Após os vídeos sobre a Usina de Biodiesel, em Quixadá-CE, e o Campo de Fazenda Belém, em Icapuí-CE, a equipe de produção do Nigéria Filmes e o Sindicato dos Petroleiros registram a importância da Refinaria de Lubrificantes do Nordeste, localizada na capital cearense.

O vídeo conta com depoimentos de líder comunitário, diretor da FUP e também do ex-governador do Ceará, Ciro Gomes (PDT).

Próximo vídeo será sobre as plataformas de águas rasas no município de Paracuru.

ENTENDA | Em parceria com a Nigérias Filmes, o Sindicato dos Petroleiros do Ceará e Piauí lançará, ao longo das próximas semanas, curtas audiovisuais sobre a importância da Petrobrás para o estado e para o povo do Ceará. Serão vídeos distribuídos nas redes sociais que mostram a relação do nosso povo, do desenvolvimento e das vidas das pessoas com a Petrobrás.

Assista, curta, compartilhe e envie para outras pessoas. 

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O site da campanha #PetrobrásFicanoES já está no ar! A Petrobrás tem realizado um verdadeiro desmonte de suas atividades pelo país, e não tem sido diferente no Espírito Santo. A empresa não tem levado em conta o interesse público e os impactos destas privatizações aos seus trabalhos, ao próprio Estado e aos municípios capixabas. Além disso, esse movimento de privatização não tem sido debatido com a sociedade e não tem passado pela aprovação do Congresso Nacional.

Capixaba, o que nos une é mais profundo. E essa chama não pode se apagar! Vamos juntos na luta pela permanência da Petrobrás no Espírito Santo.  Conheça e compartilhe as razões para resistir: https://www.petrobrasficanoes.com.br/ .

[Da imprensa do Sindipetro-ES]

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"O Brasil está vivendo um processo de 'nigerização'", segundo o engenheiro e professor Roberto Moraes. "Não se trata de um menosprezo ao país africano, mas à sua realidade de país exportador da commodity petróleo cru, importador de derivados e que entrega sua maior riqueza mineral para petroleiras estrangeiras e controle de fundos financeiros globais", afirma no artigo publicado esta semana em seu blog. Leia a íntegra:

Por Roberto Moraes, sngenheiro e professor titular "sênior" do IFF (ex-CEFET-Campos, RJ)

Retorno ao tema que há quatro anos venho tratando aqui neste espaço. Ao olhar para a cadeia global do petróleo e sua geopolítica vemos a participação atual do Brasil nesse circuito econômico vivendo um processo de "nigerização". Não se trata de um menosprezo ao país africano, mas à sua realidade de país exportador da commodity petróleo cru, importador de derivados e que entrega sua maior riqueza mineral para petroleiras estrangeiras e controle de fundos financeiros globais.

É um processo instalado em 2016 (após o golpe institucional) e que nos dias atuais se amplia de forma importante. A venda anunciada (apelidada de desinvestimentos) nos últimos dias da venda total e/ou parcial de novos campos de petróleo nos polos de Marlim e Albacora se soma ao que já foi feito antes com entrega de áreas como o campo de Carcará, no colosso do pré-sal. Além de tudo que foi sendo entregue dia-a-dia, como as malhas de gasodutos, refinarias, petroquímicas, distribuidora de petróleo, etc. vão transformando o Brasil em uma nova Nigéria.

Mais uma vez repito, com todo respeito ao país africano, mas não se pode deixar de identificar como aquele importante país produtor de petróleo entregou a sua produção, beneficiamento e toda a cadeia produtiva do petróleo, às petroleiras estrangeiras e ao controle dos fundos financeiros globais.

Sobre o tema, acesse duas postagens do blog:

1) A primeira em 19 janeiro de 2019: Desverticalização nacional e re-verticalização global no setor de gás no Brasil: a contradição liberal;

2) A segunda em 28 de fevereiro de 2019 O mercado desintegra a Petrobras para deixá-la sob controle do mercado global no exterior. Elas comentam a interpretação desse processo expondo um esquema gráfico que reproduzimos ao lado.

Assim, se observa que segue em velocidade acelerada (por motivos claros) a desintegração da Petrobras com o fatiamento e o desmonte criminoso de suas unidades de maior valor, que estão sendo vendidas a preço de final de feira, no momento de baixa do preço do petróleo e ativos do setor.

Bom que se diga entrega de unidades que estão prontas, em funcionamento e gerando lucros, para serem controladas pelos fundos financeiros estrangeiros que já comandam outras petrolíferas. As refinarias no Brasil estão sendo vendidas já ociosas. O setor de refino mesmo aberto ao exterior desde o fim do monopólio promovido por FHC, na década de 90, nunca recebeu um projeto de nova refinaria destas players do setor.

Junto disso, antes a ANP reduziu as exigências de conteúdo local, o que leva milhares de empregos do Brasil, na medida em que os novos donos destes ativos compram equipamentos, tecnologia, geram empregos e tributos em seus países e não no Brasil. Fato que contribui para um definhamento do circuito econômico do petróleo que chegou a ser responsável por cerca de 13% do PIB do Brasil e mais de 1/3 no ERJ.

Assim, na prática coube à Petrobras explorar, descobrir e colocar em produção os gigantes campos e potentes bacias de Campos, Santos e o Pré-sal, agora entrega a preço de xepa suas descobertas e seus ativos. Bom lembrar que seis dos maiores campos de petróleo descobertos no mundo estavam no Brasil.

E o pior de tudo isso é o fato que esses dirigentes criminosos a serviço dos interesses a quem representam, vão assim deixando para a Petrobras a parte mais onerosa que é a de seguir explorando áreas offshore, águas muito profundas, inovando em tecnologias, equipamentos, protocolos e expertise de técnicos, para depois entregarem tudo de bandeja, a preço de xepa, aos fundos financeiros. Isso é crime de lesa-pátria, não há outro nome.

Portanto, considerando o porte de nossa produção e do nosso mercado consumidor, bem maior que a da Nigéria, o "case" brasileiro, infelizmente, já permite que o mundo troque o termo "nigerização", pela expressão "brasileirização". O mundo hoje enxerga o Brasil como um caso, em que uma nação opta por retornar à condição de colônia, uma espécie de "condado" ou "protetorado". Seguiremos questionando esse crime de lesa pátria: Petrobras, fica!

 

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[Artigo de José Sérgio Gabrielli e Rodrigo Leão (pesquisadores do INEEP) publicado originalmente pelo UOL]

A Petrobras anunciou a venda de campos terrestres na Bahia. Esse foi mais um passo dado pela estatal para sair completamente do nordeste. Processo que ganhou grande intensidade quando a refinaria do estado (RLAM) foi colocada no seu programa de desinvestimento. 

Os defensores da venda da RLAM costumam dizer que esse processo trará benefícios tanto para a Petrobras como para os consumidores gerando um mercado mais dinâmico e competitivo.

Em primeiro lugar, a venda generalizada de ativos, embora traga recursos imediatos para a Petrobras, deve trazer dificuldades no médio prazo para a geração de caixa e, consequentemente, para financiar investimentos futuros. Em segundo lugar, o fundo Mudabala, provável comprador da refinaria, tem como prática adquirir ativos com dificuldades para depois revendê-los em outras circunstâncias e, por isso, não costuma realizar grandes investimentos nesse tipo de ativo. Em terceiro lugar, vários estudos têm apontado que, dadas as condições estruturais de abastecimento no Brasil, não haverá aumento da concorrência com a transferência de ativos da Petrobras para empresas privadas. 

Recente estudo promovido pelo Departamento de Engenharia Industrial (DEI) da Pontifícia Universidade Católica do Rio de Janeiro (PUC-RJ) considera que há uma perspectiva elevada de formação de um monopólio privado na região onde a RLAM atua. De acordo com o DEI/PUC-RJ:

“Há uma alta probabilidade de estabelecimento de monopólio regional privado no estado da Bahia. Restrições logísticas para ingresso na área de influência da Rlam de produtos de outras refinarias e/ou importados, com exceção do norte do estado da Bahia, que poderá sofrer pressões competitivas da Rnest”.

Instituto de Estudos Estratégicos de Petróleo, Gás Natural e Biocombustíveis (Ineep) aponta que um outro limitador para um aumento da concorrência no mercado de refino é o perfil bastante diferenciado entre as refinarias da Petrobras. Isto é, cada refinaria da Petrobras tem um mix de produção de derivados diferente, o que impede a concorrências entre elas. 

No Nordeste, as três refinarias colocadas à venda têm estruturas produtivas bem diferentes. Em 2019, a produção da Lubnor se concentrou em asfalto (45%). A produção da Rlam se dividiu em óleo diesel (35%) e óleo combustível. A produção da Rnest, por sua vez, se concentrou em óleo diesel (66%) e em nafta (15%). Além disso, existem derivados somente produzidos pela Rlam, como gasolina. Nesse quadro, para a grande maioria dos derivados não existiria competição pelo simples fato de algumas refinarias não produzirem determinados derivados ou pela estrutura das refinarias estarem concentradas na produção de diferentes tipos de derivados. 

No caso da venda dos ativos terrestres, a justificativa seria de que empresas medias e pequenas alavancariam os investimentos dessas áreas. Para corroborar o argumento, a Petrobras alega que, no mercado americano, 25% da produção está mão dessas empresas, enquanto no Brasil apenas 5%. O que não é explicado é a diferença gigantesca das condições de mercado dos dois países. 

Historicamente, as grandes empresas americanas voltaram-se, desde cedo, a buscar petróleo cru fora dos EUA, investindo no Oriente Médio, Ásia e América Latina, deixando a produção doméstica com pequenas e médias empresas. Com isso, as corporações menores dominaram os investimentos da produção terrestre dos EUA. Além disso, a infraestrutura logística, de dutos e ferrovias, foi regulada para uma maior abertura e redução do controle dos grandes compradores, criando-se um sistema que viabilizasse a entrega da produção de múltiplos produtores destinada a múltiplas refinarias, também de propriedade pulverizada. O sistema, portanto, tinha muitas pequenas empresas na produção, na logística e no refino. A indústria de operação de sondas e de fornecimento de insumos para a perfuração e produção também se pulverizou, dando uma grande flexibilidade para o fornecimento de equipamentos e serviços para a produção. 

A história no Brasil é completamente distinta. A produção, desde o seu início dependeu da Petrobras que foi praticamente a única produtora por muitos e muitos anos. A estrutura logística foi inteiramente bancada pela Petrobras, que também controlava as refinarias e a comercialização dos derivados, em disputa com as grandes importadoras. Os dutos foram construídos de forma a integrar sistemas de produção médios e grandes, otimizando os poucos equipamentos existentes. A malha terrestre de escoamento foi planejada para otimizar o conjunto de poços e não cada um de por si. Sondas de perfuração sempre foram um equipamento escasso, com poucas firmas dedicadas ao investimento nesse setor. Insumos eram, na maior parte das vezes, importados, pois não havia produção nacional. Os sistemas de separação óleo-água, que se tornam cada vez mais importantes à medida em que os campos amadurecessem, eram também integrados e bancados pela grande Petrobras. 

Para agravar esse cenário, com os preços atuais de petróleo, várias técnicas de recuperação avançada de campos maduros se tornam economicamente inviáveis. O custo dos investimentos necessários para a adoção dessas técnicas exigiria das pequenas e medias empresas do Brasil uma capacidade investimentos que elas não têm. Nesse sentido, a saída da Petrobras pode significar, ao invés de aumento, uma retração de recursos gastos com exploração e produção terrestre. 

Dessa forma, os argumentos utilizados para a venda dos ativos da Bahia, do nosso ponto de vista, não dialogam com a realidade do mercado de E&P e de refino no Brasil. As comparações com casos internacionais não podem excluir diferenças tão gritantes que terão efeitos completamente distintos, caso estratégias semelhantes de outros países sejam aplicadas no Brasil.

» Leia também outros artigos do INEEP sobre Estratégias nacionais e empresariaisClique aqui

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Em live do Sindipetro NF no dia 09 de novembro, o diretor de Relações Institucionais da Coppe/UFRJ e ex-presidente da Eletrobras, Luiz Pinguelli Rosa, afirmou que a Petrobras deveria parar com o plano de privatizar a atividade de refino.

Pinguelli denominou a venda desses ativos como uma “jabuticaba”, algo que só tem no Brasil, pois as grandes empresas produtoras de petróleo do mundo também investem fortemente em derivados.

“Retirar parte da capacidade de refino da Petrobras é uma contradição, vai na contramão do que fazem a ExxonMobil e a Shell, que são as maiores refinadoras mundiais”, disse Pinguelli.

Segundo o especialista, em virtude das oscilações dos preços internacionais do petróleo, há momentos em que o refino tem maior lucratividade e há outros que a exploração e produção que tem mais lucratividade. “É um erro crasso. Vender refinarias é deixar a Petrobras sem lucro, desdentada”, afirmou.

Privatização sorrateira

Para o diretor da Coppe/UFRJ, o atual governo, liderado pela política na área econômica do ministro da Economia, Paulo Guedes, de vender ativos estatais, acaba por desarmar a Petrobras como empresa de petróleo, indo contra os interesses nacionais e ao próprio equilíbrio econômico-financeiro. Pinguelli lembrou já foram vendidos o controle da BR e um gasoduto, e o plano é vender quatro refinarias.

“É uma privatização sorrateira. O Paulo Guedes vai vendendo tudo que pode e daqui a pouco não vai sobrar nada”, disse. 

De acordo com o ex-presidente da Eletrobras durante o início do governo Lula, o Brasil atual apresenta uma “subserviência vergonhosa” em relação aos Estados Unidos que não leva em conta as necessidades do país, caso da venda de ativos da Petrobras e do 5G na telefonia móvel.

Venda de atividades lucrativas

NNo dia 10, o convidado foi o advogado da Federação Única dos Petroleiros (FUP) e do Sindipetro NF Normando Rodrigues. O advogado reforçou a importância da campanha nacional Petrobras Fica! diante do atual momento do Brasil e da empresa.

“A década de 90 e hoje guardam semelhanças. A eleição de Collor se dá com um discurso neoliberal com a desconstrução do Estado e essa ideia foi reforçada com FHC. No governo fascista de Bolsonaro, a Petrobras não corre risco de ser privatizada, a empresa está sendo forçada a entregar suas atividades lucrativas ao capital privado”, afirmou.

Para Rodrigues, a Petrobras está sendo destruída tendo por trás uma estratégia intencional. “Não é um desgoverno. Existe um plano muito lógico em favor de Guedes e dos investidores transferindo ativos para o capital privado. Nenhuma empresa de petróleo grande sobrevive sem o refino”, argumentou. 

Sobrevivência da Petrobras

O advogado dos petroleiros da FUP e do Sindipetro NF classifica como “crime” a venda da BR Distribuidora. “A Petrobras não sobreviverá como empresa grande de petróleo, será uma empresa de assessoria a outras grandes petrolíferas”, disse. 

Tal venda de ativos ao capital privado, argumentou, vai piorar as condições de trabalho dos empregados. “Quando a Petrobras vende uma plataforma a uma operadora privada, 20% da força de trabalho é reduzida por causa da escala de trabalho”.

Sobre a crise econômica no Norte Fluminense devido à redução das atividades da Petrobras, ele ressaltou o fim da política de conteúdo nacional na compra de equipamentos, que afastou diversas empresas da região, com a perda de postos de trabalho. “Macaé perdeu 11 mil postos formais de trabalho por conta do fim do conteúdo local com impactos no trabalho informal. Nas eleições deste domingo, a população dos municípios do NF deveria refletir sobre os candidatos que apoiaram esse suicídio econômico na região”, afirmou Rodrigues.

Importância das eleições municipais

No dia 11, foi a vez de Roberto Moraes, professor, engenheiro, blogueiro, E pesquisador circuito petróleo-porto e do capitalismo de plataformas e finanças, que também alertou para importância das eleições municipais deste domingo. “Que a eleição de vereadores e prefeitos possa ajudar a transformar o Brasil em um país para a maioria, é importante que os trabalhadores escolham os candidatos que tenham lado sobre os seus interesses”, afirmou Moraes.

Sobre a atual política de negócios da Petrobras, que envolve a venda de ativos e a redução drástica da produção da Bacia de Campos, ele avalia que a principal questão é se é uma empresa voltada para enriquecer os acionistas ou para desenvolver o país.

“Não adianta criar facilidades para o investimento privado porque ele vai para onde a rentabilidade é maior”, disse. “Só empresas estatais podem ter a lógica de geração de riqueza e de desenvolvimento regionais”, completou.

O engenheiro falou sobre o impacto da financeirização e da atuação das plataformas digitais sobre os setores de petróleo e de portos, com a presença cada vez maior de fundos financeiros no controle das empresas.

“O processo de plataformismo só tem interesse no resultado de curto prazo e pode ser visto no setor de petróleo, como na Petrobras”, observou.

O resultado, concluiu Moraes, é a maior retirada do valor do trabalho, com a maior precarização do trabalho em um contexto em que o mercado controla a produção e descarta a regulação do Estado.

Apoio à cadeia produtiva

O especialista também comentou sobre o problema do petrorrentismo dos royalties sem levar em conta o apoio a políticas de desenvolvimento da cadeia produtiva de equipamentos e serviços do setor de petróleo por parte de parte dos governantes municipais da região do Norte Fluminense.

“Existe a economia gerada pela produção do petróleo. Em Macaé, a receita de ISS é maior que a de royalties porque tem economia do petróleo, ao contrário de Campos, que é uma economia de royalties e não vinculada diretamente à economia do petróleo”, explicou. 

Para o engenheiro, o fim da política de conteúdo nacional causou sérios estragos na economia da região. “Tendemos a ficar só com a economia dos royalties, que é menor e gera empregos de menor qualificação com salários mais baixos”, afirmou.

 [Da campanha Petrobras Fica na Bacia de Campos]

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O anúncio da venda de 50% do Polo Marlim feito pela gestão da Petrobrás é o mais novo passo para esvaziar a companhia, desvalorizá-la e transformá-la numa mera exportadora de óleo cru, aponta a federação

[Com informações do Sindipetro-NF e da campanha Petrobrás Fica na Bacia de Campos]

O anúncio do teaser de venda de 50% do Polo Marlim, na Bacia de Campos, feito pela gestão da Petrobrás nesta segunda-feira (16/11), é a mais recente confirmação de que a companhia está sendo privatizada em partes, o que vai transformar a Petrobrás numa empresa esvaziada e sem valor. Essa é a avaliação da Federação Única dos Petroleiros (FUP), que questiona o fato de a companhia estar vendendo um complexo de campos produtores que é o terceiro maior do país e o quarto maior das Américas, e “com um fluxo promissor de atividades futuras, incluindo a revitalização dos campos no curto prazo e potencial significativo do pré-sal”, conforme o próprio teaser de venda.

“Alegando um suposto prejuízo, que é contábil, a gestão da Petrobrás vai entregando ativos lucrativos e importantes para o resultado da empresa. Foi assim com a BR Distribuidora e com transportadoras de gás natural, está sendo assim com as refinarias e também com campos produtores de petróleo e gás. Com a venda de tantos ativos que dão lucro, o que será da Petrobrás? É por isso que afirmamos que a empresa está, sim, sendo privatizada, mas privatizada aos pedaços. Nesse ritmo, não vai sobrar nada da Petrobrás, que vai ser tornar uma empresa pequena e mera exportadora de petróleo cru, sujeita a perdas imensas com o sobe-e-desce das cotações internacionais de petróleo”, reforça Deyvid Bacelar, coordenador geral da FUP.

Apenas entre fevereiro e agosto deste ano, a gestão da Petrobrás colocou à venda 382 ativos, segundo levantamento do Sindicato dos Petroleiros Unificado de São Paulo (Sindipetro Unificado). A lista inclui 41 campos terrestres, 12 campos de águas rasas, 39 plataformas e nove blocos exploratórios. Na infraestrutura de gás natural, inclui a Nova Transportadora do Sudeste (NTS) e a Gaspetro, que participa de 19 distribuidoras de gás, que, juntas, somam 12 mil quilômetros de dutos, bem como cinco dutos de escoamento de plataformas e oito Unidades de Processamento de Gás Natural (UPGN). Sem falar em termelétricas, usinas eólicas e a Petrobras Biocombustíveis – PBIO.

“Se isso não é um desmonte da Petrobrás, como devemos chamar? Já está muito claro que o objetivo é gerar lucro imediato para acionistas e tirar toda a sustentabilidade da empresa para o futuro”, completa Bacelar. 

PREOCUPAÇÃO NO NORTE FLUMINENSE

A venda do Polo Marlim não preocupa apenas a FUP e seus sindicatos, mas também gerou reações de lideranças empresariais e sindicais e economistas do Norte Fluminense, que abriga a Bacia de Campos e que vem sofrendo um esvaziamento econômico desde 2018, quando a Petrobrás intensificou a venda de campos e plataformas na região. Somente Campos dos Goytacazes e Macaé perderam 41.500 postos de trabalho nos últimos quatro anos.

“Na minha visão, o que se apresenta no momento seria uma situação de cessão de 50% num prazo de 32 anos, para manter as garantias de produção com a manutenção de operação. Agora, tudo tem um preço, plataformas serão substituídas por FPSOs, que certamente não irão absorver toda esta mão-de-obra, acarretando mais um impacto na economia, principalmente da nossa região”, afirmou o presidente da Associação Comercial e Industrial de Campos (ACIC), o empresário Leonardo Castro de Abreu.

Mestre em políticas públicas, estratégia e desenvolvimento pelo Instituto de Economia da Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ), o economista Ranulfo Vidigal disse que o anúncio faz parte da estratégia de priorizar o investidor detentor de títulos da Petrobrás, em detrimento da visão estratégica nacional de longo prazo que permeia as grandes empresas públicas de óleo e gás. “A busca por lucros de curto prazo pode custar graus de soberania e empregos, notadamente no Norte Fluminense carente de oportunidades produtivas”, observou.

Na visão do engenheiro e professor do Instituto Federal Fluminense (IFF), Roberto Moraes, segue em velocidade acelerada a desintegração da Petrobrás com o fatiamento e o desmonte de suas unidades de maior valor, que estão sendo vendidas a preço de “final de feira”, no momento de baixa do preço do petróleo e ativos do setor. “Entrega das unidades que estão prontas, em funcionamento e gerando lucros, para serem controladas pelos fundos financeiros estrangeiros que já comandam outras petrolíferas. Assim, a Petrobrás que explorou, descobriu e colocou em produção os gigantes campos e potentes bacias de Campos, Santos e o pré-sal, agora entrega a preço de xepa suas descobertas e seus ativos. E o pior, esses dirigentes criminosos a serviço dos interesses a quem representam, vão assim deixando para a Petrobrás a parte mais onerosa, que é a de seguir explorando áreas offshore, águas muito profundas, inovando em tecnologias, equipamentos, protocolos e expertise de técnicos, para depois entregarem tudo de bandeja, a preço de xepa, aos fundos financeiros. Isso é crime de lesa-pátria, não há outro nome”, criticou Moraes.

“É um absurdo a Petrobras vender ativos lucrativos, que geram emprego e renda para o Norte Fluminense. A atual política de desinvestimentos da companhia tem impacto direto na economia de Campos e Macaé, que, em apenas quatro anos, tiveram quase 41.500 pessoas perdendo seus empregos”, confirmou Tezeu Bezerra, coordenador geral do SindipetroNF. Entre 2015 e 2019, foram perdidos 11.598 empregos formais em Campos e 29.868 empregos formais em Macaé, como apontam dados oficiais do Cadastro Geral de Empregados e Desempregados (CAGED), do Ministério do Trabalho. 

SOBRE O POLO MARLIM

Segundo o teaser divulgado pela Petrobrás, o Polo Marlim compreende quatro concessões de produção localizadas na Bacia de Campos. A Petrobras é a operadora dos campos, com 100% de participação.

Os campos de Marlim e Voador ocupam área de 339,3 km2 e estão localizados em águas profundas, com lâmina d’água entre 400 m e 1.050 m, a cerca de 150 km de Macaé, no litoral norte do estado do Rio de Janeiro. Marlim e Voador compartilham a infraestrutura de produção e, entre janeiro e outubro de 2020, produziram em média 68,9 mil barris de óleo e 934 mil m3/dia de gás por dia.

O campo de Marlim Leste está situado a leste do campo de Marlim, a uma distância de cerca de 107 km do Cabo de São Tomé, em Campos dos Goytacazes, em águas profundas e ultraprofundas, com lâmina d’água que varia de 780 m a 2.000 m. De janeiro a outubro de 2020, Marlim Leste produziu, em média, 38,5 mil barris de óleo por dia e 615 mil m3/dia de gás.

O campo de Marlim Sul, está situado ao sul dos campos de Marlim e Marlim Leste, a uma distância de cerca de 90 km do litoral norte do Rio de Janeiro, localizado em águas profundas e ultraprofundas, em lâmina d’água que varia de 800 a 2.500 m. Produziu em média, de janeiro a outubro de 2020, cerca de 109,6 mil barris de óleo por dia e 2,062 milhões de m3/dia de gás.

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Segunda, 16 Novembro 2020 14:21

Petrobrás coloca Polo de Marlim à venda

A atual gestão da Petrobrás segue no seu propósito de desmantelamento total da sua atuação na Bacia de Campos.  A estatal começou com a venda de campos com a produção considerada como relativamente pequena e com baixa perspectiva de crescimento, como foi o caso de Pargo, Carapeba e Vermelho. No final de setembro anunciou a venda de Albacora e Albacora Leste que estão entre os maiores produtores da Bacia de Campos. E agora quer vender 50% do restante da Bacia de Campos.

Anunciou hoje (16/11) a venda de 50% de sua participação nas concessões de Marlim, Voador, Marlim Leste e Marlim Sul, denominadas em conjunto como Polo Marlim, localizadas em águas profundas na Bacia de Campos.

Apesar da Petrobras afirmar que se manterá como operadora dos campos, o Sindipetro-NF é contrário a venda de mais um Polo lucrativo e com possibilidades de resultados positivos futuros para a empresa e o terceiro maior do país. Como o próprio teaser apresenta “o Complexo de Marlim é o 3º maior do Brasil e o 4º maior das Américas (offshore) em termos de produção, com um fluxo promissor de atividades futuras, incluindo a revitalização dos campos no curto prazo e potencial significativo do pré-sal”.

A diretoria do Sindipetro-NF se reúne hoje para decidir as futuras ações em relação a mais essa venda na Bacia de Campos. “Não vamos aceitar que esse governo continue aproveitando a pandemia para “passar a boiada” e entregar nosso patrimônio público num momento de fragilidade da população brasileira e a impossibilidade de ir às ruas” – disse o Coordenador do Sindipetro-NF, Tezeu Bezerra.

Sobre o Polo Marlim

Como divulgado pela Petrobras no teaser, o Polo Marlim compreende 4 concessões de produção localizadas na Bacia de Campos. A Petrobras é a operadora dos campos com 100% de participação.

Os campos de Marlim e Voador ocupam uma área de 339,3 km2 e estão localizados em águas profundas, com lâmina d’água que varia entre 400 m e 1.050 m, a uma distância de cerca de 150 km de Macaé, no litoral norte do estado do Rio de Janeiro. Marlim e Voador compartilham a infraestrutura de produção e, entre janeiro e outubro de 2020, produziram em média cerca de 68,9 mil barris de óleo por dia e 934 mil m3/dia de gás.

O campo de Marlim Leste está situado a leste do campo de Marlim, a uma distância de cerca de 107 km do Cabo de São Tomé, localizado em águas profundas e ultra profundas, com lâmina d’água que varia de 780 m a 2.000 m. De janeiro a outubro de 2020, Marlim Leste produziu, em média, 38,5 mil barris de óleo por dia e 615 mil m3/dia de gás.

O campo de Marlim Sul, está situado ao sul dos campos de Marlim e Marlim Leste, a uma distância de cerca de 90 km do litoral norte do Rio de Janeiro, localizado em águas profundas e ultra profundas, em lâmina d’água que varia de 800 a 2.500 m e produziu em média, de janeiro a outubro de 2020, cerca de 109,6 mil barris de óleo por dia e 2.062 mil m3/dia de gás.

[Via Sindipetro-NF]

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Toda a infraestrutura de exploração de petróleo,  construída ao longo de 80 anos pelo Estado Brasileiro e pela Petrobrás nos seus 67 anos na Bahia, pode ser entregue pelo governo Bolsonaro à iniciativa privada

[Da imprensa do Sindipetro Bahia]

Em plena pandemia da Covid-19, o presidente Jair Bolsonaro segue à risca o conselho do seu Ministro do Meio Ambiente, Ricardo Salles, “de ir passando a boiada”. Com o anúncio da venda de 28 campos terrestres e da Unidade de Processamento de Gás Natural (UPGN) de Catu, a direção da Petrobrás praticamente encerra suas atividades na Bahia.

A oferta do “Polo Bahia Terra”, anunciada pela Petrobrás, inclui campos de exploração e produção de petróleo e gás importantíssimos para a geração de impostos, emprego e renda para o estado, como os campos de Taquipe, Santiago, Buracica, Araçás e Fazenda Bálsamo, e suas bases administrativas, localizados em diferentes municípios da Bahia; cerca de 1.700 poços em operação, 19 estações coletoras, 12 pontos de coleta, estações de tratamento de óleo, 6 estações compressoras, 4 estações de tratamento e injeção de água, aproximadamente 980 km de gasodutos e oleodutos

Também foram colocados à venda dois Parques de Estocagem e Movimentação de Petróleo (Parque Recife e Parque São Sebastião) com toda a infraestrutura de recebimento, armazenamento e escoamento do petróleo para a Refinaria Landulfo Alves (RLAM).

Laboratórios, salas de controle, poços de captação de água doce e 10 subestações elétricas também fazem parte do teaser de ofertas lançado pela estatal que informou ainda que poderão ser incluídas concessões do Polo de Miranga e/ou de Recôncavo1 (Polos já colocados à venda anteriormente ).

Para o diretor de comunicação do Sindipetro Bahia, Leonardo Urpia, a atual gestão da Petrobrás está escolhendo entregar a exploração de petróleo para a iniciativa privada. “o Estado brasileiro está deixando de ter o controle das reservas e também da produção de petróleo e gás, deixando de participar de uma atividade econômica importantíssima e estratégica, abrindo mão de reservas energéticas, que garantem a industrialização e a segurança do país para entregar esse grande patrimônio à inciativa privada, que só visa o lucro, facilitando a exploração predatória. Com isso, perde o país, os estados, municípios e, principalmente, o povo baiano e brasileiro”.

Urpia alerta que não haverá investimentos grandiosos por parte da inciativa privada, pois a Petrobrás está vendendo toda a sua estrutura montada.

Para o Coordenador do Sindipetro Bahia, Jairo Batista,  “para além da decisão de privatizar, que já é ruim, a atual direção da Petrobrás está escolhendo um modelo de venda unitária, em grandes blocos, por grandes conglomerados, que vai favorecer a instalação de monopólios privados”.

 Terra arrasada

Além de sair definitivamente dos negócios de exploração e produção de petróleo e gás na Bahia, a atual direção da estatal deixa um rastro de destruição em terras baianas, onde municípios que fazem parte do chamado cinturão do petróleo já vêm sofrendo desde o início do governo Bolsonaro devido ao desinvestimento da Petrobrás no Nordeste, que provocou perda de milhares de postos de trabalho e de impostos como ICMS, ISS e também royalties.

Com o fechamento de prédios como o Torre Pituba, onde funcionava a sede administrativa da empresa, da Universidade Petrobrás e do Estaleiro São Roque do Paraguaçu, localizado no Recôncavo baiano, que chegou a gerar cerca de 8 mil empregos, sendo 2.500 de forma direta, comerciantes, fornecedores de serviços, hotéis, restaurantes, ambulantes que montaram seus negócios a partir das demandas da Petrobrás, no entorno dos seus edifícios e canteiros de obras, foram obrigados a fechar seus negócios.

Na Bahia, deu-se início ao sonho de uma nação autossuficiente em energia, com a descoberta e exploração do petróleo na década de 1930.

Não é à toa que Bolsonaro escolheu a Bahia, para enterrar esse sonho!

Veja outras unidades que foram colocadas à venda pela  atual gestão da Petrobrás e o governo Bolsonaro:

Refinaria Landulpho Alves (RLAM)- A primeira refinaria brasileira e a segunda maior em produção!

Transpetro – Terminais terrestres e marítimos de envio e recebimento de petróleo, gás natural e derivados.

Transportadora Associada de Gás – TAG  – Subsidiária integral da Petrobrás proprietária dos Dutos e Gasodutos .

Petrobrás Biocombustíveis (PBIO) – Usina produtora de biocombustíveis, responsável pela transição energética para uma matriz mais limpa, menos poluente e renovável.

Termelétricas – Unidades geradoras de energia elétrica, para garantir a segurança energética do parque industrial baiano. Já foram colocadas à  venda as UTES a óleo, Arembepe, Bahia 1 e Muricy.

Fábrica de Fertilizantes Nitrogenados (FAFEN) –  Foi arrendada para iniciativa privada.

Prédio Administrativo (Torre Pituba) e Universidade Petrobras – Fechados.

Do E&P (Exploração e Produção) Miranga, Água Grande e Candeias também já haviam sido colocadas à venda assim como outras áreas da Petrobras na Bahia.

 

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Em 2019, estatal teve o menor investimento neste século, com uma queda de 85% em comparação com valor de 15 anos atrás; projetos como o “Nós do Morro” e o “Grupo Corpo” perderam patrocínios

[Da imprensa do Sindipetro Unificado SP | Reportagem: Igor Carvalho | Edição: Guilherme Weimann | Artes: Crioula Design]

Durante palestra para o grupo Personalidades em Foco, no dia 17 de setembro deste ano, Roberto Castello Branco, presidente da Petrobrás, justificou os cortes da estatal no financiamento de projetos culturais no país. Em seu discurso, o dirigente falou em “redirecionamento dos patrocínios” e atacou algumas produções do cinema nacional.

“Além da busca contínua por redução de custos, resolvemos mudar a composição de nossos patrocínios. A Petrobrás patrocinava artistas ricos e filmes de qualidade mais do que sofrível, como ‘Bixa Travesty’, ‘Lasanha Assassina’ e outras coisas mais”, apontou o presidente da Petrobrás.

O documentário “Bixa Travesty”, criticado por Castello Branco, circulou por mostras de cinema em diversas partes do mundo e foi premiado nos festivais de Toronto, Barcelona, Brasília e Mix Brasil. A produção, dirigida por Kiko Goifman e Claudia Priscilla, é protagonizada pela cantora Linn da Quebrada.

Para Tiago Franco, diretor do Sindicato Unificado dos Petroleiros do Estado de São Paulo (Sindipetro-SP) e integrante da Frente Petroleira LGBT, a afirmação de Castello Branco é “violenta”. “É uma declaração que revolta, me indigna, mas não me surpreende, a partir do momento que é uma gestão ligada ao governo do ocupante do Palácio do Planalto [Jair Bolsonaro], com uma mentalidade extremamente LGBTfóbica, machista e racista, com completo despreparo com questões ambientais e desrespeito aos trabalhadores. Isso nós vimos em greves, no desastre nas praias do Nordeste e agora com essa declaração”, opina.

Ainda de acordo com o petroleiro, a declaração de Castello Branco  vem carregada de uma ideologia que tenta impedir as travestis de serem protagonistas de um filme patrocinado pela Petrobrás, “o que demonstra um discurso violento, que coopera para o que o Brasil seja o holocausto das travestis, onde a expectativa de vida delas não passa dos 40 anos”.

Queda livre

O “redirecionamento de patrocínios”, dito por Castello Branco, pode ser notado nos editais recentes publicados pela Petrobrás para distribuição de recursos na área da cultura, nos quais a estatal privilegia produções direcionadas apenas para o público infantil.

Um edital lançado em março deste ano premiará com R$ 10 milhões projetos em diversas áreas que atinjam o público infantil. Serão R$ 3 milhões para dança, teatro e circo. Projetos de animação também serão contemplados com R$ 4 milhões. Além de feiras literárias para crianças, que receberão R$ 3 milhões. Na palestra, Castello Branco afirmou que a Petrobrás “está investindo menos, mas em coisas que tenham maior retorno para a sociedade brasileira”.

Os números comprovam a mudança de rumo da estatal. O investimento da Petrobrás na cultura despencou nos últimos 15 anos, de acordo com dados obtidos pelo Sindipetro-SP nos balanços mensais divulgados pela empresa.

Em 2005, quando o país era governado pelo ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva e a estatal era presidida por José Eduardo Dutra, a Petrobrás investiu R$ 244 milhões em projetos culturais, um crescimento de 21% em relação ao ano anterior, quando a empresa empregou R$ 194 milhões no setor.

Em 2019, já com Jair Bolsonaro (sem partido) na presidência da República e Castello Branco no comando da estatal, a petroleira teve seu menor orçamento neste século para investir em Cultura no país, apenas R$ 37 milhões. O valor representa uma queda de 85% em relação a 2005.

Cortes políticos

Os cortes durante o governo de Bolsonaro atingiram diversos setores da cultura. Em abril de 2019, a petroleira anunciou que não renovaria, de uma só vez, o patrocínio de 13 projetos culturais no país, que custaram, em 2018, R$ 12,7 milhões.

Os 13 projetos que deixaram de ser patrocinados pela Petrobrás representam marcas expressivas na cultura brasileira. São seis festivais de cinema: Monstra Internacional de Cinema de São Paulo, Festival do Rio, Anima Mundi, Festival de Brasília do Cinema Brasileiro, Festival de Cinema de Vitória e Sessão Vitrine. Além de um tradicional cinema de rua de São Paulo, o CineArte.

Outros projetos foram abandonados pela estatal, três deles ligados à música: Casa do Choro do Rio de Janeiro, Prêmio da Música Brasileira e Clube do Choro de Brasília. Além de outros três eventos teatrais: Teatro Poeira, Festival Porto Alegre em Cena e Festival de Curitiba.

Na época, Bolsonaro usou o Twitter para justificar os cortes. “Reconheço o valor da cultura e a necessidade de incentivá-la, mas isso não deve estar a cargo de uma petrolífera estatal. A soma dos patrocínios dos últimos anos passa de R$ 3 BILHÕES. Determinei a reavaliação dos contratos. O Estado tem maiores prioridades.”

Em janeiro deste ano, a Petrobrás deixou de patrocinar o Grupo Galpão e o Grupo Corpo, esta última considerada a mais importante companhia de dança contemporânea brasileira, fundada em 1975. Reconhecendo o poder das duas marcas para a cultura brasileira, a Companhia Energética de Minas Gerais (Cemig) anunciou que substituirá a estatal petrolífera nas cotas de patrocínio.

Pós golpe

A queda abrupta de investimentos da Petrobrás começa após o golpe que retirou Dilma Rousseff (PT) da presidência da República, em agosto de 2016. Em 2015, último ano completo da petista no poder, com Aldemir Bendine no comando da estatal, o investimento em cultura foi de R$ 139 milhões.

Já em 2017, primeiro ano completo do governo de Michel Temer (MDB) e com Pedro Parente à frente da estatal, a Petrobrás investiu apenas R$ 61 milhões em cultura. Uma queda de 56% em relação a 2015, e de 15% em comparação com 2016, quando a empresa empregou R$ 71 milhões no setor.

Entre os projetos abandonados pela estatal em 2017 está o Nós do Morro, tradicional grupo de teatro do Rio de Janeiro. “Nós vínhamos de cinco anos com a Petrobrás patrocinando nossa linha de recreação e produção cultural. Quando a gente perdeu o patrocínio, tivemos que diminuir muito a nossa equipe e as atividades que vínhamos fazendo. Com isso, estamos buscando outros apoiadores. Temos recebido muito apoio de pessoas físicas, que é o que nos salvou, por isso não fechamos as portas”, afirma Tatiana Delfina, coordenadora de projetos do grupo.

Antes da perda do patrocínio, o Nós do Morro tinha 800 alunos matriculados em sua escola de teatro, responsável por formar atores como Jonathan Haagensen, Roberta Rodrigues e Mary Sheila. Hoje, somente 100 pessoas participam do curso do grupo.

“A Petrobrás ajudava com nossa criação cultural. Tínhamos uma peça por ano e a Petrobrás ainda ajudava na nossa mostra cultural de final de ano da escola, em que montávamos 18 espetáculos”, lamenta Delfina.

Contribuição histórica para o cinema nacional

O primeiro filme patrocinado pela Petrobrás foi “Carlota Joaquina”, em 1994, dirigido por Carla Camurati. A produção, que é reconhecida como a obra que marcou a retomada do cinema nacional, levou 1,2 milhão de brasileiros ao cinema e fincou o pé na história com um orçamento de apenas R$ 600 mil.

Além do filme de Camurati, outras importantes produções nacionais foram feitas com patrocínio da empresa, como “O Quatrilho” (1995), “O que é isso, companheiro?” (1897), “Cidade de Deus” (2002), “Carandiru” (2003), “Tropa de Elite” (2007) e “O som ao redor” (2018).

Outro lado

O Sindipetro-SP procurou a estatal, pedindo que comentasse a queda de investimentos em projetos culturais. Entretanto, a Petrobrás não respondeu às indagações até o fechamento desta reportagem.

 

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Em busca de uma maior integração econômica, social e tecnológica entre importantes cidades da Bahia, representantes da FUP, Sindipetro Bahia e Mútua (Caixa de Assistência dos Profissionais do CREA), se reuniram na tarde da quinta-feira (29), com o Secretário de Desenvolvimento Urbano do Estado da Bahia, Nelson Pelegrino, quando entregaram o Manifesto pró-corredor metropolitano Salvador/Feira de Santana.

Participaram da reunião, os coordenadores da FUP, Deyvid Bacelar e do Sindipetro Bahia, Jairo Batista. Além do Diretor da Mútua, Danilo Ferreira. Também estavam presentes parlamentares e candidatos às eleições municipais que, de antemão, se comprometeram com a proposta apresentada que é a criação do Corredor Econômico e do Trem do Sertão ao Litoral, envolvendo as cidades de Feira de Santana, Amélia Rodrigues, Santo Amaro, São Francisco do Conde, Madre de Deus, Candeias, São Sebastião do Passé, Simões Filho, Salvador, Lauro de Freitas, Camaçari e Dias D’Ávila.

Bacelar e Batista explicaram que no Corredor Metropolitano “que estamos lutando para criar”, encontram-se diversas cidades de histórica matriz petroleira que “já sofrem com a paulatina e premeditada desativação das atividades da Petrobrás e serão ainda mais atingidas com a venda de diversas unidades e a privatização da estatal que vem sendo colocada em prática, de forma criminosa, irresponsável e ilegal pelo governo Bolsonaro”.

“Em nossas discussões no movimento Petrobrás Fica, que combate o descalabro do entreguismo praticado contra as estatais nesse governo bolsonarista, nos chamou a atenção o fato da inexplicável ausência de qualquer política sólida de integração entre as duas principais cidades do nosso estado, Salvador e Feira de Santana, e também em relação aos outros importantes municípios já citados”, ressaltaram os coordenadores da FUP e do Sindipetro Bahia.

Ferreira afirmou que o principal objetivo é que as cidades pertencentes a esse “Corredor” sejam vistas enquanto cidades globais. “Devemos pensar o todo, visando o desenvolvimento econômico sustentável, inclusivo e socialmente justo com seus trabalhadores e o povo. Nós acreditamos na mobilidade e integração econômica, cultural e humana proporcionada por modais complementares intermunicipais, cujo eixo central estruturante estará assentado no Trem Rápido Salvador/Feira de Santana”.

Com a missão de buscar incentivar os setores organizados da população de todas as cidades a embarcarem nessa luta de construção de um novo tipo de Região Metropolitana, as entidades sindicais procuraram o governo do Estado, através do secretário, Nelson Pelegrino, que recebeu a proposta, confirmando que há esse projeto nas secretarias de desenvolvimento urbano e na de infraestrutura.

De acordo com o secretário já há uma pesquisa em andamento, analisando a origem e o destino do percurso do “Corredor” para verificar, entre outras coisas, o fluxo de pessoas nessas cidades. Com a pesquisa, explicou Pelegrino, o governo busca informações para que possa oferecer vantagens aos investidores, já que a ideia é que essa seja uma parceria público-privada.

O estudo, de acordo com o secretário, vai definir a viabilidade econômica desse projeto, que vai além da questão do trem do sertão e do corredor metropolitano. Segundo ele há um objetivo mais amplo que é o desenvolvimento regional entre as regiões metropolitanas de Feira de Santana e Salvador, que agrega todas essas cidades e que acaba ajudando no desenvolvimento de todo o estado.

Veja resumo das propostas apresentadas

1- Criação de Grupo de Trabalho inicial para apreciação da ideia de criação do Corredor Metropolitano Salvador-Feira de Santana e apontamentos de desdobramentos, com participação da FUP, Sindipetro Bahia, Mútua/CREA e outras entidades da sociedade civil organizada.

2- Criação de Grupo de Trabalho com participação da FUP e Sindpetro Bahia e Mútua/CREA para delinear estudos de impactos, históricos e atuais, de cunhos ambientais e sociais das empresas do Setor Petróleo e Gás com principalidade no âmbito do Corredor Metropolitano.

3- Criação de Grupo de Trabalho para apreciação dos parâmetros técnicos e sociais da mobilidade urbana no âmbito do Corredor, inclusive do Trem Rápido, e da viabilidade de organização de PPP com finalidade de buscar e assegurar os investimentos necessários.

Assista ao vídeo da reunião com o secretário.

[Da imprensa do Sindipetro BA]

 

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A Federação Única dos Petroleiros (FUP) foi criada em 1994, fruto da evolução histórica do movimento sindical petroleiro no Brasil, desde a criação da Petrobrás, em 1953. É uma entidade autônoma, independente do Estado, dos patrões e dos partidos políticos e com forte inserção em suas bases.

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