Com sua vida em risco e emocionalmente abalada pela onda de violência contra homossexuais, a engenheira ambiental Jacilene Moreira não recebeu o devido acolhimento, nem empatia por parte da gestão da Petrobrás,  onde esteve empregada até junho.

Como muitos outros petroleiros que sofrem as consequências da atual gestão bolsonarista, cujos pilares são privatizar a empresa e desmontar os direitos e redes de proteção do trabalhador, Jacilene não aguentou a pressão. 

Apresentou crises de ansiedade e depressão e teve seu sofrimento psíquico ainda mais agravado pela omissão e descaso da gestão da Petrobrás, que negou-se a reconhecer o grave quadro de distúrbios mentais em que se encontrava. 

"Em consultas de praticamente 15 minutos de duração com os médicos do trabalho da Petrobras, tive meus atestados psiquiátricos não homologados reiteradas vezes. Pedi à empresa que uma junta médica analisasse um dos meus atestados que não havia sido homologado por um dos seus médicos. Não fui ouvida", revela a engenheira em depoimento publicado nesta segunda-feira, 23, em seu perfil no Linkedin

O post já foi amplamente compartilhado nas redes sociais, com hastags relacionadas ao movimento Setembro Amarelo, de prevenção ao suicídio.

"Ainda há quem acredite que não falar sobre alguns assuntos é uma forma de evitá-los (e não contabilizá-los nos indicadores). Talvez por isso a saúde mental não seja um tema valorizado no ambiente de trabalho de muitas empresas, como na Petrobras", declara Jacilene, que, pressionada, resolveu pedir o desligamento da Petrobrás. 

Leia a íntegra do desabafo da  ex-engenheira da Petrobrás em seu perfil no Linkedin: 

Meu setembro amarelo: Por que eu saí da Petrobras

Em 2008, recém-formada, após ser aprovada em um concurso público, entrei em umas das maiores empresas do setor de petróleo e gás do mundo. A Petrobras ainda estava no auge dos investimentos realizados na área ambiental da empresa - o que incluiu um concurso com o maior número de vagas abertas para engenheiros ambientais, no qual eu fui admitida. 

Sempre fui alguém que precisa entender o motivo pelo qual algumas regras se impõem. No entanto, durante toda minha trajetória, respeitei o totalitarismo hierárquico de uma empresa sexagenária - criada às vésperas da ditadura militar - que carece de alguns progressos. Os homens mais velhos – e mais brancos – continuam tendo os cargos mais altos e as ordens de um superior pouco são questionadas.

Até que eu fiz um pedido de licença temporária não remunerada à minha gerente.

Minha vida em outras mãos

Sabe-se que a licença temporária não remunerada é uma solicitação que pode ou não ser aceita pelo empregador. Fiz este pedido no final de 2018 – à época, eu integrava a gerência de Responsabilidade Social.

Em novembro de 2018 eu já não estava conseguindo sair normalmente de casa por medo, abalada emocionalmente pela eleição, então recente, de Jair Bolsonaro para a presidência da república. O clima de perseguição a LGBTs cresceu muito às vésperas das eleições, com relatos de pessoas, algumas próximas, que haviam sido vítimas de homofobia – incluindo agressões físicas. E eu não queria ser a próxima. Pela primeira vez na vida tive medo de viver no meu país.

Minha esposa começou a inscrever-se em processos seletivos de mestrado no exterior, como uma alternativa para passarmos um tempo longe disso tudo. Começamos a planejar nossa vida - ainda que temporária - fora do Brasil.

Me deparei, então, com a necessidade de abrir minha vida pessoal no trabalho. Como eu iria convencer minha gerente de que eu precisaria de uma licença temporária sem me expor? Será que ela seria capaz de tamanha empatia a ponto de aprovar o meu afastamento sem ponderar se meus motivos eram “suficientes”, mesmo que fossem particulares? 

Ainda abalada emocionalmente, na primeira segunda-feira após as eleições pedi para conversar com ela com urgência. Em uma sala de reunião, a sós, contei sobre todos os meus pavores. Expus meus medos e fragilidades, falei do quanto a realidade que se apresentava havia impactado a mim e à minha esposa, falei da minha depressão e disse que eu não me sentia segura no Brasil. Em um desabafo emocionado e sincero, justifiquei o meu pedido de afastamento.  

Ela tentou amenizar a situação, mencionando que, na visão dela, o país não se tornaria um lugar tão hostil para LGBTs e que gostaria de me manter na gerência, no entanto, afirmou que não era do perfil dela obrigar um empregado a permanecer em um lugar que ele não quisesse. 

Combinamos então que eu tiraria 15 dias de férias a que tinha direito e depois sairia em licença. Estabelecemos uma data e eu fiquei responsável por fazer a distribuição dos meus projetos pela equipe de forma que não prejudicasse ninguém. 

Feito todo o procedimento burocrático para solicitação da licença não remunerada e com a aprovação das gerências superiores, cumpri todas as demandas acordadas com a gerente para poder sair de licença logo que terminasse 2018. Estava tudo encaminhado. Uma luz enfim surgia para mim.

Porém, às vésperas da minha saída, fui avisada pela gerente que os planos haviam mudado. Sem maiores explicações, ela me disse apenas que a gerente executiva havia “mudado de ideia”, e que por isso não seria mais possível conceder a licença naquele momento.

" Nenhum empregado ou potencial empregado receberá tratamento discriminatório em consequência de sua raça, cor de pele, origem étnica, nacionalidade, posição social, idade, religião, gênero, orientação sexual, estética pessoal, condição física, mental ou psíquica, estado civil, opinião, convicção política, identidade de gênero ou qualquer outro fator de diferenciação individual." item 2.8 do Código de Ética do Sistema Petrobras

Mas onde eu fico nessa história?

Cerca de um mês se passou desde que obtive a carta com a aprovação das gerentes imediata e executiva para a concessão da minha licença até o dia que em que fui informada que a gerente executiva “mudou de idéia”. Neste período, eu e minha esposa começamos a nos organizar para deixarmos o país. Eu vendi o único imóvel que tinha, minha esposa pediu demissão, vendeu seu carro e começamos a vender nossos móveis. 

Com toda a minha vida organizada para deixar o Brasil em janeiro de 2019, quando recebi a notícia de que a gerente havia “mudado de ideia” três dias antes de sair para as férias que antecediam a licença, entrei em colapso. Passei os 15 dias de férias entre crises de ansiedade, taquicardia, insônia e pensamentos depressivos.

Não consegui voltar ao trabalho ao final do período de férias. Fui afastada por orientação médica. Mesmo assim, continuei a solicitar à minha gerente uma resposta formal sobre o meu pedido de licença temporária, pois ela não havia formalizado ainda a sua "mudança de ideia", me informou apenas oralmente, sem nenhum registro. E, afinal, eu precisava saber os motivos que embasavam sua mudança de decisão repentina, que afetava diretamente minha situação na empresa.

"Na relação com seus empregados, o sistema Petrobras compromete-se a: Assegurar a disponibilidade e transparência das informações que afetam os seus empregados, preservando os direitos de privacidade no manejo de informações de saúde, funcionais e pessoais a eles pertinentes" - item 2.4 do Código de Ética do Sistema Petrobras

Desde então fiquei afastada da empresa durante 6 meses devido a um quadro de depressão, ansiedade e transtorno de adaptação consequentes dessa mudança de posicionamento da gerente executiva sobre a concessão da licença.

Mesmo com um número expressivo de empregados no quadro da gerência, com duas empregadas prestes a retornar de licença maternidade e com todo o meu relato de adoecimento, a gerente executiva de responsabilidade social (uma área da empresa em que se pressupõe que há um maior cuidado com os aspectos sociais) preferiu manter seu posicionamento autoritário. 

Durante esse tempo de afastamento não tive apoio da minha gerente que, mesmo tendo conhecimento dos laudos médicos que atestavam a necessidade do meu afastamento temporário por motivos de saúde, preferiu se abster e gerir administrativamente minha situação através da gerência de RH, por meio de telegramas de solicitação de retorno ao trabalho com ameaça de punições.

"Não praticar, nem compactuar com ações que envolvam a prática de atos repetidos de violência psicológica, como assédio moral e assédio sexual, nem de atos pontuais de natureza ofensiva, humilhante, impertinente ou hostil praticados individualmente ou em grupo, independente de relações hierárquicas entre as partes." - item 4.14.1 do Guia de Conduta do Sistema Petrobras

Em consultas de praticamente 15 minutos de duração com os médicos do trabalho da Petrobras, tive meus atestados psiquiátricos não homologados reiteradas vezes. Pedi à empresa que uma junta médica analisasse um dos meus atestados que não havia sido homologado por um dos seus médicos. Não fui ouvida.

Com medo de sair de casa, noites de insônia somado à olhares e atitudes de descrédito por parte dos médicos, da assistente social e da gerência com relação ao meu estado de saúde, fui adoecendo a cada dia mais. Além de ter o meu salário cortado e receber suspensão da gerência em virtude da minha ausência – embora estivesse sem condições de saúde para ir trabalhar -, minhas semanas se passavam entre perícias e consultas médicas para tentar validar o meu estado de saúde diante do INSS e da empresa. Mas nada pôde convencê-los de que eu estou doente.

Em quais condições um médico do trabalho pode recusar o afastamento recomendado por um médico especialista em psiquiatria e legalmente habilitado?

Necessidade de acolhimento

No período em que estive mais adoecida e necessitando de apoio, a assistente social da Petrobras apenas se limitava a afirmar que eu deveria comparecer ao trabalho pois eu estava considerada apta pelos médicos da empresa. E posteriormente, a mesma assistente social parou de responder aos meus e-mails de solicitação de apoio para agendamento da perícia médica no INSS.

Em um estado de completo esgotamento mental, depois de meses envolvida em todo esse processo, recebendo recorrentes telegramas e e-mails em nome da gerência solicitando o meu retorno, sugeri à minha gerente que eu retomasse o trabalho, inicialmente, em home office (uma modalidade na qual muitos funcionários da Petrobras já atuam), tendo em vista que a maior parte das atividades é executada virtualmente, sendo necessário apenas um computador com acesso à rede da empresa e à internet. Desta forma, eu teria um tempo de adaptação até ter melhores condições de saúde para retornar ao ambiente de trabalho.

A gerente não aceitou, e apenas "estimou que eu estivesse em condições de retornar ao trabalho".

"Na relação com seus empregados, o sistema Petrobras compromete-se a:
Promover condições de trabalho que propiciem o equilíbrio entre a vida profissional, pessoal e familiar de todos os empregados; e
garantir segurança e saúde no trabalho, disponibilizando para isso todas as condições e equipamentos necessários;" - itens 2.1 e 2.2 do Código de Ética do Sistema Petrobras

O clima de desconfiança que gira em torno das pessoas diagnosticadas com algum tipo de distúrbio psíquico aprofunda ainda mais o sofrimento destas pessoas. Quando não há acolhimento, fica ainda mais difícil lutar contra a depressão.

Até quando a saúde mental não será valorizada nas empresas?

Depois de alguns meses solicitando uma justificativa formal sobre a negativa do meu pedido de licença, fiz uma reclamação formal à Ouvidoria da empresa - apesar de imaginar que possíveis retaliações poderiam advir em virtude dessa reclamação, ser ignorada reiteradamente por meus superiores estava aprofundando minha ansiedade.

Pouco tempo depois, recebi um e-mail da minha gerente que basicamente afirmava que a gerência estava (repentinamente) incumbida de mais atribuições e que, em razão disto, não poderiam me conceder a licença. 

Precisamos humanizar nossas relações profissionais

Foram sete meses de letargia. Os dias pareciam todos iguais e os ataques de ansiedade eram cada vez maiores a cada novo contato da Petrobras solicitando meu retorno.

Resolvi olhar com carinho pra mim e acolher meu sofrimento. Completamente desassistida pela empresa e abalada emocionalmente, solicitei o desligamento da Petrobras.

Até que ponto é legal ou ético uma empresa aprovar a demissão de um empregado que está em tratamento psiquiátrico e com reiteradas recomendações de afastamento do trabalho por médicos especializados na área?

Hoje, praticamente 3 meses após meu desligamento, consigo escrever sobre o que aconteceu. Provavelmente, se eu tivesse me forçado a retornar ao trabalho quando o meu atestado médico foi negado, as consequências para minha saúde seriam piores. Pensamentos relacionados ao desejo de acabar com todo aquele sofrimento já me passavam pela cabeça e voltar ao ambiente onde houve o gatilho que levou ao meu adoecimento poderia ter consequências trágicas.

A sociedade é cheia de tabus. A depressão ainda é um deles. Ainda há quem acredite que não falar sobre alguns assuntos é uma forma de evitá-los (e não contabilizá-los nos indicadores). Talvez por isso a saúde mental não seja um tema valorizado no ambiente de trabalho de muitas empresas, como na Petrobras. 

O Setembro Amarelo é sobre a prevenção do suicídio e nós precisamos trazer para a esfera profissional o diálogo sobre a depressão. Precisamos humanizar as nossas relações profissionais.

Chegar ao diagnóstico assertivo de uma patologia mental – como é o caso da depressão – não é tão simples quanto diagnosticar uma fratura óssea, por exemplo. No caso da fratura, o diagnóstico se baseia em exames de características físicas, mensuráveis. No caso da depressão, não. E é nesse momento que as empresas devem abrir espaço para o diálogo com o empregado, sem o peso das hierarquias.

[Via Linkedin | Foto: Flávio Emanunel -Agência O Globo]

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A Petrobrás acusou o golpe da derrota nas assembleias do final de agosto, que rejeitaram a sua “última” contraproposta de acordo coletivo. A gestão bolsonarista da empresa moveu todos os esforços para lotar os locais de votação com seus gerentes para tentar intimidar os trabalhadores.

Para isso, prometeu abonar as horas de quem fosse à assembleia. Depois do resultado, em que perdeu por ampla maioria, estão aparecendo relatos para o Sindipetro-NF de que algumas unidades não estão dando o abono prometido. Pelo visto, o abono das horas era só em caso de derrota do indicativo do sindicato.

A gestão também está levando adiante a coação sobre os petroleiros que têm cargo de chefia mas não se renderam à “orientação” de se desfiliarem dos sindicatos. O NF tem recebido relatos de que estes trabalhadores estão perdendo os cargos de chefia em razão de exercerem o direito de filiação.

Cursos no “momento livre”

Outra “novidade” é o lançamento de um aplicativo de celular que prevê em termo de uso o monitoramento dos aparelhos pessoais dos empregados, além tratar como algo benéfico que os trabalhadores utilizem o tempo de folga para fazer cursos exigidos pela própria companhia.

“Otimização de tempo é o ganho da funcionalidade de Aprendizagem: empregados podem usar o aplicativo no celular para completar os módulos de cursos de Ensino à Distância (EAD) sempre que tiverem um momento livre, como os cursos de Prevenção e Combate ao Assédio Moral e Sexual, de Introdução à Transformação Digital ou o programa Harvard ManageMentor, voltado para lideranças”, afirma texto da empresa que divulga a nova ferramenta de gestão de pessoas.

Denuncie

Esses são casos muito graves de má fé negocial, prática antissindical e assédio contra os trabalhadores feitos por uma gestão e um governo que desconhecem os limites da civilidade, da democracia e das relações institucionais. O sindicato solicita que todos os trabalhadores e trabalhadoras que estiverem passando por estas ou por outras situações de coação que enviem seus relatos para Este endereço de email está sendo protegido de spambots. Você precisa do JavaScript ativado para vê-lo.. A entidade garante o sigilo do denunciante.

[Via Sindipetro-NF |Boletim Nascente]

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Diante das ameaças da atual gestão da Petrobrás, que já estão sendo concretizadas, de intervir e agir com coação por seus interesses nas assembleias sindicais, o  Sindipetro Bahia, através de sua assessoria jurídica, apresentou denúncia contra a Petrobrás no Ministério Público do Trabalho sob nº NF 001909.2019.05.000/6.

A assessoria jurídica apresenta várias razões para a denúncia, mostrando a intervenção da Petrobrás na organização sindical dos trabalhadores em diversos patamares.

Um deles diz respeito à imposição da empresa aos trabalhadores que possuem cargo de chefia para que se desfiliem da entidade sindical, que os representa.

Questionado a respeito, o Gerente de Relações Externas da Petrobrás, Fabrício Pereira Gomes, assumiu a prática, declarando às representações dos trabalhadores que: “no entendimento da gestão da Companhia, há conflito de interesses entre ser sindicalizado e ocupar cargo na Petrobrás”.

Em diversos casos, trabalhadores renunciaram aos cargos de nomeação para manter sua filiação sindical. E os que se recusaram se desfiliar dos sindicatos, foram exonerados dos cargos.

Outro grave problema, que também foi denunciado ao Ministério Público, é a intervenção patronal em assembleias de trabalhadores.

No dia seguinte à apresentação da sua 3ª contraproposta, a Petrobrás reuniu os ocupantes de cargos de chefia dando a eles a missão de assediar a força de trabalho para votar favoravelmente na contraproposta da empresa.

A ordem da Petrobrás já está sendo cumprida nas diversas assembleias que estão acontecendo em todas as unidades do Sistema Petrobrás no Brasil. Na Bahia, as assembleias começaram no dia 21 e prosseguem até o dia 30/08.

As assembleias têm sido atípicas, com um grande número de pessoas que não costumavam participar desse tipo evento.

Está sendo comum também a presença de gerentes, que com suas presenças intimidam abertamente seus subordinados a votar na  contraproposta da empresa, como aconteceu no dia 22/08, durante assembleia no Trevo da Resistência, que reuniu trabalhadores do turno e do adm da RLAM, UTE CF e Temadre.  Nota-se também a presença de muitos supervisores, constrangidos devido ao assédio que vêm sofrendo.

Como no caso do assédio pela desfiliação sindical, já existem casos de renúncia aos cargos, e de exoneração punitiva.

A assessoria jurídica do Sindipetro, em sua denúncia apontou inconstitucionalidades na violação à liberdade sindical.

O advogado Clériston Bulhões afirmou perante ao Ministério Público que a livre organização sindical, como definida pelo artigo 8° da constituição, não admite nem a coação patronal para desfiliação dos sindicatos, nem a intervenção patronal para “condução” das assembleias.

Ele também citou o artigo 2° da convenção 98 da OIT,  que veda a intervenção patronal na organização dos trabalhadores.

[Via Sindipetro-BA]

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Representantes da FUP e do Unificado participaram na tarde da quarta-feira, 20, de uma reunião no Rio de Janeiro, quando foi apresentada a proposta para a realocação dos trabalhadores e trabalhadoras do Edisp. Pelo Sindicato participaram da reunião Cibele Vieira e Felipe Grubba. O coordenador nacional da FUP, José Maria Rangel, e a diretora Fátima Viana também estiveram presentes.

A Petrobrás informou que deve apresentar ainda esta semana para os funcionários o número de vagas para permanecer na cidade de São Paulo no escritório coworking e no teletrabalho na capital. Em uma segunda etapa, será aberta a possibilidade de realocação em outros imóveis da Petrobrás no Estado de São Paulo, como nas refinarias e no Edisa, mas ainda não há uma definição exata sobre quais locais e número de vagas, isso deverá ser definido em breve, informou a empresa.

Após o encerramento dessas etapas, caso haja situações especiais, a companhia irá disponibilizar o serviço de assistência social para tentar buscar soluções de consenso. “O resultado dessa reunião é um passo importante para acalmar a situação no Edisp e deixar alguns questões mais claras, como dissemos na atividade foi realizada no prédio, com nossa união podemos conseguir condições melhores de transferência”, avaliou Cibele Vieira ao final do encontro.

[Via Sindipetro Unificado SP]

Na sexta-feira, 8, representantes do Sindipetro Unificado de São Paulo e da FUP se reuniram com o setor de Relações Sindicais do RH da Petrobrás, no Rio de Janeiro, para debater o processo de fechamento do Edisp e transferência dos trabalhadores. “A empresa assumiu o compromisso de não haver demissões e de tentar minimizar os impactos das transferências, afirmando que situações diferentes terão soluções diferentes”, informou o coordenador do Sindicato, presente à reunião, Juliano Deptula.

O Sindicato deixou claro que quer buscar em conjunto com a Petrobrás alternativas para minimizar os impactos aos trabalhadores em relação à política de contenção de custos. “Explicamos que, como ocorreram em outras transferências, o Sindicato atuou juntamente com a empresa e acabou por encontrar soluções melhores do que havia sido proposto inicialmente”, lembrou Cibele Vieira, destacando que a principal preocupação atual dos funcionários é não ter de mudar radicalmente de vida com uma transferência açodada para outro estado, quando pode haver soluções de custo mais baixo em São Paulo, como a ocupação do Edisa, de Santos. 

O representante da Petrobrás informou que cada gerente executivo está fazendo um levantamento de quais serviços devem ser centralizados no Rio de Janeiro, o que pode permanecer em São Paulo e quais podem ter modelos alternativos como teletrabalho. O Sindicato solicitou que os trabalhadores participem mais ativamente desse levantamento, pois são os que têm melhores condições de avaliar os impactos de sua função. A empresa se comprometeu a envolver as direções da FUP e do Unificado nesse processo e apresentar, em cerca de 15 dias, o balanço desse levantamento. “A partir da apresentação desse mapa, o sindicato quer ter um tempo para analisar e conversar com os trabalhadores para dar prosseguimento ao processo”, informou Cibele.

O diretor do Unificado, Alexandre Castilho, que também participou da reunião, enfatizou a observância das cláusulas 42 e 51 do Acordo Coletivo: “A companhia, em situações de transferência, buscará compatibilizar, quando houver interesse das partes, as necessidades da empresa com aquelas dos empregados, buscando priorizar a mobilidade dos trabalhadores/as com família constituída com o objetivo de preservar a unidade familiar”, afirma o texto da Cláusula 51. “Esta é uma das mais importantes reivindicações dos trabalhadores e trabalhadoras do Edisp, que têm filhos já cursando escola, mulher ou marido com outro emprego fixo na cidade e a transferência causaria grande impacto na vida familiar”, destaca Castilho.

[Via Sindipetro Unificado de São Paulo]

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 REPRODUÇÃO
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Trabalhadoras e trabalhadores do Edisp (sede administrativa da Petrobrás na avenida Paulista) realizaram na manhã da sexta-feira, 1 de março, ato com atraso de duas horas na sede da Avenida Paulista, que está sendo alvo de ataque por parte da direção da empresa. A realização do ato foi definida em reunião setorial ocorrida na quarta-feira.

Cerca de 150 funcionários participaram do atraso. “Foi uma adesão consciente e voluntária, não havia nenhum constrangimento para quem não quisesse participar, isso demonstra como as pessoas estão preocupadas e sabem que a mobilização é o melhor caminho”, afirmou o coordenador do Unificado, Juliano Deptula.

O ato ocorre em decorrência da notificação de que o prédio do Edisp será desativado e os funcionários transferidos para o Rio de Janeiro, mas foi convocado, principalmente, pelo mal-estar ocasionado pela visita – no dia 25 de fevereiro - do gerente executivo de RH, Claudio Costa; que, em reunião, ofendeu a dignidade dos trabalhadores, ameaçou de demissão quem permanecesse em São Paulo e afirmou que as refinarias seriam privatizadas.

Busca de opções

A diretora do Unificado e da FUP, Cibele Vieira, iniciou o ato lembrando de outros episódios em que houve transferência de funcionários, mas com mobilização e informação conseguiu-se negociar condições melhores do que as impostas inicialmente pela empresa. “Vocês precisam nos fornecer subsídios para que possamos sentar e negociar com a empresa com informações precisas”, destacou Cibele.

Alexandre Castilho, também diretor do Sindicato e funcionário do Edisp, fez o retrospecto do movimento nas últimas semanas e da surpresa em relação à presença do GEx na sede do Edisp no mesmo dia em que ocorria a reunião com o RH no Rio de Janeiro. “Estávamos lá debatendo quando surgiu a notícia de que o Claudio Costa estava aqui em São Paulo, isso é uma total falta de respeito ao diálogo”.

O ato contou com a participação de dirigentes das três regionais e dos sindipetros do Litoral Paulista e de Minas Gerais, que vieram prestar solidariedade à luta.

Ficou definida que uma comissão formada pelo Sindicato e por trabalhadores de todas as áreas do Edisp fará um estudo paralelo de viabilidade econômica para a permanência em São Paulo, em local de menor custo. Ao final do ato, os presentes deram um “cartão vermelho” para Claudio Costa.

[Via CUT]

Funcionário de carreira, com longa tradição de Petrobrás… ops… nada disso, Claudio Costa, o novo Gerente Executivo de RH da Petrobrás, indicação política de amigos dos amigos, só conhecia a companhia até há bem pouco tempo pelo que lia na revista Exame ou assistia pelo Jornal Nacional. Isso não o impediu de dizer, na reunião com funcionários do Edisp, que em 2015 a Petrobrás estava quebrada, como justificativa para o desmonte iniciado pelo governo tampão de Temer.

Costa, que se mostrou exímio em falar bobagem, repete o batido discurso dos privatistas para justificar a opção política e ideológica de entregar o patrimônio brasileiro e a maior empresa nacional para o controle do capital estrangeiro. Ou é mal informado ou mal-intencionado, mas em nenhum dos dois casos mostra qualificação para gerenciar uma empresa complexa como a Petrobrás.

O dito prejuízo da Petrobrás

Entre 2014 e 2017, a empresa apresentou resultados contábeis negativos, um acumulado de R$ 71,7 bilhões. No entanto, outros indicadores importantes mostram que o dito “prejuízo” foi uma opção de política da alta gestão. No mesmo período, a empresa apresentou faturamento (receita de vendas) de R$ 1,2 trilhão, lucro bruto acumulado de R$ 360,6 bilhões e EBITDA Ajustado de R$ 298 bilhões (confira tabela abaixo).

Então por que o balanço da companhia mostrou prejuízos contábeis?

Para explicar essa situação há alguns fatores determinantes, entre eles:

  • Os impairment´s (termo contábil usado para avaliar preços de ativos, de acordo com as suposições e estratégias que serão adotadas pela empresa no futuro) foram responsáveis por R$ 112,4 bilhões em perdas (R$ 44,5 bilhões em 2014, R$ 47,6 bilhões em 2015 e R$ 20,3 bilhões em 2016). Economistas de diversos matizes questionaram os critérios adotados para estabelecer os impairment’s, observando que iam na contramão do que outras grandes petrolíferas fizeram.
  • Queda no preço do barril de petróleo, de US$ 100/barril entre julho de 2014, chegando a US$ 26/barril em janeiro de 2016 e estabilizando na casa do US$ 50/barril. Como todos sabem (e Costa deveria saber), esse movimento cíclico motivado por disputas políticas internacionais tende a se estabilizar em médio prazo, perdas de um período são compensadas com ganhos em outros, ninguém pensa o mercado petrolífero em termos de meses e sim de anos e décadas. Mas Costa não deve saber disso, visto que sua experiência profissional é como indicado político na Prefeitura de São Paulo.
  • Dificuldades em continuar com os projetos de investimentos, por conta da Lava Jato. Vários projetos importantes e com grandes volumes de investimentos não foram concluídos por conta de bloqueios/descontinuidade de contratação de empresas envolvidas em investigações. A obra da Comperj, por exemplo, continua parada (e, consequentemente, sem recuperação de investimentos) por embargos às empreiteiras que executavam as obras.

A dívida da Petrobrás também é apresentada como indicador da fragilidade da empresa e motivo para fechar unidades e demitir funcionários. Em setembro de 2018, a Petrobrás apresentou uma dívida líquida de R$ 291,8 bilhões. É um valor considerável, de fato, mas perfeitamente assimilável para uma empresa do porte da Petrobrás e tendo nas mãos uma das maiores reservas de óleo do mundo, o pré-sal, ops, de novo, estão entregando o pré-sal a preço de banana e tirando essa riqueza de nossas mãos.

Essa dívida em sua maior parte, 66%, é de longo prazo, com vencimento após 2023, o que é característico do setor petrolífero. Um dado a ser olhado com atenção é que 74% dessa dívida está em dólar, o que torna a Petrobrás mais suscetível aos humores da macropolítica mundial.

Outros fatores influenciam essa dívida, como o grande (e correto) investimento feito na descoberta do pré-sal.

Se ainda não sabe, Claudio Costa irá saber em pouco tempo quem é a categoria petroleira. Construímos com suor diário a maior companhia da América Latina, enfrentamos tanques do exército nas refinarias, enfrentamos a manipulação da opinião pública nas investigações da Lava Jato, fizemos Pedro Parente e sua arrogância saírem pelas portas do fundo. Não será um subordinado de um político conservador que irá desrespeitar os milhares de petroleiros e petroleiras dessa companhia. Quem já tentou isso no passado se deu mal.

[Via Sindipetro Unificado SP]

A Federação Única dos Petroleiros (FUP) foi criada em 1994, fruto da evolução histórica do movimento sindical petroleiro no Brasil, desde a criação da Petrobrás, em 1953. É uma entidade autônoma, independente do Estado, dos patrões e dos partidos políticos e com forte inserção em suas bases.

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