida pelo Sindipetro Bahia ponto a ponto

Publicado em Sistema Petrobrás

Em 05 de julho de 1983, os petroleiros da Refinaria de Paulínia (Replan/SP) iniciaram uma das mais importantes greves da categoria, que logo em seguida teve a adesão dos trabalhadores da Refinaria Landulpho Alves (Rlam/BA). Foram sete dias de enfretamento, em um movimento essencialmente político contra a ditadura, cujo estopim foi um decreto do general João Batista Figueiredo, para cortar direitos dos trabalhadores de estatais e reduzir efetivos.

Os militares ocuparam as refinarias, fizeram intervenções nos sindicatos, cassaram seus dirigentes e demitiram 358 petroleiros. Dez dias depois, em 21 de julho de 1983, cerca de três milhões de trabalhadores das mais diversas categorias cruzaram os braços na primeira greve geral da ditadura militar.

Em agosto do mesmo ano, a CUT foi fundada, tendo como principais eixos de luta o fim da ditadura, a revogação da Lei de Segurança Nacional e a garantia de liberdade e autonomia sindical. 

Conheça a história da greve de 1983

Uma das primeiras greves no período da Ditadura Militar a ser assumida pelos trabalhadores como essencialmente política, a moblização dos petroleiros em julho de 1983 representou um novo marco na história recente do movimento sindical brasileiro. A categoria desafiou a Lei de Segurança Nacional, parando a produção na Refinaria Landulfo Alves (RLAM), em Mataripe (BA) e na Refinaria Planalto (REPLAN), em Campinas (SP). Era o estopim para a primeira greve geral no Brasil, decretada após o golpe militar de 1964, e que parou o país no dia 21 de julho de 1983, abrindo caminho para a criação da Central Única dos Trabalhadores (CUT).

O cenário econômico em 1983 era favorável à série de mudanças políticas que estavam por acontecer. A crise econômica do governo Figueiredo fervilhava. Atendendo às determinações do FMI, o governo aumentava os juros para conter a inflação e cortava despesas, chegando ao ponto de baixar em maio o Decreto-Lei 2.025, que extingüia todos os benefícios dos empregados das empresas estatais. A reação dos trabalhadores foi imediata. No dia 16 de junho, 35 entidades sindicais e associações de funcionários públicos, incluindo os petroleiros da RLAM, aprovam o estado de greve, em protesto contra o decreto. Diversos setores da sociedade estudantes, partidos de esquerda, OAB, ABI, entre outros se solidarizaram com os trabalhadores, manifestando-se publicamente contra o decreto. Várias bases de petroleiros aderem ao estado de greve Campinas, Rio Grande do Sul, Pará, Minas Gerais, Cubatão e Duque de Caxias.

O governo recuou, mas no dia 29 de junho, o general João Batista Fiqueiredo, assinou um novo decreto, o 2.036, atacando diretamente os direitos dos funcionários das estatais acabou com o abono de férias, as promoções, os auxílios alimentação e transporte, o salário adicional anual e a participação nos lucros, só para citar alguns. Menos de uma semana depois, em 05 de julho, os trabalhadores do turno da noite da REPLAN entram em greve, desafiando a truculência do regime militar. A pauta de reivindicações era essencialmente política contra o arrocho salarial, à manipulação do INPC, o Decreto-Lei 2.036, o entreguismo governamental e o acordo com o FMI. No dia 07 de julho, interventores, acompanhados de agentes da Políca Federal, invadem o sindicato de Campinas, cassando os seus dirigentes.

A reação dos trabalhadores não tardou, com a greve se alastrando e atingindo a RLAM. Os metalúrgicos, químicos e trabalhadores em transporte do ABC paulista também param. Na Refinaria do Vale do Paraíba (REVAP), o movimento já estava prestes a ser deflagrado, mas a polícia agiu rápido, frustando a ação dos grevistas. O governo intervem nos sindicatos dos metalúrgicos em São Bernardo do Campo e Diadema e no sindicato dos petroleiros em Mataripe (BA).

O Exército entra de prontidão no ABC e, no dia 9 de junho, 153 trabalhadores foram demitidos em Paulínia e 205 em Mataripe. Diante de tamanha repressão, a unidade dos trabalhadores começa a ser enfraquecida. No dia 11 de julho, os metalúrgicos e os petroleiros suspendem a greve. Se por um lado os trabalhadores não tiveram naquele momento as suas reivindicações atendidas, por outro deram o passo decisivo para impulsionar a primeira greve geral da ditadura militar, no dia 21 de julho. Em 28 de agosto, os trabalhadores criavam a Central Única dos Trabalhadores. Nascia alí um sindicalismo autêntico e combativo, que mudaria para sempre as relações trabalhistas travadas no Brasil até então.

Esquecer a história é esquecer quem somos

Esquecer a história é esquecer quem somos, assim como celebrar a história é lembrar como chegamos aqui. A greve de 83 é um dos momentos mais importantes do sindicalismo brasileiro, é um registro de coragem que nos inspira até hoje. Os companheiros e companheiras que se colocaram a frente de todos aqueles riscos, são heróis e heroínas dos nossos tempos.

Cada petroleiro e petroleira deve carregar no peito com orgulho e coragem pertencer a categoria que, em plena ditadura militar, cruzou os braços para lutar contra o arrocho salarial, a manipulação do INPC, o Decreto-lei nº 2.036 e contra o acordo com o FMI.

Nossos companheiros e companheiras da RLAM (BA) e da REPLAN (SP) desafiaram a lei de segurança nacional, iniciando um movimento que acabou por ser a centelha da primeira greve geral do país, desde o golpe de 64, greve que acabou por abrir caminho para a criação da Central Única dos Trabalhadores.

Que nossa história nunca se perca! Que tenhamos sempre a união dos companheiros e companheiras de 83, porque defender a Petrobrás é defender o Brasil!

[Da imprensa da FUP e do Sindipetro-BA]

Publicado em Trabalho
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A Federação Única dos Petroleiros (FUP) foi criada em 1994, fruto da evolução histórica do movimento sindical petroleiro no Brasil, desde a criação da Petrobrás, em 1953. É uma entidade autônoma, independente do Estado, dos patrões e dos partidos políticos e com forte inserção em suas bases.

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