Artigo do Instituto de Estudos Estratégicos de Petróleo, Gás Natural e Biocombustíveis Zé Eduardo Dutra (Ineep) publicado no site Observa BR analisa perspectivas da indústria 4.0 no mundo e os desafios para o Brasil atual

Leia a íntegra e confira no final do texto os autores do artigo:

A economia internacional passa por um momento de reativação da centralidade da agenda de política industrial e de ciência e tecnologia. 

A ascensão da Indústria 4.0 tem intensificado a convergência de tecnologias digitais, físicas e biológicas. Essa mudança estrutural tem se observado ao longo dos últimos anos, com o avanço da automação por sistemas ciber-físicos, da comunicação máquina a máquina, da inteligência artificial, da análise de big data, da computação em nuvem, da realidade virtual e aumentada, da internet das coisas e dos serviços, do desenvolvimento de novos materiais, das tecnologias de baixo carbono e dos avanços nos processos de edição genômica. 


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O papel do Estado reativando as políticas industrial e de ciência, tecnologia e inovação tem sido fundamental nessa trajetória: todos os países industriais desenvolvidos têm adotado estratégias de longo prazo, baseadas em incentivos à P&D, subvenções e uso do poder de compra governamental. Em 2020, a pandemia acelerou ainda mais esse processo, medidas emergenciais de enfrentamento à Covid-19 trouxeram à tona propostas de reindustrialização e reconversão industrial, além de medidas estruturais para a construção de uma nova indústria capaz de desbravar os horizontes disruptivos. 

No Brasil, o atraso nesse percurso é flagrante. A industrialização brasileira não foi capaz de constituir por completo os vínculos intersetoriais com os ramos mais intensivos em tecnologia, nem tampouco formou os segmentos mais avançados da indústria de bens de capital, concentrando-se em bens intermediários e bens de consumo duráveis e não-duráveis. Os saltos inovadores, quando ocorreram, foram protagonizados e induzidos pelo financiamento de longo-prazo de bancos públicos e pelo investimento tecnológico de empresas estatais contando com o apoio dos instrumentos institucionais de governança de CT&I. 

Entretanto, no mais das vezes, foram obstaculizados por políticas macroeconômicas restritivas do ponto de vista monetário, cambial e fiscal, aumentando os riscos e inviabilizando o funding necessário para a expansão industrial. 

No período mais recente, a sobreposição disfuncional de regras fiscais rígidas, o desmonte do Estado e a desestatização das empresas estatais tem tornado esse cenário ainda mais dramático. A participação do Brasil na produção industrial mundial caiu para 1,19% em 2019, nesse mesmo ano o peso da indústria no PIB foi de apenas cerca de 10,4%. Em abril de 2020, mês em que teve início o isolamento social, a atividade industrial sofreu queda de 23,3% no faturamento das empresas, e mesmo com a recuperação recente ainda não se retornou aos patamares anteriores à crise. 

É urgente vencermos o movimento obscurantista e subserviente que invade o país, através da valorização da produção de conhecimento nacional, é preciso investimento contínuo na formação de mão de obra qualificada em todas as regiões do território nacional. O Brasil precisa recompor seu parque industrial aumentando a densidade tecnológica e a complexidade da matriz já existente, e, simultaneamente, deve avançar em direção ao desenvolvimento de um novo paradigma tecnológico que faça face aos desafios nacionais e internacionais garantindo uma inserção autônoma e soberana do país. 

Entre 2003 e 2016, implantamos um novo padrão de relação entre o Estado e sociedade, marcado pela orientação estratégica de inclusão social e desconcentração da renda, com vigoroso crescimento do produto e emprego. As frentes de expansão potencial acionadas permitiram fomentar mudanças na estrutura produtiva com competitividade e na estrutura social com distribuição, através de: (1) investimentos em recursos naturais (energia, hidrocarbonetos, agropecuária); (2) investimentos em infraestrutura econômica (logística, transporte, telecomunicações), (3) investimentos em infraestrutura social (saneamento, habitação, mobilidade urbana); (4) investimentos voltados ao mercado interno de consumo de massa de bens e serviços; (5) investimentos em reindustrialização na fronteira tecnológica (bens de capital, fármacos e microeletrônica, defesa e aeroespacial). 

Nesse sentido, vale ressaltar, dois vetores de demanda induzida são especialmente relevantes: o primeiro, orientado por “missões”, com a demanda de bens industriais e serviços das cadeias produtivas sendo orientada por investimentos em infraestrutura econômica, social e urbana, estimulando o desenvolvimento regional; o segundo, orientado pelas potencialidades das grandes empresas públicas e das compras governamentais, propiciando a superação de gargalos tecnológicos e promovendo inovações em setores portadores de futuro. 

No caso do primeiro vetor, os gargalos tecnológicos relevantes para o país deveriam ser priorizados pelos instrumentos institucionais de governança de CT&I já estabelecidos e maturados. Os candidatos naturais são aqueles relacionados ao sistema de saúde (como vacinas contra Covid-19, dengue e produção de equipamentos hospitalares), o sistema urbano-industrial (como veículos híbridos, com etanol e elétrico e sua rede urbana de serviços digitais), o sistema de exploração sustentável (como sequenciamento de genomas para a bioindústria e sistemas integrados de manejo lavoura-pecuária-floresta para a utilização sustentável do “arco desmatado” do Cerrado e da Amazônia Legal), além de cadeias de distribuição (baseadas em IA e 5G) e governo digital (com a digitalização do setor público brasileiro). Os polos industriais e tecnológicos emergentes merecem fomento e reforço competitivo, por meio da valorização da P&D e infraestrutura mais eficientes, inclusive as novas infraestruturas digitais. 

No caso do segundo vetor, são fundamentais as potencialidades de programas âncoras de compras públicas e investimentos estatais com elevado empuxe para as cadeias produtivas locais, mediante a revitalização dos investimentos da Petrobras acompanhado do desenvolvimento de sua cadeia de fornecedores, com mudanças regulatórias e a identificação de subsetores estratégicos que possam ser estimulados de modo a favorecer a apropriação da renda petroleira por interesses nacionais. É também fundamental a reativação da Política de Desenvolvimento Produtivo do Complexo Industrial da Saúde, dada a capacidade do poder de compra do SUS, bem como a reorganização da Base Industrial de Defesa, especialmente através das compras de alta complexidade tecnológica (como cybersistemas, caças e submarinos de propulsão nuclear). 

A incorporação de novas tecnologias digitais da indústria 4.0 (IoT, IA, Big Data, robótica etc.) é especialmente relevante para a transformação do atual parque industrial, em grande parte baseado no padrão tecnológico do século XX. 

Tais frentes convergem para a construção de um grande processo de transformação econômica e industrial orientados pela transição digital, pela transição energética e pela transição ecológica, articulando desenvolvimento produtivo, social e ambiental. 

Os desafios de uma nova indústria não podem ser enfrentados por uma proposta de política industrial baseada na oferta tradicional de incentivos fiscais e creditícios. Com exceção dos incentivos à P&D, que têm sido preservados nos países desenvolvidos, o caminho alternativo passa pela concentração de esforços em demandas reais da sociedade e do governo e pela coordenação estatal orientada para a desobstrução de gargalos, o que no caso do Brasil pode ser viabilizado com a recomposição e rearticulação das capacidades estatais a partir de instituições como BNDES, FINEP, Petrobras, Embrapa, Embrapii e do reforço a formação de recursos humanos através da Capes e CNPq, entre outros. 

Para a construção dessa nova indústria são fundamentais instrumentos como conteúdo local, compras governamentais, crédito direcionado, investimentos públicos, financiamento de clusters e start-ups, além de outras políticas industriais, comerciais, de CT&I e de desenvolvimento regional, compondo um complexo que impõe a necessidade de atuação do Estado e coordenação do governo central. 

A política do atual governo ao bloquear esse conjunto de políticas e instrumentos nos afoga no passado distante e impede o país de voar em direção ao futuro. Quando se implementam políticas corretas, a economia brasileira responde com forte expansão do investimento e do consumo, e pode ser reorientada a um novo estilo de desenvolvimento, com saltos tecnológicas na estrutura produtiva e avanços distributivos na estrutura social.


Autores:

José Sérgio Gabrielli é professor da Faculdade de Economia da UFBA, foi presidente da Petrobras (2005-2012) e é pesquisador do Ineep.

Luciano Coutinho é professor do Instituto de Economia da Unicamp, foi presidente do BNDES (2007-2016).

Luiz Antonio Elias é pesquisador do Instituto Nacional de Propriedade Industrial, foi secretário-executivo do MCTI (2007-2014).

Mauro Borges Lemos é professor da Faculdade de Ciências Econômicas da UFMG, foi ministro do MDIC (2014-2015); e

William Nozaki é professor da Escola de Sociologia e Política de São Paulo (FESPSP) e é diretor-técnico do INEEP. 

[Artigo publicado originalmente pelo Observa BR]

Publicado em Economia

Em live nesta terça-feira, 17 de novembro, as duas maiores centrais sindicais do país - CUT e Força Sindical - oficializaram o lançamento da IndustriALL Brasil, constituída pelas entidades filiadas que representam os trabalhadores e trabalhadoras dos ramos da indústria (Metalúrgico, Químico, Construção Civil, Alimentação, Energia e Têxtil-Vestuário). Os petroleiros estarão representados na nova organização, através do diretor da FUP, Gerson Castellano, que integra o Conselho Fiscal.

O metalúrgico Aroaldo de Oliveira Silva (CNM/CUT), que assumiu a presidência da IndustriALL Brasil, falou do grande desafio de reindustrializar o país. “Diversos estudos apontam que a cada R$ 1 investido na indústria brasileira, o país tem de retorno R$ 2,63. Ou seja, é importante o investimento na indústria como carro chefe do desenvolvimento nacional”, comentou, lembrando que o país só representa 1,8% da produção industrial do mundo. “Hoje estamos em 9º lugar no ranking de participação industrial, empatados com a Indonésia, com 1,8%. Este é o 5º ano consecutivo de queda. A China tem 25%, EUA 15%, Japão quase 10%, Alemanha quase 7%, aí é possível perceber a discrepância com as maiores economias do mundo”, ressaltou.

UNIFICAR A LUTA 

Inspirada no modelo da IndustriALL-Global Union, organização que representa 50 milhões de trabalhadores em mais de 140 países, a IndustriAll-Brasil foi fundada para reverter o quadro de desmonte da indústria nacional, com propostas e projetos de políticas públicas para reindustrializar o país, a partir das demandas da classe trabalhadora. Em vídeo, os sindicalistas explicaram que a CUT e a Força se uniram para a criação da entidade porque as duas centrais já vivem a experiência da unidade no âmbito internacional, na IndustriALL Global Union. As duas centrais somam 5,7 mil sindicatos e entes associados, com 37,8 milhões de trabalhadores na base.

Um dos objetivos da IndustriALL é focar a reindustrialização na indústria 4.0. “Pensando em todos esses aspectos, a IndustriALL-Brasil tem a tarefa de dialogar muito com as universidades e institutos de pesquisa para pensarmos essa nova indústria que já está presente. A organização está aberta a outras entidades de trabalhadores para juntos organizarmos essa luta por emprego de qualidade e renda. Só assim, vamos dar um salto de qualidade na vida do povo brasileiro”, afirmou Aroaldo.

Ele explicou que as demais centrais sindicais, que também têm bases industriais importantes, podem se somar à IndustriAll-Brasil, destancando que a entidade está aberta para receber todas as organizações de trabalhadores que fazem parte da indústria e que queiram integrar o projeto, inclusive aquelas que não são ligadas a uma central sindical.  

ESTANCAR A DESINDUSTRIALIZAÇÃO

A indústria brasileira, que já representou na década de 1980 um terço do PIB, hoje representa apenas 11% das riquezas nacionais. Neste ano, cerca de 200 mil trabalhadores do setor já perderam seus empregos.

“Nenhuma nação do mundo conseguiu mudar o padrão de vida para o seu povo decente, sem ter uma base industrial forte. O Brasil vem se desindustrializando há mais de 30 anos e chegou em um momento dramático e esse processo de aumento da industrialização do Brasil, precisa da união de todos”, falou o presidente da CUT, Sérgio Nobre, no vídeo de apresentação da IndustriALL Brasil. “A principal pauta da classe trabalhadora hoje é a reindustrialização do país. Sem uma indústria forte, nenhuma nação consegue se desenvolver, gerar empregos de qualidade e dar um padrão de vida decente ao seu povo”, afirmou.

O Brasil tem hoje 18 milhões de trabalhadores e trabalhadoras na indústria, 19% do total do país, segundo o Dieese. "Como a IndustriAll-Brasil nasce com a missão de fazer propostas e projetos de políticas industriais, por meio das organizações que representam trabalhadores desse segmento, esse é o potencial que que nós queremos atingir em um futuro breve: 18 milhões de trabalhadores e trabalhadoras, e ampliar, pois com uma indústria fortalecida e renovada conseguiremos gerar empregos de qualidade", afirmou Sérgio Nobre.

O presidente da Força Sindical, Miguel Torres, destacou que a criação da IndustriALL representa um passo importante para o sindicalismo brasileiro nesse momento conturbado em que o movimento sindical vem sofrendo ataques e em meio a uma pandemia do novo coronavírus. “Era preciso dar um passo a mais no movimento sindical unificado no Brasil, pois, se já estávamos colocando várias ações em prática, várias ações de resistência contra os ataques aos direitos sociais, trabalhistas, sindicais e previdenciários da classe trabalhadora, teremos agora com a IndustriALL Brasil a consolidação da unidade e o fortalecimento de nossa missão sindical contra esses ataques. A IndustriALL Brasil quer um país melhor e mais justo, humano e solidário”, afirmou.

 Veja a íntegra do vídeo de lançamento:

 [Com informações da CUT e do Mundo Sindical]

 

Publicado em Trabalho

Um trabalhador da Petrobrás morreu e outros cinco terceirizados estão internados em consequência de um acidente ocorrido a bordo do navio holandês que está transportando a P-70, que foi construída na China e está a caminho do Brasil desde o início de dezembro. A direção da empresa não deu maiores detalhes sobre o ocorrido. Segundo informações preliminares, os trabalhadores teriam sido vítimas de uma intoxicação por etanol.

No comunicado divulgado à imprensa, os gestores da Petrobrás confirmaram o fato, lamentando a morte do trabalhador, mas priorizaram informar ao mercado que o acidente não causaria prejuízos à empresa e nem atrasaria o cronograma de instalação da P-70.

A FUP lamenta a morte do petroleiro e está buscando maiores informações. As outras cinco vítimas da suposta intoxicação foram internadas em um hospital da África da Sul, onde o navio atracou para que os trabalhadores pudessem ser socorridos.

Este foi o segundo acidente fatal envolvendo petroleiros brasileiros nesse início de ano. Na madrugada do dia 09, o mergulhador Graciano Elvyis Silva, de 41 anos, contratado pela Petrobrás, morreu a bordo de uma embarcação na Bacia de Campos, que prestava serviços para a plataforma P-33.

Segundo relatos obtidos pelo Sindipetro-NF, ele teria jantado por volta das 19h e fez um mergulho aproximadamente à meia-noite. Ao retornar, avisou que estava se sentindo mal e desmaiou. O mergulhador chegou a ser socorrido, inclusive com massagem cardíaca e desfibrilador, mas não resistiu. O sindicato participará da comissão de apuração do acidente.

P-70 deveria ter sido construída no Brasil

O acidente no transporte da P-70 é uma tragédia em diversos sentidos. Além de uma vida perdida e da saúde de vários trabalhadores comprometida, o fato traz à tona a dramática situação que vive o Brasil em função dos desmandos e irresponsabilidades da operação Lava Jato.  Empregos e renda que poderiam ser gerados no país foram exportados para a Ásia, onde passou a ser construída a maior parte das plataformas encomendadas pela Petrobrás e por outras operadoras do Pré-Sal.

A P-70 é o penúltimo dos seis FPSOs replicantes encomendados no Brasil, mas cujas obras foram transferidas para estaleiros do Japão, Tailândia e China. A construção da embarcação, já estava em andamento no Brasil, no Porto do Açu, no Norte Fluminense, quando foi desmobilizada em 2015, no rastro da destruição que a Lava Jato causou ao setor naval.  Junto com a P-67, que também estava sendo construída no local, a P-70 migrou para a cidade chinesa de Qingdao e as obras passaram a ser tocadas pelo estaleiro China Offshore Oil Engineering Corporation (COOEC).

A história da P-70, assim como a da P-67 e dos outros FPSOs encomendados para o Pré-Sal, é uma tragédia anunciada. A Lava Jato levou ao colapso vários setores da economia brasileira que integram a cadeia produtiva de óleo e gás. A indústria naval e a engenharia nacional foram as mais prejudicadas. Mais de 60 mil postos de trabalho diretos e milhares de indiretos foram destruídos, em função do fechamento de estaleiros e da redução drástica dos contratos da Petrobrás.

A Lava Jato impactou também os setores metalomecânico, a construção civil e a engenharia pesada, cujas perdas beiram R$ 140 bilhões e mais de 900 mil empregos perdidos, segundo o “Balanço Econômico da Lava Jato”, estudo publicado em agosto de 2019 pelo Jornal dos Economistas.

Os abusos da Lava Jato, já há muito tempo condenados por empresários e especialistas, foram também alvo de crítica recente por parte do presidente do STF, ministro Dias Toffoli. Já o presidente da Petrobrás, Roberto Castello Branco, e a quadrilha bolsonarista que está destruindo a estatal, insistem em usar a corrupção como desculpa para acabar com o que ainda resta de empregos no país, amaldiçoando a política de conteúdo local e entregando as nossas riquezas às multinacionais.

[FUP]

Publicado em Petróleo

Em São Bernardo do Campo, na região do ABC paulista, trabalhadores metalúrgicos vão continuar acampados em frente à fábrica de ônibus e caminhões da Mercedes-Benz. A mobilização começou na última segunda-feira (8), na tentativa de reverter cerca de 500 demissões anunciadas pela montadora em maio. Desde então, os metalúrgicos têm organizado movimentos como paradas em setores da produção, manifestações e, agora, o acampamento. Parte deles estava no chamado lay-off (suspensão do contrato de trabalho), com previsão de retorno no próximo dia 15, mas foram informados sobre as demissões.

O presidente do Sindicato dos Metalúrgicos do ABC, Rafael Marques, ressaltou o porte e a importância da empresa, que, segundo ele, tinha condições de buscar alternativas às demissões. "Essa não é uma empresinha qualquer, é empresa multinacional, muito estruturada, uma marca importante no mundo, Podia buscar suporte externo para atender, aqui, os empregos, trazendo produção de exportação para cá."

A ação busca reverter as demissões anunciadas pela montadora em maio, quando foram desligados 500 dos 750 funcionários afastados em regime de lay-off, desde o ano passado. "São em mobilizações como essas que nascem coisas novas. É só lutando que se consegue os objetivos na vida. E aqui não será diferente. Infelizmente, as negociações cessaram já há duas semanas. A direção de Recursos Humanos da empresa está em um seminário na Alemanha e esperamos que volte com alguma posição. Neste momento, não tem negociações em andamento. Por isso, agora é resistência e buscar alternativas", afirmou Marques.

A montadora informa que a decisão é para ajustar a produção frente às dificuldades das vendas do setor neste ano. Desde o início de 2015, a empresa acumula queda de 42,7% no licenciamento de caminhões e 15,2% em ônibus nem relação a 2014 (de janeiro a maio). "Quando a Alemanha (país-sede da Mercedes-Benz) passou por dificuldades em 2011 e 2012, aqui no Brasil estava bombando a produção (de veículos) e certamente as remessas de lucros que saíram do nosso País ajudaram os alemães a não terem problemas de empregos por lá. Agora, o tratamento não pode ser diferente com o Brasil", comparou o sindicalista.

Ainda segundo Marques, cerca de 2,8 mil trabalhadores perderam o emprego até agora no setor em 2015, sendo "a grande parte nas montadoras, mas por PDV (plano de demissões voluntárias)". "A primeira e única demissão em massa que foi desse jeito aconteceu somente na Mercedes. Por isso, a nossa indignação", acrescentou o sindicalista. O coordenador do comitê sindical na Mercedes, Max Pinho, disse que o acampamento "não tem data para terminar" e espera que a empresa reverta as demissões e abra negociação. "Se reverter as demissões e chamar para uma conversa, a gente pode cessar o acampamento. Caso contrário, vai continuar por tempo indeterminado."

Fonte: RBA

Publicado em METALÚRGICOS

A Federação Única dos Petroleiros (FUP) foi criada em 1994, fruto da evolução histórica do movimento sindical petroleiro no Brasil, desde a criação da Petrobrás, em 1953. É uma entidade autônoma, independente do Estado, dos patrões e dos partidos políticos e com forte inserção em suas bases.