Super-ricos ganharam em quatro meses de  pandemia  R$ 177 bilhões. Presidente da Fenafisco, Charles Alcântara, defende taxação sobre altas rendas e grandes fortunas para combater as desigualdades.

[Da Rede Brasil Atual]

No Brasil, os super-ricos ficaram US$ 34 bilhões (cerca de R$ 177 bilhões) mais ricos, entre 18 de março e 12 de julho, em meio à pandemia, segundo relatório da ONG Oxfam. O valor supera o orçamento total do Sistema Único de Saúde, de R$ 125,6 bilhões. Somadas as emendas parlamentares, os recursos chegam a aproximadamente R$ 160 bi. O lucro dos super-ricos também é equivalente a seis vezes o orçamento anual do Bolsa Família.

As comparações são do presidente da Federação Nacional do Fisco Estadual e Distrital (Fenafisco), Charles Alcantara. “E essa renda praticamente toda não é tributada, no Brasil. Por conta das desonerações da renda do capital.”

Em entrevista a Glauco Faria, no Jornal Brasil Atual, nesta segunda-feira (10), ele defendeu a implementação do Imposto sobre Grandes Fortunas (IGF) como uma das formas de corrigir essas distorções e combater as desigualdades no país. 

Previsto na Constituição de 1988, contudo, o IGF nunca foi regulamentado. Essa é uma das proposta que constam no documento “Taxar os super-ricos para reconstruir o país”, lançado na última quinta-feira (6).

Esse novo imposto incidiria sobre um universo de 60 mil pessoas que possuem patrimônio declarado superior a R$ 10 milhões. “É preciso que essa faixa, o topo do topo da pirâmide, passe a ser tributada. Como todos os países menos desiguais e mais desenvolvidos fizeram. Mas o Brasil é um dos únicos países que não tem um sistema tributário progressivo”, destacou.

Altas rendas

Além dos maiores patrimônios, a proposta apresentada pela Fenafisco e outras entidades também propõe a criação da Contribuição Social sobre Altas Rendas das Pessoas Físicas (CSPF). Da mesma forma, essa modalidade incidiria sobre rendimentos que ultrapassem R$ 60 mil por mês, com alíquota de 20%. A previsão, portanto, é que tal contribuição atingiria 208 mil pessoas que estão no topo da pirâmide.

Simplificação não é solução

A campanha para taxar os super-ricos é uma iniciativa que pretende influenciar nos debates da reforma tributária, em discussão no Congresso Nacional. Por outro lado, segundo o presidente da Fenafisco, as principais propostas em discussão se limitam apenas a propor a simplificação de tributos, e não atacam a regressividade do sistema.

A Fenafisco e as demais entidades defendem que é preciso aumentar tributação sobre as altas rendas e os grandes patrimônios para reduzir os impostos sobre o consumo. Como a classe média e os mais pobres comprometem a maior parte da renda com o consumo, proporcionalmente, acabam pagando mais impostos do que os mais ricos.

Assista à entrevista: 

[Foto: AFP]

Publicado em Economia

O Superior Tribunal Federal (STF) decidiu no dia 5 de agosto que a infecção por Covid-19 (coronavírus) será enquadrada como acidente de trabalho. Essa é uma vitória importante para os médicos e outros trabalhadores da saúde, que agora poderão comprovar a doença ocupacional, conquistando assim o direito à estabilidade por um ano e, em caso de falecimento, pagamento integral de pensão para dependentes.

Com a decisão, é obrigatório o preenchimento da Comunicação de Acidente de Trabalho (CAT) para garantir o integral cumprimento das obrigações por parte dos empregadores. Confira o vídeo do diretor do Sindicato dos Médicos de São Paulo (Simesp), Erivalder Guimarães. 

 

Publicado em Trabalho

No começo de agosto, 100 mil óbitos por covid-19 confirmados no Brasil. 

Nada foi capaz de evitar a confirmação desta tragédia. Nem a baixa testagem, provocada pelo governo Bolsonaro; nem todas as ações de esvaziamento do Sistema Único de Saúde (SUS), que estão em curso desde quando começou o governo Bolsonaro –  com manutenção do congelamento dos recursos por 20 anos, com a destruição do Mais Médicos, com as mudanças do financiamento da atenção primária em saúde.

Nem a baixa execução dos recursos adicionados ao orçamento do Ministério da Saúde neste ano pelo Congresso Nacional, não atingindo nem metade da sua execução; nem a tentativa do Ministério da Saúde de esconder os dados da covid-19 no seu portal.

Nem tudo isso que Bolsonaro tentou fazer para esconder o avanço da covid-19 do povo brasileiro e do mundo, conseguiu impedir esta marca de 100 mil óbitos confirmados.

Certamente já chegamos a este patamar há muito mais tempo. É que a baixa notificação, o desmonte das ações de vigilância, a baixa testagem, a falta de transparência nos dados de síndrome respiratória aguda grave fizeram com que a gente atingisse esta marca agora na primeira semana de agosto. 

O mais incrível é que a ciência e diversas projeções, inclusive da própria equipe técnica do Ministério da Saúde, apontavam para este cenário, que Bolsonaro busca esconder e negar desde o começo da pandemia no Brasil. O apontado é de que atingiríamos esta marca de 100 óbitos confirmados na primeira semana de agosto. 

Frente em Defesa da Vida

Foi lançada esta semana, por um conjunto de entidades da sociedade civil, a Frente em Defesa da Vida, que tem uma proposta de um plano emergencial para superarmos este momento trágico, tentarmos reduzir esta caminhada de óbitos e buscarmos reorganizar o SUS para enfrentar não só a pandemia, mas todos os problemas de saúde advindos dela. 

Este plano defende que só a sociedade civil organizada juntamente com o Congresso Nacional, com os gestores estaduais e municipais que têm o compromisso com o Sistema Único de Saúde, será possível constituir uma verdadeira autoridade sanitária com capacidade política de buscar corrigir os rumos do enfrentamento à pandemia e darmos um passo de fortalecimento do SUS. 

Foi essa pressão da sociedade civil, articulada pela sucessão da Articulação dos Povos Indígenas Brasileiros (Apib) e pelos partidos políticos de oposição, que ao entrarem no Supremo Tribunal Federal (STF) essa semana, conseguiram uma das principais vitórias neste momento que é a proteção aos povos indígenas. A decisão da Suprema Corte obriga o governo federal a constituir um plano de proteção aos povos indígenas neste momento da pandemia da covid-19. 

Que a marca dos 100 mil óbitos sirva também para constituirmos uma marca de uma autoridade sanitária da sociedade civil e dos atores políticos do judiciário para tentar frear o projeto genocida de Bolsonaro, quem sobre a marca de 100 mil óbitos, a única frase que têm a dizer é: "vamos tocar a vida". 

Por Alexandre Padilha, médico e ex-ministro de Saúde, em artigo publicado no jornal Brasil de Fato \ Foto: Reuters

Publicado em Política

[Da imprensa do Sindipetro-NF]

Em reunião por videoconferência com integrantes da fiscalização da Operação Ouro Negro, do Ministério Público do Trabalho e Coordenação Regional da Inspeção do Trabalho Portuário e Aquaviário (SEGUR- SRT RJ), realizada no último dia 06, o Sindipetro-NF apresentou um histórico da atuação da entidade na defesa da saúde dos petroleiros e petroleiras nesta pandemia da covid-19. O sindicato se colocou à disposição para contribuir nas ações de cobrança pela adoção de medidas de prevenção.

De acordo com o coordenador do Departamento de Saúde do sindicato, Alexandre Vieira, se a Petrobrás tivesse ouvido os representantes dos trabalhadores, o número de casos na empresa seria menor. “Se ouvissem a gente, não chegaríamos a esses números tão grandes. Nada garante que ninguém seria contaminado, para obviamente reduziria muito”, afirma.

Entre março e junho passados, o Sindipetro-NF enviou 18 ofícios, à gestão da Petrobrás e a instâncias do poder público, para cobrar ações de prevenção à Covid-19. Na maioria dos casos não houve resposta e as medidas, quando adotadas, foram muito lentas.

Confira abaixo um histórico das ações do sindicato, em cronologia que também apresenta paralelamente o aumento do número de casos suspeitos e confirmados de Covid-19 entre petroleiros e petroleiras. Os números, do Ministério das Minas e Energia, apresentam inconsistências em alguns momentos, em razão da falta de transparência da Petrobrás na divulgação dos casos. 

Confira as ações do NF desde o início da pandemia 

13 de março – Ofício do NF para Petrobrás solicita aumento dos cuidadas de higiene com a disposição de álcool em gel e adoção de quarentena de 14 dias casos suspeitos. A empresa demorou a adotar a quarentena e a disponibilizar o álcool em gel.

18 de março – Ofícios do NF para Petrobrás solicitam home office, uso de máscaras, itens de higiene, redução da lotação nos transportes (nas aeronaves não foi realizado até hoje), aumento da higiene de ambientes e proteção especial para os trabalhadores da limpeza. Além disso, realização de discussão sobre redução do contingente, triagem, hospedagem para os suspeitos ou infectados, próprios ou terceiros. Desembarque imediato dos suspeitos ou confirmados e das pessoas que estivessem psicologicamente abaladas. Antecipação da vacinação da gripe. Ampliação das equipes médicas, suspensão dos processos de transferência e cursos. Informações sobre os casos da covid-19 e participação na EOR.

24 de março – Ofício do NF para Petrobrás solicita novamente os dados relativos aos trabalhadores afetados pela covid-19.

25 de março – Ofício do NF para Petrobrás reforça as solicitações anteriores e soma a solicitação de testes rápidos a todos no embarque e desembarque. Outro ofício, do NF para a Prefeitura de Campos, denucia o confinamento de trabalhadores em hotéis na cidade, sem o devido acompanhamento médico.

26 de março – Ofício do NF à fiscalização do trabalho denuncia riscos enfrentados pelos trabalhadores. 

[Dados do Ministério das Minas e Energia MME até então: Total de casos suspeitos de covid-19 entre funcionários próprios e terceirizados: 396. Confirmados: 15.]

Publicado em Sistema Petrobrás

[Da imprensa do Sindipetro-NF]

O Sindipetro-NF recebeu informação de que, ontem, um princípio de incêndio foi controlado na sala dos operadores da plataforma P-50, a mesma que passa por momento de muita apreensão com um grande número de infectados pelo novo coronavírus.

De acordo com relatos iniciais, o fogo começou em um computador e foi eliminado pelos trabalhadores com extintores. Não houve feridos. A emergência, no entanto, provocou a aglomeração dos petroleiros e petroleiras a bordo na sala de reunião — o que gerou preocupação em razão da condição sanitária crítica da unidade.

O sindicato orienta aos petroleiros e petroleiras da unidade a manterem a entidade informada sobre a situação a bordo. Trabalhadores e trabalhadoras de outras unidades marítimas e bases de terra também devem enviar relatos para o NF sobre as condições de saúde e segurança no trabalho para Este endereço de email está sendo protegido de spambots. Você precisa do JavaScript ativado para vê-lo.

 

Publicado em Sistema Petrobrás

Em homenagem às vítimas da covid-19 e para protestar contra o governo, centrais sindicais e movimentos sociais realizam um dia de “luto e luta”, nesta sexta-feira (7), quando o país poderá chegar à trágica marca de 100 mil mortos em consequência da pandemia. Mortes que poderiam ter sido evitadas, se políticas corretas tivessem sido implementadas ainda no começo da crise.

A mobilização fará mais uma vez ecoar o grito ‘Fora, Bolsonaro’, pela vida e por empregos em 23 estados do Brasil. Estão previstos protestos como 100 minutos de paralisação em fábricas do ABC, 100 cruzes colocadas em pontos de grande circulação de Maceió, Salvador e Goiânia, 100 balões lançados durante ato ecumênico em Porto Alegre, entre outras ações. 

Estão programados, também, atos presenciais, com respeito às medidas de segurança. Haverá manifestações em São Paulo, na Praça da Sé, a partir do meio-dia; em Recife, na Praça da Democracia, às 14h; em Salvador, às 10h, entre outras regiões, onde estão previstas homenagens aos brasileiros e brasileiras que perderam a vida na pandemia.  Veja aqui a lista atualizada

Bolsonaro sai, Petrobras fica

A suspensão das privatizações é outra importante bandeira de luta desta sexta. Nas últimas semanas, a gestão da Petrobrás anunciou que está concluindo as negociações para entrega da Rlam (refinaria da Bahia), arrendou as fábricas de fertilizantes do nordeste (BA e SE), colocou à venda usinas de biodiesel junto com a subsidiária PBIO, leiloou a preço de sucata três plataformas da Bacia de Campos e está se desfazendo da Gaspetro, com 10 mil km de gasodutos e participação em 22 distribuidoras de gás natural em vários estados do pais. Tudo isso em plena pandemia.

Para unificar ações contra esse desmonte, a FUP e seus sindicatos farão nesta sexta o lançamento da campanha Petrobrás Fica, durante a audiência pública da Frente Parlamentar Mista em Defesa da Petrobras, prevista para as 10 horas, com transmissão ao vivo pelo youtube e redes sociais da federação.

“Estamos caminhando para 100 mil mortes em uma pandemia que foi tratada pelo governo como gripezinha. Essa tragédia não se abateu apenas sobre as famílias das vítimas. É também uma tragédia de milhões de brasileiros sem empregos, desalentados e sem esperança. É uma tragédia da soberania nacional e da democracia. Precisamos defender a vida e isso só será possível se frearmos esse governo insano”, afirma o coordenador da FUP, Deyvid Bacelar. “No caso da Petrobrás e suas subsidiárias, a gestão bolsonarista está destruindo a mola mestra do desenvolvimento nacional e a sociedade precisa reagir, antes que seja tarde demais", alerta.

Vida e emprego

“Nós alertamos no início da pandemia que se o governo não abraçasse a política de isolamento (…) o Brasil iria viver uma enorme tragédia. Infelizmente, o governo federal desprezou todos os nossos alertas, abriu mão de de coordenar todo esse processo”, afirmou o presidente da CUT, Sérgio Nobre, em entrevista esta semana, lembrando que entre os quase 100 mil mortos pela pandemia, a maioria são "trabalhadores pobres, a parte mais vulnerável da população”.

As homenagens a essas vitimas servirão “para reflexão sobre o que está acontecendo, para homenagear aqueles que partiram e exigir uma mudança de rumo". Ele ressaltou que o Brasil vive também uma “pandemia de demissões” que atingie principalmente as micro e pequenas empresas. 

Solidariedade

No momento em que o Brasil se aproxima dos 100 mil mortos pela covid-19, é importante destacar a importância de campanhas de solidariedade, como a Vamos Precisar de Todo Mundo, criada pelas Frentes Brasil Popular e Povo Sem Medo, que vêm realizando diversas ações nas periferias do país, regiões mais afetadas pela crise. Muitas delas com participação dos petroleiros. Em 100 dias de lançamento da campanha, criada para abrigar e dar visibilidade às ações solidárias desenvolvidas pelos trabalhadores, estudantes e voluntários, já foram doados mais de 3 mil toneladas de alimentos, entre produtos agroecológicos e cestas básicas, além de insumos. 

[FUP, com informações da CUT]

Publicado em Movimentos Sociais

Contaminação mostra falhas nos protocolos de saúde e segurança que vêm sendo denunciadas pela FUP e seus sindicatos desde o início da pandemia e coloca em xeque proposta da Petrobrás de aumentar a população embarcada em plataformas.

Entre 30 de julho e 05 de agosto, 42 trabalhadores que estavam na plataforma P-50, no campo de Albacora Leste, na Bacia de Campos, testaram positivo para Covid-19, de acordo com informações levantadas pelo Sindipetro-Norte Fluminense. No dia do primeiro caso, havia 167 embarcados na unidade. Desde então, 33 pessoas com sintomas da doença retornaram ao continente – destas, 19 testaram positivo. Outros 23 trabalhadores foram testados a bordo após a detecção desses casos e registraram positivo para a doença.

A alta contaminação na P-50 confirma as falhas nos protocolos de saúde e segurança para a Covid-19 adotados pela Petrobrás para os trabalhadores que atuam nas plataformas marítimas e unidades terrestres da companhia, o que vêm sendo denunciado pela Federação Única dos Petroleiros (FUP) e seus sindicatos desde o início da pandemia, em março. No caso das plataformas, as características do ambiente de trabalho, que dificultam o distanciamento entre as pessoas e obrigam a convivência entre trabalhadores nos camarotes, potencializam ainda mais os riscos de infecção em massa.

“Segundo informações que recebemos, na semana anterior já haviam desembarcado oito pessoas contaminadas. Já solicitamos à Petrobrás que teste toda a população de uma plataforma quando há casos na unidade, para evitar a disseminação da doença. Mas a empresa não nos atende, e isso acaba causando situações como esta da P-50 e como já ocorreram em outras plataformas”, explica Alexandre Vieira, coordenador do Departamento de Saúde do Sindipetro-NF.

A infecção por Covid-19 registrada na P-50 ocorre no momento em que a gestão da Petrobrás vem convocando os sindicatos para discutir o aumento da população embarcada (POB) nas plataformas marítimas. A empresa ainda não definiu um cronograma, mas já vem aumentando a POB no campo de Búzios, na Bacia de Santos. Entretanto, em 27 de julho, a empresa suspendeu embarques e desembarques na plataforma P-77, instalada na área, por suspeitas de contaminação na unidade.

“A gestão da Petrobrás vem alegando que o aumento da população a bordo é necessário para garantir a segurança e a integridade das instalações. Mas o que os casos recentes da P-50 e da P-77 e de tantas outras plataformas que estamos denunciando desde o início da pandemia mostram é que o que está em risco é a saúde, segurança e a integridade dos trabalhadores e trabalhadoras dessas unidades e de suas famílias, e isso não está na lista de preocupações da companhia. O aumento de pessoas a bordo visa apenas o aumento da produção, que, devido à retração do mercado interno, está sendo exportada”, avalia Tadeu Porto, diretor da FUP.

 

Publicado em Sistema Petrobrás

[Da imprensa do Sindipetro-NF]

A política de extermínio do presidente Jair Bolsonaro está sendo seguida à risca pela gestão Castello Branco em relação ao tratamento dado aos trabalhadores das plataformas. Petroleiros saem de casa com saúde e são infectados a bordo, no seu local de trabalho, onde deveriam estar protegidos.

A plataforma de P-50 está com um quadro grave de contaminação. Na terça-feira, 4, foi realizado um teste a bordo e o número de contaminados subiu de 13 na segunda, para 42 ontem. Desse total, 19 pessoas desembarcaram, 23 estão positivas a bordo, em sete os testes foram inconclusivos e 118 deram negativo. Um aumento de 223,07 % dos casos. O POB (número de pessoas a bordo) da unidade é de 167 pessoas na unidade.

Segundo relatos dos trabalhadores, a operação da unidade praticamente voltou ao normal. ” A gente tá operando como se nada estivesse acontecendo. Inicialmente o discurso da chefia era para ir para a área só se tivesse algum problema grave. Aos poucos foram arrochando e  tudo voltou ao normal a demanda a correria a cobrança. Aí agora olha o resultado? A galera sai de casa bem, sem problema nenhuma e volta com o COVID” – afirma um trabalhador da unidade.

O Editorial dessa semana do Boletim Nascente denuncia:  “assim como o governo, a gestão bolsonarista da Petrobrás é negacionista. Ela despreza a vida e os alertas de que seus trabalhadores estão sendo submetidos a riscos muito acima dos toleráveis e dos necessários para este momento. O caso P-50, também como a matéria, é extremamente emblemático dessa política de morte”.

Assim que recebeu as denúncias de COVID em P-50, a diretoria do Sindipetro-NF  cobrou da Petrobrás a realização do teste PCR, que detecta a COVID-19 no início, em todos os trabalhadores e trabalhadoras à bordo.

O Sindipetro-NF está cobrando ações imediatas da gestão para reduzir a contaminação e denunciou o caso à inspeção de segurança do trabalho, da Secretaria do Trabalho — a estrutura de fiscalização que restou após o desmonte do Ministério do Trabalho e hoje é ligada ao Ministério da Economia.

Denuncie

O sindicato reforça que é muito importante que os petroleiros e petroleiras enviem informações à diretoria da entidade sobre os riscos á saúde e à segurança. É garantido o sigilo sobre a autoria de denúncias. Os contatos dos diretores e diretoras estão disponíveis aqui e os relatos também podem ser enviados para Este endereço de email está sendo protegido de spambots. Você precisa do JavaScript ativado para vê-lo..

 

POB de P-50 = 167 pessoas a bordo

Desembarcaram com COVID: 19 pessoas

Com COVID-19 a bordo: 23 pessoas

Inconclusivos: 07 pessoas

Negativos : 118 pessoas

Publicado em SINDIPETRO-NF

Por Ricardo Garcia Duarte, médico do trabalho que assessora o Sindipetro-NF

O Brasil vive há cinco meses em um Estado de Emergência de Saúde Pública de Importância Nacional (ESPII) devido a Pandemia pelo novo Coronavírus SARS-Cov2, causador da Covid 19.

Essa doença persiste em nosso território nacional, através da transmissão comunitária do vírus, produzindo ainda um quadro de morbi-mortalidade importante e preocupante pelo grande número de adoecimentos, de óbitos e da necessidade de continuidade de tratamentos pelas sequelas adquiridas ou agravos à saúde decorrentes da própria doença ou da situação vivenciada durante esse período.

E, cabendo ainda ressaltar o papel deletério decorrente da falta de gerenciamento conjunto de entes públicos à nível nacional, estadual e municipal (a falta de coesão nas ações propostas ou adotadas), que priorizaram (ou estão priorizando) a flexibilização precoce, decorrente da pressão empresarial, do distanciamento social e o retorno ao trabalho à revelia de estudos e pesquisas realizadas por especialistas em saúde pública e especialistas em infectologia, pneumologia, intensivistas, virologistas, entre tantas outras especialidades e carreiras que têm contribuído e feito descobertas importantes sobre a evolução da Covid 19 e de suas repercussões em diversos órgãos e sistemas.

Tudo isso tendo como resultado para a população do País, um total de 94.145 mortes por Covid 19 e 2.733.735 infectados (dados do Consórcio de Imprensa na manhã de 03/08/2020). E, revelando assim, a manutenção em patamares ainda altos de novos casos e mortes diariamente, e a necessidade de revisão das estratégias adotadas.

Por estarmos longe do controle da Pandemia e da disseminação do novo Coronavírus, é importante insistir e denunciar as práticas das empresas da Indústria do Petróleo, em especial da Petrobrás, pela:

1) Omissão de informações sobre os casos em seus locais de trabalho e negar o direito ao reconhecimento como doença relacionada ao trabalho;

2) Forma que vem tratando a testagem de seus(suas) trabalhadores(as), considerando que testes rápidos com presença de resultado positivo para a presença de anticorpo IgG garantem imunidade a todos ( o que não é comprovado pelos estudos científicos) e, mesmo na presença associada com o anticorpo IgM, não é exigida que passem por teste molecular RT-PCR para comprovação de que não são portadores do vírus (como preconizado pela Fiocruz, MPT, UFRJ, Johns Hopkins University,…);

3) Não realização de exames médicos presenciais para trabalhadores(as) que apresentaram sinais e sintomas ou foram hospitalizados pela Covid 19.

Por isso, o direito às informações deve ser garantido aos trabalhadores(as), às CIPAs, ao Sindipetro-NF e à Federação Única de Petroleiros (FUP) enquanto representantes legítimos de todos os(as) trabalhadores(as) e, as respostas devem ser dadas as seguintes perguntas:

a) Quem são os médicos e/ou os epidemiologistas e/ou os sanitaristas que assinam as Notas Técnicas da Petrobrás e assumem as responsabilidades por elas ? E, quais são os temas abordados pelas mesmas?

b) Onde estão os estudos epidemiológicos do avanço e do acompanhamento dos casos de Covid 19 na empresa ?

c) Qual é o número total de trabalhadores na Indústria do Petróleo que não pararam suas atividades desde o início da Pandemia (por local e cargo/atividade profissional)? Quantos adoeceram, quantos foram a óbito e, finalmente, quantos necessitam de acompanhamento para tratamentos?

[Publicado originalmente no portal do Sindipetro-NF]

Publicado em Sistema Petrobrás

[Do portal da CUT]

A CUT e demais centrais sindicais realizam na próxima sexta-feira, dia 7 de agosto, o Dia Nacional de Luta em Defesa da Vida e dos Empregos. A data deverá ser marcada por paralisações de 100 minutos nos locais de trabalho como protesto pela morte de 100 mil brasileiros e brasileiras, vítimas do novo coronavírus (Covid-19), número que deverá atingido ainda esta semana, se o país mantiver o patamar de mais mil vidas perdidas diariamente. Além do protesto contra as mortes, haverá outras manifestações (veja abaixo), articuladas entre as centrais e as frentes Brasil Popular e Povo sem Medo.

A defesa da vida só se consegue com o presidente Jair Bolsonaro (ex-PSL), que menosprezou a pandemia e ignorou as medidas de prevenção recomendadas pelas autoridades da área da saúde, como o uso de máscaras e o isolamento social, fora do poder.

A afirmação é da Secretária- Geral da CUT, Carmen Foro. Para ela, essas 100 mil mortes poderiam ter sido evitadas, mas a falta de uma coordenação nacional para combater a pandemia e a pressa do governo e de parte do empresariado em reabrir a economia estão levando a um genocídio da população brasileira.

“Precisamos dizer em alto e bom som que não sairemos desta crise com Bolsonaro no poder. É fundamental denunciarmos as 100 mil mortes e principalmente pedirmos providências contra este governo que aprofunda a crise por irresponsabilidade, por não ter tomado medidas sanitárias e econômicas adequadas ao enfrentamento da pandemia”, diz Carmen.

O governo não toma providências necessárias contra a pandemia e ainda transfere aos governadores e prefeitos o custo de suas ações, incluindo o desmonte da saúde pública, complementa a secretária de Mobilização e Movimentos Sociais da CUT Nacional, Janeslei Albuquerque.

“Bolsonaro é a morte. Ele já fez o cálculo político do quanto custaria milhões de mortes e percebeu que não vai pagar por isso. Se morrerem um milhão de pessoas e 10 familiares e amigos de cada morto se indignar, ainda assim serão apenas 10 milhões de pessoas que não conseguirão colocar outro candidato num segundo turno eleitoral, e este cálculo ele já fez, como bem disse o articulista do jornal Folha de São Paulo, Celso Rocha de Barros”, diz Janeslei.

A tragédia que se abate no país também atinge, além da centena de milhares de vidas perdidas, a classe trabalhadora, a soberania nacional e a democracia, já que o governo Bolsonaro vem sistematicamente entregando as riquezas brasileiras ao capital externo, promovendo processos de privatização com graves prejuízos à Nação, retirando direitos dos trabalhadores, sem gerar emprego e renda e, por isso, o lema do dia 7 é também em defesa dos empregos.

“O dia de luta vai marcar politicamente a importância da pressão sobre este governo frente ao crescimento do desemprego que já atinge 12,4 milhões de pessoas, e também para dizer não ao desmonte do patrimônio público e as privatizações“, defende Carmen Foro.

E este alto índice de desemprego e o aprofundamento da crise econômica têm sido utilizados por Bolsonaro como desculpas para retirar ainda mais direitos dos trabalhadores e, pior fazer com que a população se volte contra as medidas de isolamento social, avalia Janeslei.

 “Bolsonaro manobra para que as pessoas achem normal voltar ao trabalho, mesmo sem direito algum, para fazer reformas que só interessam ao capital internacional”, diz a dirigente.

Para ela, Bolsonaro é calculista e já deixou claro que não é patriota porque  vem sistematicamente destruindo a soberania nacional, entregando nossas riquezas a empresas e governos estrangeiros num patamar nunca visto desde o período colonial, como reza a cartilha do ministro da Economia, o banqueiro Paulo Guedes.

“Essa é a ideia que o presidente tem do Brasil. Sua única preocupação é proteger sua família das denúncias de envolvimento com a milícia. Mas, enquanto Guedes, articulado com o sistema financeiro, defende os interesses internacionais, Bolsonaro continua no poder alimentado também pelo gabinete de ódio que espalha fake news, deturpando os ideais de democracia, à medida em que as pessoas agem influenciadas por uma campanha de mentiras que orientou suas decisões na última eleição. Isto é sequestrar a soberania popular”, avalia Janeslei.

O 7 de agosto é dia de recuperar a democracia e salvar vidas porque Bolsonaro significa um governo de genocídio.

Os representantes das entidades e movimentos sociais, bem como as centrais sindicais, definiram alguns desafios políticos e organizativos, para potencializar a Campanha ‘Fora, Bolsonaro’ com as seguintes bandeiras:

- Repudiar a iniciativa de prefeitos e governadores que já planejam e até fixaram data para retorno presencial dos alunos às aulas;

- Exigir das autoridades os equipamentos de proteção individual e coletivo para os trabalhadores das categorias essenciais, em especial os da área de saúde;

- Lutar pela manutenção do auxílio emergencial de R$ 600,00, no mínimo, até 31 de dezembro de 2020;

- Ampliar as parcelas do seguro desemprego;

-Liberar crédito para as micro e pequenas empresas;

- Fortalecer o Sistema Único de Saúde (SUS);

- Agir para que o Congresso Nacional derrube os vetos presidenciais que impedem a garantia dos direitos conquistados pelos trabalhadores e trabalhadoras e seus sindicatos, por meio da ultratividade, dos acordos e convenções coletivas de trabalho.

Em comunicado às Estaduais, ramos da CUT e sindicatos, Carmen Foro e Janeslei Albuquerque, após reuniões de articulação com o Fórum das Centrais, orientam, em nome da direção CUTista, além da paralisação de 100 minutos nos locais de trabalho, a realização de ações simbólicas nas principais cidades do Brasil denunciando a política genocida de Bolsonaro frente à pandemia.

Entre as sugestões estão a instalação de cruzes brancas em locais de grande circulação de pessoas ou em pontos turísticos das cidades, circundando uma faixa (da cor preta) com a inscrição Fora Bolsonaro (em branco).

Realizar ações nas ruas com a identidade visual da campanha como colagem de lambe, “adesivaços”, faixas em viadutos e circular com carro de som nas comunidades. Todos esses materiais estão disponíveis em um kit mídia no site da Campanha (https://www.campanhaforabolsonaro.com.br/)

Organizar carreatas pelas principais avenidas com carros identificados com a campanha Fora Bolsonaro, conduzidos por um carro de som. Todas as ações acima devem respeitar os cuidados sanitários e de distanciamento social.

Estimular que todas as pessoas coloquem um pano preto nas janelas de suas casas como simbologia de adesão à campanha e, por fim, participar e divulgar o tuitaço que será realizado às 11 horas do dia 07 de agosto.

Publicado em Trabalho
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A Federação Única dos Petroleiros (FUP) foi criada em 1994, fruto da evolução histórica do movimento sindical petroleiro no Brasil, desde a criação da Petrobrás, em 1953. É uma entidade autônoma, independente do Estado, dos patrões e dos partidos políticos e com forte inserção em suas bases.

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