Há exatamente um ano, o carro onde estavam a vereadora Marielle Franco (PSOL) e seu motorista Anderson Gomes foram alvejados por 13 tiros na cidade do Rio de Janeiro, logo após a parlamentar sair de uma agenda de trabalho na noite de 14 de maio de 2018.

Para lembrar o assassinato e cobrar das autoridades respostas mais concretas sobre a motivação do crime, dezenas de cidades do Brasil e do exterior amanheceram com homenagens a Marielle nesta quinta-feira (14). No final da tarde, organizações prometem voltar às ruas com atos políticos em cidades como Rio de Janeiro (RJ), Belo Horizonte (MG) e São Paulo (SP).

No Rio de Janeiro, centenas manifestantes cobriram calçadas e paredes com imagens da vereadora pela manhã. As ações aconteceram no local do crime, no centro do Rio, nas escadarias da Câmara dos Vereadores e no Complexo da Maré. Por todos os cantos, se viam flores e ecoavam palavras de ordem.

Os Arcos da Lapa amanheceram com uma faixa em memória à vereadora. A igreja da Candelária realizou uma missa em sua memória.

No começo da manhã, ceca de 400 mulheres do Movimento Pela Soberania Popular na Mineração (MAM) e do Movimento dos Trabalhadores Rurais Sem Terra (MST) trancaram a ferrovia que transporta minério de ferro extraído da região do quadrilátero ferrífero em Sarzedo (MG), vizinha à Brumadinho. A ação em memória de Marielle Franco pediu justiça às vítimas da Vale pelo rompimento da barragem Córrego do Feijão, em Brumadinho.

Em Itaberaba (MG), 250 agricultoras do MST de todas as regiões da Chapada Diamantina também foram às ruas nesta manhã para pedir respostas sobre a motivação e o mandante do crime.

Na capital Brasília (DF), parlamentares do PSOL fizeram um ato político na Câmara cobrando respostas do Estado sobre o crime. Embora dois suspeitos tenham sido presos na última terça-feira (12), movimentos populares, organizações sociais e parlamentares cobram respostas sobre o que consideram a questão-chave: quem mandou matar Marielle.

Uma ponte do Distrito Federal também recebeu o nome de Marielle Franco nesta manhã.

Marielle também foi homenageada na escadaria da Arco Verde, em Pinheiros (SP), com uma ação realizada por grafiteiras. Hoje, o local se chama Escadão Marielle Franco.

Na cidade de Valinhos (SP), um acampamento ligado ao MST que leva o nome da vereadora também realizou homenagens.

(Foto: José Bernardes)

No hemocentro do Hospital Universitário de Londrina, norte do Paraná, mulheres integrantes do MST fazem uma campanha de doação de sangue, denunciando um ano do assassinato de Marielle e impunidade do crime.

No bairro de Nova Descoberta, zona norte do Recife (PE), o Grupo Mulher Maravilha reuniu moradoras para uma roda de conversa seguida de manifestação de rua, falando do direito à aposentadoria, violência contra a mulher e feminicídio.

A Câmara de Vereadores capital pernambucana realizou um café da manhã em homenagem a Marielle Franco e Anderson Gomes. Parlamentares de Caruaru (PE) também prestaram homenagens logo cedo.

Movimentos populares deixaram a sua mensagem de solidariedade e pedido de justiça nesta madrugada (14) em Rio Branco (AC), espalhando diversos cartazes pelas ruas da cidade.

(Foto: Coletivo Passarinho)

Já as ruas de Buenos Aires, na Argentina, amanheceram tomadas por placas com o nome da vereadora.

Na cidade de Bruxelas, Bélgica, a embaixada do Brasil amanheceu com pichações questionando o silêncio do Estado sobre a morte de Marielle.

A mais recente obra do artista Vhils homenageia Marielle em Lisboa, Portugal, no Miradouro Panorâmico do Monsanto. A arte esculpida é parte da campanha BRAVE, da Anistia Internacional, que homenageou mulheres defensoras dos direitos humanos.

[Via Brasil de Fato | Foto da capa: Annelize Tozetto/Mídia Ninja]

Publicado em Movimentos Sociais

Às vésperas do dia 14 de março, data que marca o primeiro  ano do assassinato da vereadora carioca Marielle Franco (Psol) e de Anderson Gomes, que dirigia o carro em que foram emboscados, diversos movimentos sociais convocam atos, vigílias e debates pelo país para homenageá-la e exigir justiça e respostas quanto aos mandantes do crime.

Sob a pergunta que ainda não foi respondida, "quem mandou matar Marielle?" e com o mote "Marielle Vive", as manifestações ocorrerão em pelo menos 25 cidades brasileiras, para reafirmar as bandeiras da vereadora que representava a luta de negros, mulheres, populações periféricas e LGBTs. Desde o dia 8, quando a resistência e a luta pelas causas das mulheres foram celebradas no Dia Internacional da Mulher, marcado fortemente pela repúdio aos retrocessos sociais representados pelo presidente Jair Bolsonaro, movimentos por várias partes do mundo vêm prestando homenagem ao legado de Marielle.

Neste dia 14, cerca de 15 cidades no exterior organizam atos, entre elas, Melbourne, na Austrália; Buenos Aires, na Argentina; Madri, na Espanha e Washington, nos Estados Unidos. Clique aqui para conferir as homenagens fora do país. 

O Psol organiza ainda para o dia 18 uma sessão solene no plenário da Câmara dos Deputados em homenagem a Marielle e Anderson. Em suas redes sociais, a deputada Talíria Petrone (Psol-RJ) justificou a importância das manifestações diante da falta de respostas após um ano do crime. "A importante descoberta dos que apertaram o gatilho nesse crime político não vai nos tirar das ruas no dia 14. O Estado – com sangue nas mãos – tem que responder que grupos estão por trás dessa execução", afirmou a parlamentar. 

No Rio de Janeiro, cidade de Marielle, o ato está marcado para as 16h, na Cinelândia, na região central.Em São Paulo, na capital, a manifestação ocorre a partir das 17h, na Praça Oswaldo Cruz, próxima à Avenida Paulista. Em Manaus, a homenagem será realizada às 17h, na Casa das Artes, no Largo São Sebastião. Na cidade de Fortaleza, o ato ocorre a partir das 17h, na Praça Gentilândia, em Benfica. Já em Porto Alegre, está programado para começar às 17h, na Esquina Democrática, no centro histórico. 

O município de Itaberaba, na Bahia, também fará uma homenagem, a partir das 8h, na antiga rodoviária. Em Pouso Alegre (MG), o ato ocorre às 17h30, em frente à Catedral. 

Para conferir os demais locais que realizarão atos, clique aqui.

[Via Rede Brasil Atual]

Publicado em Política
Terça, 12 Março 2019 15:20

Quem mandou matar Marielle?

Uma operação conjunta do Ministério Público e da Polícia Civil do Rio de Janeiro prendeu na madrugada desta terça-feira (12) dois suspeitos de serem os assassinos de Marielle Franco, vereadora pelo Psol, e Anderson Gomes, que dirigia o carro em que ambos foram emboscados, no dia 14 de março do ano passado. Os presos são Ronie Lessa, policial militar reformado, e o ex-PM Elcio Vieira de Queiroz, que foi expulso da corporação.

Lessa foi preso em sua casa, no condomínio Vivendas da Barra, na Barra da Tijuca, zona oeste, o mesmo em que o presidente Jair Bolsonaro tem casa.  

Segundo a denúncia do MP do Rio, Lessa teria sido o autor dos disparos contra as vítimas, e Elcio era quem dirigia o carro usado na emboscada. As investigações do Ministério Público revelam que o crime foi "meticulosamente" planejado três meses antes do atentado. 

"Falta a resposta mais urgente e necessária de todas: quem mandou matar Marielle. Espero não ter que aguardar mais um ano para saber quem foi o mandante disso tudo. Essa resposta e a condenação final de todos os envolvidos o Estado deve a todas e todos que sofrem com a perda de Marielle e da própria  democracia", afirmou Mônica Benício, viúva de Marielle, à reportagem de O Globo.

"A dois dias de completar um ano da morte da minha filha é um alívio saber que a polícia prendeu os suspeitos. Hoje, tenho certeza de que estamos no caminho certo. Já era tempo de termos uma resposta, mas ainda é preciso saber quem mandou matar. A resposta para esse crime está incompleta", afirmou Marinete Silva, mãe de Marielle, ao portal de notícias G1.

O deputado federal Marcelo Freixo (Psol-RJ) classificou como "inaceitável" a demora de quase um ano até que dois suspeitos fossem presos. Segundo ele, o caso é "um crime contra a democracia" e, junto com a bancada do Psol, cobrou agora a elucidação sobre o mando da execução e os interesses envolvidos na morte da parlamentar.

"Hoje foi apenas o primeiro passo. Quem matou Marielle não foi apenas quem apertou o gatilho. Quem matou foi quem desejou e planejou a sua morte, foi quem contratou, quem politicamente desejou eliminá-la. É muito importante para o país saber quem mandou, qual o objetivo político e qual a motivação para matar Marielle. Este é um crime contra a democracia. Se nós não descobrirmos a razão (do crime), a gente não tem democracia nesse país", afirmou Freixo, em entrevista coletiva na Câmara dos Deputados, em Brasília. A morte de Marielle completa um ano na próxima quinta-feira (14).

O Psol vai propor a instalação de uma Comissão Parlamentar de Inquérito (CPI) para investigar, agora em âmbito federal, a atuação das milícias no Rio de Janeiro. Em 2008, Freixo presidiu CPI que investigou a atuação desses grupos quando era deputado estadual. Marielle, então, era uma das suas assessoras. 

"Concluímos a CPI das milícias dizendo que crime, polícia e política não se separam mais no Rio de Janeiro. Essa é uma estrutura de máfia que vai custar caro se a gente não tomar todas as medidas. É projeto de poder, a milícia não é Estado paralelo, é Estado leiloado. A milícia frequenta palácios, tem estrutura de máfia e se articula com o que há de mais violento", declarou o parlamentar. 

A deputada Talíria Petrone (Psol-RJ) cobrou também a responsabilização dos mandantes do crime contra Marielle, que chamou de "execução explicitamente política". "Para nós, é um passo muito importante sabermos quem apertou o gatilho, mas também é insuficiente. Já faz um ano. É fundamental que o Estado brasileiro nos dê a resposta sobre quem mandou executar Marielle Franco e Anderson."

Ela destacou que Marielle foi morta no país que ocupa o quinto lugar no ranking mundial de feminicídio. Negra e de esquerda, moradora da favela,  morta num país extremamente desigual em que a atuação do poder público nas favelas é quase sempre militar. "Algum motivo teve para tentar silenciar essa representante do povo e a solução e a responsabilização por esse crime é fundamental para reestabelecer a democracia".

Bolsonaro

Freixo preferiu não fazer "ilações" sobre eventual relação dos dois suspeitos presos com a família do presidente Jair Bolsonaro (PSL). "Sabemos que existem fotos recentes dos dois, sabemos que eram vizinhos." Ele preferiu não comentar tais coincidências, mas afirmou que, há mais de dez anos, enquanto comandava a CPI das milícias, Bolsonaro, então deputado federal, propunha a legalização dos grupos milicianos

"Quem até hoje sustentou as milícias, dialogou com grupos violentos e tentou fazer base eleitoral e locais dominados pelo crime deve explicação à sociedade", criticou Freixo. Ele também lamentou que o filho do presidente, senador Flávio Bolsonaro (PSL), quando era deputado estadual, tenha sido o parlamentar da Assembleia Legislativa do Rio de Janeiro a não participar das homenagens póstumas a Marielle.

Anistia Internacional

A Anistia Internacional Brasil também cobrou que sejam responsabilizados não só os autores, mas os mandantes dos assassinatos de Marielle e Anderson. A ONG defende que seja designada "uma equipe externa e independente de especialistas para monitorar a investigação e examinar quaisquer alegações de negligência, irregularidades ou interferência indevida".

Com um "labirinto" na Cinelândia, região central do Rio de Janeiro, a entidade cobrou que sejam que sejam dadas as devidas respostas às muitas perguntas que envolvem o caso. A Anistia também quer que o governador do Rio de Janeiro, Wilson Witzel (PSC) receba familiares de Marielle e representantes da entidade em audiência formal que foi prometida por ele um mês atrás e ainda não foi realizada. 

[Com informações do Globo e da Rede Brasil Atual]

Publicado em Política

Na sexta-feira, 8 de março, milhares de brasileiras saíram às ruas para celebrar o Dia Internacional de Luta das Mulheres. Sob o lema “Pela vida das mulheres, somos todas Marielle”, elas tomaram as ruas do país para protestar contra o desmonte da Previdência, o aumento no número de feminicídios e os retrocessos do governo Bolsonaro (PSL), além de celebrar o legado da militante e vereadora Marielle Franco. Assassinada no Rio de Janeiro (RJ) em 14 de março de 2018, a vereadora tornou-se uma inspiração para trabalhadoras que lutam contra injustiças em todo o país. Até hoje o crime continua impune.

Em São Paulo, mais de 80 mil mulheres coloriram a Avenida Paulista neste Dia Internacional da Mulher para protestar, principalmente, contra a reforma de Previdência proposta pelo governo de Jair Bolsonaro (PSL).

“Mulheres contra Bolsonaro, vivas por Marielle, em defesa da previdência, da democracia e dos direitos” foi o mote do ato unificado de vários movimentos sociais, feministas, de mulheres da CUT e demais centrais, partidos políticos e milhares que se juntaram à luta.

O vão livre do MASP, ponto de concentração da manifestação, ficou pequeno em poucas horas e as milhares de pessoas que participavam do ato ocuparam as duas vias da Paulista e depois caminharam até a Praça Roosevelt, no centro da cidade.

No Rio de Janeiro, a concentração do ato foi na Candelária, de onde mais de 50 mil pessoas saíram em passeata até a Cinelândia.

Bruna Silva, mãe de Marcos Vinícius, de 14 anos, morto pela polícia em um operação na Maré, também estavam presentes no ato do Rio. “Estou aqui em nome do meu povo favelado, para dizer que a gente tem vez, tem voz, e temos lugar”, disse Bruna.

A viúva de Marielle, Mônica Benício, enalteceu o legado da companheira e explicou por que participa das manifestações de 8 de março. “Estamos aqui pela vida e pela liberdade de todas as mulheres, pelo direito de exercer o livre acesso ao nosso corpo da forma como nós quisermos”, disse.

Na Bahia, duzentas militantes do Movimentos dos Trabalhadores Rurais Sem Terra (MST) e do Movimento pela Soberania Popular na Mineração (MAM) ocuparam uma unidade da mineradora australiana Mirabela Nickel em Ipiaú, para protestar contra o modelo predatório de exploração de níquel. As mulheres também denunciaram os riscos de contaminação do Rio de Contas, que abastece a região e fica a menos de 1 km de uma barragem de rejeitos da empresa.

Em Salvador, mais de 64 instituições que lutam pelos direitos das mulheres participaram do ato religioso e da marcha que saiu da Praça da Sé, no Centro Histórico de Salvador (BA), em direção ao bairro do Campo Grande, com participação de Manuela D'Ávila.

O cortejo contou com uma homenagem a Marielle Franco, representada em uma bandeira gigante com fundo amarelo e o rosto da militante carioca. 

Na Esquina Democrática, na capital gaúcha, o ato reuniu centenas de manifestantes e recebeu o nome de “Ato pela Vida das Mulheres Trabalhadoras”.

Foram feitas críticas à retirada de direitos da reforma da Previdência e ao feminicídio. As agricultoras, em grande número no ato, protestaram contra os ataques do governo Jair Bolsonaro que tenta criminalizar o MST (Movimento dos Trabalhadores Sem Terra) e propõe regras para dificultar a aposentadoria no campo.

Houve atos em Belo Horizonte, Fortaleza, Recife, Curitiba, Vitória, Manaus, Natal, Florianópolis e em diversas outras capitais e cidades do país.

Lula envia carta às mulheres brasileiras

Mantido como preso político desde abril do ano passado em Curitiba, o ex-presidente Lula enviou, nesta sexta-feira (8), Dia Internacional da Mulher, uma carta às mulheres brasileiras.

A mensagem foi lida na Vigília Lula Livre, em frente a superintendência da Polícia Federal, por Neudicleia de Oliveira, integrante do Movimento dos Atingidos por Barragens (MAB). Ela visitou o petista junto com o ex-prefeito Fernando Haddad.
 
“Oito de março é dia de lembrar a luta das mulheres que vivem um movimento de luta diária”, escreveu Lula na mensagem.

De acordo com Haddad, o ex-presidente segue determinado em provar sua inocência e destacou a preocupação de Lula com as declarações sobre democracia feitas esta semana por Bolsonaro.

“Ele participou de todo o processo de redemocratização do país e o recado é o seguinte: democracia quem garante é o povo, que é de onde emana todo o poder segundo a nossa Constituição. Então se a gente quiser defender os nossos direitos, nossa mobilização se torna mais necessária do que nunca, no momento em que esses direitos estão sendo ameaçados”, afirmou.

Confira, a íntegra da carta de Lula às mulheres: 

Oito de março é dia de lembrar a luta das mulheres que vivem um movimento de luta diária. Desde o momento em que vêm ao mundo. Dia de marcar posição frente aqueles, que hoje no poder, tentam deslegitimar a luta de quem tem como ideal a igualdade de direitos.

Falamos de igualdade e do próprio direito à vida das mulheres que lutam para existir.

 De onde me encontro, sigo em resistência pela construção da sociedade que sonhamos juntos, de um Brasil com oportunidades iguais para todos e todas.

Um abraço

 Luís Inácio Lula da Silva
 
[FOTOS: FUP, Mídia Ninja, Jornalistas Livres | Texto a partir de informações do Brasil de Fato, CUT e Rede Brasil Atual]
 
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Publicado em Cidadania

Foram presos na manhã desta terça-feira (22) cinco dos 13 suspeitos de envolvimento na execução da vereadora Marielle Franco (PSOL) e do motorista Anderson Gomes. Todos integram a milícia mais antiga e perigosa do Rio de Janeiro que atua, sobretudo, em Rio das Pedras, local escolhido pelo milionário-laranja e ex-motorista do senador Flávio Bolsonaro (PSL) para se esconder depois que foi denunciado pelo Coaf por movimentações suspeitas em sua conta corrente.

Embora um dos principais objetivos da Operação Intocáveis, ação coordenada pelo Grupo de Atuação Especial no Combate ao Crime Organizado (Gaeco) do Ministério Público do Rio de Janeiro (MP-RJ), seja atacar a milícia que explora o ramo imobiliário ilegal em Rio das Pedras com ações violentas e assassinatos, a investigação levou aos suspeitos de assassinato de Marielle.

Os dois principais alvos da operação, o ex-capitão do Bope, Adriano Magalhães da Nóbrega, chefe da milícia de Rio das Pedras que ainda não foi preso e amigo de Queiroz; e o major da PM, Ronald Paulo Alves Pereira, preso esta manhã, foram homenageados, em 2003 e 2004, na Assembleia Legislativa do Rio por indicação do deputado estadual Flávio Bolsonaro, segundo informações do jornal O Globo

O filho mais velho de Jair Bolsonaro (PSL) empregou em seu gabinete até novembro do ano passado, quando era deputado estadual pelo Rio de Janeiro, a mãe e a mulher do capitão do Bope, tido pelo Ministério Público do Rio de Janeiro como o homem-forte do Escritório do Crime, um grupo de extermínio que estaria envolvido no assassinato da vereadora Marielle. Quem indicou os familiares de Adriano para trabalhar no gabinete de Flávio foi Queiroz, amigo pessoal de Bolsonaro pai desde os anos 1980.

A mãe de Adriano, Raimunda Veras Magalhães, e a mulher, Danielle Mendonça da Costa da Nóbrega, ocuparam cargos CCDAL-5 no gabinete de Flávio, com salários de R$ 6.490,35. Segundo o Diário Oficial do Estado, ambas foram exoneradas a pedido no dia 13 de novembro de 2018, quase um mês após o pedido de exoneração de Queiroz e seus familiares, filha e esposa. 

Ligação antiga

O relatório do Coaf aponta mais uma possível ligação entre Queiroz e Adriano. Segundo dados da Receita Federal, Raimunda é sócia de um restaurante localizado na Rua Aristides Lobo, no Rio Comprido.

O estabelecimento fica em frente à agência 5663 do Banco Itaú, na qual foi registrada a maior parte dos depósitos em dinheiro vivo feita na conta do ex-assessor de Flávio Bolsonaro - foram realizados 17 depósitos, que somam  R$ 91.796 - 42% de todo o valor depositado em espécie nas transações discriminadas pelo Coaf, segundo um cruzamento de dados feito pelo O Globo.

Denúncia contra Flávio Bolsonaro

Nos últimos três anos, Flávio Bolsonaro negociou imóveis de alto valor no estado do Rio de Janeiro, segundo o jornal Folha de S.Paulo. No total, o filho mais velho do presidente negociou R$ 4,2 milhões em imóveis, diz o jornal.  Neste período, Queiroz, o ex-motorista, movimentou R$ 7 milhões, segundo o COAF. 

Em entrevistas a Record, o senador disse que não tem nada a esconder de ninguém. “Esse apartamento aqui foi pago direitinho, bonitinho. Estou mostrando a vocês qual é a origem. Tem origem, não é origem ilícita, não. Não tem origem em terceiros”. Flávio disse, ainda, que além de parlamentar é empresário. Ele é sócio de uma franquia de uma empresa de chocolates.

Família Bolsonaro e a ligação com as milícias

As denúncias de que as transações financeiras suspeitas de Fabrício Queiroz, ex-motorista e assessor do filho mais velho de Jair Bolsonaro, podem ir além das suspeitas de apropriação de parte dos salários dos assessores e revelar relações da família Bolsonaro com negócios de milicianos no Rio de Janeiro foram feitas no último domingo pelo líder do PT na Câmara, deputado federal Paulo Pimenta (RS).

O parlamentar relacionou alguns fatos recentes para indicar que a denúncia que fazia não era por acaso e que, por isso, a investigação envolvendo a família Bolsonaro precisa ser aprofundada. Segundo Pimenta, a tesoureira do PSL do Rio de Janeiro, Valdenice de Oliveira Meliga, teve dois irmãos presos recentemente na Operação Quarto Elemento por envolvimento com as milícias no estado.

Os irmãos gêmeos PMs Alan e Alex Rodrigues de Oliveira estavam entre os 46 suspeitos que tiveram prisão decretada pela Justiça. Eles faziam segurança do então candidato ao Senado e presidente do PSL do Rio de Janeiro, Flávio Bolsonaro, durante as eleições de 2018 quando foram detidos. Registro feito em outubro de 2017 na rede social do próprio Flávio sinaliza que a família Bolsonaro tem ligação com a família de Valdenice e dos dois PM's.

INSTRAGRAM FLÁVIO BOLSONAROInstragram Flávio Bolsonaro
Foto publicada no Instagram de Flávio Bolsonaro, em que aparece com os irmãos Alan, Valdenice e Alex Rodrigues de Oliveira, e com seu pai, Jair Bolsonaro

[Via CUT/Imagem CUT]

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O assassinato da vereadora carioca Marielle Franco (PSOL) e de seu motorista, Anderson Gomes, completa seis meses, nesta sexta-feira (14), que sem uma solução para o caso. Como se não bastasse, passada a comoção mundial com o caso, a Divisão de Homicídios da Polícia Civil do Rio de Janeiro teve o seu efetivo reduzido. De acordo com informações do G1, nos primeiros dias teve 30 agentes, passou a dez e, há 14 dias, voltou a ter 20 investigadores.

Nem a delação de um suposto envolvido com o crime ajudou a clarear as investigações. O vazamento do depoimento, de acordo com autoridades, “atrapalhou e até pode ter desaparecido com provas do assassinato”. De acordo com o depoimento, o vereador Marcelo Siciliano teria planejado a morte de Marielle que foi executada a mando do miliciano Orlando de Oliveira Araújo, o Orlando da Curicica.

Repercussão mundial

O assassinato de Marielle e Anderson teve repercussão mundial. O caso foi reportagem de capa do jornal americano The Washington Post. O título da matéria diz: “A black female politician was gunned down in Rio. Now she’s a global symbol” (Parlamentar negra foi baleada no Rio. Agora ela é um símbolo global).

O texto conta a trajetória da vereadora, descreve o crime e fala, sobretudo, sobre a repercussão que o caso teve em todo o mundo. A reportagem destaca a importância de Marielle na luta contra a violência policial nas favelas do Rio: “A matança não é apenas uma guerra contra os pobres. É também uma guerra contra os negros”, dizia ela.

Marielle defendeu incansavelmente os direitos de todos. Dias depois do crime, o coronel Robson Rodrigues, um dos mais respeitados coronéis da Polícia Militar do Rio de Janeiro, escreveu um texto, em sua página no Facebook, no qual homenageia a socióloga a vereadora do PSOL-RJ, Marielle: “Ela defendia muito mais nossos policiais do que nós fomos capazes de compreendê-lo e de fazê-lo”.

Em outro caso, do policial civil Eduardo Oliveira, que morreu em abril de 2012, Marielle também foi lembrada. A mãe do policial, Rose Oliveira, correu atrás de justiça: “Nem vivi o luto”, lembra. Ela foi aconselhada a procurar a Comissão de Direitos Humanos da Assembleia do Rio (Alerj) e se surpreendeu. “Falei: ‘Direitos Humanos? Não fazem nada por policiais’”. De acordo com Gabriel Barreira, do G1, mesmo desconfiada, Rose conheceu Marielle Franco, então assessora do comitê na Alerj: “Entrei no gabinete e tive outra impressão”. Seis anos depois, ao recordar da mulher que se tornou sua amiga e que acabou assassinada, ressalta com gratidão: “A Marielle foi imbatível, foi muito importante no caso do meu filho”.

[Via Revista Forum]

Publicado em Política

Marinete da Silva e Antonio Francisco da Silva Neto, pais da vereadora do PSOL assassinada no Rio de Janeiro, Marielle Franco, visitam a Vigília Lula Livre nesta terça-feira (4). Os dois passarão a tarde e o início da noite em Curitiba, em especial para participar da inauguração do Centro de Formação e Cultura Marielle Vive, que homenageia a filha do casal.

O ato de inauguração do Centro de Formação será às 17h. Antes disso, os pais da vereadora participam de outras agendas na Vigília, como do “boa tarde” ao presidente Lula, de uma roda de conversa e do plantio de duas mudas de araucária – em homenagem a Marielle e a Anderson Gomes, motorista assassinado junto com a vereadora. (Confira a programação completa abaixo)

Formação e cultura

O Centro de Formação e Cultura Marielle Vive integra o conjunto de locais que compõem a vigília permanente pela liberdade de Lula. O novo espaço fica a cerca de 100 metros da Superintendência da Polícia Federal (PF), onde o ex-presidente é preso político há 151 dias.

Um muro interno de aproximadamente 30 metros servirá como uma exposição a céu aberto. Ainda em fase de conclusão, a obra traz retratos realistas de teóricos e lideranças mundiais da esquerda, como Karl Marx, Rosa Luxemburgo, Fidel Castro, Hugo Chávez e a própria Marielle Franco. O trabalho é feito por um jovem artista do Movimento dos Trabalhadores Rurais Sem Terra (MST).

O espaço abriga um salão para formações e exibição de filmes, com capacidade para 150 pessoas. Além de jardim, viveiro de mudas e minhocário, a cozinha comunitária da vigília também funciona no local. Ali são preparados café da manhã, almoço e jantar para as pessoas vindas de outras cidades para participar das atividades nos arredores da PF.

A preparação e reforma do espaço durou cerca de 70 dias, resultado de trabalho voluntário e de doações. O Centro de Formação é resultado da articulação entre o conjunto de entidade sindicais e movimentos que mantêm a Vigília Lula Livre há cinco meses, entre elas o próprio Partido dos Trabalhadores, o Sindicato dos Metalúrgicos do ABC Paulista, o Movimento dos Trabalhadores Rurais Sem Terra, a Central Única dos Trabalhadores (CUT-PR), a Via Campesina, a Federação Única dos Petroleiros (FUP), os Sindicatos dos Petroleiros e dos Petroquímicos (Sindipetro e Sindiquímica), movimentos populares, mídias alternativas, entre outros.

Local: O Centro de Formação e Cultura Marielle Vive fica na Rua Guilherme Matter, 362, bairro Santa Cândida.

Programação completa

14h30 – “Boa Tarde, presidente Lula” – com a presença dos pais da Mariele Franco, Marinete da Silva e Antonio Francisco da Silva Neto, e da cantora Brinsam N’tchala.

15h – Plantio de duas mudas de pinheiro, representando Marielle Franco e Anderson Gomes – “Tentaram nos enterrar, mas não sabiam que éramos semente”.

15h40 – Roda de conversa “A impunidade contra os lutadores do povo – indignação transformada em resistência”, com os pais da lutadora Marielle Franco, Marinete da Silva e Antonio Francisco da Silva Neto.

17h – Ato de inauguração do Centro de Formação e Cultura Marielle Vive.

18h – Leitura dramática do texto “Ordens de Cima”, de Pedro Carrano, com Susi Monte-Serrat, João Bello e Carlinhos do MST.

[Via Revista Fórum]

Publicado em Movimentos Sociais

A Federação Única dos Petroleiros (FUP) foi criada em 1994, fruto da evolução histórica do movimento sindical petroleiro no Brasil, desde a criação da Petrobrás, em 1953. É uma entidade autônoma, independente do Estado, dos patrões e dos partidos políticos e com forte inserção em suas bases.

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