Após suspensão do sindicalista, organizações da POCAE defendem a bandeira de que ‘lutar não é crime’

[Da Plataforma Operária e Camponesa da Água e Energia]

É com preocupação e indignação que a Plataforma Operária e Camponesa da Água e Energia acompanha os recentes casos de intimidação promovidos pela Petrobras, por meio da Gerência Geral da Refinaria Landulpho Alves (Rlam), contra os trabalhadores petroleiros e o coordenador geral da Federação Única dos Petroleiros (FUP), Deyvid Bacelar, que recebeu no último dia 5 de abril uma punição disciplinar, com suspensão arbitrária de 29 dias, mesmo estando em exercício legal de seu mandato sindical.

Práticas antissindicais foram e são recorrentes na Petrobras e em outras empresas estatais promovidas pelas gestões indicadas pelo governo Bolsonaro, que reproduzem o padrão do discurso antidemocrático, autoritário e anti-trabalhador do presidente da República.

É inadmissível e altamente repudiável toda forma de intimidação e perseguição aos trabalhadores.

O Brasil que viveu uma ditadura militar, no qual o abuso e assédio contra os trabalhadores e suas organizações foram a violenta realidade, não pode aceitar tamanho absurdo.

Tais práticas têm a nítida intenção de intimidar todos os trabalhadores petroleiros que hoje lutam contra a privatização da Rlam e de todo o sistema Petrobras. Sem falar que práticas de intimidação representam uma grave violação do direito humano à liberdade sindical, assim como assegura as Convenções 98 e 135 da Organização Internacional do Trabalho (convenções que possuem força constitucional no Brasil) e a jurisprudência do Tribunal Superior do Trabalho.

Com isso, repudiamos e denunciamos este absurdo praticado contra os trabalhadores petroleiros e manifestamos toda nossa solidariedade ao coordenador geral da FUP.

Exigimos que a Petrobras respeite o direito à liberdade sindical e anule imediatamente a punição arbitrária aplicada à Deyvid Bacelar. Também convocamos todas as organizações sindicais e movimentos populares a se somarem nesta denúncia, para que práticas como essa não ocorram mais no nosso país.

Lutar não é crime, é um direito e um dever, e seguiremos firmes em defesa dos direitos dos trabalhadores, da democracia, da soberania nacional e contra as privatizações promovidas pelo governo Bolsonaro.

Publicado em Sistema Petrobrás

 

A FUP e seus sindicatos parabenizam o Movimento dos Atingidos por Barragens (MAB) pelos 30 anos de luta e resistência por soberania energética e na defesa dos direitos das famílias impactadas pelas barragens e privatizações do Sistema Eletrobras. Sigamos juntos na Plataforma Operária e Camponesa da Água e Energia (POCAE) mobilizados para que petróleo, água e energia sejam tratados como bens públicos e não mercadoria.

[Do site do MAB]

No dia 14 de março, quando é celebrado o “Dia internacional de luta contra as barragens, pelos rios, pela água e pela vida”, o MAB comemorou o aniversário de nacionalização do movimento a partir do I Congresso Nacional dos Atingidos por Barragens, que ocorreu no mês de março, em 1991.

Na ocasião, delegados de todo o país decidiram criar um movimento popular e autônomo com a tarefa de organizar e articular as ações contra as barragens a partir das realidades locais. 

Nestes 30 anos, o MAB passou a aprofundar o debate sobre os temas relacionados aos impactos dos grandes empreendimentos na vida das comunidades rurais e urbanas e as consequências para o meio ambiente. Além disso, ao longo do tempo, os atingidos puderam consolidar propostas para um projeto energético popular para o Brasil. 

Na terça-feira (16), será realizado um ato político cultural com o tema “30 anos de lutas: a força dos atingidos e atingidas”, às 19 horas, transmitido ao vivo pelos canais nas redes sociais. 

Em caráter comemorativo, os atingidos irão realizar diversas ações ao longo do ano para marcar a data. Os encontros serão realizados de forma virtual por conta das medidas de proteção ao contágio do coronavírus.

Como forma de ampliar a formação sobre os temas vinculados ao modelo energético, haverá uma série de seminários e um programa intitulado “Ciranda Universitária” que irá reunir estudantes e professores universitários. As mulheres atingidas irão realizar exposições virtuais das peças das Arpilleras; além de outras manifestações culturais ao longo do ano. 

Confira a programação:  

Ato Político Cultural – “30 anos de lutas: a força dos atingidos e atingidas” Dia 16 de março, 19h.  

Mulheres Atingidas em Luta – debates e exposições virtuais sobre o processo organizativo com a técnica das Arpilleras / abril a dezembro. 

Seminários “O Modelo Energético Brasileiro” – debates internacionais e regionais sobre o tema / maio a outubro.  

Programa “Ciranda Universitária” – aulas sobre modelos energéticos, conceito de atingidos e desafios do Projeto Energético Popular. Público-alvo: pesquisadores, estudantes e professores /agosto e setembro. 

Valorização da produção cultural dos atingidos por barragens: resgate e novas produções das diversas expressões culturais da luta das populações atingidas com lives e vídeos de apresentações artísticas. / março a dezembro.  

Publicado em Movimentos Sociais

A Plataforma Operária e Camponesa da Água e Energia (POCAE) - que reúne sindicatos e movimentos sociais, como petroleiros, eletricitários, atingidos por barragens, engenheiros, urbanitários, entre outros - repudia proposta ventilada pelo vice-presidente da República de usar royalties para compensar as oscilações de preços dos combustíveis

Leia a íntegra:

No último dia 22 de fevereiro, o vice-presidente da República Hamilton Mourão,  ao ser questionado sobre as variações e altos preços dos combustíveis, propôs como solução a criação de um fundo abastecido com os royalties do petróleo brasileiro. O fundo, segundo Mourão, disponibilizaria recursos para reduzir aumentos nos preços da gasolina e do diesel, que oscilam no Brasil a partir das variações do preço internacional do petróleo e da cotação do dólar. A Plataforma Operária e Camponesa da Água e Energia afirma ser absurda a proposta do vice-presidente, que desvia o foco do real problema dos altos preços dos combustíveis no país.

Desde 2013, como resultado de um intenso processo de lutas e debates das organizações populares, os royalties do petróleo no Brasil são revertidos em benefícios para o povo brasileiro, destinando recursos para a saúde, educação e abastecendo o Fundo Social do Pré-sal, que é uma poupança pública de longo prazo que destina recursos para o desenvolvimento social e regional na forma de programas nas áreas da saúde pública, combate à pobreza, ciência e tecnologia, cultura, previdência, meio ambiente e mitigação às mudanças climáticas.

O desvio de destino para os royalties do petróleo brasileiro vai na contramão do que é esperado em um momento de pandemia, na qual o governo deveria manter e aumentar investimentos em áreas estratégicas e em direitos sociais, principalmente em saúde, educação, ciência e tecnologia. Além do mais, a declaração do vice-presidente representa uma falsa solução, desviando o foco do real problema da questão que é a política de preço decidida pelo governo federal e executada pela Petrobras, desde o governo Temer e mantida com Bolsonaro e Guedes. A atual política de preços está embasada no preço internacional do petróleo e na cotação do dólar, mesmo o petróleo e os combustíveis sendo produzidos no Brasil e com baixo custo de produção. Ao desviar o foco do real problema, Mourão demonstra a posição do governo brasileiro de manter a atual política de preços, que desde o golpe de 2016 garante altas taxas de lucros para os acionistas da Petrobras e empresas privadas importadoras de combustíveis, aumentando a exploração dos trabalhadores e penalizando todo o povo brasileiro com altos preços nos combustíveis e gás de cozinha.

Com isso, a Plataforma Operária e Camponesa da Água e Energia se posiciona contrária a esta proposta, que também vem sendo defendida pelo General Luna e Silva, indicada pelo governo à presidência da Petrobras. Convocamos a todos/as para permanecerem atentos e denunciando mais este absurdo do governo federal. Devemos permanecer mobilizados por uma nova política de preços com base no custo de produção, que no Brasil é muito baixo, e também mobilizados pela destinação dos recursos dos royalties do petróleo para a saúde, educação, ciência, tecnologia, incentivo a alternativas energéticas, emprego e direitos pro povo brasileiro.

Plataforma Operária e Camponesa da Água e Energia

Publicado em Movimentos Sociais

O coordenador da FUP, José Maria Rangel, está ao vivo pelo facebook do Movimento dos Atingidos por Barragens (MAB), parcipando de um importante bate-papo que irá discutir o impacto das privatizações na vida dos brasileiros e importância das as propostas emergenciais que os movimentos sociais apresentaram para o enfrentamento da crise gerada pela pandemia da Covid-19.

Junto com Zé Maria, estão presentes, Daiane Hohn, da Coordenação Geral do MAB, e Nailor Gato, do Coletivo Nacional dos Eletricitários (CNE). 

A FUP, o MAB e o CNE integram a Plataforma Operária e Camponesa da Água e Energia (POCAE), que lançou um documento com aproximadamente 20 propostas para minimizar os efeitos econômicos e sociais da crise.

A proposta central é garantir gás de cozinha, energia elétrica, água potável e saneamento básico para as populações mais vulneráveis durante a pandemia. 

> Saiba mais: Plataforma operária e camponesa para a energia propõe ações emergenciais durante pandemia


 

#FiqueEmCasa

Publicado em Economia

A Plataforma Operária e Camponesa da Água e Energia (POCAE) lançou um documento com aproximadamente 20 propostas para minimizar os efeitos econômicos e sociais causados pela pandemia do novo coronavírus.

A proposta central é garantir o acesso da população à energia, água e saneamento durante a pandemia. As entidades que integram a plataforma, entre elas a FUP, ressaltam a importância da preservação dos direitos trabalhistas durante a crise, bem como o fortalecimento dos serviços públicos. 

No texto apresentado à sociedade, a plataforma repudia as “ações chantagistas e criminosas do empresariado rico que, visando apenas o lucro, quer colocar em risco a saúde dos trabalhadores. O lucro não deve está acima da vida" e cobra a revogação do Decreto presidencial nº 9.642 de, de dezembro de 2018, que acabou com o subsídio na tarifa de energia elétrica aos pequenos agricultores.

A plataforma propõe quatro meses de gratuitidade do fornecimento de energia elétrica e subsídio do gás de cozinha pelo mesmo período, bem como o tabelamento do botijão a R$ 40,00, preço justo que a FUP e seus sindicatos defenderam durante a greve de fevereiro.

As entidades também cobram isenção das taxas de água, com distribuição de água potável a todas as famílias que estão atualmente sem abastecimento e a imediata religação do serviço aos consumidores que estão em débito.

A iniciativa dos movimentos sociais que integram a POCAE se soma à de outras organizações populares que têm apresentado alternativas ao poder público para proteger a população durante a pandemia do novo coronavírus.

O diretor da FUP, João Antônio de Moraes,  explica as ações emergenciais que estão sendo propostas pela Plataforma: 

Propostas Emergenciais da Plataforma Operária e Camponesa da Água e Energia (POCAE)

A pandemia da Covid-19 agrava a crise em curso do sistema capitalista, e tende a piorar as condições de vida da classe trabalhadora no Brasil e no mundo. Sendo as principais tarefas para o momento histórico: manter o espírito de luta; realizar ações unitárias e de solidariedade; e lutarmos contra o governo Bolsonaro e suas ideias aintipopulares.  

Diante da crise agravada a Plataforma Operária e Camponesa da Água e Energia lança este documento com PROPOSTAS EMERGENCIAIS E POPULARES, convocando todas as organizações da classe trabalhadora e o povo brasileiro à luta para que estas propostas se tornem medidas imediatas dos governos em todos os níveis (nacional, estadual e municipal).

Que toda a classe trabalhadora se ponha em luta por:

1) Garantir o direito dos trabalhadores ao isolamento social durante esse período de pandemia: 

- Denunciamos e repudiamos as ações chantagistas e criminosas do empresariado rico que visando apenas o lucro, quer colocar em risco a saúde dos trabalhadores. O lucro não deve está acima da vida;

2) Fortalecimento dos Serviços Públicos (SUS, escolas, universidades, ciência e tecnologia, etc): 

- Revogação da Emenda Constitucional 95;

- Propomos que todos os recursos da partilha do petróleo, Royalties do petróleo e do setor elétrico sejam destinados nesse momento prioritariamente para o sistema público de saúde, podendo garantir que não falte recursos financeiros, materiais e humanos para o SUS;

- Destinação dos valores do Fundo social do pré-sal às universidades e centros de pesquisas públicos para desenvolverem saídas para a crise da pandemia;

- Criação de um Fundo Soberano Nacional das Estatais e taxação de grandes fortunas para fortalecer os serviços e políticas públicas para trabalhadores precarizados;

- Que durante a pandemia todos os hospitais e instrumentos de diagnósticos sejam administrados pelo sistema SUS;

Doação solidária de combustível, luz e gás pela Petrobras e companhias de energia elétrica para todas as estruturas essenciais ao sistema público de saúde, como postos de saúde, hospitais, etc;

3) Energia Elétrica:

- Gratuidade de energia elétrica por 4 meses a todas as famílias de trabalhadores (considerando o consumo médio mensal de 170 kWh/mês) – consumidores residenciais B1 (64 milhões de famílias) e rurais B2 (4,5 milhões de famílias);

- Revogação do Decreto presidencial nº 9.642 de 27/12/2018, que acaba com o subsídio na tarifa de energia elétrica aos pequenos agricultores; 

- Proibição de cortes, aumentos e taxas durante o período todo o período decretado como calamidade pública (até 31/12);

- Anistia e imediata religação dos consumidores em débito;

4) Água e Saneamento: 

- Isenção da cobrança de água a todas as residências de famílias de trabalhadores durante o período de pandemia (considerando o consumo médio mensal de 15 metros cúbicos por mês);

- Distribuição de água potável a todas as famílias que se encontram sem abastecimento;

- Contra qualquer tipo de corte, e por anistia e imediata religação dos consumidores em débito;

5) Gás de cozinha e combustíveis:

- Fornecimento de gás de cozinha gratuito a todas as famílias de trabalhadores precarizados através de política de governo federal por 4 meses;

- Tabelamento do botijão de gás a preço justo de R$ 40,00 conforme praticado na greve dos petroleiros; 

6) Paralisação imediata de todas as privatizações:

- Exigimos a imediata suspensão de todas as iniciativas de privatização de empresas e estruturas do petróleo, setor elétrico e saneamento. A privatização de setores estratégicos é uma das causas da situação atual;

7) Direito à alimentação saudável:

- Estruturação de Feiras Populares de Alimento para dinamizar a economia e assegurar o acesso à população aos produtos da Agricultura Familiar com métodos adequados de higienização e proteção da população e feirantes;

- Retomada do PAA (Programa de Aquisição de Alimentos) – Exigimos que o Governo Federal retome o Programa disponibilizando verba (1 bilhão) imediata para encurtar o percurso da produção para as mesas; 

- Fornecimento de Cestas Básicas à população das periferias atingidas diretamente pelas políticas de contenção, sendo os alimentos adquiridos através do PAA;

- Criação de canais diretos Produtor x Consumidor – Estruturação de redes e mecanismos de comunicação entre consumidores e agricultores familiares para entrega de produtos;

- Estruturação de Equipamentos de Segurança Alimentar em cada município - Manter em funcionamento os restaurantes populares, bancos de alimentos adequando rotinas e protocolos para garantir a segurança dos trabalhadores/as e consumidores/as;

- Atenção especial à População em Situação de Rua com política de abrigamento e alimentação adquirida diretamente de famílias camponesas;

- Financiamento de Logística - financiamento de veículos para transporte de alimentos de cooperativas, associações e camponeses e compra de equipamentos para estruturar vendas à distância tais como celulares e computadores;

8) Educação e alimentação escolar:

- Exigimos que as escolas permaneçam completamente fechadas para evitar a propagação do novo coronavírus;

- Ampliação do PNAE (Programa Nacional de Alimentação Escolar) – Aquisição de alimentos saudáveis da agricultura camponesa e distribuição imediata da alimentação escolar com métodos adequados e seguros às famílias com filhos matriculados; 

9) Para nós a saída é coletiva. É Luta e Solidariedade. 

- Devemos evitar ações individuais e permanecer em constante alerta e espírito de luta neste período de isolamento social. Que todos estimulem e garantam o exercício de toda solidariedade com as massas de trabalhadores para que nenhuma família sofra fome ou miséria. 


Plataforma Operária e Camponesa da Água e Energia - POCAE


A Plataforma Operária e Camponesa da Água e Energia é formada por petroleiros (FUP e sindicatos), eletricitários e urbanitários (CNU e FNU), engenheiros (Fisenge e vários sindicatos do setor), pelo Movimento dos Atingidos por Barragens (MAB), pelo Movimento dos Pequenos Agricultores (MPA), pela Confederação Nacional dos Trabalhadores da Educação (CNTE), entre outras organizações.

 

 

A Federação Única dos Petroleiros (FUP) foi criada em 1994, fruto da evolução histórica do movimento sindical petroleiro no Brasil, desde a criação da Petrobrás, em 1953. É uma entidade autônoma, independente do Estado, dos patrões e dos partidos políticos e com forte inserção em suas bases.