Desde o dia 15 de julho, o grupo 3R Petroleum Óleo e Gás S.A assumiu o controle dos campos terrestres de produção de petróleo e gás do Polo Rio Ventura, na Bahia, que engloba oito ativos: Água Grande, Bonsucesso, Fazenda Alto das Pedras, Pedrinhas, Pojuca, Rio Pojuca, Tapiranga e Tapiranga Norte.

"Apesar de toda a luta do Sindipetro Bahia e da categoria petroleira – com mobilizações, greves, audiências públicas e ações jurídicas – contra a privatização da Petrobrás na Bahia, presenciamos agora a saída total da Petrobras de um Polo tão importante como o Rio Ventura, que passa a ser operado integralmente por uma empresa privada", informou o Sindipetro Bahia.

Água Grande é um dos campos que, quando pertencia à Petrobrás, chegou a alcançar um dos maiores níveis de produção de petróleo acumulada do Brasil. Descoberto na década de 1950, foi decisivo para o desenvolvimento da Petrobrás não só na Bahia, mas em todo o país, contribuindo com a descoberta da Bacia de Campos e a construção das refinarias da estatal.

"Foram muitas lutas travadas para evitar a privatização e o desmonte que a atual gestão da estatal vem fazendo nas unidades da Companhia no estado. A diretoria do Sindipetro não poupou esforços para impedir a privatização dos campos terrestres e continua lutando para evitar a conclusão da venda de outras unidades da empresa, como a Refinaria Landulpho Alves (RLAM) e seus terminais marítimos", ressaltou o Sindipetro, destacando que a privatização do Polo Rio Ventura é a maior entrega de campos de produção de petróleo e gás da Bahia, desde a chegada da empresa PetroRecôncavo no estado, em 1999.  

Petrobrás abandona o Norte e o Nordeste

A Petrobrás já se desfez de mais de 150 áreas de produção terrestre no Nordeste e Norte do país, acelerando o processo de desmonte da empresa nestas regiões, onde a grande maioria dos ativos da estatal está sendo privatizada.

Todas as refinarias do Norte e Nordeste estão sendo vendidas, a começar pela RLAM, na Bahia, que já foi entregue ao Mubadala, um fundo de investimentos dos Emirados Árabes. Na lista de venda estão ainda a REMAN (Amazonas), a Clara Camarão (Rio Grande do Norte), Abreu e Lima (Pernambuco) e a LUBNOR (Ceará), que, assim como a RLAM, estão sendo privatizadas com toda a infraestrutura logística, incluindo oleodutos e terminais.

A Petrobrás também desativou, vendeu ou alugou usinas térmicas, usinas eólicas, usinas de biocombustíveis e fábricas de fertilizantes, além de ter privatizado a rede de gasodutos do Norte e Nordeste, o que significa na prática a retirada da estatal destas regiões.

3R Petroleum cresce com saída da Petrobrás

Além das áreas de produção terrestre do Polo Rio ventura, a empresa 3R Petroleum já adquiriu os campos dos polos Recôncavo, também no estado da Bahia, Macau, no Rio Grande do Norte, e Fazenda Belém, no Ceará. A empresa atua ainda na área offshore, onde já adquiriu os polos Pescada, na Bacia de Potiguar (RN), e Peroá (BM-ES-21), na Bacia do Espírito Santo. Na última semana, a 3R Petroleum assumiu também o controle do Campo de Papa-Terra, na Bacia de Campos. Todos ativos que pertenciam à Petrobrás.

Para efetuar as operações, a 3R Petroleum tem como subsidiária a OP Energia, habilitada pela ANP (Agência Nacional do Petróleo, Gás Natural e Biocombustíveis) para operar blocos e concessões em terra e mar, inclusive em águas ultra profundas.

No início do ano, a empresa travou ainda uma disputa violenta com a Eneva para ficar com o Polo Urucu, na Bacia dos Solimões, num processo conturbado de licitação, onde a Petrobras chegou a comunicar que a 3R Petroleum havia feito a maior oferta pelo ativo, mas quem levou, no final, foi a Eneva.

Esta semana, o Sindipetro Espírito Santo publicou um fio em seu perfil no Twitter, onde destrincha as relações da 3R Petroleum com o Banco BTG Pactual. Leia: 

 

[Imprensa da FUP, imprensa do Sindipetro ES e imprensa do Sindipetro BA | Foto: Divulgação]

 

Publicado em Sistema Petrobrás

Após três meses de negociação, o Sindipetro Bahia fechou o Acordo Coletivo de Trabalho (ACT) com a Pecom, empresa argentina contratada pela 3R Petroleum, para operar os campos de petróleo e gás, adquiridos pela 3R. São eles: Polo Rio Ventura (Água Grande, Bonsucesso, Fazenda Alto das Pedras, Pedrinhas, Pojuca, Rio Pojuca, Tapiranga e Tapiranga Norte) e Polo Recôncavo (Candeias e Dom João).

A previsão é que a Pecom assuma, inicialmente, até o mês de junho, os campos de Água Grande e Rio Pojuca, localizados na região de Santiago. A partir de julho, a empresa assume o Campo de Candeias.

Mesmo antes do incio da operação, o Sindipetro Bahia procurou a Pecom para falar sobre os direitos dos trabalhadores que vão ser contratados pela empresa, fechando o ACT antecipadamente.

Antes da negociação, o Sindipetro realizou assembleias com os trabalhadores que fazem parte do contrato atual com a Petrobrás, a exemplo daqueles dos contratos de campo e estação da empresa Telsan e do contrato de manutenção da Perbras, garantindo, com isso, o envolvimento, transparência e a participação efetiva na construção do ACT.

A Pecom já opera um campo em Macau, no Rio Grande do Norte, onde já assinou o ACT desses trabalhadores. A empresa tentou implantar o mesmo acordo na Bahia, mas o Sindipetro não aceitou por entender que poderia haver muitos outros avanços. Em Macau, por exemplo, o ACT estabelece o regime de um dia de trabalho para meio dia de folga, essa modalidade foi rejeitada pelo sindicato. O sindicato não aceitou a proposta da empresa de equiparar o ACT da Bahia com o do Rio Grande do Norte.

Veja os principais pontos e avanços do ACT

  • Garantia de contratação da mão de obra local, que é capacitada e conhecedora das áreas produtoras da Petrobrás, prorizando os trabalhadores que já fazem parte dos contratos da Petrobrás.
  • Jornada de trabalho de um dia de trabalho para um dia de folga para os trabalhadores de regime de turno e sobreaviso.
  • Aumento dos pisos das funções da operação e manutenção, em relação ao foi apresentado pela empresa
  • Implantação dos tickets alimentação e refeição que, juntos, somam um aumento de cerca de 20% do que inicialmente a empresa apresentou

Apesar do posicionamento contrário a todo e qualquer processo de privatização da Petrobrás, o sindicato na qualidade de entidade sindical que representa os interesses da categoria petroleira, sejam eles tralhadores da Petrobras ou de qualquer outra empresa da indústria de petróleo, sempre vai atuar em defesa dos direitos e empregos da categoria.

O diretor de comunicação do Sindipetro, Radiovaldo Costa, lembra que esse é um acordo inicial, “outras negociações virão e, naturalmente, o sindicato estará sempre buscando a evolução contínua deste e de todos os acordos, com o objetivo de ampliar direitos e conquistas”. O sindicalista também convoca os trabalhadores a se filiarem ao Sindipetro, “uma categoria só é forte se o seu sindicato estiver fortalecido”.

Como se filar

Para se filiar, basta entrar no site da entidade sindical (www.sindipetroba.org.br) e clicar no botão filie-se que fica na parte superior do site, do lado direito. Lá você vai encontrar as fichas de filiação para quem é setor privado, da ativa ou aposentado. Baixe a ficha, preencha, assine, digitalize o documento usando um scanner e envie para o e-mail Este endereço de email está sendo protegido de spambots. Você precisa do JavaScript ativado para vê-lo.. Você também pode preencher a ficha e entregar a um diretor do Sindipetro. Após a filiação, será descontado na folha de pagamento do associado o valor referente a 1% sobre a remuneração (salário base+adicionais+horas extras) em favor do Sindipetro Bahia.

Clique aqui para baixar a ficha de filiação

[Da Imprensa do Sindipetro Bahia]

Publicado em Setor Privado

A Federação Única dos Petroleiros (FUP) foi criada em 1994, fruto da evolução histórica do movimento sindical petroleiro no Brasil, desde a criação da Petrobrás, em 1953. É uma entidade autônoma, independente do Estado, dos patrões e dos partidos políticos e com forte inserção em suas bases.