Os consumidores brasileiros começam a semana pagando R$ 5,00 a mais pelo botijão de gás cozinha, após o aumento de 5% do GLP nas refinarias, anunciado pela gestão da Petrobrás no último dia 03. Esse é o valor médio que as distribuidoras estão repassando para o produto, cujo preço já havia ultrapassado os três dígitos no final de outubro, chegando a R$ 105,00 em algumas cidades, segundo levantamento da Agência Nacional de Petróleo (ANP).

O botijão de gás é item essencial na cesta básica das famílias brasileiras, que estão sem condições de acompanhar os reajustes constantes do produto, muito acima da inflação. Sem ter para onde correr, muitas famílias passaram a usar carvão e lenha para cozinhar.   

Os preços do botijão de gás explodiram desde que a gestão da Petrobrás, logo após o golpe de 2016, alterou a política de reajuste dos derivados em suas refinarias, passando a praticar o Preço de Paridade de Importação (PPI). Por conta disso, os preços de todos os derivados de petróleo no Brasil passaram a variar de acordo com o valor do barril no mercado internacional, o dólar e os custos de importação dos combustíveis. Como consequência, o valor do GLP acumula reajustes de 145% nas refinarias, desde janeiro de 2017, segundo levantamento da subseção Dieese que atende a FUP.

Nem a pandemia fez a gestão da Petrobrás e o governo Bolsonaro reverem essa política nefasta. Só neste ano de 2020, o gás de cozinha já foi reajustado nove vezes, acumulando 17% de aumento nas refinarias, cuja capacidade de produção foi reduzida pela direção da estatal, que colocou à venda metade do seu parque de refino. No atacado, a alta acumulada do preço do botijão de gás é de quase 21,9%

Dos cerca de 72 milhões de domicílios existentes no Brasil, cerca de 98,2% consomem GLP. Com o aumento da demanda durante a pandemia, mais de um quarto do produto consumido no país passou a ser importado. Para piorar a situação dos consumidores, a Liquigás, que abastece cerca de 26 milhões de famílias, foi privatizada.

Monopólios privados

Ao vender derivados no Brasil com preços de importação, a gestão da Petrobrás ignora a autossuficiência na produção de petróleo, preferindo exportar óleo cru, enquanto diminui a capacidade de refino, beneficiando os importadores de combustíveis. Soma-se a isso, a venda das refinarias para a concorrência. Ou seja, o mercado nacional de derivados, um dos maiores do planeta, está sendo dominado por monopólios privados. Não é de hoje que a Federação Única dos Petroleiros (FUP) alerta para a perda da função social da petrolífera estatal, que está sendo dilapidada para aumentar os dividendos dos acionistas privados, sem qualquer preocupação com os interesses nacionais ou o povo brasileiro.

 “Neste momento de crise provocada pela Covid-19, a Petrobrás penaliza a população, ao reduzir a capacidade das refinarias, enquanto exporta petróleo bruto e estimula a importação de combustíveis. Essa política afeta principalmente os mais pobres, que são os principais consumidores de gás de cozinha e poderiam estar pagando menos pelo produto. Com as refinarias sendo vendidas para os grupos estrangeiros, a situação só piora. Teremos monopólios privados regionais que irão encarecer ainda mais os preços dos derivados e aumentar o risco de desabastecimento. Os compradores das refinarias da Petrobrás poderão cobrar o que quiserem por seus produtos e vender para quem quiserem, inclusive para o exterior. Novamente, quem pagará a conta é a população”, afirma Deyvid Bacelar, coordenador geral da FUP.

[Imprensa da FUP]

 

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O Conselho Administrativo de Defesa Econômica (Cade) autorizou no dia 18 de novembro a privatização da Liquigás, subsidiária da Petrobrás, cuja operação de venda havia sido vetada pelo órgão em fevereiro de 2018. A perda de controle estatal sobre a maior distribuidora de gás de cozinha no país coloca em risco o abastecimento e contribui para o aumento dos preços, como vem alertando a FUP, nos últimos quatro anos

[Do Brasil de Fato - edição Pernambuco]

A Liquigás é a segunda maior distribuidora de gás de cozinha no Brasil e o consórcio, liderado pela Copagaz, foi assinado entre quatro empresas  — Copagaz, Itaúsa, Nacional Gás Butano (NGB) e Fogás. A Copagaz será a nova controladora da Liquigás, em conjunto com a Itaúsa, que deterá de 45% a 49,99% do capital social da Copagaz. 

Desde o início do mandato, o presidente Jair Bolsonaro e o ministro da Economia, Paulo Guedes, defendem a venda de empresas estatais federais. Rogério Almeida, coordenador geral do Sindicato dos Trabalhadores na Indústria do Petróleo de Pernambuco e Paraíba (Sindipetro PE/PB), explica que, com a venda, o Governo Federal não tem mais controle sobre os preços que as distribuidoras vão aplicar para o consumidor final. “Empresas privadas visam apenas o lucro. Não existe preocupação social. O gás de cozinha, que já foi item da cesta básica no governo Lula, era vendido no máximo a R$ 30,00. Hoje, com as privatizações, vão passar dos R$ 100,00 e subir cada vez mais”, alerta. 

Em Pernambuco, o aumento do gás de cozinha vem sendo visto desde agosto, quando, segundo a Agência Nacional do Petróleo (ANP), o preço médio variou de R$ 60,00 a quase R$ 80,00. Com isso, o gás de cozinha tem ficado ainda mais inacessível para as famílias pobres que, por vezes, dependem de campanhas solidárias de distribuição de gás. 

Para o autônomo Francisco Gomes, de Petrolina (PE), tem sido cada vez mais difícil sair das dívidas. “Um botijão por R$ 80,00 é um absurdo. Aqui em casa nunca faltou porque Deus sempre mostra um meio, mas é tirando o dinheiro de uma conta para outra, pedindo emprestado, comprando no cartão. A gente tem que se virar”, comenta. 

Rogério argumenta que tem sido visto um crime contra a pátria. “Esse governo entreguista está entregando todas as nossas riquezas. Estamos presenciando a Petrobras sendo fatiada e vendida aos pedaços”, defende. O sindicato e a Federação Única dos Petroleiros (FUP) estão promovendo uma campanha contra esse processo de privatização. É a #PetrobrásFica, que mobiliza a categoria de trabalhadores, lideranças políticas e a população para que sejam formadas frentes em defesa do patrimônio brasileiro. 

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A Federação Única dos Petroleiros (FUP) foi criada em 1994, fruto da evolução histórica do movimento sindical petroleiro no Brasil, desde a criação da Petrobrás, em 1953. É uma entidade autônoma, independente do Estado, dos patrões e dos partidos políticos e com forte inserção em suas bases.